Lembranças
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Meu carro continuou parado no meio da rua. Dentro dele, um silêncio sepulcral se instalou e, aparentemente, por ali ficaria para sempre. Emma e eu observávamos a cena: meu marido conversava com uma mulher de pele morena e cabelos longos. Em sua cintura repousava a mão de Robin e ambos trocavam sorrisos e sussurros no ouvido. E eu? Eu não chorava. Eu não gritava. Eu não tinha a mínima vontade de sair do carro e estapear a cara dela, muito menos a dele. Eu só fiquei ali, observando, os lábios partidos e os olhos marejados. No fundo, bem lá no fundo, eu sabia. Olhei para Henry, esperando ver em seu rosto uma expressão parecida com a minha. Contudo, o que vi me deixou aliviada. Meu filho dormia angelicalmente, inabalável ao que acabei de ver.
– Regina! Aquele é o seu marido? – Emma perguntou novamente, afirmando mais que questionando. Embora ela nunca tenha conhecido Robin pessoalmente, provavelmente o viu em algum porta-retratos em minha casa.
– Sim. É ele. – Consegui dizer, interrompendo o silêncio.
– E aí? E agora? O que a gente faz? – Mesmo sem olhar para ela, sabia que seus olhos estavam arregalados.
– E agora a gente vai para casa, coloca o Henry em sua cama e segue a vida. Simples. – O inverno que fora embora de Nova Orleans se abrigava agora em minha voz. Dei partida no carro e segui o caminho.
– C-como assim? Regina! Para esse carro! Era o seu marido lá, merda! – Ela protestou, um pouco mais alto do que eu desejava. Logo que percebeu o quão alto sua voz saiu, ela olhou para trás rapidamente e confirmou a ausência de um Henry acordado e preocupado. Olhei para ela sem mesmo virar a cabeça, suspirei e tensionei o maxilar em sinal de irritação. Talvez Emma não me conhecesse tão bem assim.
– Emma, eu já disse. Vamos para casa.
Dirigi por mais uns dois minutos e estacionei em minha calçada. Nenhuma de nós falou nada. Henry se dirigiu até seu quarto cambaleando de sono. Assistimos à cena céticas, indiferentes. Sentei-me no sofá e me curvei, apoiando os cotovelos no joelhos e levando as mãos à cabeça. Apertei os olhos, numa vã tentativa de apagar o que vi e o que estava pensando naquele momento. Uma parte de mim pensava em voltar, enfiar dez dedos na cara daquele desgraçado e rasgar todas as suas roupas. Porém, a outra parte – e a mais influente e poderosa – decidiu apenas ir para casa, sentar no sofá e esperar meu digníssimo esposo chegar em casa, para que eu lhe servisse o jantar e seguisse carregando essas toneladas de fardo nas costas.
Emma não se sentou junto comigo. Ela ficou parada, apoiada na parede da sala, provavelmente me observando. Seus lábios estavam franzidos desde que eu dei a partida no carro, então, suponho que não tenha mudado.
– Emma? – Chamei, sem sair de minha posição.
– O quê? – Ela também permaneceu imóvel e hostil.
– Venha cá.
Após respirar fundo, ela caminhou lentamente até o sofá e sentou-se bem perto de mim.
– Regina...
– Eu sei. Eu devia ter ido lá. Eu devia ter espancado os dois, feito a maior cena no meio da rua. Eu sei. – Eu ainda não havia saído de dentro das minhas mãos.
– Não, Regina. Você não tinha que fazer nada disso. Você fez o certo. Foi melhor você ter vindo para casa se acalmar e pedir satisfações apenas quando ele chegar. – Senti sua mão em meus cabelos e abri os olhos. Pensei se falaria a verdade para ela. Se contaria que, na verdade, eu não faria nada daquilo. Que eu não podia fazer. Após a pausa, me restringi a dizer:
– É.
Emma suspirou. Parecia um pouco mais aliviada, e a expressão aborrecida em seu rosto desaparecera.
– Vamos pensar em outras coisas. Quero que você se divirta essa noite. Que horas ele costuma voltar do “happy hour”?
– Depois da meia noite. – Murmurei e senti um calafrio quando ela deslizou mais para perto de mim no assento, invadindo meu espaço pessoal.
