Notas iniciais
Olá, pessoal... Então, desculpem-me a demora. Eu havia dito que postaria no final de semana passado, mas... Tive umas complicações, assim como as provas finais, já que aqui, o ano letivo ainda nem terminou. T_T
Enfim... Dedico esse capítulo à Polliana Barros pela linda recomendação. Obrigada, linda!
Então... Há um flashBack, e se tiver alguma coisa confusa, me avisem. Eu explico, assim como se houver algum erro de ortografia ou digitação.
Enfim. Boa leitura, divirtam-se e até a próxima!!
Beijokas!!!


Duas... Três... Quatro... da manhã. O relógio parecia que iria girar e girar, tiquetaqueando perturbadoramente, e Klaus não chegara. Teria ele ido embora, mesmo?! Não sabia dizer.

Dentro de algumas outras horas, Caroline escutou o som da porta no andar de baixo batendo e passos soando pela escada.

Klaus. Seu coração disparou.

Estava preocupada. Ele podia ser a criatura mais poderosa do mundo — como ele havia dito outrora —, mas ainda assim, era a mais odiada, também.

Caroline correu pelo corredor, preocupando-se em não escorregar no carpete, enquanto alcançava o suficiente para vê-lo, lá, de pé no saguão, uma expressão nada boa. E ao ver isso, mordeu a língua, como se qualquer coisa que dissesse poderia trazer a tona coisas ruins, tais como pescoços quebrados. O dela, de preferência. Queria se desculpar... Mas pelo o que?! Por tê-lo beijado? Pela forma como o havia tratado mais cedo? Não havia um porque, notou... Era a coisa certa a se fazer. Ela ainda mantinha um relacionamento — quase desgastado, mas ainda existente — com Tyler. E não queria quebrar aquilo...

Os olhos azuis acinzentados de Klaus encararam os verdes dela. Um minuto silencioso, mas tenso. Ela podia enxergar a raiva beirando a tristeza nos dele. E aquilo a cortou por dentro, mesmo sabendo que não deveria. Deveria ser fria. Sabia disso... Mas ainda assim, não conseguia.

– Onde... – ela começou, abrindo seus lábios e balbuciando a palavra, mas parou abruptamente, mordendo-os. Para que perguntar onde ele havia estado todas àquelas horas? Não era da sua conta. Klaus apenas permitiu que o fantasma de um sorriso espalhasse pelo canto dos seus lábios avermelhados. Perigoso, deduziu a jovem vampira. Ele era perigoso no final do dia. Calando-se completamente, ela apenas se permitiu dar as costas, voltando para o corredor, em direção ao seu quarto. Não sabendo, nem sequer um segundo, se aguentaria aquilo.

Fechou a porta com força atrás de si, e jogou-se sentada na cama, respirando fundo.

– O que estou fazendo... – colocou os cabelos para trás, com as duas mãos, sentindo alguns fios virem nos dedos. Seus olhos ardiam, assim como sua garganta. Caroline se jogou na cama, encostando sua cabeça no colchão, suas pernas para fora. Reprimiu-se para não chorar, devido à sensação ruim em seu peito. Estava a ponto de dormir, quando escutou uma batida soar na porta. Ela nem sequer precisou murmurar um “entre”.

Klaus adentrou ao quarto, seu corpo se mexendo de forma graciosa até onde ela estava. Caroline, por sua vez, sentou-se na cama, endireitando-se. Se preparando para o que quer que viesse a ser feito pelo vampiro original, exceto aquilo.

Puxando-a pela nuca, com tamanha rudeza, Klaus levou sua boca de encontro à dela, beijando-a com força, volúpia. Inclinando-se sobre o corpo estático de Caroline, que não soube o que fazer, sentindo-se paralisada, não correspondendo ao beijo. Mas alguma parte, em sua mente, segundos depois, gritou em plenos pulmões que ela deveria retribuí-lo.

E ela o fez, sentindo seu corpo relaxar, a medida na qual ele a deitava sobre o colchão macio. Definhando-se em algo poderoso. De repente, conseguindo sentir o corpo de Klaus sobre o seu, tornando-a quente.

Em algum momento, eles se separaram, ainda que não houvesse tanta distância entre eles, parecia que um muro havia sido construído entre ambos. Os olhos azuis acinzentados de Klaus a aquecia através do muro, seus lábios entreabertos, enquanto se encaravam. Caroline sentiu um vazio atravessar seu estômago, como um vento — ou asas...

