Leah - I See You

44 Capitulo 44 - Turbulências repentinas


Notas iniciais
Oii, amores! Espero que tenham passado as festividades bem! 2020 já veio com tudo e, apesar da ameaça de guerra, até que a criatividade vem dado as caras com muito mais frequência por esses dias. Foi um redemoinho esses meses, tive provas e mais provas além dos estudos se acumulando na minha mesinha de cabeceira, por isso a postagem foi atrasada por alguns (muitos!) meses até eu me estabilizar mentalmente. Peço desculpas pela demora, mas eu gosto muito mais dessa versão do capitulo. Esse texto foi rescrito e escrito incontáveis vezes até eu me sentir bem com o resultado, sério foi mais difícil do que eu esperava e realmente estou na expectativa para que vocês gostem dele assim também. Obrigada a Black Princess, Jennifer Blackwolf, Mrs Claflin, Laurea Almeida, Mrs Chappy, Polaine e BeeGommes pelos comentários que alegraram os meus dias de escrita. Amo vocês! Obrigada a aqueles que favoritaram e estão acompanhando essa fic! Fico muito feliz mesmo! Um enorme obrigada também a Polaine que recomendou essa fic recentemente e que, com palavras de muito carinho, conquistou meu coração todinhoo! Agradeço pela recomendação incrível, pelas palavras gentis e por ter tornado a escrita dessa capitulo muito mais fácil e gratificante. Obrigada de verdade e espero que continue acompanhando e gostando de LSY. Um ultimo avisinho é que talvez vocês desgostem um pouco do nosso lobinho hoje. Não tiro a razão de vocês caso isso ocorra, até eu tive ranço enquanto escrevia, mas logo, logo passa, gente. Afinal, nós e Leah não conseguimos ficar muito tempo com raiva de Derick Abbado. Espero que gostem! Boa Leitura *----------* Ah, deem uma olhadinha na minha fic para o desafio de Drables de outubro. Ela é sobre Stella e Alexander, os pais do nosso lobinho nervoso Derick Abbado. O link é esse aqui: https://fanfiction.com.br/historia/782646/Lamore_e_il_mio_cavallo_di_battaglia/ Estou esperando todos vocês lá. Obrigadaaaaa!

Despedir-me de Dona Stella não foi uma tarefa fácil, ainda mais para Derick e os meninos. Mas, fiquei feliz por ver o brilho de alegria em seus olhos enquanto ia em direção ao aeroporto. Ela me fizera jurar cuidar de Der, preocupada como toda mãe ficaria. Nem hesitei para respondê-la. Eu, mais do que ninguém, presava pela segurança de meu imprinting.

—Eu amo vocês, meus lobinhos. Quero ligações todos os dias! — Stella acenou pela última vez, entrando no portão de embarque abarrotada de malas.

Derick ficou muito abalado e com os dias passando com rapidez, cada vez mais seu humor enegrecia. Nem o clima de mudança que a casa nova trouxe, fez com que ele se sentisse melhor. Seus treinos e decisões eram mais rígidos, até para mim. Ele oscilava entre a preocupação com sua mãe e a matilha, e a melancolia que a data da morte de seu pai trazia. Era triste de ver, porém fazia tudo o que estava ao meu alcance para aliviar o peso que Der sentia no peito. Às vezes, conseguia, outras, não obtinha tanto êxito.

A casa nova era ainda mais bonita que a outra, mais espaçosa e arejada, com um quarto para cada e uma cozinha e sala amplas. Não havia andares, mas o quintal compensava. Atualmente, eu passava mais tempo na casa deles do que na minha própria. Mamãe vivia reclamando, entretanto, como eu vivia sorrindo por aí igual a uma bobona, ela não ficava brava de verdade.

As coisas entre Derick e Sam haviam piorado exponencialmente, com discussões a todo o momento e ideias conflituosas. Parte da culpa era da imbecilidade de Sam mesmo, a outra era dos nervos alterados de Rick, apesar de ele conseguir manter, algumas vezes, a calma com maestria.

