Leah - I See You

7 Capitulo 7 - Pov. Derick part.1


Notas iniciais
Eii gente!!! Passando quase voando aqui só para não deixar vocês na mão de novo!! Hoje não vai dar tempo de agradecer a todos que comentaram, pois a lista é grande ( FICO MARAVILHOSAMENTE GRATA POR ISSO) e o tempo é curto. Mas, muito, muito, muito, muito, muito, muito obrigada por todos aqueles comentários!!! Obrigada por estar acompanhando Nina Brisa e obrigada também a Catherine Grey e Letícia Paixão pelos favoritos!!! Ah! E também um obrigada do tamanho do Monte Olimpo srta.AndyL pela recomendação divastica!!!! Sério, minha primeira recomendação!!! Estou dando pulinhos de alegria aqui!!! O Pov.Derick será dividido em duas partes. Uma hoje e a outra amanhã, okay? Bom... é só isso. Espero que gostem Boa Leitura *------* parassita = parasita Che Diavolo = Que diabos!! figlio = filho cane che abbaia non morde = Cão que ladra não morde cazzo = Porra!

Acordei assustado, suado e ofegante. Como sempre, mais um pesadelo com aqueles vampiros nojentos! Bleah! Podia até sentir aquele cheiro adocicado impregnado em mim, que nojo!

Já estava cansado de sonhar com isso, sempre o mesmo, sempre as mesmas coisas. Aquele loiro aguado me olhando com um sorriso repugnante nos lábios, eu sendo segurado por dois brutamontes e obrigado a ver meus irmãos de bando serem mortos, o grito agoniado de minha madre, os meus soluços de horror quando via todos que amava mortos e o olhar satisfeito daquele parassita. Odiava aquele sonho, odiava aquele olhar, odiava aquela cena e odiava a sensação que tinha toda vez que sonhava com aquilo. Medo. Sentia medo em cada célula do meu corpo, sentia aquele suor frio escorrer e o tremor de minhas mãos começar, sentia pavor só em pensar na possibilidade de algo acontecer com a minha família. Seria minha culpa se algo acontecesse, como foi minha culpa eles terem desaparecido. Afinal, eu fui o alfa idiota que decidiu dar a eles as rondas fora das fronteiras de Lupi Luna.

Balancei a cabeça de um lado a outro, tentando fazer com que aquelas imagens se dissipassem de minha mente e me levantei. Dona Stella ainda ressonava tranquila em seu quarto, fazendo com que me preocupasse um pouco menos. Pelo menos alguém conseguiu dormir hoje. Mamma podia parecer forte, alegre e de bem com a vida, mas eu sabia que a verdade não era essa. Desde que papai morreu eu sei que ela não é totalmente feliz, eu mesmo não sou totalmente feliz. Ninguém consegue ser feliz quando um pedaço de seu coração é arrancado. Mas, apesar das adversidades, éramos uma boa dupla. Ela era uma boa mãe, tentando se mostrar inabalável, deixando para chorar quando fosse dormir, e eu era um bom filho, fingindo que não a ouvia.

Desci até a cozinha e coloquei uma jarra de água para ferver, para poder preparar o café. Fiquei encarando o vão da porta, pensando no que fazer e a quem recorrer. Por que tudo tem que ser tão difícil?! Che Diavolo!

Figlio? O que houve? — Mamãe sussurrou com um olhar sonolento, encostada no batente da porta.

Tentei lhe dar um sorriso animador, mas não tenho certeza se consegui.

—Nada, mamma. Apenas alguns pensamentos ruins.

—Querido, não fique se culpando desse jeito. — Seu olhar se tornou carinhoso.

Neguei com a cabeça.

—Eu era o responsável... Eu devia ter... Feito alguma coisa. Ido com eles! Isso não deveria ter acontecido.

Ela atravessou a cozinha e me prendeu em um abraço apertado.

—Se você tivesse ido talvez tivesse ajudado-os, mas, querido... Já pensou na possibilidade de que se você estivesse junto com eles talvez não voltasse para casa? Filho, tudo acontece no momento certo, tudo tem um motivo, eles não desapareceram em vão e você vai achá-los.

