Let Me Be

3 Capítulo 2


Olhei-me no espelho do quarto, passando manteiga de cacau nos lábios e meu costumeiro lápis de olho.


Se ele nunca te olhou, não vai ser com essa maquiagem de nada que ele vai começar a notar.


Revirei meus olhos, esses pensamentos sempre apareciam nas piores horas. Era como se houvesse outro alguém na minha cabeça, falando coisas avulsas aos meus pensamentos de origem. Odiava admitir, mas tinha essa possibilidade. Peguei meu material e saí de casa, com esperanças de que hoje seria diferente.


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Bom dia... Cumprimentei todos e sentei em meu lugar, recebendo alguns bom dias de volta. Esparramei-me na cadeira, como sempre faço, e abri a mochila, pegando um caderno e um livro.

Que desânimo é esse? Hinata perguntou virada para mim.

Terça-feira, tédio mortal... Respondi sem a mínima animação.

Entendo...

E aí! Tenten passou nos cumprimentando, tocando igual a um mano.

E aí... Bati em sua mão seguindo de um soco. Ela se sentou em qualquer lugar, e tirou seus materiais prestando atenção na aula. Dobradinha de inglês, que coisa chata, deitei a cabeça na carteira e aos poucos o sono foi me dominando, então adormeci.


Sakura, acorda!

Mais cinco minutinhos vó... Respondi tentando continuar com o sono.

Vó é o cassete! Acorda logo porque o sinal já bateu. Levantei a cabeça e abri os olhos vagarosamente, vendo Temari ainda me sacudindo.

Calma! Já vou, já vou... Disse com a voz rouca de sono, levantei cambaleando um pouco e guardei minhas coisas, colocando a mochila nas costas e indo para a sala de Filosofia. Sim, sala de Filosofia. Aqui na escola são os alunos que transitam de sala à sala, o que, particularmente, eu adoro.


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Vamos analisar alguns itens, os classificando no quadro em com fundamento ou sem fundamento. O professor de Filosofia explicava e apontava para o tal quadro desenhado na lousa. O copiei no caderno e me distraí novamente, pensando se seria hoje que ele iria me notar. A aula foi passando e eu não escutava nada do que falavam, até que um item me interessou.


Amor. O professor falou e todos começaram aquela bagunça para falar, várias vozes soavam ao mesmo tempo, me irritando profundamente.

Não tem fundamento. Falei em alto e bom som, fazendo todos se calarem, deixando um silêncio gostoso na sala.

Por que não tem fundamento? O professor me perguntou. Eu não sabia por que havia respondido isso, mas foi involuntário. Teria que arranjar uma boa desculpa para me sair bem dessa. Eis que o divino sinal bate.


Salva pelo gongo! Pensei juntando meu material e correndo para o pátio, seria a hora do teste.


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Vou ir ao refeitório, alguém mais vai? Perguntei com um pouco de pressa, ao ver Sasuke entrando na fila da merenda.

Eu vou. Ino gritou e correu para a fila, foi atrás dela e peguei uma ficha. Minha respiração havia começado a ficar descompassada ao vê-lo sumir em meio à porta do refeitório. Depois de dois minutos, consegui entrar também, o vendo sentado na frente de Tenten. Peguei o meu lanche junto com Ino e fui em direção da mesa onde ele estava e me sentei ao lado de Tenten, e Ino ao lado dele. Olhava de relance enquanto comia meu lanche em silêncio, não querendo interromper a conversa dele e dos amigos. Tenten me cutucou, eu entendi como um Fale com ele, olhei para ele novamente, que já tinha acabado de comer o lanche; abri e fechei a boca várias vezes tentando deixar a voz sair, quando senti que ia conseguir, parei de tentar. Ele não havia me olhado em momento algum. Quem garante que se eu falasse algo resultaria em algo bom? Fechei a boca e abaixei meus olhos, sentindo sua presença quente e brilhante se afastar de mim, apenas deixando o seu perfume que tanto me fazia sonhar.


Tão óbvio A voz sussurrou para mim, com um tom de Eu te disse.