Derick voltara a seus dias normais de trabalho. Agora, com um horário mais estável e melhor. Então, eu passava parte considerável do meu dia entre os garotos, o que auxiliou muito no fortalecimento da nossa relação. Joe melhorara bem e já treinava comigo pelo menos duas vezes na semana, Klaus e Allan também. Apesar de bagunceiros, a casa era muito bem arrumada, obrigada. Claro que com alguma vistoria pesada minha quase toda vez.

—Hoje é seu dia, Allan.

—Mas, Leah...

—Não adianta reclamar. É seu dia e você não vai fugir de novo.

—Cazzo!

—Cazzo é o que eu vou fazer com a sua cara se você não andar logo com isso, tá achando o que em? — Ditei, jogando-me em um dos sofás da sala. Peguei o controle e liguei a TV, buscando entre os vários canais algo bom para assistir. Klaus colocou sua cabeça em um lado de meu colo e Joseph no outro, como sempre faziam quando Derick não estava por perto. Encarei Allan, desafiando-o a continuar sentado. Ele bufou audivelmente e se levantou, seguindo para a enorme pilha de louça suja na pia.

—Bom garoto. — Provoquei, sorrindo quando o ouvi resmungar alguns palavrões.

Em algum momento da novela que passava, adormeci. Estava cansada com todo aquele treinamento e as várias discussões que presenciei na semana. O clima estava pesado demais, deixava-me meio mal. Não tive sonhos, acho que não houve tempo para isso, pois logo a voz de Derick despertou-me do cochilo. Ele brigava com alguém... Allan eu acho. Rolaria os olhos se estivesse desperta o suficiente. Eles brigavam em uma constância estranha que já estava começando a me deixar preocupada.

—Rick? — Chamei, meio sonolenta. Rapidamente as vozes se aquietaram e a mão de Derick veio rápida para meu rosto, afagando gentilmente.

—Não queria te acordar, Amore, desculpe. Venha, vou te levar para deitar. — Sussurrou carinhoso, longe do tom áspero que usava com Al há alguns instantes.

—Mas eu já estou deitada. — Apontei o obvio, fechando os olhos novamente, quase me entregando ao sono.

—Não deitada na minha cama, que é o seu lugar. Venha, esses idiotas já te encheram demais por hoje. — Passou seus braços um por minhas pernas e outro em minha coluna, erguendo-me do sofá com facilidade e encaixando-me em seu peito. Seu cheiro só fez com que meu corpo amolecesse mais. Klaus e Joseph reclamaram devido à repentina mudança. Derick rosnou para eles.

—Não a acordem! Ninguém mandou vocês se apossarem do colo dela.

Franzi as sobrancelhas, incomodada com seu mau humor. Um colchão macio tomou lugar de seu peito, um com seu cheiro e o meu misturados. Remexi-me, suspirando. Uma coberta me cobriu e um beijo esquentou minha testa.

—Durma bem, Amore Mio.

—Por que está tão estressado? Allan não fez nada de errado. – Defendi Al, os olhos ainda fechados. Ele suspirou, irritadiço.

—Se não tivesse feito, eu não teria chamado a atenção dele.

Fiz questão de ignorar sua resposta malcriada.

—Não briga mais com eles. Deita aqui comigo. – Pedi, quase aos sussurros. Segurei na barra de seu uniforme sem qualquer força, só tentando tornar meu pedido mais persuasivo. Ele suspirou e se rendeu, deitando ao meu lado e abraçando minha cintura com aquele afeto costumeiro. –Você está cheirando a suor. – Pontuei, mas não era uma reclamação. Eu gostava até do cheirinho salgado de seu suor. Ri, aproximando-me mais de seu corpo. Era tão bom sentir o encaixe perfeito que nossas formas tinham. Ele resmungou.

—Eu cheguei do trabalho agora, o que esperava que eu cheirasse?

Meu sorriso se fechou. Seu tom não chegou a me magoar, mas fez com que meu bom humor esvaísse junto à sonolência. Ele não precisava falar daquele jeito comigo do nada e aquela não era a primeira vez. Abri os olhos, encarando o semblante cansado dele ao meu lado. Desencaixei-me de seu abraço devagar e fitei a lua brilhando por trás de suas costas na janela aberta. Odiava quando ele me fazia sentir assim, com essa fragilidade toda. Uma palavra só era o bastante, um tom mais duro, até uma frase entendida errado.

