Let Her Go, a Swan Queen fanfic
14 Sacrifice
Notas iniciais
Why she had to go? I don’t know
She wouldn’t say
I said something wrong
Now I long
For yesterday
Calafrios percorreram a espinha de Emma ao ouvir o que Wilma dissera. Do que ela estava falando? Regina não iria morrer. Isso não podia acontecer. Ficou tão atordoada com a última sentença que nem pensou muito na parte sobre Storybrooke ser destruída. Sentindo-se meio culpada por isso, ela disse, muito nervosa:
– Do que diabos você está falando? Regina não vai morrer. E Storybrooke não vai ser destruída.
– Acalme-se, Emma – aconselhou Mary Margaret, notando a agitação da filha, mas ela não iria se acalmar.
Como de costume, Wilma sorriu diante de seu desespero.
– Estou falando de minha nova Maldição, Srta. Swan. Daqui a uma hora, ou talvez menos, um raio gigantesco e destrutivo cairá sobre este ponto – explicou, indicando um pequeno círculo desenhado no chão de pedra ao redor do poço que Emma não havia notado até então. Era um círculo pequeno, desenhado com algo que parecia giz, mas grande o suficiente para caber uma pessoa dentro. – E quando ele atingir o interior deste círculo mágico, toda a cidade de Storybrooke será... Massacrada. Explodida. Engolida por um terremoto. O que vocês preferirem. E após a catástrofe, não haverá nenhum sobrevivente... Exceto por mim, Regina e Henry. – Henry olhou confuso para ela ao ouvir seu nome.
– Eu não quero viver se eu for perder Emma e minha família – disse ele. – E acho que Regina também não.
– Ninguém vai morrer, Henry. – prometeu Emma, sorrindo timidamente e tocando o ombro do garoto, enquanto tentava digerir tudo o que acabara de ouvir, em meio aos murmúrios de total pânico das pessoas ao seu redor. Storybrooke seria destruída. Ela e toda a sua família iriam morrer. Mas Regina e Henry sobreviveriam.
Ela morreria para que os dois pudessem viver de boa vontade – não importava o que Regina tivesse feito de ruim, ela jamais permitiria que ela morresse — mas não parecia justo incluir toda a sua família naquele sacrifício. Além do mais, talvez Regina fosse capaz de esquecê-la, mas Henry ficaria completamente arrasado se perdesse ela, seus avós e todas as outras pessoas às quais ele tinha se afeiçoado. Por isso, ela perguntou, com a respiração pesada e o coração acelerado de preocupação:
– Deixe-me entender isso... Storybrooke será destruída por um raio mágico? E todos vão morrer? Mas... Por que Regina e Henry vão sobreviver? E o que podemos fazer para evitar que isso aconteça?
Wilma riu, como se estivesse esperando ansiosamente por aquela pergunta.
– É aí que entra a parte divertida. Vejam bem... Não há maneira alguma de impedir que o raio atinja seu objetivo. Este feitiço é certeiro e irreversível. Ele vai chegar, e não há nada o que vocês possam fazer para impedir isto. Mas... Há uma maneira de impedir que ele destrua Storybrooke.
Emma ouvia atentamente, apreensiva, tendo certeza de que aquela solução não seria nada agradável.
– O único jeito de impedir os efeitos destrutivos do raio – continuou a bruxa. – é deixando que ele consuma toda a essência da vida de uma das pessoas cujo sangue foi usado no preparo do feitiço. E estas pessoas seriam Henry e Regina.
Emma abraçou Henry instintivamente, como que para mostrar que nenhum mal o aconteceria. O garoto parecia em choque, assim como ela e todos os outros.
– Do que está falando? – questionou ela. – Como você pode ter usado o sangue do Henry para... – mas então ela lembrou-se de algo que acontecera no dia anterior; Henry fora atacado por um macaco voador, resultando em um corte que ainda estava marcado em seu ombro.
Wilma precisava do sangue dele. Isso explicava aquele ataque repentino. Pensar naquela mulher tomando o sangue de Henry irritou Emma em uma proporção gigantesca.
