Leah - I See You
6 Capitulo 6 - O prazer é todo meu
Notas iniciais
Senti meu mundo parar, minha respiração fraquejar, meu coração palpitar e meus olhos quererem lacrimejar. Todos os pontos que me prendiam a Terra se romperam. Todo o amor que tinha pela minha mãe, por Seth, por Jake, pelos outros irmãos de bando, por Emily e aquela coisa indefinida que mantinha por Sam, se quebrou em milhões de pedaços. Tudo que sentia, tudo que possuía, absolutamente tudo, evaporou pelos ares, se espremeu de um lado de meu coração para dar a maior parte ao dono dos olhos azuis profundos mais bonitos que já havia visto na vida. Não conseguia desviar meu olhar do dele, não conseguia me mover, quase não conseguia respirar direito, só consegui começar a raciocinar normalmente quando aquele sotaque italiano exclamou impressionado:
—Wow!
Não! Não pode ser! Comigo não! Por favor, não!
—Leah! É o que eu estou pensando? — Jake perguntou animado. -Imprinting?
Neguei com a cabeça me sentindo confusa.
—Leah? É esse seu nome? — A voz dele tinha um tom carinhoso e... Maravilhado? Por que ele estaria maravilhado? Seu imprinting era... só eu. Não havia motivo para o deslumbramento que eu via refletido em suas írises.
—Sim. — Murmurei fracamente. –É.
Um sorriso largo e lindo iluminou seu rosto. Senti minhas pernas fraquejarem com isso. Merda! Ele era tão bonito!
—É um belo nome, combina com a dona.
Minhas bochechas coraram. Era a primeira vez que corava em anos.
—Sou Derick, lieto di incontrarvi lì. — Estendeu a mão em minha direção.
Hesitei por um momento, mas a curiosidade de tocá-lo foi maior e apertei sua mão. Não estava preparada para o choque e o calor que vieram após o aperto. Meu coração se aqueceu de um jeito gostoso e minha pele se arrepiou. Soltei-a rapidamente, mantendo uma distância que, assustadoramente, incomodou-me.
—O prazer é todo meu. — Sussurrei, abaixando a cabeça e quebrando o contato visual, tão tímida como nunca havia sido.
—Como sabia o que ele estava falando? — Sam indagou alegremente. –É o poder do imprinting?
—Não sei... Apenas... Entendi. — O olhei confusa e dei de ombros.
Só aí me lembrei que havia outras pessoas presentes. Quero dizer, muitas pessoas presentes. Meus irmãos de bando sorriam uns gozadores, outros animados. Mamãe parecia a ponto de chorar, Seth mantinha o mesmo sorriso travesso no rosto, as garotas dos lobos sorriam compreensivas e Emily já chorava. Hormônios de grávida atacando. Grávida. Sam e Emily. Família. Estranhamente isso não me incomodava tanto assim. No momento, minha cabeça estava cheia de olhos azuis profundos e traços perfeitos.
—Leah, você poderia parar de encarar o Derick como uma louca e conhecer os outros integrantes do bando? — Paul pigarreou fazendo uma de suas gracinhas. Rosnei ameaçadoramente para ele, enquanto via Derick piscar descaradamente para mim, conseguindo que minhas bochechas se avermelhassem novamente.
—Esses são Allan Andreotti, Klaus Bordin e Joseph Graziani, meus irmãos de bando. — Ele disse apontando para três homens com sorrisos sinceros nos rostos. –Essa é minha madre, Dona Stella Abbado. — Indicou uma senhora bonita, com cabelos loiros, bochechas rosadas e olhos azuis cinzentos. Ela tinha um sorriso emocionado no rosto e me analisava de maneira muito interessada.
—É um prazer conhecê-la, querida. — Ela disse-me com aquele tom maternal que todas as mães têm.
Sorri para ela e murmurei:
—O prazer é todo meu, senhora.
Ela suspirou de forma teatral.
—Por favor, não me chame de senhora. Stella, você, sogrinha, me chame do que preferir, mas senhora não. Não sou tão velha quanto pareço.
