Les Marcheé
8 Nos dias antigos
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Conta-se que nos dias antigos, quando houve o governo em união com as Musas, após a Batalha da Sombras e o selamento do poder maligno, para proteção do império e manutenção da paz, foi criado por elas — as divindades chamadas Musas — um cinturão mágico que circundava toda a extensão de Les Marcheé, separando o exterior conhecido como Mar Infinito e as Ilhas Distantes.
O cinturão recebeu o nome de Pannastovik, em homenagem ao grande continente do qual Les Marcheé fizera parte no passado numa era remota. Memórias estas que as Musas guardam com saudades.
Pannastovik era energia que fluía e estava diretamente ligado a toda magia dos reinos; dele nenhum tipo de magia passava despercebida. Invisível a qualquer olho, era considerado pelos populares apenas uma lenda antiga.
Havia guardiões em todas as regiões dos reinos, remanescente de antigas e poderosas Ordens, atuantes como sentinelas atentas a qualquer mudança que Pannastovik apontasse, fosse para o bem ou para o mal. Eram lordes da Nova Ordem Lynzeth.
As mudanças ocorriam com grande frequência, pois cada novo poder que era despertado, cada nova magia que surgia em um reino, onde quer que fosse, era apontada por Pannastovik, que transmitia em avisos intuitivos para as mentes e corações do casal Imperial, e também, para os Lordes Lynzeths. Pannastovik foi um dos grandes presentes que as Musas deixaram pra o império.
Na capital Imperah, em Bellephorte, estava a Imperatriz Lady Beriune Monslynzeth, tendo como auxílio a Tríade e todo o ministério do Coirlem, com a responsabilidade de zelar pelo bem do povo. Nos vários reinos e Les Marcheé, sempre em movimento a cada mudança ou sinal de perigo, estava o Imperador Lorde Thwar SancShephill e os Lordes Lynzeths, que protegiam as fronteiras contra qualquer ameaça vinda de fora.
Por esse motivo o Imperador raramente era visto em Bellephorte. Todas as questões que diziam respeito à segurança e proteção do império eram decididas e resolvidas por ele, mas sempre trabalhava em conjunto com Lady Beriune. Suas mentes e corações estavam ligados pelo amor e pela magia, com ajuda de Pannastovik, da Tríade e dos Lordes Lynzeths, seu governo era perfeito.
Houve poucas mudanças apontadas por Pannastovik nas últimas décadas, algumas foram sentidas mais intensamente e Lorde Thwar soube que seriam de grande importância para Les Marcheé, mesmo não tendo ciência se eram para o bem ou para o mal.
Houve o sentimento de alerta quando Lorde Meyne dominou o terceiro selo Tione. O poder foi sentido por toda a extensão de Pannastovik, diferente dos selos que foram dominados anteriormente, igualmente sentidos, mas não destacados. A Imperatriz tomou por aviso e sabiamente fundou a Tríade Imperial, trazendo para seu lado os mais poderosos em magia de Les Marcheé.
Para completa eficácia da subordinação de tais poderes, com total zelo e domínio, fora dada a liderança da Tríade para Lorde Meyne, mesmo sendo o mais jovem dos três, ninguém ousara se opor a uma decisão suprema da Imperatriz, por isso, a liderança de Lorde Meyne fora aceita e nunca questionada.
Alguns anos depois, um novo alarme vindo do reino litoral, com o despertar dos poderes de Codhe.
O sinal seguinte levou mais outros anos para acontecer, foi numa manhã como outra qualquer, antes do sol nascer. Os Lordes Lynzeths sentiram e se moveram rapidamente, no entanto, não possuíam o poder de prever ou saber o que ocorreria, apenas sabiam que deveriam estar preparados.
Os cidadãos de Boandis que acordavam cedo para começar seus trabalhos, jamais pensaram que algo diferente se passava, eram cidadãos comuns e não sentiam qualquer mudança mágica, muito menos, a magia de Pannastovik. Contudo, ao abrirem suas janelas, tiveram a primeira vista do mal.
