Lembranças

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Gente kkkkk primeiramente, as notas iniciais do último capítulo bugaram e não apareceu tudo o que eu escrevi. Então eu queria, mais uma vez, agradecer os comentários fofos e as sugestões. Como era pra estar na outra nota, recebi um comentário mega fofo dizendo que o preconceito com as fics em português havia sido quebrado por causa da minha história. Muito obrigada! Segundo, A FIC RECEBEU UMA RECOMENDAÇÃO! Muito muito muuuuito obrigada, Débora *~* você é uma fofa e está sempre comentando os capítulos. Linda

Estudei um pouco a Bíblia quando voltei para casa e fiz algumas anotações habituais, seguindo sempre o meu ponto de vista. Quando me dei conta, já era meio dia. Fechei o livro com mais força do que gostaria e me amaldiçoei por isso. Mas essa situação me deixava nervosa. Era a primeira vez que eu sairia com Emma Swan. Subi as escadas quase tropeçando nos degraus de tão rápido que eram os movimentos.

Tomei um banho cantarolando algumas notas, aquecendo minhas cordas vocais. Se Emma pediu para ver meus desenhos, quem sabe ela também não queria ouvir minha voz? Saí do banheiro da suíte enrolada na toalha e percebi que Henry estava sentado na cama. Suspirei de susto e levei a mão ao peito.

– Henry! Quando você chegou?

– Agorinha. Estou com fome. – Ele respondeu, com uma cara dramaticamente triste.

– Espere só um minuto. Ah, mas, filho, hoje eu não fiz comida. Almoçarei fora e confesso que me distraí essa manhã e esqueci que você viria almoçar aqui. – Tentei me explicar, cheia de cuidado para que ele não ficasse chateado.

– Tudo bem, mamãe. Eu posso almoçar na casa da Mary? A sobrinha dela, Grace, vai estar lá! – Grace era da sala de Henry e deve ter comentado com ele na escola.

– Não sei, filho... não quero incomodar...

– Que nada, mãe! Já estou com o telefone em mãos, e estou ligando para ela. – Ele me lançou um olhar desafiador.

– Tudo beeem. Ligue. Eu vou me arrumar. – Ele saiu saltitando do quarto e eu sorri com a malemolência de um menino de quase onze anos.

O que se usa para uma tarde casual no parque com uma amiga que quer ver seu portfólio e provavelmente te ouvir cantar? Pensei, já desesperada. Peguei um vestido soltinho, mas achei que seria desconfortável e incômodo ter que me preocupar em manter as pernas fechadas. A roupa ideal seria shorts e camiseta, mas aí é que estava o problema: eu não tinha shorts no guarda-roupas. Robin nunca me deixou usá-los. Acho que nunca pensou na possibilidade de, um dia, eu querer ser gente de verdade. Sem pensar duas vezes, catei uma calça jeans cujo tecido estava manchado na altura da coxa e a cortei logo acima da mancha. Ficaria desfiada mesmo, pois não havia tempo para costurar uma bainha. Peguei uma blusa branca simples para acompanhar e sandálias rasteiras. Eu não queria que Emma percebesse que me produzi especialmente para essa ocasião. Deixei Henry de carro na casa de minha amiga e voltei para terminar de pegar as coisas.

Juntei alguns desenhos, coloquei-os numa pasta e decidi ir andando até o parque, já que o inverno havia ido embora e fazia um tempo muito agradável.

Cheguei lá alguns minutos depois da uma da tarde e só então parei para pensar que não havíamos marcado um ponto de encontro. Sem muita alternativa, fiz meu caminho até meu lugar favorito do parque: debaixo da macieira. Sentei, juntei minhas pernas e abracei-as, apoiando o queixo nos joelhos. Estava um pouquinho decepcionada com a não pontualidade de Emma justamente no dia de hoje. Fiquei naquela posição por alguns minutos e só saí quando senti uma dor súbita atingir o topo da minha cabeça e eu soltar um grito. Olhei para cima e para baixo, espantada, e vi uma maçã estatelada ao meu lado. Coloquei uma das mãos instantaneamente no local da dor e olhei para ela, à procura de sangue. Antes que eu pudesse agradecer a Deus por não haver uma gota dele, senti uma presença tão súbita ainda sair do outro lado da larga árvore.

– O que-o que houve? Você está bem?

– Est-EMMA!

