Leah - I See You
43 Capítulo 43 - Família é o significado de amor conjunto
Notas iniciais
Acordei depois de horas de sono pesado sentindo Rick me fazendo cafuné nos cabelos. Sua pele quente em contato com a minha me passava uma sensação de proteção sem tamanho junto a seus braços ao meu redor. A janela estava aberta, deixando que o chuvisqueiro do lado de fora molhasse um pouco o chão. Já estava escuro. Agora, eu já não sabia se era escuro da madrugada ou escuro de noite mesmo.
—Bom dia. – Testei, quase ronronando com o beijo que Der me deu na bochecha.
—Buonasera, Principessa. (Boa noite, Princesa)
Ah, noite. Então, dormimos o dia todo. Esfreguei minha perna entre as suas, com preguiça, sentindo o jeans da calça que não estava ali antes. Cheirei o perfume de sabonete que exalava de sua blusa ao alcance de meu nariz e franzi as sobrancelhas.
—Acordou faz muito tempo? Onde foi?
—Fui conversar com meu patrão sobre tirar alguns dias de folga, já que tenho uma moralzinha pelas horas extras que fiz. E Sebastian ligou também.
Ele me puxou para, literalmente, cima dele, fazendo-me apoiar o rosto em seu peito para poder encará-lo melhor. Arregalei os olhos, de repente, mais desperta.
—É? E o que ele disse?
—Os moradores de Lupi Luna começaram uma investigação pelo desaparecimento dos outros e dos civis que andam morrendo pelas proximidades, desconfiaram da gente pelo sumiço do nada. Sebastian não ligou para não levantar suspeitas. Agora, um detetive aliado entrou na investigação e as coisas se acalmaram. Os boatos já foram desmentidos e tudo voltou ao normal. Os ataques dos vampiros diminuíram, por hora. Parece que o foco deles mudou. Uma matilha amiga que Sebastian mantinha contato parou de mandar notícias.
—Sua mãe ainda quer voltar? – Inquiri, preocupada. Derick rolou os olhos, mas acenou que sim.
—Ela não muda de ideia. Não quer passar o natal longe dele, ainda mais agora que sabe que as coisas se acalmaram por Lupi Luna.
Meneei a cabeça, sem saber o que dizer. Eu entendia o lado de Dona Stela. Claro que não apoiava ela ir assim sem proteção, mas a entendia. Se eu estivesse no lugar dela, também optaria por ficar um tanto mais perto de meu imprinting.
—E vocês também irão com ela? – Perguntei, como quem não quer nada. Rick arqueou uma sobrancelha para mim, incrédulo.
—É claro que não! Ainda não é totalmente seguro para todos nós lá. Além de que eu não... eu não vou mais me separar de você, Leah. – Sua voz parecia um tanto hesitante, como se tivesse medo de alguma coisa. Seus olhos se prenderam aos meus com uma intensidade que fez os fogos de artificio em meu estomago explodirem. -Se os meninos quiserem ir para matarem a saudade da família, eu não vou impedir, desde que voltem rápido, claro. Eu vou ficar.
—Mas vai ter que ir um dia. – Externei meus pensamentos, desviando de seu olhar por, talvez, estar o impedindo de voltar. Ele não devia me passar à frente de sua família.
Derick me tirou de cima de si, virando-nos de lado na cama. O clima pesou e eu me amaldiçoei por trazer aquilo à tona naquele momento tão delicado. Não era hora de externar inseguranças.
—Não fala assim. Parece que não me quer por perto. – Ergui os olhos, assustada com a direção de seus pensamentos. Ele engoliu a seco, o pomo de adão subindo e descendo rápido em nervosismo. -Você... quer que eu vá?
—É claro que não! – Afobei-me ao ver o que tinha escapado por meus lábios. -Quero dizer, eu... se você quiser ir, não deve ficar só por minha causa. Tem que seguir sua família, passar o natal e datas importantes com eles, fazer novas lembranças, não ficar preso à La Push por um imprinting inesperado. Eu vou ficar feliz se você estiver feliz. Seja aqui, ou lá.
