Leah - I See You

36 Capitulo 36 - Busca pela vitória e avisos silenciosos.


Notas iniciais
Eai, meus amores! Tudo bom com vocês? Porque eu tô muito feliz com os comentários e os favoritos novos, os acompanhamentos e todos os recadinhos por MP. Amo vocês, melhores leitores do mundo!! A atualização vai ser rápida dessa vez, eu juro. Acho que na quarta ou amanhã eu já termino de revisar o próximo capitulo e já posto porque vocês me deixam muito feliz e inspirada e eu sinto que estou em débito pela constante demora nas atualizações. Então, eeeei, vamos comentar nesse capitulo aqui, okay? Estarei esperando ansiosaaa! Obrigada pelos comentário maravigold Evy Bianchi, Terumy MW Lahote, Fadruxas Nina e Beatrice, IzzyL, MaduBlackfyre, Mrs Claflin, Bella di Anjelo, Jennifer Blackwolf, Black Princess, Lauura, Loveless, CatrinaEvans e Ártemis Haruno! Vocês são incriveis! Obrigada também, claro, a todos que começaram a ler agora e já comentaram, favoritaram ou maratonaram essa fic. Fico muuitissimo feliz mesmo com isso! Enfim, espero que gostem. Tenham uma ótima leitura *---------------*

O café da manhã foi mais animado do que nunca em nossa casa. Mamãe e Dona Stella disputavam em quem cozinhava mais rápido e a mesa estava tão farta que quase debulhava. Seth e Joe apostavam corrida, em uma daquelas brincadeirinhas estupidas deles, em quem conseguia enfiar mais ovo mexido na boca, enquanto Allan e Klaus explodiam em risadas com as migalhas de ovos despendendo da boca de ambos. Derick havia acordado cedo, todo bonitinho e alfa apreensivo, bebendo o seu café preto adoçadíssimo na soleira da porta dos fundos. O vento batia seus cabelos em seu rosto, mostrando quão longos os fios já estavam. Ele ainda não havia ido ao cabeleireiro como dissera na semana passada.

—Leah, querida, tome um pouco de café fresquinho. Sei que você gosta. A cafeteira não para cheia quando vai para casa. – Dona Stella me chamou, constrangendo-me um pouco com seu comentário inocente.

—Chamou de morta de fome, não deixava, Principessa! – Klaus exclamou, rindo junto com os outros. -O que, tia? A Leah vai acabar com o nosso estoque de café se continuar assim? Eu não acredito que a senhora está insinuando isso! Que horror!

Stella me fez o favor de batê-lo com o pano de prato, fazendo com que as risadas apenas aumentassem.

—Vai se ferrar, Niklaus! – Revirei os olhos, me sentando na cabeceira da mesa, perto da porta onde Rick se encontrava.

—Não ligue para o que os meninos dizem, eu não quis dizer isso. Adoro quando come lá em casa, é sinal de que está realmente bom. – Explicou-se docemente. -Com açúcar ou adoçante, meu bem?

Neguei, sorrido para ela e aceitando a xicara me ofertada.

—Desde criança ela não é tão chegada a café doce, Stella. Sempre gostou do seu forte e puro. Diferente do Seth. Menino parece que toma melaço de tão doce que fica. – Mamãe explicou antes que eu pudesse falar algo.

Confirmei com a cabeça, prestando mais atenção na expressão pensativa de Derick do que na guerrinha infantil que acontecia à mesa. Ele, com certeza, estava tramando todas as possíveis estratégias para pôr em pauta na reunião. Seth havia me dito que Sam tinha levado uma bronca daquelas de Emily e depois outra de Billy por ter explodido daquele jeito. Coisa que eu achei bem pouco. Quem ele pensava que era para tentar contaminar Derick com todo aquele veneno? Idiota! Comi calmamente e esperei até hora que Derick me encarou. Estava na hora.

Despedimo-nos de mamãe e Dona Stella e fomos em direção a casa dos Cullens. As pessoas já falavam sobre a nossa matilha como uma gangue, depois que ela ligeiramente cresceu, os assuntos triplicaram. Charlie fazia de tudo para abafar os boatos, agora que já sabia de tudo, mas não fazia muito efeito com as pessoas. Eu até que gostava disso, tinha seus pontos positivos. Ninguém tinha o disparate de mexer com a gente. O ruim, é claro, era exatamente esse também. Ficávamos meio que excluídos dos outros. Os olhares maldosos nos acompanhavam a todo momento, e saber que o meu intuito era proteger aqueles que me acusavam era, no mínimo, frustrante.

