Notas iniciais
Não sei o que dizer sobre esse capítulo... Ficou beeem extenso (novidade, haha) mas vale a pena ler até o final, a fic agora está dando uma guinada boa ^^ Foi bem difícil de escrever, então espero que gostem :) P.S.: Terminei de escrever morrendo de sono e ainda não revisei, então deve ter alguns errinhos - se houver, ignorem, pois amanhã vou consertar.

When you feel my heart

Look into my eyes

It’s where my demons hide

It’s where my demons hide

Emma's PoV

Emma apanhou seu celular e olhou as horas. Faltavam dez minutos para a audiência. Olhando para si mesma no retrovisor interno, percebeu que estava suando, tanto de ansiedade quanto pelo fato de estar usando suas roupas mais desconfortáveis. Emma se sentia como se fosse ela a ser julgada dali a alguns minutos. E, de certa forma, não havia grande diferença.

Tudo vai dar certo, pensou. Emma contratara um bom advogado, e ensaiara bem seu testemunho. Além disso, Regina era inocente. Não tinha como dar errado.

Um flashback de dois dias antes passou por sua mente. Lembrou-se de ser invadida pelo desespero quando Regina foi levada para a cadeia, e de seguir o carro de polícia até a delegacia.

Chegando lá, Regina estava tão desesperada e confusa quanto ela. Desvio de dinheiro? Sonegação de impostos? Como ela poderia fazer isso? Emma teve que esperar que Regina fosse interrogada por David antes de ser autorizada a conversar com ela por 5 minutos.

Conforme David dissera a Regina no interrogatório, um cidadão que preferira se manter anônimo – mas que Emma sabia muito bem quem era – reunira algumas “provas” que tinham se mostrado suficientes para montar um quadro de corrupção. O carro novo de Regina custava o dobro de seu salário, e a tal casa na praia custara uma fortuna – quase o valor dos impostos de toda a cidade somados. Por estes fatores, somado ao fato de que não houvera investimento nenhum em melhorias aparentes naquele mês, chegou-se a conclusão de que Regina tinha usado o dinheiro público para comprar o carro e a mansão, deixando de lado seus impostos e as necessidades da população.

Emma e Regina tentaram desesperadamente convencer David de que Wilma tinha dado o carro e a casa a ela, mas o Xerife não acreditou – Segundo ele, a denúncia viera acompanhada de documentos que provavam que as escrituras da casa estavam todas no nome de Regina.

Em lágrimas de desespero, Regina dizia a Emma a todo momento que não tinha feito aquilo, que só poderia ser uma armação. Emma tranquilizou-a, dizendo que acreditava nela e que iria ajudá-la a sair dali a qualquer custo.

Regina não precisava dizer nada para que Emma acreditasse nela. Ela não tinha a menor dúvida de que a prefeita era inocente – bastava olhar em seus olhos para ver que ela estava dizendo a verdade. Emma sempre fora uma pessoa cética, e sempre tivera muita dificuldade para acreditar nas coisas, mas com Regina era diferente. Ela sentia que sempre podia acreditar nela. Regina era a única coisa da qual Emma não precisava de provas para confiar. Ela não se importava que todas as evidências estivessem contra ela; seu olhar era a única prova de que ela precisava.

– Não se preocupe, Regina – dissera – Eu acredito em você. E vou fazer qualquer coisa necessária para provar sua inocência. Você vai sair daqui.

Saiu da delegacia com aquela promessa, a expressão devastada da prefeita marcada em seu pensamento, e topou com uma figura em um vestido preto na saída. Wilma sorriu para ela, e disse:

– Vejo que meu plano funcionou muito bem. Pelo seu olhar de completo desespero, Srta. Swan, eu presumo que Regina já esteja atrás das grades, certo?

É claro. Só podia ter sido ela.

Em meio às lágrimas, Emma sentiu um ódio como nunca sentira antes por ninguém. Ninguém, exceto por Pan, quando ele sequestrara Henry – e talvez Regina — era capaz de despertar tamanha raiva nela.

Segurou a bruxa pelo queixo, fuzilando seus olhos azuis com o pensamento.

– Por que você fez isso? Por quê?!?

Wilma afastou-a com um empurrão.

– Veja só que interessante Srta. Swan – disse ela – No dia seguinte à morte do seu amigo pirata, eu percebi que... Perdi algumas notícias quentíssimas durante o tempo em que estava na cadeia. Dentre elas, uma árdua paixão entre a prefeita e a mais nova habitante de Storybrooke. Você acredita que eu perdi tal boato?

Emma encarou-a com cólera nos olhos, desejando que tivesse escutado Regina e sido um pouco mais discreta em seu romance com ela.

– Então você resolveu me dar outro aviso? – perguntou Emma.

– Sim, mas não só isso – respondeu Wilma, sorrindo – Estou matando quatro coelhos com um cajado só, Srta. Swan. Quando Regina for condenada a uma longa, longa pena, você vai perceber que não vale a pena me desafiar, não vai mais poder quebrar a maldição com um beijo de amor verdadeiro, seu maior motivo para permanecer na cidade vai ter sumido... E eu ainda vou me vingar da minha maldita irmã, o motivo de toda a minha dor e a ladra de toda a minha felicidade.

Entre soluços, Emma perguntou:

– Por que puni-la? O que ela já fez de ruim a você? Ela te fez algum mal durante o último ano, no outro mundo?

– Não – Wilma respondeu, de forma natural – O que Regina fez de ruim a mim... Foi ter nascido.

Emma não entendia de onde poderia ter vindo todo este ódio, mas agora ela tinha certeza de uma coisa: Faria qualquer coisa para tirar Regina de trás das grades. Regina era inocente, e para provar isso, Emma iria o quão longe fosse necessário – ou até mais.

– Como você fez isso? – cuspiu Emma, secamente.

Wilma dirigiu-lhe um longo olhar antes de responder, divertindo-se com sua dor.

– A magia tem seu preço. Mas também tem suas vantagens.

– Isso não vai ficar assim – ameaçou Emma – Você está mexendo com uma família.

Wilma não respondeu. Apenas deu um último sorriso de escárnio, que fez Emma desejar arrancar todos aqueles dentes brancos com apenas um soco, virou-se, mas antes de ir embora, disse:

– Te vejo no tribunal.

No mesmo dia da prisão inesperada, Emma cuidou logo de contratar um bom advogado. Não havia muitas opções na cidade, por isso ela acabou tendo que contratar Albert Spencer – o Rei George da Floresta Encantada. Albert se interessou pelo caso de Regina, e Emma abriu mão de algumas economias que estava juntando no último ano para a faculdade de Henry, mas valera a pena; ela teve a impressão de que ele era um bom profissional, e estava realmente esperançosa, mas a angústia a consumia.

