Leah - I See You

33 Capitulo 33 - Ser forte não significa nunca cair.


Notas iniciais
Demorei horrores, eu sei, mas gente o tempo tá sendo tãooooo corrido para mim. Meu Zeus do céu, eu tô aloka para me organizar. Atualmente, tenho estudado de manhã, trabalhado na parte da tarde e de noite ainda tenho cursinho para ir, portanto não acaba sobrando muito tempo para a escrita e a minha motivação tinha dado uma leve saída na hora de corrigir os capítulos. Horrível essa época, sério! Maaas, daqui algumas semanas eu me acostumo e logo, logo tudo se acerta e as postagens se tornarão regulares, okay, amores? Obrigada a todos que comentaram, vocês me fazem sentir uma emoção tão grande! Sério, sou apaixonada pelos reviews de vocês! Não vou colocar os devidos agradecimentos aqui pela falta de tempo mesmo, mas no próximo eu coloco. Obrigada também a todos os MPs, aos acompanhamentos, favoritos e recomendações (em especial a the originais e crepusculo pela recomendação delicia que deixou! Fico tãooooooo grata pelas palavras bonitas, elogios e todo o seu carinho! Obrigada de verdade!) Vamos ao capitulo. Parte dele é a one que eu falei, portanto ela é basicamente Klaus e Leah mesmo. Eu ainda não respondi todos os comentários, mas eu vou responder ainda hoje mesmo! Eu juro! Espero que gostem! Boa Leitura *---------------* Niente né nessuno = Nada nem ninguém.

Mamãe estava pirando quando cheguei em casa. O abraço que ela me deu quase quebrou minhas costelas novamente.

—Eu estava tão preocupada! Leah, eu fiquei desesperada. Nunca mais faça isso comigo de novo! – Ranhetou, a voz meio embargada. Suspirei, retribuindo ao abraço da melhor forma que consegui. Eu sabia que depois de perder papai ela havia se tornado ainda mais protetora do que já era.

—Eu estou bem, mamãe. Nada vai acontecer com a gente, fique calma. – Tentei reconfortá-la, sorrindo para ela, sentindo a segurança que o cheiro dela me trazia.

—Meu bebê. – Beijou minha bochecha, rindo da careta que eu fiz pelo apelido.

Depois de ouvir uma chuva de reclamações e ameaças da parte dela caso eu pensasse em assustá-la daquele jeito novamente pude finalmente subir ao meu quarto para trocar de roupa, já que não poderia tomar um banho agora graças as benditas ervas que Derick havia acabado de colocar. Seth estava na casa dos Cullens junto com Jake e Reneesme, pois os outros tinham ido pesquisar mais sobre o provável ataque que aconteceria em breve.

Mamãe, apesar de parecer extremamente relutante em me deixar, saiu após alguns minutos para o trabalho em Forks. Claro que não sem antes me fazer prometer que ligaria se qualquer coisa acontecesse. Derick e eu ficamos jogados no sofá assistindo TV sozinhos em um silêncio confortável até a hora dele ir para a loja chegar e ele nem se mover. Franzi a testa, olhando para o relógio na parede.

—Não está se esquecendo de nada? — Inquiri, não ligando para o sangue falso que jorrava da perna da protagonista do filme. Senti-o dar de ombros ao meu lado.

—Se for sobre o aniversário do Klaus, ele disse que não está no clima de festa.

Arregalei os olhos.

—Eu tinha esquecido completamente disso! Por que não me lembrou?! Eu nem dei parabéns para ele!

—Ele não liga para isso, Leah. Ouch! Agora acho que ela morreu, sério!

Rolei os olhos. Ele estava realmente concentrado no filme.

—Enfim, não era disso que eu estava falando. Acho que está atrasado para o trabalho, Derick. Eu vou deixar gravado, você vê depois. — Disse, me levantando e tentando o puxar pela mão.

Ele riu, um pouco constrangido, fazendo força para me puxar de volta para sentar em seu colo agora. O som do filme esquecido ao fundo.

—Eu fui meio que demitido.

Paralisei por um momento, pensando se realmente tinha ouvido corretamente.

—O quê? Por quê? — Perguntei, alarmada.

—Eu faltei três dias sem dar sinal de vida, sabe? Acho que extrapolei um pouco na folga. E houveram aquelas vezes que eu precisei chegar atrasado por causa das rondas. Sou um desempregado agora, yeah! — Fez graça, embora um toque de preocupação cintilasse em seu olhar.

