Leis De Um Sacrifício
14 — Cap. 13.
Notas iniciais
#Larissa
Caroline podia sentir a sua mão apertada pela quente e macia. Sentia-se amada por ele, de forma descomunal. Era quase como se todos os seus ossos explodissem em felicidade. O cheiro vívido de folhas frescas e secas no chão era tranquilizante. Toda a grama tocando sua pele.
– Você está feliz? – a voz sussurrada de Matt soou. Seus olhos se desviaram do ponto não fixo ao qual encarava, para fitar o azul profundo nos olhos do namorado. Ele sorriu, fazendo-a corresponder.
– Eu estou com você. É claro que estou feliz... Eu sempre vou estar. Principalmente, quando é você quem eu amo... – a loira se esticou, apoiando-se nos cotovelos para beijar o loiro. Fechando seus olhos, se perguntou se era real tudo aquilo. Sobre finalmente amar alguém e ser amada de volta. Ser aceita do jeito que era.
Antes dos lábios se separaram, Caroline abriu os olhos — adorava fitar o mar azul que eram os olhos de Matt. Mas ao contrário do querido, não foram os azuis que enxergara, e sim, os castanhos cintilantes em felicidade. Tyler.
E, ao contrário do imaginado, ela não se afastou. Ela apenas aceitou a carícia, o afago feito pelo mesmo em seu rosto. Havia amor naquele toque. Algo que queimou nela, também, profundamente.
– Eu te amo, Car... – Tyler disse, como se houvesse uma prece a ser feita. Como se precisasse daquilo para viver. Logo, sua expressão se transformara em algo mais sombrio, e um longo e abafado grito escapou dele, seus olhos se tornando dourados.
– Oh, Deus... Tyler? – desespero fora tudo o que podia-se escutar na voz de Caroline. Ela estendeu uma mão, como se assim, pudesse ajudá-lo.
– Corra! Eu preciso que você fuja! – o moreno gritou. Seu corpo desfigurando-se de forma dolorosa. Os ossos mudando de lugar, deslocando-se, quebrando-se. E, desesperada, Caroline correu. Notando então, a sua velocidade sobre-humana.
Perguntou-se como não se chocava contra as árvores naquele percurso. Agora, a floresta parecia mais deserta e escuta como antes, mais do que o normal. Tudo não passava de um borrão negro. Macabra, sombria. Um alto uivo soou, fazendo Caroline concluir que deveria tomar uma velocidade ainda maior, antes que Tyler a alcançasse.
Chorosa e desesperada, Caroline sentiu-se chocar em alguma coisa. Os braços segurando-lhe, sabendo assim que fosse liberta daquele abraço, cairia.
– Oh, meu Deus... – gaguejou. – Oh, Deus...
– O que aconteceu? – a voz carregada pelo sotaque britânico indagou, preocupada.
– Tyler... Ele está... Ele vai machucar nós dois. Ele vai... – o aperto contra o braço do Original afrouxou instantaneamente assim que ela realmente notou de quem se tratava. Klaus, embora soasse preocupado, sorria, repleto de sangue. Caroline se perguntou de quem seria, mas tinha medo de chegar à alguma conclusão. Afinal, há pouco, Matt estivera ali, com ela. – Onde está Matt?
O sorriso do Original apenas aumentou, à medida em que ela olhava ao redor, procurando por vestígios de Matt. De quem quer que fosse.
– Ele está em paz, Caroline... E é onde você também estará – em seguida, tudo o que sentira fora a mão introduzida em seu peito, podia sentir a mão do híbrido apertando levemente sobre o coração dela. Outro uivo soou, agora, parecendo mais perto. Desespero bateu na vampira. Não por ela, mas por Tyler. De repente, todas as vezes nas quais seus amigos lhe disseram para não confiar em Klaus, pareceram tão sinceras e verdadeiras.
Olhou para a mão em seu peito, apertando o seu coração, subindo os olhos até encontrar o azul acinzentado, cintilando em ódio?! Ela ofegou, para logo, sentir a mão ser puxada, envolvida em seu próprio coração.
