Left 4 Dead - Morte à Espreita

4 Deixada para morrer - Parte 3


Três quadras mais tarde, o carro acaba morrendo diante de um cruzamento. Zoey, irritada, bate algumas vezes no volante. Ela nota um telefone público ao lado de uma banca de jornal e sem pensar duas vezes corre até ele.

– Vamos, Teddy. Atenda. Vamos, vamos, vamos...

– Cof, cof... alô?

– Oh, graças a deus! Teddy, sou eu, Zoey. Você ta bem?

– Eu... cof, cof... acho que sim... Zoey, meus pais... oh meus deus... eles foram mortos por um... amigo meu... me mordeu... estou fugindo...

– Espera! Espera por mim. Eu estou de carro. Vou te buscar... onde você está?

– Em casa... vou juntar umas coisas... me espera na garagem...

– Estou a caminho...

– Tome cuidado... Zoey...

Assim que larga o telefone, Zoey nota um carro esportivo passando. Quando este passa pelo cruzamento, é atingido com força por um caminhão de produtos químicos. Ambos os veículos derrapam e atingem um posto de gasolina, causando uma explosão. A velocidade e violência do acidente assustam ainda mais Zoey, que dispara para seu carro e o faz pegar no tranco.

Teddy morava num condomínio não muito distante razoavelmente elegante no sul da cidade. Era cercado com muros e protegido por dois seguranças. Quando o Ford chegou ao local, os portões estavam no chão e parte do muro estava destruída. Havia duas viaturas batidas contra casas e uma van de uma rede de televisão local capotada. Conforme o Ford avançava era possível notar que a maioria das casas estavam com suas fachadas danificadas e não se via pessoas em qualquer lugar que olhasse.

– Meu Deus! O que houve aqui?

Havia um cão latindo numa casa no fim do condomínio. Ele estava preso a uma árvore ao lado de uma casinha de cachorro e parecia irritado com algo na casa em frente. Era a casa de Teddy. O Ford estaciona no meio da rua e Zoey corre até a entrada da casa.

– Teddy? Teddy? Cadê você?

Zoey abre a porta e se assusta ao ver o cadáver do pai de Teddy pendurado como se fosse um casaco. Seu queixo estava quebrado e sua pele pálida como a de um defunto. Ele fedia como se estivesse morto a meses. A casa estava bagunçada e haviam garrafas de bebidas por todo lado. Havia um rastro de sangue no hall que levava em direção a cozinha.

– Teddy?

Haviam cápsulas de balas por todo o lado e vários corpos também. Um deles era de um policial. Havia também o corpo de uma mulher seminua, talvez até uma prostituta. Mas o que uma prostituta e um policial estariam fazendo na casa de seu namorado? Zoey não agüenta de nojo e vomita na pia.

Uma lata é derrubada no quintal nos fundos da casa. Zoey respira fundo, salta os corpos e abre a porta dos fundos. Havia um homem lá, revirando o conteúdo despejado de uma lata de lixo. Agia como um animal faminto e estava banhado com sangue. Seu braço direito estava estranhamente curvado e seus órgãos estavam parcialmente expostos no lado esquerdo de seu abdômen. Zoey fica surpresa ao reconhecer Teddy.

– Teddy! Oh, Deus! Finalmente te achei. Você está bem? Está muito machucado?

Teddy se volta para Zoey. Seus olhos preenchidos por um vermelho-sangue de gelar a espinha. Ele curva a cabeça alguns centímetros e fita Zoey demoradamente. Parecia estar tentando lembrar quem ela era.

– Teddy? Você está bem? O que foi?

Teddy abre sua boca e deixa um pouco de saliva escorrer para o chão.

– Teddy? Por favor, não... Você também não...

Teddy avança ferozmente sobre Zoey, que consegue se esquivar no ultimo instante. Ela corre com todas forças pelo quintal e escala velozmente a cerca de madeira, indo parar no terreno vizinho. O gramado estava molhado e escorregadio e ela quase perde o equilíbrio por um instante. Teddy salta pela cerca de qualquer maneira e torce o tornozelo direito. Ele não liga para a dor, só para vontade incontrolável de saciar sua fome.

– Corre, corre, corre!

Zoey corre para uma casa da árvore inacabada construída sobre um carvalho ancião. Os degraus de acesso haviam sido pregados no tronco, mas não estavam muito firmes. De fato, um deles se solta e quase provoca a queda de Zoey. A garota consegue se segurar e segue em sua escalada.

Quando ela finalmente chega a casa da árvore, Teddy segura seu pé direito e a faz cair. Zoey cai dentro da casa e bate com a cabeça, ficando um pouco zonza, mas logo se levantando. Teddy tenta cravar seus dentes em sua amada, sentir o gosto de sua carne, beber de seu sangue quente e com o sabor da vida. Zoey age por instinto e acerta o rapaz com um taco de beisebol que estava jogado no chão, derrubando-o da árvore. Teddy rosna vorazmente enquanto sucumbe a queda. Zoey tenta respirar devagar para acalmar seu coração, que parecia querer sair através de sua boca. Ela se levanta e olha cautelosamente para baixo. Teddy estava lá, caído no gramado e com seu pescoço quebrado. Não parecia que ia se levantar mais. Zoey cai de joelhos e começa a chorar.

– Eu matei ele... matei Teddy... matei meu namorado...

Em meio ao latejar da cabeça e a dor das perdas do dia, Zoey nota um silêncio incomum. O cão da casa em frente finalmente parara de latir. Ele se voltara para a casa de seus donos e agora gemia amedrontado.

A parede da casa explode em pedaços e abre caminho para uma criatura gigantesca e musculosa. Seus músculos eram assustadoramente grandes e pareciam lhe fornecer uma força sobre-humana. Seus braços eram desproporcionais e largos, chegando a quase se arrastarem pelo chão. Sua cabeça, cujos olhos negros se destacam, era pequenina e quase se perdia em meio a massa muscular. Seu corpo ainda possuía pústulas gordurentas espalhadas por sua extensão. A criatura bate contra seu próprio peito e solta um urro de ódio. Ela salta para fora da casa e pousa sobre a casa do cão, destruindo-a e matando o animal. O impacto do pouso da criatura acaba derrubando uma árvore que jazia naquele quintal.

– Mas que merda é essa?