Leah - I See You
9 Capitulo 9 - Como conviver com um imprinting.
Notas iniciais
A cada passo que dava em direção à minha casa e afastava-me da casa de Emily, meu coração se apertava mais. Meus pulmões estavam cheios do perfume dele, meu corpo ansiava em estar perto do dele, minha cabeça estava cheia de imagens daquele sorriso provocador, daqueles olhos azuis profundos, daquela voz rouca com aquele sotaque, céus, estava cheia daquele homem! Ele era tão perfeito que me deixava com raiva. O caminho passou como um borrão. Não enxergava nada, não ouvia nada, as perguntas fervilhavam em meus pensamentos.
Imprinting?! Logo comigo?! Eu, a menina macho defeituosa?! A garota problemática?! Por que logo comigo?! Por que agora?! Quanto tempo ele ficaria comigo após saber de meu defeito? Será que doeria tanto quanto doeu com Sam? Será que conseguiria levantar de novo se ele me deixasse? A cada pergunta que vinha, mais incomodo o nó em minha garganta ficava. Eu sabia, sabia que tudo estava feliz demais, sabia que algo grande estava por vir!! Merda de vida!
Entrei e fechei a porta com um empurrão. Subi até meu quarto, joguei-me na cama e afundei meu rosto de encontro ao travesseiro.
Por que agora?! Por que estou morrendo de vontade de voltar lá?! Droga, eu odeio ir à casa da Emily, odeio ver a felicidade escancarada nos rostos deles, então por que estou quase morrendo de vontade de voltar lá?! Por que meu coração perde uma batida quando lembro daquele sorriso?! Por que não consigo parar de pensar naqueles olhos?! Nem o conheço direito, nunca o vi na vida, então, por que sinto que o conheço a séculos?! Merda de imprinting!!
Após alguns minutos em que minha frustração aumentava e a inquietação voltava, mamãe e Seth chegaram.
—Leah? Você está aí? — Dona Sue perguntou assim que botou os pés em casa. Gritei um "Infelizmente!" de dentro do quarto e ouvi Seth gargalhar.
—Pois trate de descer agora, mocinha. Temos que conversar.
Bufei em irritação e desci sem pressa alguma. A expressão dela era de felicidade pura e animação.
—Oh, minha filha! Aconteceu! Como se sente? — Indagou animadamente.
—Me sinto... Normal. — Respondi calmamente, tentando, sem sucesso, não revirar os olhos.
—Como assim "normal"? Você teve um imprinting! — Seth exclamou me chacoalhando pelos ombros. Respirei fundo procurando me acalmar e acabei suspirando sem querer, o cheiro dele estava ali, na roupa de Seth. Leve, quase sumindo, mas estava lá e eu podia facilmente diferencia-lo de todos os outros. O dele era mais forte, mais perceptível, mais gostoso. Aquela angustia que andava crescendo em meu peito desde que sai da casa de Emily se acalmou um pouco e, por um momento, me senti bem.
—Eu me sinto normal, tá legal?! Estou completamente normal! — Rosnei sem paciência.
Mamãe revirou os olhos e suspirou.
—Pelo jeito que as coisas estão indo, acho que Derick terá mais trabalho do que imaginava. — Ela alfinetou passando por mim com um sorriso sacana e indo para a cozinha. O cheiro dele estava nela também e isso me deixava inquieta.
—Então, o que aconteceu depois que eu sai? — Perguntei indiferente, tentando esconder minha curiosidade.
—Eles são muito legais, mana. Nós continuamos conversando, o Sam ditou algumas regras, explicou mais algumas coisas para eles, mas Derick estava com algumas dificuldades em se concentrar. Você tem uma ideia do por quê? — Indagou-me Seth, fazendo uma de suas gracinhas. Fiz minha melhor expressão despreocupada.
—Eu... Não sei. São muitos problemas, não é? Ele está cheio de problemas.
Ele sorriu e continuou:
—Você poderia ajuda-lo com isso, não é, Leah?
Revirei os olhos e perguntei diretamente para mamãe:
—Eles já sabem onde vão dormir? Porque... Ele... Quer dizer, eles não podem dormir no relento.
Ela sorriu carinhosa enquanto ensaboava alguns pratos dentro da pia e respondeu:
—Eles já estão instalados, querida. Fico feliz por ter se preocupado.
Indignação tomou minha expressão.
—Eu não fiquei preocupada... Só... Perguntei por perguntar. Não me importa se ele vai dormir na rua... Quer dizer, eles. Por que não faria diferença nenhuma se ele dormisse na rua, eu não me importaria se ele ficasse doente... Quer dizer, eles... Ah, merda! Vocês entenderam.
Seth gargalhou espalhafatosamente e concluiu:
—Imprinting é muito maneiro, cara!!
Resolvi não dar ouvidos ao que eles falavam e fui assistir um pouco de TV. Um filme chato e melodramático passava, mas, como não conseguia prestar atenção em nada mesmo, continuei assistindo-o. Aquela angustia chata ainda aumentava, a vontade estranha e maluca de vê-lo mais uma vez se apoderava de meu corpo. Não sei quantas horas fiquei encarando a tela da televisão sem ver realmente alguma coisa, mas, quando dei por mim, faltavam poucos minutos para a ronda. Em um impulso, agradeci aos ancestrais por finalmente ter chegado a hora.