Contar a Henry foi a parte mais difícil. O garoto começou a chorar e pediu para visitar a mãe, mas Emma, pensando que não seria bom o garoto ver a mãe em um estado tão frágil, não permitiu. Prometeu que iria conseguir provar que Regina era inocente, o que, é claro, não foi o suficiente para tranquilizá-lo.

Emma passara o último dia visitando Regina o tempo todo, levando-lhe comida do Granny’s – Não queria deixá-la submetida à comida da cadeia – e reconfortando-lhe com a promessa de que ia tirá-la dali. A princípio, Regina tentou barrar sua aproximação, com medo de se machucar como antes. Mas ela acabou percebendo que Emma só queria ajudar, e ela precisava de ajuda mais do que nunca. Sendo assim, permitiu que Emma fizesse tudo por ela, mas continuou meio distante emocionalmente, com conversas curtas e grossas.

Agora ali estava ela, dentro do fusca, em frente à prefeitura, em meio a vários outros carros e repórteres afoitos, esperando a audiência na qual o destino de Regina – o destino de sua família – seria decidido. Henry, por causa de sua idade, estava no Granny’s, esperando.

Emma contou até dez, respirando fundo e tentando não sofrer antes da hora. Para ela, ver Regina na cadeia era como estar na cadeia – vê-la sofrendo injustamente doía mais do que qualquer tipo de tortura. Era difícil manter a esperança, mas Emma se esforçou. Desceu do carro, apertando o sobretudo preto.

Entrou no tribunal pelas portas duplas, e a primeira coisa que seus olhos capturaram foi Regina sentada em uma cadeira de madeira ao lado do alto assento destinado ao juiz. Nas fileiras de cadeiras em frente, várias pessoas já estavam sentadas, formando um júri cheio de rostos conhecidos.

Andou apressadamente em direção a onde Regina estava sentada. Sem se importar se poderia manter contato com o réu, segurou a mão dela e disse:

– Não se preocupe. Daqui a algumas horas, você estará em casa.

Regina sorriu, mas Emma notou que ela não parecia muito esperançosa – seus olhos demonstravam um medo tão profundo que Emma apertou sua mão ainda mais forte.

Emma se afastou quando um segurança alto de terno lhe advertiu de que réu e testemunha não poderiam se comunicar antes do julgamento. Sentou-se em uma cadeira mais adiante, reservada para a testemunha da defesa, onde Dr. Spencer cumprimentou-a com um aperto de mão.

– Estou realmente empolgado com este caso, Srta. Swan – disse ele – Creio que nossas evidências são convincentes. Há uma boa chance de ganharmos.

Emma assentiu, nervosa demais para falar.

Logo o juiz, um homem de pele escura que Emma não conhecia, chegou. Do outro lado do salão, ela viu Wilma na bancada da acusação – certo, por que isso não a surpreendia? – junto com suas testemunhas, que Emma reconheceu: Aurora e Smee. Começou a movimentar-se na cadeira, ansiosa.

Alguns minutos antes do início do julgamento, a outra testemunha de Spencer chegou, e sentou-se no banco ao lado de Emma – Um jovem bonito, com barba e cabelos escuros, que ela reconheceu como o marido de Aurora. Vira-o pela cidade algumas vezes, mas não sabia seu nome.

Por fim, o juiz declarou o início da audiência.

– Estamos aqui hoje para o julgamento de Regina Mills. – disse ele, em sua voz grave e firme – O réu é acusado de Sonegação de Impostos e Desvio do dinheiro público. Na defesa Albert Spencer, e na acusação, Wilma Mills.

Ambos se levantaram quando seus nomes foram citados. Emma notou, com angústia, que Regina assumiu uma expressão de horror e tristeza ao ver que sua irmã seria responsável por sua acusação.

Spencer possuía feições cruéis e frias, e mesmo que Emma não se sentisse exatamente confortável em trabalhar com ele, era bom ter ao seu lado alguém capaz de jogar no mesmo nível de Wilma. Alguém que pudesse representar uma ameaça para ela. Pelo menos assim ela esperava.

– Vocês juram que, durante esta sessão, dirão a verdade, apenas a verdade, nada mais que a verdade? – perguntou o juiz, olhando-os por cima de seus óculos. Spencer e Wilma ergueram o braço direito em direção à bandeira dos Estados Unidos erguida na parede, bem como as outras testemunhas. Spencer fez sinal para que Emma fizesse o mesmo, e ela repetiu o gesto.

– Eu juro dizer a verdade, apenas a verdade, nada mais que a verdade. – disseram em uníssono.

Tribunais davam a Emma sensações ruins, pois da última vez em que estivera em um, ela estava sendo julgada por um roubo de relógios de ouro. Ela sabia muito bem como Regina estava se sentindo, mais do que gostaria de se lembrar.

– Muito bem. – disse o juiz, categoricamente — Vamos às acusações: O réu em questão, Regina Mills, está em posse de um automóvel de quatro milhões de dólares. Este valor é o dobro do salário mensal que a prefeita recebe para suas despesas e consumo próprio, indicando que ela gastou no mínimo dois milhões do dinheiro público na compra do carro. Regina também adquiriu, recentemente, uma mansão de luxo na praia de Storybrooke, avaliada no preço exorbitante de 75 milhões de dólares. Esta quantia, somada aos dois milhões usados no carro, chega quase ao total estimado de impostos que a prefeitura recebe para investimentos em educação, saúde, segurança, iluminação e lazer. A prefeita também deixou de pagar seus impostos no último mês, sem qualquer explicação ou aviso prévio. Estes fatores, somados ao fato de que não vimos melhorias em nenhuma dessas áreas citadas no último mês, foram decisivos para formar um quadro de corrupção e desvio do dinheiro público. Chamo à defesa o Dr. Spencer.

Spencer se levantou, apertando sua gravata. Sua rala camada de cabelos grisalhos estava cuidadosamente penteada. Quando o advogado começou a falar, todos se calaram, e Wilma parecia divertir-se.

– Meritíssimo... Senhoras e senhores... Como acabaram de ouvir, minha cliente está sendo acusada de atos de corrupção, e de ter usado o dinheiro dos impostos, que vocês pagam com seu trabalho árduo, para adquirir itens de luxo pessoais. E bem, esta acusação é completamente absurda. Regina vem trabalhando duro ao longo dos anos para garantir a melhor segurança, educação e qualidade de vida a esta cidade, e isso não mudou, e nem vai mudar tão cedo. O que está acontecendo aqui é uma armação muito bem feita, orquestrada por ninguém menos que a senhorita Wilma Mills.

