Left 4 Dead - Morte à Espreita
3 Deixada para morrer - Parte 2
Dia da InfecçãoZoey desperta com o som continuo de uma buzina. Ela olha pela janela e vê um carro batido num poste na esquina de sua rua. Provavelmente alguém bebera além da conta. Zoey veste uma calça jeans e uma camisa branca e desce as escadas para preparar seu café da manhã, deslizando sua mão direita no corrimão e bocejando de sono. A cozinha estava deserta. Provável que sua mãe já tivesse ido levar seu irmãozinho para a escola primária. Estranhamente a mesa estava posta e havia uma chaleira a assobiar no fogo.– Hummm... no mínimo saíram as pressas de novo...Zoey serve-se de dois copos de suco e uma tigela de cereal. Enquanto come, ela nota que sua mão estava manchada com algo. Ela se dirige até a pia e começa a lavar a mão.
– Parece sangue... mas não me lembro de ter me machucado... A atenção de Zoey é desviada para a sala por um instante. Seu pai ainda estava lá, imóvel. Zoey vai até a sala para gentilmente acordar o pai, mas ao abrir as cortinas tentando iluminar o ambiente é tomada pelo pânico. O sangue de seu pai manchava o carpete semi-novo, enquanto suas tripas emergiam de um buraco escuro e profundo em sua barriga. A jovem não consegue segurar o grito e corre para a pia da cozinha, onde vomita. Com lágrimas em seus olhos verdes, Zoey tenta ligar para sua mãe ou para a polícia, mas nota que a linha estava muda. Algo é derrubado no andar de cima. Zoey instintivamente pega uma faca e sobe as escadas cuidadosamente, agora notando que o corrimão estava parcialmente manchado de sangue. Ela caminha até o fim do corredor, checando cada cômodo brevemente, então ouve o ranger do penúltimo degrau da escada. Seu irmãozinho, Jerome, estava sentado nas escadas balançando estranhamente a cabeça. Uma trilha de sangue ia do garoto até o segundo quarto do segundo andar, cuja porta estava aberta.– Jerome? Querido, está tudo bem? Onde está a mamãe? Zoey se aproxima do garoto, que se joga em cima dela tentando bravamente cravar seus dentes em seu pescoço.– Jerome, não! Pare! O que está fazendo?!Jerome parecia não ligar para as súplicas da irmã mais velha e seguia em seu frenesi. Seus olhos sem vida eram assustadores e seu ombro jorrava sangue por todo o piso.– Jerome, pára! Pára! PÁRA!Com um chute, Zoey joga o irmão escada abaixo. Ela assiste horrorizada ao pequeno Jerome bater em todos os degraus até chegar ao primeiro andar, onde fica imóvel. Seu braço esquerdo e seu pescoço pareciam quebrados. Zoey não conseguia parar de chorar e gritar. Ela se levanta e recolhe sua faca, caminhando em direção ao quarto de onde Jerome saíra. Era o quarto do próprio menino, recheado de brinquedos e pôsteres de desenhos animados. A janela estava quebrada, a cama virada sobre uma poça de sangue e havia uma gaiola jogada próximo a porta. Ao lado dela havia um papagaio, o animal de estimação do irmão, estraçalhado. Enojada, Zoey se afasta alguns passos apenas para notar que seu irmão Jerome se levantara e corria em direção a ela rosnando e exibindo seus dentes sujos com sangue e carne.– Oh, meu Deus!Zoey corre para seu quarto e se tranca lá, bloqueando a passagem com uma cadeira. Ela senta em sua cama e desanda a chorar, nervosa e confusa, enquanto seu irmão bate contra sua porta sem parar.– Só pode ser um pesadelo... só pode ser um pesadelo...Zoey nota seu celular sobre a mesa do computador. Ela o agarra e liga para Teddy, mas ninguém atende. Irritada, ela atira o celular longe e começa a quebrar as coisas em seu quarto. Estava tomada pelo pânico e pela raiva. E a buzina constante não a deixava pensar.– Mas que merda de barulho! Preciso pensar, droga!Zoey olha pela janela. A rua parecia deserta a não ser pelo carro estranhamente familiar batido no poste. Talvez ele ainda pudesse ser usado para buscar socorro. Sem pensar duas vezes Zoey abre a janela do seu quarto e pula sobre os arbustos do jardim de sua mãe. Apesar de alguns arranhões, ela se sai bem e caminha cautelosamente até o carro, faca em punho por precaução.– Olá?Havia uma mulher no assento do motorista, presa pelo cinto de segurança, e outra com a cabeça pendendo e pescoço quebrado, além de diversas marcas de mordidas pelo corpo. Sangue estava escorrendo pela porta do veículo. A motorista tivera seu rosto e pescoço estraçalhado por mordidas e estava irreconhecível. A acompanhante, para a tristeza de Zoey, era sua mãe.– Oh, meu Deus! Mãe! Não! Mãe!Zoey berra de desespero e abraça o corpo desfalecido da mãe, não se importando em sujar-se de sangue no processo.– Por favor, não me abandona... por favor...Uma lata de refrigerante rola pela rua até o carro. Vindo pela esquerda haviam três homens cambaleantes, todos com lacerações e feridas pelo corpo. Engolindo seu pranto, Zoey resolve correr até a garagem de sua casa, local predileto de seu pai após a aposentadoria.– Vamos... eu sei que ele guarda aqui em algum lugar... cadê... ?
Zoey revirava todas os armários e caixas que via pela frente, suor gélido descendo pelo seu rosto. Onde antes haviam três pessoas, agora estavam dez, todas cercando o carro onde o corpo de sua mãe estava. Então, embaixo de uma pilha de jornais velhos, Zoey encontra uma caixa de doces, que servia de esconderijo para um magnum semi-nova. Estava carregada e tinha um pente extra junto.– Achei.Zoey guarda a pistola em sua calça e avança para o Ford velho de seu pai. O carro empoeirado não rodava pelas estradas fazia um ano. A chave reserva estava dentro do porta-luvas, como de costume. Zoey lembrava da primeira vez que dirigira este carro, pouco mais de três ou quatro anos atrás. Ela foi a um balada com as amigas e usaram o Ford para atrair os rapazes. Desta vez, ela queria que todos se afastassem.– Ahhhhhhhhh!Zoey leva um susto quando seu irmão começa a bater na porta do carro tentando alcançá-la. Ele batia os braços e até a própria cabeça contra a porta, tentando quebrá-la.– Jerome, não! Pára! Por favor, pára!Mas o menino insistia em prosseguir, e acaba por atrair a atenção sas pessoas que se alimentavam do corpo de sua mãe. Todos eles correm em direção ao carro e batem contra ele ferozmente, tentando abri-lo. Zoey gira a chave na ignição várias vezes, mas o carro não pega.– Vai, droga! Não me deixa na mão... não agora...A janela traseira do veículo é quebrada. Milagrosamente o carro pega no tranco e avança para fora da garagem, atropelando algumas das pessoas no caminho. O Ford avança desimpedido pelas ruas da cidade. Confusa e amedrontada, Zoey resolve ir atrás do namorado em busca de ajuda.
Notas finais
A jornada de Zoey começou. Espero que gostem ^^
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