—Merda! — Exclamei, irritada por não poder confiar nem em meus impulsos.
—Olha essa boca, menina! — Mamãe ralhou de dentro de seu quarto.
—Foi mal, mamãe. — Gritei enquanto subia até meu quarto. Tomei um banho quente e troquei-me rapidamente. Preparei três sanduíches com pressa e devorei-os na mesma velocidade. Não era muito legal sentir fome enquanto estava como loba.
—Já estou saindo. Volto quando meu turno acabar. — Avisei-a enquanto passava pelo portal. –Não precisa me esperar acordada, mamãe.
—Tudo bem, querida. Tome cuidado, okay? Há muitos perigos escondidos na noite.
Sorri com sua preocupação e brinquei:
—O perigo é que deve tomar cuidado quando eu estou por perto, mamãe.
Ouvi-a gargalhar e sai. Por um momento, fiquei confusa. Eu devia espera-lo no lugar de sempre ou devia ir até a casa de Sam busca-lo? Afinal, ele não conhece os lugares, e são muitas pessoas desconhecidas, e ele pode acabar se perdendo e ... Melhor ir até a casa do Sam.
O percurso foi mais rápido e distrativo do que havia imaginado, o perfume dele era predominante entre todos os outros aromas da reserva. Conforme chegava perto da casa, ficava mais e mais, e mais concentrado, fazendo meu corpo começar a me trair. Mesmo sem entrar, eu podia escutar a conversa animada dentro da casa. Bati na porta e esperei Emily abri-la.
—Eu disse que ela viria, Derick. — Sam disse com a voz presumida assim que abriu a porta e me olhou. Encarei-o sem entender e não pude conter o suspiro de alivio e encantamento quando a voz dele preencheu o ambiente:
—É, ela veio. — Aqueles olhos azuis profundos se prenderam nos meus e meu coração se acelerou, ele sorriu aquele sorriso provocador e senti minhas pernas amolecerem. –Olá, Leah.
Demorei um segundo a mais do que deveria para voltar a raciocinar direito, respirar fundo e responde-lo:
—Se eu não tivesse vindo aqui, teria ficado plantada esperando a noite toda?
Sua expressão era indignada, embora seus olhos denunciassem a diversão e a animação que sentia. Pelo canto dos olhos, vi Sam e Paul se olharem cúmplices e sorrirem feito idiotas, como se tivessem certeza do que iria acontecer assim que eu chegasse lá.
—Sam disse que você viria e os garotos não me deixaram ir te buscar na sua casa! Eu disse a eles que já estava escuro e que você não deveria sair sozinha de noite, mas eles me fizeram te esperar! Eu não tive culpa!
Sua frase me irritou. Como assim “e que você não deveria sair sozinha de noite”? Ele acha que não posso me cuidar sozinha?!
—Eu posso, muito bem, cuidar de mim mesma. Se eu quisesse andar por aí sozinha a noite toda eu andava!! Não sou uma humana indefesa que precisa de proteção 24 horas por dia! E fique sabendo que só vim até aqui, porque você não conhece a reserva e poderia acabar se perdendo. E depois, a culpa iria cair em quem mesmo? Isso, isso aí. Na Leah! – Rosnei raivosamente. Incrivelmente, ele sorriu. Parecia não se incomodar com meu pequeno discurso irritado. Na verdade, ele parecia... Um pouco encantado?
—Oh sim, principessa. Sei que não é uma humana indefesa, mas o conhecimento disso não faz com que minha preocupação diminua.
Senti minhas bochechas esquentarem.
—Você não tem que se preocupar comigo. Sei me cuidar sozinha! Tem que se concentrar no bem-estar da sua matilha, Alfa. – Ditei tentando esconder meu constrangimento diante aquele olhar intenso.
—Não se preocupe, mio perdizione. Posso tomar conta das duas coisas ao mesmo tempo. — Provocou-me com a voz doce. Dirigi-lhe um olhar sujo e bufei em irritação enquanto passava pela porta esbarrando, de propósito, em seu ombro. Seth, Paul e Jacob estavam completamente largados em um dos sofás da sala e Joseph, Allan e Klaus em outro, ambos pareciam completamente focados na tela da TV onde um locutor animado comentava sobre um jogo de beisebol.
—Onde está Emily? — Perguntei para ninguém em especial. Sam pareceu desorientado por um momento.
—Ela está... Lá em cima. Disse que não estava muito bem. Você sabe... Coisas de gravida.
Encarei o jogo por um instante. Coisas de gravida. Essa é uma das coisas que não sei como é e nunca vou saber. Como será que é sentir um ser pequenininho dentro de si? Como será que é sentir que está gerando uma vida? Como será... Não!! Chega!! Já divagou demais, Leah! Concentre-se!
Ele deve ter percebido que fez uma escolha errada de palavras, pois olhou-me como se pedisse desculpas e abriu a boca para falar algo, mas fui mais rápida.
—Já está pronto, Alfa? — Perguntei um pouco ríspida. Ele fitava-me como se soubesse o que eu estava sentindo, como se pudesse ver dentro da minha cabeça e aquilo era muito, muito desconcertante.
—Estava a sua espera. – Murmurou suavemente enquanto se virava para a porta e saia em minha frente. Depois de dar um tapa na cabeça de Seth em despedida e de ter a confirmação de Jacob, segui Derick e seu perfume gostoso em direção a floresta.
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