Neste ponto, os olhos de todos se arregalaram, e o salão encheu-se de burburinhos. Emma assustou-se com a audácia dele, mas gostou. Wilma, por outro lado, continuava olhando para ele com um olhar de desafio, sem o menor resquício de surpresa ou medo.

– O automóvel suspeito que está em posse de Regina não foi comprado pela prefeita – continuou ele — foi um presente de sua irmã, assim como sua casa na praia. Não é estranho que Wilma tenha decidido presentear a irmã com coisas tão caras tão aleatoriamente, sem nenhum motivo aparente?

Diante deste questionamento, algumas pessoas começaram a cochichar, e o juiz pediu silêncio.

– Se eu soubesse que eu seria acusada hoje, teria contratado um advogado – manifestou-se Wilma.

– Aguarde, senhorita Mills. Sua vez vai chegar – disse o juiz.

Spencer continuou:

– Eu posso provar o que estou afirmando. Vejam bem – disse — O Xerife Nolan cedeu a mim uma cópia do documento que comprova que Regina é, de fato, a atual proprietária da casa. Porém, usando este documento em algumas investigações sobre sua origem, eu descobri que Wilma Mills era a proprietária anterior da residência. Você nega isso, Srta. Mills?

– Não. – respondeu ela, tranquilamente.

– Estão vendo? E, se perguntarmos a uma testemunha, a senhorita Swan, ela poderá nos dizer algo bastante relevante. Certo, Srta. Swan?

Emma estremeceu. Ciente de que o que ela estava prestes a dizer seria importante para decidir o destino de Regina, ela tentou disfarçar a apreensão para parecer mais confiável possível, e disse:

– Certo. Eu estava passando de carro pela casa de Regina, na segunda-feira. E notei algo estranho. Parei o carro bem a tempo de ver Wilma e Regina conversando na calçada. E o Lambroghini estava perto delas, com uma enorme faixa vermelha de presente amarrada nele. Wilma estava sorrindo e Regina parecia confusa, mas... Eu não vi mais nada.

Sim, ela estava mentindo. Não exatamente, pois Wilma de fato dera o carro a Regina. Mas ela nunca tinha visto nada daquilo. Tinha combinado com o Dr. Spencer de mentir em seu testemunho, pois provavelmente dizer apenas que ouvira aquilo de Regina não seria muito convincente. Emma se sentiu meio culpada por mentir, mas tentou tranquilizar-se pensando que era por uma boa causa. Mais do que uma boa causa; ela precisava de Regina tanto quanto precisava de si mesma.

Felizmente, Emma era boa em mentir, então ninguém pareceu desconfiar de sua palavra. Mas o juiz não se convenceu muito de que aquilo fosse algo relevante, e peerguntou:

– Com todo o respeito, você realmente acha que esta é uma prova conclusiva, Srta. Swan?

– Bem, é algo no mínimo suspeito. – respondeu ela, tentando permanecer firme e confiante — Semanas atrás, eu vi Wilma ameaçando Regina de forma cruel, para levar os créditos pelo trabalho que ela fazia no orfanato.

– Todos nós já temos conhecimento da história do orfanato, Srta. Swan. – rebateu ele — Regina já recebeu seus devidos créditos pelo trabalho no orfanato, aliás, orfanato este que ela fechou recentemente.

– Sim, mas não porque ela queria. – respondeu — Posso afirmar que Wilma obrigou Regina a fechar o orfanato.

Todos olharam para ela com espanto, inclusive Wilma. O juiz não parecia nada convencido.

– E no que você baseia essa informação? – questionou.

Emma olhou adiante. Regina a encarava com uma esperança em seus olhos marejados que a encheu de medo de falhar. Sem saber o que responder, disse a primeira coisa que surgiu em sua mente, a coisa mais tola possível:

– Regina me disse. – era uma prova conclusiva para ela, mas os outros não viam assim.

O juiz parecia a ponto de rir. Mexendo com os óculos no rosto, disse:

– Só isso? Bem... Nós ouvimos dizer que você e a prefeita tiveram um... Envolvimento romântico, Srta. Swan. Acredito que seus sentimentos possam estar influenciando em seu testemunho. A senhora realmente viu o que acaba de dizer? E... A senhora realmente acredita que o relato da prefeita possa ser uma prova conclusiva? Quem lhe garante que ela não mentiu?

– Sim, eu vi. E não, Regina não mentiu. – olhando mais uma vez para Regina, disse: — Eu sempre vou acreditar nela. Regina deu um sorriso tímido – o maior sorriso que aquela situação trágica permitia — e Emma também sorriu ao vê-la se pronunciar:

– Emma está dizendo a verdade. – ela disse, confiante — Wilma usou de ameaças para me obrigar a fechar o orfanato e demitir minha secretária Tiffany. Ela está sempre me ameaçando. E sim, o Lamborghini e a casa na praia foram presentes dela. Eu jamais pensaria em gastar milhões de forma tão fútil, muito menos milhões retirados do dinheiro público. E quanto aos meus impostos – continuou ela, cada vez mais encorajada — Caso vocês não saibam, é Wilma quem cuida deles. Todos os meses, eu dou a ela o dinheiro necessário para pagar meus impostos, e ela vai até a lotérica de Storybrooke cuidar disso para mim. Este mês, como em todos os outros, eu dei a ela o dinheiro para pagar meus impostos. Mas, por algum motivo, esse dinheiro não chegou ao seu destino.

– Exatamente, meritíssimo. – concordou Spencer — Mais uma evidência de que é tudo uma armação de Wilma. Gostaria de chamar para depor agora outra testemunha; Sr. Hawthorne, por favor.

O rapaz ao lado de Emma se levantou. Ele era forte e usava um terno preto. Do outro lado, na bancada de Wilma, Aurora – ou qualquer que fosse seu nome na cidade — lançou-lhe um olhar de repreensão.

– Este é Alex Hawthorne, o dono da Empresa de Manutenção Elétrica de Storybrooke. –explicou Spencer — Os funcionários da empresa do senhor Hawthorne costumam ser os responsáveis pela manutenção da luz elétrica e dos postes de Storybrooke. Todos os meses, a prefeita Regina entra em contato com eles para tal serviço público, e desta vez não foi diferente, como ele pode testemunhar.

