Notas iniciais
ENFIM CAPÍTULO NOVO, Sorry I'm Late! Porrãn, quase um mês sem postar nada, espero que não tenham desistido da fic, haha. Enfim, aconteceram vários imprevistos durante esse mês e acabei não tendo muito tempo pra escrever, até porque esse capítulo é bem extenso. Eu até pensei em dividi-lo em dois, mas quero apressar um pouco as coisas pra não deixar vcs esperando tanto, haha. Enjoy :)

When you said your last goodbye

I died a little bit inside

I lay in tears in bed all night

Alone without you by my side

Emma’s PoV

Enquanto Emma destrancava a porta, suas mãos começaram a suar e a tremer, e ela deixou a chave cair no chão. Falando mil palavrões diferentes em sua mente, abaixou-se para tentar encontrá-la em meio ao escuro, mas o baque foi o suficiente para acordar Henry.

– Mãe? – ele perguntou com a voz grogue e sonolenta – O que foi?

– Nada. – Emma respondeu — Só me levantei para ir ao banheiro. Pode voltar a dormir.

Henry não disse mais nada, mas ela ouviu-o se deitando novamente. Continuou tateando o chão até sentir o frio metal em suas mãos. Apanhou a chave, pensando que cada segundo que ela demorava era um segundo a mais de sofrimento para Regina. Abriu a porta, e se surpreendeu quando a luz se acendeu.

Ao seu lado, Henry a encarava.

– Você acha mesmo que pode esconder algo de mim? – ele perguntou – Você estava usando a sua voz de preocupação. O que aconteceu?

– Nada. – insistiu Emma – Só vou sair para tomar um ar.

– A essa hora da noite? Com tanta pressa que nem tirou o pijama? Mãe, a quem você quer enganar?

Emma olhou para si e só então se deu conta de que estava usando seu pijama sob a jaqueta vermelha. Mas não havia tempo para trocar de roupa. A vida de Regina dependia dela.

– O que aconteceu? – perguntou Henry mais uma vez.

Então o garoto percebeu que o celular da mãe estava caído no chão. Emma abaixou-se para pegá-lo, mas Henry foi mais rápido. Pegou o aparelho e leu a mensagem na tela, sua expressão passando de confusão para medo e desespero, enquanto a preocupação de Emma só aumentava.

– “Seu amor verdadeiro”? Minha mãe? – perguntou ele, assustado. – Foi Wilma quem enviou essa mensagem, certo?

– Não se preocupe, criança – tentou tranqüilizá-lo – Estou indo à casa de Wilma. Eu vou salvar Regina.

– Eu vou com você. – ele disse, empalidecendo.

– Não, Henry! Pode ser perigoso! Nós não sabemos com quem estamos lidando!

– Você espera que eu fique aqui esperando enquanto minha mãe pode estar morrendo? – exclamou ele – Me desculpe, mas eu preciso ir. Preciso ter certeza de que ela está bem. Não posso ficar aqui esperando.

Emma não tinha tempo e nem queria discutir com o garoto, pois provavelmente tempo era a última coisa que Regina tinha naquele momento. Além do mais, era realmente injusto querer que ele ficasse parado enquanto sua mãe sofria. Era a mãe dele, afinal de contas, e o garoto já enfrentara coisas daquele tipo.

– OK – ela cedeu – Você vem comigo. Mas me prometa uma coisa: Se eu disser para você ficar no carro, você vai ficar no carro e não vai sair de lá até que eu mande. Combinado?

Henry assentiu.

Emma pegou suas longas botas de couro e calçou-as apressadamente. Em seguida, abriu uma gaveta da cômoda e pegou sua arma. Iria machucar se fosse preciso. Saíram porta afora, ambos de pijama, e a cada segundo seu desespero aumentava. Fechou a porta atrás de si sem nem lembrar-se de trancá-la, torcendo para que ainda não fosse tarde demais. Não podia ser.

****************

Wilma's PoV

Ela estava sentada em uma mesa do lado de fora do Granny’s, completamente sozinha, olhando para a rua e esperando ver o fusca amarelo passar. Poucos minutos após a mensagem ser enviada, ela viu o carro voando pela rua, com Emma e Henry dentro. Provavelmente em direção à sua casa, para onde ela estava indo em vão. Ótimo. A primeira parte do plano tinha dado certo.

Levantou-se da mesa e olhou ao seu redor, para ter certeza de que estava sozinha ali. Dentro da lanchonete, a luz estava acesa – o pirata, um alcoólatra incurável, ainda estava lá bebendo, provavelmente irritando muito as garçonetes por fazê-las trabalhar àquela hora da noite.

Assim que teve certeza de que não seria vista, ela envolveu a si mesma na fumaça roxa e se transformou. Tecnicamente, não havia magia na cidade, e ela não devia estar fazendo aquilo – não logicamente. Mas a Bruxa Má sempre arranja um jeito. Ainda estava surpresa por ter sido esperta o suficiente para conseguir achar uma fonte de magia que pudesse “burlar” suas próprias regras da Maldição.

Assim que a fumaça se dissipou, ela olhou para seus cabelos sobre os ombros. Loiros. Notou que vestia uma jaqueta vermelha sobre uma camisa de lã, jeans apertados e botas de cano alto de couro. Será que Emma tinha mesmo que usar roupas tão... Masculinas?

O feitiço funcionara. Sua inusitada fonte de magia tinha funcionado. Ela era Emma Swan agora. Pelo menos para aquilo, Regina lhe fora útil.