– Regina?! V-você estava aqui há muito tempo? – Ela tropeçou nas palavras, arregalando os olhos e vindo sentar do meu lado.

– Acabei de chegar. Ficaria te esperando por aqui mas parece que essa coisa aqui queria me expulsar! – Disse com uma risada e tornei a colocar a mão na cabeça.

– Ai, meu Deus! É mesmo! Vem cá, deixe-me ver isso. – Ela se aproximou e colocou meu rosto gentilmente entre suas mãos. Como não estava mais doendo tanto, tirei vantagem do momento e fechei seus olhos, concentrando-me em seu toque.

– Acho que já está melhor. – Falei, tentando acalmá-la.

– É, estou vendo aqui que não teve sangramento. O que você fez pra essa árvore te odiar tanto? – Ela gargalhou no meio das palavras. Não aguentei e ri também.

– Eu não sei... vai ver ela queria chamar sua atenção para que você me visse aqui. – Acho que falei demais. Mas fui rápida ao tentar consertar. – Quero dizer, se não fosse meu grito, ficaríamos aqui a tarde inteira esperando uma a outra. – Fiz uma careta que deixou transperecer meu nervosismo.

– É... eu estava começando a achar que você não viria. – Sua expressão tornou-se mais séria e pude notar certa tristeza em sua voz.

– Mas é claro que eu viria! Eu é que estranhei a sua fuga da pontualidade. – Tentei descontrair um pouco o clima, e funcionou.

– Você acha que sou pontual? – Ela cutucou meu braço com seu cotovelo.

– Se não fosse por esse sotaque sulista, eu acharia que você era inglesa. – Cutuquei de volta e ela riu brevemente.

– Ei, está com fome? Eu trouxe umas coisinhas.

– Estou faminta! Cadê?

– Ah, espera aí um momento, a cesta ficou do outro lado dessa monstruosidade que chamam de árvore. Aguarde um momento, senhora. Nossos suprimentos alimentícios já estão a caminho. – Ela disse, imitando uma voz típica de telemarketing. De uma coisa eu tinha certeza mais do que absoluta: Emma me fazia rir como ninguém jamais fez. Ela foi engatinhando até o outro lado da planta e eu tive que desviar o olhar para não ficar de cara com sua bunda. Não que eu já não a tivesse notado antes, mas, se eu olhasse naquele momento, poderia reagir de formas inesperadas.

Ela voltou com uma cesta de palha repleta de frutas, sanduíches e biscoitos.

–Desculpe-me, esqueci de trazer a toalha xadrez. – Lançou-me um olhar genuinamente desapontado.

– Eu te desculparia se você tivesse lembrado de trazer as formigas. Mas, como não vejo nenhuma por aqui, infelizmente, a senhora não poderá estar sendo desculpada, senhora. – Foi a vez de Emma rir e fiquei orgulhosa de mim mesma por conseguir devolver uma piada à altura.

Comemos quase tudo o que havia na cesta enquanto conversávamos sobre a trajetória profissional de Emma. Estudara na Universidade do Alabama e fizera uma extensão em sua área na Universidade Estadual da Flórida, no Tallahassee. Ao descrever seu período na Flórida, seu sorriso se enlargueceu notoriamente.

– Nossa, o que você gostou tanto no Tallahassee? – Enfatizei a última palavra, mas não queria que soasse ofensivo.

– Ah, eu vivi os melhores anos da minha vida lá. Sei que é um lugar sem graça, mas foi especial demais para mim. – Ela parecia falar mais para si mesma do que para mim, já que encarava o chão. De repente, sua expressão fechou e a curva que existia em seus lábios havia se dissipado. – Os melhores e os piores, também.

Percebendo o quanto aquilo estava a afetando, tentei intervir.

– Quer falar sobre isso? – Cheguei mais perto e apoiei uma das mãos em suas costas inferiores.

– Quero. Regina, como eu quero! Mas não posso. Não agora, pelo menos. Perdoe-me, mas não posso.

– Tudo bem, Emma. Eu não vou te forçar a compartilhar todos os seus segredos e suas histórias comigo. Tudo acontecerá em seu devido tempo. Só quero que saiba que estou aqui para o que você precisar, ok? – Manifestei calmamente, tentando abrasá-la.

– Obrigada, Regina. De verdade. Eu quero te contar tudo sobre a minha vida, quero que sejamos amigas por completo. Mas ainda é cedo para que isso aconteça. Você me entende?

