Let Her Go, a Swan Queen fanfic
5 Proof
Notas iniciais
You don't want me, no
You don't need me
Like i want you, oh
Like i need you
Emma's PoV
Henry assumiu uma expressão desanimada.
– O que aconteceu? — perguntou ele, confuso.
Emma sentou-se numa cadeira ao lado da cama e começou, lentamente, a contar tudo o que tinha acontecido. O modo como Regina tinha tido lembranças dela nas minas e no jardim, e o modo como ela tinha estragado o plano tentando apressar as coisas, deixando de lado as partes em que ela fora agressiva com Regina. Sua voz estava trêmula e ela não conseguiu segurar pequenas lágrimas quentes que lhe escaparam aos olhos.
– Eu só... — disse ela, triste — Só queria tê-la de volta. De qualquer jeito. Mas acho que não é para ser.
Henry parecia assustado e machucado por vê-la tão triste. O garoto se aproximou dela e enxugou suas lágrimas de forma carinhosa.
Emma tocou sua mão e disse:
– Me desculpe, garoto. Não devia estar chorando na sua frente. Você não tem que sofrer por isso.
– E nem você. — respondeu Henry, tentando animá-la — O plano não foi um total fracasso. Minha mãe se lembrou de você! Bem, talvez não de quem você é, mas você está despertando as memórias dela aos poucos! Nós vamos conseguir!
Emma pensou um pouco, punindo-se mentalmente por permitir-se ter mais esperanças.
– Eu sei, mas... De que isso adianta? Ela ainda não acredita em mim, ela ainda acha que eu sou louca, e não vai deixar que eu me aproxime dela nunca mais.
Henry suspirou, pensativo.
– Então talvez você devesse parar de tentar fazê-la se lembrar. Talvez você devesse... Conquistar a nova Regina.
Emma não entendeu.
– Mas... O objetivo aqui não é quebrar a Maldição?
– Sim, mas talvez seja exatamente assim que ela vai se quebrar! — explicou ele, muito empolgado com sua linha de raciocínio — Da última vez, você quebrou a Maldição me dando um beijo de amor verdadeiro, certo?
– Eu posso te dar outro a qualquer momento — disse Emma, agachando-se para beijar o garoto na testa. Nada extraordinário aconteceu.
– Não vai funcionar — esclareceu Henry — Porque eu não estou amaldiçoado. Da última vez, eu estava sob uma Maldição do Sono. Mas dessa vez... Não sou eu quem você tem que beijar.
Emma foi pega de surpresa.
– O que você está tentando sugerir?
– Que se você der um beijo de amor verdadeiro na minha mãe... Ela vai se lembrar de tudo e a Maldição vai ser quebrada. — explicou ele, sorrindo esperançoso.
– Mas como nós podemos ter certeza de que eu posso quebrar essa Maldição?
– Nós não podemos. — disse Henry — Mas temos que ter esperança. Talvez Regina tenha se lembrado disso antes da Maldição ser lançada, talvez ela tenha deixado uma válvula de escape como Gold deixou na Maldição anterior.
– Você acha que ela pensaria nisso?
– Claro que sim! Minha mãe é esperta, e poderosa. Ela não iria ser amaldiçoada sem pensar numa maneira de escapar, tenho certeza disso.
Emma enxugou o rosto. Ela não queria se dar falsas esperanças, mas ao mesmo tempo queria desesperadamente acreditar naquela possibilidade. Confusa com seus sentimentos, ela decidiu dar ouvidos ao garoto, pois não queria desiludi-lo. Henry amava muito Regina apesar de tudo, e seria cruel da parte dela tirar aquela esperança dele.
– Então... Eu tenho que beijar Regina? Isso é tudo?
– Não sei, mas é uma possibilidade. E precisa ser um beijo de amor verdadeiro. Você realmente a ama, certo? — questionou Henry.
Emma não soube o que responder.
– Eu... Não sei. – gaguejou ela – Quero dizer, não tenho certeza. É que... Isso surgiu tão de repente, sabe? Mas... Eu acho que sim. Acho que a amo.
Henry sorriu.
– Então tudo o que precisamos é que ela se apaixone por você também. O que não será tão difícil, porque como eu disse, acho que ela sentia o mesmo por você antes de se esquecer de tudo.
Emma sorriu timidamente, começando a deixar as faíscas de esperança entrarem, de forma relutante.
– Tente conquistá-la – continuou Henry – Você disse que ela parece menos durona agora, então use isso a seu favor. Mas espere um tempo. Espere as coisas esfriarem. Se ela achar que você se esqueceu dessa história, ela vai confiar um pouco mais em você. Faça ela se lembrar do que sente... E consiga um beijo dela. Então a Maldição vai ser quebrada.
– E se isso não funcionar? – questionou Emma.
– Então eu não sei o que vai.
Emma assentiu. Levantou-se da cadeira e aproximou-se de Henry, tocando o queixo do garoto. Aquele era um gesto que ela tinha visto Regina repetir várias vezes. Era engraçado como fora capaz de memorizar cada gesto, cada olhar, cada toque de Regina. E agora repetia um deles, que poderia parecer algo bobo, mas ela o fazia como se precisasse compensar a ausência de Regina para Henry.
– Muito obrigada por estar me ajudando nisso, criança. Você é a melhor coisa que já me aconteceu.
Os dois sorriram e se abraçaram.
– Eu só não quero que você... Se envolva muito nisso, ok? Não quero que você se machuque. – disse ela, lembrando-se da mensagem que recebera.
– Mãe – disse Henry- Você não precisa se preocupar comigo. Eu cresci muito desde a última vez. Eu estou pronto. E estou disposto a te ajudar.
Emma olhou para ele, e passou a mão em seus cabelos castanhos levemente bagunçados, que ultimamente tinham crescido mais do que o normal. Era verdade. Ele tinha crescido muito, e naquele momento Emma surpreendeu-se em como ele era inteligente. Henry era como ela, esperto e preparado para enfrentar as situações mais difíceis da vida. Ele definitivamente sabia se cuidar. Mas ainda assim ela iria ficar de olhos atentos em Henry. Não queria que ele se tornasse o alvo de uma bruxa.
