Let the Snow
24 O depois

[...]
Sinceramente, não sei como Douglas conseguiu dirigir até sua casa.
Durante o trajeto, nos beijávamos, afastávamos e voltávamos a nos beijar.
Douglas tem dificuldade para encaixar a chave e abrir a porta da frente, por 1) estarmos nos beijando e 2) ele estar me segurando enquanto minhas pernas se envolviam em sua cintura.
Rimos baixo enquanto subimos as escadas, Douglas pousa os dedos em meus lábios indicando para eu não fazer barulho.
Entramos em seu dormitório e em poucos segundos Douglas está sem a camiseta.
Deitamos na cama, os beijos mais ardentes a cada segundo. Douglas acariciava meu corpo por baixo dos quilos de roupa que eu usava.
– E-e-espere. Espere. — Douglas diz, arfando, se afastando o suficiente para poder pronunciar as palavras — Não a-cha que estamos indo rápido demais?
– V-você não quer? — Digo, encarando fundo seus olhos.
– Quero. — Ele diz rapidamente, logo depois ruborizado — M-mas, você é...
– Sou. — Corto sua frase — Sou sim, mas... Eu quero, agora, com você. Por... Favor. — Minha respiração estava acelerada, minha boca seca.
Douglas responde com um beijo. Seus lábios desciam degradadamente por meu rosto, beijando meu pescoço, causando arrepios por todos os meus membros.
Eu tiro meu moletom, e ele delicadamente abre os botões da minha blusa. Não tiramos os olhos do rosto um do outro.
Estava ciente de que Fred Welsome estava no quarto ao lado, mas mesmo assim, acho que não foi por isso que não produzimos muitos sons aléns de arfares e sussurros chamando pelos nomes um do outro em nossos ouvidos. Emily já tinha me mostrado uma vez um vídeo erótico, no qual a mulher berrava, e eu fiquei um pouco assustada de realmente ser daquela maneira.
Porém, naquele quarto escuro, em meio aquela maior demonstração de amor da minha vida, não me senti vadia, violada ou vulgar, como a mulher do vídeo aparentava ser. Sinto que estou fazendo a coisa certa, estou amando. Eu e Douglas havíamos nos tornado um só.
Estava selado naquele momento.
Nosso amor havia sido eternizado naquela noite, para sempre em nossas memórias.
~
A primeira coisa que me vem a mente é; O que eu vou fazer com a minha vida.
Oh, meu Deus, como eu amava aquele garoto.
Ele me amava também.
O peso do "depois" me esmaga sem pudor. O que faríamos com nossas vidas? Eu havia feito o certo? Ou eu tinha cometido um erro?
Viver o momento era bom. O problema era arcar com o after.
– Bom dia. — Ouço-o murmurar em meu ouvido.
– Bom... Dia. — Murmuro, abraçando-o com força.
– E-eu ainda não estou acreditando. Estou em um sonho? — Ele pergunta, seu lábios roçando minha nuca.
– Não. Está totalmente acordado. Espero só que... Não tenha se arrependido. — Deixo escapar.
Douglas se senta na cama, segurando meu rosto entre as mãos.
– Ontem foi a melhor noite da minha vida. De toda ela. Toda a minha vida inteira, e eu não me arrependi de nada.
Sorrio, lhe dando um longo beijo, logo depois voltando a deitar em seu peito e abraçá-lo.
– O que faremos agora? — Pergunto, completamente perdida.
– Eu que ia perguntar isso para você.
Eu iria embora mais tarde. Durante todo o tempo em que eu estive ali, eu tentei não pensar no desfecho da história, mas era isso que iria acontecer. Eu iria embora, e Douglas ficar, mais de cinco mil quilômetros de distância nos separando.
– Eu não posso mais ficar longe de você. — Sussurro.
Ouço Douglas engolir em seco.
– Eu também não. Eu também não.
~
Fred Welsome sabia. Eu tinha certeza.
Ele me encarava com um olhar debochado, comendo seus ovos mexidos com um tipo de sarcasmo.
Eu encarava a mesa e Fred e Julia, comia de vez em quando, tentando não demonstrar nada em minha expressão. Como era possível aquela peste saber?
Será... Que ele estava nos observando, como Alex Watts mandou-o?
Aquela pequena hipótese me faz afundar na cadeira.
– Eu e Alexandra estamos juntos. — Douglas murmura.
Me engasgo com o suco de laranja, tossindo alto.
– E-estamos? — Pergunto, confusa.
– Claro que estamos. Ou não estamos? — Douglas parece duvidar de mim.
– Se você está falando, é claro que estamos! — Digo, com uma risada nervosa — Quero dizer, eu acho...
Fred nos encarava com tédio, como se apenas nós não sabíamos daquilo.
– Tá, disso eu sei. Agora o que eu quero saber é... O que vocês decidiram? Afinal, ela mora lá, você mora aqui, ela é menor de idade, você não é... Tem várias complicações nesse sonho de mel.
Suspiro.
– Eu não sei, sinceramente, mas... Eu vou fazer de tudo para não ficarmos longe. Eu estou pensando, talvez, depois das gravações, eu possa ir para lá, ficar com ela.
Depois das gravações? Mas...
– Mas as gravações vão durar um semestre, se não dois! — Protesto.
– Tá, mas ai você vai lá ficar com ela e...? Afinal, a mãe dela não sabe de nada. Sabe, são muitas coisas que vocês tem que pensar. Muitos acarretamentos.
Encaro a mesa.
– Pois é crianças, eu aprendi isso cedo.
– O que você aprendeu? — Douglas diz, cutucando o bacon com o dedo.
– Se apaixonar é uma droga, baby. — Fred resmunga.
Douglas engole o que mastigava com visível dificuldade.
– Era disso que eu tinha medo.
Ele me lança um olhar significativo antes de sair da mesa.
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