—Droga, desculpa. Eu não... – Parou, a voz perdendo força. Assenti, voltando meu olhar para o teto de seu quarto. O silêncio caiu por muito tempo, alongando-se quando nenhum de nós dois quis se manifestar.

Derick se levantou, murmurando algo que eu não prestei atenção sobre ir ao banheiro. Logo ouvi alguns barulhos de panelas na cozinha e depois o chuveiro ligando. A televisão já estava desligada, mostrando que Nik, Allan e Joe já haviam ido para seus quartos. Pensei em me levantar e ir para a sala, respirar um pouco e pensar em um modo de ajeitar a situação, porém não fiz. Fechei os olhos, pronta para tentar dormir novamente, apesar de saber que não conseguiria. Meu instinto se angustiou pela forma que a noite terminou, como se a ligação que eu sentia dentro do meu coração quisesse me dizer algo, como num aviso. Minha loba estava inquieta.

A caricia fantasma dos dedos de Derick em minha mão me tirou dos devaneios de repente. Ele voltou a se deitar ao meu lado, os cabelos escorrendo água para o meu travesseiro quando se acomodou.

—Meu pai dizia que quando um casal dorme com raiva um do outro, a raiva entra no peito e começa a matar o sentimento dos dois. – Ele entrelaçou seu mindinho no meu, falando baixinho, como se tivesse medo. –Por favor, não dorme com raiva de mim.

—Ninguém aqui é culpado pelos seus problemas, não devia descontar na gente.

—Não estou descontando!

—Peça desculpas aos meninos depois, você também tem sido babaca com eles.

—No momento, eu só quero que você me desculpe. Com eles, eu me viro depois.

—Peça desculpa a eles, Derick.

—Tudo bem, eu sei, eu sei. — Ele abriu sua mão, dando espaço para nossos dedos se encaixarem com um pouquinho de força. –Me desculpa. Estamos bem, não estamos?

Não resisti àquele brilho de esperança em seus olhos por muito tempo, concordando com a cabeça.

—Estamos bem. Só não... não guarda para você. Isso não te faz bem, te deixa mudado e não é do jeito bom. Deixa o rancor comigo.

—Vou tentar.

Ele pode ter tentado, mas a diferença na relação dele com todos à sua volta era óbvia. Eu não gostava daquele Derick. Não gostava do jeito com que ele falava, do riso contido, do rosto sério a todo o momento e nem do cheiro de conflito que dele expelia. Era estranho e eu não sabia lidar, apesar de tentar. Era diferente de quando Seth entrara em crise após a morte de papai, era diferente também dos altos e baixos de Klaus. E por Derick ser o meu imprinting, toda a angustia triplicava. Por isso, quando Allan nos chamou para sair um pouquinho até a sorveteria em Forks, eu aceitei sem nem pensar. Talvez uma saída da rotina ajudasse Rick a espairecer a mente e ajeitar os pensamentos. Minha loba estava agitada, trazendo uma sensação ruim ao meu peito, como num mal pressentimento, mas não dei muita bola. Derick aceitou ir, apesar da carranca no rosto.

Não me arrumei tanto como quando fomos em um encontro a sós, porém Klaus assoviou quando me viu descer, fazendo a gracinha de sempre. Rick me sorriu doce, o primeiro em dias, e entrelaçou nossos dedos.

Foi muito divertido sairmos os cinco juntos pela primeira vez, como eu sabia que seria. A conversa ia e vinha fácil, além de que estávamos mais do que acostumados com todos os trejeitos de cada membro de nosso pequeno bandinho, então a convivência fazia seus milagres na simples alegria de estarmos juntos. Allan fez questão de pagar para todo mundo e eu não me fiz de rogada ao pedir a minha taça tripla especial junto com Nik e Joe, Derick acompanhou Al com sua casquinha simples de creme e chocolate.

