Leah - I See You

47 Capitulo 47 - Sinais da magia


Notas iniciais
Hey, galera! Como prometido, aqui estou eu! Quase extrapolando o prazo, maaaas cá estou, né. Espero que vocês estejam bem nessa quarentena. Sigamos firmes! Quero agradecer a quem acompanhou, favoritou e recomendou essa fic! É algo simples, mas que é muito importante para mim. Obrigada também a Terumy MW Lahote, Thay Souza, Miimii, Maldosa, Mrs Claflin, madiejasper, Miss Fraise13, forever alone e Mrs Chappy por comentarem e sempre me apoiarem! Amo vocês! Hoje a fic tá fazendo 5 aninhos, gente! Nem parece que faz tanto tempo assim, meu deus! Mas, enfim, o plano está ai e vamos até o final! Como um presentinho duplo para vocês, hoje tem atualização e uma onezinha marota. Eu acabei de postar, então está quentinha, recém saída do forno! É sobre Sebastian e Carmelita, os padrinhos de Derick Abbado. Aqui o link: https://fanfiction.com.br/historia/789430/Para_sempre_seu_Sebastian/ Aproveitem! Vou tentar postar semana que vem, anjos. Mas, não é uma promessa. Espero que gostem! Boa Leitura *-----*

Acordei com uma sensação estranha no estomago, um mal-estar que fez minha visão girar quando abri os olhos. Estava no quarto de Der. Eu sei porque o cheiro bom dele me acolhe de todos os cantos do cômodo. Os lençóis embaixo de mim, o travesseiro em minha cabeça, as cortinas esvoaçando pelo vento frio e úmido que vem de fora. Já era noite, então devia ter apagado por um bom tempo. Lembrava-me com clareza da conversa que tivemos, das sensações que me invadiram num rompante de adrenalina. Agora, entretanto, não sentia nada no peito além de uma sensação boa de alívio, de leveza. Não havia mais confusão, nem mentiras e omissões. Já conseguia organizar meus pensamentos e sentimentos sem entrar em colapso.

Como se tivesse sentido que eu já tinha despertado, Derick abriu a porta e sorriu de leve quando me viu o encarando. Sentei-me corretamente na cama, ficando com as costas retas na cabeceira.

—Você acordou. Estava começando a ficar preocupado. — Ele se sentou ao meu lado, dando-me um beijo estalado na bochecha e acarinhando com os dedos meu pescoço. Calor se espalhou por todo o meu corpo por conta de seu toque. Minha loba praticamente ronronou, afetada pela presença de meu imprinting. Era estranho, nunca antes ela tivera tanta influência em mim. Não era como um comando ou outra personalidade em minha mente, era mais para uma sugestão de emoções, uma ansiedade diferente que me fazia sentir mais carente que o normal, mais necessitada dele.

—O que aconteceu? — Inquiri, curiosa. Sua mão ameaçou se afastar, mas eu fui rápida em segurá-la e a colocar de novo em contato com a minha bochecha. -Me faz carinho. Tô com saudade. — Não me reconheci ao pedir e não liguei muito para isso, seguindo o que meu instinto dizia. No momento, a única coisa que eu queria era sua pele em contato com a minha, seu toque em mim, sua atenção.

Ele arregalou os olhos um pouco, surpreso, porém não contestou, aproximando-se mais e continuando o carinho de bom grado.

—Você desmaiou. Sua pressão caiu e acho que foram informações demais de uma vez. Sua mãe veio aqui te ver, ela te examinou e me tranquilizou. Não foi nada demais, mas me fez ficar um pouquinho apavorado.

—Não queria te deixar preocupado. — Falei baixinho, aproveitando os beijinhos que ele começou a espalhar por minha bochecha e queixo. Suspirei quando finalmente me foi dado um beijo delicado nos lábios. De novo, sem qualquer sinal de aprofundamento da parte dele, respeitando o espaço que eu tinha imposto na noite anterior. Bobo, ele não via que já estava mais que perdoado? Segurei-o pela nuca, puxando-o para mim de novo, encostando seus lábios nos meus. Der arfou, apertando minha cintura por um minuto até quebrar o contato para afundar seu rosto em meu pescoço e me abraçar apertado. O abraço de reconciliação total que não tivemos a chance de dar graças ao meu desmaio inusitado. Sentir seus braços em volta de mim, o perfume bom de sua pele, o coração batendo acelerado no peito junto ao meu, era tão certo. Parecia mais real agora, muito mais real. -Você sabe que já te perdoei pela última semana, não sabe?

