Let Me Be
4 Capítulo 3
Dia: Quinta-feira
Ansiedade em: 100%
Até eu ainda estou me perguntando como estou animada em plena quinta-feira. Sim, quem falou que é porque amanhã é sexta acertou. Sexta-feira, dia divino! Dia do descanso, da preguiça mortal, de ficar acordada até tarde e dia do jogo.
Amanhã é o dia! Ta nervosa? Tenten me perguntou com um sorriso maroto Eu peço para ele te ajudar a relaxar, se esse for o caso.
Tenten! A repreendi e bufei, virando o rosto para o lado, este que, provavelmente, estava corado. Só iríamos ter aulas chatas hoje: Biologia, Física e Português. Santo homem de ferro, ninguém merece! Eu odeio física cara, odeio mesmo.
Façam a atividade do livro e me entreguem até o final da segunda aula, a página do exercício está na lousa e enquanto vocês respondem vou corrigir o caderno de quem não me entregou semana passada. A professora de Biologia apontou para a lousa e foi se sentar.
Eu já fiz essa página. Disse olhando para a lousa, com tédio.
Nós também, ela passou semana passada.
Eu sei, mas deixe quieto, assim ela não passa mais lição. Disse bocejando e me virando para conversar decentemente com elas.
As aulas se passaram rápido demais, quando fui ver já estava na sala de Física ouvindo a professora explicar sobre algo que eu não fazia a mínima idéia do que era. Eu já disse que Odeio física?
Cara, isso é muito chato... Resmunguei para Tenten que estava do meu lado, ela concordou e, praticamente, colou seu olhar na matéria que estava lousa. Copiei tudo que cairia na prova e fiz a lição que a professora pediu. Queria que o dia passasse rápido.
xxxxxxxxxxxx
Eu já entrava no refeitório e avistei Tenten sentada ao lado de Sasuke, conversando animadamente, logo que me viu abriu um sorriso sacana. Dei as costas para ela e ignorei a vontade de rir.
Dá um espaço aí. Falei empurrando Ino para o lado.
Calma, eu vou acabar sentando no colo da Matsuri desse jeito. Ela disse reclamando.
Desculpa Matsuri, não te vi aí. Me desculpei e sentei ao lado de Ino. Enquanto eu o observava, a loira falava sem parar de um garoto que morava onde Judas perdeu o fio dental.
O Gaara é tão fofo! Gosta de mim e tudo mais! Ela dizia com os olhos brilhando.
E quando rola o casório? Perguntei entediada, fazendo desenhos na mesa com a ponta dos dedos.
Que casório, nem estamos namorando ainda.
Do jeito que você fala parece até que vai casar, onde ele mora?
Suna. Ela respondeu normalmente, com um sorriso no rosto
Aham, e quando você tira o passaporte para ir visitá-lo?
Não é tão longe, é logo aqui ao Leste.
Claro, só não se esquece de levar os documentos, cruzar a fronteira sem documentos é ilegal. Ri da expressão que ela fez e me levantei para ir embora. Vou lá fora com os meninos.
Fui em direção da saída e diminui o passo quando senti um olhar me acompanhar, passei os olhos pelo refeitório rapidamente e o vi com o foco em minha direção.
Ele está olhando... Pensei comigo mesma, dando um sorriso discreto, mas logo que olhei melhor, ele não estava mais olhando. Foi só impressão minha.
E continuei a andar.
xxxxxxxxxxxxxx
Sakura, acorda! Você vai chegar atrasada!
Que dia é hoje? Perguntei sonolenta.
Sexta-feira.
Ah ta... Murmurei me levantando devagar. Espera aí... Hoje é Sexta! Gritei de alegria, finalmente tinha chegado o dia do jogo.
É.
Que horas são? Perguntei vestindo a calça do uniforme.
Cinco e quarenta. Ela respondeu com calma enquanto via meus olhos arregalarem. Resultado: Uma Sakura correndo que nem louca pelo quarto, procurando o resto do uniforme, tentando colocar a meia e ajeitar o cabelo. Depois de uns sete minutos, já estava vestida e terminava de arrumar o cabelo. Passei um pouco de brilho labial, uma sombra clarinha e saí correndo de casa. Cheguei ao ponto e Naruto ainda não tinha chegado.
Cadê ele... Disse baixinho, olhando para os lados tentando ver a cabeleira clara do loiro. Já eram seis e vinte, e nada dele. Acabei por ir sozinha mesmo.
xxxxxxxxxxxxx
Entrei na escola estranhando a falta de alunos na entrada, a escola estava totalmente vazia. Vi alguns alunos entrando e os acompanhei, avistei a Temari, Tobi e o Deidara.