Derick respirou fundo quando chegamos onde começava o limite dos Cullens, e eu peguei em sua mão, tentando passar algum conforto. Ele apertou meus dedos em agradecimento.

Diferente do que eu pensava, nenhum dos outros lobos haviam chego. Carlile e Esme nos esperavam na porta grande de sua casa com sorrisos cordiais no rosto. Parei de andar quando Derick também parou.

—Onde estão os outros? Por que Jacob não está aqui? – Inquiriu, desconfiado.

—Está tudo bem, Rick. Eles já vão chegar. – Acarinhei sua mão com o dedão, e ele abaixou os ombros tensos. Confiando em minha palavra.

Esme sorriu grande para mim e nos convidou a entrar. Entrei primeiro, logo após papai e mamãe vampiros, e me sentei no grande sofá que dispunha em sua sala. Klaus se sentou ao meu lado e os outros preferiram ficar em pé, ao nosso redor. O silêncio caiu por alguns segundos um pouco desconfortável. Todos os Cullens estavam espalhados pela casa normalmente. Menos Reneesme, que não tinha aparecido ainda.

—Ela está com Jacob. Estava com saudades de Billy. – Edward respondeu a minha pergunta ainda não proferida. Assenti, incomodada com seu dom inconveniente, mas não expus minha opinião. Derick não precisava ficar ainda mais tenso.

—Você usou muita lógica noite passada, Derick. conseguiu dominar a situação de forma muito altiva. Poucas vezes vi tanto autocontrole em transmorfos tão jovens. – Carlile elogiou, enquanto Esme tentava oferecer biscoitos de chocolate a um Allan Desconfiado.

Derick o encarou profundamente, avaliando-o. Edward deu um sorriso discreto e rápido, mas não ligeiro o bastante para que eu não notasse.

—Tive muito treino. – Respondeu finalmente, curto e grosso. Escondi a gargalhada entupindo minha boca de biscoito. Rick ficava uma graça todo cismadinho.

—Sua estratégia é boa. Muito boa, na verdade. Como pretende convencê-los a lutar? – Edward inquiriu. Derick franziu as sobrancelhas, mas logo depois deu de ombros.

—Não vou precisar convencê-los. Se quiserem viver, a regra é clara e básica: terão que lutar. Sobrevivência é o objetivo.

—Mas eles não são treinados, nós também não. Sabemos lidar com recém-criados e já confrontamos os Volturi antes, mas, sendo realista, a proporção de agora é relativamente maior. Eles não vão querer falhar novamente, vimos isso quando mandaram talentosos dessa vez.

Derick deu um sorrisinho debochado.

—Convivi com vampiros milenários com seus mais variados talentos a minha vida toda, sei como pará-los.

—Nada mais justo que seja você a nos treinar, nesse caso. – Jasper interferiu. -Como você mesmo disse, não duraríamos dez minutos com a artilharia pesada deles. Ainda mais agora que esfregamos em suas caras de que lado estamos.

Rick suspirou e me olhou. Entendi a pergunta muda em seu olhar e assenti, gostando da ideia de receber algum treino apropriado.

—Não sei se Sam concordaria. – Ele comentou, e ninguém realmente pareceu se importar por ele ainda me encarar, como se minha decisão fosse a única coisa que ele seguiria.

—E quem liga para o que ele concorda ou não? – Ralhei, rolando os olhos. Fitei seus olhos com toda a confiança nele que continha em mim, porque meu Rick podia parecer todo alfa forte por fora, porem eu conseguia ver a necessidade de ele ter algo para se segurar quando seus momentos de tremor aparecessem. -Você consegue, Der.

Ele suspirou, acenando um sim para Jasper.

—Certo, mas eu preciso de alguns dias para me organizar. E temos que ter um lugar para podermos treinar sem intervenção humana.

—Podem se exercitar aqui. É grande e espaçoso lá fora. Claro que sem tumulto aqui dentro. Ficaria muito feliz em recebê-los. — Esme convidou, sorrindo doce. Agradeci com um simples sorriso de canto. Ela sempre fora muito hospitaleira conosco, vê-la sendo com Derick também fez uma gratidão ainda maior crescer em mim.