Minhas bochechas queimaram pela vergonha, porém fui firme em minhas palavras. Ele acarinhou meu rosto com aquele afeto costumeiro e entrelaçou nossos dedos. Parecia tão calmo em comparação a cacofonia que residia em mim.
—Você é minha família também. Não chame nossa magia de imprinting inesperado, não é a verdade. Nós esperamos a vida toda por um sentimento como esse, preparamo-nos desde a hora em que nascemos para ficarmos juntos. Não desdenhe assim, não se coloque como última na minha lista de prioridades, porque, definitivamente, amore, você não está lá.
Ele se levantou e eu fiquei com medo de ter, de alguma forma, magoado seus sentimentos. Derick mexeu na cômoda por um segundo só, procurando algo no fundo da gaveta e voltando a mesma posição de antes na cama. Ele sorriu para mim, amoroso e quentinho, pegou minha mão e deslizou o anel que havia me dado de novo por meu dedo. Com toda a confusão de antes, tinha até esquecido que meu anel havia sido largado às traças no meio da mata. O geladinho da prata e o peso do ornamento foram recebidos de bom grado, meu coração se derreteu com o carinho de seu gesto.
—Eu não quero ser feliz sem você, nem fazer novas lembranças onde você não esteja. Não quero que exista um Derick sem Leah. Não quero nunca.
Meus olhos lacrimejaram, apesar de eu me repreender por isso, mas eu não conseguia evitar me emocionar. O amor que eu enxergava em seus olhos transbordava, derramava por todos os cantos e me inundava. Foi muito significativo ele dizer que não queria me deixar, não queria ser feliz sem mim, porque ele vivia me dizendo quão completos nós éramos, individualmente, por nós mesmos. É claro que eu, ou ele, conseguiríamos viver bem nossas vidas separados — lógico que aos trancos e barrancos — entretanto sobreviveríamos, sim. O ponto era que nós só não queríamos. Não era necessidade carnal, era um querer mútuo, sentimental. E eu amava quando Rick me fazia enxergar a profundidade do nosso sentimento com poucas palavras daquele jeito.
As três palavrinhas tão importantes se entalaram em minha garganta, prendendo minha voz. Eu queria falar, queria tanto! Porém, algo impedia, o medo guardado aumentando pela exposição que aquilo traria. Talvez fosse só o imprinting, talvez fosse só o efeito da magia, talvez se nunca tivéssemos nos transformado em lobos esse amor não existisse, ou talvez apenas fosse para ser. A muralha quase indo ao chão, os últimos tijolos se desgastando. Derick merecia, merecia tanto! Mas eu... eu não... ainda não... Suspirei quando ele encostou sua testa na minha, fechando os olhos, passando tranquilidade, aquietando minha mente. Sorri ao sentir seus beijinhos em meu rosto, desviando de proposito de minha boca.
—Somos um, Single. Lembra?
Respondi-o capturando seus lábios em um beijo. Foi a vez de ele suspirar pela surpresa, sorrindo contra minha boca e me deixando feliz pela sensação gostosa de ser correspondida com a mesma intensidade. O coração dele batia rápido no peito, quase no mesmo ritmo que o meu, seu perfume tomou o quarto todo porque ele também estava feliz (e marcando território). Não tínhamos pressa, nossas línguas se acariciaram sem a turbulência de sempre. Era morno, puro, só uma demonstração de amor. Eu gostava quando ele me beijava assim, com a alma.
Agarrei seu pescoço e o abracei apertado, enfiando minha perna entre as suas e me encaixando em seu corpo. Meu estomago roncou, denunciando a fome de leão que sentia.
—Tô com fome. – Meio resmunguei, meio ri por não conseguir evitar quebrar o clima.
Derick riu, aproveitando meu momento de distração para me apertar mais e deixar uma mordida ardida em meu ombro desnudo. Rosnei pela dorzinha, mas pareceu mais um ronronado.