– Me desculpe. Ás vezes eu ainda acho que você é aquele garotinho de 10 anos que apareceu na minha porta. – falou ela – Mas eu quero que você tome cuidado, OK? Pelo menos por enquanto, não saia por aí sozinho.
– Por que não? – surpreendeu-se Henry – O que poderia acontecer?
– Não sei, talvez Wilma tente algo. Há uma nova vilã nesta cidade e nós não a conhecemos. Temos que tomar cuidado.
Henry suspirou, inconformado.
– Você anda muito preocupada comigo desde ontem. Aconteceu alguma coisa? – perguntou
– Não – mentiu Emma. Não queria que ele se assustasse – Nada aconteceu. Mas como você me disse uma vez... Não se brinca com uma Maldição.
Henry assentiu relutantemente.
– Tudo bem. Prometo que não vou sair sozinho. Mas eu posso ao menos descer até a lanchonete para não ficar sozinho?
– Ok. – respondeu Emma – Só não converse com Wilma ou qualquer desconhecido.
Henry assentiu mais uma vez.
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Como um reflexo do coração de Emma, as semanas seguintes foram frias, nubladas e sem vida. O sol se escondera de uma vez por todas, e o inverno se estabelecera com nuvens escuras e chuvas freqüentes.
Emma seguiu o conselho de Henry e decidiu esperar um mês para procurar Regina novamente. Talvez durante esse tempo Regina se esquecesse do que tinha acontecido. Talvez ela visse que Emma não era louca e lhe desse outra chance. Talvez.
Durante esse tempo, Emma andava pela cidade, conversando com pessoas conhecidas e tentando se adaptar a suas novas personalidades. Pouca coisa tinha mudado; Mary Margaret era a mesma professora solitária da maldição anterior, e aparentemente nutria sentimentos por David, que era agora o Xerife e namorava Kathryn. Neal era um fracassado que tinha uma coluna no Daily Mirror, tentando se sustentar com o pouco que ganhava. Belle era Lacey, a alcoólatra viciada em apostas e sinuca, e Tinkerbell era secretária de Regina na prefeitura, que Emma via poucas vezes.
Todos os dias, Emma sentava-se no restaurante e conversava com Mary Margaret. Passavam horas a fio conversando sobre a cidade, sobre suas vidas, sonhos... E sobre Regina. Mesmo assim, as duas não tinham se tornado tão amigas quanto costumavam ser. Era como se a nova Mary Margaret tivesse uma barreira dentro de si.
Eventualmente, Regina ia ao Granny’s para tomar algo. Nessas ocasiões, seus olhares se encontravam, mas as duas se ignoravam, sem trocar uma palavra. Aquele silêncio era mais doloroso do que qualquer coisa que ela pudesse dizer.
Emma não tinha contado à Hook seu plano para quebrar a Maldição, e nem sobre seus sentimentos por Regina. Não queria jogar esse balde de água fria nele. De certa forma, era cruel deixar que ele continuasse pensando que tinha chances com ela quando na verdade não tinha, mas era mais fácil do que dizer a verdade. Emma dissera-lhe apenas que tinha um plano, mas que era preciso esperar um pouco para colocá-lo em prática.
No início, os dois conversavam bastante; todos os dias, Hook ia até o Granny’s para se encontrar com ela. Mas com o passar do tempo, Emma começou a sentir-se culpada com aquilo e decidiu passar o dia todo no quarto da pensão, alegando estar meio adoentada.
Sentada na cama, olhando o céu escuro pela janela, Emma passava a maior parte das horas de seu dia pensando em Regina, em como ela estaria, se estaria feliz. A resposta, ela sabia, era provavelmente um não. Regina estava presa em uma personalidade que não era sua, assombrada por sua nova insegurança e pela figura assustadora e autoritária da irmã.
Três semanas após seu encontro desastroso com Regina, Emma decidiu procurar Archie. Não que ela estivesse louca como Regina dissera, mas ela precisava desabafar. Precisava de alguém para ajudá-la a entender sua bagunça de sentimentos. Henry a ajudara muito, mas ele era apenas uma criança. Pelo menos da última vez que ela o vira, Archie era inteligente e compreensivo. Talvez ele ajudasse Emma a organizar sua bagunça de sentimentos.
Saiu bem cedo, enquanto Henry dormia, e deixou um bilhete para que ele não se preocupasse. Enquanto andava até o consultório, começou a ficar nervosa com a possibilidade de expor seus sentimentos por Regina. Ela estava mesmo pronta para contar aquilo a mais alguém? Começou a suar frio, e num momento de medo e nervosismo, ela parou de andar.
Perguntou-se se deveria dar meia volta e voltar ao Granny’s. Olhava para os dois lados da rua, indecisa.
Por fim, decidiu encarar seu medo. Respirou fundo e continuou a andar.
Em poucos segundos, ela estava em frente à porta que dizia “Dr. Hopper”. Bateu, aguardando. O homem magro de cabelos cacheados e óculos fundo de garrafa cumprimentou-a.
– Olá! Senhorita... Swan, certo?
– Hey. – cumprimentou Emma – Eu estava passando por perto e me perguntei... Se você poderia me ajudar com algo. Eu preciso... Preciso desabafar com alguém sobre um assunto muito delicado. E não consigo pensar em mais ninguém além de um psicólogo de boa fama como você.
Archie assentiu.
– Fico feliz que confie em mim para isso. Vamos, entre.
Emma entrou. O consultório continuava quase a mesma coisa, exceto que agora parecia um pouco mais moderno, com um laptop em cima da mesa de madeira e um telefone não tão antigo. Em um canto, o dálmata Pongo rosnava.
– Shh, Pongo – resmungou Archie.
Emma sentou-se no sofá, e Archie se sentou na poltrona perto dela.
Ela respirou fundo, nervosa com o que estava prestes a dizer. Pensou se deveria ser cuidadosa, mas se ela não falasse de uma vez não teria mais coragem.
– Doutor Hopper... Eu acho que estou apaixonada pela Prefeita Regina Mills.
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Archie ouvia atentamente enquanto Emma contava o que tinha acontecido entre elas semanas antes, sem dizer uma palavra para interrompê-la. Obviamente, ela não contou sobre a Maldição ou sobre quem Regina realmente era. Em vez disso, disse apenas que as duas tinham um passado juntas, e se conheciam há alguns anos.