—Ele aceita, sim. — Falei, antes que Derick pensasse em recusar. Klaus tossiu um risinho mal contido com a olhadela ligeiramente reprovadora que seu alfa me deu. -Assim você não tem que pedir o território de Sam emprestado. Não precisamos dele.

—Precisamos dele, sim. Toda ajuda é bem-vinda. Independente de qual lado vier. — Derick me contrariou, mas apenas dei de ombros. Não ligando muito para sua frase. Já podia escutar o som das passadas dos lobos se aproximando. Tinha certeza que Billy não viria, não pelo óbvio desafio que era passar a cadeira de rodas em meio a mata, mas sim por saber que o orgulho velho dele não permitia que ele entrasse em solo Cullen. Um Quileute orgulhoso não é algo fácil de lidar, sejamos realistas.

Logo a risada de Reneesme preencheu o lugar e foi uma coisa bonita de ver o brilho no olhar de Edward e Bella aumentando gradativamente quando seus olhos pousaram nela. Parecia que o centro da vida deles era ela, num amor tão puro e genuíno que fez a tristeza bater forte. Afinal, eu nunca iria poder conhecer a magnitude desse tipo de amor.

Principessa? O que passa? — Der perguntou discretamente, sua mão empurrando Klaus de meu lado e se sentando lá. O calor de seu corpo pertinho do meu fez o abalo momentâneo diminuir um pouco. -Está tudo bem? — Seus dedos acarinharam de modo gentil meu rosto, levantando meu queixo para encará-lo. Tentei sorrir, não querendo preocupá-lo logo agora.

—Está. Foi só um... Um sentimento ruim.

Ele não pareceu tão convencido, todavia aceitou mesmo assim. Entrelaçando nossos dedos e me acolhendo na curva de seu ombro.

—Estou sempre aqui, Amore. Não se esqueça.

Me calei, ouvindo a algazarra que os outros faziam do lado de fora. Jacob cumprimentou Derick com um sorrisinho sem graça de quem sabe que fez merda, e foi logo conversar entre sussurros com Edward e Carlile. Sam se recostou a um canto, a expressão emburrada. Quase rosnei para ele quando teve a pachorra de levantar seu olhar para nós. Derick riu baixinho em meu ouvido e me virei, sentando normalmente, me concentrando na conversa paralela entre meus meninos, o que não durou muito já que Carlile convidou Derick, Sam, Jake, Jasper e Edward para uma conversa particular em seu escritório. Rick não gostou muito, nem Allan, mas foi mesmo assim. Não sem antes me dar um beijo demorado na bochecha e outro na testa, e sussurrar algo para Klaus. Curiosidade chamuscou dentro de mim e quase saltei em Nik para saber do que se tratava quando os seis sumiram de vista.

—Me fala!

Klaus revirou os olhos.

—Ele falou para mim. Se fosse para você saber, teria falado alto e claro para que você ouvisse.

Franzi as sobrancelhas, indignada com sua audácia.

—Você não me estresse a essa hora do dia, Niklaus!

Ele suspirou teatralmente, e me olhou pelo canto dos olhos. Parecendo até um tanto tímido.

—Me pediu para te acalmar caso algo ocorra enquanto ele está lá.

Cruzei os braços, ainda mais curiosa.

—E como você me acalmaria?

—Ele só pediria. Todo mundo sabe que você mima seu preferido, Principessa. Nós já aceitamos esse fato. — Allan rolou os olhos, falando com certo tédio. Abri a boca, pasma.

—Eu não tenho um preferido! E eu não mimo o Niklaus!

—Mima ele, sim! Até parece que ele é o mais novo, você nem olha para mim mais, Principessa! Esqueceu que eu existo e só se lembra do Klaus bobão! — Joe manhou, me fazendo gargalhar. Ouvi um "ei!" ofendido de Klaus que me fez rir mais ainda. Céus, estava cercada de idiotas, mesmo!

—Eu não mimo ninguém, seus idiotas! Eu não tenho prediletos e odeio vocês igual, meus filhotinhos! — Exclamei, espremendo-os em um abraço grupal que os fez reclamar e ratear, mas não me soltar. -Se Derick pegar vocês me acusando desse jeito, vão estar em maus lençóis, e eu não vou interferir. — Os repreendi igual repreenderia uma criança, porque eles eram moleques demais em alguns momentos.

—Você nunca o deixa brigar com a gente, mas vamos ficar quietinhos. — Joe prometeu, sentando-se junto a Allan ao meu outro lado.