– Sim, claro! – Abaixei a cabeça e meus olhos procuraram os dela. Quando ela me olhou, ergui a cabeça novamente e ela me seguiu. – Vamos deixar isso para lá, sim? A partir de agora, falaremos apenas sobre coisas boas. Até o dia em que estiver pronta para se abrir. Fechado?

– Fechadíssimo. – Sorrimos correspondentemente e apertamos a mão, como se acabássemos de fechar um acordo. Uma promessa.

Subitamente, sem que eu esperasse, Emma apertou minha mão que sacudia a dela e me puxou para um abraço. Deus! Como era bom o abraço de Emma Swan! Era realmente como se um cisne tivesse aberto suas asas quentinhas e me convidasse para entrar, me acomodar e me aconchegar. O abraço de Emma Swan era como estar em casa, à lareira, num dia de inverno. Era como a água de uma cachoeira batendo em suas costas. Era como os cavalos trotando livremente num verdejante campo, ou como pássaros cantando numa manhã de domingo. Dentro do abraço de Emma Swan era onde eu sempre quis estar, onde eu estava e de onde nunca mais queria sair. Talvez ela estivesse pensando algo parecido também, pois nenhuma das duas se soltou até que eu resolvi sair, abrindo meus olhos e saindo de meu devaneio.

Assim que nos olhamos e sorrimos timidamente, fomos abordadas por um homem moreno, de olhos azuis. Ele limpou a garganta a fim de notarmos sua presença.

– Boa tarde, senhoras.

– Pois não? – Respondemos juntas, amistosamente. Ele assentiu antes de continuar.

– Meu nome é Jefferson Hatter, trabalho para um instituto de pesquisas e, atualmente, estamos trabalhando em uma referente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um grupo de pesquisadores entrevistará casais heterossexuais e saber suas opiniões sobre a questão. Outro grupo, perguntará aos casais homossexuais. É aí que eu entro.

Sem entendermos nada, nos olhamos e fazemos uma careta, mas voltamos nossa atenção ao rapaz, dando-lhe permissão para continuar.

– As senhoras já conseguiram a autorização legal para oficializarem a união? Ou apenas vivem juntas?

Não conseguimos conter uma risada nervosa e histérica. Regina Mills e Emma Swan? Um casal? Ou apenas vivendo juntas? Só podia ser uma pegadinha. Quando conseguimos controlar o riso, Emma permitiu-se falar.

– Desculpe, meu caro, mas não somos um casal. – Eu quase pude notar decepção em seu tom.

– Não?! Mas... mas... desculpe a intromissão, mas eu estava observando as senhoras de longe eu podia jurar que- Sua voz falhava a todo instante.

– Essa linda mulher aqui é casada. – A loira ao meu lado o interrompeu. – Com um homem. Têm um lindo filho juntos. E eu... bem, eu sou solteira. Se quiser meu número... – Após o sarcasmo gritante em sua constatação, Emma deu ao homem uma piscadela.

– Ahn, muito obrigado, senhorita, mas eu sou comprometido também. Acho que v-vou indo então. Mais uma vez, p-perdão pelo mal entendido. – Sua voz o sabotava cada vez mais, portanto, era melhor mesmo ele dar o fora dali.

– Que nada! Você nos deu uma boa ideia, para falar a verdade. – Meus olhos se arregalaram involuntariamente e meu coração quase saiu pela boca. Será que ela estava falando sério? Meus sentidos me desobedeceram ainda mais quando ela passou a mão em volta da minha cintura e nossos pés se tocaram. Jefferson apenas sorriu e deu as costas.

Quando ele estava a uma distância segura, Emma soltou uma gargalhada alta. E como soava bem sua risada! Era harmônica, um pouco rouca, afinada e muito, muito encantadora.

– Você viu a cara dele??? Céus, foi impagável! – Havia lágrimas em seus olhos de tanto que riu. Eu, por outro lado, talvez porque estava fascinada com os sons que Emma emitia (e com tudo mais que estava sentado ao meu lado), estava apenas pasma. – Regina? Você está bem? – Sua risada foi engolida e uma Emma preocupada entrou em cena.

– Não... quer dizer, sim! Estou bem, é só que-

– Ah, relaxa. Foi só brincadeira, ok? – Ela tomou meu queixo em sua mão e o acariciou de leve. Respondi com um sorriso fraco.