Emma contou sobre como tinha assustado Regina querendo fazer com que ela revivesse seu passado, e como ela tinha pedido que Emma nunca mais a procurasse. Contou que não conseguia parar de pensar nela, e nem abandonar a sensação de que ela não estava feliz.
Por fim, perguntou:
– O que eu faço, Dr. Hopper?
Archie parecia pensativo, com a mão no queixo.
– Primeiro, deixe-me entender isso direito... Você está realmente apaixonada pela prefeita ou você só sente saudades do passado que teve com ela?
Aquela era uma pergunta difícil. Emma perguntou-se se ela seria capaz de amar essa nova Regina, se poderia gostar dela mesmo que ela nunca se lembrasse do que tinham vivido.
– Acho que estou apaixonada por ela. – respondeu – Regina. Esta Regina. Não importa quem ela seja agora.
– E ela realmente não se lembra de você?
Emma balançou a cabeça em negação.
– Aparentemente, nosso passado não foi suficientemente... Concreto.
Archie assentiu.
– E... No que você quer a minha ajuda?
– Eu... Queria saber se você pode me ajudar a lidar com esse sentimento. Porque eu não estou acostumada com ele. O amor é algo com o qual eu não sei lidar. Eu estou agindo de forma louca e impulsiva com relação à Regina porque... Porque não consigo me controlar quando estou perto dela. Não consigo organizar meus sentimentos. E mesmo que ela tenha ordenado que eu nunca mais me aproxime dela... Se eu não o fizer, acho que vou ficar louca.
– E... Você realmente a ama?
A pergunta pegou Emma desprevenida. Pensou durante alguns segundos, e respondeu:
– Eu... Não sei. Não sei realmente o que sinto por ela. Mas sei que o quer que seja é algo muito, muito forte. Quando eu ouço a voz dela... É como se todos os anjos estivessem cantando a canção mais doce só pra mim. Quando eu a toco, ou quando ela me toca, eu me sinto no paraíso. Quando eu olho em seus olhos... É como se eu pudesse ficar encarando aqueles olhos pelo resto da minha vida sem nunca me cansar.
“Quando eu estou perto dela, eu me sinto completa. E quando eu a vejo feliz, eu me sinto realizada por dentro. E vê-la sorrindo... É uma das melhores sensações do mundo.”
Emma falava tudo o que sentia de uma forma que não fazia há tempos. Ela estava frágil e sentimental, de uma forma que somente Regina conseguia deixá-la.
– Quando eu a vejo triste – continuou – meu coração se parte em mil pedaços, e tudo o que eu quero fazer é abraçá-la, protegê-la e prometer que nada mais vai machucá-la. Mas eu sei que vai. E quando eu a vejo se ferindo novamente... Eu queria poder fazê-la se sentir amada, se sentir aceita por todos. Mas isso é impossível. Porque eu obviamente não posso mudar a opinião que todos têm sobre ela.
Neste ponto, começou a chorar, incapaz de conter as lágrimas.
– E cada dia mais, eu tenho a certeza de que não consigo viver sem ela. Porque sua voz, suas ironias, seu olhar, nossas brigas... Isso tudo se tornou uma parte de mim. Uma parte que eu não quero ter que abrir mão. Eu a amo – falou as palavras de forma tímida, mas com uma certeza e convicção que não tinha antes – E este sentimento esteve afogado dentro de mim por tanto tempo, mas agora que ele emergiu... Não acho que vá desaparecer algum dia.
Archie encarou-a, esperando que ela dissesse algo mais. Ao ver que ela já tinha terminado, suspirou, parecendo escolher sutilmente as palavras.
– Emma... Eu entendo que você queira reviver o que vocês tinham no passado, seja lá o que for. Mas aparentemente, Regina não se lembra deste passado, e quanto mais você tentar empurrá-lo para ela, mais você vai assustá-la e afastá-la de você.
Emma assentiu.
– Se você realmente ama Regina... Se você realmente quer fazê-la feliz... Tente viver o presente, não o passado. Tente conhecê-la novamente. Acredite em mim, quando se ama alguém, você ama a pessoa de qualquer forma. Não se assuste com a possibilidade.
Archie estava certo, pensou Emma. Era injusto querer impor a Regina um passado que somente ela conhecia. Isso só iria afastá-la ainda mais. E como ele dissera... Ela certamente poderia amar esta nova Regina. Afinal, ainda era Regina no fim das contas. Ela não poderia ter mudado tanto assim, poderia?
– Você tem razão – concordou Emma – É muito difícil, mas... Acho que simplesmente vou ter que conhecê-la novamente. E, será que você poderia me ajudar em algo mais?
– É claro!
– Como... Como você acha que eu poderia ganhar o coração dela? Como posso fazer com que ela confie em mim?
– Bom... Não conheço a prefeita tão bem, mas ela já se consultou comigo algumas vezes, e... Eu guardo detalhes impressionantes sobre a personalidade dos meus pacientes. A prefeita Mills gosta de surpresas. De pessoas que fazem ela se sentir bem, ou que fazem coisas boas por ela sem ter aparentemente nada a ganhar com isso. E ela também gosta de se sentir especial, porque na maioria do tempo ela só se sente pressionada e insegura. Então, o conselho que eu posso te dar é... Surpreenda-a. Faça ela se sentir especial quando ela não estiver esperando por isso.
Emma assentiu, sorrindo. Era engraçado para ela que Regina não se sentisse especial, quando ela era a mulher mais especial e maravilhosa que ela já conhecera. Mesmo assim, decidiu seguir os conselhos de Archie.
– Muito obrigado, doutor. Nem sei como te agradecer por estar me ajudando. Eu não trouxe dinheiro comigo, mas... Vou te pagar assim que eu puder, prometo.
– Não precisa – apressou-se a falar Archie – Eu não vou cobrar dessa vez. Para mim é um prazer ajudar pessoas com problemas “do coração”. Seja feliz com Regina. Isso será gratificação o suficiente para mim.
Emma insistiu em pagar, e por fim ele aceitou receber um pagamento mais barato do que o usual. Ela sorriu e saiu do consultório, agradecida pela ajuda e muito mais confiante.