—Perdoou? De verdade? — O tom de voz dele, todo incerto, o jeitinho que encolheu os ombros ainda dentro do meu enlace, me fez sorrir como uma idiota.

—Perdoei. — Empurrei-o pelo peito só para poder observar seu rosto. Ele finalmente tinha feito aquela barba. Ficava mais jovem com o rosto liso daquele modo. Gostava muito dos dois jeitos, mas secretamente amava quando ele a deixava mais grandinha. Suas mãos não saíram das minhas costas, ainda me acariciando com a ponta dos dedos e me mantendo perto. -Eu perdoo de verdade. Mas, só se você prometer nunca mais me afastar daquele jeito de novo.

Ele assentiu rápido, como se tivesse acabado de ouvir um comando alfa. Um bebê crescido demais.

—Nunca mais, Principessa. Obrigado. — Seus olhos se dividiram entre encarar os meus e a minha boca, descendo e subindo seu ponto de visão até morder os lábios e respirar fundo, piscando algumas vezes, como se quisesse espantar algum pensamento indevido. -Seu cheiro parece mais forte, está me deixando agitado. Parece mais aflorado que o normal. Está sentindo alguma coisa diferente?

—É? Não sinto nada diferente, só estou muito, muito feliz. Deve ser por isso. — Dei de ombros, fazendo pouco caso de sua expressão perdidinha e chegando perto o suficiente de seu rosto para beijar a pintinha charmosa em seu queixo. Ele se arrepiou todo, tremendo em meus braços. Sorri, estalando um beijo barulhento em sua bochecha. -Continua me abraçando, por que está hesitante assim? Não está com saudade de mim?

No mesmo momento, seu enlace se tornou mais forte, apertando seu corpo no meu com firmeza. Suspirei, entorpecida pela sensação. Ele se inclinou, induzindo-me a me deitar em diagonal na cama, ficando por cima. Abri as pernas um pouco, quase no modo automático, para que ele se encaixasse entre elas. Der me segurou pelo maxilar, os dedos longos e um pouco ásperos delicados ao deslizarem pela pele de meu rosto. O azul de seus olhos estava profundo, escuro, perigoso. Era excitante.

—Estou com tanta saudade de você. — Quase choramingou para mim, o dedão passando de leve por meu lábio inferior. Quando ele fez uma pressãozinha fraca com seu dedo, eu não realmente pensei ao abrir um pouquinho a boca e chupar seu dedo para dentro. Derick piscou lentamente, engolindo a seco, parecendo hipnotizado. -Não faz isso comigo agora! Tô com tanta saudade dessa sua boca gostosa.

Ri e ele retirou seu dedo de minha boca, contornando meus lábios.

—Então, me beija. — Consenti a sua pergunta implícita, dando a permissão necessária para ele aprofundar o carinho. Deliciei-me com seu toque bruto quando seu beijo encaixou no meu com uma força que me fez revirar os olhos nas orbitas. Ele se deixou descer até encostar seu corpo ao meu, seu peito prensado contra meus seios, relaxando em mim. Rick era pesado e seu peso atrapalhava um pouco minha respiração já não tão regulada assim, porém eu não era uma humana normal, conseguia suportar sem problemas. Além de que era muito instigante, prazeroso sentir aquele corpo todo perfeito colado ao meu. Sua língua foi calma ao pedir passagem, mas não continuou com o mesmo comportamento quando se encontrou com a minha. Ele era sempre dominante, queria o controle das ações desde o modo como enchia as mãos com o meu cabelo até o jeito que segurava meu queixo, posicionando-o na forma que que preferia para entrelaçar sua língua a minha. Mas, eu sei que só preciso de um toque, um mísero toque diferente, para ele abdicar de todo esse comando e se submeter aos meus. E foi isso o que fiz, depois de aproveitar mais um pouco da emoção que retumba meus ouvidos ao beijá-lo, ao interromper nosso beijo intenso.

Der abriu os olhos, o azul royal me encarou em dúvida e eu senti uma satisfação nova quando vi seus olhos tremularem ao me esquivar de seu rosto quando ele tentou me beijar novamente. Firmei minhas coxas em sua cintura e usei minha força para nos virar na cama, sentando em seu quadril. Ele não pareceu incomodado, só um pouco contrariado por eu desviar meus beijos para qualquer canto de seu rosto menos a sua boca.

