Lembre-se de mim
1 O começo
Notas iniciais
(ALISON)
Nem toda história tem um final feliz, isso é fato. Eu ainda estou construindo a minha história pra encontrar o meu "final".
Por que tudo é tão simples nos romances de Hollywood? As coisas não funcionam assim na vida real. Eles tentam criar uma garota doce e meiga, pra ser a protagonista, eles juntam todas as inseguranças femininas em uma só personagem. Depois disso, ela se apaixona pelo bonitão da escola, o cara que todas as garotas sonham em namorar. No começo da história, ele namora a menina mais popular, a garota fútil que todos odeiam. Não tem mais o que explicar, a protagonista se aproxima de sua paixão platônica, e aí eles superam todos os obstáculos e tem seu "final feliz".
Se você gosta desse tipo de história, eu lamento, seu lugar não é aqui. A minha história não é tão convencional, talvez nem tenha o tão esperado "final feliz".
...
Entramos no carro e eu resmunguei.
− Chris, pra que todo esse escândalo?
− O cara merecia.
Nós tínhamos acabado de sair de uma festa. Quando Christian foi pegar uma bebida, meu amigo veio falar comigo, meu namorado teve ciúmes e brigou com ele.
− "O cara merecia" − eu o imitei, ele odiava isso− "O cara" era seu amigo.
Ele já estava ficando irritado.
− Era!
− Você deu um soco nele! Qual seu problema? − perguntei furiosa.
Ele se inclinou pro meu lado e disse.
− Eu não quero brigar com você. Esquece isso.
Ele se aproximou mais de mim e tentou me beijar.
− Não chega perto de mim− o empurrei.
− Me desculpa− ele se aproximou de mim novamente− Não vamos nos importar com isso agora.
Foi quando seus lábios encostaram nos meus e senti cheiro de bebida. O empurrei de novo, só que com mais força dessa vez.
− Christian! Você está bêbado?!
Como eu não tinha percebido antes? Eu sou tão estúpida.
− Eu não preciso de lição de moral agora, mamãe− ele disse com ironia− Vou te levar pra casa.
− Você bebeu, não vai me levar pra lugar nenhum!
Eu já estava cansada disso. O Christian fazia besteira e eu consertava tudo. Nosso namoro já estava se desgastando.
− Eu consigo dirigir, não bebi tanto. Você prefere passar a noite aqui na rua?
Já estava tarde, todos já tinham ido embora, eu não sabia dirigir, meu celular estava sem bateria e não tinha nenhum táxi por perto, então não tinha outra forma de voltar pra casa.
− Ok− eu disse e virei o rosto.
Ele colocou o cinto e deu partida no carro. Ele olhou pro meu corpo e perguntou.
− Não vai colocar o cinto?
− Não precisa.
Christian ficava bravo, porquê eu nunca colocava o cinto de segurança.
Nós ficamos longos minutos em silêncio.
− Me desculpa por ter feito aquilo, é que eu sinto muito ciúmes de você− ele explicou− Eu fui um idiota.
− Você é um idiota− revirei os olhos.
Ele riu e pegou a minha mão.
− Sou, mas você me ama.
− Não precisa se achar tanto− eu rebati.
Nós dois rimos e ele começou a olhar pra mim.
− Eu te amo, Alison.
− Também te amo, idiota.
Christian deu um sorriso e ficou me encarando com aqueles lindos olhos azuis, não tinha como resistir a isso.
Voltei a olhar pra frente e vi uma grande camionete prata vir na nossa direção. Me apavorei e dei um grito.
− CHRISTIAN!
Ele olhou pra frente e virou o volante de imediato, não adiantou, nós colidimos com o outro veículo e o nosso carro capotou. Eu me arrependi de não ter usado o cinto de segurança. Se Christian não tivesse me segurado com o braço, eu iria voar pela janela. Bati a cabeça várias vezes no porta-luvas.
Essa era a sensação de quase morrer? Era uma coisa tão inesperada. Aqueles segundos foram os mais longos da minha vida, parecia que tudo estava passando em câmera lenta, eu nunca tinha sentido tanta dor e medo. Eu só conseguia pensar no que ia acontecer depois, eu não me importava o quanto eu ia me machucar, eu só queria sair dali viva. Depois disso tudo apagou.
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