Agora, Emma tinha uma ideia mais clara do que fazer. “Surpreenda-a. Faça se sentir especial”. Pensou nisso enquanto caminhava de volta ao Granny’s, pronta para sua última semana de espera.
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Emma andava pela cidade com um sorriso tão grande quanto sua ansiedade. O céu continuava nublado, mas dentro de Emma, algo brilhava como o sol de verão. Ela vestia jeans largos, uma camisa branca de lã sob sua jaqueta vermelha, luvas e um cachecol. Penteara seu cabelo cuidadosamente, mesmo que parecesse besteira.
Enquanto caminhava, viu Hook andando em sua direção. Ainda era engraçado vê-lo usando roupas normais.
– Emma! – cumprimentou ele, dando um gole em seu cantil de rum – Já não te vejo há muitos dias. Sua saúde melhorou?
– Sim. – respondeu Emma, um pouco apressada – Estou ótima.
– Aonde vai com tanta pressa? – perguntou ele
– Ah... – mas antes que Emma pudesse responder, ela percebeu algo que a incomodou. Parecia haver alguém observando os dois de algum lugar. Mas ela olhou ao redor e não viu ninguém. Estranho.
– Eu vou à prefeitura. Preciso conversar com a Regina.
– Isso tem algo a ver com a quebra da Maldição? – perguntou Hook
– Sim. – respondeu ela, começando a ficar impaciente – Tem.
– Mas eu não entendo... Como isso pode ajudar...
– Confie em mim. Isso vai ajudar. É... Realmente importante.
Hook assentiu. Em seguida, aproximou-se dela, com um olhar travesso. “Oh Deus, não”, pensou Emma, mas ele aproximou-se ainda mais.
Tocou seu queixo e disse, suavemente:
– Sabe, Emma... Eu tenho sentido a sua falta nesse tempo em que você sumiu.
– Por favor, Hook. Não.
Ele se afastou.
– Eu não vou desistir, Swan.
E dizendo isso, foi embora.
Emma revirou os olhos e continuou andando. Estava ansiosa demais até mesmo para se sentir culpada. E não conseguia abandonar a sensação de que estava sendo observada...
No caminho, resolveu parar na floricultura de Moe French para comprar um buquê de flores. Deus, como ela estava sendo brega. “Dane-se”, pensou. Regina tinha que se sentir especial se ela quisesse que aquilo funcionasse.
Comprou um buquê de rosas, a primeira coisa em que conseguiu pensar. Não, ela não era nada boa com essas coisas. Pagou pelas flores e saiu, andando em passos largos.
Por fim, chegou à frente da mansão de Regina. Caminhou entre o jardim e hesitou um pouco antes de bater. Se Regina tivesse visto Emma chegando pela janela, certamente não abriria a porta. E se ela abrisse, provavelmente não iria recebê-la de forma muito cordial.
Emma respirou fundo, ensaiando mentalmente o que iria dizer para convencer Regina a não fechar a porta na cara dela. Posicionou a mão que segurava o buquê atrás das costas, de modo que ele ficasse escondido. Com a outra, tocou a campainha. Enquanto esperava, seus batimentos aceleravam, no mesmo ritmo dos passos que se aproximavam.
Regina abriu a porta. Estava usando um paletó preto sobre um vestido vermelho que valorizava o formato de se corpo, fato que Emma não conseguiu deixar de notar. Calçava saltos e uma meia calça que Emma achou quase... Provocante. Ao ver Emma parada à porta, Regina assumiu uma expressão de horror.
– Saia daqui – gritou ela com o braço à frente da cabeça, num gesto de proteção – Eu disse para você nunca mais me procurar!
Ela estava prestes a fechar a porta, mas Emma manteve-a aberta, e disse:
– Não, não, espere! Por favor, Regina, espere!
Por algum motivo, Regina esperou.
– Eu sei o que você me pediu, mas... Eu não consigo parar de pensar em você.
– Então presumo que terá que encontrar uma maneira.
– Eu acho – continuou Emma, ignorando o comentário – que você vai ficar feliz em saber que eu procurei Archie.
Regina olhou-a de forma curiosa.
– Você procurou?
– Sim. Eu segui seu conselho. Me consultei com ele e... Ele me ajudou a enxergar a realidade. A enxergar que eu estava agindo de forma errada.
– Você tomou medicamentos? – perguntou Regina
Pensando que isso provavelmente ia deixá-la menos apreensiva, Emma respondeu:
– Sim. Eu me tratei.
– Então... Você percebeu que eu não sou a mãe do Henry? Que nós não nos conhecemos e que tudo o que você estava falando era insano?
– Sim. – respondeu Emma – Eu percebi.
– Então por que você ainda veio me procurar?
– Porque... Mesmo sabendo quem você é... Você não sai dos meus pensamentos. Eu penso em você todos os dias. Acho que estou... Apaixonada por você, Regina. Por você de verdade, como você é.
Regina corou.
– Eu... Eu não entendo... Como você pode estar apaixonada por mim? Nós mal nos conhecemos.
– Eu sei, mas o breve encontro que nós tivemos foi... Não sei, mexeu comigo. Eu percebi que você é uma mulher frágil, sensível... E que precisa de alguém que te faça feliz.
Regina não pareceu gostar muito de ouvir aquilo.
– Você está querendo dizer que eu não sou uma mulher independente?
– Não! – esclareceu Emma – Deus, não. De forma alguma. Só estou dizendo que... Eu gostaria de ter a chance de trazer um pouco de felicidade à sua vida.
– Emma... – disse Regina – Eu sinto muito, mas eu sou...
“Ai meu Deus”, pensou Emma. Não diga a palavra. Não aquela palavra.
– Você é... – pigarreou Emma – hétero?
– Eu não sei – respondeu Regina, parecendo confusa ao pensar sobre aquilo – Eu nunca tive... Você sabe... Algo desse tipo com mulheres. Mas pensando bem... Não acho que esse tipo de coisa seja importante para mim.
Emma sentiu-se um pouco mais aliviada.
Em seguida, ela mostrou o buquê de rosas a Regina.