Principessa, por favor... — Sua voz tremida engasgou no meio da frase, não sei se por eu ter escorregado um pouquinho e feito meu peso ficar por cima do começo da ereção em sua bermuda ou se por eu ter chupado aquele pedaço em sua orelha que é seu ponto fraco.

—Por favor o que, Rick? — Provoquei, sorrindo com a expressão de êxtase dele ao sentir meu quadril se agitar um pouco. Suas mãos subiram por minhas coxas com força, apertando a pele por baixo do tecido do vestido leve. Suspirei. Era tão bom senti-lo assim.

—Me beija. Me deixa te beijar. — Clamou, puxando levemente meu cabelo para que pudesse alcançar a minha boca. Deixei que me beijasse como queria, do jeito que o fizesse feliz, retribuindo sua intensidade quando ele assim pediu, o seu calor quando entrelaçou seus dedos nos meus. Sentindo-me nas nuvens quando um som de apreciação saiu por sua garganta, se abafando na minha língua.

Não estranhei quando uma de suas mãos segurou minha cintura, a força me fazendo grunhir e me empurrando mais para baixo. O clima mudou no quarto, se tornou excessivamente carinhoso, amoroso. Ele levantou seu tronco, os braços firmes em minhas costas me levando junto ao seu movimento e me fazendo sentar em seu colo. O beijo se tornou doce, suave. Sua mão fazia carinho em minha orelha sem parar enquanto virávamos nossos rostos com uma sincronia tão nossa que parecia ser até ensaiado. O encaixe era perfeito. Como se meu corpo, minha boca, tivessem sido feitos apenas para encaixar em Derick. Era completo só com ele.

Nós nos beijamos desse jeito lento, sem malicia, por tanto tempo que tudo o que conseguia sentir ao meu redor era seu toque, seu perfume, o sorriso frouxo dele contra meus lábios, era ele todo. Sentia amor em todos os meus poros, explodindo, eletrizando, expelindo em ondas de seu corpo para o meu e do meu para o seu. Sentia-me amada. Tão amada! E era bom saber, ter certeza, ter tanta confiança em todo aquele sentimento assim. Era renovação.

Seus lábios deixaram os meus com incontáveis selinhos curtos, como se não quisesse realmente parar de me beijar. Juntamos nossas testas, respirando ofegantes. O silêncio era reconfortante, só o burburinho de sua respiração conjunta à minha.

—Você disse que me ama mais cedo.

—É, eu disse. — Seu dedo seguiu uma linha reta por meu braço, subindo e descendo com calma, só para observar os pontinhos de arrepio em minha tez. Suspirei, afetada. -Eu amo.

—E não está bravo porque não teve uma resposta. Por quê?

Ele sorriu, parando o toque e ajeitando sua postura para ficar mais perto de mim.

—Eu não preciso de palavras para saber que é reciproco, lembra?

—Mas.. Eu...

—Você diz mais do que pensa, sabia? — Encarei-o, inquisidora. Ele falava como se me conhecesse mais do que eu mesma. -Seus olhos me dizem muita coisa.

—Eles dizem o que você quer escutar?

—O tempo todo, se eu souber bem onde procurar. — Seu olhar brilhou para o meu e eu pude sentir que era verdade, entendi o que ele queria dizer. Olhando em seu azul bonito, bem dentro daqueles olhinhos, estava escrito em letras garrafais o tanto de amor que ele sentia por mim. Me senti lacrimejar e não achei ruim, não. Não daquela vez.

—Eu quero dizer! E tô com raiva porque não consigo!

—Talvez seu coração não esteja pronto ainda.

—Sou eu quem decido, não ele! — Quase arranquei uma gargalhada sua, mas ele conseguiu segurá-la a tempo. -Eu quero te dar uma resposta!

—Mas, eu não quero assim. — Fitei-o confusa. Ele suspirou, ajeitando uma mecha de meu cabelo em minha orelha. -Principessa, não quero que diga agora só como uma resposta, eu não falei porque queria te pressionar a dizer. Eu tento ir devagar para não te assustar ou apressar. Na maioria das vezes meu coração aceita o ritmo. Mas, em outras... — Ele embrenhou seus dedos em meu cabelo, fazendo carinho naquele jeito só dele. Quase desmontei em seu tronco, relaxada como nunca. -Meu coração está tão cheio de amor que eu preciso falar, entende? Você me transborda.

