Leis De Um Sacrifício
13 — Cap. 12.
Klaus estava no segundo prato e nada de Caroline voltar. Talvez ela tivesse voltado para o Hotel e se trancado no quarto como a adolescente mimada e chorona que era. Ou quem sabe até, tivesse voltado para Mystic Falls. A última hipótese fez a comida travar na garganta. E se ela o tivesse realmente deixado? Voltado para seus entes queridos de quem ela alegava sentir tanta falta.
A ideia de Caroline regressar para Mystic Falls fez Klaus ferver, ela o esqueceria, tão logo que estivesse em casa, novamente sob os afagos de Tyler, o único a quem ela verdadeiramente amou. Aquele que ela protegia tão bravamente. A taça de cristal se partiu em pedaços sob os dedos do híbrido, raiva fora de controle.
O filete de sangue escorreu por sobre o tecido creme que cobria a mesa. Sangue tão precioso desperdiçado em nome de um amor de verão. Os pensamentos de Klaus alternavam-se entre raiva e temor. Se ela o tivesse deixado, iria buscá-la e a faria sua, nem que fosse por meio de compulsão.
A ideia de possuir Caroline sob compulsão, soou monstruosamente terrível a seu ver. Mas desde quando ele se importava? As respostas fluíram tão aptas quanto às indagações. Desde que aquela mulher linda, extrovertida, vaidosa e cheia de atitude o havia desafiado. Desafiado sua inteligência com joguinhos um tanto quanto infantis, pelos quais Klaus deixava-se envolver só pra ver até onde ela chegaria.
“Você deixou que ela fosse longe demais, permitiu que ela visse sua alma, visse seu coração.” — a voz amarga praticamente gritava aos ouvidos do Original.
Estava apaixonado e o pior de tudo, ele permitira que isso acontecesse. A deixara entrar em sua mente, roubar seus sentidos e lhe causar feridas incuráveis. Ele a amava, sim, amava, mas não podia, não devia.
“O amor não foi feito para os monstros, Niklaus... e você é um monstro.” Lhe dissera, outrora, uma sábia bruxa.
Jamais amaria, nem nunca se deixaria ferir, não seria mortal novamente. Nem que fosse preciso matar seu tão adorável algoz.
Acenando para que um maitre viesse até a mesa, Klaus pediu para que a recepcionista viesse até ele, o que foi prontamente atendido. Não fora questão de minutos até que a jovem de trajes e postura impecáveis se apresentar ao híbrido.
— Senhor Mikaelson, em que posso ajuda-lo? – indagou a jovem com jeito cortês e um sotaque arrastado, ao aproximar-se da mesa, o susto ao perceber o que se passava foi inevitável. – Oh meu Deus! O senhor está bem? Se machucou?
Se Klaus não estivesse tão indiferente à mulher ao seu lado, teria notado as veias escuras que se formavam sob os olhos claros da mesma.
— Tive um pequeno incidente, nada muito grave. – As palavras cheias de força, de rancor, lembrando assim o rosnado de uma fera ferida, mas nem por isso menos nociva. E talvez fosse, talvez, só talvez, Klaus estivesse agonizando por dentro. E em algum canto daquela alma perturbada, algo estivesse sendo sufocado, como um instinto é reprimido, todavia, Klaus era forte e inteligente, sabia o que era bom para sua vida e amor não estava incluso na lista. Não se entregaria tão facilmente. Não para algo que, ao longo dos anos, assistira devastar pessoas, trazer reis e reinados abaixo. Por algo tão tolo. Tal como o amor.
— O senhor precisa de algo para seu ferimento, um kit de primeiros socorros? – insistiu a jovem, com falsa preocupação, que não passava de um ato falho por parte da mesma.
Os olhos de Klaus faiscaram em ódio e em um gesto de velocidade inumana agarrou o pescoço da garota, prensando-a contra a parede mais próxima.
— Sua vadia hipócrita! Você sabe que eu não preciso de nada disso. Você sabe quem eu sou! – Havia fúria, o instinto assassino tomando conta de seu ser. –Onde ela está? Diga onde ela está ou eu arranco sua cabeça!
As palavras sincronizadas com o bater violento da cabeça da garota contra a parede. Se fosse humana, seu crânio já teria se partido.
— Eu... Eu não sei... – gaguejou ela, sua voz saindo em um fio fraco, sufocada pela pressão dos dedos sobre sua traqueia. – Eu... Não sei de quem está falando...
Todos os presentes assistiam, atônitos, aquela cena. Klaus era conhecido em qualquer lugar, assim como sua fama. Ninguém em sã consciência ousaria enfrentá-lo.
O ar estava denso, quase palpável. Todos estáticos em seus lugares, ninguém movia um dedo para ajudar a pobre moça.
— Não sabe?! – Gritou ele. Logo, houve mais uma pancada e dessa vez podia-se ouvir o estridente som de ossos rompendo. Uma fratura intracraniana mataria um humano, mas no caso da jovem vampira só a deixou atordoada. – Como não sabe? Eu a ouvi conversar com você. Onde ela está?
Um baque alto e mais um barulho de fratura, Klaus estava partindo os ossos da mulher, um por um.