– Me desculpe, eu nem sei se você gosta de flores, mas não sou muito boa com essas coisas – disse Emma, e sorriu ao ver que tinha feito Regina rir. A prefeita pegou as flores.
– Eu adorei. — respondeu
As maçãs do rosto de Regina estavam cada vez mais vermelhas, e provavelmente as de Emma também deviam estar.
– Mas... – falou Regina – Por que alguém se apaixonaria por mim? Eu não tenho... Nada de especial.
Emma perguntou-se como ela poderia estar dizendo uma coisa dessas.
– Como não? – disse ela – Você é... Uma pessoa maravilhosa. Você tem uma luz que vive escondida, mas quando se mostra... Ilumina tudo ao seu redor. Você é uma pessoa muito, muito especial para mim.
Regina sorriu. Não o tipo de sorriso que Emma costumava ver em seu rosto, mas um sorriso puro, genuíno, que a deixava ainda mais linda.
– Então... – perguntou Emma – Você vai me dar uma chance? Uma chance para nos conhecermos melhor?
– Emma... – disse ela, inspirando profundamente – Eu confesso que também tenho pensado muito em você. Você chamou minha atenção, e eu queria muito te dar uma chance. Eu realmente queria. Mas... Como eu posso saber se você realmente está interessada em mim e não por sua obsessão com a mãe de seu filho? Como eu vou saber se você realmente mudou? Entende o que eu quero dizer? Eu não posso confiar em alguém com medo de que essa pessoa tenha... Uma obsessão doentia por mim.
– Você pode ir até o consultório do Archie se quiser – respondeu Emma – Ele vai confirmar que eu me consultei com ele.
– É muito fácil ir a um psicólogo e dizer o que quiser. – respondeu Regina – Não me leve a mal Emma, espero que você não se magoe, mas... Eu não posso ter certeza, entende? E seu eu não confiar em você, nós nunca poderemos desenvolver nada.
Emma assentiu.
– Então este é o fim? – perguntou, com a voz tristonha.
– Receio que sim. – respondeu Regina
Emma virou-se para ir embora, a dor começando a dominá-la, quando a voz de Regina trouxe-a de volta a seu paraíso interno mais uma vez.
– Espere, Emma! – ela gritou – Não vá ainda.
Emma virou-se de frente para ela novamente.
– Se você quer uma chance comigo... Se quer se aproximar de mim... Então prove. Prove que você mudou. Que você realmente está apaixonada por mim e não pela mulher do seu passado.
– Provar? – perguntou Emma.
– Sim. – ela respondeu – Mostre-me um motivo pelo qual eu deveria confiar em você e te dar uma chance. E então eu a darei.
Emma sorriu.
– Não se preocupe. – respondeu – Eu vou. Eu vou te provar o quanto estou apaixonada por você. O quanto isso é importante para mim.
Enquanto ela falava, alguém chegou por trás de Regina. Era Wilma.
Usando trajes cinzas que Emma poderia jurar que pertenciam à Regina, ela olhou para as duas de forma curiosa. Seus olhos azuis eram frios como gelo.
– Flores, Regina? São para mim? – questionou ela com um tom de voz travesso.
– Não. – respondeu Regina – Apesar do que você pensa, irmã, as pessoas podem gostar de mim.
Emma começou a rezar mentalmente para que Regina não revelasse o que estava acontecendo entre as duas. Se Wilma soubesse de seus sentimentos por Regina, ela estaria em grande perigo.
– Estas flores – interrompeu Emma – São de um admirador secreto. Um amigo meu que pediu que eu as entregasse a Regina.
Wilma levantou uma sobrancelha.
– Um amigo?
– Sim. – respondeu Emma, e olhou para Regina, que entendeu o seu olhar e o que ela estava fazendo.
– Sim! Um amigo que preferiu não se identificar. –disse ela – Mas o que você quer comigo, Wilma?
– Eu vim aqui para saber onde estão as cestas. E o dinheiro para o orfanato.
Regina suspirou, parecendo insatisfeita ou entristecida com algo.
– Quer saber, Wilma? Eu não vou te contar.
Wilma gargalhou.
– Você acha que tem escolha, irmãzinha? – ironizou ela – Por acaso você se esqueceu de quem realmente manda nesta cidade? Se esqueceu de que eu sou a única que pode te tirar do seu cargo a qualquer momento?
Regina ainda estava irritada, mas aquela frase pareceu amansá-la um pouco.
– Isso não é justo – disse ela – Eu fundei aquele orfanato, eu tiro uma boa quantia do meu salário todos os meses para bancá-lo, eu compro a comida e a roupa daquelas crianças e você simplesmente posa para as câmeras e leva o crédito por tudo o que eu faço!
Regina falou tudo aquilo como se estivesse se esquecido de que Emma ainda estava ali, ouvindo tudo. Wilma pareceu perceber esse fato, pois virou-se para ela com uma expressão ameaçadora.
– Se algum dia – ameaçou ela. – Você contar isso aqui para alguém... Qualquer pessoa... Considere-se morta.
Emma olhou assustada.
– Agora... – continuou Wilma – Acho melhor você ir embora, sra. Swan.
– Emma é minha visita – retrucou Regina – E ela vai embora quando eu quiser.
Wilma olhou de uma para outra com total desprezo. Em seguida, disse à Regina:
– Por que você se incomoda tanto com isso, irmã? Por acaso aparecer diante das câmeras é mais importante para você do que ajudar as criancinhas desafortunadas?
– Não! – respondeu Regina – Eu não estou nem aí para o que pensam de mim, mas não é certo você sair por aí levando os créditos pelo meu esforço!
Wilma sorriu de forma irônica.
– Infelizmente, você vai ter que se acostumar com isso. Veja, eu tenho mais poder aqui, então eu faço as regras. É assim que a vida funciona, maninha.
Wilma deu lançou um último olhar de desprezo para Emma antes de dizer:
– Acho que o dinheiro está no mesmo lugar de sempre, certo? Eu vou pegar. Não se preocupe, Regina. Você está fazendo uma boa ação.
Em seguida, entrou e fechou a porta.
Regina parecia inconformada.
– O que acabou de acontecer aqui? – perguntou Emma, assustada.
Regina suspirou.