Sorri para ela, um pouco mais esperançoso. Terminei de fazer o café e tomei uma xícara quente em um só gole. O sol já tinha saído e eu já estava quase atrasado para o trabalho. Troquei de roupa e sai de casa dando um tchau rápido para minha mãe. O caminho até a oficina foi rápido e tranquilo, o vento batendo em meu rosto era refrescante e inquietante.

—Abbado, está atrasado. — Sr.Triozolli resmungou quando cheguei às portas da oficina. Sorri para ele, embora não tivesse gostado de seu tom.

—Seu bom humor me anima, Sr.Trizolli. — Ironizei. Ele bufou e apontou para uma moto estacionada na frente do estabelecimento.

—Aquela é sua. Pode começar agora. — Se enfiou embaixo de um Ford velho. –E sem moleza, lobinho.

Rolei os olhos, segurando um rosnado. Sr.Trizolli era realmente um pé no saco! Oh Dio, não tinha ninguém melhor para fazer parte do consigli? Fui dar uma checada na moto e quase tive um treco. Ela estava toda arrebentada, arranhada, completamente esculachada! Resmunguei de irritação e logo ouvi um sorriso divertido de Sr.Trizolli.

—Está se divertindo, Alfa? Eu estou. — Sua voz transbordava deboche. Não pude conter o rosnado raivoso que saiu. –Não rosne para mim, Saco de Pulgas! Se eu sair daqui e te pegar, não sobrará nada para Dona Stella enterrar!

Sorri ironicamente e provoquei:

Cane che abbaia non morde.

—Não me provoque, Abbado. Estou te avisando. — Sibilou entre dentes.

—Não se exalte tanto, Sr.Trizolli, pode acabar dando um enfarte.

Quando ouvi um rosnado furioso vindo debaixo do carro, resolvi parar e me concentrar naquela coitada. Ele já estava furioso e não iria mais implicar por hoje. Às vezes, me lembrava de quando Sr.Trizolli era aceitável. Ele sempre fora carrancudo e nervoso, mas sua raiva parecia diminuir quando Dona Carmelita estava por perto. Com ela junto ele era todo sorrisos e olhares devotados. Nada muito anormal, já que ela era sua single. Mas, aparentemente, quando ela se foi, acabou levando todo o bom humor e a felicidade dele. Bom... Acho que preferia a época em que Dona Carmelita ainda era viva.

Aquela moto me rendeu a manhã e a tarde inteira. Minha cabeça foi mantida ocupada com as diferentes peças e o barulho de maçaricos e motores. Então, não pensei muito no que estava acontecendo no presente momento e isso foi ótimo. Quer dizer, ótimo até a hora de voltar para casa, até a hora de encontrar o olhar de mamma e dos outros, até a noite chegar e os pesadelos começarem. Sr.Trizolli resolveu fechar mais cedo para poder descansar e fui dispensado.

—Tome cuidado, lobinho. A noite é traiçoeira. — Ele me advertiu quando saia pela rua. Sorri com sua preocupação e irritei-o mais um pouco:

—Eu sou traiçoeiro, velhote. A noite é quem deve me temer.

Peguei o caminho mais longo e ruim para voltar, uma trilha dentro da mata. Totalmente isolado e com o silencio calmante. Meus pensamentos todos embaralhados e a sensação de culpa sufocante se tornaram distantes quando o cheiro adocicado de vampiro apareceu no ar. Imediatamente minhas mãos começaram a tremer e meu corpo a se esquentar, corri até o meio da mata, tirei minhas roupas, as escondi, e me transformei.

O cheiro ficou mais concentrado e disparei em seu rastro. Sentia que estava cada vez mais perto, podia até ouvir o som de seus pés batendo na terra e quebrando alguns galhos. Não demorou muito para avistá-lo três arvores a minha frente. Ele olhou para trás assustado e surpreso. Fiquei feliz em ver medo em seus olhos. Rosnei ameaçadoramente e ele apressou o passo. Vampiro idiota! Como se pudesse fugir de mim.

Depois de alguns segundos de pega-pega, cansei de brincar e o alcancei, arrancando seu braço com uma mordida. Ele urrou de dor e cuspi aquele pedaço nojento no chão. O vi se espremer contra a árvore, enquanto me aproximava. Ele vestia roupas pretas e estranhas, os olhos tinham aquela cor nojenta de vermelho rubi, ele exalava um ar de superioridade que me fazia ter vontade de rir. Já estava claro para mim que ele era um Volturi. Quando fiquei cara a cara com ele, murmurou tentando soar ameaçador:

—Eu sou um Volturi, seu verme deprimente!!