— Eu vou quebrar todos os ossos do seu corpo, se não me disser onde ela está... – Klaus gritou contra o rosto da garota. Com a mão espalmada colocado abaixo do seio esquerdo da mesma, o Híbrido fez um movimento de pressão giratório, todos os sobrenaturais ali puderam ouvir o trincar das fibras e o romper de três costelas. Uma delas perfurando ao pulmão. O sangue brotou dos lábios empalidecidos pela dor. – Você quer que a dor passe? Quer? Eu sei como fazer parar, sei exatamente que botãozinho apertar para que toda a dor vá embora. Como mágica. Puff! Passou. È só você me dizer onde ela está. Se não... – o mesmo movimento e mais alguns ossos partidos, mais quatro costelas, agora do lado direito. A voz do híbrido alternava-se entre silvos frios e cruéis e gritos ásperos e aterrorizantes.
— Eu... Não... Sei...
O corpo da garota foi jogado contra o piso polido, a voz agora livre pra gritar toda sua dor, mas não conseguia, algo a estava rasgando por dentro. Só pôde se encolher e chorar em silêncio.
— Ouçam bem todos vocês, eu direi apenas uma vez – Klaus estava no meio do salão como um aristocrata que faz seu discurso de arrogância e vaidade. – A garota que estava comigo. Quem aqui, nesse recinto, a viu?
Os olhos estavam vívidos em um profundo dourado, suas presas expostas. Klaus estava transtornado, andava de um lado para o outro, mãos atrás de suas costas. Tão atento a todo o movimento — que era mínimo possível. Ele parecia um louco, tanta fúria e sede de sangue.
— Eu já mencionei que se eu não tiver uma, por menor que seja, pista do que aconteceu com ela eu vou matar todos vocês? – parando, olhou ao redor, uma sobrancelha erguida em desafio. Ninguém moveu um músculo sequer. – Não? Bem, agora vocês sabem.
Um estado de pânico instalou-se sobre os presentes, a seguir, as mulheres agarrando-se aos seus companheiros. Klaus tinha um olhar psicótico, alucinado. Mataria a todos mesmo que trouxessem Caroline até ele. Tinha que matar para se sentir dono de si mesmo novamente.
— Vamos lá, amor. Levante-se e me diga por que quando eu adentrei este local o único cheiro que eu senti em você foi lavanda e agora você fede a verbena? – levantou a recepcionista pela raiz dos longos cabelos loiros. A garota se contorceu, à medida em que ele puxava seu cabelo.
— Eu não usei verbena... Porque eu faria isso? – a voz ofegante, ainda sufocada pelas perfurações nos pulmões e temor.
— Não, querida... Você não usou, mas alguém te compeliu a usar – O rosto da garota foi colocado sob os olhares das outras pessoas presentes. Seu corpo tremia quase violentamente. – Ela é linda? – um sorriso doentio dançando nos lábios avermelhados do híbrido. – Uma vampira recém-criada, ainda frágil e inocente, extremamente fácil de ser compelida.
O monólogo teatral de Klaus, teria sido cômico se não fosse repulsivo.
— Então, senhoras e senhores, vocês perguntam, aí do fundo, porque ela não pode ter sido compelida por nenhum de vocês? E eu respondo: porque só uma raça de vampiros pode fazer isso. Originais, como eu. Então vamos fazer do jeito fácil? Ou do difícil? – indagou, arqueando uma sobrancelha e então arremessando o corpo da garota no chão. Em um espaço de segundos, ele se aproximou de um dos casais, olhando no fundo dos olhos do homem, ordenhou. – Eu quero que você se alimente dela – continuou, acariciando o queixo da mulher a sua frente. – E não pare até que ela esteja completamente seca. E que comece o show!
Bradou, como um mestre de cerimônia que anuncia um show de circo. E talvez fosse. Um circo macabro e grotesco, onde apenas um, se divertia. O vampiro mantinha uma expressão de pavor, mas sem escolha, fez o que lhe fora ordenado. Aproximou-se da jovem, apavorada. Colocou os cabelos para um lado, deixando à mostra suas presas e olhos vermelhos, e tão logo, começou a sugar a jugular da companheira que começou a se debater em agonia. Em vão.
Arrastando a jovem recepcionista pelo braço, Klaus dirigiu-se a um jovem de olhar assustado, que acabara de chegar, e, olhando no fundo dos seus olhos, ordenou.
—Mate-os. Todos eles. Ponha fogo nesse lugar com todos eles dentro e aqueles que tentarem fugir, arranque a cabeça – a ordem fora clara e o jovem híbrido apenas balançou a cabeça em afirmação.
— E quanto a você – virou-se para a jovem recepcionista que tremia, amedrontada demais. Os olhos azuis acinzentados do Híbrido cravados, sem nenhuma emoção sobre a moça, mas embora seus olhos fossem nublados, a jovem soube que muito provavelmente não sairia viva daquilo. – Você vai me dizer qual dos meus malditos irmãos levou minha esposa, ou vou ter que começar nossa brincadeirinha novamente?
— Eu não sei... – chorou ela.
—Tudo bem, receio que teremos uma longa noite pela frente, curar compulsão não é uma tarefa fácil, inclui muita dor e muitos, muitos ossos quebrados, será extremamente cansativo. Mas eu acho que depois de mil anos de vida ainda me resta alguma disposição. – afirmou Klaus com um olhar sádico, jogando a garota no bando traseiro da BMW e se direcionando para outro lado. – Elmer street, 301. Tenho favores a cobrar.