Os minutos passaram e passaram e eu comecei a ficar impaciente. Paul e Allan rosnaram um para o outro um par de vezes, mas era só eu encarar Allan um pouquinho que ele já se tocava e parava, respeitando o momento decisivo que acontecia. Joe se engalfinhou em uma lutinha besta com Embry do lado de fora da casa. Klaus continuava ao meu lado jogando um joguinho irritante de doces. As vampiras, Reneesme e Emmett conversavam entre ranhetadas de Rosalie e Jake. Suspirei pela enésima vez, visualizando as horas pela tela de meu celular. Meu estomago estava roncando de fome e isso apenas me deixava mais inquieta. O som da porta sendo finalmente aberta nos despertou da letargia, me levantei em alerta, pronta para qualquer expressão de Derick, mas minha animação murchou quando a cara pálida de Edward apareceu. Bufei, indo até a parede de vidro do outro lado, observando as folhagens se mexerem com a brisa. Parte da inquietação não era minha, eu sentia que não era. Era Derick. Ele não estava confortável sozinho lá dentro. Rangi os dentes, me sentindo frustrada por estar de mãos atadas.

—É curioso essa troca de energia constante entre vocês, não acha? — Edward murmurou, de repente perto de mim. Seu cheiro tão perto me incomodou, e não tentei fingir que não me deixava desconfortável. -Não vejo isso nos outros imprintings. Talvez seja por serem ambos transmorfos a magia fique mais forte.

Dei de ombros, realmente não me importando se temos um vínculo maior ou não do que os outros imprintings. Era o nosso vinculo, era único para nós dois, lógico que seria diferente.

—Ele está bem. Um pouco incomodado, mas bem. Ele sabe se portar em situações de preocupação, além de que a sua confiança nele faz maravilhas. Derick é um estrategista nato, tem punho firme, e foi preparado para isso. Não precisa se preocupar.

—Não estou preocupada, só quero que isso acabe logo. Ele já está cansado, não faz bem essa pressão toda.

—Sabe, Leah, eu pensava como você antigamente. — Segredou, sorrindo complacente para mim após uns segundos de silêncio. Fiz careta, desacreditando de sua afirmativa. Seu sorriso se alargou mais, quase mostrando as presas brilhantes. -É sério. Pensava que nunca iria conhecer aquele tipo de amor. — Tentei manter-me indiferente, mas não consegui. Era óbvio sobre qual de meus pensamentos ele falava. Respirei fundo, buscando o controle que eu sabia precisar. Não quero falar disso com ele! -Sei que é dolorido, acredite, eu sei. Eu também pensava que nunca iria sentir isso, que nunca iria ter uma família minha de verdade, pensava que não era mais digno, já havia perdido todas as esperanças até. Mas veja onde estou agora! Bella foi meu milagre, ela me deu o maior dos presentes do mundo e eu nunca poderei agradece-la o bastante por isso. Talvez ele seja o seu milagre também. Converse com ele, irá ajudar.

Não concordei, nem neguei, nem consegui abrir minha boca, atônita demais para externar algo. Ele pareceu compreender meu silencio, ou ouviu a bagunça em meu cérebro e se esgueirou de volta aos outros com um aceno cordial. O consolo do leitor de mentes ficou em minha cabeça pelos minutos seguintes, até a porta se abrir novamente e eles saírem de lá.

Derick procurou com os olhos por mim e quando me achou, assentiu confiante, dando a entender que tudo estava bem.

—Percebemos que a nossa única chance é unindo forças. Sem brigas internas, ou desorganização. E para que isso ocorra, precisamos de treinamento. Derick irá se ocupar disso. — Sam praticamente estrangulou, deixando seu desagrado explicito em cada palavra, mas acatando à necessidade ao mesmo tempo.

—Os treinos começam semana que vem de manhã, aqui. Todos estão convidados. — Derick comandou, altivo. Sorri para ele e recebi de volta uma piscada malandra. -Mas estejam avisados que eu não irei pegar leve. Sairão completamente capacitados para acabar com os sanguessugas. — A euforia correu por minhas veias, animada com a nova perspectiva. -Agora, vamos embora. Acredito que todos estejam com fome.

—Sim, morrendo! — Allan dramatizou, escorado em Klaus. Sorri, concordando.

—Vamos logo. — Completei, puxando a fila e os esperando do lado de fora.

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Seth ainda estava na escola e mamãe ainda não havia voltado de onde tinha ido, então segui com os meninos para a casa deles.