– É por isso que Henry foi atacado por aquele bicho. – concluiu ela, em voz alta.
– Sim. – disse Wilma. – Este “bicho”, como você disse, me foi útil para conseguir o sangue de Regina e o de Henry. Eu usei-os para fazer a maldição, o que também os torna os únicos que sobreviveriam caso a cidade fosse destruída. O feitiço não pode matar as pessoas cujo sangue foi usado em seu preparo e nem a sua criadora. Então, se a cidade for pelos ares... Uma espécie de escudo mágico de proteção será criada ao nosso redor, nos protegendo. Obviamente, eu sei que Henry é importante demais para todos vocês, então creio que Regina seja a única opção considerável para evitar a destruição. – ela concluiu, com um sorriso – então, caso vocês queiram viver, Regina deve estar dentro deste círculo daqui a menos de uma hora, quando o raio chegar.
– Mas então ela vai morrer – observou uma voz que Emma pensou ser a de Henry, mas logo percebeu que era infantil demais para ser a dele. Olhou para trás e viu, no meio da multidão, que quem havia se pronunciado era Roland, o pequenino filho de Robin Hood.
Wilma sorriu para o garoto.
– Menino esperto – disse.
– Tem que haver outra maneira... – ofegou Emma, aturdida. – Nós vamos usar nossa magia juntas, nós vamos afastar esse... Raio...
– Não há maneira – rebateu Wilma – Como eu disse, somente Regina e Henry são capazes de impedir a destruição da cidade, sacrificando suas vidas. Se qualquer um de vocês tentar fazer isso... Não se iludam... Estarão morrendo em vão. A cidade ainda seria destruída. E sim, a magia da Salvadora e da Rainha Má pode ser poderosa, mas desta vez, não será o suficiente. Absolutamente nenhum poder pode parar o raio ou anular seus efeitos. Talvez a única magia profana o suficiente para realizar tal feito seja a magia do Senhor das Trevas, mas como todos sabem... Ele está morto.
Todos começaram a falar ao mesmo tempo, agitados – alguns, Emma notou cheia de raiva, já estavam falando em pegar Regina e obrigá-la a morrer. E ela sentia-se como se houvesse um enorme abismo se abrindo no chão abaixo dela.
– Caso Regina não se sacrifique – continuou. – Ela e Henry estarão completamente sozinhos e em minhas mãos, então não importa o que vocês escolham, será uma vitória para mim.
Mas ninguém pensaria em deixar Regina viver, concluiu Emma. Todos já estavam ansiosos por matá-la, pois ela não significava absolutamente nada para ninguém além de Emma e Henry.
Aquela certeza atingiu Emma junto com um enorme choque e incredulidade. Wilma havia colocado-os em um beco sem saída. Ela queria desesperadamente pensar em uma solução para que ninguém morresse, mas daquela vez, simplesmente não havia resposta. Em completo desespero, seus olhos ficaram carregados com o peso das lágrimas que queriam cair.
Ao mesmo tempo, uma fúria fervia dentro dela, fúria daquelas pessoas egoístas, e principalmente de Wilma.
– Eu não quero morrer. E eu não quero perder minha mãe – disse Henry, com uma voz embargada capaz de destruí-la por dentro.
– Por que você fez isso? – vociferou Emma. – Por que permitir que Henry viva com uma perda tão dolorosa?
– Porque será divertido ver Regina tendo que escolher entre o que é certo e o que lhe é favorável. – respondeu a bruxa, proferindo cada palavra com rancor na voz – Se ela não se sacrificar, terá a morte de quase todos os seus inimigos e seu filho só para si. Como ela sempre quis. Esperemos para ver se ela vai morrer pelo que é certo ou ceder ao seu velho egoísmo. Você e eu sabemos, Srta. Swan, que a segunda opção é muito mais provável. E quando Regina se recusar a morrer por vocês... Você se despedirá desta vida com a certeza de que ela nunca te amou.
– Já chega! – exclamou David. — Você não dirá mais uma palavra para Emma ou Henry.