Klaus se acomodou ao lado da jovem, e segurando seu queixo com força, questionou.
— Qual seu nome mesmo, amor?
— Jolene, Jolene Robspierre... – gaguejou miseravelmente.
— Muito bem Jolene, vamos dar um pequeno passeio, vou lhe mostrar Paris por um ângulo que você ainda não conhece. – sorriu.
Jolene arquejou com dificuldade, o pavor expressado nos olhos esverdeados. O som de quebrar que a fazia querer a morte, foi se formando, lentamente, de um leve ruído a um forte estalar, como madeira úmida se partindo. Sentiu os ligamentos de seu maxilar rompendo-se, ao ser jogada com tamanha violência contra o acento do carro, pôde-se reparar o rosto desfigurado pela fratura.
— Eu irei limpá-la da verbena, mas será uma experiência pouco agradável. Para você. – O estalar da língua, o sotaque perfeito fez com que as palavras soassem ainda mais aterrorizantes. Jolene, pela primeira vez em sua nova vida, nunca pedira tanto pela morte quanto naquele momento.
[...]
A iluminação do local era precária, a luz entrava apenas dois vitrais no alto da parede principal, o que dificultava a percepção das extensões do local.
O corpo esguio se movimentou sobre a cadeira, no meio de tanto breu seria necessária muita atenção para enxergar. Era uma jovem amarrada, por cordas rústicas e desfiadas, aparentemente frágil, os pés também estavam presos com as mesmas cordas. O vestido preto tinha um rasgo no lado direito, mas a pele da mulher estava intacta, com exceção dos locais das amarras que pareciam queimados a brasa, não estava ferida.
Caroline tentou mover os braços e sentiu os fios de verbena lhe queimar a carne. Tentou mais algumas vezes, falhando miseravelmente. Os olhos buscaram por algo que lhe fosse familiar. Nada.
Tudo não parecia passar de um galpão, que outrora servira de depósito de um bufê ou casa de festas. Mesas, cadeiras e diversas caixas amontoadas por toda a extensão do local. Objetos de decoração danificados como vários vidros e utensílios de cozinha, pratos quebrados e alguns ainda intactos, taças e copos. Um globo espelhado, ainda encoberto por papel bolha. Tudo desprezado em um canto qualquer. Tudo coberto com uma espessa camada de poeira e teias de aranhas.
E apenas o que podia sentir, ali, era um vazio na mente e outro na alma. Tentou gritar e só então percebeu que estava amordaçado, o pedaço de tecido preso entre os dentes sufocava sua respiração, fazendo os gritos soarem apenas como rosnados guturais.
Em uma sala lateral, que antes funcionava como administração do galpão, Tyler andava de um lado a outro sendo acompanhado pelos olhar atento da vampira a sua frente.
— Pare com essa procissão, está me deixando enjoada – a voz soou. Rebekah tinha um tom irritado na voz, vestida em um conjunto simples de jeans e bata, tinha o corpo recostado em uma mesa puída por cupins. – Você não tinha um lugarzinho menos imundo? Ou quem sabe pelo menos sem risco de desabar sobre nossas cabeças?
Rebekah passou os dedos delicados sobre o tampo da mesa e mostrando a quantidade de sujeira sobre o indicador, havia ironia na voz da original. Tyler parou sua caminhada e virando-se para Rebekah, com um olhar misto entre cansaço e irritação, apenas deu de ombros.
— Foi o lugar mais discreto que encontrei em tão pouco tempo – Os grunhidos de Caroline se tornaram mais audíveis no interior da sala. Os olhos impassíveis de Rebekah miraram à jovem vampira.
— A verbena da mordaça acabou, vá e ponha mais! – A voz da loira saiu autoritária, mas o olhar direcionado ao híbrido foi de divertimento.
— Eu não posso fazer isso, ela está acordada, vai sentir dor... – Tyler parecia atormentado pela ideia de amordaçar Caroline com verbena, mas tinha algo mais que medo, era culpa. Culpa por esta permitindo que isso acontecesse, seria tão mais simples se ele aceitasse a verdade que estava bem ali, na sua cara. Mas aceitar a verdade era difícil demais. Porque aceitar que tudo que ela diz é verdade, significa perdê-la pra sempre e Tyler não aceitava isso, ela era tudo o que lhe restava.
Klaus havia lhe tirado a paz, a liberdade, ele havia matado sua mãe e machucado seus amigos. Tyler já havia perdido muita coisa por causa de Klaus, não perderia mais nada.
— Faça ela calar a maldita boca ou eu mesma o farei! – Tyler estava de costas para Rebekah, seu coração estava apertado, não podia fazer isso com a única pessoa que lhe restava. Mas de repente como num relâmpago, as imagens de Caroline sob o corpo de Klaus, gemendo para ele, aquele que havia matado sua mãe, aquelas mãos que tocavam o corpo dela com tanto desejo, que mataram sua mãe da maneira mais cruel possível, lhe negando ar. Buscando forças no seu ódio, ciúme e rancor. Tyler saiu levando consigo um frasco de verbena.
O som de passos fez Caroline despertar da sua dor.