Caroline sentiu seus olhos se abrirem, assim como as lágrimas secarem no canto dos seus olhos, e em seus sulcos. Tudo o que Caroline pode sentir — além da densa sensação de temor — fora a dor dilacerante em seu pulso. Embora coçasse, a ferida feita por Tyler mais cedo, começava a pinicar, como quando você joga ácido em sua própria pele. E, outra vez, sentiu-se ser puxada para o mundo dos sonhos.
Klaus apertou o corpo da loira em seus braços, sentindo que provavelmente poderia vir a derrubá-la quando os tremores começassem. Teria ela começado com as ilusões e delírios? Possivelmente. A mordida em seu pulso parecia crescer cada vez mais. Mas embora soubesse que era o único que poderia curá-la, não sabia se deveria. Ainda havia o dilema sobre como ela era sua fraqueza. Como ela poderia usá-lo como bem quiser, e em como ela provavelmente estaria unida à Tyler, que ainda o amasse... E em todo esse tempo no qual ele havia dedicado-se a ela, amado-a, adornado-a de joias, amores e tudo o que alguém como ela poderia querer, ela houvesse traído-o. Rido dele enquanto as mãos escassas de Tyler estiveram sobre seu corpo. Da forma como ela havia resistido para salvá-lo, praticamente ter se sacrificado por alguém que nem ao menos merecia tê-la, tão não desonroso. Um covarde...
Mas, se era o desejo dela, se sacrificar naquelas proporções por Tyler, ela teria seu sacrifício. Ela morreria em vão. Sem absoluto direito de ser vingada.
Sentiu repulsa da garota em seu colo, que gemia de dor, inconsciente.
Assim que alcançou seu quarto no hotel, um de seus híbridos surgiu. Alheio a tudo.
– Ela está aqui, senhor – anunciou ele, fazendo uma pequena reverência com a cabeça, em direção ao Original.
– Aqui. Tome-a. Leve-a para um quarto. Irei encontrar com ela. – Klaus praticamente jogara a loira para o híbrido, sentindo-se incapaz de passar muito mais tempo com ela. Todavia, não sabia se era por medo de curá-la ou vê-la morrer.
– Ela... Ela foi mordida... O senhor não irá curá-la? Ela morrerá. – disse o híbrido, após analisar o pulso da vampira, que empalidecia cada vez mais. Klaus, que havia caminhado até a porta, agora, parara, olhando por cima do ombro.
– Eu não me importo – e com essas palavras, deixou o quarto, indo em direção à sala ao lado, onde sua hospede se encontrava.
[...]
Os pés pisoteando o chão, esmagando-o e fazendo barulho soou atrás de Caroline. As gargalhadas de suas amigas parecia tão reconfortante agora.
– Caroline! Espere! – gritou Elena.
– Você precisa ser um pouco mais rápida, Elena! – gritou a loira, por cima do ombro. Logo, parara, assim que alcançara o lago. Do outro lado do mesmo, era possível ver as luzes da cidade de Mystic Falls. Abraçando seus próprios braços, Caroline sentiu a fraca brisa em seu rosto. Um sorriso pequeno surgiu. – Eu não quero continuar aqui... É como se eu não pertencesse a nada disso.
– Eu sei – Bonnie, sua melhor amiga, concordou. Ela apertou levemente o ombro da loira, com um pequeno sorriso encorajador. – Um dia vamos estar todos reunidos, velhos, casados e cheios de filhos. Você vai contar sobre como é feliz sendo uma repórter de Nova York, e em como conheceu um cara incrível. E em como deseja ter filhos com ele...
– Sem filhos, Bonnie... Eu não os quero. – lembrou Caroline, fitando a amiga com um sorriso.
– Não agora. Mas quando encontrar o cara certo, você irá querê-los. – Elena murmurou, cobrindo-se ainda mais com o casaco que costumava pertencer à Matt, seu namorado.
– Não use você e o Matt como exemplo. – indagou a loira. – Vocês são o tipo de casal que vai durar para toda a vida, vão ter filhos, netos... Vão ficar no conselho, vão ser o casal de Mystic Falls. Como são agora.
– Caroline tem razão... – riu Bonnie, fazendo as duas rirem em seguida. – Mas nunca é tarde demais para uma vida longa e feliz, Car. Seja onde for. Com quem for...
