Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf
6 A festa do Rei.
Elrond dormira abraçado ao seu mago. Gandalf estava deitado de bruços parcialmente sobre Elrond. O elfo dormira um pouco, mas se contentara a passar toda a noite admirando aquele outro homem.
Eram quase a metade do dia e o mago ainda dormia pesadamente sobre o senhor de Valfenda, este, não reclamou e permaneceu inebriado com a cena. Parecia se lembrar da primeira vez que se encontraram, de seus olhos azuis arregalados, medrosos, implorando por ajuda.O elfo moreno afagava os cabelos rebeldes do mago, deixando um sorriso ameno, frágil, enfeitar-lhe os lábios. Finalmente, Gandalf pareceu piscar os olhos, se deparando com o Senhor a olhar-lhe.– Bom dia.– Bom dia, Gandalf.Elrond nem ousou retirar os dedos entrelaçados em alguns fios prateados do velho, deixou-os ali, afagando carinhosamente o couro cabeludo de seu parceiro.– Tanto carinho, assim não vou embora nunca.Disse Gandalf, deixando um sorriso transparecer. Elrond correspondeu e alegrou-se, pois havia tempos que não via seu amado sorrir daquele jeito. O elfo pronunciou lentamente com uma voz meiga.– Não vá.– Será que os outros já acordaram?– Provavelmente.O mago esticou os braços e acabou por sentar na cama, ele coçava a própria barba e parecia lembrar do que acontecera na noite anterior.– Tive a impressão de que alguém nos observava.– Hum...Elrond sentou-se parcialmente, deixando o tronco levemente arqueado para a frente, enquanto que se apoiava sobre os braços estendidos para trás.– Achei que tivesse visto Legolas. Por um milésimo de segundo.– Não me preocupo com isso. Realmente.– Mas, és o Senhor daqui, tem um nome a prezar, já pensou se...– Descobrem?– É.– Não se preocupe, meu amado mago, Legolas não é uma ameaça.– Eu tenho minhas dúvidas, ele parece ser bem...– Tradicionalista? Elrond levantou-se calmamente, pegou uma túnica que estava dependurada sobre um cabideiro de madeira talhada.– Mas ele só parece.– Como assim?– Com o tempo, irá descobrir.Disse o senhor vestindo sua roupa, ele despiu-se da camisola de seda, ficando com o belo corpo à mostra, fato que fez Gandalf olhar-lhe e deliciar-se com a visão. Ao contrário do que Legolas pensara, eles não haviam feito sexo, mas apenas Elrond ofertou-se para fazer uma massagem nas pernas do mago, em seus músculos e articulações e exatamente na hora que Legolas viu, Elrond levantava uma das pernas do Cinzento para dobrar-lhe o joelho e causar um discreto estalo, recolocando-o no lugar.– Devemos ir, afinal Aragorn deve volta ao seu Reino. Irás acompanhá-lo, não?Perguntou o elfo penteando os fios negros diante de uma penteadeira, ele ajeitava alguns enfeites em seu cabelo, os adornando, para logo colocar a coroa sobre a cabeça. Gandalf não comentou nada, apenas observava-o como se estivesse admirando-o. Elrond virou-se na cadeira, finalmente voltando a encarar Gandalf.– Não sou o único apaixonado aqui, não é?– Hehe...O velho riu, finalmente levantando-se. Elrond o olhava calmamente, chegando a lamber os lábios lentamente, sentindo-os secos, pensou em quanto tempo eles estavam sem ter um momento íntimo só deles. O elfo perdera as contas por ser há tanto tempo.– Sim, irei com o garoto.– Entendo.A voz do elfo expressava certo desapontamento.– Voltarei logo e aí teremos nossa conversa.– Tente não se cansar muito, pois irei cobrar tudo que está atrasado e... você sabe que eu cobro.– Ôh, se sei.Logo estariam todos na entrada de Valfenda, se despedindo da cidade para seguirem para o Reino que agora pertencia a Aragorn. Legolas acabara decidindo por acompanhá-lo e voltaria para sua casa depois, somente depois de deixar Aragorn em sua casa, com sua coroa na cabeça.Ao chegarem à cidade, os moradores vieram recepcioná-lo, tamanha foi a festa e em algumas horas, lá estava o rei, totalmente vestido, sentado no trono que merecia, com a coroa que merecia. Ao seu lado estava Legolas e do outro Gandalf.– Bem, meu povo, estou de volta, o rei justo e verdadeiro que merecem, voltou!Ouvira-se um urra alto e em bom som que provinha de toda população.Passado a festança e a recepção calorosa, Aragorn deu falta do amigo, ele levantou de seu trono e comentou com Gandalf que iria procurar Legolas, já que ele estava um tanto agitado desde a última vez que se falaram. O mago consentiu confirmando que observaria as pessoas e o lugar, mas não deixou de pensar nas palavras de Elrond, que Legolas escondia suas verdadeiras intenções, e como o Senhor de Valfenda muito raramente errava, Gandalf sabia que logo tudo seria revelado.Aragorn seguiu pelos corredores do castelo, sentia-se agitado, pensara que Legolas não deveria ter ido embora antes de falar consigo ou se despedir.– Ele não fez isso, ele não fez isso...Andava a passos largos, ansioso, criando um atrito perturbador de suas botas com as pedras que cobriam o chão do castelo. Finalmente ele encontrou o amigo que estava numa torre e encarava a cidade, Legolas virou a face para o moreno e uma lágrima pareceu escorrer-lhe pelo rosto, mas ele vendo que o rei o olhava, logo a enxugou.
– Oi.Comentou o loiro baixinho, voltando a olhar a paisagem. O moreno se posicionou ao lado dele, retrucando baixo:– Saudade de casa?– Sim.– Decidi...Legolas franziu os celhos e o olhou curioso, Aragorn apoiou os punhos na borda do muro da torre.– Darei uma festa e convidarei todos os reis, seu pai virá se eu convidar, certo? Aliás... é uma festa para comemorar a paz tão batalhada.– Sim, ele virá. Fa...A voz do loiro estava falhada, insegura, mas mesmo assim, ele continuou:– Faria isso por mim?– Claro, somente por você.Legolas sentiu vontade de abraçá-lo, mas se conteve ao ver que passavam algumas pessoas no corredor e alguns soldados olhava-os de alguns locais estratégicos.– Obrigado.Aragorn não deixou de observar a emoção que Legolas sentiu ao ouvir da festa, mas percebeu também, que este se continha o máximo que conseguia para não demonstrar algo que transbordava dos dois: Um sentimento chamado amor.No dia seguinte, estava ocorrendo a festa. Legolas apareceu devidamente vestido, como um príncipe, já que seu pai lhe levara as roupas formais. Thranduil deduziu que seu filho estaria sem roupas apropriadas, por isso, levou-lhes uma coroa digna e vestimentas élficas.– Pai!– Filho...E eles se abraçaram, Aragorn observava os dois com um sorriso de satisfação nos lábios. Thranduil cumprimentou-o e ele também o fez, já que se tratavam de dois reis.– Thranduil seja bem vindo, minha casa é vossa casa.– Obrigado, Lord Aragorn.Todos estavam sentados à mesa, a maioria dos reis e senhores das cidades, mas será dado o foco a alguns.
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