— Tyler... É você? – O híbrido deu a volta na cadeira onde a loira estava presa, não era nada resistente, mas a verbena a enfraquecia, o suficiente para não tirá-la de lá tão cedo.
— Hey, Car... Shh, não se esforce... – Um bipolar obsessivo, isso poderia definir Tyler, que há pouco seu olhar que tinha sido de puro ódio, tornou-se terno e piedoso. – Eu vou tirar isso de você, tudo bem?
Caroline balançou quase que freneticamente a cabeça. As mãos de Tyler se colocaram na nuca da vampira, desfazendo o nó que prendia a mordaça de sua boca. Tossindo, a loira sentiu as queimaduras em seus lábios se cicatrizarem instantaneamente. Mas tinha consciência que não seria assim por muito tempo. Quanto mais tempo passasse ali, mas retardaria sua cura instantânea.
— Porque você está fazendo isso, Tyler? – a voz da jovem estava rouca e falhada, beirando ao choro.
— Você foi compelida, Car. Ele abusou de você, está te manipulando, eu tinha que fazer algo para ajudar você – disse ele. Em momento algum olhou nos olhos de Caroline, ela tinha que confiar nele, mas acima de tudo ele tinha que confiar em si mesmo.
—Você sabe que é mentira, sabe que eu nunca fui compelida, eu só não entendo porque você não assume pra si mesmo que não está me salvando, está me punido – as palavras atravessaram o ar como um trovão, que quando chega, abala as bases da sanidade humana, e quando parte, é seguida por um silencio fúnebre.
— É melhor você parar de falar, ela pode ouvi-la. – um sussurro escapou dos lábios dele, que colocando uma luva de proteção, embebeu a mordaça em verbena.
— Ela quem? Quem está com você, quem o está ajudando nessa insanidade? – exigiu Caroline.
— Eu não posso dizer agora, mas logo tudo voltara ao normal, Car. Eu prometo. Mas agora eu preciso que você fique quietinha, é pro seu próprio bem – a mordaça foi levada aos lábios recém curados da garota, que tentou se debater, mas estava imobilizada. Sentiu a mão comprimir sua nuca com uma força desnecessária, os gritos abafados, as mãos comprimindo-se em agonia. Ele a estava calando, tinha que fazê-la ficar quieta.
— Cala a boca! – O híbrido gritou contra o rosto de Caroline, fazendo-a se encolher devido ao susto. Quando Tyler percebeu o que estava fazendo afastou-se da garota num ímpeto. – Me desculpe Car. Eu sinto muito... Por favor... Me perdoe.
Loucura. Não havia mais nada em Tyler além de loucura e rancor. Caroline viu o corpo do homem que um dia amou se afastar e desaparecer nas sombras, mas ainda pôde ouvir ao longe, os constantes pedidos de perdão.
[...]
Depois de alguns minutos dentro do carro, tentando arrancar a verdade de Jolene, Klaus chegara à um bairro no subúrbio parisiense, antes passara no hotel e pegara algumas coisas pessoais de Caroline. A casa era pequena e aconchegante, com um jardim muito bem cuidado, sem flores, por ainda estarem no outono. O Híbrido passou a pequena cerca de madeira pintada de branco, e chegando a varanda, bateu na porta.
— Louise? – o sotaque acentuado dava ao Original um ar extremamente sedutor e ao mesmo tempo assassino. Uma luz iluminou a varanda, uma senhora de cabelos grisalhos, olhou pela persiana da janela ao lado. Sorrindo ao ver quem era. Bruxas que apreciassem vampiros eram raras, mas bruxas que apreciavam Klaus? Era impossível de se acreditar.
A porta se abriu e a senhora de sorriso fácil atirou-se nos braços do loiro, dando-lhe um longo e apertado abraço.
— Meu menino Niklaus, quanto tempo. Pensei que tivesse se esquecido dessa velha bruxa – Louise o fitou com uma admiração que o fez lembrar-se de Caroline.
— Sinto não ter vindo antes, tive alguns imprevistos – a senhora dirigiu um olhar ao carro estacionado na calçada.
— Oh, não! Poupe-me dos detalhes sórdidos de sua vida mundana. – a senhora não precisou convidar Klaus a entrar, apenas o conduziu para dentro, fechando a porta em seguida.
— Diga-me, meu querido. O que deseja? Sabe que minha dívida para contigo é eterna. – Louise direcionou Klaus até a sala e indo até a cozinha retirou duas xícaras e uma garrafa de Bourbon de dentro do armário. – Chá, Mi lorde?
Louise direcionou a ele um olhar divertido fazendo uma pequena reverência com a cabeça.
— Sim, aceito – e pela primeira vez desde o restaurante, Klaus parecia mais tranquilo, ou, quem sabe apenas menos louco.
— Então me diga o que deseja, se estiver ao meu alcance – Louise entregou a xícara à ele, que agradeceu com um gesto de cabeça e logo deu um primeiro gole.
— O que eu venho lhe pedir é simples. Um feitiço de localização. Preciso que encontre essa moça para mim. – Klaus entregou a foto de Caroline para a bruxa, que fitou o retrato com olhar analisador.