Sorri com sua fala e arranquei uma de suas pernas como punição. Ele gritou novamente e caiu no chão.

—Vai pagar, como aqueles outros sarnentos pagaram! Vai morrer do mesmo jeito que eles morreram, gritando e implorando por sua morte!

Estanquei em meu lugar. Eles? Os outros? Meus irmãos?

Transformei-me em humano e nem liguei em estar nu na frente daquele parassita. A raiva fervilhava sobre minha pele. O levantei pelo pescoço e prensei-o contra a árvore.

—Vocês os mataram? — Perguntei raivoso, o vendo estremecer com isso. – Os mataram, seu idiota?

Surpreendentemente, ele riu. Sorriu aquele sorriso satisfeito de meu sonho.

—Oh não. Nós não os matamos de cara. Nós fizemos algumas pesquisas primeiro, depois nos divertimos com seus gritos. Você é o Derick? O alfa que eles falavam? Deve ser. Sabia que eles gritaram seu nome pedindo por ajuda? Pois é, eles gritaram, imploraram para você ir os ajudar, mas você nunca apareceu. E eles acabaram morrendo. Que pena, não?

Um rugido de ódio saiu pela minha garganta e apertei minhas mãos, ainda mais, em seu pescoço. Seus olhos se arregalaram.

—Pesquisas? Para que pesquisas?

—Nós... Queríamos descobrir... Por que vocês se transformavam... Por que se transformavam em lobos.

Com uma mão arranquei seu outro braço, ouvindo-o gemer de horror. Sorri maldosamente com isso.

—Para quê? Quem queria saber isso?

Sua voz saiu estrangulada quando respondeu:

—Caius queria se precaver, queria que todos os tipos de lobisomens sumissem do mundo. Aniquilação de toda a espécie. Até a dos transmorfos.

Confusão tomou conta de minha expressão.

—Por que nós? Por que agora?

—Ele ficou sabendo dos transmorfos em sua última batalha. É só isso que sei! Me deixe voltar agora!

—Talvez eu deixe você ir se me contar com quem e onde foi à batalha.

Ele pareceu pensar na ideia antes de responder com firmeza:

—Não sei quem foi, mas sei que foi numa cidade dos Estados Unidos... Forks eu acho. Alguma coisa relacionada à mestiças e lobos aliados de vampiros.

—Lobos aliados de vampiros? — Estranhei.

—Sim, é só isso que sei. Agora me deixe ir!

Sorri ironicamente e o vi olhar-me assustado.

—Desculpe, parassita, mas não faço tratos com vampiros.

Ele se desesperou, se chacoalhando de um lado para outro, tentando, em vão, se soltar.

—V-Voc-cê disse que m-me soltaria! Piedade!

Rugi furioso.

—Você teve piedade quando os matou? Teve piedade quando os usou como bichos de laboratório? Seu verme nojento! Você os matou e agora pede clemência?! — Não pude me controlar e quando vi, ele já era uma pilha de membros perto de uma arvore qualquer.

Voltei até onde minhas roupas estavam e coloquei-as de volta. Peguei o isqueiro no bolso da calça e ateei fogo nos pedaços daquela coisa. Segui meu caminho agora totalmente transtornado. Mortos. Todos mortos. Mortos por um mauricinho idiota! Um vampirinho de merda! Cazzo!

Já estava anoitecendo quando cheguei em casa, Dona Stella me esperava na porta. Sua testa se enrugou após ver minha expressão.

—O que houve, filho?

Abracei-a apertado.

—Eles estão mortos! Todos mortos! Eu descobri tudo!! Eles... Estão mortos!

Senti sua respiração parar por um segundo e depois sua mão passou por minhas costas tentando me acalmar.

—Sinto muito, meu filho. Vocês eram o bando mais unido desde o tempo de seu bisavô. Sinto tanto.

A soltei e me virei para sair novamente.

—Aonde vai?

—Vou avisar os outros, avise o consigli. Teremos uma reunião agora. -Respondi sem virar-me.

—Mas, querido, já esta tarde.

—Agora, madre.

Ouvi seu suspiro cansado.