Wilma lançou-lhe um olhar de desdém, e disse:
– Escolham sabiamente. Vocês têm quarenta minutos. – e com isso, desapareceu.
Sentindo-se em um labirinto onde todos os caminhos levavam a uma armadilha, Emma ofegou, olhando para Henry. A ansiedade e o medo se espalhavam por seu corpo em batimentos acelerados e um suor frio. Henry parecia a ponto de chorar, e ela apertou seus braços ao redor dele.
– Eu deveria me sacrificar – disse ele, assustando-a. – Para que nenhum de vocês tenha que morrer.
– Não, Henry! – exclamou Emma, acompanhada por várias outras vozes que se manifestaram assustadas, ao mesmo tempo, diante da sugestão do garoto. – Você é muito importante para nós – disse ela.
– E vocês são muito importantes para mim – ele refutou, o olhar dolorosamente consternado. – Além disso, meu avô já morreu por minha causa. Não quero que mais ninguém morra por mim.
Neal aproximou-se do filho e disse:
– Meu pai não morreu por sua culpa. Ele morreu porque tinha que nos salvar.
Emma balançou a cabeça firmemente.
– Neal está certo. – disse. – Você não tem culpa de nada que está acontecendo.
– Nós nunca permitiríamos que você morresse, Henry – disse Snow. — em nenhuma situação.
– Ela está certa – manifestou-se Aurora de algum ponto da aglomeração, com firmeza na voz. – Regina é quem devia fazer isso. Depois de tudo o que ela fez, ela deve isso a nós.
– Então o que estamos esperando? – vociferou Leroy. – Vamos encontrá-la e pegá-la! – algumas pessoas reagiram com gritos de apoio, e Emma tinha a impressão de que não conseguiria controlar sua raiva.
– Vocês percebem que estão falando da minha mãe? – gritou Henry, com uma fúria que ela nunca vira no garoto antes. – Se ela morrer, Emma e eu vamos sofrer. Vocês não se importam com isso?
– Henry está certo – concordou Emma. – Se quiserem matar Regina, terão que me matar primeiro. Ninguém vai morrer hoje. Ninguém.
– Mas, Emma... – interveio David, e Emma notou que ele tentava soar cuidadoso com as palavras. – Tem que haver um sacrifício. Você ouviu o que Wilma disse, não há como evitar.
Emma começou a pensar, tentando desesperadamente encontrar uma solução, uma luz nos confins de sua mente.
– Não, não tem que haver um sacrifício. – deu-se conta. – Há uma forma de todos nós vivermos sem que Regina tenha que morrer para nos salvar.
– Como? – indagou Henry, esperançoso.
– Saindo da cidade. Wilma disse que o raio destruirá Storybrooke, então se nós estivermos longe daqui quando ele chegar, nós viveremos. Todos nós.
David arqueou as sobrancelhas, pensando no que ela dissera. Não era um plano muito bom, mas era definitivamente a melhor opção.
– Mas se nós sairmos de Storybrooke, nós perderemos nossas memórias – lembrou David. – Estamos presos aqui, se esqueceu?
– Bem... É melhor viver sem memórias do que não viver. Eu poderia orientar vocês... Afinal, Henry e eu não perderemos nossas memórias... E uma vez fora daqui, teríamos o mundo todo para nós. – ela sabia que Regina provavelmente não abriria mão de suas memórias, e pensar em sair da cidade para sempre sem ela era doloroso, mas ainda era melhor do que pensar em seu corpo sem vida no chão. Estremeceu com aquilo, e afastou o pensamento de sua cabeça.
Quando Emma disse aquilo, recebeu várias vozes revoltadas como resposta.
– Eu não quero abrir mão das minhas memórias mais uma vez! – exclamou Granny. – Não quando existe uma maneira de eu continuar vivendo com elas intactas.
– Mas é uma maneira que custaria uma vida! – rebateu Emma, perdendo a paciência. – Como vocês podem ser tão egoístas?