– Acho que você ouviu. Wilma, ela... Leva o crédito por tudo de bom que eu faço. Não estou dizendo que eu faço tudo isso para ser aplaudida, mas você sabe o quanto isso é frustrante? Eu fundei aquele orfanato, eu retiro metade dos meus lucros todo mês para pagar pelas despesas que ele traz, eu compro as cestas que ela distribui por aí, escolho tudo com carinho e... Ela finge ser a responsável por tudo isso! Eu jamais pensaria em desafiá-la ou desistir do meu emprego e de tudo o que eu construí, mas... Às vezes viver sob a pressão da minha irmã é muito cansativo.
Emma olhou para ela com o coração partido.
– Regina... Se houvesse alguma coisa que eu pudesse fazer pra te ajudar, eu juro que eu...
– Não – interrompeu Regina – Não se envolva nisso. Você nem mesmo deveria saber disso, mas agora que sabe... É melhor ouvir o que Wilma disse. Não conte a ninguém, para o seu bem.
Emma assentiu.
– Eu não vou. – embora no fundo estivesse considerando seriamente fazer o exato oposto do que lhe fora aconselhado.
– Então... – pigarreou Regina – Acho que nós já conversamos tudo o que tínhamos pra conversar, não?
– Ah, sim – respondeu Emma, desconcertada – Não se preocupe, Regina. Eu vou te mostrar o quão sérios são meus sentimentos por você. Você vai ver.
Regina sorriu.
– Boa sorte. De verdade.
– Então, acho que vou indo. Tchau, Regina.
– Tchau, Emma. Até outro dia.
Emma sorriu, feliz com a promessa daquela última frase, feliz por aquilo não ser realmente uma despedida. Estava saindo com uma ideia pulsando em sua mente quando a voz de Regina a fez virar-se.
– Ah, e Emma – disse a prefeita – Obrigada.
– Pelo quê? – questionou.
– Por fazer eu me sentir especial – respondeu Regina, sorrindo.
Emma sentiu que seu coração poderia explodir.
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Emma estava fazendo algo arriscado. Muito arriscado. Algo que provavelmente ia fazê-la se tornar o alvo nº 1 de Wilma Mills, mas ela não se importava. Estava fazendo aquilo por Regina.
Tivera muita sorte de conseguir convencer Neal. Levara alguns dias e algumas boas conversas sentados ao Granny’s para que ele confiasse nela, mas valera à pena.
No mesmo dia em que falou com Regina, Emma procurou aproximar-se de Neal, que agora trabalhava no jornal da cidade, o Storybrooke Daily Mirror. Aparentemente, ele era um Diagramador, responsável por reunir todas as reportagens e matérias num conjunto que mais tarde se torna o jornal. Sabendo disso, e depois de conquistar um pouco a confiança dele, Emma lhe fez a proposta. E com uma boa quantia de dinheiro envolvida, claro que ele aceitou.
Agora ali estava Emma, na casa de Sidney Glass, digitando em seu laptop o que seria a matéria de capa do jornal no dia seguinte. A senha do computador não fora o suficiente para impedir uma hacker experiente como ela. Usando apenas um pen drive e alguns truques, logo ela teve acesso a todos os arquivos do jornalista.
Sidney estava deitado em sua cama, apagado pelo estado de embriaguez. Certo, Emma o convencera a tomar umas a mais naquela noite. Podia parecer errado, mas o que Wilma estava fazendo era ainda mais. Além disso, ela não estava prejudicando ninguém, estava?
Enquanto escrevia o texto, jogando as palavras na tela de forma rápida e confiante, parando vez ou outra para calcular suas palavras de forma que o texto ficasse bom e convincente, ela olhava para trás, apreensiva, para ver se ele ainda estava desacordado. Emma nunca tinha escrito antes, mas aparentemente Regina era uma boa motivação, pois passando os olhos para revisar tudo o que acabara de escrever, ficou bastante satisfeita com o resultado.
Salvou o arquivo e enviou-o por email para Neal. Era engraçado como os dois estavam envolvidos em planos mirabolantes juntos novamente, depois de tantos anos longes de confusão e longes um do outro. Para sua surpresa, pensar em seu passado com Neal não lhe causou mais o sentimento de dor que ela esperava; era como se de uma hora para outra ela tivesse superado aquilo.
Antes de ir embora, pegou o celular do bolso e telefonou para Neal. Precisava ter certeza de que a matéria chegaria onde tinha que chegar.
– Alô, Neal? – disse ela quando a ligação foi atendida após três breves toques – Você recebeu meu email?
– Sim. – respondeu ele – Está tudo bem aqui.
– E está tudo certo?
– Com certeza... Não se preocupe, Emma. Sua matéria bombástica vai estar na primeira página do jornal amanhã.
Emma sorriu.
– Obrigada – ela disse – Eu vou te pagar tudo o que prometi assim que nos virmos novamente. E, mais uma vez, obrigada. Você não tem ideia de como me ajudou.
Desligou o celular e levantou-se. Foi até o quarto de Sidney, que ainda dormia profundamente, roncando alto. Esperando que ele não estivesse tão ruim, Emma saiu silenciosamente.
Enquanto andava pelas ruas vazias de volta à pensão, ela olhou para o céu estrelado e sorriu. Se tudo desse certo, no dia seguinte Regina teria a prova de que Emma faria qualquer coisa por ela. Ela só esperava que aquilo fosse o suficiente.
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Depois de receber a ligação de Regina, Emma correu até a casa da prefeita o mais rápido que pôde, prometendo a Henry voltar com boas notícias.
Chegou à mansão e surpreendeu-se com o que encontrou. O gramado estava cercado de flores, buquês, arbustos, flores por todos os lados. De um caminhão parado do lado de fora, ainda mais flores chegavam. Regina estava na porta, conversando com uma Mary Margaret muito empolgada e eufórica que sacudia suas mãos com entusiasmo.
Emma aproximou-se das duas, indicando sua chegada.
– Meus parabéns, Prefeita Mills – ela ouviu Mary Margaret dizer, enquanto Regina recebia o aperto de mão parecendo assustada, enquanto segurava um ramalhete de rosas na outra mão – O trabalho da senhora pelos órfãos... É algo realmente admirável. Não se preocupe com sua irmã, tenho certeza que ela terá o que merece. Em nome de toda a cidade eu gostaria de parabenizá-la e agradecê-la por sua bondade e esforço.