– De preferência, alguém rico – gargalhou Caroline.
– Elena, Caroline, Bonnie?! – a voz soou ao longe. Era Matt. Caroline revirou os olhos, pondo seu melhor sorriso superficial.
– Hora de irmos. – disse, dando a volta. E enquanto caminhavam à passos rápidos de volta ao grupo de adolescentes bêbados, Caroline sentiu algo formigar... Em seu pulso.
Levou sua mão, esfregando-a levemente por sobre a ferida que outrora não estivera lá. Encarando tão fixamente, ela pode ver o quão assustadora era, em como a carne apodrecia ao redor... O cheiro era quase fácil de sentir. Parecia pútrido. – Oh, minha nossa...
Ao levantar seus olhos para encontrar suas amigas, se viu sozinha. Em algo que pareceu um quarto escuro, deserto. Os batimentos cardíacos pareciam quase fazer seu coração parar, sua garganta estava seca. A sua cabeça doía...
– Caroline... – alguém chamou, em algum canto do quarto. Seus olhos se arrastaram até lá. A figura sentada em uma poltrona. Sua mãe lhe parecia pálida.
– Mamãe? – balbuciou em uma voz chorosa. A mulher, de curtos cabelos e um sorriso dócil, aproximou-se, caminhando até a cama onde a loira se encontrava. E, instantaneamente, Caroline jogou seus braços ao redor da mãe. – Eu senti tanto a sua falta...
– Eu sei, querida... – a mulher deu leves tapinhas nas costas da filha, apertando-a em um abraço tão maternal. Poucas foram as vezes nas quais Liz Forbes lhe dera um abraço desses, mas, ainda assim, Caroline sabia o quão significativo era. Talvez, por serem tão raros.
– Oh, Deus... O que faz aqui, mãe? Eu sinto tanto... Eu a abandonei, sem nem ao menos me despedir pessoalmente. Eu fui tão covarde, mamãe... – chorou, não conseguindo controlar os sentimentos explosivos dentro de si.
– Shh... – Liz sussurrou, segurando levemente o rosto da filha entre as mãos, colocando o cabelo loiro e suado, agora grudado na testa, para trás. – Vai ficar tudo bem, querida... Você sempre será minha princesinha... Minha e de seu pai. Eu juro.
– Eu estou morrendo, mãe... – soluçou Caroline, sentindo uma crise de tosses vir a seguir. Sua mãe lhe entregara um lenço, e assim que tossiu, e tirou o lenço dos lábios, viu o sangue ali, manchando-o.
– Porque Klaus não te ajuda? – sussurrou a mãe, acariciando rosto da filha com as pontas dos dedos.
– Porque eu o magoei. Eu me sinto terrível, mas... Eu o magoei, mãe... Ele me odeia... – as lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto suado.
– Não, Caroline. Eu não a odeio. Eu a amo. – Caroline não soube o que acontecia. Perguntou-se se não passava de uma alucinação. De algo criado por sua mente doente. Apertou os olhos, como se assim, pudesse fazê-lo desaparecer e voltar a ser cuidada por sua mãe. Mas tudo o que teve foi a figura de Klaus. Sua mãe havia partido.
– Então porque está aqui? Se me ama... Porque me deixa desse jeito? Não existe esse tipo de amor, Klaus... Amor não é algo sobre vingança ou necessidade de fazer alguém que você diz amar, sofrer. Eu não te amo dessa forma. – ela lamuriou, sentindo-se tão miserável.
– Eu avisei a você, Caroline... Eu disse que isso te mataria. Você não me escutou... Apenas escutou o seu coração. E deixe-me dizer uma coisa a você, amor, é o seu coração e de todos os seus amigos, que fazem vocês perderem alguém todos os dias. Porque vocês amam demais... Você amou demais ao Tyler, Caroline... A ponto de te fazer morrer... Você – ele apontou um dedo para ela – é a culpada por estar aqui, nesse instante... Por amar a ele. Escolher ele!
– Eu não... Eu nunca o escolhi. Era você... Ele sempre será meu melhor amigo. Mas é você quem eu amo! – ainda que tentasse gritar, sua voz pouco saía. Tudo soava mais como um lânguido, deprimente. E não deixava de ser.
