Siena andava de um lado para o outro em seus aposentos, as mãos inquietas torcendo o tecido fino de seu vestido. O silêncio do corredor a apavorava. Ela imaginava o rosto severo de seu pai, a decepção de Julian e o interrogatório implacável de Gaspar.

​"E se eles o mandarem embora?", ela pensava, o coração batendo na garganta. "E se a punição for o exílio?"

​De repente, o som da tranca girando a fez parar bruscamente. A porta se abriu devagar, e Arthur entrou. Mas não era o soldado rígido ou o primo culpado que ela esperava. Ele fechou a porta atrás de si com uma calma irritante, encostando as costas na madeira e cruzando os braços, um sorriso de canto brincando em seus lábios.

​— Você parece que acabou de ver um fantasma, Siena — disse ele, a voz profunda e aveludada, preenchendo o quarto. — Ou será que estava apenas ensaiando seu discurso de defesa para o conselho?

​Siena correu até ele, segurando-o pelos ombros.

— Arthur! Pelos deuses, me conte! O que aconteceu? Meu pai gritou? Você foi destituído? Estão preparando sua carruagem para as fronteiras do Norte?

​Arthur soltou uma risada baixa, uma vibração que Siena sentiu na palma das mãos. Ele descruzou os braços e envolveu a cintura dela, puxando-a para mais perto, até que seus corpos se colassem.

​— Tantas perguntas... — ele murmurou, inclinando o rosto para que seus lábios quase roçassem a orelha dela. — Onde está aquela loba destemida que me desafiou na biblioteca? Ela se assusta com uma conversa entre homens?

​— Arthur, fale sério! — ela exclamou, embora já começasse a relaxar sob o toque dele. — O que eles disseram?

​Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, os seus brilhando com uma confiança sedutora que a deixava sem defesas.

— Digamos que o seu pai é um homem que valoriza a... estratégia. Ele entendeu que o reino precisa de um escudo, e que eu não aceitaria ser o escudo de ninguém que não fosse você.

​— Ele deu a bênção? — ela sussurrou, os olhos arregalados.

​— Ele deu — Arthur respondeu, a mão subindo para acariciar o rosto dela, o polegar traçando o lábio inferior de Siena com uma lentidão provocante. — Mas agora que o dever está cumprido e o Rei está satisfeito... eu acredito que tenho uma dívida pendente com uma certa princesa que me interrompeu na biblioteca.

​Siena sentiu o rosto queimar, mas o sorriso malicioso voltou aos seus lábios.

— Uma dívida, Capitão? Achei que você fosse o mestre da disciplina.

​— A disciplina tem seus limites, Siena — ele disse, a voz tornando-se mais rouca enquanto ele a conduzia lentamente em direção ao divã. — E você passou todos eles. Agora, eu não sou mais o seu primo preocupado ou o capitão rígido. Sou apenas o homem que passou a última hora sendo interrogado por quatro generais e que agora... — ele a pressionou levemente contra o estofado — quer ser recompensado pela paciência.

​— Você é um galanteador barato, Arthur Mackenzie — ela riu, puxando-o pela gola da túnica.

​— Pode ser — ele sorriu, os olhos fixos nos dela com uma intensidade que prometia uma noite longa. — Mas sou o único galanteador que tem a chave do seu quarto e a bênção do seu pai. O que você pretende fazer a respeito disso, Majestade?

​Siena não respondeu com palavras. Ela o puxou para um beijo que carregava todo o medo que sentira e toda a urgência do que estava por vir. O Falcão finalmente tinha suas asas livres, e a Loba sabia exatamente como guiá-lo.