—Oh, eu... Tenho certeza que vai encontrar algo para recompensar. Acredite, eu sei como é. Acho que já fui demitida umas cinco vezes só ano passado. Aqueles parasitas não respeitam nem o nosso trabalho, cara, é uma merda!

Ele riu com vontade dessa vez, de verdade.

—Sim, isso é um fato, mas nossa situação ainda não é alarmante. Nós temos um dinheiro guardado e o Trizolli e os outros ajudam muito com a parte monetária também. Apenas precisamos gastar com moderação, só até podermos ir para casa novamente, quando tudo isso acabar.

Assenti lentamente, meu cérebro pausado na parte do “até podermos ir para casa novamente”.

—Rick, o que... o que você acha que vai acontecer conosco quando tudo isso acabar? – Minha voz tinha saído mais hesitante do que tinha planejado. Ele acarinhou minha cintura e me olhou daquele jeito que me esquentava por dentro, suspirei, afundando meu rosto em seu pescoço.

—Eu nunca te faria escolher entre ir ou ficar, Principessa. Sua família está aqui, sua vida está aqui, isso não seria justo.

Girei em seu colo, sentando com uma perna de cada lado para poder vê-lo melhor.

—Isso é o que me preocupa! Eu também não seria capaz de te fazer escolher. Então, sempre acabaremos nesse empasse e... eu não quero que nenhum de nós dois fique infeliz. Minha mãe, eu não poderia deixá-la sozinha, muito menos Seth. E dona Stella, acho que você também não seria capaz de deixa-la para ficar aqui.

Sua mão segurou meu rosto de leve, guiando-me com delicadeza para mais perto de seu rosto, colando nossas testas. Eu gostava tanto quando ele me segurava daquele jeito, com todo aquele afeto brilhando nas safiras que eram seus olhos.

—Nós daremos um jeito, Amore. Não se preocupe com isso, ainda é tão cedo. – Selou meus lábios com carinho prolongado. Meus olhos se fecharam no modo automático, junto com meus braços que subiram por seus ombros e por lá descansaram. Retribui ao beijo delicado, sugando seu lábio inferior, provando do gosto da bala de chocolate que ele tinha acabado de chupar. Ele se afastou um pouco, o bastante para nossos olhos se conectarem e nossos narizes roçarem. -Nós vamos ficar juntos independente do lugar, certo? Somos um. Nada nem ninguém vai nos separar. Niente né nessuno. – Reforçou, me abraçando apertado, deixando bem claro que ele se preocupava também, que ele tinha o mesmo medo, bem lá no fundo.

—É uma promessa, okay? Bem piegas, mas uma promessa. — Murmurei em seu ouvido. Ele se arrepiou em meio ao riso divertido quando beijei naquele ponto atrás de sua orelha na qual ele era tão sensível. Suas mãos subiram por minha barriga começando um chamego calmo, mas o carinho logo deu lugar as cutucadas irritantes de cocegas que ele insistia em me fazer. Dei um gritinho ridículo enquanto tentava me esquivar de suas mãos e estagnar o riso que saia solto por minha garganta.

—Isso é para você aprender a parar de me provocar, espertinha! — Disse ele em tom jocoso, sorrindo sacana. Seus movimentos não paravam, cutucando em áreas sensíveis que ele conhecia bem.

—Para! Ai, Alexander! Seu idiota! — Tentei argumentar de forma entrecortada, porem ele parecia decidido a me assassinar. Pulei para fora de seu colo na primeira brecha que encontrei, me afastando de seus dedos traiçoeiros. Respirei fundo, tentando acalmar minha respiração descompassada. Aumentei a distância entre nós quando o vi se levantar. Ele levantou os braços em rendição, entretanto eu o conhecia o suficiente para saber pelos seus olhos que ele estava tramando algo.

—Você quer brincar de Chapeuzinho Vermelho, Amore? Eu posso ser seu Lobo Mau. — Sorriu de novo, daquele jeito cafajeste, e se aproximou mais. Dei três passos para trás, e me xinguei baixinho quando quase tropecei nas escadas. -O que foi, Principessa? Eu não vou te morder... Bom, pelo menos não agora. — Ele rosnou e esse foi o timing para que eu corresse pelas escadas, subindo de modo rápido e procurando lugares onde poderia me esconder. Ouvi a risada gostosa dele e suas passadas silenciosas pelo piso, sua respiração era ritmada e lenta, eu conseguia escutá-lo procurando pelas portas, se aproximando cada vez mais.