O que avistaram foi assustador. Logo os gritos faziam a cidade despertar em pavor. Pelas ruas, calçadas, telhados, gramados, por onde a vista alcançasse, havia pássaros mortos... Um mal que chegou sem aviso. Todas as aves que viviam na cidade, na praia ou na floresta estavam morrendo.
Uma visão desesperadora: pássaros caíam do céu, sendo abatidos pela morte em pleno voo. Chocavam-se contra telhados e calçadas, quebravam vidraças, caiam pelas chaminés das casas; nem mesmo os pequenos canarinhos em suas gaiolas escaparam daquele mal. Um por um, iam sendo abatidos e morrendo.
Logo, todo lugar estava coberto por pássaros mortos, de todos os tamanhos e espécies, do grande albatroz na praia até o pequeno rouxinol da floresta. Forravam o chão até onde os olhos alcançavam, iam se acumulando nos telhados, parapeitos das janelas, sob os bancos das praças, na areia da praia, nos muros das casas, caiam no mar, nos lagos artificial e gramados dos jardins. Estavam por toda a parte e ninguém sabia o que acontecia e nada podia ser feito.
Era um mal sem forma, cujo poder ainda era pequeno para atingir coisas maiores, mas destrutivo para criaturas menores e indefesas.
Ouviam-se gritos, choros, desespero. Pessoas corriam atônitas, sem saber se deveriam fugir, se esconder ou se armar para enfrentar algo desconhecido. Os mais velhos tentavam desviar a atenção das crianças para poupá-las da cena, enquanto outras choravam apavoradas. Alguns tentavam retirar o que podiam do seu campo de visão, outros tinham medo de tocar, pois não sabiam se era uma peste ou uma maldição. Muitos sentiam dó e todos sentiam medo à medida que os pássaros iam se acumulando por todos os lugares.
Lady Mclin observava o céu, em sua visão e mente tentara sondar o mal e saber de onde vinha e como se propagava. Nas mãos, segurava Bint, seu exemplar de calopsita, igualmente morto. Mas aquele poder não podia ser sondado, apenas sentido.
Era um poder maior do que qualquer coisa que ela já tinha visto ou imaginado, sabia que não era algo que pudesse enfrentar sozinha. Por isso, vestiu sua capa, colocou um capuz pesado, juntara algumas poções, um amuleto com encantamentos e algumas plumas mágicas. Montando o percheron de seu pai, o cavalo mais rápido da casa, partiu rapidamente até a cidade. Precisava se reunir com o ministério, com o governador Lorde Levi e imediatamente intervirem no que estava acontecendo.
Nunca havia desejado com tanta intensidade que Shaido estivesse ali. No entanto, antes de chegar ao centro da cidade, antes que o sol completasse sua trajetória para iluminar completamente aquela manhã mórbida, Lady Mclin soube que aquele mal estava somente sobre Boandis, e estava sendo movido, dissipado; para onde ou como ela não podia ver, mas sentia.
Lorde Levi não poupara esforços para saber do que se tratava aquele poder e como impedir sua ação, mas nada soube e aconteceu tão rápido que quando convocou a Ordem Levi para irem imediatamente até a praia — de onde sabiam estar entrando aquele mal — tudo se dissipou sem nenhuma explicação.
Quando o sol atingiu o alto e todo resto de escuridão e sombras da noite foram iluminadas pelo astro dourado, o mal se foi tal qual uma nuvem soprada pelo vento. No entanto, deixou sua marca: Não existiam mais pássaros vivos em Boandis.
Na cidade, junto com ministério e o governador, a tensão era plena. Após acalmar o povo com a notícia da dispersão daquele mal, mesmo sem respostas, o povo ainda temeroso, começava a fazer a limpeza retirando os pássaros. Por se tratar de uma grande quantia, foi decidido que seriam queimados. No fim daquele dia, subiu ao céu uma fumaça negra, de cheiro enjoativo e ouvia-se choro, lamentações de pena, medo e incertezas.