Nos aproximei mais, acarinhando seu nariz no meu. Relembrando dos beijinhos de esquimó que ele gostava de me dar. Ele riu doce, me olhando nos olhos. Cru e sincero. Não haviam mais segredos nem magoas entre nós. Estávamos leves. Livres em nossa prisão.

—Você também me transborda. Tanto! — Murmurei porque não conseguia falar mais alto que aquilo, não dava. Era intimo demais, verdadeiro demais para deixar que alguém de fora ouvisse. Era de Derick, pertencia a ele e só a ele.

—Quero que diga quando achar melhor dizer. Quero que seja espontâneo. Quando sentir aí dentro que eu devo ouvir o que o seu coração quer me dizer, então eu vou estar aqui de braços abertos para recebê-lo.

Não fui capaz de dizer nada, só abraçá-lo apertado, descansando a cabeça em seu ombro e agradecendo – à deus, aos ancestrais, aos deuses antigos, ao universo, a toda e qualquer entidade existente no planeta – por ele ser tão ele. Por ser ele quem meu coração escolheu.

—Obrigada. — Sussurrei rente a seu ouvido.

—Não tem que me agradecer. — Der beijou o alto de minha cabeça, esfregando minhas costas, sabendo que eu não iria soltá-lo tão cedo. -Mas, sendo sincero, isso não quer dizer que eu não quero quebrar cada osso do corpo de Sam porque eu quero, e muito!

Ri, achando engraçado o jeito dele de dizer. Não era sério, era?

—Não ria. Ele machucou você. Não posso saber disso com detalhes e ficar parado sem fazer nada.

Afastei-me, olhando em seu semblante. Okay, era sério.

—Não vá arrumar encrenca com Sam por causa de uma coisa que aconteceu há anos. Eu já segui em frente, não tem motivo para desavenças.

—Ele quem arrumou encrenca no momento que te feriu daquele jeito. Não posso controlar meu instinto, você é minha Single. Meu lobo está louco de vontade de esmurrar aquele cara. Só precisava de um incentivinho e olha só, um ótimo motivo nós temos agora.

Sorri, mesmo que o momento não fosse propicio.

—Eu sei. E eu sei também que seu lobo ficaria quietinho se soubesse que uma briga entre vocês iria me magoar.

—Te magoar? Por quê? — A expressão dele contrariada me fez morrer de vontade de beijar aquele rosto todo. Sufocá-lo de amor!

—Eu vou ficar muito magoada, Der. Não quero que lute minhas batalhas por mim. Essa é uma questão do meu passado que só interessa a mim, Sam e Emily. É um assunto superado e enterrado. Finalmente consegui pôr um ponto final nessa história e não quero que ele renasça. Por favor, só vamos seguir em frente, pode fazer isso?

Ele coçou a nuca, fugindo de meu olhar. Segurei seu queixo, forçando-o a me encarar. Der suspirou, rolando os olhos.

—Posso. Desculpe.

Ri de leve, selando sua boca de modo rápido.

—Não há nada para desculpar. — Enganchei meus braços em seu pescoço, deitando a cabeça em seu ombro novamente e erguendo as pernas, uma de cada lado de seu corpo, para ficar completamente grudada em seu corpo. -Agora, eu preciso de toda a atenção e carinho que você tem aí dentro. Ainda tenho muita saudade para matar.

Ele gargalhou um pouco, olhando-me com um ar desconfiado.

—Você está tão carinhosa, tô começando a achar estranho. Se for para te ter assim, vou dizer que te amo mais vezes.

Foi a minha vez de rolar os olhos. Não era por ele dizer que me amava. Quero dizer, não só por isso. Era mais profundo, como uma necessidade.

—Deve ter alguma coisa errada com os meus hormônios. — Ri soprado. -Sinto que posso chorar se você se afastar de mim por mais de cinco minutos.

—Então, não vamos dar motivos para o seu choro vir.

Ele beijou minha têmpora, nos deitando na cama de novo e me abraçando. Suspirei, satisfeita.

Conversamos deitados na cama sobre banalidades por horas, sem nem um minuto de desconforto ou silêncio. Amava quando isso acontecia, quase fazia parecer que éramos um casal normal.

