Notas iniciais
Hey, estou de volta com mais um capítulo! Acho que alguém vai gostar de saber que esse capítulo é o maior até agora (e também tem mais magia)! Espero que gostem!

Essa é uma lenda que ecoa pelos ouvidos do povo.

Em uma imensa planície, rica em flora e muito fértil, existiu um feudo. Dizia-se ser um lugar abençoado pelos deuses, uma vez que eram as únicas terras naturalmente boas para o plantio dos arredores. Com isso em mente, não era surpreendente a grande quantidade de camponeses que viviam e produziam em suas terras.

Contudo, isso também levou a grande ganância e exploração por parte dos senhores feudais que lá comandavam. E como já foi dito em outra lenda, nada de bom nasce do desequilíbrio.

Assim, o local que outrora já fora chamado de paraíso, tornara-se um inferno para seus habitantes. O senhor cobrava uma quantidade absurda de produção, o que fazia os servos trabalharem dia e noite, e se não atingissem a cota, suas famílias seriam mortas, e seus bens, retidos.

E o pior é que não havia modo de rebeldia, pois os camponeses não podiam manter conexões sem levantar suspeitas. O desespero reinava. E tudo isso contrastava imensamente com a vida luxuosa do senhor feudal, que não se importava em nada com o povo.

Um dia, todavia, o líder saíra para uma caçada na floresta próxima, (por diversão, é claro, e não necessidade) como era costumeiro da nobreza, e lá encontrara um real caçador. Este, por sua vez, era bastante generoso, e além de alimentar a própria família, procurava comida para seus vizinhos camponeses. É claro, mesmo que produzisse o bastante para supri-los, praticamente tudo era destinado às taxas.

Enfim, obviamente o nobre não alegrou-se em ter um “intruso” num bosque que pertencia apenas para os usos do senhor feudal, e expulsou-o. Entretanto, o homem ousou retrucar, alegando que aquela parte da floresta não pertencia ao feudo, e portanto, era de uso comum.

O senhor enfureceu-se, mas como não trouxera guardas, não poderia prender aquele homem. Então, resolveu usar outra tática. Disse que descobriria o paradeiro de sua família, e a mataria se o visse ali novamente. Isso bastou para que o caçador se retirasse, a contragosto.

Porém, o que nenhum dos dois sabia é que aquela clareira onde se encontravam, era moradia dos espíritos da natureza, que vendo a discórdia entre os dois homens, resolvera aplicar-lhes um castigo. Ou melhor, ensinar-lhes uma lição.

No dia seguinte, suas almas não estavam nos devidos corpos. O senhor acordara numa simples cabana, enquanto o servo, em uma luxuosa suíte. Levou muito tempo para que pudessem se situar, e mais ainda, se adaptar a situação.

Por apenas um dia, o senhor e o servo trocaram de papéis. Um dia tão curto, mas tão longo, onde aprenderam mais que em uma vida inteira.

O senhor, sentira na pele toda a dureza a qual ele mesmo submetera seus servos, tanto física como emocional. Vira o desespero, a fome e o ódio corrosivo, porém silenciado dos habitantes. Mas também vira união, amor e esperança, as almas puras que eram submetidas a tanto trabalho. E arrependeu-se. De ter seguido a influência de sua corte, de ter sido um péssimo governante, de ter vivido ignorante ao seu povo.

O servo, vira o quão luxuosa era a vida naquele imenso castelo, e todos os privilégios que tinham. Mas também vira a falsidade dos nobres, prontos para derrubá-lo a qualquer movimento em falso, e toda a responsabilidade que era necessária a um líder. E ele percebeu que era bom naquilo. Que, mesmo sem saber ler, sabia que resposta dar para as cartas de senhores de outra terras. Que sabia impor respeito na corte, e preparar uma estratégia de defesa.

Ambos aprenderam tanto, que no próximo dia, já de volta a seus corpos, tentaram encontrar-se novamente. E conseguiram. Coincidentemente, na mesma clareira em que se conheceram. Ambos contaram sobre suas estranhas experiências, como velhos amigos, e ao final da tarde, decidiram algo que mudaria drasticamente suas vidas

O nobre percebera que queria aprender muito mais sobre o mundo, e resolveu abdicar do cargo de senhor para tornar-se peregrino. E quem melhor para assumi-lo do que aquele caçador, com um espírito de líder melhor que o seu próprio? E esse mesmo servo, percebera que queria fazer mais na sua vida. E que jeito melhor do que tornar seu lar um lugar próspero?

E assim o senhor e o servo trocaram mais uma vez de papéis, embora não de corpos. E seus laços continuaram fortes enquanto existiram, por muito tempo.*

Notas finais
*Obs: É, eu acabei fazendo como se os dois criaram uma espécie de amizade ao longo do tempo, ou pelo menos, respeito mútuo. Então, o que acharam? Comentem se puderem!