Ah, Regina. Tão tola, tão ingênua, tanto em sua versão anterior quanto na versão atual. O que mais lhe irritava, o que mais lhe revoltava sobre sua irmã mais nova era como ela não dava o menor valor a toda a sorte que tinha. Ela tivera uma mãe, e a mandara para outro mundo. Tivera um pai, e o matara por vingança. Tivera uma enteada que a amava, e ainda assim preferiu culpá-la por toda a sua infelicidade e persegui-la. Ela tivera um filho, e arriscara todas as chances de ele amá-la se entregando ao mal. Regina não fazia ideia do quanto era privilegiada, e não dava o menor valor a tudo aquilo. Ela não merecia ser perdoada por ninguém.

O modo como Wilma fora abandonada era inaceitável. Ela fora trocada, dispensada como uma peça defeituosa e enviada para aquele maldito Reino cheio de criaturas idiotas. Ela devia ter sido uma Rainha, como sua mãe sempre falava que ela seria. Se ela estivesse no lugar de Regina, valorizaria muito mais tudo aquilo. Mas ela não estava. Por isso alguém tinha que pagar. Pagar por tudo o que tinha sido tirado dela.

Caminhou até a porta do restaurante, abrindo-a. Dentro, só havia duas pessoas: Killian e Ruby, conversando no balcão enquanto a garçonete lhe servia mais e mais copos de cerveja. Wilma fez uma cara de desprezo ao olhar para o pirata bêbado dando em cima de Ruby descaradamente, mas logo disfarçou seu nojo e sorriu para ele. Aquilo seria um pouco difícil.

– Emma! – ele pareceu bastante alegre em vê-la – Não te vejo desde o outro dia, quando... Te beijei.

Wilma assentiu, fingindo que se lembrava.

– Olá, Hook. Resolvi passar aqui para... Te ver. Preciso conversar com você. Lá fora, com mais privacidade.

– Eu posso deixar vocês a sós, se quiserem – disse Ruby – Meu turno já devia ter acabado há muito tempo, de qualquer forma.

– Vá se deitar, Ruby – disse Wilma, tentando parecer amigável – Eu e Hook estamos indo embora.

O pirata tirou uma boa quantidade de dinheiro do bolso e colocou no balcão. Ruby pegou o dinheiro e saiu pelos fundos. Assim que ficaram a sós, Wilma tocou a mão de Hook afetuosamente e guiou-o para fora do bar, o pirata olhando para ela de forma hipnotizada.

Era bom que ele estivesse bêbado, pois assim ela não tinha que se preocupar tanto em agir como Emma. Saíram de mãos dadas até chegarem à calçada, e Killian parecia meio surpreso com sua atitude carinhosa.

Na rua fracamente iluminada pela luz dos postes, ele se aproximou dela, e ela deu um passo para trás.

– Quer saber? – disse – Acho que aqui ainda não temos privacidade o suficiente. Que tal subirmos até o Granny’s e você passar a noite comigo?

Hook levantou uma sobrancelha, empolgado com a ideia.

– Será um prazer – ele respondeu.

Os dois adentraram a pensão, onde uma Granny sonolenta acenou com a cabeça do balcão. Wilma e Hook subiram as escadas e chegaram à porta amarela.

– Oh, meu Deus – exclamou Wilma, tentando parecer surpresa – Você acredita que eu perdi minhas chaves?

Hook riu.

– É uma sorte que você tenha a mim, Swan. – respondeu o pirata, tirando uma chave do bolso. – Uma sorte também que você tenha me dado uma cópia da chave.

– De fato é. – respondeu Wilma.

O pirata colocou a porta na fechadura, mas notou que ela estava destrancada.

– Você também se esqueceu de trancá-la? – perguntou – Deus, Swan, onde você anda com a cabeça?

– Em você. – ela respondeu, com um olhar sedutor.

Hook pareceu gostar da resposta, e os dois entraram.

Dentro do quarto, a luz estava acesa. Havia duas camas bagunçadas e uma pequena cômoda. Dois pares de chinelos estavam espalhados pelo chão e um cobertor estava caído. Wilma sorriu maliciosamente, deliciada em ver o desespero que sua mensagem tinha causado.

– Onde está Henry? – perguntou Hook, notando a ausência do garoto.

– Ele não está aqui – respondeu ela, sorrindo – Eu o mandei para dormir com a Mary Margaret. Assim nós temos a noite toda só para nós.

Hook sorriu também, e começou a se aproximar. Quando o pirata fechou os olhos, seu hálito quente de rum em seu rosto, Wilma ergueu a mão direita, exalando uma névoa roxa que o deixou tonto. Em seguida, ele caiu no chão com um estrondo.

A bruxa fechou a porta e trancou-a novamente com um movimento rápido da mão esquerda. Fechou os olhos e foi novamente envolvida por uma névoa, aliviada por estar de volta a sua forma normal.

Olhou para o pirata caído no chão a seus pés. Mais uns goles de bebida e ela nem precisaria se dar ao esforço de apagá-lo. Perguntou-se o que deveria fazer de divertido agora. Então se lembrou de qual era sua intenção com aquilo tudo.

Tirou o celular de seu bolso e desbloqueou a tela. Começou a digitar uma nova mensagem, para o mesmo destinatário da última, e o único número que estava salvo naquele celular.

“Sua tola! Nós estamos aqui no Granny’s, no seu quarto. Venha logo ou vai perder toda a diversão.”

Esperou a indicação de que a mensagem tinha sido enviada e deu um sorriso sádico, quando foi interrompida por uma ligação piscando na tela.

Emma.

Passou o dedo pela tela, e atendeu a chamada.

*************

Emma's PoV

Quando Emma leu a mensagem recebida, foi invadida por uma onda de raiva e mais desespero.

Ela e Henry estavam dentro da casa de Wilma, uma mansão luxuosa perto da praia, afastada de todas as outras casas. Henry, que já conhecia toda a cidade como a palma de sua mão, ensinou Emma a chegar até lá, e não foi difícil para ela abrir a porta – um clipe de metal, dois cliques e ela estava na casa da bruxa.