Os meninos chegaram, mas não entraram no quarto ou bateram na porta apesar de saberem que eu e Derick estávamos lá. Talvez querendo nos dar privacidade para resolvermos nossos problemas. Meu estomago roncou alto, cortando Rick no meio de sua frase e nos fazendo rir.

—Vai jantar aqui?

—Vou para casa. Fiquei aqui o dia todo. — Grunhi, espreguiçando-me na cama, empurrando Derick com os braços só para implicar um pouco. -Vem jantar comigo lá em casa. Não quero me despedir agora.

—Claro que vou. — Assentiu, sorrindo assim que me viu abrir um sorriso grande. -Só me espera tomar um banho antes.

—Tudo bem. — Concordei, aceitando sua mão quando ele a ofereceu para me ajudar a levantar da cama. -Minha mãe provavelmente vai te dar uma bronca, então se prepara.

Ele apertou os olhos, confuso.

—Bronca por quê?

—Por atentar quanto a honra de Leah Clearwater. — Dramatizei, encarando-o com horror fingido. -Ela ouviu você saindo de casa hoje mais cedo e ficou paranoica. Como você pode, Alexander? Manchar a honra dessa inocente donzela ao entrar no quarto dela nas madrugadas e beijá-la sem o consentimento da matriarca da família?

Der gargalhou com força, espontâneo e lindo do jeito que eu amava.

—Ah, claro. Não se preocupe, consegui lidar com a filha, com certeza a mãe é fichinha perto disso.

Estapeei seu ombro, porém não deixei de rir de sua gracinha. Ele riu, me roubando um selinho inocente que eu fiz questão de aprofundar, acariciando sua nuca.

—É a minha honra que fica em apuros com você perto de mim, sejamos francos. — Rick pontuou, quebrando o beijo e sorrindo ao mesmo tempo em que nos conduzia até a porta. -Você é perigosa, Principessa.

Ri alto, virando de costas para ele e vendo os três lobinhos idiotas na sala de estar assistindo televisão e comendo do macarrão que sobrara direto da panela.

Um tapa forte e estalado acertou minha bunda quando andei mais rápido a sua frente, doida para conversar com eles sobre estarmos de bem agora. Dei um quase pulinho com o impacto e encarei Derick, possessa. Odiava quando ele fazia isso, odiava!

—Para com isso, seu babaca!

Ele teve a pachorra de se fazer de inocente.

—Eu não tenho culpa. Tenho todo o direito de apreciar a gostosa da minha namorada todo minuto do dia. — Ele se aproximou de novo, me puxando pela cintura. A mão lentamente escorrendo até uma banda da minha bunda, apertando. Dei-lhe um tapa fraco em seu ombro, mas já estava meio mole por sentir o nariz dele percorrendo meu pescoço. -Olha só isso tudo que eu tenho nos meus braços. Como você quer que eu resista? — Der beijou suavemente meu queixo, subindo e deixando beijos estalados por toda parte até seus olhos encontrarem com os meus. -Você é maravilhosa, Amore. Por dentro e por fora.

—Olha, a gente não estava preparado psicologicamente para esse grude todo de reconciliação, viu? — Nik ranhetou, jogando o garfo que usava na cabeça de Derick. Ri, achando meio nojento.

—É, na verdade, eu tava sim. Não aguentava mais o humor terrível desse alfa, Leah. Na real, já tava quase obrigando ele a se desculpar com você. Insuportável, pelo amor! — Allan continuou, fazendo Rick rolar os olhos.

—Que bom que já estão de bem. O bando todo fica triste quando você está triste, Principessa. — Joe complementou, nem ligando quando Derick rosnou para ele pelo uso do apelido. Sorri e mandei um beijo no ar para meu filhotinho mais novo e mais fofo.

—Querem jantar lá em casa? Quero passar mais tempo com vocês. — Convidei, realmente empolgada com a chance de poder ter todos eles em casa novamente. Embora tivessem claramente acabado de comer, eles aceitaram sem nem titubear. Talvez sabendo que a recusa iria me deixar um pouco triste. -Ótimo! Vamos todos juntos!

Esperamos até todos tomarem seus banhos e fomos até minha casa. A típica barulheira fez o calorzinho em meu coração voltar com força total. O cheiro de família completa me acompanhando pelas ruas, incendiando a cozinha e me deixando alegre.

Mamãe não se assustou com a renca de lobos em sua casa quando chegou do serviço. Seth deu uma olhada curta a Derick assim que ele colocou os pés para dentro da sala, mas após alguns minutos já estavam conversando normalmente, sem nenhum problema.

