Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
8 Nada como um dia após o outro.
Gandalf encontrava-se deitado em sua cama na sua mais recente casa. Terminada a festa, a maioria dos convidados se despediram e seguiram para as suas respectivas cidades, somente Legolas mencionou ficar mais um tempo, fato que não foi acompanhado pelo seu pai, que logo voltou à sua morada.
O Cinzento parecia lembrar da noite tórrida que teve e soltou um longo suspiro. Dormira novamente nos braços de seu amado elfo, a noite passara bem, e ele bem sabia que os elfos dormiam de pé com os olhos abertos, mas o "seu" elfo, Elrond, nunca recusara estar ao seu lado, abraçado e fingia perfeitamente o modo de descansar humano.A brisa entoava as florestas que cercavam a casa, mais ao fundo da mesma, havia uma sutil plantação. Nela, tinham as mais diversificadas espécies de vegetação, algumas com valor místico, outras, funcionavam como tempero, e outras, alimento.Embora a manhã estivesse sendo levemente calorosa, no ar pairava uma espécie de neblina, que anunciava uma frente fria, uma tempestade que ameaçava chegar.Já fazia cinco dias que a festa se passara, Gandalf chegou a dar uma sutil e rápida passada na vila dos hobbits, mas ao ver que tudo corria bem, ele voltou para sua casa, a antiga casa de seu mestre.– Hum... — suspirou.Acabou por levantar-se e só agora se deu conta que a casa estava realmente empoeirada, que precisava de uma faxina. Deduzido isso, sentou-se na cama e tomou um ar maior, um fôlego, e finalmente se colocou a retirar uma cortina rústica de fibras de bambu que cobriam-lhe a empoeirada janela. Porém, ao fazer isso, se surpreendeu de ver que Thranduil olhava-lhe expressando uma notável curiosidade através da janela.– Mas o quê!?O idoso praguejou soltando sutis xingamentos devido ao susto que tomara. O elfo loiro, Rei Sindarin, sorria notadamente e acabou por abrir-lhe a janela.– Bom dia, Gandalf. Não estás infartando, não é?– Ora seu... com todo respeito, és um Rei, mas um rei bem abusado.– Não irás me convidar a entrar?– Oras... esses elfos... francamente...– Não seja tão rabugento... Cinzento.– Tá... tá bom... entre, vamos, não faça tão estardalhéu do lado de fora da casa.O elfo sentiu-se vitorioso e levava-lhe uma muda de planta típica de sua região.– Estou entrando.Comentou colocando o vaso sobre uma mesinha, ao ver o mago se precipitou e abraçou-o. Gandalf se surpreendeu um pouco com a aproximação repentina e realmente estava um tanto surpreso pelo falo de Thranduil ser tão amigável, perdendo aquele "ar" prepotente, superior. Feito isso, o elfo sentou-se numa cadeira ali perto, comentou animado.– Vamos conversar.– Sobre?O mago levantou uma das sobrancelhas, olhava para o outro desconfiado, como se fitasse um animal prestes a dar o bote.– Sobre o que aconteceu.Thranduil readquiriu o ar de distanciamento novamente, olhava sério e fixadamente para Gandalf, comentou esclarecendo mais:– Sobre o que me tomou... o que roubou de mim.Um enorme intervalo de tempo fez-se presente, parando aquela imagem, dos dois se entreolhando.– Eu não roubei nada.– Não?Thranduil cruzou as pernas e entrelaçou os dedos, comentou com uma voz mais alta, rude.– Tem certeza?Gandalf estava de costas, examinava a planta trazida, tocava-lhe as folhas, pôde observar que estava perfeita, bem tratada e até parecia feliz.– Sim.Thranduil levantou-se aproximando-se do velho que logo virou-se o encarando.– Entenda, o que aconteceu... aconteceu... acho que deves pedir explicação não para mim, mas para o Senhor Elrond.– Agora ele é senhor... antes não parecia tão senhor assim...– Como?– Pareciam um casal de namorados... – Me poupe.Quando gandalf ia se distanciar e ir para a cozinha, Thranduil segurou-lhe um dos braços o puxando de volta, o velho encarou-o sério.– Me solta.– Antes, quero que me dê a atenção que mereço.– Há algo acontecendo aqui?O senhor de Valfenda estava na porta, olhava para os dois atentamente.– Thranduil.Sua voz ecoara por toda a casa, era rouca, mostrava certa potência e virilidade. O elfo loiro se virou encarando-o e, consequentemente, soltando o braço de Gandalf que o recolheu, afagando a parte tocada, realmente doera.– Deseja me perguntar algo?– Não.Gandalf levantou as sobrancelhas, tocando a testa suada com a ponta dos dedos.