Leis De Um Sacrifício
12 — Cap. 11.
Notas iniciais
Bem, desculpem pela demora, eu sofri do velho e miserável bloqueio de criatividade. Na verdade, quem me salvou mesmo desse maldito, foi a Larissa, minha gêmea... Ela quem me ajudou, e escreveu o capítulo, entrou com as ideias e tudo mais. Então, é! Os créditos totais do capítulo vão para ela. Tudo o que eu fiz, foi apenas betar, mesmo.
Bem, Serena, obrigadíssima pela recomendação, flor!!!
Eu havia tentado postar ontem pela madrugada, mas não tive sucesso. Minha net me trollou duas vezes. -.-' ~ o que foi horrível.
Enfim, divirtam-se, e qualquer coisa, matem à Lary, ~ mentira, gente! Não matem a Lary! '-'
Até a próxima e boa leitura, prometo voltar antes de TVD e da estreia de The Originals. ;3
Os dedos da vampira tracejaram pelo peito nu do híbrido, enquanto eram emersos em uma conversa. Estavam ambos nus, deitados sobre os lençóis do quarto. Caroline quase que soltou um suspiro de contentamento, se não fosse pela sensação ruim que sentira novamente. A mesma que sentira noite passada. Parecia que alguém a observava. Mas depois do fato de estar com alguém que, definitivamente, tinha mais inimigos do que qualquer outra pessoa que conhecia, não era de se admirar aquilo. O estranho era mesmo, ele não ter notado. Ou tinha?
As mãos fortes e ávidas de Klaus voltaram a passear por seu corpo, de forma que o fizera acender em poucos instantes. Todo o calor voltando potencialmente. Fechando os olhos, Caroline arqueou sua cabeça contra os travesseiros, deixando-se à mercê dos lábios e mãos quentes dele. Mas então, lá estava... De novo. A sensação ruim, agourenta de estar sendo observada. E dessa vez, pareceu ainda mais doentio do que antes.
Os olhos da loira se abriram em um apto instante. Ela olhou ao redor, como se assim, pudesse encontrar quem quer que fosse a ameaça. Não viu, mas ainda, podia sentir. Suspirou, mas dessa vez, não em contentamento ou excitação. Foi um suspiro frustrado.
Fazendo um pouco de força, ela empurrou os ombros de Klaus para longe, sem muito sucesso.
– Pare... – balbuciou. Ele não deu-lhe ouvidos. – Klaus... Pare! Eu não quero. Eu... Por favor. Pare.
E ele o fez, ainda que aturdido e imerso em seus instintos à beira da selvageria. Tal como era o rumo ao qual acabava quando estava assim.
– Está tudo bem? – ele murmurou, deixando explicita a preocupação em sua voz. Endireitou-se na cama, sentando-se e puxando um lençol para seu colo, se cobrindo um pouco. – Eu... Fiz algo errado?
Aquilo quase fez Caroline sorrir. Quase. Mas a preocupação ali era latente demais para qualquer outro sentimento. Ela estava assustada. Muito assustada.
– Não... – ela olhou para a janela, à procura de qualquer vestígio de qualquer coisa. Nada. – Eu só... Bem, eu não estou afim. Eu sinto muito.
Passando os dedos dentre os fios loiros, Caroline seguiu até o banheiro, se trancando lá.
Estou ficando louca, pensou, enquanto ligava o chuveiro e deixava a água quente cair, até que chegasse à temperatura desejada. Enfiou-se debaixo, pedindo internamente para que nenhum monstro surgisse.
Quando voltou ao quarto, notou a ausência de Klaus. Teria ele se chateado com ela? Ah, tudo o que me faltava, pensou ela, bufando. Ao aproximar-se da cama, ainda com os lençóis desarrumados da noite passada, avistou uma caixa retangular revestida em veludo negro, com um laço de fita cor champanhe de bordas douradas. A loira admirou a caixa por longos instantes, tão luxuosa.
Junto à caixa, notou um cartão rabiscado em uma letra perfeita, meio inclinada, que concluiu pertencer à Klaus.
“Arrume-se e me encontre no hall às 18 horas. Eu quero ver você ofuscar a cidade luz.
P.S.: O vestido está no armário.
Klaus.”