Quase chorei quando cheguei na porta e fui recepcionada pelo cheiro delicioso da comida de Dona Stella, entrei saltitando e lá estavam eles praticamente me chamando para devorá-los. A fome e a emoção bateram forte e meu estomago deu sua roncada final de felicidade pelo alimento oferecido em pilhas na mesinha improvisada.

—Eba, sanduiche! — Comemorei, pronta para abocanhar um, mas parei a meio centímetro quando Derick teve o disparate de me corrigir:

—Panini.

—O quê? — Perguntei, ainda segurando o sanduiche perto dos lábios.

—Isso aqui é panini.

—É um sanduiche. — Dei de ombros, deixando-o para lá e finalmente comendo aquela maravilha. O suco de uva fresquinho e gelado que Stella colocou em uma jarra bonita também fez um suspiro de contentamento sair.

—Panini.

—Sanduiche.

—Panini.

—Caguei se você chama isso de panini, Abbado. Para mim é sanduiche e eu chamo-o do jeito que eu quiser.

—Grossa, mal-educada!

Mostrei-lhe o dedo do meio e ele devolveu o gesto com um sorriso irônico. Rolei os olhos.

—Me deixa comer!

—Eu não estou te segurando!

—Mas está fazendo graça!

—Só porque te confundi, com essa sua cara de palhaça enganou todo mundo aqui!

—Você me respeita, seu idiota! O único palhação aqui é você!

—Eu? Foi você que começou com essa briguinha inútil!

—Você é que veio todo querendo me corrigir!

—Eu só estava te falando que isso se chama panini, esquentadinha!

—E eu lá pedi a sua opinião? Me deixa comer em paz, eu estou cagada de fome!

—Olha a boca na mesa, garota!

—Quem é você para me mandar calar a boca? Cala a boca você!

—Eu nem te mandei calar a boca, presta atenção você!

—Você! — Falamos juntos.

—Você! — Em uníssono outra vez.

—Para com isso! — E de novo.

—Odeio quando isso acontece! — E novamente. Rosnei e me calei, comendo o que sobrou de meu sanduiche em uma mordida só. Ele me copiou, mas olhou para o outro lado, se recusando a fitar-me. Chiei, encarando qualquer lugar da salinha também. Entretanto, o suspiro assustado dos meninos me lembrou que não estávamos sozinhos no cômodo.

—Isso foi tenso. — Allan comentou, tentando segurar a risada. Klaus, por outro lado, não teve tanto êxito, explodindo em uma gargalhada estrondosa, levando Joe consigo.

—Eles brigaram por um pão, Al! Um pão! Eu estou morrendo! — Nik exclamou entre gargalhadas. O riso em conjunto dos três fez um sorrisinho insistente se repuxar em meus lábios, desmanchando a carranca irritada de antes. Olhei para frente e Derick já tinha voltado a me encarar. Ele sorriu pequeno para mim, temeroso. E eu sorri de volta, piscando para ele, ganhando um sorriso ainda mais aberto em troca. Já tínhamos nos perdoado e eu gostava disso. Do jeito com que parecíamos estar sempre em sintonia. De como conversávamos entre olhares e conseguíamos nos entender tão facilmente.

Só voltei para casa no finzinho da tarde. Derick ainda tinha que se preparar e arranjar algumas coisas com os meninos, mas disse que ainda me veria de noite. Mamãe me encheu de perguntas sobre o que aconteceria e ralhou por eu ter passado o dia todo fora sem avisar, porem logo se esqueceu disso, preocupada demais em me contar como conheceu mais da família de Charlie por telefone. Subi para o meu quarto, exausta do diz cansativo e tomei um banho. Derick não estava para colocar as faixas, portanto nem tentei coloca-las por não saber direito como se fazia com as ervas. Minhas costelas reclamaram, mas nada tão doloroso que eu não pudesse aguentar. Me perdi em pensamentos por longos minutos sobre como conversaria com Derick sobre eu ser estéril e imaginando se isso realmente seria visto como um problema grande para ele, até ouvir Seth subir as escadas. Estranhei quando, ao invés de seguir reto até seu quarto, ele bateu na porta. Desde quando Seth bate antes de entrar?

—Olha só quem finalmente usou a educação que a mamãe deu. – Impliquei, sorrindo quando ele colocou só a cabeça para dentro.

—Derick não está?

Rolei os olhos.