Cadê todo mundo? Perguntei curiosa.
Faltaram por causa do campeonato. Deidara respondeu.
Quantas pessoas têm da nossa sala?
Sete mais ou menos. — Temari me respondeu, olhando para os lados, tentando achar mais alguém conhecido. E reconheceu Tenten, que se aproximava, parecia que estava mal.
O que foi Tenten?
Dor de cabeça, febre... A voz dela saía fraca e rouca. To mal...
Vai embora ué!
Não, tenho que ficar...
Entendo... Disse olhando para ela. Bom, eu to indo embora. Vou ver o jogo de basquete mais tarde.
Aproveitei que o portão ainda estava aberto e saí, indo para o ponto, peguei o ônibus e fui para casa.
xxxxxxxxxxxxxx
Eu não posso ficar aqui vó! Tenho que ir ver o jogo! Falei, tentando a convencer de me deixar ir.
Não, você vai esperar até o médico te atender, o local do jogo é logo aqui do lado! Depois da consulta você vai lá. Ela continuava dura na queda. É... To ferrada.
Mas...
Você vai ficar e ponto final.
Virei o rosto emburrada, sabia que ela fazia isso para o meu bem, mas eu tinha que ir naquele jogo. Pode ser a única chance que vou ter para falar com ele. Mas ao invés de estar lá, estou aqui no hospital com as costas travadas esperando o médico me atender. Que vida. Sorte que o ginásio é logo aqui do lado, assim eu corro para lá depois que me liberarem.
Ai, ai... Suspirei e coloquei os fones de ouvido.
As horas passavam e nada do bendito médico me atender, quando fui ver já eram uma e quarenta e cinco da tarde. Fala sério, eu estava lá desde as dez da manhã!
Sakura Haruno. O médico chamou meu nome e mostrou a sala que teria que entrar.
Finalmente... Sussurrei baixinho e entrei na sala junto de minha avó.
Então senhorita Haruno, o que há de errado com você? Perguntou, apontando uma cadeira para mim e outra para minha avó.
Minhas costas... Acho que saiu do lugar Falei sentando na cadeira e olhando para o teto.
Hum... Quando, exatamente, você sente dor?
Quando me sento e me levanto, quando me curvo demais ou fico com a coluna reta. Respondi calmamente a ele.
Entendo... Murmurou escrevendo algo em um papel. Aqui, tome esse remédio duas vezes por dia e ficará novinha em folha. — O olhei incrédula enquanto saia da sala, era só isso? Olhei para o relógio que marcava duas e quinze. Fui caminhando com a minha avó até o portão do hospital, chegando em uma praça onde haviam vários ônibus; olhei para uma certa rua e baixei o olhar.
Se quiser ir, vá. Eu vou indo para casa agora. Minha avó falou, entrando no ônibus. Sorri e saí em disparada pela rua, correndo o mais rápido que conseguia. Quase atropelei algumas pessoas, mas naquela hora eu não conseguia parar de correr. Tinha que chegar a tempo.
Estava exausta e ofegando quando parei em frente ao ginásio, me sentia realizada por ter corrido tanto em tampouco tempo. Com certeza havia batido meu recorde, e isso era bom, muito bom para alguém que não corre nem para pegar ônibus. Entrei animada no prédio, avistando a quadra.
Vazia.
Olhei para os lados, tentando encontrar alguém do time de basquete, ou até mesmo um conhecido. Juugo, Suigetsu, Naruto que disse que iria e Sasuke... Absolutamente ninguém. Alguns times caminhavam para a saída, provavelmente indo para seus ônibus. Eu já sabia o desfecho dessa história, mas me recusei a acreditar e fui perguntar para uma mulher de cabelos loiros, professora e treinadora de alguns dos times.
Com licença... A chamei com educação. Poderia me informar se os jogos de hoje já acabaram? Perguntei com a voz arrastada, imaginando sua resposta. Ela se virou para mim e me olhou com desprezo, me analisou de cima a baixo e soltou um Já acabaram antes de sair andando.
Então é isso... Suspirei e senti meus olhos arderem intensamente, as lágrimas insistiam em descer, mas eu as controlei. Saí apressada de lá e peguei um ônibus qualquer, ansiosa parar chegar em casa e chorar. Eu havia perdido a chance.
xxxxxxxxxxx
Cheguei em casa com os olhos inchados e me amaldiçoando mentalmente por ter chorado no ônibus. Percebi que estava sozinha e suspirei em alívio, entrando no banheiro disposta a um banho longo e relaxante. Despi-me e liguei o chuveiro, sentindo a água se chocar com força contra mim, aliviando a tensão dos ombros. Senti as lágrimas descerem pelo resto, se misturando a água do chuveiro, e então desabei. Todo o peso que eu vim carregando hoje estava saindo dos meus ombros, me condenando por não ter ido, teria sido a chance perfeita.