– Porque você ainda está aqui, Caroline? – a voz sussurrada. Seu nome sussurrado. Caroline sentiu seu corpo quase que derreter por completo ali, enquanto o encarava, os braços dele em cada lado de seu corpo, apoiando-se no colchão, nunca deixando seu peso sobre ela. Ele fechou seus olhos, como se não acreditasse naquilo. Mas nem mesmo ela parecia acreditar. – Você não precisa ficar... Você não quer ficar aqui, Caroline. Eu vejo isso. Eu vejo quando você olha para seu celular, como se esperasse que algo acontecesse, algo que possa tirá-la daqui. O que você está tramando, Caroline... O que você realmente quer?

Ela esperou que ele a compelisse. Ela esperou que ele quebrasse seu pescoço no primeiro instante. Mas quando ele abriu os olhos, parecia estar decepcionado consigo mesmo. E por um instante, Caroline Forbes pensou em contar-lhe a verdade. Iria matá-lo. Mesmo que matá-lo provavelmente, a mataria também. Aprisioná-lo, não... Livraria o mundo de Klaus. Seu namorado da ameaça que era Klaus. Queria aquilo, não queria?

A jovem vampira se arrastou para trás, até os travesseiros, para que tomasse certa distância de Klaus, que apenas a observava com uma expressão estranha. Até que então, percebeu que ele esperava uma resposta. Apenas uma resposta. Mas ela não podia lhe dar. Ele percebeu, o que o fez se levantar e caminhar até a porta, fechando-a atrás de si.

Caroline, segundos depois, apenas pegou seu telefone e digitou a seguinte mensagem, para o velho destinatário.

“Estou desistindo. Não consigo por muito mais tempo. Isso não vai dar certo, e eu... Eu quero voltar para casa.”


[...]


O telefone tocou sobre a mesinha junto à cama. Caroline se esticou para pegá-lo, não identificando o número ali. Esperava que não fosse Tyler. Seria realmente difícil explicar que havia beijado Klaus — seu inimigo — duas vezes.

– Alô? – perguntou para a pessoa do outro lado da linha.

– Eu realmente espero que não seja aquilo mesmo que eu pensei; você desistindo. – a voz soou. À principio se confundiu, mas logo, pelo tom rude notou de quem realmente se tratava.

– Eu falei sério. Eu estou...

– Não. Não está. E eu acho melhor você fazer as coisas da forma como combinamos, ou caso contrário... – estalou a língua, em sinal de um “tisck”. – Você consegue compreender do que se trata tudo isso? Precisamos nos...

– Ele pode estar escutando. – Caroline chiou, escutando à seguir, a gargalhada fria, do outro lado da linha.

– Que seja. – disse com desdém. – Faça.

E então, o click soou, e tão logo, a chamada estava muda.



A batida soou na porta de vidro, fazendo Caroline saltar do sofá onde estava sentada, assistindo ao noticiário, sobre a morte de Carol Lockwood. Deixou a TV de lado, caminhando até a porta e estacando ao ver a figura ali.

– O que você faz aqui? – perguntou a jovem vampira.

– Precisamos conversar, Caroline... – disse. Em seguida, olhou para a barragem invisível da porta, que não permitia que atravessasse à ela. Sorriu friamente. – Onde está sua mãe?

– Não acho que seja da sua conta. E de qualquer forma, eu não vou deixar você entrar. – alertou Caroline. A vampira sorriu, de forma fria. Os saltos soaram no cascalho de madeira, batendo os pés contra a madeira, impacientemente. – O que você quer?

– Eu quero matar Klaus. – disse, de forma direta. Caroline digeriu aquilo, de forma ruidosa. Ela mudou seu peso de perna, fazendo uma careta. – E você... Bem, você vai me ajudar. Ou bem... Você vai matá-lo.

Alguns instantes se passaram, devido ao silêncio quase que constrangedor.

– E porque eu faria isso? – Caroline exigiu. – Se eu matá-lo, todos vampiros irão morrer, também. Você sabe como isso funciona.

– Não é matar. – a vampira mais velha, revirou os olhos de forma impaciente. – Você vai mandá-lo de férias para um caixão. Digamos que... – tamborilou suas unhas pintadas de um esmalte vermelho vivo no batente da porta. – Alguns bons séculos.

– E se eu o fizer... Haverá uma certeza de que meus amigos estarão salvos, uh?

Absolutamente. – a forma confiante que a língua estalou não soou confiável para Caroline, mas ela não era confiável. Nunca seria... – É pegar ou largar.

O som da TV soou, ainda o anúncio sobre a morte de Carol Lockwood. E... Ainda que se sentisse uma traíra, Caroline tinha que concordar que salvar seus amigos e familiares de Klaus e suas maldades sem pé ou cabeça, era mais importante do que sua própria honra.

– Mas um vampiro não pode estaquear um Original... Apenas um humano pode. – Caroline recordou. A vampira sorriu.