—Você está o vendo aqui?

—Chata pra caramba em, pelo amor! – Resmungou, vindo até minha cama e sentando na pontinha. Ri, mas logo observei sua feição pensativa com mais atenção. A quietude no quarto incomodava, não era algo normal quando ele estava por perto.

—O que houve, pirralho?

—Você... você está muito próxima dos outros, não é? Eu venho reparado durante esses meses e vi hoje também quando me contaram da reunião. Você mudou muito, Leah, e não estou tirando sarro, sério. Você tem sorrido mais, tem sido mais feliz, além de que passa mais tempo com eles do que jamais passou com Jake ou Sam... Vai mesmo sair da alcateia?

Entendi tudo só com o olhar que ele me deu.

—Eu não sei. – Respondi sinceramente. -Tudo está muito difícil e confuso agora. E você mesmo viu que a ordem alfa do Jake não é mais tão forte quanto era. Derick nunca me deu uma ordem direta até hoje, então não tem como medir as duas, mas... eu me sinto parte do bando, sabe? Apesar disso, até você vai ter que sair do bando do Jake quando os Cullens irem embora algum dia. Nós sabíamos disso quando decidimos nos juntar a ele. O bando sempre foi temporário.

Ele suspirou, parecendo meio triste.

—Eu sei, mas... eles não vão morar aqui para sempre. E se Derick for, bem, eu sei que você também vai. Pode não parecer, mas não gosto da ideia de você nos deixar assim. – Ele resmungou, meio contrariado. Escorreguei por entre os lençóis, me deitando de frente para o teto. Seth me acompanhou segundos depois.

—Derick e eu ainda não conversamos a sério nesse assunto porque sabíamos que nenhum de nós dois iria querer deixar tudo para trás assim. Seria doloroso para os dois. Eu nunca deixaria você e a mamãe, Seth. Mas também não posso deixar Derick ir assim, eu... Não quero ter que escolher, isso não é justo!

Ele se remexeu e o silêncio perdurou por longos minutos. Nenhum de nós dois com coragem o suficiente para dizer mais alguma coisa.

—Não é nem um pouco justo também você vir aqui com esse papinho para cima de mim. Eu sei que se Jake for embora amanhã, você também o seguiria. Você não pensaria duas vezes antes de trilhar seu caminho fora, porque você é livre, Seth. Seu espirito é livre e não suporta ficar preso a algo por muito tempo. Você quer explorar o mundo, e seguir Jake e os Cullens te oferece isso e tantas experiências mais, e eu não te julgo por isso. Porque eu também sinto isso. Eu quero trilhar meu caminho, quero fazer faculdade, lembra? Quero conhecer pessoas novas, quero me libertar das correntes do passado, quero fazer tantas coisas e Derick me faz sentir...

—Liberta. – Ele sorriu singelo para mim, sapeca e tranquilo ao mesmo tempo, quando o mirei. Seus pés passavam da cama e eu me peguei perguntando a mim mesma quando meu irmãozinho caçula havia crescido tanto. -Todo mundo vê o jeito que vocês se olham, o modo como se cuidam. É tão forte que dá para sentir.

—Ele me motiva a seguir em frente.

Ele sorriu mais, quase gargalhando.

—Nunca pensei que te veria boba apaixonada desse jeito por alguém. Derick deveria ser canonizado. – Encheu o saco, ganhando um soco fraco como resposta. -Mas e aí, essa conversa foi uma espécie de despedida? Você vai para um lado e eu para outro, é isso?

Ri, balançando a cabeça.

—Nunca vai ser uma despedida e nada está concreto. Nós nem sabemos se vamos vencer essa batalha, quanto mais o que faremos depois dela.

—Tenha um pouco de otimismo, obrigado!

Revirei os olhos.

—E quanto a alcateia, eu realmente não sei. Continuamos assim e veremos no que vai dar.

