Notas iniciais
Boa leitura. ^-^'

– Você tem noção do que você está se metendo?! – a voz de Bonnie soou, enquanto Caroline arrumava suas malas, ou bem, jogava boa parte das suas roupas nela. Sentindo-se cansada de escutar todo o discurso de sua melhor amiga, ela apenas se virou, inexpressiva.

– Sim. – respondeu. – Eu sei onde estou me metendo. Eu estou ajudando aos meus amigos, a toda a cidade. Você sabe o que vai ser para Tyler agora que a mãe dele morreu? Não poder voltar para Mystic Falls por que não pode se encontrar com Klaus, já que Klaus quer matá-lo.

Bonnie suspirou. Ela sabia dessa parte onde Tyler mais fugia do que qualquer outra coisa. E estava preocupada com isso, claro... Mas com os problemas de ultimamente, mal teve tempo de pensar em se quer respirar.

– Eu não sou a favor... – começou Bonnie, após um suspiro cansado. – Mas eu não vou impedir você, Car. Você deve saber o que está fazendo. E eu vou tentar ao máximo manter as coisas bem por aqui, tentando encontrar uma maneira de deter Klaus. Eu apenas quero que...

Antes que Bonnie terminasse sua frase, Caroline a havia abraçado apertadamente — não da forma grosseira e vampiresca. Bonnie correspondeu igualmente.

– Eu não sei o que seria de mim sem vocês... – murmurou a loira, ainda com o rosto enterrado no ombro e cabelo da amiga.

– Sim. Nem eu... – Bonnie soltou um risinho baixo. Foi quando a porta do quarto se abriu numa rajada de vento, e tão logo, Stefan Salvatore se materializou ali, numa expressão não muito boa.

– É verdade? – ele perguntou, olhando para as malas sobre a cama e em seguida, para Caroline que havia tomado à frente de Bonnie no momento em que vira a porta ser aberta, em uma postura protetora. Ela relaxou, saindo dessa postura. Ponderou por longos segundos, então, decidiu ser forte, como sempre tentava. Assentiu.

– Sim. – disse ela, não conseguindo segurar um pequeno sorriso triste. Ela não queria partir com Klaus, era obvio para ela. Mas toda a sua força de vontade e necessidade de livrar as pessoas que ama de destinos cruéis que foram consequências do Híbrido, era mais forte do que qualquer outra coisa. Muito além da saudade que sentiria. – Não é tão ruim... – assegurou ela. – Eu pelo menos vou conhecer algum lugar novo.

Stefan balançou sua cabeça, exasperado. Fazendo Caroline sentir-se mal.

– Não me julgue, Stefan. – ela disse. – Eu estou dando meu melhor para salvar Elena e os outros. Dando mais tempo para você dar um jeito nessa bagunça, sem a interrupção de Klaus.

– Eu entendo. Só que... – ele não terminou a frase, apenas deu um passo à frente e a abraçou. Caroline, como das outras vezes, se segurou para não chorar. Não desejava que aquilo fosse uma despedida final. Eles iriam se ver novamente, certo? Todos eles... Bem longe dos perigos, tais como eles eram no início... Sem nenhuma confusão com Originais ou outros vampiros, certo? Caroline não sabia dizer. Com um suspiro cansado, ela se afastou de Stefan, voltando sua tarefa em arrumar suas malas — agora, nem um pouco animada como outrora. Assim que as terminou, colocou-as no canto do quarto, prontas e brilhando enquanto as encarava, sentiu os olhares de seus amigos em suas costas.

– Vai dar tudo certo. – prometeu ela, com um sorriso genuíno. E apesar de Bonnie e Stefan assentirem, eles sabiam que muito provavelmente, não daria.


[...]


Caroline evitou encontrar qualquer outra pessoa que fosse. Não queria que muitos soubessem da verdade, assim como soubessem que ela estava indo embora por tempo indeterminado. Aquela era o tipo de dor que não queria fazer as pessoas que gostava passar. Mas lá estava... A parcela de saber que esse era o preço da eternidade; assistir a morte levar a todos.

Ela assistiu o pôr do sol da varanda de casa, sentada nos degraus da mesma. Usava um vestido florido de verão por debaixo do grosso casaco de frio. Mystic Falls não era muito nevar, mas fazia bastante frio naquela época do ano.

– Stefan me contou. – a voz soou, de trás de uma árvore, uma Elena franzida surgiu, caminhando até a amiga e se sentando ao seu lado. Caroline sorriu para ela, tentando mostrar-lhe o quão feliz estava em vê-la.