– Eu bajulei você, eu amei você! E tudo o que você fez foi ajudá-lo! Eu iria deixá-lo ir, Caroline... Não havia híbridos ou nada mais, apenas nós, naquele lugar. Ele poderia ir... Eu não o mataria. E ainda assim... Você destruiu tudo! Você me destruiu! – ele caminhou até a porta. Alguma coisa nela sabia que seria difícil demais caso ele continuasse. Ele provavelmente terminaria de matá-la. Com a mão na maçaneta, Klaus virou-se para ela. Sua voz não passando de um sussurro na penumbra. – Você merece morrer... Você sabe disso... – Então me deixe morrer... – sussurrou ela, pressionando os olhos com força, tentando conter as lágrimas.
– Oh, Caroline... – ele pressionou os olhos, com uma força descomunal, sua voz não passando de um sussurro carregado. Tanta amargura em seu rosto. – Eu vou.
E tudo o que Caroline quis, foi que aquilo não passasse de uma visão.
[...]
As portas duplas se abriram, Klaus passou por elas, de forma poderosa, como costumava ser, sempre arrogante, embora, agora, houvesse algo diferente nele. Um gosto amargo em sua boca, um aperto ruim no peito. Nada que ele não se esforçara para esconder sob o sorriso lançado à Margareth, que se levantou prontamente, com um sorriso cortês.
– É sempre um prazer inestimável te ver, Magh. – exclamou o híbrido, sentando-se na namoradeira de frente da que, outrora, Margareth se encontrava. A bruxa se sentou, também. Um sorriso cauteloso nos lábios.
– O que você deseja, Niklaus? Da última vez em que eu soube que andou viajando pelo mundo... Propriamente, para a Itália, alguns pescoços foram quebrados. – indagou a mulher, cruzando as pernas e jogando o longo cabelo escuro, cacheado, por sobre os ombros. Os olhos castanhos esverdeados brilharam em uma cautela tremenda. Klaus admirava isso. Ainda que bruxas não fossem confiáveis, lá estava ele... Trabalhando com algumas. Algumas gerações de tal.
– Eu tenho certeza que você sabe sobre o que eu estava procurando, Magh. Assim como Louise... – sorriu ele, de forma cínica.
– Yeah. – concordou a morena. – Mas não significa que eu não deva me preocupar. Você sabe sobre como somos leais aos nossos...
Klaus se levantou, caminhando até um pequeno bar, servindo-se de Bourbon. Bebericou do seu copo, encostando-se na parede. Talvez, beber pudesse melhorar sua situação. Talvez, não.
– Você sabe, Magh... Ao que meu acordo para com sua avó vai muito além da sua necessidade de defender sua família. E você sabe do que eu sou capaz, querida... Portanto... Não sou eu quem responde coisas pessoais aqui. Sobre o que eu faço ou deixo de fazer. – Margareth engoliu em seco, encarando-o tão profundamente que talvez fosse capaz de ver a alma do Original. – Eu preciso que você venha comigo, Margareth... Eu tenho planos em Nova Orleans. Você sabe... Bom filho, à casa torna.
– E o que iremos fazer lá? Eu vou precisar avisar à Louise. Preparar as coisas aqui... – insistiu Magh, parecendo apreensiva. E para alguém como Klaus, aquilo era sinal de algo. Definitivamente, bruxas não são confiáveis.
– Tudo em seu tempo, querida – piscou para ela.
Então, tão de repente, um forte som soou. A porta se abriu em uma rajada estrondosa, e lá, parada, podia-se ver Caroline. Seu rosto repleto de veias, seus olhos avermelhados, suas presas expostas. Ela estava ameaçadora. Poderosamente ameaçadora.
Por um instante, Klaus esperou que ela viesse em sua direção e fizesse algo contra ele, mas não foi isso que aconteceu. Inexplicavelmente, Caroline correu inumanamente até Margareth, suspendendo-a do sofá pela garganta, para em seguida, mordê-la.
– Caroline! – gritou Klaus em repreensão, após alguns instantes em que parecera perplexo demais para esboçar qualquer medida contra. E lançando-se até onde ambas estavam. Segurou o pulso da loira, puxando-a com força desnecessária para longe da bruxa, que parecia atordoada demais. – O que diabos pensa que está fazendo?!