— Quem é a moça? E o que ela fez de errado? – a velha bruxa procurou rancor nos olhos do híbrido, mas tudo que viu fora medo e confusão. Ele estava ferido, estava amando. “Pobre menino Niklaus, não seguira seu conselho.”— Muito bem, sabes que apenas a fotografia não é suficiente, preciso de algo que seja verdadeiramente dela. Algo íntimo.
A velha bruxa poderia ter dito algo sobre o estado em que Klaus se encontrava, mas como ela já havia lhe dito uma vez, ele era uma fera selvagem e agora estava ferido, e as feras tendem a atacar quando sentem dor.
—Bem... Eu tenho isso – ele murmurou, puxando de seu bolso uma escova de cabelos. Era possível se ver os fios loiros ali, incrustados. Em seguida, ele enfiou a mão no bolso, novamente. – E isso...
De dentro, puxou um pequeno livro de capa aveludada, verde. Ele, relutante, entregou à velha mulher o livro, que não passava de um diário. O diário de Caroline.
— Oh. – a velha examinou ambos os objetos pessoais da moça, logo, sorriu para o híbrido de forma satisfeita. – Ah, sim. Isso servirá. Existe alguma ligação afetiva entre vocês?
A velha bruxa esperou pela resposta, pacientemente, enquanto Klaus ponderava em algo para dizer e ela, por sua vez, posicionava algumas velas brancas sobre uma escrivaninha de cerejeira.
— Ela me roubou – ele disse por fim. – Acho que isso não pode ser considerado um laço afetivo. Ou pode?!
Klaus tinha um olhar magoado, seus olhos turvavam-se a cada vez que afirmava que Caroline o tinha roubado. Não por estar mentindo, mas porque, lá no fundo, ele sabia que era verdade. Ela o havia roubado. Não havia levado nada de valor material, porque, bem... Para quem tem mais de mil anos, um pouco de tesouros materiais não era absolutamente nada. Ao invés disso, ela havia levado consigo sua humanidade, sua sanidade. E um desses itens, ele precisava recuperar. De uma forma ou de outra. Boa ou ruim.
— Seria mais fácil encontrá-la dessa forma, mas, bem, vamos ver o que podemos fazer quanto a isso. Agora, venha até aqui – sobre a mesa, estavam o diário, a foto, a escova e as nove velas formando o círculo. – Me dê suas mãos, e concentre-se nela, na imagem dela, pense no quanto você quer encontrá-la.
Segurando as mãos do Híbrido, Louise começou a murmurar o feitiço de localização. Klaus fixou sua mente em Caroline, em como queria encontrá-la, como queria estar com ela, no quanto precisava dela para viver. Em como ela parecia uma prece para ele.
Seu corpo começou a falhar, sua mente distanciando-se da sala onde estivera e dirigindo-se à outro lugar. O salão translucido começou a tomar forma, a canção ao vivo por algum pianista, uma bela mulher cantava, no alto do palco de cortinas vermelhas. A luz fraca misturada à toda fumaça criada pelos cigarros e charutos acesos. Estava nos anos vinte, onde Rebekah e ele haviam passado algumas noites antes de irem para Chicago. E, tão de repente e inesperadamente, fora puxado de volta.
— Uma lembrança? – perguntou Louise cheia de expectativa, Klaus assentiu, aturdido. – Você esteve lá. Onde ela está escondida.
— Sim. Eu estive lá. Enquanto Rebekah e eu fugíamos de Mikael – disse ele, distante. Ela não havia voltado para Mystic Falls. Isso significava que ainda havia esperança. Então, de repente, Klaus rapidamente deu a volta na mesa e beijou levemente as mãos da velha mulher, com um pequeno sorriso agradecido. Algo raro de se presenciar. Havia algo mais naquela bruxa que cativava a afeição do híbrido. – Eu sei exatamente onde fica. Obrigado, Louise. Muito obrigado.
Ele saiu, sem nem ao menos olhar uma segunda vez por cima do ombro. Klaus deixou Louise preocupada, sabia disso.
— Boa sorte! – escutou a mulher gritar logo atrás dele. – Você vai precisar!
Ao entrar no carro, Klaus deu ordens ao híbrido que o dirigia, para irem a vila vizinha. Logo, virou-se para a jovem encolhida no canto, o mais afastada possível do Original, tentando ao máximo parecer imperceptível.
— E quanto a você... – a face do híbrido transformou-se imediatamente. – Nossos momentos foram divertidos, amor. Mas... Eu tenho dizer que fiquei entediado. Então...
Ele fez um som de “tsk, tsk” antes de que seus olhos se tornassem turvos, devido ao ódio. O som da mão rompendo os músculos e vencendo a barreira dos ossos se fez audível, em menos de instantes, o coração da jovem pulsou em sua mão, e, tão logo, o corpo sem vida fora jogado para fora do carro, em uma curva em alta velocidade.
[...]
Klaus não gostava de cidadezinhas. Embora vivesse muito em lugares assim, na época na qual, fugia de seu pai, Mikael. Ele buscou se lembrar de cada local em que esteve naquela ocasião, quando estivera ali. Depois de alguns minutos, viu-se de frente a um galpão deteriorado pelo tempo e abandono.
—Você! Traga minha adaga e volte para o hotel, diga a minha hóspede que logo me juntarei a ela – ordenou ao híbrido, que lhe obedeceu prontamente.