—Eu também. – Murmurou, o tom mais indecente do mundo. Sua mão escorregou por minhas costas, chegando às coxas e apertando por cima do tecido leve do baby-doll que Dona Stela me emprestou. Arfei, já completamente entregue a seus toques. -Seu perfume é tão bom. – Cheirou meu pescoço com gula, arrepiando-me. Sem consciência, me empurrei mais em direção a suas mãos. -Me deixa com mais fome ainda. – Seus dedos colidiram com a carne de minha bunda com força suficiente para que eu desse um pequeno pulinho pelo susto momentâneo.
—Estamos no quarto da sua mãe, tenha respeito. – Mais gemi do que briguei, a sensação de seu carinho era muito boa para que a sensatez falasse mais alto. Ouvi burburinhos na sala e me obriguei a abrir os olhos, não sem antes puxá-lo para um beijo rápido. -Os meninos acordaram. Para de ser sem-vergonha.
Levantei-me da cama, arrumando minha roupa e passando os dedos por meu cabelo. Derick suspirou, bagunçando os cabelos loiros.
—Que saudade da privacidade do seu quarto. – Dramatizou, estendendo a mão para que eu o ajudasse a levantar.
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Joe ainda parecia debilitado, todo pálido e machucado, mas tinha os olhos abertos quando Derick e eu fomos conversar com ele. Klaus e Allan estavam falando entre si, enquanto Joseph mantinha-se calado, prestando atenção. Sentei-me na pontinha de seu leito improvisado e ele sorriu fraco para mim. Sorri de volta, feliz por ele estar bem.
—Como você está se sentindo?
—Acho que bem, só um pouco quebrado. – Sua voz saiu forte, demonstrando que sua recuperação estava indo cada vez mais rápido, como o esperado.
—Você me deu um susto e tanto, seu idiota! – Dei um peteleco em sua testa que o fez chiar pela dor e os meninos rirem. -Nunca mais invente de se meter em uma confusão dessa, está me entendendo?
—Sim, senhora! — Tentou fazer graça, fazendo menção de que ia me fazer um cumprimento de soldado, mas falhando ao sentir suas lesões reclamarem.
—Consegue se lembrar com mais clareza do que aconteceu antes de chegarmos? — Rick entrou no assunto, sério. Eu não achava um bom momento para perguntas desse tipo, ainda estava muito cedo. Ele tinha acabado de sair de um momento traumatizante.
—Derick, eu acho que ele ainda não está pronto para reviver isso. — Interferi, um pouco incomodada.
—Ele já descansou um pouco, não temos tempo a perder. Precisamos saber como eles o pegaram para que possamos pegá-los. — Derick demandou, não me abalei com seu tom, mas também não gostei do jeito com que falou comigo de uma hora para outra.
—Você também ficaria abalado se presenciasse uma questão de vida ou morte, alfa. Sei que precisamos nos preparar, mas forçá-lo a se manter firme quando ainda está afetado não vai trazer bem algum a sua estratégia ou a saúde dele.
—Todos nós aqui já passamos por uma questão de vida ou morte, Leah. Quanto mais rápido bolarmos um jeito de parar os idiotas, mais rápido acabaremos com essas questões.
—Você não deve forçar ele assim, isso não está no seu controle!
Derick abriu a boca para refutar, mas Joe foi mais rápido:
—Eu posso falar, Principessa. Já estou bem.
Franzi as sobrancelhas, inconformada. Rick riu zombeiro.
—Ele não pode te obrigar a nada, você sabe. Eu não deixo. Não precisa fazer se não quiser. — Ignorei o olhar enviesado de Der e me levantei, ficando na soleira da porta.
—Tecnicamente, ele pode por ser o alfa. Mas eu sei que você não deixaria. Gracie, Principessa.
Derick rolou os olhos. Allan cutucou Nik de brincadeira, murmurando um "Acho que você tá perdendo o posto de favorito" que eu fiz questão de nem me posicionar.
—O favorito dela sou eu, o imprinting. Tenham senso. – Der comentou como quem não quer nada, saindo de perto de Joe e enroscando minha cintura só para que eu me sentasse em seu colo, voltando para perto deles. Revirei os olhos, mas encostei em seu peito, aceitando seu afeto.