– Ok. Eu só não estou acostumada com essas coisas, sabe?

– Acostumada com o que? Ser cortejada por uma lourassa linda como essa aqui? – Ela apontou para si mesma com um orgulho exagerado em sua voz. Eu ri de como ela era boba e adorável ao mesmo tempo.

– Acho que sim.

– Tudo bem. Chega de momentos tristes. Chega de momentos constrangedores. Quero fazer algo que te deixe muito feliz. – Ela cruzou as pernas e apoiou as mãos nas minhas. Emma Swan realmente gostava tocar nas pessoas o tempo inteiro. Não que fosse ruim, mas era algo com que eu teria que me acostumar. – Mostre-me seus desenhos.

Sem pensar duas vezes, suspirei e estiquei o braço para trás em busca de minha bolsa. Entreguei-a diretamente à Emma e esperei em silêncio. Ela tirou as folhas da bolsa e analisou um por um minuciosamente, absorvendo cada centímetro, cada tom, cada traço, cada curva. Seus olhos se arregalavam de vez em quando e suas sobrancelhas se erguiam. Ou eram horrendos ou eram obras-primas.

– Regina, isso é... – Ela ergueu as folhas e as sacudiu levemente. – Isso é demais. Sério. Uau. Estou impressionada de verdade. Sua sensibilidade artística é algo de outro planeta e a forma de retratar a liberdade que você tanto almeja é tão delicada e doce, mas ao mesmo tempo direta e dura. A combinação de cores é muito profissional e inteligente. Uau, mulher, você devia estar ganhando dinheiro com isso tudo!

Meu rosto corou e senti minhas bochechas arderem. Ninguém nunca havia me elogiado assim. Ninguém nunca vira potencial em meus trabalhos, nem mesmo meu marido. Aliás, muito menos ele. Em casa, a função de me encorajar cabia a Henry, mas a opinião dele não contava como crítica, já que era apenas uma criança. Mas agora Emma Swan havia confiado em meus pincéis e lápis. Minha vontade era de pegar um pedaço de papel e começar a rabiscar qualquer coisa, a fim de receber mais e mais mimos dela.

– Nossa, Emma, muito obrigada. É muito gentil. Sabe, você é a primeira pessoa que me diz todas essas coisas. – Ela ergueu as sobrancelhas, surpresa. – É verdade. A única pessoa além de você que gostou de alguma coisa que eu fiz foi Henry, mas ele é meu filho, e me ama, e vai dizer tudo o que eu quero ouvir, sempre. – Ela riu baixinho e respondeu:

– As pessoas deviam acreditar mais em crianças. E em homens de pesquisa de censo. Ela sussurrou a última frase rapidamente.

– Como? – Franzi a testa.

– Hã?

– O que você disse? – Eu já estava começando a rir.

– Nada! Está maluca? – Ela respondeu, falsamente ofendida e revoltada.

Rimos um pouco e logo Emma retomou o assunto anterior.

– Mas, olhe, é sério: garanta-me que você vai fazer algo com esses desenhos. Nem que seja um leilão beneficente. – Suas mãos estavam envolvendo as minhas, como se dependessem disso para continuarem vivendo.

– Prometo. – Meus olhos sorriram e os dela também, em um movimento sincronizado. Aliás, tudo com Emma Swan parecia ser sincronizado, destinado a acontecer; tudo parecia estar onde tudo devia estar.

Ela olhou o relógio e se assustou ao ver a hora. Já eram quase seis horas e eu ainda teria que buscar Henry na casa de Mary Margaret.

– Olha só a hora! Nossa, eu tenho tanta coisa para fazer! Planejamentos para serem finalizados e outros ainda por começar, visitas para serem marcadas, telefonemas a serem dados... enfim. Estou atolada de chatice. – Emma bufou e soltou os ombros.

– E eu estou atrasada para buscar Henry. Aliás, ele passou a tarde na casa da minha amiga, Mary. Quer ir comigo e ver a cara dela ao saber que nos conhecemos?

– Tá brincando, né? Claro que quero! As caras de espanto da Mary são as melhores. – Ela gargalhou, levantando-se.