Olhando bem para o galpão Klaus dirigiu-se a lateral do local, encontrando uma porta de metal, fechada com um cadeado enferrujado. Arrebentou sem muito esforço as trancas, forçou a abertura da porta, adentrando no local. Forçando as pálpebras para acostumar-se com a escuridão, mesmo que não fosse necessário.
— Rebekah, irmãzinha? Onde você está? Apareça ou será pior para você – a voz saiu cantarolada como quem recita um texto pastelão. Estava no centro de um salão cheio de entulhos, uma cadeira a esquerda do híbrido lhe chamou atenção. Ao aproximar-se pôde notar as cordas caídas no chão, levando a mão até uma das cordas, retraído-a ao sentir queimar. – Rebekah sua vadiazinha egocêntrica e mimada, eu vou matar você se não me devolvê-la agora!
Toda sua resposta fora um eco.
— Ela não está mais aqui. Foi levada pra casa, será limpada e logo estará livre do seu controle. De você— a voz soou. Tyler surgiu, de um canto, imerso na penumbra.
— Foi isso que disse a ele, irmã? Que eu compeli a pobre e inocente Caroline a me amar? – gritava ele, alheio a Tyler. – Confesso que te admirava mais Rebekah. Usando pobres órfãos iludidos para fazer seu trabalho sujo? Isso é baixo, até mesmo, para você.
Um rosnado se seguiu, Tyler havia partido em direção a Klaus, fazendo um movimento — falho — de ataque, mas no instante seguinte, estava sendo segurado pelo pescoço, suspenso do chão, contra a parede. A estaca cravou fundo no peito do moreno, à poucos centímetros do coração, fazendo-o urrar de dor.
— Sabe, pequeno Lockwood, eu poderia torturá-lo até a morte, mas eu tenho que pegar de volta meu brinquedinho, que por sinal, é bem mais divertido do que você. Os gemidos de prazer dela são bem mais satisfatórios que os seus gritos de dor – sussurrou o loiro, sua voz carregada pelo sotaque, deixando o corpo de Tyler desabar contra o piso empoeirado. Ele analisou suas mãos, puxando de dentro do bolso do blazer, um lenço, limpando suas mãos com o pouco sangue respingado pela estaca encravada no peito de Tyler. – Ah, e a propósito, eu não acho uma boa ideia tentar retirar a estaca, a extensão e dentada, estão presas à carne, feito um anzol, um movimento errado e... Puff! Seu coração vem junto.
Klaus falava com se explicasse que a soma de dois e dois são quatro.
— Klaus? – a voz de Caroline dissipou-se no ar. Indo em direção ao chamado, o Original estancou sua corrida ao sentir uma presença. Rebekah surgiu das sombras, seu olhar era um misto entre raiva e tédio.
— Bem, Nik... Cada um usa as armas que tem. Mas confesso que esse aí me desapontou, se deixou derrotar tão rápido – os olhos da Original pairaram sobre Tyler, que agonizava no chão. Em meio instante, a loira sentiu as mãos de Klaus se fecharem ao redor de sua garganta, apertando-a. Um sorriso surgiu nos lábios da loira.
— Eu deveria tê-la mantido dentro de um caixão por mais tempo do que deixado. Talvez, jogá-la no mar... – silvou o híbrido.
— Sim. Você devia... – a loira levantou sua mão, deixando à mostra uma seringa vazia. – Você tem duas opções, Nik. Se vingar de mim e se arrepender pelo resto da sua maldita longa vida, sem nenhum de seus híbridos, ou salvar a sua adorada Caroline...
Klaus hesitou, sem nem ao menos tirar os olhos da irmã.
— O que você fez com ela? – exigiu.
— Sabe... Eu tinha que me cuidar. Então, eu injetei uma quantidade cavalar de veneno de lobisomem nela. Se você vier atrás de mim, ela morre. – deu de ombros, de forma displicente. – Tic-Tac... Vamos Nik! O tempo está passando. Faça sua escolha.
— Você está blefando... – ele disse, se inclinando para ir atrás da irmã. A loira gargalhou. Um leve som de gemido, de Caroline, soou. Sem nem ao menos pensar, Klaus correu em direção a vampira.
E ao encontrar Caroline, a visão foi assustadora. As feridas nos pulsos, e lábios cicatrizavam com dificuldade, manchas roxas cobriam seu corpo. O veneno a estava destruindo.
— Caroline! – amparou a vampira em seus braços, mordendo seu pulso e levando aos lábios esbranquiçados da mesma. – Isso meu amor, beba. Você vai ficar bem, eu prometo.
Agarrando-se com força ao pulso do Híbrido, Caroline sugava com dificuldade, sentindo o sangue quente tomar conta de seu corpo. Só havia bebido de outro vampiro quando Klaus a curou da mordida de Tyler em seu aniversário de dezoito anos, mas agora a sensação era diferente, era como se ela e Klaus estivessem unidos, suas almas.
Klaus pegou Caroline em seus braços, suspendendo-a sem nenhuma dificuldade, e dirigindo-se à saída do galpão.
— Vai ficar tudo bem, querida... – prometeu, seus olhos que outrora eram repletos pelo ódio, agora não passavam de o mais puro e maravilhoso amor.