—Tudo bem, daqui meia hora aqui em casa.

Assenti e prometi:

—Eu vou avisar aos outros e vou nos tirar dessa. Vou atrás de ajuda! Não vou deixar que mais ninguém tire as pessoas que eu amo de mim!

Transformei-me sem me importar com minhas roupas, corria velozmente tentando não pensar muito na culpa. Avisar os outros, encontrar um jeito! Avisar os outros, achar uma saída! Avisar os outros, nos tirar dessa! Avisar os outros, sair daqui! Isso, isso aí! Sair daqui! Repetia esse mantra, enquanto corria, tentando me acalmar e pensar apenas no mais importante.

Fui a um canto da floresta e uivei alto, como um aviso para eles virem até mim. Quando Fransesco, Thiago, Tony, Bruno e Peter ainda estavam aqui, antes da... Daquela maldita ronda. Quando o bando era grande, nós costumávamos nos comunicar assim. Quando qualquer um tinha que falar algo importante, ele uivava e nós sabíamos que tínhamos que nos reunir, era o nosso “código secreto”, como Bruno dizia. Ao fazer isso hoje e ver se aproximarem apenas três lobos, a tristeza dominou-me por completo, mas me controlei. Eles não precisavam se preocupar comigo.

—Ei, cara, o que aconteceu? — Klaus perguntou em pensamento, ele parecia animado, apesar de tudo.

—Eu descobri o que aconteceu com eles.

Allan esbugalhou os olhos em curiosidade e preocupação e disse:

—Eles estão bem, não estão?! Estão todos bem.

Neguei balançando a cabeça.

—Eu.... Saí do trabalho hoje e.... Encontrei um vampiro, um Volturi, na floresta.... Eu o segui, o encurralei e ele acabou soltando que eles.... Eles estão mortos.

Klaus soltou um choramingo agoniado, Allan olhou-me desacreditando e Joseph estancou no lugar.

Fiquei preocupado. Joseph não era muito bom com notícias ruins.

—Não eu... Estou bem... Só... É difícil de acreditar. — Ele falou em resposta a meu último pensamento.

Assenti e continuei:

—Ele me disse que ficaram com eles um tempo, os examinaram e depois os mataram. Disse que um dos sanguessugas chefe, aquele Caius, quer a aniquilação de todos os transmorfos.

Allan rosnou raivosamente.

—Eles os fizeram de ratinhos de laboratório?! Eu vou acabar com aqueles parassitas! — Sibilou furioso, enquanto se virava com a ideia de ir até Volterra.

—Pare, Allan. Você está ficando doido? Quer ir até aos sanguessugas sozinho? Ir ao covil deles sozinho? — Indaguei tentando soar calmo.

—E você quer que eu faça o que? Fique aqui parado? – Ele ainda não havia se virado de volta, ainda estava de costas.

—Eu compreendo sua raiva, irmão, mas ir até lá é suicídio. Você vai estar no território deles! Eu sei que está morrendo de vontade de arrancar cada pedaço nojento daqueles sanguessugas, mas isso não vai ajudar.

—Você compreende-me? Compreende-me?! Eu acho que não. Você está tão calmo, tão tranquilo que me apavora! Você não esboçou emoção alguma ao nos dar essa notícia, não quer ir atrás daqueles que mataram nossos irmãos! Você, você deveria ser o mais triste ou culpado de nós, mas ao invés disso está se mostrando esse poço de frieza! Eles morreram, Derick! Nós crescemos juntos, crescemos como irmãos e eles morreram! Eles mereciam um pouco mais de consideração! Se você não quer se vingar das coisas que mataram nossos irmãos, eu quero!

Chega!— Ordenei o interrompendo. –Você não vai sair daqui, não vai falar, não vai nem pensar mais nada até que eu tenha acabado de dizer o que eu quero dizer. Eu não quero saber se você está com raiva, se quer desmembrar aqueles imbecis ou se acha que não estou afetado com isso. Você não tem a menor ideia do tamanho da culpa que eu estou sentindo, você não sabe o tanto que eu me controlei para não sair daqui e acabar me matando indo atrás deles, você não sabe nada do que eu estou sentindo, então eu sugiro que coloque esse traseiro cheio de pulgas no chão e fique calado. — Seus olhos se arregalaram com meu tom e o vi se sentar lentamente. Eu quase não usava meu tom alfa no bando, era raro quando isso acontecia. Sempre tentei controlar, não gostava da ideia de mandar em alguém, ditar regras, ou dizer o que alguma pessoa tem que fazer. Mas, não estava com cabeça para gritos e acusações. –Como eu ia dizendo, ele me disse também que houve uma “batalha” em uma cidade dos Estados Unidos, Forks. Segundo ele, o engomadinho soube dos transmorfos graças a alguns lobos aliados de vampiros.