– Sim. – confirmou Alex — Semana passada, a Prefeita Mills entrou em contato com a minha empresa através de uma ligação. Eu não posso afirmar com plena certeza sobre o que era a ligação, mas imagino que, como de costume, ela tenha contratado a minha equipe para cuidar da luz elétrica e da iluminação das ruas de Storybrooke. Como podem conferir no registro telefônico da empresa – ele disse, tirando alguns papéis do bolso e desdobrando-os- o número da prefeitura está entre as ligações deste mês.

O juiz apanhou os papéis e analisou-os minuciosamente.

– Está vendo, meritíssimo? – falou Spencer — Regina, de fato, cuidou de suas obrigações como prefeita. Mas por algum estranho motivo, toda a iluminação pública da cidade encontra-se em situação precária... Mais estranho ainda é o surgimento “repentino” de 76 milhões de dólares na conta bancária de Wilma. Exatamente a mesma quantia de dinheiro que Regina entregou à mão de eletricistas, médicos, e outros profissionais, para a melhoria destas áreas citadas. Regina investiu o dinheiro em melhorias públicas, mas por algum motivo, as melhorias não vieram e este dinheiro sumiu, ao mesmo tempo em que Wilma enriqueceu de uma hora para a outra. No mínimo, suspeito, não?

– Então você está sugerindo que todos os profissionais da cidade estão aliados a mim em uma espécie de complô contra a prefeita? – indagou a bruxa, teatralmente — Isto é um completo absurdo!

– Bem, isto é verdade, Srta. Wilma. – interveio o juiz, e Emma e Regina sorriram — Recentemente, o banco da cidade relatou o surgimento de 76 milhões de dólares de origem desconhecida em sua conta bancária. Podemos saber de onde veio esse dinheiro?

– É claro que podem. – respondeu ela, sorrindo. Aquela sua tranquilidade inabalável irritava Emma, mas ela estava esperançosa.

– Muito bem. Obrigado por suas palavras, Sr. Spencer. Demos agora início à acusação, com Wilma Mills. – anunciou o juiz.

Emma olhou para Regina adiante, e ambas sorriram. Tinham feito um bom trabalho. Talvez Wilma fosse ardilosa o suficiente para rebater tudo aquilo, mas havia agora uma grande chance de Regina ser inocentada, e ela tinha que se agarrar àquela chance. Porque seu medo insistia em aumentar a cada segundo, e se ela deixasse-o vencer, não seria capaz de dar a Regina o apoio de que ela precisava.

Observou Wilma se levantar e andar até a frente de todos. Seus cabelos claros e cacheados brilhavam sob a fraca luz que entrava pelas janelas. Ela encarou Emma, seus olhos azuis cheios de perversidade, e começou a falar, com sua voz cruel e arrastada:

– Primeiro, vamos por partes. O testemunho da Srta. Swan... Bem, o que ela está dizendo é... De fato verdade. Eu apareci na casa de Regina no dia em que ela comprou o carro, mas eu não o dei a ela. Esta acusação é absurda e eu posso facilmente provar que ela está errada, mas vamos devagar.

– O fato de haver uma faixa vermelha amarrada no carro não é o suficiente para provar que foi um presente; muitas concessionárias usam desse... Artefato simbólico. Eu estava apenas curiosa para ver seu novo carro, e apareci lá para dar uma olhada. Isso é tudo. Como vocês sabem, eu, como proprietária da cidade de Storybrooke, administro toda a vida financeira da prefeita, sob autorização da mesma, é claro. E tenho aqui comigo o recibo do automóvel que ela comprou. – disse, abrindo a bolsa de couro que carregava no ombro e tirando dela alguns papéis — Pode olhar, senhor juiz, e o senhor verá que está TUDO em nome de Regina. Bem como as escrituras da casa.

– Isso é impossível. – interveio Regina — Eu nunca comprei nada disso.

– Bem, não é o que estes documentos mostram. – disse o juiz, analisando os papéis .

– E quanto à questão da casa na praia – continuou Wilma, satisfação estampada no rosto — Como o Dr. Spencer observou, eu de fato sou a proprietária anterior da tal residência. Mas não, eu nunca a dei de presente para minha irmã. Eu a vendi para Regina, e ela me pagou a quantia de 75 milhões de dólares pela casa.

As pessoas começavam a olhar chocadas para Regina, enquanto cochichavam coisas inaudíveis.

– Não, eu não paguei. – negou Regina, revoltada — Você não me cobrou nada.

– É mesmo, Regina? – perguntou ela — Então como você explica o surgimento repentino de 75 milhões na minha conta bancária, fato este que seu próprio advogado se preocupou em frisar? O dinheiro “misterioso” em minha conta, senhoras e senhores, não foi fruto de nenhuma armação. Ele foi dado por Regina por livre e espontânea vontade em troca da casa na praia. Se vocês investigarem a origem do meu dinheiro, verão que, de fato, ele veio de Regina. E o fato de ela estar em posse de uma casa de luxo prova que eu não estou mentindo. Tenho que pedir desculpas, pois não sabia que o dinheiro que ela usou para me pagar era dinheiro público. Mas não se preocupem, o dinheiro ainda está intacto e eu posso devolver-lhes cada centavo.

Ela olhou ao redor, satisfeita ao ver que estava convencendo a todos. Emma não pôde acreditar. Como ela tinha conseguido aquilo? E como eles poderiam vencê-la agora? O desespero voltou a invadi-la, como um balão de gás hélio crescendo cada vez mais.

– E quanto à questão dos impostos... – continuou ela — Semana passada, por alguma razão, Regina me disse que não entregaria nenhum dinheiro para mim. Ela decidiu que simplesmente não pagaria os seus impostos. Eu paguei os meus devidamente, mas não recebi nenhum dinheiro dela, como costumava receber. Supus que ela quisesse pagá-los por conta própria, mas vejo que me enganei. Se houver alguma prova de que Regina entregou este dinheiro para mim, por favor, me mostrem.

– Você está mentindo! – protestou Regina, parecendo realmente nervosa — Eu te dei o dinheiro, mas você o depositou na sua conta, sua... Sua cobra!

O juiz pediu ordem, enquanto as pessoas olhavam para Regina de olhos arregalados.

– Bem, eu já comprovei a origem do meu dinheiro – disse Wilma — não tenho que provar mais nada a ninguém. Mas ainda há duas testemunhas que eu gostaria que você ouvissem. Primeiro, o Sr. Garcia, um dos eletricistas da empresa do Senhor Hawthorne. – ela disse, indicando o sujeito baixinho que Emma conhecia como Smee. Ele se levantou, e a bruxa disse: — Alex disse que Regina entrou em contato com sua empresa e bem, de fato, ele não mentiu. Mas esta ligação não é sobre o que vocês pensam, como ele vai nos mostrar.