—Foi muito de repente. Eu me separei dos outros da patrulha e cerquei dois vampiros que corriam pelo sul da clareira, mas eu caí em uma armadilha. Me desculpe, Derick. Fui burro! Não esperei por vocês, eu achei que conseguiria. Me desculpe!
Abri a boca para falar, mas senti que Rick é quem deveria acalmá-lo.
—Ninguém está irritado com você, Joe. Você não tem culpa de nada. O importante é que chegamos a tempo e que continuaremos assim, vivos e juntos.
—Você tem noção de quantos eram os vampiros? – Perguntei, ainda encucada com seus delírios febris.
—Não me lembro muito, ficou tudo borrado quando os golpes vieram. Eu só lembro que perseguia dois, do nada eram seis, e então eram dez. Eles pareciam ter o mesmo rosto, mas eu acho que foi por causa dos meus ferimentos.
—E você percebeu linhas, cordinhas, ou alguma coisa incomum neles? Fora os rostos iguais.
—Eles pareciam... pareciam translúcidos, sabe? Não eram como os vampiros normais.
Grunhi, irritada.
—Não matamos o talentoso. É claro que com um talento desse ele não iria se colocar em foco na luta.
Der acarinhou minha coxa, passando-me conforto.
—Então o que explica termos matado o cara dos fantoches e os outros terem caído? – Nik inquiriu. Allan concordou com ele, a expressão confusa me olhando.
—Não sei, não tenho a mínima ideia. Mas não me surpreenderia se ele desse as caras aqui novamente. Isso ainda não acabou. Ele conhecia vocês, já devem ter lutado antes.
—Isso me lembra do feriado. Todos os que quiserem visitar a família, pelo menos no Natal, devem ir. Mamma vai partir esses dias, por mais que eu ainda esteja com esperanças que ela não vá. Então poderão ir juntos. Só peço para voltarem logo, caso ocorra alguma coisa. – Derick se manifestou. Um minuto de silêncio perdurou até que Klaus respondesse:
—Minha família está bem aqui. – Nik piscou para mim, fazendo meu coração ficar quentinho por ele me incluir daquele jeito.
—Minha família pode esperar um pouco. Eles sabem que eu só penso na segurança deles. Comigo lá as coisas só ficariam piores. – Allan encolheu os ombros largos, enfiando as mãos nos bolsos do moletom grande e cinza que usava. -E eu não vou te deixar sozinho aqui com o paspalho do Klaus.
Gargalhei alto com a expressão de tédio que Nik o ofereceu.
—Eu fico se a Leah fizer aquela panqueca com geleia e mel para mim todas as manhãs. – Joe barganhou, fazendo Rick rosnar pelo descaramento.
—Se eu estiver com vontade de comer panquecas até pensarei no seu caso. – Concedi, sorrindo para o menino/homem fofo coberto pela manta rosa clara.
Ficamos conversando trivialidades por algumas horas até Dona Stella chegar, o assunto da armadilha e dos talentosos esquecidos por algum tempo. Fui até minha casa, dessa vez sem a companhia de Derick, e coloquei minha mãe a par dos acontecidos. Dormi em casa, embalada pela voz doce de uma Sue preocupada enquanto Seth ressonava no quarto ao lado do meu.
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Derick apareceu no meio da madrugada, sorrateiramente se embrenhando em minha cama. Não estava com tanto sono por conta de ter dormido praticamente o dia todo, então quando seus braços me enlaçaram e ele terminou de comentar sobre o que faríamos nos treinos seguintes, eu só prestei atenção.
—Estou pensando em alugar outra casa, acho que aquela já não está tão legal assim. – Ele murmurou, subindo e descendo sua mão na linha da minha coluna, em um carinho calmo.
—Vai ser bom para vocês. Mais espaço. – Concordei, quase ronronando. -Já viu algumas? Posso ir com você escolher, se quiser.