Me escorei na parede do corredor do quarto de Seth, observando pelo espelho de que direção ele vinha. Meu coração bateu mais forte, excitado pela adrenalina de ele estar vindo me pegar. Sorri, feliz pela brincadeira boba, por ele ser daquele jeito, por ele me trazer tanta felicidade com uma simples traquinagem, todavia minha linha de pensamento foi atrapalhada de forma brusca por um puxão e o corpo quente dele encostando-se gostosamente no meu. Um arrepio subiu e desceu com seu olhar predador. Seus dedos se entrelaçaram com os meus e seus braços foram para cima de minha cabeça levando os meus junto, me deixando presa. Sua perna se enroscou ao meio das minhas, nos encaixando de modo promiscuo.

—Peguei você. — Sussurrou, a voz meio rouca. Segurei o gemido que quis sair só de nos ver naquela situação.

—E o que vai fazer agora, Lobo Mau? — Inquiri, sorrindo provocativa. Ele riu, aproximando seu rosto do meu, roçando seu nariz na minha bochecha e queixo, as geladas borboletas em meu estomago se agitaram.

—Eu vou te devorar. — Respondeu simples, só para logo depois deixar um beijo leve em meu pescoço, contrapondo com a selvageria predatória do momento. Um gemido arrastado acabou escapando quando ele chupou a pele acarinhada de modo doido. Arfei, tentando puxar minhas mãos de seu aperto, porem ele nem se mexeu. Ele mordeu com força a mesma área, parecendo querer marcar a minha pele.

—Isso dói! — Mais gemi do que reclamei, meus sentidos entorpecidos demais pelo perfume dele. -Para de fogo... Vamos, temos que discutir sobre muitas coisas ainda...

Ele parou e me encarou, o olhar queimando. Pisquei, as palavras se embaralhando em minha mente.

—Não, Amore. Deixa-me matar a saudade de você primeiro. — Seu sotaque meio atrapalhado denunciava que ele estava tão afetado com aquilo quanto eu. -Depois vemos isso... Por favor. — Desceu nossas mãos, finalmente me libertando, desviando o olhar de meus lábios para meu pescoço, voltando ao que fazia anteriormente. Suspirei com a mistura de emoções que esquentou meu corpo, sua trilha de beijos molhados, suas mãos inquietas em minha cintura, mas cuidadosas ao passarem por minhas costelas fraturadas. Fui desencostada da parede, quase no mesmo momento que o puxei pelo pescoço e juntei nossas bocas, afoita pelo contato que parecia nunca chegar. Me arrependi pela pressa desnecessária quando o gosto de sangue se misturou ao gosto dele e o resmungo dolorido chegou a meus ouvidos. Passei a língua por seu lábio machucado, chupando o mesmo num pedido mudo de desculpas. Suas mãos se espalmaram em minhas costas, me puxando ainda mais para perto. Meu corpo tremeu, gostando da sensibilidade que o sabor dele trazia. O jeito que a língua molhada passava pela minha, seus dedos subindo por meu corpo e parando em minha nuca, puxando os cabelos não de maneira rude, mas com uma doçura sensual, buscando comando, querendo seduzir, me induzindo a dar mais de mim. Era tão gostoso!

Nós dois respiramos ofegantes quando o contato foi desfeito. Abri os olhos, observando como ele ficava bonito pós-beijo. Os cabelos assanhados, as bochechas vermelhas, os olhos fechados de cílios longos, a boca semiaberta meio inchada e vermelha. Suspirei, encostando minha testa em seu ombro. Seu coração batia acelerado, quase no mesmo compasso que o meu.

Dio mio, eu ainda morro com seus beijos, sério. — Brincou, arrastando sua mão em minha pele, fazendo carinho. -Meu coração está batendo tão forte, acho que vou ter um colapso!

Ri, levantando a cabeça para olha-lo.

—Conseguiu matar a saudade?

Ele rolou os olhos daquele jeito bonitinho dele.

—Ainda não, mas temos tempo para isso. — Piscou um dos olhos e beijou minha boca com um estalo. -Agora, se importa de voltarmos para a minha casa? Acho melhor você conversar com os meninos antes de irmos para a fogueira. Eles atualmente estão escutando mais você do que eu, e olha que eu sou o alfa deles.

Dei de ombros e me afastei de seu corpo, sorrindo.

—Lógico, eles são lobinhos inteligentes. — Me gabei, seguindo pelo corredor, seguindo o caminho de volta.

—Sua modéstia me impressiona. — Resmungou, enchendo meu saco, correndo a minha frente e saindo pela porta sem nem olhar para trás, claro que não sem antes deixar um tapa estalado em minha bunda.

—Babaca! — Xinguei, embora sorrisse por sua criancice.

