Ela observava de cima da montanha Legolas sair com certa pressa numa direção, mais precisamente para o norte. Suas orbes verdes encaravam o elfo se distanciar, passar pelas montanhas e montes de barro seco com tamanha facilidade, ele estava cavalgando em seu cavalo favorito. A elfa sentiu algo pesar no peito, engolindo em seco, levemente arrependida de ter se metido naquela relação do elfo com o humano.

Thranduil encontrava-se sentado em seu trono, batia lentamente o dedo indicador num dos braços de seu trono, soltou um longo suspiro, sabia que seu filho havia saído dali. Depositou a face numa das mãos cerradas, mais um longo suspiro, para si, aquilo não estava mais sendo engraçado, a agonia do jovem elfo, agora, lhe apertava o coração. Lembrou-se um pouco de sua adolescência junto a Elrond, das noites que passavam juntos se amando, gozando até o alvorecer. Pensou no porquê seu filho não teria o mesmo direito, já que Aragorn era humano, o seu tempo era menor ainda.

Movido por uma angústia sem tamanho, levantou-se, descendo os degraus que o levavam ali, andou até a entrada, sendo cumprimentado pelos soldados, passou por eles com um ar onipotente e quando se encontrava sobre a ponte que ligava o castelo à floresta, pôde ver Tauriel olhá-lo. Ela estava com um cavalo, seus olhos sutilmente vermelhos e que agora escorriam lágrimas. A elfa tinha a respiração falhada, parecia arrependida. Thranduil engoliu em seco indo até ela.

– O que você disse a Legolas? — Uma pausa foi feita e a voz continuou depois, mais melodiosa, mas sutilmente mais ameaçadora. — O que você fez, garota?

– Me... desculpe! — Ela se ajoelhou diante do Rei — Estou arrependida, achei que estivesse o ajudando, abrindo-lhe os olhos, mas... — Lágrimas caíam abundantemente de seus olhos, sua voz fora consumida por sua dor.

Thranduil agachou-se diante dela, segurando-lhe o queixo, erguendo-lhe a face. Olhava-a sem ao menos piscar.

– Não perguntarei denovo, o que você fez?

– Eu... eu o avisei da visita de Aragorn à Cidade das Alegrias.

Thranduil deixou uma das sobrancelhas levantar, um sorriso diabólico brotou-lhe nos lábios.

– Entendo.

Empurrou a face de Tauriel para um dos lados, soltando-a, levantou-se ajeitando a própia roupa.

– Jovens... — Resmungou desapontado — Você o jogou de volta nos braços do espadachim humano, sua idiota.

Tauriel arregalou os olhos, mantendo ambas mãos depositadas no chão, ela o encarava fixadamente, nem parecia respirar.

– Ele pedirá explicações e ambos acabarão sobre uma cama.

Thranduil virou-se ficando de costas para a elfa, soltou uma discreta bufada.

– Não cansa de fazer besteiras? Arranjando amizade com anões... — Voltou-se parcialmente para ela, olhando-a de lado — Agora, entregando meu filho sob os cuidados de um humano fraco... um rei que logo morrerá e que causará o sofrimento solitário de meu filho por milênios. — O elfo começou a andar para um dos lados, mantendo as mãos detrás do corpo, os dedos entrelaçados — Eu planejava separá-los bem lentamente... que Legolas aos poucos... esquecesse aquele fracote, mas... — Ele parou diante da elfa — Graças à sua intromissão... o perdi novamente. — Ele falou mais alto, quase berrando, sua voz ecooou por toda floresta. — Estás expulsa, quero que vá embora... AGORA!

Tauriel levantou-se cambaleando, ainda encarava o chão, pegou as rédeas do cavalo e foi saindo dali bem devagar, cambaleando como se tivesse muito ferida. Ao sair da Florestas Negras, subiu no cavalo e colocou-se para seguir ao Reino de Gondor sem mais delongas. Ela sentia as lágrimas sujarem-lhe a face, esmolaria uma moradia, qualquer coisa para não voltar ao inferno que era a Cidade das Alegrias. Ela precisava urgentemente de um lar, de um lugar para morar, de uma nova ocupação e por isso, pediria a Aragorn isto, mesmo que ele quisesse decapitá-la pelo que fez, ela preferiria à morte do que vagar novamente sem destino, sem terra, sem um lugar.