– Oh, Deus... – exclamou baixo, estaria ela se apaixonando por ele?
Seu corpo tremeu ao abri a caixa e avistar o colar, e, um par de brincos, cravejado de diamantes perfeitos, com pequenas safiras que lembrava-lhe o mar. Ambos em si, lembrando ramos de flores. Fazendo-a chegar à conclusão de que aquela era a coisa mais linda que havia visto na vida.
Suspirou, era simplesmente adorável.
Ainda boquiaberta, Caroline se encaminhou ao armário, para em seguida, encontrar uma caixa revestida de cetim. Ao abri-la, encontrou um vestido preto, longo e supostamente, justo. Acetinado. Sorrindo, ela voltou a guardar o mesmo, perguntando-se se iria demorar muito até que anoitecesse.
Vestiu suas roupas, jeans justo e uma regata branca, deixando seu cabelo solto, como de costume. Deixando o quarto, Caroline desceu até a recepção do hotel. Perguntou à recepcionista simpática, que lhe sorriu amavelmente, sobre algum recado. Assentindo, a jovem mulher lhe passou um bilhete.
“Não me espere para o almoço. Assuntos importantes à tratar. Nos vemos à noite.
Amor, Klaus.”
Suspirando, Caroline agradeceu à jovem e se afastou, enfiando o bilhete no bolso. Seria uma longa tarde sozinha.
Após visitar algumas lojas, Caroline por fim, decidiu que almoçar sozinha não era tão ruim. Adentrou em um bistrô, sendo recebida por um maitre. Sentou-se em um canto onde pudesse melhor ver a rua, pediu um estrogonofe e vinho.
Hora em hora, checando suas mensagens, sem ao menos saber exatamente o que esperava, Caroline decidiu que estava frustrada. Pegando sua bolsa, a loira seguiu até o toalete.
Jogou água no rosto, encarando-se no espelho. Parecia cansada ao seu ver. Respirando fundo, Caroline seguiu para fora do banheiro, mas antes que alcançasse a área onde se encontravam as mesas, a loira sentiu seu braço ser puxado, e ao virar, sua mandíbula quase foi ao chão.
– Oh, Deus... Tyler! – exclamou a loira, jogando-se sobre os braços do híbrido, abraçando-o. Ao afastar-se, percebeu estar quase paranoica. E se Klaus chegasse?! Não duvidaria... Nunca duvidava. – O que está fazendo aqui?
– Vim resgatar você, Caroline. – Tyler disse, enfiando as mãos no bolso de sua calça jeans. Ele parecia cansado, notou ela.
– O que? – ela sorriu, confusa.
– Eu vim levar você para casa... Todos estão preocupados com você. Ninguém sabe exatamente seu paradeiro. – ele continuou, parecendo preocupado.
– Eu não vou... – ela murmurou, sentindo-se péssima com a ideia de que, caso seguisse Tyler, magoaria Klaus. E bem... A ideia parecia ruim. Muito ruim. – Eu sinto muito. E, aliás! O que diabos você está fazendo aqui? Eu deixei claro que não estávamos mais juntos! O que faz aqui?
– Eu disse, eu vou levá-la para casa. – disse ele, agora, sua expressão sombria.
– E eu disse. Eu não vou. Não era nem sequer para você estar aqui. Vá embora, Tyler! – ela olhou ao redor, à procura de qualquer evidência de alguém podendo escutá-los.
– O que está acontecendo, afinal? – exigiu ele, alcançando o braço dela e apertando-o, ao mesmo tempo em que a puxava para mais perto de si. – Elena mencionou algo sobre sacrificar... O que você está fazendo, afinal?
– Não era para você estar aqui. – choramingou ela. – Depois de tudo... De todo o sacrifício para você estar à salvo, você vem... É melhor você ir embora, Tyler. Não é seguro.
Tyler sorriu, de forma fria.
– É claro que não... – disse com desdém. – Enquanto você gemia feito uma vagabunda, debaixo do Klaus, não ma parecia com nenhum sacrifício. Ou estou enganado?
A raiva subiu-lhe de forma extrema, e antes que pudesse emitir qualquer palavra, ou dar-se conta de qualquer outra coisa, o alto estalar de um tapa soou. Tyler levou a mão ao rosto, sentindo-o arder.