—Aliados de vampiros? — Joseph perguntou enojado. Assenti concordando.

—E agora? O que vamos fazer? Se ele quer a aniquilação dos transmorfos, não estamos seguros aqui. — Klaus questionou.

—Eu estava pensando em contatar esses tais lobos. Se eles foram fortes o bastante para enfrentar os Volturi chefes e viver, talvez possam nos ajudar.

—E como você vai fazer isso? — Allan murmurou hesitante.

—Vou arrumar um jeito. Agora, vamos a minha casa. O consigli já deve estar lá. — Avisei já correndo.

Tentava não me focar nos pensamentos deles, já estava difícil demais aguentar os meus. Nós corremos por alguns minutos até minha casa. Mamma tinha deixado quatro bermudas do lado de fora, nos vestimos em silencio e quando ia entrando, Allan sussurrou:

—Derick, me desculpe. Eu fiquei nervoso ao saber o que... Aconteceu com eles... E acabei descontando em você. Desculpe-me por tudo que disse.

Sorri para ele, o episódio de agora pouco não havia me magoado. Eu o conhecia bem o suficiente para não me agarrar nas palavras ditas por ele em um momento de raiva.

—Nem me lembro.

Ele sorriu concordando e entramos. Todo o consigli estava lá, o pai de Klaus, o avô de Joseph, o pai de Bruno, o tio de Thiago, a mãe de Peter, a avó de Tony, minha madre, Sr.Trizolli e Sr. Pettineli.

—O que aconteceu para você querer me tirar da cama a essa hora, lobinho? — Sr.Trizolli resmungou.

Revirei os olhos para ele.

—Tem notícias de meu Peter? — Pelo olhar que Dona Cecilia me deu, ela sabia que as tais notícias que tinha não eram boas. Hesitei por um momento, a expressão esperançosa deles estava me deixando mal.

—Eles foram... Capturados e mortos pelos Volturi.

Após dar essa notícia, não consegui olha-la nos olhos, já era horrível demais ouvir os ofegos sofridos e soluços doloridos dados pelos pais, avós e tios dos que morreram.

—Estão vindo atrás do resto de nós. — Sussurrei essa parte sem muita emoção.

—Como assim?! O que querem com vocês? — Sr.Trizolli perguntou. O olhei sarcasticamente.

—Nós vamos tomar um chá. Não foi convidado, velhote?

Ele rosnou e mamma me olhou repreendedora. Dei de ombros.

—O que vamos fazer agora? — Sr.Pettineli indagou.

—Eu estava pensando em falar com alguns lobos, eles podem nos ajudar. Mas, o que eu quero dizer é que todos os presentes estão em perigo. Temos que sair daqui o mais rápido possível.

—Por que, exatamente, eu estaria em perigo? — Sr.Trizolli já estava começando a me irritar.

—Embora seja um velho rabugento e completamente irritante, o senhor também já foi um lobo e ainda faz parte do consigli, sabe os segredos por trás das lendas, compreende melhor que nós o que acontece. Ou seja, apesar de decrepito, você tem certo valor. — Disse debochadamente.

—Derick! — Madre me advertiu com uma expressão de poucos amigos. Dei de ombros novamente.

—E o que pensa em fazer, alfa? — Senti uma ponta de sarcasmo no 'alfa' dito por ele.

—Se tudo der certo, pretendo fazer com que ganhemos abrigo e segurança nessa tal Forks.

—Forks? Estados Unidos? — Sr.Martines, o pai de Bruno, perguntou.

—Sim, por quê?

Ele me olhou surpreso.

—Conheço uma família de vampiros que mora por lá. Conheci o líder deles, Carlile, nos arredores de Volterra há muito tempo. Eles dizem ser diferentes, não bebem sangue humano. Embora sanguessugas, são boas pessoas.

