Legado de Sangue e Ouro livro 3
23 Estreitando a relação
Siena andava de um lado para o outro em seus aposentos, as mãos inquietas torcendo o tecido fino de seu vestido. O silêncio do corredor a apavorava. Ela imaginava o rosto severo de seu pai, a decepção de Julian e o interrogatório implacável de Gaspar.
"E se eles o mandarem embora?", ela pensava, o coração batendo na garganta. "E se a punição for o exílio?"
De repente, o som da tranca girando a fez parar bruscamente. A porta se abriu devagar, e Arthur entrou. Mas não era o soldado rígido ou o primo culpado que ela esperava. Ele fechou a porta atrás de si com uma calma irritante, encostando as costas na madeira e cruzando os braços, um sorriso de canto brincando em seus lábios.
— Você parece que acabou de ver um fantasma, Siena — disse ele, a voz profunda e aveludada, preenchendo o quarto. — Ou será que estava apenas ensaiando seu discurso de defesa para o conselho?
Siena correu até ele, segurando-o pelos ombros.
— Arthur! Pelos deuses, me conte! O que aconteceu? Meu pai gritou? Você foi destituído? Estão preparando sua carruagem para as fronteiras do Norte?
Arthur soltou uma risada baixa, uma vibração que Siena sentiu na palma das mãos. Ele descruzou os braços e envolveu a cintura dela, puxando-a para mais perto, até que seus corpos se colassem.
— Tantas perguntas... — ele murmurou, inclinando o rosto para que seus lábios quase roçassem a orelha dela. — Onde está aquela loba destemida que me desafiou na biblioteca? Ela se assusta com uma conversa entre homens?
— Arthur, fale sério! — ela exclamou, embora já começasse a relaxar sob o toque dele. — O que eles disseram?
Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, os seus brilhando com uma confiança sedutora que a deixava sem defesas.
— Digamos que o seu pai é um homem que valoriza a... estratégia. Ele entendeu que o reino precisa de um escudo, e que eu não aceitaria ser o escudo de ninguém que não fosse você.
— Ele deu a bênção? — ela sussurrou, os olhos arregalados.
— Ele deu — Arthur respondeu, a mão subindo para acariciar o rosto dela, o polegar traçando o lábio inferior de Siena com uma lentidão provocante. — Mas agora que o dever está cumprido e o Rei está satisfeito... eu acredito que tenho uma dívida pendente com uma certa princesa que me interrompeu na biblioteca.
Siena sentiu o rosto queimar, mas o sorriso malicioso voltou aos seus lábios.
— Uma dívida, Capitão? Achei que você fosse o mestre da disciplina.
— A disciplina tem seus limites, Siena — ele disse, a voz tornando-se mais rouca enquanto ele a conduzia lentamente em direção ao divã. — E você passou todos eles. Agora, eu não sou mais o seu primo preocupado ou o capitão rígido. Sou apenas o homem que passou a última hora sendo interrogado por quatro generais e que agora... — ele a pressionou levemente contra o estofado — quer ser recompensado pela paciência.
— Você é um galanteador barato, Arthur Mackenzie — ela riu, puxando-o pela gola da túnica.
— Pode ser — ele sorriu, os olhos fixos nos dela com uma intensidade que prometia uma noite longa. — Mas sou o único galanteador que tem a chave do seu quarto e a bênção do seu pai. O que você pretende fazer a respeito disso, Majestade?
Siena não respondeu com palavras. Ela o puxou para um beijo que carregava todo o medo que sentira e toda a urgência do que estava por vir. O Falcão finalmente tinha suas asas livres, e a Loba sabia exatamente como guiá-lo.
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