Notas iniciais
Espero que gostem

Christopher Harington

Eu estava indo ao hospital. Meus dias tem sido torturantes desde esse maldito acidente. Eu realmente não queria que isso tivesse acontecido. Eu é que deveria estar nesse hospital e não ela. Minha menina, tão boa e pura. Não merecia nada disso.

— É tudo culpa sua! Seu idiota! Você não devia ter chegado perto da minha irmã. Eu te odeio.- Me lembro dessas palavras como se tivessem sido proferidas a mim ontem.

O irmão de Rose sempre me disse que se eu a fizesse sofrer ele me faria pagar a socos. E acredite, eu queria que ele tivesse feito. Mas a dor não o permitiu fazer isso, e principalmente em pleno ao hospital. Me doeu tanto ver ela ali. E foi nesse mesmo dia em que eu decidi que a protegeria, que faria tudo que estava ao meu alcance para ficar bem, mesmo que para isso eu tivesse que deixa-lá para sempre. Prometi que a faria feliz e isso é uma promessa que nunca irei quebrar. Rose foi, é e sempre será o grande amor da minha vida.

O hospital Addenbroock estava calmo pois Cambridge cidade sossegada. Me direcionei a recepção para a autorização da entrada no quarto. A secretaria de atendimento já me conhecia e trocamos breves acenos.

— Quarto de Rose Clarke, por favor.

— Pronto senhor Harington. Sua entrada está autorizada.- Fala a secretaria.

Me encaminho ao quarto e ao entrar vejo que ela está do mesmo jeito, um pouco pálida e imóvel. Sento ao seu lado e seguro sua mão — Está fria — e me pergunto até quando isso vai continuar. Quero sentir que está segura e fora de perigo, que está voltando para mim mas eu não vejo nenhuma melhora. Um médico entra no quarto e vejo que é o médico responsável por ela desde que ela deu entrada no hospital a 6 meses atrás.

— Bom dia senhor Harington! — Ele me dá seu comprimento educadamente.

— Bom dia Doutor Harry! Como está o estado dela? Ela não sai desse estado. Sempre quieta e fria.

— Calma, ela está bem melhor do que a 3 meses atrás. Não tem mais quedas de pressão e nem paradas cardíacas. O pior já passou e tudo o que nos resta é esperar até ela acordar.

— Eu estou preocupado, eu preciso que ela volte. Eu a amo. Não posso perde-lá.

— Sei o que sente, mas tudo o que temos que fazer é ter fé.

Quando ele se retira do quarto e volto para o seu lado. Seguro sua mão novamente e podia jurar que ela se mexeu, mas eu acho que é tudo coisa da minha cabeça. Sempre que sentia ela se mexer e chamava as enfermeiras gritando elas me pediam para se acalmar ou me tiravam do quarto. Sinto lágrimas escorrendo pela minha bochecha e a minha angústia está se tornando pior a cada dia.

— Fique, por favor! Não me deixe.

Fico por mais um tempo com ela, não queria deixa-lá, mas as responsabilidades me chamam. Tenho que ir para o escritório e sei que a mãe de Rose chega no final da manhã. Ela é a única que não me culpa pelo acidente da minha esposa, e sempre a vejo com um sorriso bondoso em minha direção, ao contrário de seus outros filhos.

Michel me odeia desde que Rose e eu começamos a sair, sempre me avisando do o que faria se eu a fisseze sofrer. Contudo, eu não o culpo, eu faria o mesmo pela minha irmã. Eu também não era o cara mais confiável do mundo quando estava na faculdade, saía e bebia muito, sempre com mulheres diferentes. Mas ela apareceu e com ela um turbilhão de sentimentos que eu não conseguia controlar. Ela me deixava nervoso apenas ao me olhar e sorrir, e como era doce o seu sorriso. Pensei que fosse apenas uma atração, mas quanto mais eu me aproximava mais eu queria ela para mim. Se eu sentia ciúmes? Muito! Se eu a magoei por causa disso? Sim, muitas vezes. Quanto mais eu lutava para não me apegar, mais ela me trazia para si. Eu me pergunto quando ela começou a me amar tanto quanto eu a amava. Eu lembro que parecia um maluco, a seguindo em todos os lugares, desde a biblioteca até o alojamento. Meus amigos diziam para chama-lá logo para sair mas ela me deixava nervoso. Quando eu a chamei para sair ela demorou tanto tempo para responder que eu pensei que pela primeira vez eu iria levar um fora. Mas aí ela me olhou

e disse um glorioso e sonoro "sim". Saímos para jantar, eu queria impressionar. Levar ela para tomar sorvete ou ir a uma balada não me parecia certo. E foi o jantar mais desastroso e divertido de todos. Ela derramou o vinho em mim e tentou limpar. Preciso dizer que o restaurante parou ao olhar uma moça ajoelhada batendo com lenços na minha calça? Sim, eu fiquei "animado" e ao segurar os seus pulsos na intenção de faze-lá parar, ela me olhou com seu olhar inocente e logo para minha calça e ao perceber o que me causou corou fortemente. Eu a olhei tão intensamente que ela encolheu um pouco. A levantei e a encarei, vendo que ela tentava não me olhar nos olhos.

— Me desculpe! Só que eu estou com tanta vergonha que acho melhor eu ir embora. — ela me disse ainda de cabeça baixa.

— Ei, não se preocupe. Vou no banheiro resolver esse problema... — Eu a vi abrir tanto os olhos que eu até riria se não estivesse tão tenso.- Enxugar minha calça. E vamos jantar como eu falei que nós fariamos.

Ela concordou e ao chegar no banheiro eu resolvi o meu "problema" só de imaginar ela o fazendo. Sim, eu a imaginei lá comigo. Ao voltar ela já não estava tão vermelha e o jantar foi regado a risos e olhares sensuais. Ao deixar ela em casa tivemos o nosso primeiro beijo. Eu a segurei pela cintura e a beijei com tanta força que eu tenho certeza que quase a machuquei, mas o que mais me instigou foi o pequeno gemido que saiu dos seus lábios. Queria ter continuado mas seu irmão apareceu na porta e nos despedimos com um simples "boa noite". Depois daquele dia, eu não me veria sem aquela mulher nunca mais. Só fico imaginando o que teria sido se nunca tivesse me envolvido com ela, se não tivéssemos casado. Ela estaria bem agora e feliz e não em uma cama de hospital imóvel e com risco de vida.

Eu sou um fodido de merda.