– Eu apoio a ideia de Emma – opinou Mary Margaret, segurando a mão da filha. – Não seria justo construir uma vida sobre o sangue de Regina. E sim, é triste ter que abrir mão de nossas memórias tantas vezes seguidas, mas... Emma ama Regina, e Henry também. E eu não seria capaz de deixar que eles sofressem só para continuar seguindo com minha vida inalterada. Isso seria egoísmo. Além disso, Regina é parte da nossa família agora. Ela é importante para todos nós.
Emma sorriu, e entrelaçou os dedos nos da mãe firmemente, dizendo “Obrigada”. Quase desejou que Regina estivesse ali, para ouvir que fazia parte de uma família, mas preferia que ela não soubesse de nada daquilo.
– Bem... – disse David. – Eu posso não ser o maior admirador de Regina, mas... Se ela é importante para Emma e Henry, não deixarei que ela morra.
O sorriso de Emma tornou-se ainda mais largo. De repente, Archie, Ruby, Robin, Tinker, Neal e algumas outras pessoas se juntaram a eles, todos concordando que Regina não devia morrer e dispostos a ajudar Emma a protegê-la. Ela sentiu uma gratidão descomunal por todos eles, e de repente uma luz se abriu no fim do túnel. Aquela não era uma solução perfeita, mas era uma solução.
Ou pelo menos foi o que ela achou, até ver uma nuvem de fumaça roxa surgindo em um ponto adiante. Quando a fumaça se dissipou, Regina surgiu, um olhar atônito e doloroso em seu rosto. A aflição reencontrou o coração de Emma ao encarar em seus olhos.
– Regina...
– Eu ouvi tudo. – disse ela, a voz pesarosa. – Eu estava aqui o tempo todo, invisível.
Pela expressão de Regina, Emma deduziu que ela estava pensando naquela hipótese que ela tanto temia.
– Você não tem que morrer, Regina. – disse ela, se aproximando. – Nós sairemos da cidade. E se você quiser, pode vir conosco.
– Eles vão sair e perder suas memórias de novo? Não é justo, Emma. – rebateu ela. –Todos vocês já tiveram suas vidas alteradas vezes demais por minha causa. E só estão aqui hoje por minha culpa. Sou eu quem tem que consertar isso.
– Regina, não...
Emma correu até ela para segurá-la, mas Regina foi mais rápida; correu até o círculo desenhado perto do poço e lançou uma barreira mágica ao seu redor, uma espécie de redoma. Ao tentar passar por esta redoma, Emma recebeu um leve choque no ombro e não conseguiu mover-se para mais perto dela.
– Eu traí a sua confiança, Emma. – falou Regina, enquanto lágrimas caíam por seus olhos. Emma odiava aquelas lágrimas mais do que odiava seus piores inimigos. – Você acreditou em mim inúmeras vezes, e eu desperdicei todas as chances, por causa de defeitos dos quais não consigo abrir mão. Talvez esta seja a única maneira de provar que eu realmente me arrependo de tudo.
– Não é! – exclamou Emma, começando a chorar também, as palavras saindo uma atrás da outra, carregadas de desespero. – Eu acredito em você, Regina, eu acredito! Não precisa fazer nada para me provar que mudou, ok? Eu sei que você mudou. Eu fui uma idiota, me desculpe. Eu te abandonei em um momento de fraqueza, te dei as costas quando você mais precisava de mim...
– Você só estava preocupada comigo – respondeu Regina. – Porque você me ama. Eu entendo isso, porque eu te amo também.
– Eu não agi como alguém que te ama – insistiu Emma, e quanto mais Regina se culpava, mais dor ela sentia. – Eu agi como uma egoísta. Eu deveria ter ficado e te apoiado, te ajudado a resistir ao seu lado mau, me desculpe, me desculpe...
– Você não tem que se desculpar. Eu sou a única aqui que precisa mostrar redenção. Sinto muito que as coisas tenham chegado a este ponto.
Emma já estava soluçando, seus olhos inchados. Não poderia suportar aquilo.
– Você não pode fazer isso, mãe – falou Henry. – Eu preciso de você. Nós precisamos.