– Perfeito. São oito horas. Temos quatro horas para fazermos o que você quiser! – Seu braço envolveu meu pescoço e repousou sobre meu ombro. Minha pele estava eletrizada com o contato, mas eu não sabia explicar o porquê. E isso nem importava tanto, porque parecia tão certo e era tão bom. Compartilhamos um sorriso cúmplice.
– Primeiro eu quero cozinhar. – Comecei a listar, animadamente.
– Certo.
– Depois eu quero comer.
– Justo.
– E aí eu quero dançar.
– Mas vai acordar o Henry.
– Tem razão. Então eu quero... eu quero assistir a um filme! De comédia.
– Ok.
– E depois eu quero cantar.
– Mas vai acordar o Henry.
– Ah, é. – Revirei os olhos rapidamente, fingindo estar irritada com meu filho dorminhoco. Emma riu e deu a largada, também ansiosa pela noite que nos aguardava.
– Bom... então vamos lá! Primeira parada: cozinha! – Emma anunciou como se fosse o maquinista de um trem.
Levantamo-nos sincronicamente e nos dirigimos à cozinha.
– O que a mestre cuca aí tem em mente para hoje? – Ela questionou, sentando-se num dos bancos do balcão e tamborilando os dedos na superfície.
– Eu estava pensando em fazer lasanha. – Seus olhos brilharam com a ideia. – Mas é previsível e pesado demais para comer a essa hora. Então pensei em algo picante. – Agora eram faíscas no lugar de suas íris.
– Huuumm, picante? – Bem, o que ficou bem apimentado naquela hora foi o meu rosto com esse comentário ambíguo.
– Sim, com bastante pimenta. Você se importa? – Tentei não deixar transparecer que fiquei desconcertada com tal resposta, e acho que funcionou.
– Nem um pouquinho. – E lá estava o primeiro sorriso malicioso de Emma Swan, que não fez nem um esforçozinho para disfarçá-lo.
– Ótimo. – Limpei a garganta. – Prepare-separa comer o melhor burrito da sua vida! – Fiz questão de carregar o espanhol ao pronunciar a iguaria.
– BURRITO?!? – Seus olhos pareciam saltar das órbitas como quando uma criança vê o Papai Noel no shopping. – Tá brincando, né? Meu Deus, como eu amo burrito!
– Que bom, então! — Sorri genuína e orgulhosamente. Eu faria Emma implorar por mais... burritos, é claro.
Enquanto eu preparava a refeição rapidamente, Emma tentava me distrair para que, dentro de minha cabeça, não houvesse espaço para pensar em meu marido. Conversava sobre música e arte. Descobri que sua cantora favorita era Whitney Houston e sua pintora favorita era a mexicana Frida Kahlo. Nem nos preocupamos em arrumar a mesa; comemos ali nos bancos do balcão mesmo.
– U A U, Regina! Que coisa mais gostosa! – Emma exclamou com a boca cheia. – Apimentado como as obras de Frida, e apaixonante como as músicas de Whitney! Você é demais.
Sorri envergonhada. A poeticidade de Emma se construía nas pequenas coisas. Todos os seus trejeitos eram poéticos, e toda a sua fala, todo o seu respirar. Absolutamente tudo sobre ela dava poesia.
– Obrigada, querida. Farei mais vezes, prometo!
– Mas é claro que você vai fazer. Aliás, eu vou abrir um restaurante chamado ‘Os Melhores Burritos Do Mundo Por Regina Mills’. O que acha? – Ela tentou imitar meu sotaque espanhol. Como sempre, a mais fofa do mundo.
– Eu acho ótimo! Quando eu começo? – Resolvi entrar na brincadeira, falando num tom falsamente profissional.
– Infelizmente, só quando nos virmos novamente. Porque, se eu comer outro desse, não sei se vou conseguir parar. – Ela respondeu com uma expressão séria, o que me fez rir. Bati em seu braço com o pano de prato e lhe dei língua. – Ok, ok. Qual é a próxima parada mesmo?
– Filme!
– Isso, filme. Próxima parada... sofá! – Emma marchou até o sofá e se afundou nele, pegando uma almofada e pondo-a em seu colo. – E aí, Regi, qual vai ser?