Tudo corria bem, com as reclamações indignadas sobre o sorvete americano de Forks ser uma merda comparado ao gelatto caseiro de Lupi Luna e leves implicâncias entre Allan e Nik, quando uma colega de trabalho de Derick chegou e o cumprimentou assim que estávamos acabando nossos sorvete. Ela não se dirigiu a todos na mesa, somente a Derick, mas eu não me importei tanto com isso. Der não foi seco com ela, apesar de também não ter sido exatamente saudoso, sendo mais curto do que o necessário. Nada na conversa longa e esquisita me afetou tanto, os conteúdos eram estritamente voltados ao trabalho dos dois e a curiosidade gritante da garota sobre a vida pessoal de meu imprinting. O que me incomodou mesmo foram os olhares afiados e as investidas dela, discretas e regradas, entretanto deixando claras quais eram suas intenções. A postura de Der também me desestabilizou, em cima do muro, como se não enxergasse o que ela queria. Não foi preciso palavras para que todo mundo notasse o que acontecia. Tentei não deixar claro, mas o ciúme berrou dentro de mim. E eu odiava tanto aquele sentimento! Odiava pois não conseguia lidar bem com ele. A insegurança e a sensação de que a qualquer momento ele poderia partir eram demais para mim, porque tudo o que eu via e acreditava era que sempre haveria alguém melhor que eu por ai, alguém que não seria defeituosa ou que não tivesse esse meu jeito sem jeito.

O clima pesou ainda mais depois que Sam e Emily entraram pela porta e nos viram ali. Emily e sua barriga gigante quase correram para nos cumprimentar. Sam foi mais contido em sua presença, mas conversou pacificamente com todos os presentes, um milagre dado as confusões constantes de dias atrás. Emily reclamava pelo seu enorme desejo por sorvete de caju com calda de morango e nozes, enquanto Sam suspirava de encanto passando a mão pela barriga dela em um carinho cheio de sentimentos.

Não fazia muito tempo que o sexo do bebê fora descoberto. Um menino. Não fiquei surpresa, Derick já havia me falado sobre a possibilidade de ser um menino por conta do cheirinho que já exalava dela. O nome ainda estava em processo de discussão, embora eu tivesse certa desconfiança de que o pai de Emily seria homenageado.

A garota estranha finalmente se tocou que não era parte do grupo ali e se foi, de novo se despedindo apenas de Derick. Só naquele momento Rick pareceu realmente voltar sua atenção a nós e eu vi quando ele espremeu seus olhos ao me ver conversando pacificamente com Sam. Encarei-o inquisidora e ele deu de ombros, se enfiando no assunto de Joe e incluindo Sam em algumas partes. Emily estava radiante, a pele bonita e o olhar materno cheio de brilho. Não senti o baixo-astral de antes quando a via acariciando a barriga proeminente, e era bom aquilo de seguir em frente. Trazia animo fresco, quase rejuvenescedor. Pelo menos nessa parte eu podia me orgulhar.

Derick já havia rolado os olhos umas seis vezes quando me pronunciei sobre querer ir embora. Sam e ele já tinham discutido em alguns assuntos e eu não queria mais desavenças entre os dois. Emily concordou e todos seguimos rumo a La Push, novamente. Allan, Joe e Nik acompanharam Sam e Emily por conta da festa colegial que queriam ir com Quill e Jared, então sobrou para mim aguentar o senhor resmungão até em casa.

O caminho estava silencioso e friozinho, gostoso, e nenhum de nós tinha pressa para chegar ao nosso destino. A expressão de Derick não havia mudado muito do momento que fomos até agora. Na verdade, ele parecia até mais nervoso que antes.

—Sam e Emily terem ficado lá com a gente foi estranho, né? Não foi o meu maior sonho de encontro conjunto. — Comecei quando a quietude se enrolou demais.

—Eles entraram se enturmando como se fizéssemos aquilo a vida toda.

—Foi a primeira vez em muito tempo que consegui manter uma conversa normal com Sam por mais de quinze minutos.

—Eu vi bem isso.

—Me sinto esquisita.

Derick demorou um tanto para perguntar:

—Esquisita como?

—Foi bom, sabe? Não sentir aquele aperto no peito, a sensação de que iria sufocar.

—Sei.

Espremi os olhos, confusa. Ele estava monossilábico demais para alguém tão tagarela. Alguma coisa o estava incomodando e não era de agora. Desde o começo daquele passeio tumultuado Rick não estava bem.