Regina assentiu, sem responder. Mary Margaret virou-se.
– Olá, Emma! – disse ela – Presumo que também tenha vindo parabenizar a prefeita?
– Ah... Sim, eu acho – respondeu
Mary Margaret assentiu, e disse:
– Bem, se me dão licença... Tenho muito o que fazer hoje. Tenham um ótimo dia.
E foi embora.
Quando Regina e Emma ficaram a sós, a prefeita abaixou-se e pegou do chão um objeto que Emma não tinha visto – um jornal do dia.
– O que significa isso? – perguntou ela, mostrando-o para Emma – Uma matéria de jornal escrita por “Emma Swan”, revelando a forma como “Wilma ameaça colocar a pobre prefeita na rua para levar crédito por suas benfeitorias”, e como eu “vivo angustiada por não ter o meu esforço para os pobres e desafortunados reconhecido?” O que deu em você, Emma?
Emma surpreendeu-se um pouco com a reação dela, mas disse:
– Essa é a prova que você me pediu.
– O quê? – espantou-se ela – Emma, eu te pedi uma prova de seus sentimentos, não uma loucura como essa. Eu te disse para não contar isso a ninguém!
– Eu sei, Regina, mas eu precisava te ajudar. Eu vi o quanto você estava triste por não ter seu esforço reconhecido, e achei que você merecia. Você não... Gostou do que eu fiz? – perguntou ela, entristecida.
Regina suspirou.
– Me desculpe. – ela disse, tentando se acalmar – É claro que eu gostei. Olhe tudo isso – falou apontando ao seu redor – dezenas de pessoas me enviaram flores hoje de manhã com cartões de agradecimento. Aparentemente eles combinaram tudo entre si. Eu... Nunca me senti amada dessa forma. Então, obrigada.
Emma sorriu, e Regina retribuiu o sorriso.
– Eu só estou preocupada com você – explicou ela.
Tentando ignorar a alegria de saber que Regina se preocupava com ela, Emma disse:
– Você não precisa se preocupar. Eu não me importo com o que Wilma tente fazer ou de que forma ela tente me prejudicar. Eu sei me proteger.
– Bem, acho que Wilma não será um problema – respondeu Regina – A polícia apareceu hoje de manhã. Eles entraram e viram que todas as cestas básicas estavam na minha casa, e não na dela. Viram que todas as comidas e roupas tinham sido compradas em meu nome. Viram no meu computador todas as doações que eu tinha feito para o orfanato. Então eles me perguntaram porque eu me submetia a isso. E eu... Disse a verdade. E Wilma foi levada. Ela vai responder por ameaças, chantagem e abuso de poder.
– Isso é ótimo! – vibrou Emma – Agora você não precisa mais viver sob a pressão dela. Você está livre, Regina!
Mas Regina não parecia tão contente.
– É estranho que eu não esteja feliz com isso? – perguntou ela – Quero dizer, eu... Estou feliz por estar livre, mas não consigo comemorar o fato de a minha irmã estar na cadeia. Eu gosto dela apesar de tudo.
Emma aproximou-se de Regina, acariciando seu rosto. Felizmente, Regina não reprimiu o gesto.
– Wilma teve o que ela merecia – ela disse – Você não precisa ficar triste por ela.
Regina esboçou um sorriso.
– Você está certa – disse
– Então... – questionou Emma – Isso foi o suficiente? Você vai me dar uma chance?
Regina olhou para ela.
– É claro que eu vou – disse, rindo – Olha o que você fez por mim! Como eu poderia afastar uma pessoa que se arrisca tanto para me ver feliz?
Emma sentiu uma alegria inexplicável. Aquele sorriso, aquela felicidade estampada no rosto de Regina, fazia qualquer coisa valer à pena.
– Apareça aqui novamente hoje à noite. – continuou Regina – Nós podemos beber algo e... Conversar.
– Estarei aqui as oito – disse Emma, e foi embora, sentindo uma alegria que não sentia havia muito, muito tempo.
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Emma tomou mais um gole da bebida espessa e levemente ácida, enquanto ela e Regina riam. Regina contava uma história de sua (falsa) infância, sobre como ela e Wilma costumavam aprontar as coisas mais inusitadas que deixavam sua mãe de cabelo em pé. Mesmo sabendo que eram falsas lembranças, Emma não conseguiu deixar de sorrir ao ver aquela felicidade estampada em seu rosto. Emma estava conseguindo. Estava trazendo a felicidade de volta à vida de Regina, e conseqüentemente, de volta à sua também.
– Mas e a sua infância, Emma? – perguntou Regina – Como foi?
Pensar naquilo ainda doía, mas a presença de Regina era reconfortante, então Emma disse sem hesitar:
– Eu cresci em orfanatos. Fui... Separada dos meus pais quando era um bebê recém-nascido. Minha infância não foi a melhor de todas, mas eu tive uma época feliz com uma família. Quando eu tinha 10 anos.
Mesmo sabendo que Regina era a culpada por ela ter tido uma infância tão difícil, ela não conseguia sentir raiva dela por aquilo. Olhando em seus olhos, ela via uma pessoa boa, uma pessoa que tinha mudado. Depois de Regina ter lhe dado uma chance de final feliz, um ano antes, era impossível e injusto sentir raiva dela.
– Então você foi adotada? – perguntou Regina
– Sim. Mas não funcionou muito bem. Desde então, eu passei a viver sozinha, como uma delinqüente. Até que eu conheci esse cara, tive Henry e... O resto da história você sabe.
Regina assentiu.
– Me desculpe. – ela disse – Eu não queria te lembrar dessas coisas. Eu sei como é... Se sentir perdida. Se sentir rejeitada. Sentir que não pertence a lugar nenhum.
Emma pousou a mão ao redor dos dedos de Regina.
– Está tudo bem.
Emma ficou pensando no que Regina acabara de dizer, e se deu conta do quanto as duas eram parecidas no fim das contas. Elas só queriam uma família. Um lar. E amor. E, Emma esperava, elas poderiam ter isso juntas.