Não fique triste Saky, você vai ter mais chances. Tenten abriu um sorriso e tentou me consolar, e Ino também decidiu falar:

Isso aí! Não desista dele.


Suspirei pesadamente e dei um sorriso para elas, eu não iria desistir tão fácil. Levantei com o sinal batendo, já era hora de voltar para a tortura.


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Aula de Português, eu só não digo que é um saco porque a professora faltou, ou seja, duas aulas sem fazer absolutamente nada. As meninas aproximaram suas carteiras da minha, menos Temari que estava com Juugo grudado nela, como sempre.


Você ficou sabendo do campeonato regional? Tenten perguntou e depois afirmou repleta de confiança. Eu vou jogar no time feminino de basquete e quero que me vejam vencer.

Claro que vamos ver você vencer. Disse rindo da animação dela, mas parei para pensar e perguntei Basquete? Então...

Isso aí, o time masculino também vai. Tenten me interrompeu sorrindo marota O Sasuke também vai. O primeiro jogo do time dele vai ser essa sexta-feira.


Abaixei a cabeça e sorri, iria para ver Tenten e agora para ver Sasuke. E seria a chance perfeita para falar com ele! Nos intervalos dos jogos, ele não estaria tão ocupado e imagino que não estaria incomodando muito se desejar ao menos um Boa Sorte para ele. Ele não estaria com pressa e, talvez, pudesse conversar comigo.


Ela já está até sonhando. Ino riu, zoando comigo. É a sua chance, certo?

Sim! Eu vou ter uma chance decente Ino! Finalmente... Sorri novamente, dessa vez mais intensamente. Finalmente vou falar com ele...

Falar com quem?


Olhei para Naruto que me encarava curioso, senti meu rosto queimar e um mal-estar me pegar. Não adiantava tentar enrolá-lo, Naruto é teimoso e não iria desistir enquanto eu não falasse.


N-Ninguém — As meninas responderam todas juntas, gaguejando um pouco.

Vocês não sabem mentir, fale quem é. Ele me sacudiu um pouco e continuava com aquele olhar curioso. Respirei fundo relaxando os ombros, e olhando para ele com a expressão séria. Vi que as meninas me olharam assustadas.

Com meu pai. Respondi escondendo as mãos que tremiam, se Naruto descobrisse seria meu fim. Por mais que ele jurasse não falar para Sasuke, uma hora ele acabaria contando. Faz muito tempo que não falo com ele, sexta-feira ele vai vir.

Entendi... Ele respondeu ainda um pouco desconfiado. Soltei um sorriso para ele, que relaxou um pouco.


Ele se virou para ir embora, mas voltou e olhou para todos nós, sabia que ele iria investigar mais a fundo o que estava acontecendo, só que não quis pensar naquela possibilidade agora.


Vocês sabem que eu descobrirei se estiverem mentindo, certo?

Sim. Respondemos em coro, sorrindo falsamente.

É bom que seja só impressão minha. Ele disse para si mesmo, mas eu ouvi. Boa sorte com seu pai, Sakura-chan.

Obrigada... Respondi enquanto ele se distanciava de vez. Quando tive certeza de que ele estava longe, soltei o ar que estava preso em meus pulmões.

Eu achei que você iria falar mesmo Saky Tenten disse com os olhos arregalados. Olhei para as meninas e todas estavam com a mesma expressão.

Eu também achei.


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Cheguei em casa mais animada que o normal, a notícia do jogo tinha me deixado muito ansiosa. Corri para o meu quarto e liguei o PC, entrando no Facebook para falar com Nana.


Manola, você não vai acreditar!

O que aconteceu?

Sexta-feira tem jogo de basquete, o time masculino vai para o campeonato. Digitei toda animada. Eu vou vê-lo jogar!

Hum...

Nem vem com esse Hum Ri comigo mesma, eu sabia muito bem o que ela queria dizer com aquela expressão.

Falou com ele hoje?

Não, me contento em ficar o observando. Digitei suspirando pesadamente. Por enquanto.


Minimizei a janela e abri o Media Player, para procurar alguma música. Coloquei no aleatório e deixei a lista ir por si só.