—O que foi? Por que está assim?

Ele riu, ácido.

—Acha que ele conversou normalmente com você por que ficou bonzinho de repente?

—Não estou dizendo que ele ficou bonzinho, estou só falando do que eu senti. Não estou nem aí para o que ele queria fazer.

—Não importa, Leah. Sam veio até nós só para me desestabilizar e você nem se deu conta! Todo mundo conversou e interagiu como se fossem melhores amigos e se esqueceram da merda que está sendo esse treinamento por conta das idiotices do Sam!

—Você está tão neurótico com isso ultimamente, meu deus! Foca no que eu disse e esquece as intenções de Sam.

—Foi você quem trouxe o assunto à tona!

—Sam e eu conversamos como duas pessoas normais e você já começou a me olhar estranho! Eu só acho que...

—E ele ficou cheio de risinhos para você agora por quê? Comentando sobre o treinamento e as minhas estratégias como se entendesse do que falava!

—Ele não estava cheio de risinhos para mim, você está vendo coisas demais.

—Claro que estou vendo coisas demais. — Ele desdenhou rolando os olhos.

—O que isso tem a ver, Derick? Eu não disse nada sobre aquela garota que te monopolizou praticamente o tempo todo! Ela quase se pendurou ao seu pescoço enquanto você nem se mexia para parar com a palhaçada! Eu não acredito que você tá fazendo uma ceninha por causa do Sam!

—Eu não estou fazendo cena! Eu estava só pontuando! Não é de hoje que Sam tenta me atingir usando você!

—Isso é porque você sempre cai nas idiotices dele! Eu pensei que você era menos idiota que o meu ex-namorado!

—Agora eu sou o idiota da história! Será então que é por causa disso que está comigo? Por que pensa que eu sou melhor que ele? Quer mostrar que superou a sua paixonite comigo de muleta? Pelo imprinting?

Não era assim, nunca seria, mas quando vi as palavras já haviam pulado da minha boca.

—É você quem está com o fim de uma linhagem genética, Derick! Sou eu quem tem essa dúvida desde o momento que abro os olhos de manhã até nos meus sonhos a noite! Eu é quem tenho que te perguntar: está comigo só por causa do imprinting? Se apaixonou por mim só pela magia?

Me arrependi no instante seguinte, mas agora não dava mais para voltar atrás. Ele havia começado, ele tinha sido grosso primeiro, todavia eu sabia que aquela dúvida externada doeria.

—Eu sabia! Eu sabia que você ainda tinha isso na cabeça! — Deu para perceber a mudança de cor em seus olhos. O azul elétrico pela adrenalina. -Eu não me apaixonei por você apenas por causa de uma magia idiota, Clearwater. Eu te amei porque simplesmente não há a mínima possibilidade da minha pessoa existir sem você! Você é única, é Single. É o que me faz acordar de manhã com um sorriso idiota na cara, é a mulher da minha vida. — Ele exclamou irritado, virando de costas para mim. Aquela era a pior hora para tocar no assunto. Um péssimo momento para jogar toda a merda no ventilador.

—Eu sei, me desculpe. Me desculpa por dizer isso assim... Mas...

—Você não consegue. É, eu sei. Durante todos os meses em que estamos juntos eu ouvi isso e aceitei. Mas agora isso não basta. É horrível ver que alguém que você confia com a sua vida não sente o mesmo. Machuca sentir essa desconfiança toda! Por que você não se arrisca pelo menos uma vez? Por que não deixa o passado para trás realmente e me permite curar todas essas cicatrizes? Para alguém tão arrogante e cheia de si, você está me saindo uma pessoa muito covarde!

Suas palavras cortavam fundo e me deixavam confusa. Como chegamos naquele assunto? Como uma discussãozinha de ciúmes tinha virado aquele redemoinho?!

—Derick! Sei que está chateado e que não é só por agora, eu te entendo, mas eu não sou covarde! Não há covardia alguma em querer se proteger! Como posso saber se você não é como os outros, como Sam? Como posso saber se não vai me deixar quando estiver cansado de mim? Como posso saber que não vai me ferir?