– Sim. – concordou Garcia, olhando para o júri — Por sorte, todas as ligações feitas entre a empresa e seus clientes são gravadas, para casos como este. E com a ligação de Regina não foi diferente. – dizendo isto, tirou um telefone celular do bolso da calça — Trouxe aqui comigo o aparelho usado nas ligações da empresa, para que os senhores possam ouvir o que ela nos disse.

Emma estranhou, perguntando-se o que estava por vir. Regina parecia igualmente confusa. Então Garcia tocou algumas vezes na tela do celular e logo uma gravação começou a tocar.

“- Olá, senhorita Mills. Suponho que tenha ligado para contratar nossos serviços mais uma vez?”

Em seguida, Emma e todos os outros se assustaram quando outra voz começou a falar. Era a voz de Regina. Emma olhou para ela, em choque, e recebeu como resposta um simples aceno de cabeça.

“Na verdade, não.”, disse a voz de Regina na gravação. “Eu liguei para lhes avisar que não precisarei dos seus serviços desta vez. Tenho outros planos para o dinheiro público, e creio que não precisaremos nos preocupar com a iluminação da cidade por enquanto.”

Emma tentou se recuperar do choque enquanto a gravação continuava tocando:

“- Tem certeza, Madame?

– Absoluta. Podem ficar tranquilos.

– Tudo bem, a senhora é quem sabe. Da próxima vez que precisar, pode nos ligar.

– Eu ligarei. Adeus.”

Quando as vozes foram interrompidas, Emma olhou para baixo, sem saber o que pensar. Encarou Regina, que disse, sussurrando:

– Isto não é real.

Emma estava confusa. A gravação era de fato convincente, mas havia também algo estranho nela. Como se não fosse realmente a voz de Regina. Emma conhecia cada detalhe de sua voz, e aquela gravação tinha o mesmo timbre, o mesmo tom... Mas havia algum detalhe faltando. Como se Regina não estivesse naquela gravação.

Porém, um outro lado de sua mente queria ceder à razão, e insistia em pensar que aquilo era verdade. Como Wilma poderia ter forjado uma gravação tão real? Não havia lógica em dizer que era falsa. E ela começou a se perguntar se Regina teria mesmo feio aquilo. Mesmo que ela quisesse acreditar que não tinha, a parte racional e lógica de seu cérebro lhe dizia que a gravação era real.

– Eu não faço a menor ideia de como vocês montaram isso — manifestou-se Regina, com a voz embargada — mas eu nunca, nunca falei essas palavras. Eu de fato conversei com o Sr. Garcia pelo telefone, mas para pedir seus serviços, não dispensá-los.

Emma olhou para ela mais uma vez. Seus olhos diziam a verdade, e por enquanto, Emma acreditava nela. Mas a outra metade dela continuava com a fé abalada.

– O senhor tinha conhecimento desta ligação, Sr. Hawthorne? — perguntou o juiz, ao que ele respondeu:

– Não... Eu não tinha.

– Bem, esta é uma prova bastante conclusiva e incontestável.

– De fato é. — Wilma respondeu — Mas não acaba por aí. Gostaria de chamar agora minha última testemunha, a Senhorita Lisa Hawthorne, diretora da escola primária de Storybrooke, que por uma curiosa coincidência, é a esposa do Sr. Hawthorne.

Emma viu Aurora se levantar. Então esse era seu nome em Storybrooke. Seus cabelos castanhos estavam presos em um coque formal. Ela era bonita, mas havia uma frieza estranha em seu olhar.

– Meritíssimo... — ela disse — Tenho que dizer que é uma pena ter que depor do lado oposto o qual meu marido defende, mas é o certo a fazer. Todos os meses, Regina ia pessoalmente até a escola, me entregar o dinheiro para o salário dos professores e manutenção da escola. Mas este mês, ela não foi.

– Sim, eu fui! — protestou Regina, com a voz embargada.

– Se você perguntar a qualquer professor — continuou Lisa/Aurora, sem dar atenção à interrupção de Regina — eles dirão que não receberam seus devidos salários este mês. E não, a culpa não é minha. A culpa é da prefeita, que pelo visto resolveu esquecer de todas as suas obrigações.

Emma notou que ela falava aquilo de forma estranhamente automática. Poderia haver hipnose envolvida naquilo?

Para sua surpresa, Mary Margaret ergueu a mão do meio do júri, e disse:

– Isto é verdade, meritíssimo. Nem eu nem meus colegas recebemos nosso salário este mês.

Wilma parecia estar em completo júbilo. Disse, de forma irritantemente cordial:

– Então, analisemos as evidências, Senhor Meritíssimo... Regina comprou um carro que custa mais do que o salário dela todo, e uma mansão na praia de 76 milhões. Não vimos nenhum investimento em iluminação, educação, ou saúde este mês; ao invés disso, ela afirmou ter outros planos para o dinheiro público e nem mesmo pagou seus impostos. Ela inclusive fechou o orfanato, cujas crianças desafortunadas serão enviadas para Boston. As provas estão todas aí. Só não vê quem não quer. — ao dizer isso, olhou para Emma de forma maldosa.

Aquela frase martelava na mente de Emma, como se houvesse algo — ou alguém — tentando convencê-la a não acreditar mais em Regina. Mas não era certo colocar a culpa daquilo em ninguém. Provavelmente aquela desconfiança terrível vinha de seu lado irremediavelmente lógico e da parte de sua mente que insistia em ser sempre cética. Normalmente, aquela parte era imune a Regina, mas agora sua dúvida culpada aumentava cada vez mais. Talvez Regina estivesse tão abalada emocionalmente que fizera aquilo em um momento de fraqueza, para chamar atenção ou para... Emma balançou a cabeça, tentando se livrar daqueles pensamentos. De uma coisa ela sabia: Culpada ou não, iria ajudar Regina até o fim. Porque ela sabia muito bem como era ver as pessoas desistindo de você.

– Alguma oposição, Sr. Spencer? — perguntou o juiz, olhando para o advogado.

Emma lançou-lhe um olhar de súplica, desejando mais do que tudo que ele tivesse algo a dizer, algo para rebater tudo aquilo. Mas ao invés disso, ele disse:

– Não. Na verdade... Estou oficialmente desistindo deste caso.

– O quê? — indagou Emma, com raiva e horror — Você não pode fazer isso!

– Sinto muito, Emma. Não vale a pena insistir em um caso que já está perdido. Regina é obviamente culpada. Não precisa se preocupar com nenhum pagamento.

