Lembre-se de mim
2 Quando tudo muda
Notas iniciais
(CHRISTIAN)
Ouvi uma voz masculina que ecoava pelo quarto.
− Ele está acordando.
Abri meus olhos, eu estava deitado numa cama de hospital, preso a vários equipamentos. Os bips do meu coração ficavam cada vez mais intensos. Eu quase nem conseguia mexer meu corpo, estava tão dolorido.
Eu estava cercado por três pessoas, um homem de mais ou menos quarenta anos, ele se vestia como um verdadeiro homem de negócios, com seu terno e seus sapatos caros, ele estava sentando na poltrona ao lado da cama, com um jornal na mão, uma mulher que aparentava ser mais jovem do que era, e uma enfermeira.
− Vou chamar o Doutor Leger, pra dizer que ele acordou− a enfermeira disse ao homem.
A enfermeira saiu às presas.
− Como você está se sentindo, querido? − a mulher me perguntou.
Parecia que a emoção tinha tomado conta dela, ela parecia tão contente. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo, era como se tivesse um vazio na minha mente.
− Eu... − antes que eu terminasse de falar, fui interrompido.
Um homem entrou no quarto, ele tinha cabelos grisalhos e vestia um jaleco branco, ele deveria ser o médico que a enfermeira chamou.
− Olá− o médico disse enquanto andava até a cama, ele parecia estar animado− Se lembra do que aconteceu?
Tentei me lembrar de alguma coisa, mas não adiantou, era como se a minha vida tivesse começado a partir dali.
− Não− respondi com a voz fraca.
O médico começou a fazer várias perguntas básicas, o meu nome, minha idade e etc. Eu estava tão confuso, minha cabeça doía e eu não conseguia me lembrar de nada.
O médico se virou para o homem que estava sentado na poltrona.
− Eu achava mesmo que isso aconteceria− o médico falou decepcionado.
− E o que nós vamos fazer agora, Doutor? − o homem perguntou.
Olhei para a mulher que tinha falado comigo, a segundos atrás, ela estava tão feliz, agora ela parece tão preocupada.
− Posso falar com seu filho? − o médico perguntou− Só por alguns minutos.
Filho?
O homem fez sim com a cabeça e saiu dali com a mulher. Eu estava tão fraco que não quis falar nada. Depois que os dois saíram, o médico voltou a olhar pra mim.
− Sou o Doutor Leger, estou cuidando de você desde o acidente.
− Acidente?
− A dois dias, você sofreu um acidente de carro. Você bateu a cabeça e agora está apresentando um caso de amnésia, mas você teve sorte, o acidente foi grave, poderia ter sido pior.
O Doutor Leger começou a folhear alguns papéis que estavam nas suas mãos.
− Seu nome é Christian Walker, tem dezessete anos, não tem nenhum problema de saúde... O resto a sua família pode te falar.
Eu ficava mais confuso a cada palavra que ele dizia.
− Me fala sobre o acidente. Alguém se machucou?
− A mulher que estava no outro carro teve ferimentos leves. Ela passou mal e acabou indo pra contra-mão, isso causou o acidente, mas você vai ter que comparecer ao tribunal por ter ingerido álcool, sendo menor de idade, e principalmente porquê dirigiu bêbado− ele explicou.
Tudo que eu precisava.
− Que bom que ninguém se machucou seriamente.
Doutor Leger desviou o olhar de mim, como se estivesse tentando omitir algo.
− A sua família não queria que você soubesse disso tão cedo, mas... − ele falou.
− Pode falar− eu disse.
− Antes de tudo, você precisa saber que você não estava sozinho no carro. Sua namorada estava lá.
Namorada?
− Qual o nome dela? − perguntei.
− Alison Rivers. Não tem como esquecer o nome da garota mais visitada do hospital, ela parece ser muito amada.
− Como ela está? Ela se machucou muito?
− Ela está em coma.
− Coma?!
Eu não conseguia acreditar.
− Ela foi a que mais se machucou. Ela estava sem cinto de segurança- Doutor Leger explicou.
Uma garota que tinha uma vida toda pela frente, poderia não acordar mais por minha causa.
− A culpa disso tudo é minha− eu falei.
Eu não conseguia me lembrar dela, mas eu me preocupava.
− Fica calmo- o médico pediu.
− Não vou ficar calmo− o interrompi.
− Eu sei que é difícil, mas você tem que se acalmar.
− Eu quero vê-la, e tem que ser hoje− eu exigi.
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