– Regi? – Ao alcança-la na sala, virei-me para ela e ergui uma sobrancelha.
– Sim, seu apelido.
– Ah... claro... adoro apelidos. – Revirei os olhos num gesto de irritação.
– Mas o meu você vai adorar. – Ela me ofereceu um sorriso apertado e arregalou os olhos, como uma criança tentando impressionar a mãe.
– Veremos. – Sentei-me ao seu lado, numa distância confortável.
– Por falar em veremos... qual vai ser o filme, Regininha?
– Regininha?! – Falei em meio às minhas risadas. – Ai, ai, Emma, você se supera sempre. – Dei um tapinha em sua perna e me levantei.
– Eu sei! Mas isso é bom, eu acho. Você nunca vai deixar de se surpreender com algo que eu faça. Não é?
– É... acho que sim. – Murmurei enquanto procurava por um DVD que amava. Meu filme preferido de todos os tempos. – Aqui está. Titanic.
– Você está brincando, né?
– O que foi? Brega demais?
– O quê?! Titanic é o melhor filme da História! – As esmeraldas estavam dilatadas como ferro exposto ao calor. Eu ri de sua excitação.
– Tenho que concordar. – Assenti, colocando o filme no aparelho e dando play. Caminhei até o sofá e, inconscientemente, deslizei para o colo de Emma, repousando minha cabeça na almofada em suas pernas.
– Uh...Regina? – Sua voz era calma e baixa. Talvez estivesse super-hiper-ultra-mega-power desconfortável com meu ultraje, mas eu não saberia responder.
– Sim? – Tentei soar natural, como se nada tivesse acontecido. Após um silêncio, ela suspirou e respondeu:
– Só... não durma, ok? O final é a melhor parte. – É, ela não havia ficado desconfortável. Ou, se ficou, não deixou transparecer nem um pouco. Mais uma coisa para amar em Emma Swan.
– Ok. Não dormirei. – E sorri largamente, sabendo que a mulher embaixo de mim era alheia a tudo o que eu estava sentindo naquele momento.
Mais de três horas se passaram e a tela transmitia as cenas finais. Jack e Rose ali, no mar, congelando. Morrendo. Jack morre por ela, para que ela possa viver. Tão inconsciente quanto eu me deitar em seu colo, Emma repousou a mão em meus cabelos enquanto as águas derradeiras puxavam Jack. Rose nunca mais sentiria seu toque e Emma estava em busca do meu. Rose não queria perder Jack, e Emma queria ter certeza de que eu estaria ali, pelo menos até o filme acabar. Fechei meus olhos e deixei aquela sensação me levar, como ondas do mar gelado. Eu afundava no carinho que a ponta dos seus dedos fazia em minha cabeça. Era o melhor cafuné do mundo, e eu não queria que acabasse nunca.
– Regina?
– Hm?
– Acabou. O filme acabou. – Sua voz era calmaria.
– Ah. Sim, claro. – Retornei à minha posição sentada e dei um sorriso endurecido, um pouco sem graça.
– Você dormiu, não é? – Não, Emma, eu não dormi. Eu só estava flutuando alto demais com esses seus carinhos e esse seu jeito apaixonante de ser, e não percebi que os créditos já estavam rolando. Foi o que eu pensei. Era o que eu queria responder.
– Não, eu só... eu estava digerindo a morte de Jack. Já assisti a esse filme tantas vezes e, até hoje, me deixa abalada. – Cambaleei um pouco para falar, já que estava nervosa.
– Ah... entendi. É bem triste mesmo. Mas, ainda assim, é tão fascinante e belo. A morte dele foi épica. – Começamos um debate.
– Sim! A história deles é épica. Um amor proibido. Apesar de parecer clichê, é o tipo de história que mais me prende e me toca.
– Exatamente. Duas pessoas de mundos diferentes, realidades diferentes, que não poderiam ficar juntas em hipótese alguma, mas que acabam se apaixonando e mostrando um ao outro o mundo ao qual pertencem. É lindo. – Minhas bochechas coraram um pouco porque aquela história era familiar demais. Porém, rapidamente apaguei esses pensamentos e sorri para Emma:
– É lindo.