– Como não?Elrond seguiu até Thranduil, parando em sua frente, encarava-o sério.– Não iremos discutir por um simples...– Mago?– Isso.O elfo loiro readquiriu o ar prepotente e parecia encarar o outro numa animosidade só.– Ele não é só um mago.– Não?– Ele trouxe a paz... ele tornou isso possível e admiro você estar aqui, disposto a criar uma luta...- disse Elrond dando uma sábia pausa, mas logo continou com uma voz mais calma que antes — Os milênios o mudaram, Thranduil?O elfo loiro sentou-se dando-se por vencido.– Não me procura há meses.– Admito meu erro.– Eu... gosto quando me visita. Nossa raça deve continuar unida e...Elrond se posicionou diante do loiro que o encarava com uma face de entrega. O elfo moreno comentou baixo:
– Não fale como se eu não soubesse.Dito isso, voltou-se para Gandalf e sorriu-lhe gentil.– Meu amigo, Gandalf.E se dirigiu ao outro, abraçando-o gentil.– Há dias não o vejo, sabe que isso significa...O mago balanceou a cabeça para os lados, com uma postura relaxada e brincalhona.– Pois bem, não consigo pensar direito, quando elfos aparecem em minha casa antes do meu café.– Haha... o único bem humorado irônico que conheço.– Bem, se me dêem licença, prepararei algo para vós.– Precisa de ajuda?– Por favor, meu senhor, lugar de visita é na sala, aguardando a devida...O mago olhou para o outro elfo, que ainda estava sentado, mas este não o encarava, olhava para um canto qualquer, pensaroso.– Atenção.O mago franziu os celhos e lamentou que aquele elfo, pai de Legolas, estivesse numa situação tão incômoda, o mago tocou um dos ombros de seu primeiro e único amor, comentando baixo.– Ora, vamos.. conversem um pouco, já já lhes trarei uma boa refeição.– Está bem.Elrond sentou-se numa cadeira ali, pegou um livro e parecia folheá-lo curioso. Gandalf deu de ombros e pensou em seu íntimo:– Tsc, elfos.O mago se dirigiu para a cozinha, quase se surpreendeu com o tamanho da bagunça ali, o alce que Thranduil usara para chegar à casa comia-lhe algumas frutas da horta.– Animal maldito.Resmungou o velho balançando a mão para espantá-lo, o animal apenas o olhou, levantou a cabeça, encarou-o por um tempo e depois voltou a comer.– O animal sempre puxa ao dono. Incoveniente.E o mago cortava alguns pedaços de frutas, uvas, maçãs.– Hum...Preparava um café, mas este era para si, elfos costumavam tomar água ou o licor que fabricavam.– Água... hum...Pegou numa garrafa e colocou copos na bandeja. Feito isso o levou para seu convidados inesperados. Elrond arrumava os livros devidamente na estante, já Thranduil continuava encarando um ponto qualquer da sala, em silêncio.– Aqui está, podem se servir.Elrond se aproximou ajudando o mago com a bandeja, ele levou-a até uma mesa, os dois sentaram-se e Gandalf sinalizou para o outro rei.– Ele vai ficar ali?– Ele adormeceu.Comentou Elrond mordendo um pedaço de torrada.– Heeeein?Gandalf olhava-o atordoado, como aquele outro elfo dormira num momento como aquele? Pensava. Elrond pareceu ler-lhe os pensamentos comentando baixo.– Ele não deve ter dormido há dias... provavelmente os cinco dias que voltamos da festa.– Mesmo? Mas...– Thranduil é bem paciente, ele aguarda até não poder mais, evita ao máximo confrontos e os acha desnecessários, exceto quando é para proteger a si mesmo, sua floresta ou a algo que considere importante.Gandalf voltou-se para Elrond, comentando:– Como você.– Como?– Ele disse que o tomei dele.– Hum.Elrond olhou o outro e soltou um longo suspiro.– O conheço há milênios, sempre foi solitário... preferiu sempre a compania dos animais e plantas a qualquer outra...– Não é por menos, ele é bem difícil de lidar.– Com o tempo, você se acostuma.– Há quanto tempo são... amigos?– 6.000 anos.Gandalf quase caiu da cadeira, retrucou:– Realmente, deve estar bastante acostumado.Elrond esboçou um discreto sorriso, levou uma das mãos à face de Gandalf afagando gentilmente.– Mas o tempo nem sempre quer dizer qualidade, não troco milênio nenhum pelos anos que temos juntos, Gandalf.O mago olhou-o com suas orbes azuis da cor do mais profundo oceano, Elrond admirou-as e seguiu inclinando-se e por estarem próximo, um ao lado do outro, um beijo aconteceu.
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