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—Acho que ele fala comigo. — Sussurrei a Derick. Ele assentiu, disfarçando enquanto observava um Klaus pensativo no canto da sala. Ele agora estava mais falante que antes do meu acidente, mais interessado nas conversas e no que acontecia ao seu redor, porém ainda se mostrava apático em alguns momentos. Meu instinto dizia que já estava na hora de termos uma conversa.

—Eu tenho certeza. Vá lá falar com ele, eu cuido dos meninos aqui. Tente ir aos poucos, não o assuste muito.

Revirei os olhos.

—Eu sei como conversar com o Klaus, okay?

Ele riu, me empurrando em direção a ele. Nik já havia percebido nossa aproximação e nos encarava curioso.

—Boa sorte, Klaus. Você vai precisar. — Ele avisou, o semblante falsamente sério. Não contive o instinto de mostrar-lhe o dedo do meio, o que acarretou a uma gargalhada de Klaus.

—O que aconteceu? — Perguntou, inclinando levemente a cabeça para o lado num ato fofo.

—Seu alfa é um otário de carteirinha. — Bufei, indignada. -Mas, enfim, vamos dar uma volta. — Enlacei seu braço no meu, já começando a andar, sem um destino certo na cabeça.

—Eu não disse que queria dar uma volta. — Ele balbuciou, levemente constrangido. Eu sorri para ele, desafiadora.

—Que ótimo! Porque eu também não fiz uma pergunta, eu afirmei que iriamos dar uma volta. Obrigada, de nada. — Retruquei, diminuindo o ritmo da caminhada quando vi que já estávamos consideravelmente longe dos ouvidos lupinos. -Coloque para fora. Acho que já deu tempo de toda a história ser digerida, e eu estou aqui para te ouvir.

—Ouvir o quê?

—Tudo o que quiser me contar. E nem tente me fazer mudar de ideia, nós temos a tarde inteira pela frente e você sabe como posso ser insistente. — Ele abriu a boca para falar, mas fui mais rápida. -E eu sei que isso não está fazendo bem a você. Se não falar, isso vai ficar ainda pior. Acredite, eu sei. Só ponha para fora o que está te entulhando, o que já está tão pesado ai que já não consegue suportar. É só isso que estou pedindo. Só conte o que quiser contar.

Ele respirou fundo, piscando rápido e desviando o olhar.

—Eu gosto da praia. — Disse, ainda sem me olhar. Entendi o que ele queria e, de fato, me surpreendi por ele concordar assim tão rápido.

—Então vamos a praia.

Klaus não disse nada do caminho até a praia, e demorou mais uns bons minutos para voltar seu olhar para mim após nos sentarmos na areia fofa. O mar estava calmo, com ondas fluidas indo e vindo de leve como se beijassem as pedras da encosta. Era bonito de se ver.

—Minha mãe era uma mulher incrível. — Começou ele, do nada. Como se um rompante de coragem tivesse o incentivado a falar. -Ela era louca por Scorpions, e quando soube que estava grávida de um menino resolveu misturar o nome de meu avô, Nicholas, com o do vocalista da banda, Klaus. Ninguém sabe muito sobre o passado dela, só que o pai dela era o homem que mais admirava no mundo. De acordo com eles, sua família estava morta. Ela era uma prostituta das ruas de Siena que tivera a sorte de ser atacada por um vampiro bem na hora em que meu pai passava por lá em uma das patrulhas. Ele a salvou e, depois de explicar o que houve, aceitou trazê-la para Lupi Luna com ele. Eles se "apaixonaram". Mas, sabe, não houve imprinting. Todos sabiam que isso não iria dar muito certo. Dizem que eles foram felizes por um tempo, mas tudo começou a ruir depois que ela descobriu a verdadeira face do meu pai. Ele sempre foi estranho e agressivo e, por um misero tempo, a fachada de bonzinho perdurou. Mas ele logo começou a beber e, bem, utilizar a bebida para dar um motivo para as agressões. Ela aceitava calada, era grata por ele tê-la salvo, amava-o pela convivência, era ingênua. E aí ela descobriu estar gravida de mim. Tudo piorou. Eles não queriam, não era o momento certo... — Ele soltou uma risada anasalada, sem um pingo de humor. -Meu pai sugeriu que ela abortasse. Mas ela se recusou. Dona Stella disse que ela me queria, já me amava. Eles começaram a brigar feio, e um dia meu pai bateu tanto nela que quase fez com que ela me perdesse. Depois daquele dia foi de mal a pior. Os lobos de sr.Trizolli a protegiam o quanto podiam, mas ela dispensava-os, tinha medo do que ele faria com a gente caso ele fosse deserdado da matilha. Os meses passaram normalmente e lá estava eu, querendo nascer prematuramente no dia 17 de agosto. Qual é? Qual criança tem o azar de nascer no dia 17 de agosto? É quase um aviso de Dio dizendo "Ei, idiota, você vai se ferrar muito na vida!". — Fiquei confusa com sua analogia, mas não o interrompi, perguntaria a Derick depois. -Houve uma Pré-eclâmpsia avançada, a Síndrome de Hellp, e muitas complicações no parto. Fora difícil, Trizolli disse-me, mas conseguimos. Como resultado eu nasci e fiquei quase doze semanas na UTI, minha mãe ficou mal também. Pelos problemas na cirurgia, seu fígado parou, seus rins paralisaram e uma hemorragia grave ocorreu. Mas ela aguentou, forte como sempre fora. Aguentou firme até me ver bem, e então se foi.