I wanted you to know that I love the way you laugh

I wanna hold you high and steal your pain away Cantarolei acompanhando a música. O que me fez sorrir discretamente. Voltei ao Facebook, continuando minha conversa com Nana.


Nossa, que demora.

Desculpe, estava curtindo um som aqui. Sorri. Você sabe que eu saio do ar quando estou ouvindo música.

Eu sei, mas voltando ao assunto... Ela deu uma pausa enquanto digitava e continuou. Esse seu rolo com o Uchiha daria um bom romance.

Eu não tenho um rolo com ele, ele nem me olha. Concluí lembrando-me dele no intervalo.

Corrigindo, você ainda não tem nada com ele. Mas estou falando dessa sua crise de Falar ou não falar com ele? Eis a questão...

Será? Seria uma história bem chatinha, grudenta e melosa, eu acho. Ri pensando em como seria meu possível final feliz.

Você escreve, posta em algum lugar e aí ele lê.

Mas provavelmente ele não iria saber quem escreveu, porque eu trocaria os nomes, com certeza.

Ele lê e pensa Isso tem muito a ver comigo ou Tem alguém me observando.

Nem brinque com isso! Mas é só uma situação hipotética, porque eu não escreveria. Soltei um riso nervoso e respirei fundo.

Sei...



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Deitei em minha cama e relaxei, fazendo as costas doerem. Levantei vagarosamente e me sentei na cadeira do computador, sentindo uma dor muito forte na coluna.


O que será isso? Perguntei para mim mesma e fui andando devagar e curvada até a sala, pedindo apoio para minha avó.

O que aconteceu? Ela me perguntou, preocupada.

Não sei, eu deitei e começou a doer. Me sentei com cuidado no sofá, tentando achar uma posição que não me incomodasse.

Ai. Reclamei enquanto minha avó passava um creme gelado no local onde doía. Passei algum tempo esperando o creme fazer seu trabalho e depois de alguns minutos levantei um pouco menos curvada, indo para meu quarto. Subi vagarosamente na cama e me deitei com cuidado, para evitar piorar a dor; puxei o cobertor e relaxei ignorando o incomodo nas costas.


Apesar de estar cansada, não estava conseguindo dormir. Olhei para o relógio que marcava duas e meia da matina e suspirei pesadamente; fechei os olhos por um segundo e a imagem dele apareceu em minha mente, virei para o lado bufando com raiva. Finalmente o sono me pegou, sentia os olhos ficarem pesados, mas não pude evitar refletir sobre a pergunta do professor, hoje mais cedo na aula de Filosofia.


-Amor. O professor falou e todos começaram aquela bagunça para falar, várias vozes soavam ao mesmo tempo, me irritando profundamente.

Não tem fundamento. Falei em alto e bom som, fazendo todos se calarem, deixando um silêncio gostoso na sala.

Por que não tem fundamento? O professor me perguntou. Eu não sabia por que havia respondido isso, mas foi involuntário.


Amor não tem fundamento, pois tira toda a razão que temos, nos deixando a mercê de desejos instruídos por impulsos. Fazendo-nos suspirar, chorar, rir e sonhar com momentos que talvez nunca aconteçam. Mas não posso negar que é uma sensação tão boa que talvez valha à pena se agarrar a esperanças, apenas para satisfazer o imenso desejo de ter essa pessoa só para você.


Lembrei-me do trecho da música que ouvi hoje, o que me fez sorrir, enquanto lutava para manter meus olhos abertos.


Eu queria que você soubesse que amo o jeito que você ri

Eu quero te abraçar bem forte e roubar sua dor


Eu quero te abraçar e roubar sua dor nos momentos em que mais precisar; eu quero ficar alegre quando você também estiver; quero poder sorrir e falar o quanto eu amo seu sorriso; eu quero te encher de mimos e palavras bonitas. Eu quero você.


Eu quero você para mim... Sussurrei antes de cair completamente no sono


" Só para mim.."



Notas do dia:


Amor é um sentimento extremamente egoísta.

Não sei dizer exatamente quando foi que começou, mas estou perdidamente apaixonada por Sasuke Uchiha.



Ela quer ser sua pequena

Você quer ser o príncipe dela?