—Eu já acho que encontrei uma bonitinha.
Abri os olhos que nem percebi ter fechado, encarando a linha de seu maxilar marcado. Ele era tão bonito.
—É? Onde?
—Uma quadra para baixo daqui. – Ele riu com vontade quando eu arqueei uma sobrancelha. -O que? Ela ser perto da sua casa não influenciou em nada na minha decisão, Principessa.
—Claro que não. – Fingi acreditar, suspirando e entrelaçando ainda mais nossas pernas. Era uma noite bem fria e, por mais que não fossemos tão afetados pela baixa temperatura, era maravilhoso ficar agarrada nele embaixo do edredom fofinho. Ele sorriu de leve para mim, aprovando a aproximação. Não pude me conter e acariciei seu rosto, contornando seus traços. Ele fechou os olhos, o sorriso ainda nos lábios. A expressão serena dele era muito para meu autocontrole. Estiquei-me para beijar o canto de seus lábios demoradamente, sentindo a textura de sua pele. Ele estremeceu e acariciou minha cintura.
—Estamos carinhosos hoje, ãhn? — Sussurrou enquanto eu continuava a paparicá-lo com beijos e afagos. -O que foi?
—Não posso te beijar? — Inquiri distraidamente, o jeito como sua barba por fazer arranhava meu rosto não deveria enviar arrepios por meu corpo. Sua respiração se acelerou um pouco, seus batimentos aumentaram.
—Claro que pode, mas... — Um suspiro nada regatado saiu de seus lábios quando beijei seu pescoço, a língua sentindo o gosto salgado de sua pele.
—Mas? — Instiguei-o a continuar, gostando do jeito que ele também se mostrava afetado.
—Mas você sabe que carinho não é muito do seu feitio. Na nossa relação, eu sou o grudento. — Explicou quase sussurrando. Parecia um gatinho procurando carinho, esfregando sua cabeça em minha mão.
—Talvez eu goste do ser grudenta, às vezes. Algum problema? — Provoquei, passando minhas pernas em volta de sua cintura. Ele riu, balançando a cabeça.
—Com certeza, não. Mas eu sinto que tem algo a mais nesse carinho. — Bufei, rolando os olhos e encarando-o. será que ele não deixava passar nada? Inferno de homem bonito e perceptivo.
—Poderia ser qualquer um de nós com aqueles vampiros. Qualquer um de nós poderia não ter voltado ontem. Isso... Isso me assusta. — Murmurei, tentando não ligar para o rubor de minhas bochechas. Ele riu gentil, acariciando minhas coxas.
—Eu sei. Isso também me assusta. Mas nós vamos sair dessa, você vai ver. Nós ainda vamos ver Klaus encontrar seu axis, por mais que ele ache que não. Nós vamos conhecer o mundo juntos porque eu sei que você deseja isso. Vamos visitar cada cidadezinha desse mundo imenso, provar cada comida típica do planeta e festejar todos os feriados existentes. Vamos casar...
—Ou só morar juntos. – Dei de ombros, sabendo que ele não ficaria chateado por minha opinião não seguir seus preceitos de futuro tradicional.
—Ou só namorar para sempre em casas separadas. Eu não me importo realmente, desde que eu tenha você comigo pelo resto da vida.
Agarrei sua bochecha num beijo demorado, agradecida por ter alguém como Derick na minha vida.
—Vamos fazer churrasco aos domingos com a família. – Acrescentei, entrando na sua onda.
—E vamos rir de quando éramos jovens e fazíamos coisas idiotas.
—Vamos brigar. – Constatei, cutucando-o com o ombro para provocá-lo. -Vamos brigar muito porque você tem muito a cara de quem vai ser um velhinho insuportável.
—Mas mesmo assim você vai me aguentar, do mesmo modo que eu vou te aguentar. E é isso o que importa. Nós seremos felizes, todos nós.
Sorri, sentindo aquela sensação de conforto, de alegria, espalhar-se por todo o meu corpo.
—É isso o que importa.