Dona Sue se comportou perfeitamente bem, interagindo com todos e fazendo um jantar delicioso com a quantidade grande o suficiente para alimentar todos os seis lobos famintos na casa. A conversa fluiu como sempre, com várias risadas, brigas pelo prato e atribulações, porém o clima esfriou assim que mamãe chamou Derick para terem uma conversa de portas fechadas no quarto dela. Eu estava brincando com ele antes sobre ela querer conversar, portanto fiquei surpresa quando ela realmente o requisitou no quarto.

Rick me olhou apreensivo, e eu me levantei em sua defesa:

—Mamãe, não começa, por favor.

Ela me deu um olhar duro.

—Fico muito feliz que tenham se acertado e aprendido a resolver as coisas conversando, mas eu só vou falar mais uma vez. Derick, você sobe comigo. Leah e outros, fiquem aqui e arrumem essa cozinha. — Foi sua palavra final, subindo logo depois.

—Ela não vai dizer nada demais, só quer me proteger, então fica calmo. Vai ficar tudo bem. — Tentei acalmá-lo, embora quem tivesse hiperventilando fosse eu. Ele se levantou, beijou minha testa e me deu um sorriso fraco.

—Tudo bem, amor. Ela tem motivos para estar brava, eu não fui o melhor dos namorados para a filha dela. Ela tem todo direito de querer me dar uma bronca.

Neguei, segurando-o pelo braço.

—Para. Já é passado. Íamos seguir em frente, lembra?

—Lembro e um dos passos para seguir em frente é não repetir os erros do passado. Sua mãe vai me deixar uma lembrança bem incisiva de que não devo cometer os mesmos erros. Está tudo bem, eu não demoro.

Ele subiu as escadas de peito aberto, corajoso. Tadinho, nem sabia o que o esperava lá em cima. Seth não me deixou subir também para ouvir a conversa nas escadas, então me sentei no sofá, emburrada.

Nik e Joe tomaram conta de meu colo, cada um com a cabeça em uma coxa enquanto assistíamos TV, daquele jeito que adoravam fazer quando Derick não estava. Nenhum deles teve coragem o suficiente para fazer alguma piadinha sobre o momento tenso do alfa do bando.

Allan só se pronunciou após percebermos que os dois já estavam trancados a mais de meia hora. Ele se remexeu no chão aos meus pés e resmungou:

—Vocês estavam infelizes separados. Desestabilizou toda a sincronia da alcateia.

—Sério? Eu não senti nada.

Não que eu tenha conseguido sentir alguma coisa além de tristeza naquela época também. Meus sentidos e minha concentração estavam sempre voltados a Derick e sua ausência, mesmo nos treinos.

—Quando nos transformávamos ficava bem claro. O desequilíbrio, a falta de coerência nas ordens, o emotivo do bando. Deixou tudo estranho. Derick estava distante e Klaus ficava lembrando de você toda hora, com certeza fazendo de propósito.

—Eu não fazia de propósito! — Nik se defendeu, as sobrancelhas franzidas em descontentamento.

—Fazia, sim! Parecia que queria culpar o Derick.

—Ele foi grosseiro com ela e nosso alfa sabia bem disso, eu não disse nenhuma mentira!

—Você não tinha que interferir entre os dois!

—Se a briga afeta toda a nossa alcateia eu devo interferir, sim!

—Calem a boca e parem com isso, vocês dois! — Puxei levemente a orelha de Niklaus como represália quando resmungou e eles se calaram. -Derick sentiu o desequilíbrio?

Al deu um sorriso soprado, balançando a cabeça em negação.

—É muito provável que não. Ele tentava se concentrar nos treinos, mas a gente tava na cabeça dele, era fácil notar que não tinha concentração nenhuma ali. Tinha uma memória o rondando, atrapalhava os pensamentos, toda hora, todo momento. Não importava se ele estava correndo, ou falando, ou dando ordens, sempre estava ali por trás. — Ele me olhou nos olhos, um pouco triste pela lembrança. -Ele sentia tanto, afetava tanto, que eu me sentia triste. Era como... como se fosse a minha dor, entende? Muito estranho.

Eu entendia, entendia muito bem. Quando Jake estava de quatro pela Bella, ele estava tão fissurado, tão cheio de fantasias, que um dia sonhei que a beijava. A ligação da matilha era uma coisa muito louca!