Arregalei os olhos e tratei de me retratar:
—Oh, desculpe... Eu não quis chamá-la de velha. Só... Desculpe-me.
Um sorriso maroto saiu de seus lábios.
—Estava brincando, querida. Não precisa ficar nervosa.
Derick se aproximou e meu corpo relaxou quase instantaneamente. Fiquei com raiva. Por que fico sentindo essas coisas? Nem o conheço direito e já me sinto desse jeito! Isso não é justo! Afastei-me dele dando um passo para trás.
—Emily, conte a novidade para o Sam. – Disse tentando me concentrar em outra coisa que não fosse aquele homem. Emily, quase no mesmo instante, começou a pular no mesmo lugar. Sorri com sua empolgação e senti mais raiva ainda. Por que é tão fácil sorrir com o cheiro dele perto de mim? Que droga!
—Eu estou grávida! — Exclamou olhando-o com expectativa. Sam estancou em seu lugar. Seu olhar vidrado e seu corpo completamente paralisado.
—Grávida? Um filho meu? — Sua voz foi aumentando de pouco em pouco. – Eu vou ser pai? — Pegou-a no colo com os olhos transbordando felicidade. –Nós vamos ter um filho? — Gritou embasbacado.
Emily revirou os olhos para ele, embora mantivesse o mesmo sorriso bobo no rosto.
—Sim, meu amor. Nós vamos ser pais.
Sam nos fitou com alegria pura brilhando no rosto.
—Eu vou ser pai! — A abraçou novamente, mas soltou-a no mesmo instante. Sua expressão era confusa. –Por que tem cheiro de vampiro em você?
Eu respondi por ela:
—Ela passou mal quando vocês foram buscar a família de Derick. — Sem minha permissão meus olhos foram de encontro aos olhos azuis e por lá ficaram. –Ela ligou lá em casa com a voz fraca, pedindo ajuda e eu vim, mas quando cheguei ela já estava desmaiada. — Os murmurinhos começaram, exclamações de surpresa e preocupação foram ouvidas por toda a sala. –Eu a peguei no colo e a levei até os Cullen, ele deu o diagnóstico, nós viemos para cá e... — Desviei meus olhos dos dele e fitei meus pés. –Aconteceu.
—Por que foi até aos Cullens? – Jake perguntou curioso.
—Eu não iria sair carregando a Emily por toda a cidade até o hospital. — Rolei os olhos.
—Mas precisava ir até o doutor sanguessuga? — Quill lamentou.
Rosnei para eles. Era só o que me faltava.
—Nenhum de vocês estava aqui. Emily estava precisando de ajuda e eu a ajudei. Doutor Cullen era o médico mais próximo e se estão incomodados, fodam-se todos!
Pelo canto do olho vi Derick gargalhar.
—Temperamento forte, ãhn? — Perguntou. Dei de ombros, envergonhada. Seu olhar intenso fazia coisas estranhas em meu corpo.
—Okay, Leah. Obrigada por tê-la ajudado. – Sam agradeceu com um sorriso.
—Mamãe, vou para casa. Tenho que... Terminar de lavar as roupas. — Inventei de última hora. Mamãe me olhou desconfiada, porem apenas balançou a cabeça afirmativamente.
Quando estava quase na porta, Jacob falou:
—Tem ronda hoje, Leah.
—Eu sei, Jake! – Retruquei irritada. Ele acha que sou tapada? Já repetiu isso três vezes!
—Você não vai sozinha hoje, Leah. — Seu tom era brincalhão. O encarei por cima do ombro.
—Como assim?
—Derick vai com você.
Indignação e surpresa tomaram conta de minha expressão.
—Acha que não dou conta sozinha? — Sibilei acidamente.
Ele balançou a cabeça rindo.
—Não, apenas acho que dois é melhor que um.
Suspirei derrotada.
—Okay, okay. — Olhei para Derick. Seu rosto tinha diversão e malicia misturados, borboletas começaram a se agitar em meu estomago. –E você, não se atrase.
Ele bateu continência, como um soldado, e deu um sorriso carinhoso.
—Como quiser, Principessa.
Sorri para ele e sai. Sentia que coisas diferentes iriam acontecer hoje à noite.
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