Raiva queimando entre os dois.
– Vai para o inferno! – cuspiu ela, dando-lhe às costas à seguir.
Caroline tremia, seu corpo parecia uma caldeira em ebulição, prestes à explodir. Deus... Como ele pode ser tão imbecil? Pensou, caminhando à passos largos pela rua rústica de paralelepípedos. Ao chegar à recepção, pensou em perguntar algo. Mas o que ela queria saber afinal? A resposta veio como um estalo, ela queria Klaus. Onde ele tinha se metido afinal? Perguntou-se, enquanto andava de um lado para o outro no elevador.
Ao chegar ao corredor, algo quase agourento lhe atingiu e só então ela teve consciência de tudo o que acabara de acontecer. Era Tyler. Ele quem a observava na noite passada e na noite do baile.
– Oh, Deus... Ele tem razão! Como eu pude me deitar com o homem que arruinou a vida de todos que eu amo?! – as palavras saíram engasgadas conforme o choro tomava conta de Caroline. Era como se ela tivesse se dado conta de que uma tragédia havia acontecido.
Mas não era, por mais horrível que viesse a vir parecer, ela não estava tão triste, nem sentindo-se culpada quanto a jovem encolhida no chão, chorando em plenos pulmões, aparentava estar. Até horas atrás, ela estava feliz. Feliz como ela nunca havia sido em Mystic Falls. Caroline sempre fora uma jovem vaidosa, ambiciosa, querendo sempre mais da vida. Mais adrenalina, mais aventura, mais emoção, e, tudo isso, ela havia encontrado com Klaus. Ela se sentia uma rainha sendo mimada e adornada de brilhantes. Caroline não era hipócrita, que mulher não amaria ganhar diamantes?!
E o sexo, Tyler tinha plena razão, ela gemia feito uma vadia. Porque ela se sentia uma. Ela sentia que com Klaus, ela podia ser uma vadia promiscua que mesmo assim, ele ainda a amaria. Quando estava com ele, era selvagem, insano, ela sentia-se suja pelas coisas que dizia. Pelas coisas que pensava enquanto tinha Klaus dentro de si. Era tão maravilhoso que a fazia gritar seu nome em meio ao ápice. Para que assim, seu cérebro pudesse guardar o rosto, cheiro e tudo o que pudesse vir a lembrar daquele que a proporcionava tamanho prazer.
O último pensamento fez com que a loira parasse, por um momento, seu choro. Porque estava se lamentando, mesmo? Por ter tido múltiplos orgasmos com um Serial Killer sanguinário e cruel?
Sentindo-se ridícula por aqui, Caroline levantou-se do chão. Não era uma criança, tinha que encarar os fatos. Por mais que tentasse se convencer de que sentia culpa, não o fazia. Sentia medo por Tyler, sabia do que Klaus era capaz. Mas culpa?! Não existia. Não sentia. Não mais.
Chegando ao apartamento amplo e luxuoso, Caroline subiu até seu quarto, que a esta altura já estava arrumado. Jogando-se na cama, ela aspirou profundamente os lençóis de algodão marfim. A loira se perguntou que tipo de monstro ela era. Como ela poderia ter ficado excitada com uma lembrança que deveria causar-lhe asco? Como ela poderia estar ali, buscando o cheiro dele? Mesmo sabendo que os lençóis haviam sido trocados há pouco?!
Fitando o teto, Caroline deixou-se arrastar pela maré de lembranças que insistia em danificar a sustentação de sua sanidade.
Klaus, adorável e demoníaco Klaus.
Olhos azuis acinzentados, como o céu quase nublado. Então, tudo veio; o prazer, a dor, o medo, a satisfação, o carinho, o amor...
Caroline foi tirada do seu devaneio pelo toque do telefone do hotel.
– Sim? – respondeu, mais resmungando do que qualquer outra coisa, sua voz ainda era trêmula.
– Senhora... Perdão, mas seu marido pediu para lhe ligar quando fosse quinze horas, e lembrar-lhe sobre um compromisso importante. E lhe dizer que o hotel tem serviço Compact SPA para tais ocasiões. – a vampira não estava prestando atenção no que a voz suave e açucarada lhe dizia. Mas agradeceu assim mesmo, ao desligar, e dirigiu-se ao armário, pegando a caixa com o vestido e abrindo o cofre, tirando de lá, a caixa retangular com as joias.