Você não estaria se preocupando tanto, se tivesse coragem para falar como qualquer garota — a voz sussurrava em minha mente, aumentando minha culpa já imensa. Passei a mão pelos cabelos nervosamente e me olhei no espelho. Pensei em conseguir enxergar uma garota abatida ou um pouco triste, como sempre, mas não, algo mais gritava em mim.
Covarde!
Eu era covarde? Passei muito tempo fugindo dos problemas e dos medos, mas depois me arrependi, pois tive que enfrentá-los sozinha e todos de uma vez. Jurei não correr quando o medo me atingisse, jurei não ser covarde. Mas eu estava mesmo quebrando a promessa? Ou isso tudo não seria covardia? Só apenas um sentimento maior que comandasse meus movimentos, pensamentos e até os batimentos do órgão que mantinha meu sangue circulando. Depois de vários minutos analisando a imagem do espelho, eu vi medo. Mas não sabia do que.
xxxxxxxxxxxx
Eu não consegui ir ao jogo manola! Nunca vou me perdoar... Eu conversava com Nana, desabafando minha frustração.
Por quê?
Tirei minhas costas do lugar, de novo.
Tem que se cuidar hein...
Eu sei! Fui ao hospital hoje e o médico só me receitou um remedinho e me mandou ir embora. Passei o maior tempo lá! Como o hospital era do lado do local do jogo, quando eu saí da consulta corri que nem uma louca para o ginásio, mas quando cheguei já havia acabado. Não tinha mais ninguém do time, nem Juugo, nem Naruto nem Sasuke... — Respirei fundo tentando não chorar novamente. Era a chance perfeita para falar com ele. Mesmo que eu não falasse, eu queria ter ao menos para poder ter torcido por ele.
Calma, mas você não sabe nem se eles ganharam?
Ganharam todos os jogos e foram classificados para a próxima fase. Disseram-me que ele fez cestas maravilhosas.
Poxa manola, quando vai ser o próximo jogo?
Eu não sei, tenho que ver. Digitei, pensando no próximo jogo. Caramba, como eu pude perder o jogo...
Vai que ele sentiu sua falta no jogo, sei lá. Vai que ele estava olhando mesmo para você? Pelo menos ele sabe que você existe.
Ele nem deve saber o meu nome, e ele nem estava olhando para mim.
Minha paixão da escola também não sabe o meu nome, mas mesmo assim eu vejo que ele me olha, mesmo tendo namorada.
Pelo menos você sabe que ele te olha. Dei um suspiro pesado. Que safadinho, ele te olha mesmo tendo namorada.
Lógico, eu fico olhando descaradamente para ele.
Com direito a piscadinha e tudo mais? Dei uma risadinha, imaginando a cena.
Piscadinha, cantada de pedreiro...
Eita. Comecei a rir, lendo a conversa, só ela para me fazer rir nessas horas.
Mentira, eu só olho.
Nana arrasando corações. Manola, eu tava falando com o Chouji ontem e ele teve a cara de pau de falar que eu queria ir ao jogo só para ver o Uchiha todo suado de shortinho.
E não é verdade?
Não, por que não é shortinho, é bermuda. E também porque é muito sexy eles saindo da quadra com calor e tirando a camiseta.
Danadinha.
Brincadeira, você sabe que eu queria ir só para vê-lo, torcer por ele e tentar falar com ele.
Claro...
xxxxxxxxxxxx
Peguei a guitarra e toquei por algumas horas, distraindo a mente do acontecimento de hoje. Depois de várias horas fui me deitar, como sempre pensando nele. Pensei em como seria se ele me notasse torcendo por ele, se falaria comigo, se ao menos olharia para mim. Poderia ele se sentir incomodado com minha presença? Também pensei na possibilidade dele me odiar. Aquela história do medo veio de novo em minha cabeça, como uma bomba explodindo com muita intensidade. Eu tinha medo de que ele não gostasse de mim.
Eu não me sinto boa o bastante para você, mas não vou desistir. Sussurrei e, finalmente, adormeci.
Notas do dia:
Não deixe suas oportunidades escaparem.
Não seja covarde.
Não desista.
Fale com o autor