Let the Snow
34 Mente vazia
3 dias
...
– Eu sinto a sua falta. — Douglas diz, acariciando meu rosto enquanto brinco com os dedos da sua mão.
Pisco algumas vezes. Mas, eu estava ali com ele, não estava? Como ele poderia ter saudades de mim? Que engraçado!
– Mas eu estou aqui! Estou com você, não seja bobo. Estamos perto demais para sentirmos saudades um do outro. — Sorrio.
– Não é disso que eu estava falando. Sinto falta da antiga você, da Alexandra que eu conheci. E-eu ainda amo você, só sinto... Falta.
Fico calada por alguns segundos, tentando entender.
– Mas... Eu continuo a mesma! Eu sou A MESMA! — Grito — Isso quer dizer que você não me ama mais?! É isso mesmo?! — Falo, as lágrimas começam a queimar meus olhos.
Fred abre a porta, nos observando.
– O que está acontecendo? — Ele diz, cético.
– Ele não me ama mais! Ele não me ama mais! E eu nunca mudei, isso quer dizer que ele sente falta de algo que nunca teve! — Choro.
Fred encara Douglas com raiva.
– O que você disse para ela?! — Ele diz, puxando-o pela blusa e fazendo-o ficar de pé. Eles pareciam pai e filho. Seria engraçado se eu não estivesse triste.
– Eu não disse nada demais! Foi só que... Que eu sentia falta dela, só isso! — Douglas tenta se defender.
– Você sabe que... As condições dela, você não pode falar coisas assim para ela! — Fred diz entre gritos e sussurros.
– Caralho, eu já disse que não fiz nada demais! — Doug se joga no sofá, baixando a cabeça.
– Alexandra está doente, seu egoísta! Você não imagina o que pode passar pela cabeça dela agora, depois do aumento da porra do câncer, dá para você parar de pensar em si mesmo por um tempo?! — Fred diz, a voz grossa.
Encaro-o, suas palavras pareciam boiar no ar. Nada fazia sentido. Acho que ele estava enlouquecendo, coitado.
– Eu TAMBÉM ESTOU SOFRENDO! — Douglas soca a parede. Fico assustada, abraço com força meu travesseiro — COMO VOCÊ ACHA QUE EU ME SINTO QUANDO VEJO-A DESSA MANEIRA?
Douglas me examina, seus olhos lacrimejam. Será que eu teria que lhe dar outro sermão sobre como ele deveria ser feliz, como eu?
– Como você acha que eu me sinto quando ela me parece tão familiar, mas ao mesmo tempo tão estranha? — Doug limpa as lágrimas que escorregam por seu rosto — Eu me sinto inútil. Me sinto fraco.
Fred puxa Doug para um abraço. Doug soluça desesperadamente com o rosto escondido no ombro de Fred, e aquilo corta o meu coração. Eu queria saber o que o deixava triste, algo que não fosse o universo, para que eu pudesse dar uns bons tapas. Eu odiava ver Doug triste, e deve ser por isso que eu comecei a chorar também.
Fred e Douglas me encaram.
– Ela precisa de você. Agora, mais que nunca. — Ouço Fred murmurar para Doug.
– Eu sei. Eu sei disso. — Doug, suspira — O problema é que eu também preciso dela.
~
Douglas era um gênio!
Aquilo era incrível. Ele me guiava pelos corredores do hospital, eu estava gostando de andar na cadeira de rodas, era como um automóvel portátil particular super maneiro. Que horas eram? Tarde. A lua iluminava os corredores com uma luz prateada muito bonita. Era quase... Mágico. Ele empurrava a cadeira de rodas e murmurava uma melodia doce que logo fora me acalmando e pesando minhas pálpebras. Só estávamos ali porque eu não estava conseguindo dormir; Doug tinha razão quando disse que um passeio poderia nos fazer bem. Eu não saia daquele quarto branco e triste há dias!
Acabamos por parar no fim de um corredor sem saída, que possuia uma parede totalmente de vidro. Era maravilhoso ver os carros nas ruas, as árvores tremerem com o vento e algumas pessoas aqui e lá andando pela rua aquela hora, quando todos pareciam estar dormindo. Eu queria compartilhar meu pensamento com Douglas, porém, não encontro as palavras certas, meu cérebro parece estar vazio. Então, eu simplesmente continuo a observar, calada.
Doug se ajoelha ao meu lado.
– Eu queria te pedir desculpas. Pelo que eu te disse mais cedo. Eu amo você, e você continua a mesma sim. Minha Alexandra. — Ele me dá um beijo longo na bochecha.
Eu queria abraçá-lo e e dizer como eu o amava, como ele era a coisa mais importante da minha vida. Como eu precisava dele, e como eu queria que ele jamais partisse novamente.
Mas eu não consigo. Minha mente parece vazia. Então eu continuo observando a janela, os faróis dos carros que voavam pelas ruas.
Esperava que Doug não tivesse compreendido mal o meu silêncio.
~
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