Depois de um momento de reflexão, ela decidiu que SPA seria uma boa ideia, afinal, se daqui à algumas horas ela estaria despenteada, suada e gemendo sob o copo de Klaus, porque não ficar linda e relaxada para ele? Seu homem. O pensamento fez Caroline soltar um risinho tímido. Estava passando muito tempo com Klaus. A ironia costuma ser contagiosa.
Ligou para a recepção, pedindo um “Express” que levava duas horas, ainda eram dezesseis, daria tempo. Quando os funcionários chegaram a Loira se deixou cuidar pelas mãos treinadas e os caros cosméticos. Sim, ficaria linda para o seu homem. Assim seria mais fácil convencê-lo de que Dubai é uma boa idéia. Precisava proteger Tyler.
Após, exatamente duas horas, Caroline estava pronta. A pele de pêssego ainda mais aveludada, os cabelos luminosos. Um deleite aos olhos. Depois de dar uma boa gorjeta aos funcionários, Caroline se dirigiu ao seu quarto, abrindo a gaveta de lingeries. Pegou um conjunto perfeito: Calcinha fio dental de renda francesa, sutiã com decote finamente bordado, meias calça e ligas. Agradaria Klaus, usaria suas armas pra ter o que queria. Depois de vestir-se Caroline olhou-se no espelho, a maquiagem impecável, o cabelo colocado para o lado com uma trança francesa como suporte, e as joias.
Perfeita, concluiu.
Desceu às cinco e cinquenta, e, ao chegar no Hall lá estava ele, magnificamente adorável, em seu blazer cinza de corte ousado. Tinha no rosto uma expressão divertida.
– Boa noite, senhor Mikaelson – disse a loira, divertida com o olhar do híbrido. Ele ponderou por um momento, como se procurasse as palavras certas.
– Acho que levar você de volta pro quarto seria uma ótima ideia. — disse ele analisando a garota com um olhar pervertido.
– Nem pensar Sr. Mikaelson – ralhou a loira em um tom incisivo. – Eu passei a tarde inteira me arrumando pra esse evento e não vou deixar você desfazer todo esse trabalho, sem, ao menos, me deixar mostra à Paris, como eu estou linda.
– Acho que você está convivendo demais comigo – comentou Klaus por fim, com um sorriso torto.
– sim, eu também acho. Mas fazer o que se nós somos o casal mais perfeito de toda a França!? – brincou Caroline, com um lago sorriso.
– Quem é você e o Que fez com a verdadeira Caroline Forbes? – disse Klaus arqueando as sobrancelhas em inquisição.
– Ora, não seja inconveniente, eu estou em Paris, no hotel mais caro da França, vestida em um Valentino com meio milhão de dólares pendurados no pescoço e orelhas, passei o dia no SPA e sem ter que olhar pra essa sua cara cínica. Estou com um ótimo humor! – disse Caroline fazendo caras e bocas.
– É... Aí está ela, difícil e insuportável Caroline – disse Klaus de maneira sedutora, puxando Caroline pra junto de si. – Por quem estou apaixonado.
Os olhos se encontraram, o coração da Loira falhou uma batida. Ela estava apaixonada, completa e estupidamente apaixonada. Mandando todo o mundo e quem quer mais que fosse, Caroline inclinou a cabeça um pouco para trás, para que assim, suas bocas pudessem se encontrar, em um beijo profundo e quente, repleto de significados. As mãos de Klaus em sua cintura, apertando-a possessivamente.
Aquilo já havia se tornado uma rotina, tudo entre os dois era muito intenso, muito sensual, sexual. No momento em que Klaus passou os lábios pelo queixo da loira, e começou a beijar seu pescoço ela se deu conta de onde estavam.
– Klaus – arfou a vampira, se afastando do híbrido. – As pessoas estão olhando.
– Ok... Vamos para o quarto – murmurou o Original, com os olhos nublados de luxuria.
– Não, nós vamos sair! – disse a vampira, nada amistosa.
– O que? Não, você não pode me deixar nesse estado! – resmungou Klaus parecendo mesmo desesperado.