– Não acredito nisso. — disse Regina, enquanto lágrimas desciam pelo seu rosto. Ela estava provavelmente desesperada. Seu próprio advogado havia desistido dela. A velha e conhecida dor invadiu Emma novamente.

– Muito bem. Declaro esta audiência pausada por 30 minutos para discussão do veredicto. — informou o juiz — Convido agora todo o júri a se reunir em uma sala fechada, por favor.

As pessoas se levantaram de seus assentos. Alguns deles seguiram o juiz por um corredor; outros foram embora, para suas casas ou para comer algo na cafeteria.

Emma se levantou, olhando pela janela e tentando decidir o que pensar. O medo da decisão do júri — que era quase certa — começou a consumi-la. Olhou para Regina, que mais uma vez, disse:

– Você sabe que eu não fiz isso, não sabe? — Emma assentiu timidamente, culpada por não ter tanta certeza. Ela queria acreditar na verdade que seu olhar transmitia, mas aquela gravação continuava incomodando sua mente.

Emma virou-se para Wilma, que caminhava até ela lentamente.

– Uma audiência tão emocionante, não é, Senhorita Swan? — perguntou, como se tivesse acabado de voltar de um passeio no parque.

– Aquela gravação... Era real? — perguntou Emma, com os olhos marejando e uma fragilidade na voz.

Wilma riu.

– Você é tão estupidamente ingênua e fraca, Srta. Swan, que chega a acreditar em mim e desacreditar da pessoa que você ama e que esteve defendendo nas últimas horas. É claro que Regina não fez isso. — disse, cochichando em meio aos altos ruídos das pessoas andando e conversando — Minha irmã pode ser... Movida por suas emoções e não muito inteligente, mas ela não faria algo dessa proporção deixando tantos rastros. Não, Regina planeja bem as coisas.

Emma suspirou. Foi tomada por um sentimento crescente de culpa, sentindo-se horrível por ter precisado ouvir aquilo de Wilma para acreditar completamente em Regina.

– Fazer aquela gravação foi fácil — continuou ela — Tudo o que eu precisei fazer foi me transformar em Regina e... você saber, gravar. Não é triste, Emma, que você saiba que Regina é inocente mas não possa fazer absolutamente nada para provar isso?

Emma olhou para baixo.

– Você é uma desgraçada — disse, cheia de ódio.

– Cuidado com as palavras, estamos em um tribunal. Agora esperemos o veredicto, vamos?

E voltou a sentar-se em sua bancada.

Emma caminhou até Regina, a única que não tinha se levantado de seu assento. Sua expressão abatida fez Emma sentir-se horrível. Regina ergueu a cabeça ao vê-la se aproximando, e ela percebeu que precisava apoiá-la. Apertou sua mão e disse:

– Eu acredito em você.

Regina sorriu timidamente — um sorriso no qual ela tentava demonstrar uma faísca de esperança em meio a tanto medo. Como Emma podia ter duvidado dela?

Ficou ao lado de Regina até o juiz voltar, sem dizer uma palavra, apenas segurando sua mão.

Quando o ministro voltou a sentar-se e as pessoas, aos poucos, se reuniram novamente em seus bancos, Emma afastou-se e voltou a sentar-se em seu lugar, sabendo, com uma aflição insustentável, que aquela poderia ser a última vez que tocava Regina.

Quando ele abriu a boca e começou a falar, ela viu Regina fechando os olhos, e fez o mesmo.

– Senhoras e senhores... Analisando e discutindo as evidências apresentadas por ambos os lados, chegamos a um veredicto.

Emma respirou pesadamente.

– O réu, Regina Mills, foi considerado culpado de todas as acusações. – e bateu com o martelo – Ela está condenada à pena de 10 anos de prisão inafiançável em regime fechado. Wilma Mills é, a partir de hoje, a nova governante de Storybrooke. Declaro esta sessão encerrada.

A dor que a atingiu foi tão forte que chegava a ser quase física. Não pôde controlar as lágrimas, principalmente ao ver o olhar de Regina. Ela não estava chorando, mas tinha a expressão mais abatida que ela já vira em seu rosto.

Emma começou a gritar, dizendo que eles não podiam levá-la, que ela era inocente, mas foi completamente ignorada. Saiu em disparada quando Regina foi algemada e levada porta afora pelos policiais, cabisbaixa. Seguiu-a, tentando tocá-la, mas foi impedida. Em meio ao desespero, ouvi-a dizer:

– Pare, Emma. Não há mais nada a fazer.

Como ela podia dizer aquilo? Eles não podiam desistir. Tinha que ter algo a ser feito. Qualquer coisa.

Decidiu ignorar Wilma, porque achava que não conseguiria se controlar vendo seu asqueroso sorriso de triunfo.

Quando saíram da prefeitura e Regina foi colocada no carro de polícia, Emma entrou no fusca e deu a partida, seguindo-os. Não sabia mais o que fazer, mas precisava falar com Regina mais uma vez.

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Foram necessários cerca de dez minutos para que David se convencesse de que Emma tinha se acalmado e estava dentro de si. Depois que ela bebeu um calmante, o xerife finalmente resolveu levar seu pedido a sério. Mas segundo ele, provavelmente aquela visita não seria possível.

Como sua primeira decisão no cargo de prefeita, Wilma decretara que Regina seria mantida em uma cela no subsolo do hospital – um local reservado para os crimes mais desprezíveis, e segundo Wilma, Regina se encaixava nesta descrição. Emma se sentiu horrorizada ao pensar em Regina sendo colocada em um lugar destinado aos piores criminosos da cidade.

– Somente a prefeita, que agora é Wilma, tem a senha de acesso ao subsolo do hospital, Emma. Somente a prefeita, eu e a Madre Superiora, é claro. E somente pessoas autorizadas podem descer até lá. Eu sinto muito.

– E eu não posso... Obter permissão? – perguntou Emma.

– Bem... Eu poderia telefoná-la, mas você sabe que ela não vai permitir.

– Estou disposta a tentar.

David suspirou. Emma sorriu, percebendo um pouco da velha cumplicidade de pai nele.

– OK. Você venceu. – ele disse, e pegou o telefone. Discou o número da prefeita. Era repugnante para Emma pensar que aquela bruxa estava sentada na cadeira de Regina, governando a cidade.

Estava distraída em seus pensamentos, desesperada para ver Regina logo, para lhe dar alguma esperança, quando ouviu David dizendo:

– Tem certeza disso, Senhora Prefeita?

Uma faísca de esperança se acendeu.

– OK. Eu vou acompanhá-la.

David desligou o telefone.

– Parece que é o seu dia de sorte, Emma. – ele disse – Wilma estava de bom humor, e permitiu que você visitasse Regina.