– São mesmo! – Eu gargalhei, perdendo as forças para fazer o mesmo. Então Emma estendeu a mão e eu a peguei. Ela me puxou e subi alavancada por sua força, que era tamanha que só parei quando meu peito se chocou com o de Emma. Nossos rostos ficaram a centímetros um do outro. Olhei para o chão e ela rapidamente se afastou, recolhendo a cesta e começando a andar. Fui atrás e logo a alcancei. Percebi o quanto ficou nervosa com o que acabara de acontecer.

No caminho de volta até minha casa, contei à Emma as peripécias de Henry desde que era pequeno, e, a cada história, ríamos mais e ela se encantava mais com meu filho. Ao chegarmos a minha casa, entramos só para que eu pegasse as chaves e saíssemos em direção à Mary.

Após alguns minutos silenciosos, uma música de Mario começou a tocar no rádio e Emma, impulsivamente, aumentou o volume. Começou a cantar de uma forma propositalmente clara, insinuando para que eu prestasse atenção na letra.

Baby you're a star, I just want to show you, you are

You should let me love you

Let me be the one to

Give you everything you want and need

Baby, good love and protection

Make me your selection

Show you the way love's supposed to be

Baby, you should let me love you, love you, love you

Love you

Emma Swan podia ser linda, cheirosa, engraçada, inteligente... menos cantora. Deus, como ela era desafinada! Mas era a desafinada mais fofa e esforçada que já existiu. Cantou esses versos claramente para mim, e não soube como reagir. Apesar de fingir não ter dado a mínima para aquelas palavras, por dentro eu me sentia cheia. Satisfeita. Era como uma declaração de amor. Eu não queria pensar no quanto aquilo poderia ser um problema se aquela fosse realmente a intenção de Emma. Eu só me permiti ouvir. Olhei de lado e vi que ela encarava a janela, a cabeça apoiada nela. Aproveitei esse momento de distração e sorri.

Ao avistar a casa de Mary Margaret, buzinei. Logo apareceram minha amiga e meu filho. Não me incomodei em estacionar. Apenas parei de qualquer jeito na calçada e saí, seguida por Emma. A cara de Mary era realmente impagável.

– Regina? Emma?? Vocês... vocês se conhecem? – O jeito como arregalava os olhos lembrava como Emma também o fazia. Henry logo veio me abraçar forte, fazendo-me perder o ar. Bem, não seria a primeira vez que aquilo me ocorreria aquele dia.

– Sim! Regina me acompanhou em minha missão de recuperar aquela joça de transformador na igreja. – Ela me deu um soquinho no ombro, o que me fez sorrir sem graça.

– Verdade. Ela salvou nossas vidas! – Devolvi o soco e os dois à nossa frente assistiram àquela cena calados. – Emma me contou de onde e como vocês se conheceram. Que mundo pequeno! – Voltei minha atenção para Mary.

– Exatamente! Mas que bom que vocês se encontraram. Agora podemos sair em trio, noite das garotas! – Ela levantou a mão animadamente ao ar, esperando que batêssemos nela. Após nos olharmos divertidamente, eu e Emma seguimos o protocolo e batemos.

– Bom, querido, vamos? Acho que você já deu trabalho demais para a Mary, coitada! – Peguei a mão de meu filho, que sorriu para mim travessamente.

– Que nada! Esse é o garoto mais bem educado e comportado da face da Terra! Jogamos Monopoly até envesgarmos e comemos bolo até nossas barrigas começarem a doer. – Todos nós rimos e nos despedimos de minha amiga.

No caminho de volta, Henry foi nos dando mais detalhes sobre sua tarde e comentamos algumas coisas sobre a nossa. O clima era agradável e descontraído, mas por pouco tempo. Prestes a virar a esquina de minha rua, o que vejo não me agrada. Nem um pouco.

– Regina... aquele ali não é o Robin? – Emma sussurra numa voz quase inaudível. Certamente, não queria que Henry escutasse do banco de trás. – Ele está... quem é aquela mulher com ele?

– Não. Não pode ser. – Minha voz era também inaudível, porém cheia de desgosto e raiva.

Não importava o quão bom meu dia era, no fim, sempre haveria um matrimônio de oito anos para fazer todos os sorrisos se transformarem em lágrimas abafadas no travesseiro.

Notas finais
E AÍ?????? HEHUEUHHSDUDH O ROBIN, SOCORRO! OBS: esse final foi dica de onlyalittleswengirl. Vamos ver como isso vai acabar.........hahahaha Até o próximo :*