O mago estava sentado à mesa, com Aragorn à sua direita e Legolas à sua esquerda. Ele comia educadamente, sem deixar de reparar nos trejeitos de Thranduil com Elrond. O mago sugava a sopa da colher e suas grandes orbes azuis olhava fixadamente para os dois, que pareciam conversar animadamente. Elrond sorria e era acompanhado de Thranduil. O mago ainda percebeu que mesmo depois da refeição, ambos ficaram na varanda do castelo conversando, pareciam que não se viam há seculos e por isso, tinham que trocar o máximo de informações.

Gandalf já estava um tanto incomodado com aquela interação e se aproximou, fato que fez Elrond olhá-lo atencioso, mas sério. Thranduil apenas encarou o mago, como se o olhasse "de cima" com um ar levemente prepotente, superior.

– Boa noite, rei Thranduil.

– Gandalf, quanto tempo...

Elrond observava o velho em silêncio, já que seu nome nem fora pronunciado pela boca do mago.

– Sim, é verdade.

Gandalf olhou para Elrond, que apenas o observava com uma expressão calma. Thranduil percebeu que "algo" começava a se formar ali, inclusive pelo fato do tempo parecer ter parado naquele instante entre os dois. Simplesmente eles se encararam sem mencionar nenhuma palavra, Thranduil até pensou se Gandalf estava conversando mentamente com Elrond, mas lembrou-se que isso não seria possível pelo fato de Elrond não costumar fazer esse tipo de coisa, mesmo conhecendo-o há tantos séculos, ele nunca o fez. Thranduil resolveu quebrar o silêncio:

– Imagino que tenhamos muita coisa a conversar, gostaria que me contasse da destruição do anel. Elrond me contou, mas... saber pelo seus lábios, seria bem interessante.

Elrond continuava a encarar o mago, Gandalf olhou por um tempo Thranduil, mas admitiu que o encarar e silêncio do elfo moreno o torturava muito mais.

– Tens algo que queira me dizer, senhor Elrond?

– Sim, mas...

Elrond olhou para Thranduil, este o encarava curioso e em silêncio.

– Não acho que consigamos resolver isso aqui. Queiram me acompanhar.

Thranduil pôs-se a segui-lo, o mago também.

Eles pararam dentro de um quarto ricamente enfeitado, em geral, Aragorn oferecia-o aos reis e lordes que visitavam seu castelo. Thranduil sentou-se na cama com um sorriso singelo na face, Elrond pediu licença para que Gandalf saísse da frente da porta e a fechou.

– Bem.

Gandalf tinha os olhos arregalados e mostrava certa preocupação, afinal, o que dois elfos queriam fazer consigo? Ele mal dava conta de um, imagina dois e eram dois baita elfos, fortes, jovens, cheios de energia. Anesteciado por um medo que só crescia dentro de si, retrucou baixo:

– Querem ou planejam o quê? Um complô contra o rei Aragorn?

Thranduil soltou uma risada alta. Elrond apenas olhava o mago em silêncio, de braços cruzados, encostado na porta. Finalmente, o Senhor de Valfenda resolveu falar:

– Percebi que tens um interesse em elfos, sempre soube disso... e percebi também que Thranduil parece despertar-lhe a curiosidade.

Elrond caminhou a passos lentos, mas assertivos na direção de Thranduil, tocou-lhe a face gentilmente, afagando a macia carne, o elfo loiro, pai de Legolas, apenas sorriu meigo, deixando a face debruçar-se sobre a mão máscula e segura de Elrond. Thranduil gemeu baixo e cruzou as pernas, olhando com desejo para o mago. Elrond também o olhava, mas tinha uma expressão séria e astuta.

– Espera...

Gandalf arregalou os olhos e andou levemente cambaleante até Elrond, encarando-o levemente irritado.

– O que está propondo?

– Que finalmente você experimente um elfo legítimo... perto de Thranduil, sou apenas uma cópia barata.

Gandalf deu um tapa na face de Elrond, Thranduil levantou-se segurando forte a mão do mago, que tremia.

– Eu... não quero esse tipo de coisa. Elrond... eu já disse, eu não quero ninguém além de você... e daí se ele é um elfo? Eu te amo! Eu o olho porque afinal, ele me lembra Legolas e ele é bonito, como uma obra de arte, mas... mas você... você é o único homem que consegue tirar um suspiro de mim.

Elrond apertou os lábios, tinha a face abaixada, acabou por sentar-se na cama, capisbaixo. Thranduil olhou-o e depois para o mago, soltou uma bufada agoniada e saiu dali, batendo forte a porta.

Gandalf se ajoelhou diante de Elrond e caçou-lhe uma das mãos, tocou a face ali e beijou-a docemente. O elfo observava com lágrimas nos olhos, com uma voz falhada e suave, disse:

– Gandalf. Só você existe para mim. Fiz isso, porque achei que quizesse...

– Só quero você.

– Eu... eu também.

E o Senhor de Valfenda se inclinou, abraçando mesmo que parcialmente, seu único amor.