Tauriel seguia a altos galopes na direção do Reino de Gondor, ela vencia até mesmo o ar que esbarrava em sua delicada face, este, às vezes, acompanhado de folhas e poeira que cortavam-lhe não só a pele como feriam seus olhos élficos. Mesmo assim, a velocidade era um ponto forte da jovem que não se abateu pelas adversidades, se possível, pensou ela, até tentaria alcançar Legolas, antes mesmo da confusão acontecer.

Gandalf, Gimli e Aragorn encontravam-se diante da entrada do Reino de Gondor. O mago decidira seguir para Valfenda, já que tinha Agnor de acompanhante, ele o apresentaria o mais depressa a Elrond, dando-lhe uma estadia merecida àquele, que segundo Gandalf, era um pobre e azarado elfo. Claro que ele tentaria mentir sobre a origem dele, afinal de contas, Elrond jamais aceitaria alguém que pudesse se tornar um problema à cidade e por isso, o mago se esforçaria a criar uma excelente impressão.

– Tenho que levá-lo a Elrond, podem seguir para o castelo, aqui estão. — Disse o mago cavalgando lentamente até Aragorn dando-lhe uma garrafinha, depois foi até Gimli e fez o mesmo. — A ida àquela cidade não trará vantagens a ninguém... então, será nosso segredo.

Aragorn e Gimli consentiram, inclusive o anão, consentiu variadas vezes ainda lembrando-se do ato de loucura que se deixou levar novamente naquela cidade.

– Mas... Aragorn...

– Sim? — Respondeu o moreno aproximando o cavalo do outro.

– Tinha uma elfa, chamada Tauriel. — Depois de uma sutil pausa, afinal, Gandalf costumava pensar bastante antes de afirmar qualquer coisa, logo continuando — Uma elfa ruiva, ela me reconheceu... e ela, até onde sei, conhece Legolas, já viveu com ele nas Florestas das Trevas. — O mago soltou um longo suspiro — Ela parecia bastante curiosa acerca de minha presença... e inclusive tive a impressão que ela me vigiou e me seguiu durante grande parte trajeto... então... não me surpreenderia que Legolas aparecesse.

– Mas isso... — O moreno olhava para as próprias rédeas em suas mãos, mantinha as sobrancelhas franzidas até que finalmente levantou as orbes encarando o mago- Vai ser realmente um problema... Legolas deixaria ter Arwen ou uma dama... mas...

– Vamos torcer para que ela não faça tamanha burrice. — Resmungou o mago acenando. — Eu vou indo, até mais crianças! — E pôs-se a cavalgar para Valfenda.

Aragorn observou o outro se distanciar, soltou um suspiro machucado. Gimli olhava-o atentamente:

– Calma, meu amigo, vai ver o pior não irá acontecer.

– Gandalf nunca erra, Gimli...

– Pior que é mesmo... que bosta, se Legolas souber ele irá buzinar nas orelhas pontudas do Lindir e essa merda vai feder, realmente...

– Até para Gandalf... tenho certeza... mas, no caso dele, isso seria inevitável.

Aragorn olhou para Gimli, este correspondeu o encarando fazendo uma expressão que não entendeu o que o espadachimq uis dizer:

– Me refiro a Agnor... o Lorde Elrond perceberá sua origem... rapidamente. — Aragorn olhou na direção do céu, as nuvens pareciam clarear lentamente, tornando-se brancas- Mas Gandalf é igual a mim, tem um coração enorme. — Disse sorrindo.

– Bem, vamos? — Retrucou o anão.

– Para onde? — Legolas parou a uns cinco metros de ambos.

Aragorn voltou-se para ele, o olhava com uma expressão levemente assustada, chegou até mesmo a engolir em seco.

– Vá na frente, Gimli. — Comentou o moreno ainda olhando para o elfo diante de si.

– Tem... certeza? — Retrucou o anão.

Legolas permitiu-se olhar demoradamente para o baixinho, soltando com uma voz calma e baixa, mas não menos rouca:

– Apenas vá.

O elfo mantinha uma feição séria, levemente zangada chegando até a ameaçar pegar o arco, mantendo-se a olhar na direção do anão. Aragorn colocou-se de forma a ficar na frente de Gimli, reforçando o comando:

– Está tudo bem, meu amigo. Pode ir.

– Certo...

– Não queremos que você e Lindir tenham problemas também. — Falou gentil o moreno olhando para o anão por cima de um dos ombros.

– Certo, certo. — Gimli olhou para Legolas e retrucou alto. — Mas tô indo só porque me pediu, não por causa do elfo! — E saiu dali, descendo do cavalo de Aragorn e caminhando na direção da cidade.

Legolas encarava Aragorn fixadamente, chegando a ranger os dentes, sua respiração estava suspensa.

– Aonde poderemos conversar? — Disse o moreno.

– Conversar...

– Isso, aqui não acho apropriado, tem muitos cavaleiros fazendo a ronda e nas torres.

Legolas olhou para os lados, parecia observar a veracidade da informação, sim, o espadachim tinha total razão, pensou o elfo deixando um sutil sorriso transparecer quando novamente o olhou.

– E como você mesmo disse, devemos manter isso em segredo. — Aragorn o encarava com uma fisionomia amável, gentil, não sentia nem um pingo de ódio do elfo, ao contrário, queria-o junto a si e que aquele incoveniente fosse resolvido o quanto antes.

– Tem razão. — Comentou o elfo soltando o ar numa bufada só.

– Deve estar cansado... veio cavalgando até aqui... para chegar agora, diria que nem dormiu.

– Não mude de assunto. — Retrucou friamente o elfo.

– Legolas, só estou preocupado... tens que dormir.

– Acha que é fácil, longe de você? Longe do nosso mundinho de antes? Das nossas batalhas juntos? — O elfo fez uma fisionomia de dor. — Eu sinto falta! Sinto muita falta!

Disse num tom agonizante levando uma das mãos à face. Aragorn não podia fazer nada, pois estavam sendo observados.

– Por favor, Legolas... aonde poderíamos conversar, conhece algum lugar? Eu não sei... prefere que seja no meu Reino mesmo? — Aragorn mostrava preocupação na voz.

O elfo engoliu em seco, finalmente voltando a encarar o moreno, de seus olhos escorriam lágrimas pelos cantos, molhando-lhe as bochechas, nesse momento, Legolas deixou a cabeça tombar para um dos lados, mantendo um sorriso dolorido nos lábios, o que causou a aproximação do moreno de seu cavalo, Aragorn desceu do seu e seguiu até o do outro, andou parando ao lado dele, tocando-lhe uma das mãos, olhando para o outro com uma fisionomia preocupada.

– Legolas...

O loiro soluçou algumas vezes falando baixinho, com uma voz falhada:

– Tô... realmente... cansado. — Disse o elfo, apertando os lábios.

– Vamos para o meu castelo então... lá conversamos. Precisas comer, dormir... está bem?

Legolas consentiu com a cabeça enxugando as lágrimas com a palma de uma das mãos, enquanto que na outra, Aragorn tocava bem de leve, segurando-a com a sua. Alisando sutilmente a pele frágil do elfo com a ponta dos dedos.

– Acredite... antes de qualquer coisa que tenham lhe contado... eu o amo. Está bem? És o único...

O elfo sorriu meigo, finalmente descendo de seu cavalo, seguiu até o cavalo solto de Aragorn pegando-lhe as amarras, afagando-lhe as crinas, reaproximou-se do espadachim segurando as rédeas de ambos equinos e comentou baixo:

– Depois da Arwen...

Aragorn sorriu docemente e ambos adentraram finalmente no Reino de Gondor.