—Que memória era?

—Os seus olhos. — Franzi as sobrancelhas, sem entender. Al parecia um pouco desconcertado por ter que me explicar. -Era meio íntimo. Acho que foi no final da briga de vocês. Eram os seus olhos cheios de lágrimas, olhando para ele com mágoa no meio da floresta na chuva, e depois você dando as costas e indo embora. Entende? Não era você inteira, não eram as lembranças dos momentos de vocês. Eram só... só seus olhos. Todo minuto. A gente não sabia o que fazer.

Ri um pouco, afetada pela pequena descoberta. Eu já sabia que Der estava arrependido, realmente arrependido, entretanto não daquela forma.

—Ficam muito perdidos sem mim, né? Eu sei que sem mim vocês não sobreviveriam por uma semana! — Brinquei tentando afastar aquele ar ruim. Ele me deu um pequeno sorriso, surpreendentemente concordando comigo.

—Você é parte de nós agora. Não estaremos completos sem você no bando.

Allan era daquele jeito e eu não deveria mais ficar pasma com suas declarações surpresa, mas do mesmo jeito eu fiquei lá, parada olhando para ele enquanto digeria sua fala. Parte do bando. Éramos uma família. Uma verdadeira família. Não tinha mais volta. Aquilo no olhar de All, no toque fraterno de Nik e Joe, no cheiro de lar da casa cheia, nos treinos cheios de terra e risadas, no amor intenso de Derick, em tudo, tudo, era aceitação.

—Vocês são meus filhotinhos. Não podem mais se livrar de mim. — Sorri emocionada, sentindo que se sentisse mais um pouco essa felicidade iria explodir.

Felizmente, logo após mais alguns minutos de silêncio alegre, Derick e mamãe desceram as escadas com expressões diferentes nos rostos. Mamãe parecia extremamente satisfeita, como a boa Dona Sue depois de conseguir o que queria. Rick parecia mais pálido, suando frio, mas sorriu ao me ver, suspirando aliviado. Soltei a respiração que nem havia reparado que prendia, também aliviada por aparentemente tudo ter corrido bem.

—Já conversei o que queria ter conversado com meu genro, agora vou descansar, crianças. Boa noite. — Um coro de “Boa Noite, Dona Sue” reverberou pela sala. Ela me deu um beijo na testa e antes de subir novamente encarou Der com um olhar um tanto divertido. -Se for dormir aqui, tente fazer menos barulho ao sair, Derick Abbado.

Ele tremeu visivelmente, sorrindo amarelo.

—Desculpe, senhora.

Rolei os olhos.

—Mãe, por favor!

Ela riu sonoramente e se foi. Nem um minuto depois, Nik, Al e Joe gargalhavam sobre a fraqueza de seu alfa, como se tivesse sido a coisa mais engraçada do mundo o ver tremer na base.

O olhar assassino de mamãe foi tema da conversa pela madrugada a fora. Os garotos só foram embora quando Nik já reclamava de sono tal qual o velho rabugento que ele era de vez em quando. Derick ficou, como sempre, e nós levamos a conversa a diante em meu quarto. Ele não disse nada muito profundo sobre o que conversaram, só algumas partes sobre mim, sobre a briga e como deveríamos resolver nossas pendencias. Pelo desconforto dele em alguns momentos, eu podia perceber que o fato dele dormir comigo também foi pauta das acusações de minha mãe. Porém, em algum momento eu quis saber mais sobre aquilo que ele disse sobre o meu ciclo e Rick não se opôs, dando voz a suas ideias, achismo e lendas conterrâneas.

—Pense comigo, Principessa. Se nós, lobos, não somos estéreis, por que você seria? — Inquiriu calmamente. -Quero entender de onde suas convicções e a dos seus anciões vêm.

Franzi as sobrancelhas, confusa.

—Porque meu corpo não é capaz de fazer mudanças, basicamente... E eu não tenho meu ciclo menstrual... Além do mais, isso acontece também com as vampiras. Elas ficam paradas no tempo, sem conseguir mudar, enquanto os vampiros podem procriar à vontade. — Dei minha explicação, um pouco constrangida.

Ele riu, acariciando meus cabelos. Ronronei como uma maldita gata doméstica. Minha vontade de ele não tinha se extinguido ainda, queria seus toques em mim o tempo todo.