– Sim... Eu imaginei que ele o fizesse. – ela sorriu.

– Isso é injusto... – disse Elena ao se sentar ao lado da amiga. Caroline juntou seus joelhos, abraçando-os e apoiando sua bochecha neles, encarando sua amiga, sentada ao seu lado. – Klaus não deveria lhe obrigar a fazer algo assim.

– Ele não está me obrigando, Elena. Eu vou porque eu quero... Eu escolhi. – ela disse, de forma que fez sua amiga franzir, tornando os lábios finos e bochechas mais evidentes.

– Eu... Eu não entendo. – murmurou Elena.

– É como você costuma fazer. – explicou Caroline. – O sacrifício, quero dizer. Todos vão ficar bem com isso. Eu só irei precisar de alguns anos, algum tempo até consertar as coisas e... De qualquer forma, uma hora terei de ir embora. Eu não vou envelhecer e as pessoas vão começar a notar isso. Eu tenho mais alguns anos... Poucos. Eu não terei que inventar muitas desculpas.

– Isso não faz das coisas mais fáceis. – resmungou a morena.

– Ninguém disse que seria fácil. – disse a loira. – E... Eu sempre quis conhecer o mundo. Eis a minha chance de fazê-lo. Klaus esteve em muitos lugares... Talvez ele possa me mostrar alguns.

– Oh, eu tenho certeza disso. – murmurou Elena, fazendo Caroline rir. A maldade nas palavras a fazia lembrar-se de Damon Salvatore, o irmão mais velho de Stefan. No final, ela suspirou, notando que o sol já há muito havia ido embora. – Matt iria querer vê-la...

– Não. – a palavra soou com uma força. Ela não queria ver Matt. Não queria ter de ser lembrada por mais alguém sobre o quão estúpido aquilo era.

– Tudo bem, então. – Elena sorriu, se encostando no ombro da amiga, e encarando a escuridão e os animais noturnos que começavam a dar sinal ali perto. Caroline também os escutou, perguntando-se se seria capaz de escutar os sons de Mystic Falls novamente. Imersa em pensamentos, ela assistiu as horas se passarem.

Quando o relógio anunciou às onze horas da noite, ela levantou-se da varanda. Há muitos, Elena havia partido, alegando ter de caçar, mas Caroline sabia que ela provavelmente iria se lamentar sobre Damon ter tentado quebrar a ligação com ela. E ela entendia.

Juntou suas malas, hoje sua mãe faria plantão na delegacia. Apenas deixou uma carta sobre a mesa de fotos perto da porta de saída e de retratos de Caroline pequena, e caminhou para fora, arrastando suas malas consigo. Colocou-as no carro, ainda com um ar melancólico, e dirigiu pela cidade, chegando alguns poucos minutos antes da meia-noite. As ruas estavam quase desertas, exceto pelos adolescentes que perambulavam, à procura de alguma festa.

No estacionamento do Mystic Grill, Caroline estacionou seu carro, podendo ver a silhueta de um homem ali. Ela saiu do carro, batendo a porta atrás de si. Klaus sabia que ela estava ali, não se deu ao trabalho de virar-se. Apenas continuou encarando a frente.

– Eu pensei que não viria. – ele disse, agora, virando-se para ela. Vestia um terno preto e alguma camisa branca por debaixo — ou qualquer maldita outra cor que no escuro, parecia branca.

– Eu pensei em não vir. – admitiu ela, olhando para seus pés enquanto caminhava até ele, os saltos fazendo barulho contra o chão de cimento. Então, ela levantou seu olhar, para encontrar o dele. – Para onde vamos?

Klaus sorriu. – Você pode escolher, querida Caroline.

– Talvez... Itália. – sugeriu ela, tentando não demonstrar sua falta de entusiasmo.

– Se não quiser ir, não vá. – disse ele em seu perfeito sotaque.

– Eu sei. Mas eu ainda estou indo. Com você.

Klaus ponderou. Tantos pensamentos ali, trabalhando à mil. Então, ele por fim assentiu, caminhando para longe do estacionamento. Caroline o seguiu.

– E as minhas coisas?! – exclamou ela atrás dele.

– Você poderá comprar outras. O quanto quiser. – ele disse, por cima do ombro. Caroline estacou, ali, encarando-o.

– Você é louco...

– Você ainda não viu nada, Caroline. – ele estalou a língua ao dizer seu nome e logo, voltou a caminhar. Caroline após alguns instantes o seguiu. – Itália, uh?

– Não importa... – disse ela. – Apenas, vamos.

E eles foram.