—Porque sou eu, Leah. E eu achei que já tivesse deixado claro o quanto me preocupo e amo você. — O jeito com que ele falou demonstrava quão chateado ele estava. -Mas talvez você estivesse certa. Talvez o imprinting não devesse ter acontecido. Talvez nós não devêssemos ter acabado juntos. Talvez toda essa coisa nunca devesse ter acontecido.

Ouvir aquilo doía tanto! Mas, engoli toda a dor, tentando pensar com clareza.

—Rick, eu nunca disse isso. Não me julga assim! Escuta... Eu...

—Você não precisa dizer! Está explicito em cada gesto seu, cada momento de hesitação, todo santo dia que você me olha com essa sombra por trás dos olhos! E toda essa coisa dói!

—Você entende tudo errado! Não era para ser assim! Para e me ouve, você...

—Você mais do que ninguém sabe o quanto é ruim amar por dois. Nunca acaba bem. Sempre alguém sai machucado. Na verdade, os dois saem. E de dores nós já devíamos estar cheios.

—Derick, me deixe explicar! Eu nunca nem pensei assim, é você quem está me dizendo isso agora! Respira um pouco, conversa comigo, me escuta só um pouco... Eu...

—Não precisa dizer nada. Eu não quero ouvir! — Cortou-me, ainda de costas. Seu tom dessa vez soou como um trovão, eu conhecia bem aquilo. Ordem alfa. Meus ouvidos reclamaram pelo timbre imperativo, meu coração também.

—Como quiser, alfa. — Murmurei, magoada com seu jeito, suas palavras, seu olhar, entupida de emoções conflitantes. Minha fala o fez olhar para mim finalmente, mas eu não queria mais olhar para ele, portanto encarei meus pés, não querendo mostrar o quanto ele conseguia deixar-me vulnerável. Droga, devia ter escolhido melhor as palavras, ter ignorado e o mandado se ferrar, teria poupado tanta coisa ruim! Melhor, devia ter ficado em casa ao invés de ter aceitado ir naquela sorveteria, ter seguido minha intuição.

—Isso... Isso não foi um comando. — Disse, o tom um pouco mais brando. -Você nem é do meu bando. Eu não tenho autoridade alfa sobre você.

—Eu sei. — Concordei, aborrecida demais para sequer pensar em retrucar algo. Era assim, então? Eu nem era do seu bando? Ele não me considerava parte da sua alcateia? -Eu... Eu acho melhor seguir daqui sozinha. Quando estiver mais calmo conversamos novamente.

—Não, não precisamos de tempo. Temos que terminar isso agora.

A sua escolha de palavras abriu uma ferida antiga que estava começando a cicatrizar. Pude senti-la começar a sangrar de novo, jorrando sentimentos ruins e lembranças afiadas. Meus olhos se embaçaram, mas pisquei rapidamente, espantando as lagrimas para longe. Foi só uma má escolha de palavras, Leah. Ele não tem como saber. Ele não faria isso com você, não desse jeito, não com a mesma frase. O destino não seria tão maléfico assim ao me colocar naquela mesma situação. Um flashback sem cor passou por meus olhos, trazendo à tona todos os sentimentos ruins de anos atrás. O choro na chuva, a sensação de desolação, o coração quebrado.

—Não quero que continuemos a conversar desse jeito. Nós dois estamos alterados e a última coisa que eu quero é magoar você. — E me magoar mais. Ignorei minha voz ter tremido um pouco no começo, embargada pelo choro preso na garganta. Por que agora doía ainda mais do que antes? -Só... Me desculpe.

Dei-lhe as costas e retornei ao caminho de antes, o coração pesado e dolorido, as suturas novas se esticando para arrebentarem. Não queria que ele visse quando elas finalmente conseguissem estourar os pontos.

—Leah... Não...

Continuei a andar, fingindo que não tinha ouvido seu lobo me chamar.

Notas finais
Eii, pessoas!! Se acharem qualquer erro me avisem, beleza? Eu sempre reviso o texto antes de postá-lo, mas sempre algum erro passa despercebido. Comentem, favoritem, recomendem, mandem MP's, acompanhem, perguntem! Até mais!! Bjkss *-----------*