Por algum motivo, Emma não conseguiu acender as luzes da casa, mas, felizmente, uma lanterna era outro item que sempre estava guardado no porta-luvas do carro. À luz forte do objeto iluminando a suntuosa sala de estar, Emma e Henry tentavam encontrar algum sinal da presença de alguém enquanto chamavam por Regina. Cada vez que ela pronunciava o nome da prefeita, seu desespero aumenta e sua voz ficava mais trêmula, enlouquecida pelo silêncio.

Até que ela recebeu a segunda mensagem. “Sua tola! Nós estamos aqui no Granny’s, no seu quarto. Venha logo ou vai perder toda a diversão.”

Certo. Então ela gostava de joguinhos. Em um ato impulsivo de raiva, atirou o aparelho ao chão, como se aquilo fosse machucar a maldita pessoa que tinha sequestrado Regina.

Mas logo depois, acalmada por Henry, ela recolheu o aparelho e decidiu ligar para aquela mulher. Quem ela pensava que era? Wilma precisava saber com quem estava lidando. Pensando em um milhão de ameaças diferentes enquanto esperava a chamada ser atendida, ela segurou a mão de Henry, como se dissesse que tudo ia ficar bem, mesmo que não tivesse certeza. Tinha que dar certo. Como eles poderiam viver se algo grave acontecesse à Regina?

A voz irritante e doentia atendeu a ligação. Emma sentiu seu sangue ferver.

–O que diabos você está fazendo? – disparou Emma como resposta ao “alô” de Wilma – Me diga agora ou eu juro que sou capaz de te matar.

Do outro lado, Wilma riu.

– É divertido ver você me ameaçando. Eu já disse. Estamos aqui no Granny’s nos divertindo... Isso se você considerar tortura e desmaio como diversão, é claro.

A respiração de Emma pesou, e parecia que seria ela a próxima a desmaiar.

– Por favor – disse ela, mudando seu tom de voz repentinamente de ameaçador para suplicante – Não faça nada disso. Eu não suportaria. E nem Henry.

Henry olhou para a mãe, assustado.

– O que aconteceu? Onde elas estão?

Emma não respondeu.

– Olhe – disse ela para Wilma – Eu não me importo se você é uma pessoa tão fracassada que precisa machucar e menosprezar as outras pessoas para se sentir melhor. Não me importo se você acha que vai conseguir ser feliz fazendo com que todos tenham medo de você. A pessoa que eu amo é alguém que mudou. Alguém que se redimiu por seus atos. E eu não vou permitir que você faça mal a ela.

Desligou o telefone e pegou Henry pelo braço, guiando-o para fora.

Os dois entraram no fusca, e só então Emma respondeu às perguntas incessantes do garoto.

– As duas estão no Granny’s. De alguma forma ela conseguiu entrar no nosso quarto. Não se preocupe, criança. Eu vou salvá-la. – repetiu a promessa, embora a cada segundo sua certeza diminuísse.

Dirigia de forma quase imprudente, tamanho o desespero, não muito atenta ao que seus dedos faziam no volante.

– Mãe... – disse Henry – cuidado. Nós não queremos que você atropele ninguém.

Emma assentiu e tentou se acalmar, mesmo que não houvesse ninguém andando pelas ruas àquela hora.

Seu cabelo estava grudado em sua testa coberta por suor, bem como suas mãos escorregadias. Henry parecia igualmente desesperado, mas tentava se controlar.

Emma estacionou o fusca em frente à pensão tão bruscamente que ela e Henry foram puxados para a frente. Ela desceu do carro, e ao ver que Henry fazia o mesmo, disse:

– Por favor, Henry. Fique aqui. Pode ser uma armadilha. É melhor você não entrar.

– Mas e se você não voltar? E se algo acontecer a você? Ou a Regina? – perguntou ele, com medo.

– Então procure por Hook. Ou por David.

Henry assentiu, relutante.

– Boa sorte. – ele disse

Emma virou-se e entrou na pensão, correndo. Sentiu um pouco de raiva de si mesma por ter saído dali e caído nos joguinhos de Wilma – se ela tivesse ficado, não estaria agora tão desesperada. Mas afinal, como ela poderia saber?

Subiu as escadas de três em três degraus, quase tropeçando. Em sua mente, ela imaginava Regina chorando, gritando, sendo torturada.

Quando chegou à porta de seu quarto, girou a maçaneta, mas a porta não se abriu.

– Abra a porta! – gritou ela – Abra a porta ou eu vou arrombar!

Nenhuma resposta.

Olhou pela fechadura e viu, com certa dificuldade, Wilma parada, sorrindo sadicamente para ela. Seu medo foi misturado a um ódio crescente.

Emma tirou o clipe retorcido de seu bolso e colocou-o na fechadura. Teve certa dificuldade com suas mãos tremendo e suando tanto, mas após alguns segundos, conseguiu destrancar a porta. Girou a maçaneta mais uma vez e a porta se abriu.

Emma tirou a arma de seu bolso e apontou-a para a mulher, mas ela desapareceu em uma nuvem de fumaça roxa.

Olhou ao seu redor, seu olhar procurando por Regina desesperadamente. Então ela viu um corpo caído no chão ao lado da cama. Mas não era Regina quem estava ali. Era Hook.

– Hook! – gritou ela, e se agachou ao lado do corpo do pirata, perguntando-se o que Wilma teria feito com ele e o que ele tinha a ver com isso.

O pirata estava de olhos abertos e imóveis. Colocou a mão sobre o seu peito, e não sentiu nada.

Morto.

Ouviu alguém se aproximando dela por trás.

– Uma pena... – disse Wilma, agachando-se atrás dela – Ele gostava muito de você. Na verdade, eu não pretendia matá-lo, mas visto que você não foi nem um pouco educada em sua última ligação, acabei mudando de ideia. Arrancar a vida de seus pulmões com minha magia foi muito prazeroso...