– Klaus! – repreendeu a garota, cruzando os braços numa atitude repreensiva, como uma mãe.
– Ok... – concordou ele, com um suspiro vencido. Ele voltou à se aproximar dela, sussurrando em sua orelha à seguir, seu sotaque carregado, fazendo os joelhos da loira quase cederem. – Mas eu não responsabilizo pelas minhas atitudes, e fique sabendo que isso não se faz com um homem, é cruel.
– Você está agindo feito um adolescente ninfomaníaco. – debochou a loira, com um olhar sarcástico, entrelaçando seu braço ao do híbrido. Klaus não dignou a responder apenas a olhou com falso desdém.
Era indescritível, não havia palavras para definir qual era a sensação, Paris era linda demais pra ser descrita. Só mesmo vivendo, pra saber.
Os vidros da BMW preta permitiam uma ampla visualização da paisagem, o veículo ia a uma velocidade moderada. As ruas eram turísticas, por tanto, não tinha muito tráfego. Caroline tinha a cabeça recostada na Janela, observando atentamente todo o brilho Parisiense. Ela mantinha uma expressão Indecifrável, alternando entre o comprimir de lábios, risos acanhados e o franzir da testa. Estaria preocupada com algo, ou só perdida em pensamentos? Klaus que a observava minuciosamente questionou-se internamente.
Alguns minutos se passaram até que o carro reduziu a velocidade, Caroline estava tão aturdida com a vista que nem percebeu que eles haviam parado, até que Klaus chamou sua atenção.
– Você está bem, amor? – A loira se assustou como se estivesse sendo acordada de um cochilo.
– sim! Estou. Sinto muito, eu me distraí. Você disse algo? – tagarelou afoita. Seu nervosismo a estava condenando, era quase palpável. O que seria dela se Klaus soubesse sobre Tyler? Caroline balançou a cabeça, como se assim, pudesse limpar e mandar os pensamentos para longe.
– Não. Você não está bem... Aconteceu alguma coisa? Algo que não esteja me contando? – Klaus alcançou sua mão, apertando-a levemente, tentando mostras a loira que poderia confiar nele. Caroline olhou suas mãos juntas, para em seguida, agarrar-se à um sorriso preguiçoso.
– Não... Nada aconteceu. É só que... – as sobrancelhas de Klaus se arquearam, para que ela continuasse. Ela deu de ombros. – É tudo tão lindo. Mas... Bem, eu sinto falta de Mystic Falls.
A expressão de Klaus se fechou instantaneamente, como se uma sombra assassina houvesse pousado sobre seus olhos. Algo extremamente sombrio.
Caroline esperou por um surto, gritos e ossos partidos. Mas tudo que ele fez — o que veio a ser tão assustadoramente inesperado — fora fechar os olhos com força e suspirar profundamente. Ele estava ponderando? Talvez estivesse decidindo qual a melhor maneira de humilhá-la ou até mesmo de matá-la. Apenas essa possibilidade fizera com que alguma coisa, um maldito caroço, se formasse em sua garganta, anunciando que muito provavelmente, começaria a chorar. Ele a odiava, e isso foi como uma estaca em seu peito. Afinal, quanto mais tempo ela passava ali, com ele, mas ela notava que realmente se importava, a ponto de amá-lo, ainda que a ideia parecesse impossível.
O silêncio se alastrou, e Caroline, só então, percebeu que prendia a respiração. Algo em sua mente anunciava que algo realmente ruim poderia estar por vir.
Klaus abriu os olhos lentamente como se verificando, e quando encontrou os olhos da garota a sua frente, tudo o que ela viu foi mágoa, não havia ódio ou raiva. Apenas mágoa.
Outras vezes, Caroline havia notado o quão frágil ele podia ser, em pequenos movimentos, pequenas coisas. Mas naquele momento, aquilo pareceu esmagá-la ainda mais. Praguejou a si mesma. Ele havia feito o impossível para que ela pudesse estar feliz, satisfeita e ela havia jogado tudo aquilo fora com meras palavras que nem ao menos foram inteiramente sinceras.