—Deixe-me te corrigir em alguns pontos, certo? Pelo que eu sei da primeira leva de lupinos no mundo, de acordo com as histórias que me cercam, seu corpo é sim capaz de fazer mudanças, você tem sim um ciclo menstrual ativo, e eu me recuso a acreditar que você se comparou com vampiras.

Fitei seu rosto, sem entender do que ele estava falando.

—O que você está dizendo?

-O fato é que seu ciclo só dará sinal de vida depois de seis meses que você me encontrar, meu cheiro meio que ativará essa coisa, como um fator mágico do imprinting, não entendo muito bem. Esse período de tempo pode variar para cada tipo de animal no qual você se transforma, mas você é uma loba linda, então, serão seis meses mesmo. Isso pode mudar de acordo com a sua transformação. Se você continuar se transformando periodicamente como é o normal, seu ciclo se adequará ao de uma loba, seis meses. Se você parar de se transformar por um período de tempo em que começará a envelhecer normalmente, então seu ciclo se adequará ao de uma humana normal, mensalmente. Logicamente, já que você pode menstruar, ovular e tudo mais, você também pode...

—Conceber. — Murmurei, interrompendo-o, completamente estupefata. Como é que nunca ninguém tinha pensado desse jeito antes?

—Exatamente.

—E se eu nunca te encontrasse?

Ele torceu os lábios, não gostando da ideia. Ri um pouco.

—Bom... você ainda poderia conceber desde que parasse de se transformar, eu acho. Como uma humana normal.

Mirei a parede ao meu lado, arrebatada pela enxurrada de informações. O silêncio tomou conta por longos minutos, não de maneira incomoda. Só era... era demais aquela nova sensação de portas se abrindo, outras realidades chegando para mim. Não sabia lidar muito bem.

—Isso parece ser muito importante para você. — Ele comentou, talvez querendo entender o que passava por minha cabeça.

Dei de ombros, hesitante. Aquela tarde tinha deixado claro que não podíamos deixar de falar o que nos afligia. Não devíamos deixar existir segredos entre nós.

—Antes não era, acredita? Eu nunca realmente tinha parado para pensar em família antes da transformação, mas depois foi um baque. Acho que foi um combo de tudo. — Der ficou quieto, esperando uma continuação. -Quando eu me transformei, foi um período difícil para mim. Sam tinha acabado de me deixar, papai morreu, minha mãe teve que arcar com a cara e a coragem com as responsabilidades da casa e do cargo de anciã, eu tive que largar as minhas amizades, o meu mundo, os meus sonhos, para me voltar ao bando. Eu até tive que cortar o meu cabelo. — Ri, sem humor. -Eu gostava tanto dele comprido. Acho que... eu não poder formar uma família foi o golpe final na minha essência? Feminilidade? Não sei direito. Só sei que agora estou nas nuvens!

Ele riu, beijando minha bochecha para mostrar que compreendia melhor agora.

—Você queria fazer faculdade?

—Eu queria. Mas, as responsabilidades do bando não deixaram que acontecesse. Queria fazer psicologia. E você?

Rick assentiu.

—Eu também. Mammaé formada em letras, ela sempre me incentivou. Eu queria veterinária, por mais irônico que possa parecer, mas é... as responsabilidades do alfa da alcateia impediram também. Fiquei preso à Lupi Luna a minha vida inteira.

Não gostei do modo que a voz dele ficou triste, o tom derrotado.

—Não deveríamos deixar que essa coisa toda de magia mandasse em nossos sonhos. Deveríamos ter enfrentado e seguido com o que queríamos.

—Nós ainda podemos. — Sugeriu, um tanto oscilante. Concordei, enfaticamente.

—Então, nós vamos prometer agora que quando tudo isso de vampiros encapuzados acabar, iremos correr atrás dos nossos sonhos. Juntos! — Levantei meu mindinho, esperando que ele selasse a promessa.

—Juntos! — Ele jurou também com seriedade, entrelaçando seu mindinho ao meu. Só ele para me entupir de borboletas com apenas uma promessa infantil. Sorri, sentindo que poderia conquistar tudo e enfrentar qualquer um desde que Rick estivesse ao meu lado.

Notas finais
Eii, pessoas!! Se acharem qualquer erro me avisem, beleza? Eu sempre reviso o texto antes de postá-lo, mas sempre algum erro passa despercebido. Comentem, favoritem, recomendem, mandem MP's, acompanhem, perguntem! Até mais!! Bjkss *-----------*