Regina olhou para o chão ao ouvir aquilo, aparentemente sofrendo demais para conseguir encarar o filho.
– Eu sei, Henry. Mas vocês são fortes. E, uma vez... Alguém muito especial me ensinou que é preciso fazer sacrifícios por um bem maior – disse, um pequeno e tímido sorriso se esboçando em meio ao oceano de tristeza que era seu rosto. – E ela estava certa. Isso foi apenas uma das coisas maravilhosas que eu aprendi com ela.
Emma lembrou-se de quando dissera aquilo a Regina, sentada em seu quarto. Mesmo aquela época em que Regina estava com suas memórias alteradas parecia um maravilhoso sonho deixado para trás.
Naquele dia, dizer-lhe que era preciso fazer sacrifícios parecera algo favorável e certo – agora, a frase era uma culpa que a consumia. Sentia-se como se estivesse sangrando por dentro, as lágrimas inundando cada vez mais seus olhos enquanto encarava uma possibilidade tão dolorosa que ela nunca realmente pensara em encarar. Ajoelhou-se frente à redoma, suplicante, e disse:
– Você não tem que levar a sério tudo o que eu digo, está bem? Eu não quis realmente dizer aquilo, e eu não estou certa o tempo todo. Você não precisa se sacrificar, Regina... Por favor... Saia daí, e eu posso te dar mais uma chance. Posso te dar quantas chances você precisar. Só não nos deixe.
– Você só diz isso agora porque está desesperada. Mas nós duas sabemos que isso é o certo a se fazer. E pela primeira vez, Emma... Eu estou pronta para morrer. Pelo bem de vocês.
– Mas se você morrer, como Henry e eu poderemos ficar bem? – indagou ela, enquanto tentava, em vão, penetrar a barreira mágica ao redor de Regina, levando mais e mais choques, mas a dor dentro dela era tão grade que mascarava sua dor física.
– Para de fazer isso, Emma! Eu não quero que você se machuque!
– Você não quer que eu me machuque, mas eu tenho que te ver morrer na minha frente? Isso não é justo, Regina, não é justo! – exclamou, dizendo aquilo mais para o universo do que para Regina. Tudo que a envolvia era terrivelmente injusto. Ela se sacrificara tantas vezes por eles antes, e ainda assim continuava sempre encarregada da pior parte. E agora Emma se sentia culpada, porque talvez, se ela não houvesse desistido de Regina, ela não sentiria que precisava morrer.
– Por favor, Emma. – disse Regina, enxugando suas lágrimas. – Eu sei que é difícil aceitar, mas você sabe que é o único jeito. Wilma já escreveu o final da nossa história, e infelizmente, não é um final feliz.
Emma balançou a cabeça, negando-se a aceitar. Não iria simplesmente deixar que Regina morresse. Tinha que lutar por ela até o último segundo.
– Não é o único jeito – insistiu ela. – Nós podemos sair da cidade.
– Eu já disse que não quero que todos percam suas memórias por minha causa mais uma vez. Não conseguiria carregar mais essa culpa em meus ombros.
– Mas talvez haja alguma forma de fazer com que eles saiam com suas memórias intactas. Podemos ir até a sua cripta e encontrar algum feitiço, alguma coisa...
– Isso levaria tempo e muito trabalho. Dois luxos aos quais não podemos nos dar agora. O raio vai chegar em trinta minutos. Essa é a única opção restante.
Emma ajoelhou-se no chão, chorando como uma criança conforme a terrível conclusão de que Regina estava certa sobrepunha sua negação. Ela nunca imaginou que um dia as coisas chegariam àquele ponto; ao ponto de ter que deixar Regina morrer, sem poder fazer nada para impedir. Recusava-se a acreditar que aquilo fosse verdade. Fechou os olhos, desejando que aquilo fosse apenas um pesadelo, que ela pudesse acordar e ter Regina ao seu lado para sempre... Mas quando abriu os olhos, tudo continuava igual.