Os olhos inexpressivos da loira encontraram o rosto do Original, e tudo o que pôde-se ver ali fora desgosto. E no dela, bem... Não havia nada.
– Ela... – Caroline apontou para a bruxa, que mantinha uma mão em seu pescoço, estancando o sangue, com as pontas dos dedos. – Ela... Deixe-me matá-la... Deixe-me beber dela...
– Não! – exclamou ele, exasperado. Ela podia senti-lo beirar até a compulsão. Seus olhos azuis acinzentados desgostosos. – Você não irá tocar um dedo nela...
Caroline rosnou, cambaleando para trás. De repente, atordoada demais. Logo, seus olhos voltaram ao normal, deixando suavizar todas as expressões vampirescas, a vampira se sentiu encolher. Sentindo-se culpada.
– Ela... – a voz de Margareth soou, assustada. Seus olhos estavam fixados no pulso da loira. – Ela foi mordida...
Klaus assentiu, minimamente. A bruxa apenas o fitou, sem compreender... Não precisava de muito para ele saber o que Margareth queria dizer com aquilo. Porque ele não a salvava? A parte egoísta do Original gritou alto e forte, assim como sua culpa. E deixá-la morrer a qualquer instante por puro e mesquinho egoísmo?
Ele olhou para o lado, para encontrar Caroline. Ela não estava lá. Como diabos ela havia fugido sem nem ao menos ele notar?
– Caroline? – chamou ele, em plenos pulmões.
Não houve resultados.
– Margareth... – virou-se para a bruxa sombriamente. – Eu preciso que faça um feitiço de localização. Antes que seja tarde demais.
[...]
De todas as formas que Caroline Forbes acreditou que morreria, nenhuma delas incluía — outra vez — uma mordida de Tyler. Ela podia sentir o pulso queimar cada vez mais, até que, alguma hora, seu corpo não aguentaria e ela morreria. Era verídico.
Agora, sabia que o quanto mais se mantivesse longe de Klaus, mais seriam suas chances de não sair viva daquilo. O som das vozes soou. E uma delas era de Bill... Bill Forbes, seu pai. Ele saiu da escuridão de trás de uma árvore. A mesma aonde havia desenhado seu nome junto com o da filha, anos atrás.
– Caroline... Não corra! – ele repreendeu uma menininha de cabelos loiros, presos em um rabo de cavalo, em um vestido florido, branco.
– Você precisa vir me pegar, papai! – gritou a menina, rindo compulsivamente.
– Eu não vou conseguir te alcançar, querida... Agora, volte aqui! Eu estou ficando velho... – ele se aproximava da garota, escondida atrás de uma árvore. E, de repente, pegando-a em um abraço, suspendendo-a enquanto a assistia gargalhar. A Caroline pequena parecia tão feliz.
– Você promete nunca me deixar? – a garota indagou, seu rosto encolhido em uma pequena careta que mais parecia de carência do que qualquer outra coisa. Bill beijou o rosto dela, com um sorriso tão amoroso.
– Nunca, querida. Você está me escutando? Eu amo você... E eu nunca vou deixá-la. – prometeu.
– Mas e se você morrer? As pessoas morrem... Se você morrer... Você vai me deixar... – a mesma fez beicinho, abraçando ao pai pelo pescoço. O sorriso do mesmo apenas aumentou.
– Eu sempre vou cuidar de você, querida. Estando aqui ou não... Eu sempre estarei olhando por você. – disse.
– Você promete? – murmurou a pequenina.
– Sim. Eu prometo, Caroline. Eu sempre vou cuidar de você, esteja onde eu estiver. – a pequena Caroline sorriu.
Enxugando as lágrimas, Caroline sentiu, logo atrás de si, o som de alguma música soando. Algo tão puro... Havia uma lareira, logo ali. A lembrança de dias atrás, dançando com Klaus.
As mãos do híbrido mantiveram-se em sua cintura, puxando-a contra si de forma dócil. Seus dedos entrelaçados. Havia uma conexão tão maravilhosa e completa entre eles que podia fazer qualquer pensar que se amavam. Profunda e verdadeiramente.