O governador não descansara sua mente. Imediatamente, escreveu sobre o ocorrido para Imperah pedindo auxílio, mas claro que, em Bellephorte, já estavam cientes, Pannastovik avisara. Se por um lado, Lorde Levi estava agradecidos por ter sido algo passageiro e sem nenhuma vitima humana, por outro, estava ciente da intervenção dos Lordes Lynzeths para dissipar aquele mal. Esse fato era sinal de gravidade e perigo.
Os Lordes Lynzeths eram como sombras secretas da magia, os olhos dos Imperadores, as mãos das Musas, nunca vistos, histórias sobre eles eram contadas como mitos e lendas. Somente o governador e poucos nobres lordes da Ordem Levi conseguiam senti-los. Nem mesmo Lady Mclin soube da presença deles ou o poder que possuíam. Depois do dever cumprido, os Lordes Lynzeths reportaram à Bellephorte a situação triste e preocupante de Boandis.
A Imperatriz Beriune se entristeceu. Logo, a Tríade e seus principais ministros já discutiam o assunto mantendo sigilo para não causar nenhum mal estar. Porém, entre aqueles que discutiam procurando possíveis causas e soluções, havia aquela que procurava apenas distração e conspiração. Lady Hestea ouvia atentamente os relatos e tratou logo de espalhar a notícia como a "Maldição de Boandis", com o objetivo único de causar pânico e contenda.
Os gêmeos Protherois nada sabiam sobre o que estava acontecendo em sua terra natal, tudo foi mantido em segredo. Os dias passaram e a maior preocupação de Codhe e Khei era com os estudos, cada dia mais árduos.
Codhe não se esquecera do tal livro misterioso, mas não havia tido tempo de procurar o bibliotecário para saber algo a mais, pois só o encontraria durante o dia e era quando não podia ir à biblioteca devido sua rotina de estudos e palestras absurdamente excessiva.
O fim do ano se aproximava, os estudos tornavam-se intensos, levando muitos a exaustão e até desistência. Eram nesses momentos que os alunos se sentiam provados e os melhores eram gratificados. Codhe e Khei teriam sua notoriedade, tinham objetivos claros quanto a isso.
No entardecer, Codhe entrou na biblioteca com os olhos apurados em Belle. Ouviu ela em conversa com alguns lordes, falavam sobre as notícias que chegavam de Boandis. Codhe se interessou em saber, afinal, era sua cidade natal e foi com grande tristeza e preocupação que soube do ocorrido da pior forma: o litoral havia caído em uma maldição.
Naquela noite de maldição, Lorde Levi não conseguiu dormir devido a grande preocupação e temor que tomou conta de seu sangue, coração e alma. Um futuro próximo de tragédias estava à sua frente e ele sabia não ter escapatória; adoeceu.
Mandou chamar Lady Mclin e todos pensaram que Lorde Levi buscava a cura. Na madrugada fria e obscura, Lady Mclin apresentou-se para usar seus poderes com destreza na cura do homem mais importante de Boandis que não merecia adoecer, não agora que todos precisavam dele.
—Senhor, deixe-me curá-lo — disse com voz baixa e decidida, ajoelhando-se ao lado do leito onde o governador se encontrava deitado.
— Use seu tempo com sabedoria e ouça minhas palavras — Lorde Levi, deitado em seu leito, assistido pela esposa, dizia com determinação. — Há um pedido que quero que atenda e foi por isso que a chamei aqui, porque o amanhã é incerto, e você, minha nobre jovem, é o que Boandis precisará para enfrentar o futuro nebuloso.
— Peça-me e atenderei de imediato.
— Minha nobre jovem, não é justo o título que mantém de bruxa, pois vejo em você um coração benevolente e sábio. É de conhecimento geral que tenho um neto, que há alguns anos foi estudar em Imperah. — O governador não fazia ideia de que Mclin conhecia, sim, e muito bem seu neto. — Certamente ouvira falar dele, Lorde Shaido, ele se tornou poderoso, orgulho-me por deixar tão nobre sucessor.