A loira agarrou-se ao pescoço do híbrido, numa forma silenciosa, sem nem ao menos proferir qualquer palavra, a confiança estava ali, vívida. Aspirando profundamente o cheiro do híbrido, percebeu por fim que sentira saudades daquele cheiro. O único dia que passara longe, fora o mais longo que toda sua vida.
Ao chegarem ao salão principal, puderam ver Tyler, agonizando com as farpas da estaca em seu peito.
— Você não pode deixá-lo, ele vai morrer... – a voz saiu abafada, suplicante. Klaus a segurava com força junto ao seu corpo. Parando sua caminhada, o original olhou para a garota em seus braços. Como ela poderia ser tão estúpida? Estava mesmo pedindo para que Klaus ajudar o homem que lhe torturou durante horas?
Deitando Caroline no chão, o original, dirigiu-se até onde Tyler estava. Levantando o híbrido pela garganta, Klaus olhou firme para Caroline.
— Você o ama tanto, não é? – indagou, fechando os dedos sobre a estaca. – Então... Veja bem o que eu faço com seu amor— Bradou Klaus girando a estaca no peito do moreno. –Eu vou matá-lo diante dos seus olhos, e quando eu acabar, eu vou tomar você, te fazer minha. Nem que seja à força.
Houve mais um giro e Tyler desfaleceu, a respiração mínima. O medo de Caroline era latente. Seus lábios tremiam, assim como todo seu corpo.
— Não, não o mate, por favor, eu imploro. Não! – ela estava de pé, ainda com dificuldade, arrastando-se até onde Klaus estava, agarrou-se ao braço do original, suplicando para que o mesmo não matasse Tyler.
Klaus olhou para Caroline, com repulsa nunca antes demonstrada e puxando a estaca, deixou com que o corpo de Tyler desabasse ao chão imundo.
— Não! – gritou a vampira, se jogando ao lado de Tyler. – Ah, meu Deus. Ainda está vivo. Ah, meu Deus, obrigada, obrigada.
Caroline chorava em alívio, não sabia o que seria dela se Tyler estivesse morto.
— Vai ficar tudo bem, eu prometo. – a loira apoiou a cabeça de Tyler sobre seu colo. Aquela cena atingiu Klaus de uma maneira terrível, como se um tapa tivesse sido deferido em seu rosto. Era esse seu problema, era simples. Matava os dois e iria embora, seguiria sua vida.
Sem ter que sofrer por ninguém. Nem pensar em ninguém, que não fosse a si mesmo. Simples demais... Difícil demais. Não conseguia pensar em viver sem Caroline, e aquilo parecia enfurecê-lo ainda mais.
Caroline pôs a mão no ferimento de Tyler, sentindo queimar.
— O que há de errado? – choramingou. A loira não se virou para Klaus, mas a pergunta era pra ele. Que respondeu de mau gosto.
— Eu encharquei com Verbena e Mata-lobos, essa ferida não vai se fechar tão facilmente. – Klaus estava impaciente, se continuasse ali, assistindo aquela cena que o fazia querer matar a loira. E talvez o fizesse. A angústia que surgira parecia esmagadora demais. Caroline levou o próprio pulso aos lábios e dando uma mordida, levou a boca de Tyler, mas foi impedida antes de concluir o processo. – O que pensa que está fazendo?
Aquilo pareceu, por fim, ser o cúmulo. Como ela podia estar dando seu sangue a ele? Sangue esse que Klaus havia lhe dado há pouco.
— Ele precisa se alimentar! Ele perdeu muito sangue. – Caroline finalmente olhou para o híbrido e assustou-se com o que viu no rosto do mesmo. Uma mágoa tão grande que fez seu peito apertar-se.
Ela amava Klaus. Não havia mais dúvidas quanto a isso, mas não poderia deixar Tyler daquela maneira.
— Se der seu pulso pra ele se alimentar, vai ser envenenada novamente e eu juro, Caroline, por tudo que me é mais sagrado, que não vou dar meu sangue a você. – alertou o Híbrido.
— Tudo bem... Eu aceito. – Caroline sabia que seria envenenada novamente, mas nenhuma dor seria maior do que ver seu amigo morrer por sua culpa, aquele que antes de tornar-se seu namorado, havia sido seu melhor amigo. Havia se preocupado para com ela, ajudado-a diversas vezes.
— Acha que estou brincando, Caroline? Acha que estou blefando? Pare com isso agora. – Klaus segurou firme seu pulso, torcendo-o.
— Me solta, eu não posso deixar que ele morra! Não assim diante dos meus olhos, sendo que posso salvá-lo. – convicta do que dizia, não deixaria Tyler morrer. Por mais raiva que sentisse dele naquele instante, não permitiria que ele morresse por ela.
— Ele vai morrer de qualquer maneira. Meus híbridos estão lá fora, eu os deixarei encarregados de terminar o serviço. Se deixá-lo beber de você, sua morte será em vão.
Klaus já não suportava mais aquela situação. Como ela conseguia ser tão amável e nociva ao mesmo tempo? Como em um segundo ele poderia amá-la de maneira esmagadora e no outro querer matá-la com a mesma intensidade?
As palavras de Klaus fizeram Caroline congelar. As lágrimas brotando de seus olhos. Fazendo-a tão frágil.