– Mas... Como você conseguiu usar magia aqui? Isso não é possível – perguntou Emma, confusa.

– Digamos que eu tenho minhas fontes. – respondeu Wilma, sorrindo.

– Isso não vai ficar assim. – rebateu Emma, tentando parecer confiante – Eu vou depor na polícia. Você vai pagar pelo que fez.

– Boa sorte com isso – respondeu a bruxa, totalmente tranquila – Eu planejo bem as coisas, Srta. Swan. Se você perguntar a Granny ou a qualquer um, ela vai dizer que só viu você entrando aqui com Hook esta noite.

Enquanto tentava digerir o fato, lágrimas quentes escaparam aos seus olhos. Hook não tinha absolutamente nada a ver com aquilo, mas pagara o preço pelos riscos que ela escolhera correr.

– Por que você fez isso? O que diabos Hook tinha a ver com isso? Por que ele? – berrou ela, sua voz trêmula e cheia de raiva.

– Isso foi um aviso – respondeu Wilma, se levantando — Desta vez, foi seu amor verdadeiro. Da próxima, pode ser seu filho ou até você. Então sugiro que você volte para o lugar de onde veio, fique bem longe de Storybrooke e nunca mais apareça para bagunçar as coisas.

Amor verdadeiro? Do que ela estava falando? Hook não era seu amor verdadeiro. Mas então ela se deu conta de que talvez Wilma tivesse se enganado. Talvez fosse ela quem estivesse observando-a conversar com Hook no outro dia. Começou a sentir um alívio culpado por Wilma ter entendido errado. A respiração de Emma se tornou pesada, carregada de raiva e desespero. Quem aquela mulher pensava que era para sair matando inocentes? Para matar alguém sem nem mesmo saber se ele era a pessoa certa?

– Hook não era meu amor verdadeiro. – respondeu ela, de forma imprudente – Ele era meu... Parceiro. Você matou a pessoa errada.

A expressão da bruxa mudou de prazer doentio para confusão e surpresa.

– Então quem é? – perguntou ela, aparentemente incapaz de acreditar que seu plano tivesse uma falha.

Emma levantou-se e disse:

– Acho que você não vai descobrir.

Em seguida, apontou a arma para Wilma e puxou o gatilho, mas ela foi mais rápida; desapareceu mais uma vez. Emma olhou ao seu redor, esperando que ela reaparecesse, mas nada aconteceu.

Sentou-se no chão, olhando para Hook e chorando. Ela devia estar aliviada por Regina estar em segurança, e de fato estava, mas também se sentia culpada pela morte de Hook. Se ela não tivesse alimentado a paixão que o pirata tinha por ela, ele não estaria ali agora.

Emma não tinha muitas pessoas para chamar de “amigos”, e Hook era uma dessas poucas pessoas. E agora ele estava morto. Morto por causa dela.

Junto com a dor, uma conclusão terrível a atingiu: Ela teria que se afastar das pessoas que amava, ou estariam todos em perigo. Tinha ido até ali para quebrar a Maldição e não iria embora até atingir seu objetivo, mas se ela continuasse descuidada daquela forma, logo Regina seria a próxima a cair no chão a seus pés. E ela não suportava a ideia. Obviamente, ela não podia e nem queria se afastar de Henry; quanto mais próximo o garoto estivesse dela, mais ele estaria seguro, pois era jovem demais para se proteger sozinho. Mas se deu conta de que teria que se afastar permanentemente da mulher que amava se quisesse que ela continuasse segura.

Assim que pensou em Henry, o garoto apareceu pela porta aberta. Olhou assustado para a mãe sentada no chão, e perguntou:

– Me desculpe te desobedecer, mas eu ouvi um tiro e precisava ver o que tinha acontecido. Onde está Regina? O que aconteceu?

Ao ver Hook caído no chão, ele assumiu uma expressão de espanto.

– O que Hook está fazendo aqui? Ele está bem?

Emma balançou a cabeça em negação, e Henry percebeu suas lágrimas. Aproximou-se dela e colocou uma mão em seu ombro.

– Não era Regina. Era Hook. E agora ele se foi. – respondeu Emma.

O choque tomou conta do olhar de Henry.

– Ela o matou? Mas por quê? O seu amor verdadeiro não é Regina?

– Aparentemente, Wilma chegou a uma conclusão precipitada. Ela deve ter visto Hook e eu conversando no Granny’s e supôs que tínhamos algo. Uma suposição que custou muito.

Emma enxugou suas lágrimas. Os dois continuaram olhando para o corpo do pirata caído no chão, sem falar uma palavra por alguns segundos.

– Isso é tão... Triste. – disse Henry – Hook não tinha nada a ver com isso. E ele estava começando a ser uma pessoa melhor.

Emma assentiu.

– Como ela fez isso? – perguntou ele.

– Não acho que seja bom você saber...

– Como? – repetiu Henry, insistente.

– Ela disse que – Emma suspirou fundo antes de continuar – arrancou a vida de seus pulmões com sua magia. Creio que isso signifique... Enforcamento. – ao dizer aquilo, uma cena horrível de Hook morrendo enforcado passou por sua mente.

– “Com magia”? – indagou Henry – Mas eu pensei que esta cidade não tivesse magia.

– Eu também pensei. Mas segundo Wilma, ela tem suas fontes.

Henry franziu a testa, sem entender, e disse:

– Mas você vai denunciá-la, certo? Quero dizer, ela cometeu um assassinato. Ela precisa ser punida. Alguém tem que saber disso.

Emma olhou para ele, seu olhar livre de qualquer esperança.