Ficamos assim, nos olhando e sorrindo, por mais alguns segundos. Nenhuma palavra a mais foi dita. Não precisava.
Emma interrompeu o momento com um suspiro e nossos olhares se afastaram.
– Bom, acho que já vou indo. – Ela checou o relógio em seu pulso rapidamente e voltou a olhar para mim. – Já são mais de meia noite, Robin pode chegar a qualquer momento e não quero estar aqui quando isso acontecer. Vocês precisam de privacidade para conversar. – Com um encolher de ombros, ela foi caminhando lentamente até a porta e eu, sem a mínima vontade, segui-a.
– Tudo bem. Mande-me uma mensagem assim que chegar em casa, ok?
– Ok, mamãe.
Dei a língua para ela e rimos por um instante.
– Sério. Já está tarde. Não esquece.
– Ok, patroa.
– Quer parar? – Empurrei seu ombro de leve, repreendendo-a.
– Hm, acho que não. – Emma levou os dedos ao queixo, pensativa.
– Anda logo. Vai. Antes que eu te puxe de volta. – Com a energia do momento, eu não pude parar as palavras que já estavam eclodindo em minha garganta e não pude evitar que elas saíssem. Merda.
– Oi? – Ela olhou nervosamente para todos os ângulos à sua volta, buscando entender o que eu havia dito.
– Oi, tudo bem? – Respondi imediatamente.
– Regina? Está tudo bem? – Ela arqueou uma das sobrancelhas e deu um passo à frente.
– Ahn, claro, sim. Claro! Então, boa noite, Emma. Muito obrigada pelo dia de hoje. Todos os segundos valeram à pena. De verdade, muito obrigada.
– Ah, que nada, Regi. Estou aqui para o que você precisar. – Ela pegou minha mão com uma das suas e a cobriu com a outra, e logo a levou à boca. Seus lábios a tocaram como no dia em que nos conhecemos na igreja, só que, dessa vez, havia algo a mais naquele toque. Havia o desespero de ter que ir embora, o medo de ter que me deixar sozinha com meu marido, a tentativa de me proteger de todo o mal que o deus daquelas pessoas poderia me trazer. Eu senti tudo isso enquanto ela beijava minha mão. Há muito tempo deixei de me repreender e me amaldiçoar por deixá-la me tratar desse jeito porque, no fim das contas, Emma era minha amiga. – Até mais, Regina. Fique bem. – E o ato final de seu espetáculo foi um sorriso ainda mais espetacular, acompanhado pelos holofotes que eram aqueles olhos verdes que não se desgrudavam dos meus. Emma Swan era um show completo.
– Até mais, Emma.
E então ela se virou, caminhou até seu carro e eu o vi desaparecer na neblina da noite. Ela voltará qualquer hora. Esse pensamento me fez sorrir. Fechei a porta delicadamente e recostei minhas costas nela, soltando um longo suspiro e deixando os ombros caírem.
– Regina Mills, onde é que você está se metendo? – Sussurrei para mim mesma antes de sorrir. Naquele meu sorriso estava a minha rendição. Emma me fazia sentir coisas proibidas, mas, ao mesmo tempo, as coisas mais certas. Em seu abraço eu encontrava a paz que eu achava pertencer somente a Deus e em seu olhar eu acho meu refúgio, minha fuga. Na verdade, Emma Swan me permitia ser quem eu era, quem eu quis ser durante oito anos e não fui. Eu me subjulguei a uma vida repleta de regras criadas por não sei quem, baseada num livro cheio de modificações, escrito por homens comuns, pecadores. Durante pelo menos oito anos eu não me permiti gargalhar ao lado de alguém que não fosse meu filho, não me permiti assistir a um filme que amo e depois falar sobre ele, não me permiti ter uma amizade tão forte em tão pouco tempo. Maluquice? Pode ser. Mas existe algo em Emma Swan que não me parece errado e eu estou pronta para pular de cabeça em tudo o que ela é.
Por causa desse pequeno devaneio, acabei cochilando no sofá e dei um pulo quando ouvi a porta bater. Rapidamente me situei e assumi que era meu digníssimo marido chegando de sua noite não mais divertida do que a minha.
