Lembranças não contadas
1 A Casa Abandonada [Part 1]
Notas iniciais
Era véspera de natal, eu havia acordado cedo para caminhar por um bosque próximo localizado entre as montanhas e colinas florestadas. O bosque possuía uma vista privilegiada, com o sol raiando no horizonte e o canto dos pássaros ecoando nos céu coberto por algumas nuvens que se esvaíram com o fim da manhã.
Gostava de ver os animais que viviam no local, sentir o ar puro da natureza e se confortar com a fina névoa da manha agradável. Os coelhos brincavam entre as árvores e sempre que tentava me aproximar eles fugiam, era engraçado. Mas eu não podia ir muito longe, minha mãe sempre me disse que era perigoso... Ela dizia que eu não fazia ideia das coisas que ficavam longe de casa. Antes de voltar peguei algumas flores, minha irmã adorava essas delicadas plantinhas. Sempre que eu dizia ir passear, ela implorava que eu pegasse algumas para ela, de preferência as vermelhas, sua cor favorita.
Quando voltava para casa encontrei Dreei, o nosso cavalo. Ele não ficava ao lado de casa pois tinha medo de passar pela ponte, então fizemos uma “Casinha” para ele perto da passagem, e ele ficava lá. Se eu fosse ele já teria ido embora faz tempo, correndo por essas vastas montanhas. Após fazer um pouco de carinho em Dreei passei pela ponte que rangia, sempre que pretendia passar por ela sentia um certo calafrio na espinha... Minha mãe sempre dizia que eu não havia com o que me preocupar, que ela era resistente como ferro e só rangia porque sentia cocegas quando pisávamos nela.
Helena, minha irmãzinha brincava ao lado de casa caçando borboletas, ela era apenas dois anos mais nova que eu, mas parecia que sua energia nunca acabava. Estava sempre sorrindo e correndo de um lado para o outro.
—Lena venha aqui, olha o que eu trouxe para você.
Assim que ela ouviu minha voz parou o que estava fazendo, seu rosto virou no mesmo instante para mim e com um sorriso encantador corria em minha direção*
—O que você trouxe maninho? Deixa eu ver vai, me deixa ver!
Baguncei o seu cabelo, ela ODIAVA quando eu fazia isso, ela nunca expressava nada menos que uma careta emburrada. Que não durou muito, assim que eu mostrei o que havia pego para ela um sorriso já havia tomado o lugar.*
—Agora não fique mais pedindo essas flores para mim, na próxima você vem comigo pegar.
Ela não hesitou em me abraçar, o que só não era estranho pelo dia(Me abraçar, não hesitar)... Como irmãos sempre irritávamos um ao outro, eu amo ela é claro, porém as brincadeiras eram lei... Porém nesse dia as coisas eram diferentes, uma vez ao ano nós nos dávamos super bem e eu não reclamava disso. Ela logo pegou as flores e foi correndo para dentro de casa... Ela queria mostrar para a nossa mãe...
—Mas que flores lindas Helena, coloque-as na água. Você não quer vê-las murchar.
Helena não demorou muito para ir procurar uma jarra... Mas eu fiquei ali, olhando para minha mãe e seu sorriso encantador. Não era muito difícil saber quem eu havia puxado ao olhar para ela, sua pele morena, seu cabelo encaracolado. Mesmo ela dizendo que o meu rosto lembrava o meu pai era difícil acreditar, já que eu só tinha relances de como ele era...
—Eu as achei no bosque, estava cansado da Lena ficar pedindo para eu as pegar.
Ela estava terminando de lavar a louça, não sei como ela conseguia deixar as mãos na água nesse frio.
—Você estava cansado dela pedir, ou apenas queria vê-la feliz?
Dei de ombros.
—Tanto faz...
Ela riu. Talvez eu apenas queria fazer algo por Helena, algo que ela deveria pedir para o meu pai, pai que não estava ali. As vezes eu imaginava como ele seria apenas olhando para Helena, sua pele branca e seu cabelo castanho claro.
—Essa noite nós três iremos ver os fogos juntos, então descanse um pouco te acordarei quando a hora chegar.
Todo ano nesta época o céu se ilumina, conseguimos ver grandes explosões coloridas no final do horizonte. Mamãe diz que são pessoas comemorando o natal, eu nunca perguntei o que é esse tal de natal, apenas observava.*
—Ta bom, mas não se esqueça de fazer um lanche, vou estar com fome.
Depois de algumas horas, fui para o meu quarto dormir, esperando minha mãe me acordar para vermos os fogos juntos, como uma família feliz ... Seria ótimo se tivesse acontecido deste jeito...
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