Lorde Levi sentira uma dor muito forte no peito e Lady Mclin se apressara em fazer-lhe compressas com poções encantadas para aliviar a dor e fortalecer seu coração. No entanto, quando olhou nos olhos do governador, surpresa com a menção a Shaido, viu que ali havia um mal muito além do seu poder e que certamente não poderia curá-lo. Sentiu-se triste, pensou em Shaido e deixou uma lágrima escapar-lhe os olhos.
— Não há necessidade de choro, minha jovem, eu já vivi o suficiente. Ninguém deve governar sozinho, a mulher é o auxílio perfeito, a segurança de um homem, o coração de todo nobre. Meu neto deve voltar para me suceder quando eu partir e precisará ter ao lado uma esposa perfeita, cujo poder seja suficiente para manter o futuro do nosso povo.
Outra dor o acometeu e num gemido alto, olhou com súplicas para a jovem e continuou:
— Case-se com meu neto e auxilie no governo com sabedoria e benevolência.
— Lorde Levi, eu...
Lady Mclin segurou-lhe a mão, apertando com força, se controlava para não cair aos prantos, não apenas por aquele tipo de pedido, mas por ver que o sopro de vida do nobre senhor estava indo embora e mesmo que seu poder tentasse alcançá-lo, não conseguia. Sentiu-se impotente, o que sentiria Shaido ao saber que ela não foi capaz de salvar seu querido avô? Ficou enfraquecida pela tristeza de ver partir um coração tão bondoso, tão nobre e tão cheio de virtudes.
— Escrevi uma carta nesta tarde ao Coirlem sobre o ocorrido, e especialmente para meu neto. Por favor, prometa aceitar e governar Boandis para o bem mesmo qu... — e outra dor fatal lhe roubou as últimas palavras.
Sua mão deu um último aperto e afrouxou-se em seguida. A esposa soltou um grito e agarrou-se ao marido. Lady Mclin permaneceu segurando a mão, chorou em silêncio, com a cabeça baixa, sussurrou um pedido de desculpas.
O quarto tornou-se frio, o vento que entrava pela janela parecia cortar a carne e congelar o coração. Sem saber o que fazer, soltou a mão devagar e levantou-se, fazendo uma longa reverência em respeito enquanto o quarto já era tomado pelos filhos e outros membros da família que entravam aos prantos.
Veilanas também comovidas, chocadas com a morte do seu senhor exclamavam incredulidades. Lady Mclin sentiu-se deslocada, não pertencia àquela família e sentiu-se intrusa em meio aquela dor. Não fora capaz de fazer nada, sentia-se culpada e estorvando. Com os olhos marejados, foi afastando-se e dirigindo-se a porta para dar espaço ao sofrimento da família, quando ouviu a voz alta e clara da Lady Levi.
— Não ouse desobedecer ao último pedido de meu marido — voltou a chorar copiosamente, chamando pelo esposo e exclamando indignações pela perda.
Lady Mclin apenas concordou e com uma nova reverência, retirou-se.
Isso deveria ser seu sonho, mas aquela situação tornava um pesadelo. Deveria estar feliz e radiante, mas como poderia depois do ocorrido? Não se sentia feliz, nem realizada ou até mesmo privilegiada. Sentia-se incapaz, pequena e vazia. Como se tudo o que desejasse na vida lhe fosse concedido, mas de maneira inversa.
Pensou novamente no porquê do seu destino, será que nunca faria nada correto? Nos últimos tempos, havia se dedicado somente a fazer o bem, como se quisesse o perdão por ter causado tantos transtornos para muitos a sua volta. No fundo, desejara a lei do retorno aplicada para si, de fato tinha retorno, mas sempre de maneira às avessas.