O fogo da lareira, ao lado deles, iluminava tudo ao redor, de forma maravilhosa. Caroline se inclinou para perto do ombro de Klaus, deixando de lado todos os bons modos sobre danças e o abraçando, de forma tão íntima. A mão que outrora estivera em sua cintura, subira até o meio de suas costas, sentindo a pele exposta da loira. Ela suspirou em contentamento. Ela queria poder ter gritado que o amava... Ela queria poder ter dito o quão importante ele era para ela. Ela queria ter feito qualquer coisa para ter marcado aquele momento tanto quanto marcara naquele momento.
Em resposta, Caroline inclinou o rosto um pouco para trás, para que assim, os lábios dos dois pudessem se encontrar em um beijo apaixonante. Os lábios macios e quentes de Klaus pareciam tão repletos de vida. Ele parecia uma fonte pura e completa de vida. Como algum diamante bruto. Como algo tão puro.
Caroline sentiu seu coração explodir em felicidade, tal como seu primeiro beijo havia sido, na ponte, na Itália. A diferença era que agora, havia apenas amor por todos os lados. Apertou-se contra ele, como se assim, pudessem se fundir em um só. E quando se afastaram, a lembrança começou a desbotar, como quando alguém passa a mão por uma fumaça densa, dissipando-a. Os olhos da loira estavam repletos de lágrimas.
– Klaus... – sussurrou ela, como prece. Era sua prece.
A mordida em seu braço começou a doer novamente, dessa vez, puro ácido. Nada de coceiras ou o que quer que fosse. Aquilo estava doendo.
Caroline sentiu seus joelhos cederem, o suor escorrer por sua face. E, de trás da árvore onde seu pai estivera, avistou a única pessoa que desejava ver. Klaus se aproximou, seus olhos úmidos. Ela teve certeza que não passava de uma ilusão. Porque, ilusões, muitas vezes, são melhores do que a realidade. Ao menos, iria morrer nos braços de uma ilusão dele.
– Klaus... Eu... – tentou dizer, mas sua voz não saía. Apenas os olhos se encontraram, numa conexão tão profunda quanto na lareira. E Caroline teve certeza que se a maioria das coisas fossem assim, ambos não teriam tantos problemas. Principalmente, um com o outro. – Eu amo você...
– Vai ficar tudo bem, amor... Apenas mantenha a calma. Eu preciso que fique calma, Caroline... – ele insistiu, desesperado. Ela segurou a camisa do mesmo, com a pouca força que tinha, puxando-o para mais perto de seu ouvido.
– Deixe-os viver em paz... – balbuciou ela, sentindo seu braço doer ainda mais. Ácido por dentro de sua pele, cortando-a. – Eu sempre irei amar você...
Klaus pressionou os lábios, em uma linha fina, as lágrimas descendo por seu rosto, de forma crua, cruel. Levando seu braço até sua boca, ele mordeu a mesma, levando-o instantaneamente até Caroline que o encarava, seus olhos azuis fixos em seu rosto. Porém, vazios.
– Vamos, Caroline... Beba... – ele ordenou, desesperado. – Por favor... Não morra... Você não pode morrer! Não morra...
Ele a sacudiu, pressionando seu pulso contra a boca da vampira. Em vão.
– Caroline... – a voz familiar soou. A loira saiu de seu transe, estava ela assistindo outra ilusão? Não parecia... Ela não sabia dizer. Ao virar-se, deu de cara com Esther, a tão famosa bruxa Original. Os olhos de Caroline se arregalaram, como se estivesse vendo algo impossível. E bem, Esther estava na lista de “coisas impossíveis”.
– O que... Isso é uma ilusão? – indagou a loira para a bruxa.
– Não... É hora de irmos, querida. Niklaus fez você passar por coisa o suficiente... Já chega, querida. Vamos. Um pouco de paz lhe fará bem. – disse Esther, juntando-se à Caroline e assistindo — ainda que vagamente, ao choro desesperado do filho pela moça.
– Eu... Eu estou morta? É isso? – questionou a vampira. A Original apenas acenou, pondo uma mão no ombro da garota, confortando-a. – Eu não posso deixá-lo assim! Eu não posso deixar minha mãe! Meus amigos! Eles precisam de mim! Eu não posso estar morta...