Emma supôs que Wilma quisesse lhe proporcionar mais um pouco de sofrimento. Talvez ela estivesse prestes a conseguir.

David guiou Emma até fora da delegacia, e ela entrou no carro de polícia, sentando-se no banco do passageiro ao seu lado.

Logo chegaram ao hospital da cidade. Subiram algumas escadas e andaram em meio às inúmeras cabines de vidro, onde pacientes estavam deitados em suas camas. Logo atravessaram outra porta, que levava a uma ala ainda mais distante. David guiou Emma por um largo corredor onde não havia quase ninguém. No final do corredor, havia uma porta onde se lia “Saída.” Ao lado, um pequeno painel eletrônico com dígitos de 1 a 9.

– Poderia, por favor, virar-se de costas, Emma? – pediu David.

Emma obedeceu, e ouviu alguns bipes e uma porta se abrindo. Virou-se, e David guiou-lhe por algumas escadas que desciam. Desceram em silêncio por um tempo que pareceu a Emma o infinito, até que chegaram a uma nova porta, aberta. Depois dessa porta, havia um pequeno escritório com uma lamparina, um computador e alguns papéis. Atrás de um balcão, a Fada Azul – ou melhor, Madre Superiora – olhava para eles.

– Bem, Emma – disse David – espero que você tenha memorizado o caminho, porque agora eu realmente preciso sair. Cuide-se. – acenou e subiu as escadas, indo embora.

Emma olhou para Blue.

– Presumo que você tenha vindo visitar Regina? – ela disse.

– Sim. – Emma respondeu.

Ela indicou a Emma o lado esquerdo da sala, por onde um corredor de paredes cinzentas sem pintura erguia-se.

– Siga reto e vire à esquerda. Você vai chegar a um corredor com uma cela. É onde Regina está.

– Regina está realmente aqui? Sendo mantida neste... Buraco? – perguntou Emma, incapaz de acreditar.

Ela assentiu.

– Sim, ela está aqui. Tudo o que você precisa encontrar está no subsolo, Srta. Swan. – a forma aleatória com que ela disse aquela última frase fez Emma questionar-se se havia algum significado oculto por trás dela, mas não pensou naquilo por muito tempo.

– E se... Ela sentir fome ou sede? – perguntou Emma, curiosa e preocupada.

– Então tudo o que ela precisa fazer é apertar um botão eletrônico em sua cela. Quando ela o faz, esta luz pisca – respondeu a mulher, indicando uma pequena bola de vidro eletrônica implantada sobre sua mesa – e eu vou até a sua cela, abro-a e dou a Regina o que ela precisar.

Emma assentiu, notando um molho de chaves sobre o balcão – chaves que lhe pareceram bastante tentadoras...

Começou a andar pelo corredor cinzento e fracamente iluminado. Quando virou à esquerda, enxergou rapidamente a cela da qual Blue tinha falado.

Correu até às grades verdes, e viu Regina do outro lado, sentada no canto, usando um uniforme cinza da prisão. Havia uma pequena cama, um chuveiro e um vaso sanitário na cela. Ao vê-la olhando para ela com tanta fragilidade, começou a chorar.

– Me desculpe, Regina – foi a primeira coisa que disse, e o que mais precisava falar. – Eu falhei com você. Sinto muito.

Regina aproximou-se, e esticando a mão por entre as grades, tocou seu rosto.

– Você não tem que se desculpar por nada – disse ela – Você fez o seu melhor. Mas Wilma é muito poderosa. Não havia nada a ser feito. Receio que meu destino já tenha sido decidido.

Emma chorou ainda mais, e Regina enxugou suas lágrimas.

– Eu tenho que te agradecer – disse ela – Você me defendeu até o fim. Mesmo quando todas as provas estavam contra mim... Você insistiu em acreditar que eu era inocente. Então, obrigada. Ninguém nunca confiou tanto em mim como você.

Emma sentiu-se um pouco culpada, pois ela tinha duvidado de Regina por breves momentos; mas não disse nada.

Enquanto seu amor por Regina crescia a cada batida de seu coração, sua dor aumentava na mesma medida. Dor por vê-la jogada naquele buraco, como uma criminosa horrível, pagando por um crime que nunca cometera, quando ela já se redimira pelos seus erros do passado. Emma entraria naquela cela para substituir Regina sem hesitar, se isso fosse deixá-la feliz. Mas ela não podia.

– Posso perguntar algo? – indagou Regina.

Emma assentiu.

– Por quê? Por que você lutou tanto para me defender? Por que você acreditou em tudo o que eu disse, sem nunca desistir de mim?

A resposta era tão óbvia, mas também tão difícil.

– Porque... Porque eu te amo. – Emma respondeu, notando que era a primeira vez que falava aquilo a Regina. As palavras saíram tão naturalmente que ela nem percebeu, mas não poderiam ser mais verdadeiras.

Por um momento, ela esperou que Regina respondesse “Eu também te amo”, mas aquilo era obviamente sonhar alto demais. Em vez disso, ela respondeu algo quase igualmente valioso:

– Obrigada por acreditar em mim. Você é a pessoa mais especial que eu já conheci.

Ela sorriu, mesmo não estando completamente feliz.

– É uma pena que eu vá ficar aqui por uma década – acrescentou Regina.

– Você não vai. – disse Emma – Eu vou te tirar daqui. Eu ainda não desisti, Regina.

– Emma, por favor – disse Regina – Eu já fui julgada. E condenada. Não há mais nada que se possa fazer.

– Sim, há. – pensou Emma, lembrando-se exatamente do que poderia fazer – Não se preocupe, Regina. Eu vou te tirar daqui. Eu prometo. – e, pensando que provavelmente Regina iria reprovar a ideia, saiu antes que ela pudesse responder, disposta a cumprir sua promessa.

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Henry chorava em seus braços enquanto Emma tentava consolá-lo. Ter que abrir a porta do quarto, encarar o olhar esperançoso de Henry e dizer-lhe que sua mãe havia sido condenada a uma década na cadeia foi uma das coisas mais difíceis que ela já teve que fazer.

Em meio à lágrimas, Emma contou ao garoto tudo o que acontecera durante o julgamento; o modo como Wilma tinha armado provas inacreditavelmente convincentes, e o modo como ela confessara a Emma que tinha armado tudo.

Henry chorou um pouco, enquanto Emma acariciava seus cabelos. Vê-lo sofrendo era, definitivamente, a pior sensação do mundo. Emma teve ainda mais raiva de Wilma, por fazer não apenas sua rainha, mas também seu príncipe chorar.