Voltou para casa, queria dormir como aconteceu anteriormente, acordar dias depois com algum novo poder. Mas sabia que não iria acontecer, a partir de agora seus olhos não mais se fechariam como antes, pois precisava ficar atenta para o futuro. Sentia que havia algo se formando e mesmo que tentasse afastar os pensamentos nublados, sempre lhe vinha à mente aquela escuridão de dúvidas, como se estivesse seguindo no caminho errado, tropeçando em suas vontades e tendo seus sonhos realizados por sua própria força, mas não de acordo com o que era correto ou o que lhe era destinado.
Tornou-se dona do seu destino, no entanto, escolheu o destino errado. Faltava-lhe algo, sempre acreditou que fosse a magia, mas quando a teve não lhe preencheu, continuava sentindo um buraco na alma. Acreditou ser falta de amor, mas agora que iria se casar com Shaido, isso também não lhe fazia feliz; aquele buraco negro continuava ali e sua visão não era capaz de saber como o preencher.
Naquela noite, Lady Mclin também não dormira, como tantos outros em Boandis. E também em Imperah, muitos perderam o sono, ao saber daquele mal que se sucedeu pela manhã.
Aquela madrugada teve uma perda irreparável, uma magia se apagou no litoral, Pannastovik sentiu e deu seu aviso, os Imperadores souberam que o Príncipe Lorde Thon Levi havia deixado o reino do litoral para sempre; um homem bom e valente cujo governo ficou marcado por décadas de paz e prosperidade.
Lady Beriune permitiu-se chorar em silêncio, pois seu coração doía a cada magia que se apagava e se compadecia da dor alheia. Mas seu choro era silencioso e suas lágrimas preciosas, sua tristeza tomava forma de borboletas que carregavam conforto e consolação, voando direto para os corações daqueles que ficaram para lembrar-se de quem partiu, de uma forma mágica, davam força para que a dor fosse suportada e conseguissem superar mais rápido a perda.
Foi uma borboleta de cor roxo pálido que, naquela noite, entrou pela sala de estudos de Lorde Shaido, pousando levemente sobre o livro aberto que ele lia. Era bonita e ele quis tocá-la, como se ali existisse algo que precisasse pegar.
A borboleta delicadamente caminhou por entre seus dedos. Era o conforto antes da notícia, o consolo que precede a dor. E assim, ele soube que seu amado avô havia falecido, que Boandis perdera seu governador e agora lhe era passada a responsabilidade. Sentindo seu coração apertar e doer, viu a borboleta bater as asas como em uma mensagem muda de encorajamento.
Não teve oportunidade de despedir-se e isso o irritara, tudo acontecera tão rápido, não cria que seu avô tão forte, tão saudável e poderoso, tivesse sofrido repentinamente de um mal incurável. Já sabia do que acontecera pela manhã, a "Maldição de Boandis" e não podia deixar de acreditar que o falecimento de seu avô estivesse ligado a isso.
Estava próximo o fim do ano, os planos de Shaido era ir passar o ano novo com sua família, oferecer uma grande festa para o povo de Boandis, exibir sua magia, comemorar seus títulos e conhecer a bem falada Lady Mclin, que apesar do título de bruxa devido ao tipo de magia diferente, ainda sim, lhe parecia uma pessoa interessante.
Ao ver a borboleta desaparecer entre seus dedos, como se tivesse sido apenas uma miragem, pensou em Lady Mclin, o porquê dela, sendo tão poderosa, não curou seu avô? A primeira impressão que tivera sobre a Lady não havia sido boa, uma vez que ela nunca quis se apresentar formalmente aos lordes do Coirlem. Agora, além da antipatia, Lorde Shaido também sentia uma ponta de rancor, mesmo sem conhecê-la pessoalmente.
Seus pensamentos por Lady Mclin perderam a razão, pois Lorde Levi já havia partido e não fazia sentido procurar algum culpado; isso não traria seu avô de volta e Lorde Shaido sempre fora muito racional e prático. Sua prioridade era retornar imediatamente para Boandis e assumir o governo como lhe era a obrigação.
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