– Algumas vezes, Caroline, é preciso fazer sacrifícios. E você, meu bem, já os fez demais. É hora de partir. Nada é para sempre... Não deveria ser. – aconselhou a bruxa, com um pequeno e dócil sorriso. – Eles vão superar, querida. Eles são fortes... Você foi, e agora, chegou sua hora.
– Caroline?! Acorde! Não me deixe, amor... – o choro estrangulado de Klaus fez alguma coisa se partir dentro dela. Ela podia sentir o formigar de sua mão sendo tocada pelo híbrido. Ela podia sentir a dor infligida a ele.
– Como consegue? Vê-lo sofrer dessa forma? – questionou ela, voltando-se para a mãe dos Originais.
– Além da dor deles, existe a dor dos outros, Caroline... E eles, principalmente Niklaus, infligiu a todos. Vitimas que jamais descansarão... Como Tyler Lockwood, como a mãe dele. Alaric... Jenna... A mãe de Bonnie... E todos os outros. Não existe apenas ele, querida... E ele aprenderá isso... Vivendo em solidão eternamente.
– Vocês querem me punir? Querem que eu pague? Porque não eu? Porque ela, suas desgraçadas?! Porque vocês me deram ela? Pra me tirar no final de tudo! – a voz cortante de Klaus soou, fazendo Caroline voltar-se, para assisti-lo. Tanta dor. Sabia que Esther tinha razão, mas ainda assim... Vê-lo sofrer doía ainda mais. De forma inexplicável. – Você está contente agora, mãe?! Por ter conseguido me deixar na miséria mais uma vez?! Eu espero que esteja vendo isso do inferno!
Seu corpo agora, parecia translúcido para ela. Quase desaparecendo.
– Você não pode ficar. – Esther alertou, como se pudesse ler a mente da loira. Se ficasse, poderia ajudá-lo... Poderia pedir ajuda à Jeremy. A quem quer que fosse... Precisava daquilo.
– Eu... – começou, mas logo, se calou.
– Hora de ir... – alguma outra voz soou. Quando olhou para trás, Caroline sentiu todo seu coração se afundar. Seu pai. Bill Forbes estava ali, de braços abertos, esperando por ela.
– Eu não posso deixá-lo – insistiu.
– Mas precisa. Por agora, precisa... – alguma coisa tamborilou dentro dela. Um amargo gosto na boca. Era o que iria querer afinal, um final... Estar em paz.
Aproximou-se do híbrido. Ainda que não pudesse vê-la. Caroline suspendeu sua mão, tocando-lhe o rosto molhado pelas lágrimas, sentindo sua mão quase atravessar o rosto do mesmo. Quando encontrou o equilíbrio para aquilo, deixou uma lágrima cair, enquanto encarava os olhos vagos do híbrido.
– Adeus... – sussurrou, e de repente, sentiu os olhos do Original seguirem-lhe, como se pudesse vê-la. Virando seu rosto para os espíritos ali, Caroline não precisou perguntar. Eles apenas negaram. Klaus não podia vê-la. Levantando-se do chão, a loira seguiu até onde seu pai se encontrava.
– Você está pronta? – perguntou ele.
– Eu não tenho certeza... – apanhou a mão do pai, seguindo até qualquer lugar que parecia inexistente, minutos atrás. Uma fenda branca. Seria aquele o Outro lado? Para onde pessoas como ela iriam? Não sabia dizer como era, ou qualquer coisa a respeito.
Notas finais
Ok, né... Sem sair cortando a cabeça da gente. Parecemos legais e somos u_u
Bem, agradecimento à Carlota Joaquina de Amaral Pereira Costa~ ok, parei '-' ~ pela recomendação e.e
Então... terminem de ter o ataque do coração da semana, com junção ao cap de TVD passado ~ Elena, sua vagabunda traidora! Arght! ~
Eu to com olhos doendo e escutando o canto especial da minha cama geladinha, me chamando...
Então, inté a próxima. E não nos matem... Temos um exército de híbridos, incluindo o Klaus, para nos defender. ;3
Se cuidem.
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