Porque, bem... Não era como se ela sentisse falta da cidade em si, apenas sentia de sua mãe e amigos. Amigos e mãe aos quais havia deixado de lado para estar ali. Mas algo tinha que admitir, sempre havia sido seu sonho sair de Mystic Falls. E lá estava ela, longe. Junto à alguém que realmente parecia amá-la do jeito que era. E talvez, apenas talvez, aquilo importasse mais do que a cidade ou qualquer outra coisa. Ela passara a perceber, mesmo que a muito pouco tempo — horas, podia-se dizer — que o amava. Amava Klaus. Amava estar com ele, como ele era culto e gentil. Cínico e sarcástico. Amava aquele homem. Mas ainda assim, ela o havia magoado, com sua ingratidão, porque, a verdade seja dita, tudo o que ela sentiu e viu no rosto dele, fora a ingratidão de sua parte.
– Vamos – o tom gélido fez Caroline querer atirar-se aos seus pés, e implorar, humilhar-se, para que ele a perdoasse. E, bem... Ela o teria o feito, de bom grado, se não estivesse paralisada pelo medo e surpresa. Porque, bem... Uma bofetada doeria menos do que o tom usado para com ela. Ela havia esperado que ele gritasse, chacoalhasse ela pelos ombros, que até mesmo a jogasse para fora do carro. Qualquer coisa, exceto aquilo.
Preferindo ficar quieta, Caroline sentiu medo de dizer qualquer outra coisa que pudesse vir a fazê-la perder o coração ou cabeça, literalmente falando. Mas, qualquer coisa, seria melhor do que aquela indiferença.
Ao saírem do carro, deram-se de cara à um prédio de dois andares, suas paredes eram de vidro, podendo assim, ver seu interior, arranjos de orquídeas, bromélias e narcisos. A mobília requintada e luxuosa, quadros de arte nas paredes. A iluminação climatizada à luz de velas, assim como à lustres de cristais. A música ao vivo soava no fundo, assim como o piano e cello. Violino e harpa. Era o céu, concluiu a loira, deslumbrada demais.
– Este é o restaurante mais procurado pela comunidade vampira – a voz de Klaus soou, de maneira que não a agradou. Lá estava lá, aquele gelo e indiferença, tal como algum guia turístico entediado demais com seu trabalho. Ela o fitou, procurando por qualquer olhar enraivecido ou magoado, ou até mesmo o tédio, mas... Não houve nada. Sua expressão neutra. Ele continuou. – Vê os vidros? São duplo-temperados, os raios ultravioletas não ultrapassam, só a luz, pura e limpa.
– É... Fascinante... – sussurrou a jovem, admirada demais, alcançando a mão do híbrido, apenas esperando que o mesmo se afastasse. Klaus, por sua vez, lançou um olhar para as mãos juntas, esperando em seguida que ela estivesse admirando ao redor, olhou para o rosto da jovem, que ao contrário do esperado, com os grandes olhos azuis esverdeados o fitava, repletos de um brilho que ele sentira-se muitas vezes direcionando à ela: devoção. Amor.
– Eu sinto muito... Eu me precipitei com minhas palavras, eu... Bem, eu sinto falta de casa, da minha mãe, dos meus amigos... Mas eu nunca, jamais, me senti tão feliz, tão viva, tão verdadeiramente eu, quanto nesses últimos dias. Eu sinto falta de lá, mas aqui é onde eu quero estar. É onde eu sinto que pertenço... Com você. – não sabia exatamente como aquelas palavras haviam saído, como conseguira trazê-las à tona. Então, de repente, ao fechar sua boca, notou que talvez, tudo o que estivera esperando fora a rejeição. E se ele o fizesse? E se ele dissesse, como havia dito outras vezes, que não se importava? Provavelmente, seria um golpe ainda pior do que antes.
– Eu sinto muito – ele disse. Sua voz não passando de um sussurro, carregado com seu sotaque, ela sentiu seu corpo começar a relaxar. – Isso tudo irá mudar, eu prometo.
Uma bofetada, concluiu ela, estática. Como ele poderia ser tão frio quanto aos sentimentos dela? Como ele poderia fazer isso? Ela havia dito que o preferia ao invés de quem quer mais que fosse, de seus amigos ou mãe. E essa havia sido a forma dele retribuir.
Ao inferno Klaus e toda a sua maldita fragilidade.