– Eu não posso – respondeu – Pelo que eu entendi, Wilma assumiu minha forma antes de entrar aqui. Se eu prestar queixa na polícia e ela for acusada, Granny vai testemunhar que eu entrei com Hook. E eu estarei ferrada. Aliás, nós temos muita sorte de não ter sido uma morte sangrenta.

– E o que você vai dizer a todos?

– Eu posso dizer que nós entramos e ele simplesmente caiu no chão e morreu. Então esperarei que a necropsia encontre alguma causa de morte natural.

Olhou para baixo, dolorosa. Era horrível que, além de morrer injustamente, a morte de Hook também tivesse que ser cercada por mentiras. Mais horrível ainda que ela tivesse que agir sigilosamente, como se fosse uma criminosa, quando não era culpada de nada. Pelo menos não diretamente, pois uma parte de sua mente ainda teimava em culpá-la por tudo aquilo.

– Aliás – continuou Emma – É uma sorte que ninguém tenha escutado o tiro que eu tentei dar em Wilma, além de você. Havia alguém acordado quando você entrou? – perguntou, virando-se para o garoto.

Ele negou com a cabeça.

– Granny já foi dormir, e todas as luzes estavam apagadas.

Emma olhou para baixo, o alívio entrando em conflito com a dor.

– Você sabe o que isso significa, garoto? – perguntou a ele, séria.

Henry não respondeu.

– Isso significa que eu tenho que me afastar de Regina. Nós temos. Porque se Wilma imaginar que nós duas temos alguma coisa, ela também estará em perigo. Mais do que já está.

Emma observou, com uma pontada no coração, o sofrimento invadir o olhar de Henry.

– Mas nós não podemos nos afastar da minha mãe – protestou ele – Ela é a nossa chave para quebrar a Maldição. E além disso... Ela é nossa família.

– Eu sei – disse Emma, a ponto de chorar novamente – É doloroso para mim também. Eu não queria isso, mas nós precisamos. Para o bem dela. Você sabe o que Wilma disse para mim depois de matá-lo? Ela disse que da próxima vez pode ser você, ou até mesmo eu. E eu... Eu fui tola. Eu falei que Hook não era o meu amor verdadeiro – teve raiva de si mesma, percebendo o quanto fora estúpida – Agora que ela sabe, ela vai procurar o verdadeiro. E se ela descobrir, Regina estará em grande perigo.

Henry assentiu, cabisbaixo.

– Uma vez você me disse que “não se brinca com uma maldição” – continuou ela – E você estava certo. Não posso mais me aproximar de Regina. E nem dos meus pais. Essa é a melhor forma de protegê-los.

– Mas, mãe – disse Henry – Você precisa quebrar a maldição com um beijo de amor verdadeiro. E como você vai fazer isso se ficar afastada de todos que ama?

Emma inclinou a cabeça, pensativa.

– Creio que terei que encontrar outro jeito. Nós não temos escolha.

– Se você simplesmente pudesse me beijar... Se eu estivesse amaldiçoado... – disse Henry, inconformado. Aquilo assustou muito Emma.

– Nem pense na possibilidade – falou ela, pegando no queixo do garoto – Jamais repita isso, nem de brincadeira.

– Desculpe – disse Henry – Eu só queria poder facilitar as coisas.

– Eu também – respondeu Emma.

Os dois permaneceram calados por mais alguns minutos, até que se levantaram e sentaram-se na cama.

– Mas... Por que eu também tenho que me afastar dela? – questionou Henry, sua voz trêmula.

Emma sentiu uma dor enorme ao ver o olhar de Henry quando ele perguntou aquilo. Ele também não queria se afastar de Regina. Ele também estava desesperado para tê-la de volta. Era muito difícil ter que manter o garoto afastado de sua mãe, mas era o melhor a ser feito.

– Se Wilma ver vocês dois juntos – explicou Emma, tentando soar compreensiva – Ela pode somar dois mais dois e descobrir sobre o breve romance que nós tivemos. É melhor garantir.

Quando Henry começou a chorar, o coração de Emma pesou como uma rocha, e ela abraçou o garoto.

– Eu sei, criança – disse – É difícil para mim também.

Henry não respondeu, apenas continuou chorando nos braços da mãe.

Alguns minutos depois, o garoto pegou no sono em seu colo. Emma deitou-o sobre o travesseiro e cobriu-lhe com um cobertor, acariciando seus cabelos e desejando que pudesse dormir como ele. Mas o sono agora parecia uma dádiva há muito tempo roubada dela. Olhou para o cadáver de Hook no chão, e decidiu ligar para a ambulância, antes que alguém notasse a luz acesa e aquilo parecesse estranho.

Logo, médicos apareceram e levaram Hook, depois de David, o xerife, analisar o corpo, sem chegar a nenhuma conclusão sobre a morte súbita.

Assim que eles se foram, Emma ficou encarando aquele chão, lágrimas incessantes ainda caindo. Ela sabia que Regina não estava feliz, mas agora não tinha nenhuma escolha a não ser deixá-la quieta em sua infelicidade. Aquilo matava Emma por dentro. Não poder fazer nada para devolver o brilho ao seu olhar.

Ah, seus olhos. Aqueles olhos negros cheios de amargura e feridas, mas também de bondade e esperança. Aquele olhar que ela não via genuinamente há muito tempo, desde que um maldito garoto resolvera lançar uma droga de maldição pela qual Regina tivera que pagar um maldito preço para quebrar. Emma podia parecer covarde ou fraca às vezes, mas era muito difícil ver tudo o que você ama sendo arrancado de você o tempo todo, sem ter escolha. Às vezes ela não sabia se tinha vocação para isso.

Emma apagou as luzes e deitou-se, envolvendo seus braços ao redor de Henry.

Ela iria encontrar um jeito, certo? Ela tinha que encontrar outra forma de quebrar a Maldição. Emma podia não entender muito de magia, mas em sua pouca experiência, parecia sempre haver uma alternativa, mesmo que por um preço alto. Tinha que haver outra maneira de acabar com aquilo.