– O que menos faltará serão humanos ao seu redor. Hipnotize alguém. Faça-o.

– Eu farei. – Caroline disse, após dar outra olhada na tela da TV ligada. Era por um motivo maior do que ela mesma ou suas vontades. Apertou a mão da vampira do lado de fora da porta, que sorriu. Pelo visto, Katherine teria sua vingança mais cedo ou mais tarde. Seja lá qual a razão.


Caroline balançou a cabeça, espantando as memórias ruins. Sentiu sua garganta queimar, enquanto caminhava para fora do quarto. Começava a se sentir realmente sufocada naquele lugar.

Assim que cruzou o corredor, sentiu a presença dele ali.

– Para onde vai? – sua voz carregada soou. Caroline olhou para trás. Sentiu seu estômago apertado.

– Eu acho que Itália é um bom lugar... Eu vou passear. Estou cansada de ficar trancafiada. – disse com desdém, arrumando a bolsa no ombro.

– Você não está... – Klaus deu um passo a frente, encostando-se na parede do corredor, seus braços cruzados, seus olhos encarando os de Caroline.

– Vamos deixar algo claro, Klaus. Eu não sou sua prisioneira. – ela levantou o dedo indicador, sua expressão enraivecida. A ligação de Katherine a havia frustrado aos montes. Ainda mais. – Na ponte, você mesmo disse que não queria que isso acontecesse. Então, eu espero algo de você além de me trancafiar numa casa, onde sou espionada por empregados todo o tempo. Sem nem ao menos poder respira direito. Então, por favor... Eu preciso de ar fresco.

Klaus deu um passo a frente, e consecutivamente, Caroline deu um para trás.

– Não tenha medo... – murmurou ele.

– Você matou Carol Lockwood. Ok, ela não era a minha pessoa preferida no topo da lista, mas também, não espere que eu o perdoe tão fácil. Você mata as pessoas como se não fossem nada...

– E não são. – ele disse, de forma dura.

– Não para você. Mas são para mim! Eu me importo se você sair por aí, querendo quebrar pescoços. É por isso que seus irmãos fogem de você, planejam matar você. Você apenas não consegue discutir uma vez, ou que qualquer pessoa discorde com você, para que você mate-a na primeira oportunidade. Talvez você precisasse parar de ser egoísta. – a voz não mais saia normal. Eram gritos, ecoados nas paredes do corredor. As expressões enraivecidas, ou contidas... Não importava. Ódio saia das palavras da vampira, assim como ódio saia do olhar de Klaus. E a pior parte de tudo, era que ele sabia que era verdade. Ser a criatura mais poderosa do mundo trazia riscos. Um desses era não ter quem realmente confiar.

– É por esses motivos que você e seus amigos planejam tanto me matar?! – ele exaltou-se. – Eu espero que você saiba ao menos o que acontece se você me matar, Caroline... Ou tente me mandar para um caixão, como eu fiz com meus irmãos nos últimos anos.

Ela estacou. Não era possível... Ele havia descoberto. Como, não sabia. Apenas sabia que naquele instante, nem ao menos, conseguia sentir seu corpo, ou ordenar-lhe algo.

– Eu sei. E eu estaria disposta a fazer isso... – a voz soou fraca. Balbuciara. Klaus juntou seus lábios, numa careta profunda. Em menos de um instante, ela havia sido jogada contra a parede, seu corpo doía, devido a pressão. O corpo de Klaus prendia o seu, assim como sua mão estava em sua garganta, apertando-a. Quase a esmagando.

– Eu poderia matar você antes mesmo de chegar perto do meu peito. – ele sussurrou contra o ouvido dela. Caroline sentiu uma lágrima escapar, escorrendo por sua bochecha. Ela sabia que ele poderia matar-lhe em apenas um piscar de olhos. Talvez realmente estivesse enganada quanto a Klaus. No final do dia, ele era o cara mal. Ele não precisava de um motivo para ser mal. Ele apenas era.

Então faça...” ela queria sussurrar, mas nada escapou por sua garganta esmagada pela mão do vampiro original. E antes que ela pudesse realmente dizer qualquer coisa, sentiu sua cabeça ir para o lado com velocidade e força. Klaus havia quebrado seu pescoço.

O corpo de Caroline fora segurado por ele, antes mesmo de alcançar ao chão. Ele sabia que ela estaria furiosa quando acordasse. Mas aquilo lhe pareceu necessário... Com um suspiro pesado, ele a levou de volta até o quarto, deitando-a na cama, tirando sua bolsa e jogando-a sobre a poltrona junto a cama. Retirou os sapatos da vampira, e apenas a observou.

E a pior parte, era perceber que ela estava certa. Assim como ela já estava mais perto de seu coração do que realmente poderia ter noção.