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A noite se estendeu e, ainda esperando por Derick, adormeci. Mas não tive o sono tranquilo de sempre. O sonho era frio, sujo. Tinha cheiro de sangue e gosto de metal enferrujado. As cinzas caiam do céu e corpos ensanguentados jaziam no chão. Pessoas da minha reserva, pessoas conhecidas. Amigos, ex-professores, colegas da escola, Jasper e Alice mais afastados. Soltei o ar que prendia quando vi Jacob, Sam, e outros do bando logo a minha frente, mas nada se comparou ao choque de terror ao reconhecer imediatamente o mais afastado dos corpos. Aquele cabelo loiro, mesmo colorido de cinza pela fuligem, ainda era inconfundível. Corri em sua direção, porem algo me puxava para trás. Me impedindo de ampará-lo. A neve ao redor de seu corpo, junto as cinzas e a terra começaram a se manchar de vermelho enquanto seu rosto sujo empalidecia gradativamente. Me apavorei, não, não! Gritei por ele, mas minha voz não saía. Clamei por seu nome, por Deus, pelos ancestrais, por todo e qualquer poder divino, entretanto ninguém veio em meu amparo e ouvi o som baixinho de seu coração dando sua última batida. Caí de joelhos, ainda impossibilitada de chegar perto dele. Seu nome engalfinhado em minhas cordas vocais. Meus olhos embaçaram pela dor excruciante. Doía, doía como o inferno, cada ligação se esticando, se rompendo, cada laço em mim, cada sentimento se auto explodindo em estilhaços dolorosos. Sua morte me sangrava, matava lentamente com uma sensação horrível. E acordei assim, no meio da agonia, do nada, de repente. A respiração ainda presa nos pulmões, a garganta ainda seca pelo choro. Encarei o teto escuro com a sensação paralisante correndo por minhas veias. Derick morrera na minha frente e eu nunca imaginaria que poderia sentir dor como aquela mesmo em um sonho.

—Ei, amore, está acordada? Já está tarde. — Sua voz preocupada despertou-me da inercia e pisquei, sentindo as lagrimas deixarem minha visão turva e um suspiro doloroso buscar caminho. Ele se aproximou da cama, parecendo ter acabado de entrar pela janela. -Ei, Leah, o que houve?

Ele mal deitou e já me apertei em seu enlaço, procurando seu cheiro, me agarrando a cada mínima coisa que confirmasse que ele estava lá, que tudo fora um pesadelo.

—Você está aqui. Está aqui. Não foi real, não foi real. — Repeti como um mantra, convencendo a mim mesma. Ele me apertou de volta e mais lagrimas brotaram de meus olhos sem a minha permissão. Não deixei que elas caíssem. Senti seu coração bater forte e o meu próprio se alegrou com o som característico. -Está vivo. Vivo. Não foi real. Está aqui.

—Eu estou aqui. — Acalentou-me, começando a nos balançar, como se me ninasse. -Shii, já passou. — Assenti, enfiando minha perna entre as suas, ficando ainda mais perto dele. -Quer falar sobre isso? — Neguei, incapaz de reviver o que tinha se passado. -Tudo bem. Vamos dormir, então. Vou ficar com você o tempo todo.

—Não, não quero dormir. Não quero. Não quero.

Ele tentou se afastar um pouco, mas me grudei a ele, não deixando.

—Tudo bem, Principessa. Eu não vou sair, só quero me virar para você, okay?

Afrouxei um pouco o aperto, ainda relutante, e ele se virou, levantando meu rosto de seu peito, me fazendo encará-lo e só aí, só com o azul de seus olhos fitando-me com aflição, consegui me acalmar realmente.

—Foi só um sonho ruim. Eu estou aqui com você agora. Não vou deixar que nada te aconteça.

Não é comigo o problema! Não é! É você! Você não pode fazer isso comigo! Quis gritar, e exigir que ele nunca ousasse me deixar daquele jeito, quis implorar para ele tomar cuidado de agora em diante, para sempre se proteger para que eu não tivesse que sentir aquela dor novamente, quis ser egoísta ao extremo e o obrigar a prometer-me, mas apenas fechei os olhos, segurando-o forte pelo tecido da camiseta. Engoli as lagrimas e a sensação ruim, querendo esquecer a lembrança da fuligem e de sua pele naquela cor mórbida. Ele dormiu pouco tempo depois de sussurrar por longos minutos, ao querer me distrair, histórias fantasiosas sobre suas lendas, todavia eu não consegui mais pregar os olhos até o dia amanhecer. O pensamento do sonho ser algum tipo de aviso rondando meu coração. O protegeria, independente do que fosse, com a minha vida se preciso. Sempre.

Notas finais
Eii pessoas!! Se acharem qualquer erro me avisem, beleza? Eu sempre reviso o texto antes de posta-lo, mas sempre algum erro passa despercebido. Comentem, favoritem, recomendem, mandem MP's, acompanhem, perguntem! Até mais!! Bjkss *---------------------*