Enquanto a noite avançava, ela perguntava-se, inconformada, porque eles não podiam ser uma família tranquila. Porque eles não podiam simplesmente ficar juntos sem que nada atrapalhasse.

*************

Mais tarde, quando Emma acordou, Henry não estava mais entre seus braços. Sob a luz do sol matinal, ela encontrou uma cama vazia e um bilhete sobre a cômoda, no qual Henry dizia, com sua letra caprichosa, que tinha descido até o Granny’s para tomar café da manhã e voltaria logo.

Então, Emma foi surpreendida por três batidas na porta. Andou até ela e abriu-a, deparando-se com Regina, que olhava para Emma com um olhar feroz e sagaz.

– Regina? – perguntou ela, surpresa.

– Não, eu sou um macaco voador – respondeu ela, de forma provocativa.

– O que você está fazendo aqui? – indagou Emma, notando que, estranhamente, a antiga Regina parecia estar de volta.

– Sabe, Srta. Swan... – respondeu ela, olhando para o corpo de Emma com os lábios entreabertos – Depois de todas as suas recentes tentativas de engatar um romance comigo, eu pensei que você ficaria um pouco mais... Empolgada em me ver. – ao dizer aquilo, lançou a Emma um olhar tão provocante que sua respiração ficou pesada.

– Você... Se lembra de mim? De tudo? – perguntou Emma, a felicidade invadindo seu peito.

– É claro que me lembro, caso contrário, por que eu estaria aqui? Mas... Pijamas, sério?

– Você esperava que eu usasse trajes de gala para atender a porta? – rebateu Emma, eu tom de voz que exprimia ao mesmo tempo tensão e desejo. Olhou para Regina. Ela usava um vestido que ia até pouco acima dos joelhos.

– Não se preocupe – respondeu Regina — Suas roupas não serão um problema. Mesmo porque você não vai usar roupa nenhuma nos próximos vinte minutos.

Emma olhou-a, levemente assustada com a investida direta de Regina, mas gostou da resposta.

– Henry está aqui? – perguntou Regina

– Não – Emma respondeu – está tomando café no Grannys.

– Ótimo. Agora você vai continuar com todas essas perguntas e essa cara de idiota ou vai me levar logo para a cama?

Emma riu. Como sentira falta daquela audácia. Puxou Regina para perto de si, envolvendo seus braços ao redor de suas costas. Seus rostos estavam a centímetros de distância. Fechou a porta com o pé, e Regina sussurrou em seu ouvido:

– Eu não me lembro de você ser tão... Recatada da última vez que nos vimos, Senhorita Swan.

– Chegue um pouco mais perto e veja quem é recatada. – respondeu Emma, e as duas se beijaram.

Regina empurrou Emma para a parede, tirando sua jaqueta. Emma beijava a prefeita intensamente, sem se importar em como suas memórias tinham voltado, apenas se entregando àquele momento e aproveitando cada detalhe da Regina audaciosa que ela ficara tanto tempo sem ver. Afastou-se um pouco de Regina, que tirou seu vestido, ansiosa para saciar sua ânsia por cada parte de seu corpo.

Então Emma acordou, abrindo os olhos repentinamente, seu coração acelerado e respiração ofegante. Olhou para o lado. Henry ainda estava deitado ali. Na janela, o sol ainda estava nascendo.

Assim que se deu conta de que tudo fora apenas um sonho, Emma começou a chorar, percebendo, dolorosamente, que nem mesmo em suas maiores fantasias ela poderia ter aquela Regina de volta. Doía tanto que ela voltou a fechar os olhos, numa tentativa desesperada de voltar para seu sonho, em vão.

*************************************

Dois dias tinham se passado desde a morte de Hook. O laudo dado pelos médicos fora coma alcoólico. Emma não entendia como a magia de Wilma conseguiu fazer com que um enforcamento se confundisse com coma alcoólico, mas não estava muito interessada naquilo.

Emma enterrou Hook no pequeno cemitério da cidade, sob uma lápide também pequena, em um velório simples ao qual somente ela e Henry compareceram.

No dia seguinte, Emma leu uma notícia no jornal que a deixou assustada. Na primeira página, lia-se em letras grandes: “Prefeita Mills fecha o orfanato de Storybrooke”.

Estava sentada ao Granny’s lendo o jornal, e ficou confusa ao se deparar com essa matéria. Por que Regina fecharia o orfanato? Ela havia dito que adorava ajudar as crianças. Uma preocupação indesejada começou a se apoderar de Emma. Havia algo muito estranho sobre aquilo.

Segundo a reportagem, Regina se pronunciara publicamente dizendo que não estava mais disposta a bancar com os fundos do orfanato, e que, por falta de interessados em administrá-lo, ele estava sendo fechado. Todas as crianças seriam enviadas para um orfanato em Boston.

Depois de alguns segundos, Emma se deu conta do que aquilo significava. Ninguém podia sair da cidade; estavam presos ali, e coisas ruins aconteciam àqueles que ultrapassavam a linha. Emma entrou em choque. Será que Wilma sabia daquilo? Provavelmente era ela quem estava por trás daquilo, concluiu. Seria ela tão má a ponto de permitir a morte de dezenas de crianças?

Isso significava que Emma acabara de receber um ultimato. Ela tinha que quebrar a Maldição antes que aquelas crianças saíssem da cidade. Tinha que correr contra o tempo.

Emma respirou fundo, tentando refletir com calma. Ela não acreditava que Regina realmente quisesse fechar o orfanato. Não, não fazia o menor sentido. Wilma com certeza estava por trás daquilo. Talvez quisesse destruir a reputação de Regina. Não importa qual fosse seu objetivo, aquela atitude suspeita de Regina tinha a marca de Wilma.