– Regina? Por que você está acordada? – Seu tom era sereno. E isso não era nada bom. Robin estava bêbado e eu não sabia se teria condições de conversar sobre qualquer coisa.
– Ahn, eu estava cochilando aqui no sofá, mas acordei quando ouvi a porta.
– Ah, tá... bem, eu vou dormir. – Ele andou até a escada mas eu segurei seu ombro antes que pisasse no primeiro degrau.
– Robin?
– Sim, amor?
– Você... – Suspirei e fechei os olhos. – Você se divertiu com seus amigos? – Lancei-lhe um sorriso triste e decepcionado. Mas a decepção era comigo mesma. Por que eu não conseguia enfrentar esse homem à minha frente?
– Sim, querida. Você sabia que a Kathryn se separou? Misericórdia, agora é que ela vai ficar endemoniada mesmo. Vai ficar sem as trepadas do David. – Ele quase não conseguia falar de tanto rir.
– Robin! – Meus olhos se arregalaram e meus lábios se partiram em descrença.
– O que foi? A mulher já era um pé no saco antes, uma péssima chefe, imagina agora! Aliás, eu não sei como colocaram ela de chefe. Sabe, Regina, eu acho que, para uma posição como essa, a demanda deveria ser por uma figura que impusesse mais autoridade, mais pulso...- Suas palavras bêbadas carregavam um hálito tão embriagado que estava me dando náusea.
– Deveria ser um homem, então? É isso que você está insinuando?
– Bem, nada contra mulheres trabalhando, mas ser chefe e mandar em mim já é abuso! Você não acha, meu amor? – Suas mãos estavam alcançando minha cintura e sua boca se aproximava do meu pescoço quando meu celular tocou avisando que eu tinha uma nova mensagem. No mesmo instante me afastei e peguei meu celular na mesinha de centro.
Olá, mamãe. Já estou em casa, sã e salva. Obrigada por hoje.
E.S.
– Henry estava na rua? – Levei um susto com a presença de Robin, que lia a mensagem com a cabeça sobre meu ombro.
– Hã?
– Bem, acho que para te chamar de mamãe, só pode ser o Henry, não é? Ou você tem algum outro filho e não me contou? – Ele riu sozinho e já foi largando seus sapatos, meias e calça no chão, ficando apenas de camisa e samba-canção. – Olha, Regina, eu vou dormir aqui no sofá hoje para não te atrapalhar. – Ele falou depois que sua risada idiota morreu em sua garganta idiota. Pelo menos ele tinha consciência de que estava bêbado e nem ousava deitar-se ao meu lado.
– Ainda bem que você sabe. Boa noite, meu amor. – Eu quase cuspi as últimas palavras em sua cara bêbada.
Subi as escadas e murmurei um “babaca” quando já estava longe o suficiente para que ele não pudesse me ouvir. Joguei-me na cama com a roupa que estava mesmo. Os discursos machistas e conservadores de Robin me cansavam mais do que correr uma maratona. Fechei os olhos por um instante e levei a mão à testa. Recapitulei tudo o que acontecera no dia que dava adeus. Lembrei do meu pequeno incidente com a maçã e de como Emma se preocupou quando me viu. Lembrei das nossas conversas e do nosso jantar super refinado. Lembrei do amor de Jack e Rose e de como tudo aquilo me parecia real. Lembrei de como Emma Swan estava, aos poucos, fazendo de mim uma mulher forte e dona de mim. Enfim, lembrei que aquela mulher loira estava em todas as partes do meu dia e de meus pensamentos. Abri os olhos instantaneamente e me levantei à procura do meu celular: Emma mandou uma mensagem e eu simplesmente a ignorei! Achei-o no bolso do short e reli suas palavras. Um sorriso brotou em meus lábios. Saber que ela estava segura era o suficiente.
Olá, desculpe a demora. Robin chegou e fez um show. Mas já está tudo bem.
Que bom que está bem, Emma. Boa noite.
R.M.
Surpreendentemente, segundos depois veio a resposta.
Imaginei que vocês pudessem estar no meio de uma conversa. Boa noite, Regi. Não esqueça que você é demais.
Sem tirar o sorriso do rosto, beijei a tela do celular como uma adolescente e fechei os olhos, esperando encontrar, em meus sonhos, aquele anjo imaculado.
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