Naquela noite, as duas conversaram bastante, enquanto bebiam cada vez mais copos de sidra de maçã. Conversaram sobre suas vidas; Emma contou-lhe sobre seu emprego instável e imprevisível, sobre como ela levava a vida, o que gostava de fazer. Conversaram sobre seus sentimentos; como ambas se sentiam sozinhas e como às vezes sentiam que talvez não estivessem onde gostariam de estar... Sobre como elas não pareciam ter muita escolha sobre as coisas que lhes aconteciam.
Naquela noite, Emma percebeu que Regina não era apenas uma mulher maravilhosa que ela queria proteger e amar; Regina era como ela. Exatamente igual. Emma se deu conta de que queria cada vez mais ser feliz ao lado dela, e que não conseguiria ser feliz ao lado de mais ninguém. Elas eram quase como... Almas gêmeas, embora Emma não gostasse de pensar assim. Preferia pensar que elas eram duas pessoas que se completavam, e que juntas tinham uma família.
Uma música clássica suave tocava ao fundo, no toca-discos antiquado de Regina. Durante um silêncio incômodo, Emma teve uma ideia estranha, que surgiu de repente.
– E se nós dançássemos? – sugeriu ela à Regina
Regina riu.
– Dançar?
– É claro. Você não gosta de música clássica?
– Sim, mas... Eu não sei dançar.
– Eu também não – admitiu Emma – Mas nós podemos aprender.
As duas riram. Emma levantou-se, oferecendo sua mão a ela. Regina pegou sua mão e Emma puxou-a para perto de si, envolvendo o braço em sua cintura. Seu coração estava batendo tão forte que provavelmente Regina poderia ouvi-lo. Percebendo que ela estava apreensiva, Emma deu o primeiro passo.
Nervosa, começou a conduzir Regina, que dava lentos passos para trás enquanto Emma a acompanhava. Seguindo o ritmo, Emma apressou os passos, e conduzir Regina não foi tão difícil quanto ela pensava. As duas deslizavam pela sala com maestria, sorrindo carinhosamente uma para a outra.
De repente, os passos de Emma ficaram rápidos demais e ela acabou pisando no pé de Regina. “Droga!”, pensou, e antes que ela percebesse, Regina escorregou e caiu de costas no sofá, junto com Emma, que tropeçou em cima dela.
Deitadas no sofá, seus corpos estavam colados, seus rostos a poucos centímetros de distância, suas respirações se encontrando. Regina olhava para ela com um olhar frágil. Emma colocou as mãos em seus cabelos de forma carinhosa.
– Aquilo que você estava dizendo – disse Emma – Sobre saber como é se sentir perdida. Por que você disse aquilo?
– Ás vezes, eu... Sinto que não sou aceita. – respondeu Regina, sem se mover um centímetro do lugar — Que não estou feliz. Que sinto falta de... De alguém que me ame.
Ouvir aquilo doeu como uma facada. Emma aproximou-se ainda mais dela.
– Eu sei como é. Eu sinto o mesmo às vezes.
As duas fecharam os olhos, e Emma foi se aproximando até sentir os lábios de Regina tocarem os seus. Pressionou-os em um beijo suave, quente e úmido, enquanto acariciava seus cabelos, seu coração prestes a explodir. Regina retribuiu o beijo, beijando os lábios de Emma de forma igualmente suave. Emma queria ir mais longe, sua língua ansiava por mais contato, mas ela achou que não seria o melhor a fazer, e conteve-se. Será que aquele beijo funcionaria? Seria aquilo o tal beijo de amor verdadeiro?
Após alguns breves segundos, que para Emma pareceram nada, Regina afastou seus lábios. Elas abriram os olhos e Regina se levantou, afastando o corpo de Emma. Olhou no relógio e disse:
– Já são onze e meia. Você deveria ir embora, Srta. Swan.
Emma ofegou, quase ofendida.
– Você vai me expulsar depois de ter me beijado?
– Você me beijou!
– Mas você retribuiu!
– Eu não estou te expulsando – tentou explicar Regina – É só que... Acho que isso foi um erro.
– Mas por quê? – Emma estava incrédula – Não pareceu um erro pra mim. Pareceu mais certo do que qualquer coisa.
– Mas para mim não. Acho que nós apressamos as coisas – respondeu Regina, tentando parecer seca. – Isso não devia ter acontecido.
– Eu pensei que... Pensei que você fosse me dar uma chance, Regina. Isso é porque nós somos duas mulheres?
– Não! – ela respondeu – Não tem nada a ver com isso. Eu só sinto que... Não sei, não pareceu certo para mim – repetiu
Emma levantou-se do sofá.
– Eu vou. Se você quer que eu vá embora, eu vou. Mas não pense que eu vou desistir de você. Não depois... Não depois de perceber que você também sente algo por mim.
Abriu a porta e foi embora.
Por incrível que pareça, Emma não se sentiu frustrada e nem decepcionada enquanto caminha em direção ao Granny’s. Regina tinha resistido a sua investida, mas isso já era previsível. O importante é que ela tinha conseguido beijá-la. E mesmo que não fosse um beijo de amor verdadeiro, mesmo que ainda não tivesse conseguido quebrar a Maldição... Bem, ainda assim era um beijo. E isso só poderia significar que um sentimento estava florescendo no coração infeliz de Regina.
Emma estava conseguindo trazer felicidade à vida vazia de Regina. Tinha feito-a se livrar da terrível pressão de sua irmã, tinha feito ela se sentir especial e amada. Regina estava começando a ser feliz. E da próxima vez, Emma prometeu a si mesma, o beijo seria um beijo de amor verdadeiro. O que Emma sentia definitivamente era amor verdadeiro, e agora ela só precisava conquistar Regina e fazer com que o sentimento fosse recíproco. E depois daquele beijo, ela tinha certeza que estava no caminho certo.
Quando chegou à torre do relógio, Emma percebeu algo que aumentou ainda mais sua felicidade. Os enormes ponteiros, que até então estavam parados em 8h15min, começaram a se mover. O relógio agora marcava 8h16.
O tempo descongelara. Parte da Maldição estava quebrada. E o fato de aquilo ter acontecido após o beijo não poderia ser uma coincidência. Henry ia gostar das novas notícias.
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