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Joe dormiu praticamente até o outro dia raiar depois de nossa conversa e parecia bem melhor quando acordou, já com apenas escoriações e algumas partes doloridas. Mamãe e os anciões ficaram preocupados com a proteção tanto dos lobos quanto dos moradores de La Push e redondezas. Foi uma merda para Charlie abafar os casos de morte na floresta e obter informações ao mesmo tempo. Theodore e Tifany e mais dois civis de Port Angeles foram as únicas vítimas do ataque.
Os dias foram passando enquanto a recuperação, da rotina e dos feridos, avançava rápido. Derick voltou ao trabalho, conseguindo alugar uma casa proporcional ao número de moradores, melhor, com mais de dois cômodos e um conforto maior. Diferente do primeiro ataque, o conselho não organizou uma reunião para discutir estratégias, porém os Cullens e Der sempre conversavam sobre novas estratégias de confronto. Os treinos ficaram ainda mais pesados enquanto o humor de Derick oscilava tanto pela viagem de sua mãe quanto pela preocupação toda, além de eu ter percebido que, sim, a proximidade do aniversário de morte de seu pai mexia muito com ele.
Foi na véspera do dia 8 em seu quarto, dois dias antes de dona Stella embarcar de volta a sua terra natal, que Derick suspirou e me agarrou em um abraço apertado, afetado pela angústia de não poder mais sentir que sua família está protegida.
—Via ficar tudo bem, Der. Você vai ver. Vamos ficar todos bem. Juntos e felizes, lembra? Você mesmo me disse. Ou mentiu para mim?
Ele me ignorou completamente, o rosto voltado contra o meu ventre.
—Você e mamma são as pessoas mais importantes na minha vida, Leah. – Sua mão se entrelaçou na minha, enquanto sua cabeça repousava em meu colo. -Não gosto dessa sensação de impotência. Tudo de ruim pode acontecer.
—Tudo pode acontecer você estando lá ou não, Der. Você não é o Superman.
—Você não entende. Eu...
—Eu te entendo, Der. Mas você sabe que se algo realmente acontecesse não seria sua culpa, não sabe? Sabe que seu pai não ficaria decepcionado contigo se algo acontecesse, não é? – Ele me encarou surpreso, arregalando os olhinhos e abaixando os olhos de modo rápido, como se estivesse envergonhado por eu ter descoberto seu medo.
—Não tem como ele se decepcionar mais do que já está.
Segurei sua cabeça, virando-o para olhar para meus olhos.
—Ele se orgulha demais de você, okay? Você é uma pessoa maravilhosa, um alfa exemplar, tem um coração gigante, é a pessoa mais íntegra, gentil, amorosa e honrosa que já conheci. Tudo bem que você é um idiota na maioria das vezes, um otário de marca maior, mas isso não afeta em nada. Não há nada para não se orgulhar em você, meu bem. E se ele ousar não estar orgulhoso do filho que tem, foda-se ele, eu me orgulho!
Ele riu, aquele sorriso que erguia suas bochechas e coloria meus dias.
—Você me chamou de meu bem. Eu gostei. — Minhas bochechas coraram com sua frase, pois o apelido carinhoso tinha sido tão espontâneo que nem havia notado que o proferira. -Obrigado, Principessa. Isso é muito importante para mim.
—Então, esquece isso, Rick. Despeça-se da sua mãe e deixe ela ser feliz em casa.
—Não consigo! É mais forte que eu!
Revirei os olhos.
—E o que você quer que eu faça então, Alfa?
Ele levantou rápido sua cabeça de meu colo, pondo-se sentado com a postura correta, olhando nos meus olhos com expectativa travessa brilhando nas írises. Encarei-o desconfiada.
—Fala com ela, por favor. Tente convencê-la. Ela não vai me escutar, mas talvez você ela ouça.
—Eu não posso impor alguma coisa a ela, Derick, e você também não deveria. – Cruzei os braços, já irritada com sua teimosia.
—Não é imposição, é proteção. Por favor, Principessa. Por mim!