— Você prometeu! Nós tínhamos um trato, Você o deixaria viver. Eu cumpri minha parte, cumpra com a sua! – Caroline chorava compulsivamente, não só por Tyler, mas por tudo, tudo que ela estava sentindo. Por Klaus, por todo o medo. O amor que a consumia.
— O trato era que o deixaria viver e não iria procurá-lo, isso não incluía o fato dele ter se unido à da minha irmã, na milésima tentativa de matar. – sua voz soava cansada, e ele realmente estava. Queria terminar com tudo isso, matar Tyler e ter Caroline só pra ele ou matá-la, também. Ele estava consciente que aquela era a melhor saída. Talvez se livrar dela fizesse a dor passar.
— Ele veio atrás de mim, Rebekah o estava manipulando, mentindo pra ele. Ele só estava tentando me salvar. Não pode matá-lo. – O último mísero fio de paciência que existia em Klaus se esvaiu no momento em que Caroline arfou, ao sentir os dentes de Tyler em seu pulso.
Puxando a garota com força, Klaus a atirou contra a parede, prensando-a na mesma.
— Você está louca?! É isso que você chama de salvar? Sequestrando-a e torturando-a de maneira doentia durante horas?! É isso que você chama de amor? Ficar nos observando enquanto fazíamos amor, feito um maníaco psicótico? Isso que é amor pra você, Caroline? – Klaus gritava contra o rosto da vampira, que se encolhera, mas ainda podia ver Tyler reagir, levantando-se com dificuldade.
— Tyler, fuja! Fuja o mais rápido que puder... Por favor, vá! –a voz saiu sufocada, Caroline ainda estava debilitada e a mão de Klaus comprimido sua garganta só dificultava tudo ainda mais.
— Ouviu o que ela disse. Fuja, seu covarde. Ela é forte, lutará pela própria vida, assim como sua mãe fez! – Tyler sentiu uma pontada de ódio invadir-lhe, mas não podia fazer nada daquele jeito.
Tinha que curar-se e então poderia se vingar de Klaus e de Rebekah. Sabia disso... Embora a raiva fosse grande demais para controlar. Precisava. Precisava por sua mãe, por aqueles que foram machucados pelas mãos de Klaus. Se Caroline morresse, seria vingada. Mas se ela fosse o preço da sua sobrevivência. Ele pagaria. Esse seria o preço ditado pelas leis de um sacrifício.
Tyler o fez, ainda muito fraco pra correr em velocidade vampira. Apenas andou até a saída.
— Sabe que eu vou matá-lo, não sabe? Mais cedo ou mais tarde eu irei encontrá-lo. E finalmente pequeno Lockwood você encontrará sua mãe no inferno! – bradou o híbrido, vendo a porta se fechar. Logo, voltou-se para Caroline, um sorriso quase doentio. – Viu como é corajoso, o seu amado? Fugiu, te deixando para morte eminente.
Soltou o pescoço da loira, que se deixou desabar de encontro ao chão.
— Você sabia... Esse tempo todo você sabia que ele estava aqui. – apontou. Ela olhou fundo nos olhos de Klaus, buscando saber por que ele havia deixado Tyler viver por tanto tempo.
— Mas é claro que eu sabia. Eu já estou aqui há muito tempo, enquanto você pensa na pergunta eu tenho a resposta pronta. – gabou-se ele, tinha um olhar cínico, como ficava ao provar superioridade. – Desde a noite do baile, a noite do baile em que transamos na varanda, no corredor... Enfim você sabe. – Klaus conseguia ir da fúria ao sarcasmo em segundos, sacudindo sua mão em desdém. – Ah, e eu sei também do seu encontro incômodo com o pequeno Lockwood no Bistrô. Soube que ele foi muito inconveniente. Aliás... Você também foi inconveniente em não me contar que a adorada Katerina esteve na nossa casa na Itália.
Klaus arqueou as sobrancelhas em deboche, assim como seu sorriso intacto. Uma onda de terror atingiu Caroline. Medo. Ele sabia... Saiba de tudo. Ele a estava vigiando, sempre.
— Agora você deve está se perguntando, com ainda está viva, mesmo eu sabendo das suas traições? – Klaus aproximou-se do ouvido da loira. – A resposta é simples; sexo! Apenas um excelente sexo! – sussurrou o híbrido, soprando uma risada no pescoço da vampira. Caroline virou-se para Klaus, as veias escuras ressaltadas sob os olhos. Fúria.
— Seu bastardo nojento, como pôde? – As mãos da loira seguraram firme no pescoço do híbrido, o jogando contra a parede oposta a qual Caroline estava encostada, em uma velocidade inumana. Os corpos juntos, fez com que um arrepio percorreu a espinha da loira. Desejo fatal. – Você mentiu pra mim...
Caroline, até aquele momento, não havia percebido que segurava a respiração, numa tentativa frustrante de junto, segurar o choro. Sentiu corpo falhando, devido o esforço. As pernas fraquejaram. Mas logo, sentiu as mãos em sua cintura, impedindo que fosse ao chão.
Klaus puxou Caroline para si, e aproximando-se do pescoço da loira, sussurrou de maneira que fez Caroline querer beijá-lo.
— Não, amor! Você mentiu pra mim... – depositou um leve beijo sobre o pescoço. – Anda, vamos sair daqui. Não quero ver você morrer nesse lugar imundo.
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