Encontrar outra forma de quebrar a Maldição seria difícil, e levaria tempo. Portanto, ela tinha que tentar arranjar outra solução em curto prazo, antes que fosse tarde demais para os órfãos. E a única opção que sobrava era descobrir o porquê Regina estava fazendo aquilo. Reaproximar-se dela e tentar convencê-la a mudar de ideia.

Emma sabia que era perigoso, sabia que estaria expondo Regina a um enorme risco, mas a tendência a se aproximar daquela mulher era mais forte do que ela. Além disso, aquela notícia mal contada já indicava que havia algo errado. Regina definitivamente não faria aquilo se não estivesse sendo ameaçada ou algo pior.

Emma levantou-se da mesa, deixando o jornal em cima dela, entrou no fusca e saiu em direção à casa de Regina. Era insensato, era perigoso, mas ela tinha que saber o que estava acontecendo. Mais do que isso; tinha que salvar aquelas crianças.

Encontrou Regina em pé na frente do portão, e estacionou do outro lado da rua. Desceu do carro e começou a andar em direção a ela. Ela usava um casaco preto sobre um vestido, com um cachecol ao redor do pescoço. Sua beleza estonteante era quase dolorosa. Tentando se concentrar no que tinha ido fazer ali – o que era difícil, pois aqueles olhos mantinham Emma completamente fascinada – Emma cumprimentou Regina com um aceno da cabeça.

– Emma? – perguntou Regina, surpresa – O que você quer comigo? Pensei que as coisas tivessem ficado bem claras...

– Me desculpe – interrompeu Emma, nervosa – É que... Eu li uma notícia no jornal hoje e tive que vir falar com você.

Regina suspirou, cabisbaixa, e Emma percebeu que havia um carro diferente estacionado ali. Um carro um tanto luxuoso, que Emma nunca tinha visto.

– Então você soube que eu... Fechei o orfanato? – pigarreou ela.

– Sim, eu soube. E não entendo. Realmente não entendo. Você parecia adorar ajudar aquelas crianças. Por que decidiu parar de investir nelas de repente?

Regina lançou-lhe um olhar de súplica, como se dissesse: “Por favor, Emma, você sabe que eu não posso contar a verdade”. Emma quis abraçá-la, mas se conteve.

– É Wilma, não é? – perguntou ela – Só acene com a cabeça se sim ou não.

Regina assentiu, mas também sussurrou:

– Ela anda fazendo coisas muito estranhas ultimamente. Está vendo esse carro? – disse, indicando o Lamborghini preto que estava estacionado junto à calçada – Foi Wilma quem me deu. Esse carro é muito, muito caro. Eu nem meso queria um carro novo, muito menos um carro de luxo como esse, mas anteontem ela simplesmente deu-o a mim de presente. E não foi só isso. Ela também me comprou uma casa de luxo na praia, ao lado da casa dela. Eu fui até lá para ver, e bem, só posso dizer que nunca vou usar aquilo, e que deve ter custado milhões.

Emma franziu a testa. Aquilo estava ficando cada vez mais estranho.

– E... Ela não te pediu nada em troca? – perguntou.

– Não – respondeu Regina, com uma expressão preocupada – Isso é o mais estranho. Wilma não costuma ser boazinha a troco de nada. Temo que ela esteja planejando algo.

Do lado delas, um poste fez um zunido e soltou algumas faíscas.

– Estranho – observou Regina – Eu já paguei uma equipe de eletricistas para consertar as luzes da cidade, uma semana atrás. Mas pelo visto eles ainda não o fizeram.

– Mas eu ainda não entendo – falou Emma – Por que você fechou o orfanato? Por que desistiu de algo que gostava tanto?

Regina suspirou, como que com medo de responder, e Emma não compreendeu. Mas logo uma luz se acendeu em sua mente, ao observar mais atentamente o rosto de Regina. Uma luz um tanto doída.

Emma percebeu, com horror, que havia pequenos hematomas nas bochechas de Regina, e um corte perto de sua cicatriz sobre o lábio superior. Sentiu seu coração ficar apertado.

– Oh, meu Deus – disse ela, com a voz trêmula – Você está machucada. Wilma, ela está... – não conseguiu terminar a frase, tamanha a sua dor por Regina – Ela está... ?

Regina assentiu, tristonha.

Emma não pôde acreditar. Wilma saíra das ameaças faladas e decidira começar a agredir fisicamente a própria irmã, que agora indefesa, não tinha coragem o suficiente para se defender. Emma não pôde segurar as lágrimas. Ver Regina tão assustada, sendo ferida e ameaçada pela própria irmã, doía como uma espada transpassando seu peito. Ela queria abraçar Regina e tratar todos os seus machucados, e o fato de não poder fazer isso aumentava ainda mais sua dor.

Mas logo a dor foi substituída por outro sentimento: Raiva. Muita raiva. Sentiu seu sangue fervendo, e de repente ela queria bater naquela bruxa por ter machucado a mulher que ela amava. Emma virou-se para ir embora, respirando pesadamente.

– Emma – disse Regina – Aonde você vai?

– Eu vou encontrar aquela Wilma e vou matá-la – disse Emma, a voz cheia de fúria – Ninguém machuca a minha garota.

Percebendo que fora um pouco longe demais com as duas últimas palavras, olhou envergonhada para Regina, que franziu a testa.

– “Minha garota”?

– Me desculpe. – respondeu Emma – Mas eu... Eu não aguento ver você nessa situação, Regina. Você já sofreu demais nas mãos dela. Precisamos fazer algo. Isso tudo o que ela está fazendo, todas essas coisas estranhas... Ela está tramando algo, e eu tenho medo de quais serão as consequências.

– Por favor, Emma – ponderou Regina – Eu não quero que você se envolva nisso. Não quero você se envolvendo em nenhum aspecto da minha vida.

