Let the Snow
32 Feliz
Notas iniciais
Uma semana depois
[...]
Debaixo d'água
Debaixo d'água
pipipipipipipi
Eu só queria fazer aquele barulho irritante parar. Que som infernal!
Ouço a voz de Fred. Ele parecia estar muito longe. Ele parecia preocupado. Fred não deveria se preocupar tanto. A vida era tão boa, para que tanto estresse?
Estou no ar. Estou nadando nas nuvens. Flutuando no gelo.
Mas... Eu caio. Não gostei de cair. É muito dolorido, e... Eu não consigo respirar. Não consigo puxar o ar, onde estava o ar?
Eu estava debaixo da água.
Minha visão fica escura nas bordas. Eu estava me mexendo? Não parecia que eu estava me mexendo. Porém, as luminárias no teto corriam rápido. Como carros de corrida. Elas me lembravam estrelas. Mas não quaisquer estrelas; As estrelas do lugar especial. Nosso lugar especial. Neve e estrelas.
Neve. Será que era por isso que estava tão frio?
Douglas, Douglas, Douglas.
Engraçado. Realmente, quando se repete uma palavra várias vezes, fica estranho, como se estivessemos falando em uma língua diferente. Código Morse. Eu e Emily tentamos aprender Morse, porém, quando falavamos "Cuidado com o cocô" em morse, o som parecia a batida de uma música pop muito legal. Sempre acabávamos dançando.
Sanduíche. Que palavra hilária! Imagine só. Um homem pegou duas fatias de pão, queijo e presunto e juntou todos eles. Como ele inventou o nome? Simplesmente pensou "Vou chamar isso de sanduíche!"?
Uau, a dor estava aumentando. Eu não gostava de cair. A dor estava doendo. Dor doendo. Aquilo era hilário. Eu queria rir. Será que eu estava rindo? Não sei.
Não sei.
Engraçado.
~
Quando examino o quarto, Fred está do meu lado. Ele segura minha mão, o que era estranho. Por que as pessoas seguravam as mãos umas das outras quando queriam demonstrar afeto? Se pensarmos bem não faz sentido. Segurar a mão é como segurar algo importante da pessoa, impossibilitá-la de usar e consequentemente prendê-la. Isso não era algo afetivo.
– Alexandra... Você está bem? — Ele pergunta.
Claro que eu estava bem, eu estava maravilhosa! Eu por acaso não parecia bem? Eu estava viva, é claro que eu estava bem. Mas como alguém pode saber que outra pessoa não está bem? A definição de não estar bem é qual? Estar parecendo estar mal deve ser estar feia.
Ele estava me chamando de feia??!!
– Minha mãe. Onde está minha mãe? Mããããe! — Digo.
Minha mãe não me dava atenção! Poxa, porque só dava atenção para o Matheus? Ele era pequeno e tal, mas eu também precisava de atenção as vezes!
Fred me encara com um olhar estranho.
– Ela está ali fora. Vou chamá-la. — Ele diz, e se levanta para sair.
Era legal usar as pernas. Eu gostava das minhas. Mas agora eu não podia usá-las.
Ali está minha mãe. O rosto dela estava vermelho. Parecia um tomate! Era engraçado. Ela estava chorando, eu acho. Por que todo mundo daquele lugar parecia triste? Poxa, um pouco de felicidade, era pedir demais?
– Sorria, mamãe! Sorria um pouco, você está viva! — Cruzo os braços — E pode usar as pernas! Isso não é justo. Eu estou feliz e não ando, e você anda e não está feliz!
Minha mãe não parece entender que NÃO ERA para chorar. Ela começou a chorar... Mais ainda! Aquilo não estava certo, eu estava falando grego por acaso? Fred percebeu o que eu quis dizer. Ele abraça minha mãe com força, e eu os encaro com a cabeça virada para o lado, tentando ter um melhor ângulo. Eles ficavam bem juntos.
Tapo minha boca com as mãos, chocada.
– VOCÊS FICAM BEM JUNTOS! ISSO É... INCRÍVEL! — Falo, com uma risada feliz. Eu gostava de ser feliz. Ser feliz era o máximo.
Minha mãe não entendeu de novo. Por que ela chorava tanto?
~
Eu queria dormir... Só mais um pouco! A escola era tão chata!
– ... Estamos sem opção. Ele se expandiu de maneira preocupante, Mariane. Não temos mais nenhuma esperança. Ela já está na fase de delírio, é a penúltima antes do óbito. Me desculpe ser tão direto, mas... Não temos muitas espectativas.
Uau. Quem estava em delírio? Aquilo era horrível. A tal garota deveria estar muito mal. Eu queria conhecê-la. Talvez pudesse fazê-la ficar feliz, como eu estava!
– E qual é a última fase? — Fred. A voz do Fred. Estava fanha! Era engraçado. Fanho. Palavra tosca.
– Normalmente a última fase é a mais difícil para os familiares. O paciente se torna agressivo e rancoroso. É quando recomendamos que os familiares ofereçam coisas que tragam calma ao paciente. Normalmente o hospital libera animais para pacientes desse nível, pelo menos os de pequeno porte, eles normalmente deixam os pacientes em um estado de espírito mais calmo. Amigos também são bastante importantes para entreter o paciente e não deixá-lo entediado.
Silêncio.
Eu estava com sono. Aquele sonho era deprimente. E eu não gostava de depressão! Felicidade era o meu canal. Não, não era canal de rádio, nem de televisão, isso é só um jeito de dizer que é gostava de felicidade, se acalme!
Sentia muito por aquela menina. Sua vida deveria ser triste. Uma pessoa rancorosa normalmente tinha passado por experiências negativas no passado. Eu tinha lido aquilo em algum lugar.
Até que eu não conhecesse aquela garota, eu ia dormir. Eu gostava de dormir. Era tão... Feliz.
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