Porém, Henry logo enxugou suas lágrimas e tentou se acalmar.

– Mãe... Nós não precisamos chorar – ele disse – Tudo o que precisamos é... Arranjar outra forma de quebrar a Maldição.

– Eu sei. – respondeu Emma – Percebi isso também. Principalmente porque isso não é mais apenas sobre Regina, ou sobre a minha família. Daqui a dois dias, os órfãos serão tirados daqui e enviados para Boston. E nós sabemos o que vai acontecer se eles saírem.

– Então você vai... ?

Emma suspirou.

– Acho que é hora de apressar a Operação Mãe.

– E como você vai fazer isso? – questionou Henry.

Emma começou a refletir, perguntando-se o que seria preciso para quebrar a Maldição, agora que a opção do beijo de amor verdadeiro estava descartada. Então ela se lembrou do que a Madre Superiora lhe dissera mais cedo.

“Tudo o que você precisa está no subsolo”.

Certo, havia algo de estranho sobre aquela fada. Emma sempre tivera a impressão de que ela era mais poderosa do que aparentava, e o modo como ela dissera aquilo... Quase parecia que ela não tivera sua memória alterada. Então tinha que ter significado algo.

Ao lembrar-se da palavra “subsolo”, uma luz se acendeu em sua mente.

– Subsolo... – ela disse, em voz alta – É isso, Henry! Da última vez, eu quebrei a Maldição te dando um beijo de amor verdadeiro, mas esta não foi a primeira opção. Não... O Sr. Gold, inicialmente, me disse que eu precisava da poção de amor verdadeiro dos meus pais para quebrá-la. Poção esta que estava guardada numa espécie de... Gruta subterrânea embaixo da biblioteca. Guardada por um dragão. Eu consegui pegar esta poção, mas as coisas se complicaram um pouc, e enfim... Você me disse que Regina pode ter feito uma poção de amor verdadeiro ou qualquer outro feitiço para servir como “válvula de escape” da Maldição. E talvez você esteja certo.

– Então, o que você está querendo dizer – interrompeu Henry – é que, se existe algo mágico para te ajudar a quebrar a Maldição, como da última vez, este algo está sob a biblioteca?

– Eu acho que sim. Quando eu fui visitar Regina, eu perguntei se ela estava realmente no subsolo, e a Madre Superiora me respondeu que sim. Mas não foi só isso. Ela me disse que “Tudo o que você precisa está no subsolo”. Não pode ser uma coincidência.

Henry franziu a testa, pensativo.

– Mas, mãe... E se não houver mais uma gruta sob a biblioteca? E se você tiver que enfrentar outro monstro, e acabar descobrindo que não há nada de importante lá? E se...

Emma sabia o que ele diria em seguida: A possibilidade mais assustadora de todas; “E se você não for a Salvadora?”, mas interrompeu-o:

– São muitas possibilidades, Henry. Mas eu tenho que começar por algum lugar.

Henry deu um longo suspiro.

– Tudo bem – ele disse, por fim – Você está certa.

Emma abriu a gaveta e pegou sua arma. Tinha que estar preparada para qualquer coisa.

– Eu vou até aquela biblioteca, vou descer e vou enfrentar qualquer coisa que esteja lá. Não precisa se preocupar, criança.

– Sério? E como você vai fazer isso se você não tem as chaves da biblioteca?

Emma notou que ele estava certo. Droga.

– Então o que eu faço?

– Não se preocupe. As chaves ficam com Mary Margaret. Eu posso ir até a escola e pedi-las, sob a desculpa de que quero ler alguns livros. Vamos esperar que ela confie em mim.

Emma sorriu.

– Este é meu garoto esperto.

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Segundo Henry, não fora difícil conseguir as chaves com Mary Margaret. Empolgada com a ideia de um jovem da idade dele se interessando pela literatura, ela chegou a oferecer-se para acompanhá-lo até a biblioteca, mas Henry conseguira escapar dizendo que “preferia ler sozinho”. O garoto realmente puxara Emma em alguns sentidos.

Emma pegou o molho de chaves e saiu em disparada até a torre do relógio, que estava apenas a uma rua de distância do Granny’s. Correu até chegar às portas duplas brancas. Colocou uma das chaves na fechadura, e abriu-as.

Fechando as portas atrás de si, entrou. Estava escuro, então ela acendeu as luzes assim que encontrou um interruptor. A biblioteca estava cheia de estantes e mais estantes, e também algumas cadeiras de madeira espalhadas aqui e ali.

E ali, no fundo do lugar, estava o estranho elevador cheio de manivelas e engrenagens. Mas agora havia nele uma enorme placa que dizia "ELEVADOR QUEBRADO- MANTENHA DISTÂNCIA".

Da última vez em que estivera ali, ela e Regina trabalhavam juntas pela primeira vez, para salvar Henry. Ainda se lembrava com clareza do que Regina fizera, então girou uma manivela e o elevador se abriu.

Emma entrou, torcendo para que o aviso fosse apenas uma tentativa de manter as pessoas afastadas, e lembrou-se de algo que Regina lhe dissera da última vez. “É preciso duas pessoas para operar o elevador”. Droga, será que ela não conseguiria?

Mas para sua surpresa, quando ela entrou, as portas se fecharam e o elevador começou a descer em alta velocidade. Parecia que algumas regras tinham mudado nessa nova Maldição. Era quase como se o universo quisesse que ela fosse bem sucedida.

Quando a máquina parou, Emma se viu diante daquela mesma caverna escura. Desejou que tivesse uma espada, mas não seria possível. Andou pela escuridão, até chegar a um local mais amplo. Olhou ao seu redor, procurando por qualquer objeto que pudesse parecer importante. Não viu nada.

– Se houver alguém aqui guardando algo mágico – disse ela, sua voz se propagando no eco – Agora seria a hora perfeita para aparecer.

Esperou, mas nada aconteceu. Desanimada, estava virando-se para ir embora, quando foi surpreendia por um movimento atrás dela.

Virou-se e viu uma criatura gigantesca erguer-se sobre ela – o mesmo dragão negro, com dois chifres na cabeça e olhos verdes e ofídicos que ela enfrentara anos antes. Ela já não tinha matado aquela coisa?

– Você de novo? — exclamou

Surpreendeu-se ainda mais quando o dragão começou a falar. Sim, falar. Numa voz sombria e monstruosamente grossa, mas levemente feminina, ele disse:

– Eu sou Maleficent. A Senhora de todo o mal.

Notas finais
Me desculpem se algumas coisas ficaram meio sem nexo, mas não entendo muito dessas coisas de julgamentos ahaha Aguardando reviews, etc.