O fitei intrigado.

—Deve ser por isso que os lobos são aliados deles, são diferentes. Sabe o sobrenome desse vampiro, ou qualquer informação que possa fazer com que nós nos comuniquemos com os lobos de lá?

Ele balançou a cabeça em negação.

—Então o plano é pedir ajuda? — Mamma perguntou-me.

—Sim, vamos pedir ajuda.

Eles perguntaram mais algumas coisas, conversaram entre si por um momento e depois decidiram concordar com meu plano. Dona Cecilia me abraçou apertado e chorou em meu ombro, isso não fez com que me sentisse melhor, mas amparei-a, correspondendo a seu abraço e sussurrando vários "Perdoe-me". A avó de Tony parecia estar se segurando para não desabar na nossa frente, ela se despediu e foi embora rapidamente acompanhada do Sr.Martines. Sr.Pettineli se foi junto com o restante das pessoas depois de dar-me um olhar de pena e dois tapinhas em minhas costas. O tio de Thiago foi o último a ir embora. Ele não parecia compreensivo, ou calmo, ele aparentava estar com raiva.

—Você sabe que isso é culpa sua, não sabe?! Meu sobrinho está morto e isso é culpa sua, seu bastardo! Eu devia arrancar sua cabeça fora! — Ele cuspiu as palavras na minha frente, seus olhos transbordavam dor e fúria.

—Sr.Bordolli, eu sinto mui...

—Não ouse falar para mim que sente muito! Ele confiava em você, confiava cegamente em você! Por ordens suas ele acabou sendo capturado por aqueles parassitas! — Abaixei a cabeça transtornado. Tudo que ele falava era verdade, ele tinha razão em estar naquele estado. –Isso é tudo culpa sua, Abbado!

—Chega, Carlos. Eles estavam procurando extermínio. Uma hora ou outra isso ia chegar a Lupi Luna. — Impressionantemente quem veio à minha frente foi Sr.Trizolli. -Você vai pedir desculpas ao nosso lobinho e ir embora acalmar essa cabeça.

Sr.Bodolli o olhou abismado.

—Ele matou meu sobrinho e você quer que eu peça desculpas?

—Ele não matou Thiago, aqueles vampiros mataram. Derick não teve nada a ver com aquela fatalidade, poderia ter sido qualquer um daqui. Agora, peça desculpas. — Aquilo era um tom alfa?!

—Você não manda mais em mim, Trizolli.

O olhar que Sr.Trizolli o mandou me gelou a espinha.

—Não importa se nós paramos de nos transformar, eu ainda sou o alfa e você ainda me deve obediência. Você vai pedir desculpas ao garoto agora.

Embora contrariado, Sr.Bordolli resmungou um desculpe quase inaudível e se foi. O olhei surpreso e sussurrei:

—Devia ter deixado ele arrancar minha cabeça. Eu merecia.

Sr.Trizolli não tinha pena nem repreensão no olhar, apenas calma e outra coisa que me lembrava meu pai.

—Isso não é culpa sua, Lobinho. Você sabe disso.

Neguei com a cabeça.

—Eu dei as ordens, velhote. A responsabilidade é minha.

Ele segurou meus ombros e disse:

—Isso não é culpa sua e trate de por isso na cabeça. Não vai adiantar nada ficar se culpando por algo que já aconteceu, foque toda a sua concentração em tirar a matilha daqui. Você é o alfa, aja como tal.

Respirei fundo e olhei-o decidido.

—Obrigado, Sr.Trizolli. Por tudo.

Ele acenou em afirmação e foi em direção a porta. Quando já estava do lado de fora exclamou:

—Você é muito parecido com seu pai, Derick. — E foi-se embora.

Aquilo me chocou um pouco. Quer dizer, me chocou bastante... Muito mesmo. Não é todo dia que o velhote sai em minha defesa e ainda me elogia.

Hoje, sem dúvida, foi um dia conturbado.

Mamma estava preocupada comigo, mas tentei converse-la de que ficaria bem. No momento não poderia dar-me o luxo de pensar nos meus sentimentos, todo o meu foco estava destinado em nos tirar desta enrascada.

Figlio, não vai dormir? — Perguntou ela pela enésima vez.

Suspirei e respondi sem tirar os olhos da tela do computador:

—Já vou indo, mamma. Vá dormir, está precisando descansar.