– Onde está Neal? – perguntou Regina, e Emma olhou para ela, confusa. Neal andou até perto da prefeita, com a camada mágica separando-os.
– Você promete que vai cuidar de Emma e Henry por mim? – pediu ela, os olhos vermelhos.
– Regina, você não tem que...
– Promete? – repetiu, com uma leve irritação na voz.
Neal olhou para Emma, entristecendo-se com a dor dela.
– É claro. – disse ele – Eu prometo.
Regina olhou para Emma, sentada no chão, e para Henry.
– Vocês dois mudaram minha vida. – disse ela, sorrindo. – Obrigada. E, por favor... Tentem seguir em frente sem mim.
Emma balançou a cabeça em negação. Como ela poderia seguir em frente sem Regina?
– Eu atravessei o inferno por você, Regina. Não posso simplesmente seguir em frente sem você do meu lado.
Mas Regina não a respondeu.
No céu, uma tempestade de raios teve início, luzes piscando nas nuvens escuras antes do esperado, como que para adiantar o sofrimento de Emma. Emma levantou-se, dizendo “não, não, não” repetidamente.
– Para todos vocês que, algum dia, sentiram dor ou perderam entes queridos por minha culpa – disse Regina enquanto olhava para o céu, seus olhos marcados pelo temor. – Eu sinto muito.
Logo após Regina dizer aquilo, um relâmpago enorme cortou o céu e desceu até o chão. Eles foram atingidos por uma luz ofuscante e um som ensurdecedor, acompanhado por um grito de Emma – um grito desesperado e rouco de dor e desespero infinito. Um grito que ecoou pelo ar quando a luz se dissipou, mostrando o corpo de Regina caído no chão adiante, sem vida.
Emma correu até ela, como se ainda acreditasse que ela pudesse estar viva, seu coração recusando-se a aceitar o fato insuportável que ela encarava.
Tocou o rosto branco de Regina enquanto chorava como nunca chorara antes. Era de se esperar que seu corpo fosse carbonizado pelo raio, e, no entanto, ele estava intacto, como que para tornar tudo ainda mais doloroso.
Emma perguntou-se porque seu coração ainda estava batendo, enquanto tocava o vazio no peito de Regina. Não parecia lógico, não fazia sentido que ela ainda estivesse respirando quando nunca mais sentiria a respiração de Regina. Como seu coração poderia estar pulsando se a sua alma estava morta sob ela?
De repente, tudo de doloroso que Emma já vivera até aquele momento parecia tolo. Crescera em um orfanato, sentira-se abandonada por Neal, passara anos na cadeia, mas tudo aquilo não era absolutamente nada comparado ao sofrimento que sentia agora.
Emma começou a chorar alto, como uma criança que cai de um brinquedo em um playground, seu rosto completamente tomado pelas lágrimas e secreções de sua dor. Seus pais se aproximaram, mas ela afastou o toque deles. Virou-se para o lado e viu Henry, que também chorava desesperadamente. Os dois se abraçaram fortemente; Henry era a única coisa que podia oferecer-lhe algum resquício de conforto naquele momento. Enquanto ouvia o choro de Henry, vendo o garoto devastado por perder a mãe, seu sofrimento aumentou ainda mais, bem como a sua dúvida de que um dia fosse superar aquilo. Não era somente Regina que havia morrido; algo no coração de Henry certamente morrera junto com ela, e por isso, duas metades do coração de Emma estavam completamente despedaçadas. A família deles jamais estaria completa novamente, pensou. Meses antes, ela estava com uma sensação de vazio, como se houvesse algo faltando em sua vida. Agora, aquele sentimento voltara, mas não havia mais nada para preenchê-lo. Dali para frente, a sensação de que algo estava incompleto iria acompanhá-la para sempre.
Neal aproximou-se de Henry e tocou o ombro do garoto. Emma permitiu que o garoto abraçasse o pai, entre soluços. Aproximou-se mais uma vez de Regina, encarando o vazio em seus olhos que outrora foram cheios de glória. A única vez em que ela sentira uma dor comparável àquela foi quando pensou que Henry iria morrer. Mas ainda assim, aquela dor havia sido temporária; Henry logo acordara para descobrir que a maldição se quebrara. Mas agora, não havia como desfazer a ausência de vida em Regina. Ela não iria acordar com um beijo de amor verdadeiro. Não acordaria nunca mais.
