Let the Snow
11 Nunca se sabe o que Fazer
Você nunca sabe o que fazer quando sabe que vai ver Douglas Smith.
Eu não sabia se eu ficava do quarto, se saia, se ia para o meu, se ia para a sala, se me trancava no banheiro.
Eu não sabia se falaria "Oi, tudo bem?", "Eai" ou "Fala, gato".
Sentada, de costas, de pé?
Nessa indecisão, eu acabei me embolando e trancando meus movimentos na escada. Eu subia? Eu descia?
– Vamos, se descidaaaaaa! — Fred me agarra pelos braços e balança.
– Eu não sei o que eu faço! — Berro, apavorada.
– Fique aqui, e desça a escada. É sexy, dramático e inesperado. Só tente não cair. Eu vou recepcioná-lo! — Fred corre as escadas.
Eu fico ali, plantada.
Sexy, dramático e inesperado?
Meu coração parece que vai explodir.
Aliso meu vestido, arrumo minhas postura, posiciono minha peruca.
Ai, meu Deus.
O som da trava se abrindo.
– Oi Julia, como está? — A voz grave e rouca diz, tão familiar quanto a minha própria.
– Estou bem, Doug, o almoço está servido viu? Está bem quente ainda.
– Obrigada, garota. — Consigo ouvir o sorriso em seus lábios.
Eu vou desmaiar, eu sinto que vou desmaiar.
– Olá, Douglas, sou Fred Welsome, guia contratado por Alex Watts para acompanhar Alexandra Neves. Prazer em conhecê-lo.
– Ah, olá! Ela... Ela já está ai?
– Sim, deve estar descendo... Agora.
Minha deixa. Aquela é a minha deixa.
Porém, eu não consigo. Eu fico ali parada.
Ouço Fred pigarrear.
– EU DISSE que ELA deve estar descendo AGORA! — Fala.
"Tudo bem, Alexandra", digo para mim mesma "São só alguns degraus, o amor da sua vida está ali embaixo de esperando, vamos, vamos lá".
Eu desço.
Um, dois, três, quatro degraus.
Cabeça baixa, eu não consigo levantar, eu não vou conseguir manter minha postura diante seu olhar.
Um silencio domina o lugar quando eu desço o último degrau.
Eu levanto meu rosto devagar, aquelas lágrimas que ameaçavam cair pinicam em meus olhos.
Ele está ali.
Alto e magro.
Cabelos castanhos cacheados e brilhantes.
Usa calça jeans, um casaco de flanela azul e vermelho e coturnos.
Ele me encara.
Está sorrindo para mim.
Ele está sorrindo.
Porém, quando vejo seus olhos... Azuis como o oceano de meus sonhos, brilhantes e emotivos, a me olhar, ME olhar...
Eu perco qualquer tipo de sanidade mental que ainda me restava.
Eu corro em sua direção e o abraço, eu o abraço com violência, vejo-o cambalear para trás e um arfar escapar de sua garganta.
Eu jamais ia largá-lo, nunca mais, nunquinha.
Meu rosto alcançava o início de seu peito, e eu enterro meu rosto ali.
O cheiro.
O cheiro, ai meu Deus.
É completamente diferente da casa.
Ele cheira a grama molhada e maresia.
Tão confortável, tão bom, tão aconchegante.
Douglas Smith.
Eu estava abraçando Douglas Smith.
E ele estava retribuindo.
Douglas Smith retribuiu meu abraço, AI. MEU. DEUS.
Sinto seus braços me envolverem em um calor absoluto.
Eu não aguento.
Quando dou por mim, estou soluçando.
As lágrimas escorrem por meu rosto, mas eu me nego a abrir os olhos, eu os fecho com força, pois tudo pode ser uma grande mentira, parece que irá se dissolver assim que eu abri-los.
– Vamos, Alexandra, não chore. — Eu ouço sua voz. Suave, grave e rouca — Eu estou aqui por você, ok? E não vou a lugar nenhum.
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