Ultrajada, ela puxou sua mão da dele. Estava repleta de raiva, fervendo. Sem olhar para ele, seguiu em frente, atravessando os jardins do restaurante, sendo seguida de perto pelos olhos do híbrido, que permanecia com sua expressão impassível.
Ao adentrar o local, Caroline foi recebida por uma jovem loira, atraente. – Seja bem vinda ao Sant’ Estella, senhorita...? – a jovem tinha aquele sotaque charmoso, que a fazia lembrar o de Klaus.
– Mikaelson. – a voz dele soou, melodiosa, o sorriso direcionado a garota, fazendo algo arder entro de Caroline. Ciúmes, admitiu inconscientemente.
– Oh. Sim, senhores Mikaelson, é um grande prazer recebê-los. Sejam bem vindos – o sorriso foi de orelha à orelha. Vadia, pensou Caroline maldosamente, enquanto imaginava milhares formas nas quais a jovem poderia morrer. Todas sangrentas e cruéis.
A jovem recepcionista os levou até o andar superior, próximo às janelas. A vista era deslumbrante. Sentados, Caroline suspirou por não poder se dedicar completamente ao momento. Um maitre veio até eles, entregou os menus de vinhos e dos pratos, à cada, e, com meia reverência, se retirou.
Klaus olhou para Caroline, por cima do cardápio.
– Precisa de ajuda? –ele a indagou, sem a mínima emoção.
– Peça. Eu nunca comi nada do que tem aqui, e sobre vinhos... Eu prefiro tequila – ela deu de ombros, de forma petulante. Klaus bufou exasperadamente, chamando o maitre a seguir. Pediu sete pratos diferentes, um vinho italiano e outro do Portenho. E finalizando com champanhe francês.
– Insuportável – silvou Caroline, fazendo seus lábios se entortarem em quase um rosnado. – O que disse? – a voz polida de Klaus soou. Era óbvio que ele a havia escutado, mas era de seu feitio querer saber até onde ela iria. Joguinhos eram definitivamente sua diversão. – Eu disse “insuportável”. Porque você é insuportável, metido, egocêntrico, arrogante! Seu... Seu... – o tom de voz era alterado, alguns oitavos mais alto. Caroline tinha noção de que todos sobrenaturais ali haviam percebido seu tom. Quem sabe, até mesmo os humanos. Mas ela não pareceu se importar. Ela definitivamente não o fazia.
Queria esbofetear Klaus, cuspir em sua cara tudo o que estava sentindo. Toda a montanha russa. Queria ir embora dali. De repente, parecia que todas as paredes iriam se fechar ao seu redor.
A ideia de estar apaixonada por ele e agindo daquela forma, como uma adolescente insegura a irritou ainda mais. Era assim como se sentia. Insegura, desprotegida. Diabos, sentia-se novamente uma humana.
– Por favor, faça silêncio. Estamos em um local público, onde todos aqui podem ouvir nossas respirações. – ainda que não olhasse para a loira, a expressão em seu rosto não era de repreensão, era de divertimento. Ele estava se divertindo às custas dela.
– O que? – gaguejou ela, sentindo-se confusa de início, mas à medida em que via a expressão de divertimento dele apenas aumentar, teve sua raiva também aumentada. Em grande proporção. – Seu maldito bastardo arrogante! Quem você pensa que é para me mandar ficar quieta?
Não era mais uma conversa. Caroline gritava estridentemente para quem quisesse ouvir, e tinha certeza que todos a escutavam. Ao contrário da loira, Klaus se manteve calmo, alheio à gritaria, bebericando da taça de vinho. Isso fez com que a raiva da vampira aumentasse ainda mais. Ele estava ignorando-a?
Ultrajada, Caroline levantou-se, pronta para arrancar a cabeça de quem quer que viesse a lhe olhar atravessado. E por mais incrível que viesse vir a parecer, todos os outros clientes, assim como Klaus, estavam alheios à gritaria da loira. E, de certa forma, aquilo era mais constrangedor, ela estava ali, gritando para os quatro ventos e todos, principalmente Klaus, estavam alheios, ignorando-a.
Bufando, a loira dirigiu-se à saída do restaurante, logo, recuou. Virando à esquerda, em direção ao toalete. Não daria esse gosto à Klaus. Ele, de forma alguma, venceria.