Ela veio até mim, beijou minha testa e saiu até seu quarto.

Já estava procurando a mais de três horas e nada. Forks, realmente, não era uma cidade muito grande ou atrativa. Era muito comum e normal. Normal até demais.Tinha uma escola, um hospital, mercadinhos variados, e nenhum ponto turístico, tirando a Reserva e as praias ao redor. Uma delas ficava martelando na minha cabeça insistentemente, sem querer seu nome flutuava em minha mente, como um aviso. La Push.

Alguma coisa me dizia que algo ali era importante. Impressionantemente, importante.

Meus olhos começaram a pesar, enquanto sentia meu corpo amolecer. Sabia que não iria conseguir pensar direito naquele estado, então subi ao meu quarto e me joguei na cama de qualquer jeito.

A inconsciência veio imediata e o sonho também. Meus sonhos sempre se resumiam em lembranças de meu pai, a preocupação com a matilha, pesadelos com aqueles nojentos ou nada mais do que a escuridão que a dormência me concedia, mas esse era diferente.

Eu via um par de olhos grandes, brilhantes e amendoados. Eles sorriam para mim e me vi feliz apenas em saber que eu era o motivo daquela alegria. Ela me olhava com adoração, carinho e... Amor. Um amor tão puro e concreto que me fez estremecer. De repente ela se transformou, era uma loba. Uma loba tão linda! Meu coração se acelerou e mesmo sabendo que não era real, senti minhas mãos suarem. Transformei-me também e começamos a correr. Nunca havia me sentido tão feliz como naquele momento. Tudo se encaixava, tudo se completava. Porém, cedo demais o sonho acabou e tudo que consegui me lembrar com clareza era daqueles olhos amendoados e o "Procure por mim, encontre-me. Procure por Sam Uley." sussurrado docemente por uma voz americana e, céus, tão sexy!

Quando acordei fiquei confuso. Aquilo era tão real! Ainda podia sentir aquele cheiro. Jasmim e canela. Diferente, mas... Muito bom!

Contei para mamma sobre o sonho e ela não pareceu surpresa. Na verdade, ela me parecia quase presumida. Ela orientou-me a saber mais sobre esse Sam Uley e dizer a matilha sobre as novidades.

Depois de muitos dias de esforço, empenho e internet. Encontrei o número do telefone de Sam Uley no banco de dados dos cidadãos de Forks. Claro que o fato de ter entrado no sistema sigiloso da cidade foi omitido ao contar para minha madre o acontecido. Ela ficaria uma fera se soubesse!

Tomei coragem, disquei o número e esperei, rezando internamente, que ele atendesse.

—Alo?

—Sam Uley? — Perguntei hesitante.

—Sim, quem é?

—Sou Derick Abbado.

—Do que se trata? — Não sabia como responder aquela pergunta. O que falaria? Como ele reagiria? Decidi ir direto ao ponto.

—Precisamos de ajuda.

A voz parecia amistosa, mas confusa com toda aquela situação. Ele tentava argumentar que nós nãos nos conhecíamos, que já tiveram problemas com os Volturi suficiente para uma vida inteira e outros atenuantes, porem fui persistente. Afinal, era da minha família que estávamos falando. Depois de muitos argumentos, muita falação, muitas outras ligações, eu descobrir que Sam era uma boa pessoa e um ótimo alfa, e que minha perseverança estava amolecendo-o, ele disse:

—Preciso falar com os outros primeiro. A decisão não vem apenas de mim. Vou falar com os garotos e você pode ir conversando com a sua matilha. Eu retorno, Derick.

Assenti concordando, mesmo sabendo que ele não poderia ver.

—Claro, obrigado Sam.

—Até mais, Derick.

Depois disso, falei com mamma e avisei os meninos sobre a notícia. O Consigli estava satisfeito com o caminho que estávamos trilhando e eu estava feliz... Embora não tivesse sonhado com aquele par de olhos amendoados de novo.

Notas finais
Eii pessoas!! Se acharem qualquer erro me avisem, beleza?? Eu sempre reviso o texto antes de posta-lo, mas sempre algum erro passa despercebido. Comentem, favoritem, recomendem, mandem MP's, acompanhem, perguntem! Até mais!! Bjkss *---------------------*