Emma aproximou-se de seu rosto e deitou-se sobre ele, abraçando o corpo de Regina. Ela poderia beijar seus lábios, mas nada aconteceria – já não sentiria mais o calor de seu beijo em resposta, a eletricidade de sua boca, seu hálito quente. Não ouviria mais sua voz reconfortante, sua risada tão prazerosa. Nunca mais veria aquele sorriso jubiloso. Jamais receberia o calor de seus braços como resposta àquele seu abraço insistente.
Emma continuou a chorar, perguntando-se se, algum dia, as lágrimas cessariam. Parecia impossível conseguir viver sem ela, e se não fosse por Henry, Emma poderia continuar ali para sempre, abraçada a Regina, fingindo que ela estava dormindo e que logo acordaria com seu sorriso maravilhoso. Emma demorara tanto tempo para encontrar o amor verdadeiro, e agora a melhor parte de sua vida não era nada além de lembranças dolorosas e fantasias distantes.
O pior de tudo era saber o quanto ela havia lutado por Regina, o quanto sofrera e fizera de tudo para tê-la de volta, apenas para aproveitá-la por alguns dias e depois vê-la morrer. Para deixar que Wilma vencesse.
Bem, mas Wilma não tinha vencido em tudo, concluiu. A bruxa dissera que Regina não iria se sacrificar, que ela iria ceder ao seu egoísmo, que Emma morreria com a certeza de que Regina não a amava. E no entanto, ela se sacrificara por todos eles. Mas aquilo só servia para tornar tudo ainda mais doloroso — ela tinha a certeza de que Regina sempre a amara, mas de que isso adiantava se nunca mais conheceria aquele amor? Naquele momento, a derrota lhe parecia muito mais sedutora.
Perguntou-se como tinha sido capaz de abandonar Regina, dois dias antes. Emma tivera aquela mulher ao seu lado, pudera usufruir todo o seu toque, seu carinho, o amor daquela pessoa maravilhosa capaz de sacrificar a própria vida por sua família, e lhe dera as costas – como fora capaz? Como pudera abandonar aquela pessoa tão inacreditavelmente especial? Como pudera permitir que ela partisse desta vida considerando-se culpada?
Emma ergueu a cabeça e separou-se de Regina. Começou a bombear seu peito, em tentativas nulas e levianas de trazê-la de volta.
– Façam algo! – gritou ela, agonizando de dor. – Façam algo! Temos que trazê-la de volta, rápido!
Regina dissera para Emma seguir em frente sem ela, mas naquele momento, ela não queria seguir em frente. Queria tê-la consigo bem ali, para sempre. Qualquer outra opção parecia insuportável e inaceitável. Seguir em frente sem Regina, viver sem ela, tentar esquecê-la, parecia quase desrespeitoso.
Emma ouviu passos atrás de si, e virou-se para encarar, entre suas lágrimas, a Madre Superiora em um vestido azul. Ela não disse nada – apenas olhou para Regina caída no chão e para a expressão dolorosa de Emma. Em seguida, tirou sua varinha mágica do bolso interno do casaco.
– O que você vai fazer? – questionou Emma, com sua voz embargada e impaciente.
A mulher não respondeu; apenas ergueu a varinha sobre Regina, e uma luz forte irradiou do objeto. Por um segundo, Emma teve uma leve esperança de que ela fosse trazer Regina de volta – mas logo se lembrou, pesarosa, de que era impossível trazer os mortos de volta à vida.
Continuou chorando sobre seu verdadeiro amor, sobre a mulher que mudara sua vida, suas últimas palavras permanentemente marcadas em sua mente, enquanto observava aquela luz mágica aumentar gradativamente, seu coração sendo consumido por uma dor que nunca desapareceria.
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