Caroline encarou seu reflexo, vendo uma mulher bonita e coberta de joias caras, mas que por dentro, mais parecia vazia, estava em pedaços. Como alguém poderia conseguir levar alguém do céu ao inferno em tão pouco tempo?
– O que há de errado com você, Caroline? – indagou chorosa. O reflexo lhe respondeu com um olhar sombrio, mais parecendo deprimido do que qualquer outra coisa.
Abriu a torneira, e molhou as mãos. Queria molhar seu rosto, quem sabe até, lavar-se ali, mas era impossível. Estragaria a maquiagem. Seria divertido voltar ao salão totalmente deformada, provavelmente, Klaus a notaria.
– Oh, Deus. Quanta infantilidade! – sorriu, embora o sorriso fosse amargo. As mãos molhadas levadas à nuca, tentando a se livrar de toda tensão, e falhando. Depois de alguns minutos repetindo o processo, Caroline estava mais tranquila. Sentindo seu instinto competitivo falar alto, ela se policiou para não deixar Klaus ter o gosto de vê-la desistir. Ela iria voltar. Iria mostrar-se forte, como era. Respirou fundo, com a mão na maçaneta.
Abriu a porta em seguida, caminhando pelo corredor, até que sentiu algo. Sua pele se arrepiando de repente — entregando a ameaça.
Tão logo, sentiu uma mão cobrir a boca e a outra segurar-lhe a nuca, puxando-a junto à parede, serpenteando ali, até a próxima porta. O que pareceu ser um pequeno armário de vassouras.
Ela sentiu-se pronta para atacar quem quer que fosse, e quando o fez, soltando-se de seu agressor, notou na penumbra do lugar apertado, os olhos castanhos. Outro arrepio subiu-lhe.
– Você só pode está brincando! – exclamou baixo. – O que diabos está fazendo aqui?
– Eu vim salvá-la... Tirar você daqui! – Tyler tinha uma expressão repleta de compaixão, próximo demais à confusão. Algo que incomodou a loira.
– O que? – ralhou ela, tentando alcançar a porta, mas Tyler interrompia a passagem. Apenas precisava se livrar dele, já que ele era a única coisa que a impedia de dar o fora daquele lugar. – Você é surdo ou está apenas tentando se matar? Eu não vou a lugar algum com você. Eu não fui clara o suficiente mais cedo, quando me chamou de vadia?
Apesar de se segurar para não gritar, Caroline não podia negar que estava extremamente enraivecida, à ponto de ser em Tyler que descarregaria toda sua raiva. Ainda que na penumbra, Caroline podia notar todo o cansaço no rosto de Tyler, fazendo-o parecer alguns anos mais velho. Talvez fosse sua barba por fazer e as olheiras profundas.
– Caroline... – ele sussurrou, se aproximando da loira que se encolheu um pouco. Ele colocou as duas mãos ao redor do rosto da mesma, sua voz profunda.
– Por favor, Tyler... – ela sussurrou. – Vá embora. Ele vai matar você.
Caroline tremia, amedrontada demais. Embora Tyler e ela fossem romanticamente próximos, ela tinha que admitir que ele costumava ser seu melhor amigo. E a ideia dele morto parecia muito ruim. Ela não aguentaria.
– Eu sei... Eu sei da verdade, Caroline. Você veio por mim. Para me salvar... Ele deve ter compelido você, mas eu posso te ajudar! Você precisa vir comigo... Vai estar tudo bem. – as palavras dele beiravam à loucura, Tyler soava como quem queria mais convencer a si mesmo do que a ela. Vingança era definitivamente uma merda, concluiu ela.
– Eu preciso que você vá, Tyler. Por favor. – voltou a sussurrar. Logo, sentiu os dedos do mesmo apertarem-se ao redor de seu rosto, fortemente, prendendo-a. Perplexa, ela encarou a ele como quem encara à uma criatura selvagem demais.
– Shh... – criticou amavelmente. – Eu vou ajudá-la, Car. Eu prometo.
Tudo o que Caroline pode sentir fora os dedos em seu pescoço, para em seguida, toda a escuridão engoli-la. Definitivamente, aquele não era seu dia de sorte.
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