Eu nunca conseguiria ir contra aqueles olhos azuis bonitos. Minha irritação esfriou e eu suspirei, rendida.
—Só vou fazer isso para você aquietar essa sua teimosia, porque eu tenho certeza que ela não irá mudar de ideia.
Ele me deu um sorriso maroto, beijando singelamente minha bochecha.
—Não, você vai fazer isso porque é caidinha por mim.
Bufei, mas não o desmenti. Era verdade, afinal.
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Derick fingiu uma caminhada, nada discreta, com os meninos para que eu pudesse ficar a sós com sua mãe. Fingi ajudá-la com a louça, guardando e secando o que ela lavava, mas estava tão atrapalhada e nervosa que até ela percebeu. Não queria chateá-la.
—Está inquieta, Leah. O que houve? — Inquiriu, confusa com minha postura. Sentei-me na mesa de seis lugares da cozinha, pensando qual era o melhor jeito de começar.
—Derick pediu para que eu conversasse com a senhora. Pediu para que eu convencesse a senhora a não ir agora. — Fui direta, atraindo sua atenção. Ela suspirou, largando a pia e sentando-se a minha frente.
—Derick não entende.
—Ele entende, sim. Ele ou eu faríamos o mesmo se a situação fosse inversa, acredite. Ele só não quer que a senhora se machuque.
Seus olhos azuis angustiados me fizeram amolecer.
—A cada segundo longe, meu coração se perde um pouco. Sinto falta de casa. Ficar tanto tempo longe é mais do que uma velha como eu pode suportar.
—Mas se esperar só mais um pouquinho talvez possamos...
—Já estamos aqui há meses, Leah. Derick precisa aceitar, eu não estou pedindo permissão.
—Não queremos que a senhora pense que estamos a prendendo aqui, só estamos pedindo para esperar um pouco mais. Precisamos da senhora.
—Eu não tenho relevância alguma aqui. Eu amei conhecer toda a sua família e seus amigos, foi maravilhoso conhecer você e presenciar a magia de meu filho acontecer com uma mulher como você, mas eu preciso ir agora.
—Eu entendo, Stella. Mas, Derick vai ficar muito preocupado com a senhora quando partir. Sabe como seu filho é. Ele vai se sentir culpado e eu odiaria ver isso. — Encolhi os ombros, já sem argumentos.
—Eu tenho saudade dele a todo momento, figlia. — Ela me sorriu triste e eu soube que não falávamos mais de meu Derick. -Todos os dias meu coração espera que ele entre por alguma porta e me abrace como se nada tivesse acontecido. É uma agonia constante, mas alivia um pouco quando eu sinto o cheiro do vinhedo que ele tanto gostava de olhar, quando eu deito no colchão lá de casa do meu lado da cama e imagino o calor do abraço dele, quando vou ao seu tumulo e troco as flores, quando olho para o brilho dos olhos de Derick quando está perto de você e reconheço aquele mesmo olhar antes no rosto de meu marido. – Minhas orelhas queimaram, um pouco acanhada. -Eu me preocupo com meus meninos, me preocupo mesmo, mas fico tranquila porque sei que você irá cuidar muito bem deles por mim.
—Eu não sei cuidar nem de mim, como vou colocar aqueles quatro na linha sem a senhora por perto?
—Você já faz isso. É uma legitima transmorfa, sangue Quileute. Você consegue liderar apenas com um olhar, querida, eu já vi. Confio em você.
—Nada vai te fazer mudar de ideia?
—Absolutamente, não.
—Então, eu prometo fazer o meu melhor.
—Eu sei que vai. — Levantou-se, arrumou a barra da saia bonita que usava e beijou minha testa, dando o assunto como finalizado.
—Derick vai ficar furioso.
Ela riu, concordando.
—Você sabe como amansá-lo. — Piscou para mim, já a caminho de seu quarto. -Boa noite, querida. Veja um pouco de televisão enquanto os meninos não chegam. Não vá embora sozinha a essa hora da noite.
Ri de sua preocupação infundada, porém acatei seu pedido.
—Boa noite.
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