– Por que não? – questionou Emma, confusa e inconformada.

– Porque quanto mais você se aproxima de mim... – respondeu ela, seus olhos demonstrando dor – Mais difícil as coisas se tornam. Eu não quero que o ciclo recomece. Você me faz sentir a pessoa mais especial do mundo, e depois faz com que eu sinta a maior dor que eu já senti. Eu não quero me decepcionar de novo. As coisas ficam... Difíceis demais com você por perto, Emma.

Emma sentiu-se um pouco culpada, chegando à conclusão de que sua presença podia realmente ser nociva e perigosa. Mas ela não podia se afastar de Regina; não agora, já tinha ido longe demais nessa história, não tinha mais como voltar atrás. Precisava ajudá-la. Precisava salvar a cidade toda.

– Por favor, Regina – insistiu – Eu só quero te ajudar. Nós não precisamos nos envolver como antes, se você não quiser. Podemos ter algo estritamente... Profissional, ou seja lá o que for. Mas eu não vou conseguir dormir à noite se não te ajudar. Eu não suporto te ver sofrendo.

Regina suspirou.

– Se qualquer outra coisa estranha acontecer – disse Regina – eu lhe aviso. Agora vá para casa, Emma.

Emma assentiu, ainda muitíssimo preocupada. Virou-se para ir embora, com a certeza de que aquelas feridas de Regina ficariam marcadas em sua cabeça. Virou-se para ir embora, mas antes, ouviu Regina dizendo:

– Aliás, Emma... Eu fiquei sabendo que seu... Amigo Killian morreu. Minhas sinceras condolências.

Emma sorriu para Regina, que sorriu de volta, o que aqueceu um pouco seu coração. Mas quando ela entrou no carro, ainda tinha certeza de que não pensaria em outra coisa se não em Regina nos próximos dias.

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Mas, pelo visto, Regina não estava disposta a cumprir a promessa que fizera a Emma.

No dia seguinte, Emma estava, mais uma vez, tomando o café da manhã na lanchonete quando viu Tinkerbell, ou melhor dizendo, Tiffany, entrando pelas portas duplas. Ela parecia abalada ou assustada.

Emma cumprimentou-lhe, convidando-a para se sentar com ela. Tiffany sentou-se, e sorriu para Emma.

– O que aconteceu? – perguntou Emma enquanto mordia uma torrada, pensando que aquilo poderia ter algo a ver com Regina, visto que ela era secretária da prefeita – Você parece preocupada.

Tiffany respondeu:

– A coisa mais estranha acabou de acontecer. Eu e Regina sempre fomos muito amigas, ela sempre confiou em mim e eu sempre trabalhei duro para ajudá-la o máximo possível, mas... Ela acaba de me demitir.

Emma quase se engasgou com a comida.

– O quê? – exclamou – Regina te colocou na rua? Regina?!

– Eu sei, certo? Não é do feito dela demitir pessoas. Mas pensando bem, também não era do feitio dela fechar orfanatos e veja o que aconteceu. As coisas andam muito estranhas ultimamente. Só sei que agora eu não tenho mais para onde ir.

Emma ficou com pena da jovem, e disse:

– Eu tenho um amigo no jornal. Neal Cassidy. Ele está precisando de uma secretária. Talvez você possa ser a pessoa certa para o trabalho.

Tiffany sorriu.

– Obrigada, Emma.

– Agora, se me dá licença – disse Emma, levantando-se e chamando Ruby para pagar a conta – Eu realmente preciso ir. Tenho umas... Emergências para resolver.

E de fato, ela tinha.

Saiu porta afora, assustada com a notícia que acabara de receber, e foi em direção ao mesmo destino da manhã anterior.

Chegando à casa de Regina, bateu a porta branca de madeira e esperou. Regina atendeu-a, usando uma camisa azul levemente desabotoada. Mas aquela não era a melhor hora para reparar nos atributos físicos da prefeita.

– Emma – disse ela – Por que isso não me surpreende? O que está fazendo aqui? Eu não te disse que te avisaria caso precisasse de algo?

– Disse, mas aparentemente, houve algo que você não deve ter achado necessário compartilhar comigo. Por que diabos você demitiu Tiffany? Não foi... Realmente você, foi?

Regina olhou para ela por alguns segundos e negou com a cabeça.

– Eu sabia – falou Emma.

– Como eu disse, as coisas estão cada vez mais estranhas. Ontem à noite, Wilma me disse que eu não precisaria mais dela, que eu poderia muito bem fazer todo o meu trabalho sozinha. Então ela mandou que eu a colocasse na rua. E você sabe, eu não pude fazer nada... Foi doloroso ter que fazer isso, pois nós éramos amigas, mas... Wilma sabe como convencer alguém.

Emma assentiu, captando a mensagem.

Estava tentando pensar no que fazer, completamente preocupada, quando a conversa das duas foi interrompida por um carro de polícia parando na calçada. Dele desceu David, que entrou pelo jardim e foi até elas.

– Prefeita Regina Mills? – disse ele

– Sim? – perguntou ela, confusa.

– A senhora está presa por sonegação de impostos e desvio de dinheiro público.

Regina mal teve tempo de fazer uma cara de espanto antes de ser algemada. O quê? O que estava acontecendo?, pensou Emma, enquanto observava, sem saber o que fazer, a prefeita sendo levada pelo Xerife até o carro da polícia.

Notas finais
Espero que tenham gostado e que mandem reviews :) P.S.: CEIS VIRAM OS ÚLTIMOS EPS DE OUAT?? AINDA NÃO ME RECUPEREI DAQUELE AMOR TODO NO 3X13 AHJKFRLDSÇ e agora tô com raiva porque Zelena é um nome muito melhor do que Wilma, enfim.