—Oh, Klaus... — Sussurrei, sem saber o que dizer.

—Eu não a conheci direito, só me lembro do rosto dela por causa das fotos que Dona Stella me mostrava. Ela era muito bonita. Meu pai nunca a mencionou de forma gentil, apenas a difamava e, claro, me batia para esquecer as magoas. Ele era meu pai, tinha minha guarda legal, era um caminhoneiro respeitado pela vizinhança, ninguém acreditava em mim na escola quando eu contava. O pai de Derick, Alexander, me acolhia quando eu aparecia. Cuidava de mim. Dona Stella me dava seu amor de mãe e as histórias sobre as aventuras de Antonella de Ferrarezi. Derick e Allan cuidavam de mim como se eu fosse um irmão caçula. Eles eram a coisa mais próxima de uma família que eu tinha. E então eles se transformaram. Eu não conhecia a lenda, muito menos a verdade, a única coisa que eu sabia era que meus irmãos, as pessoas que gostavam de mim, que me deram uma família, haviam se afastado. Eu me senti rejeitado novamente, eles me abandonaram. E eu tive que seguir por outro caminho. Meu pai não ligava para a minha segurança, nem comprava comida o bastante para nós dois, e meu orgulho me impedia de continuar indo a casa dos Abbado para ter uma vida digna, então eu roubava. E, acredite, eu era bom naquilo, quase ninguém me notava. As surras que eu levava nem doíam mais, logo, ser pego ou não pelos policiais não era um problema muito grande. Eu era tão patético! — Resmungou, balançando a cabeça em descrença. Segurei seu ombro, tentando lhe passar algum conforto. -E eu aguentei tudo aquilo, todas as noites de bebedeira desenfreada, todos socos e as idas aos hospitais, as costelas quebradas e braços engessados, todas as lagrimas, toda a tristeza e revolta, tudo. Até que um dia, enquanto apanhava pela enésima vez, ele gritou que minha mãe havia morrido por um ladrãozinho inútil, que ela fora burra por ter me deixado nascer, que ele devia tê-la deixado na esquina imunda de onde ela nunca deveria ter saído, a chamou de vadia... E eu me descontrolei. O lobo saiu de forma tão rápida e espontânea que eu não me lembro de sentir minha pele queimar, ou de reparar em alguma coisa ao me redor que não fosse no cheiro forte de álcool ou o medo nos olhos dele. Ele estava apavorado, e aquilo me agradou de uma forma que você não consegue nem imaginar. Eu ia atacá-lo, estava pronto para aquilo. Meu lobo desejava sangue, estava totalmente dominado pelo instinto, e eu teria feito uma besteira se Derick não tivesse sentido a ligação e ido para minha casa. Ele me acalmou e depois de alguns minutos, me instruiu a como voltar. Meu pai estava tão bêbado que nem tinha notado que havia mijado nas calças, estava tremendo, em choque. Ele não pensava que o ladrãozinho inútil poderia ter herdado seus genes de lobo. Após o calor do momento passar, tudo foi explicado e eu finalmente entendi. Eu tinha uma nova família, um bando. Onde eu me sentia bem, em paz. Derick se desculpou tanto que não havia como ainda me manter chateado. Ele me acolheu, como seu pai havia feito, era meu irmão mais velho e eu confiava nele, me sentia seguro. Meu pai nunca mais encostou um dedo em mim. Na verdade, nós nunca mais conversamos. Não que tivéssemos um diálogo constante... Apenas, havíamos ultrapassado uma linha que não podia ser ultrapassada. Nada seria como antes e eu não estava triste por aquilo. Logo o treinamento começou. Joseph se transformou e os outros também. E a matilha estava completa... O resto você já sabe. — Suspirou, encarando o chão de forma muito interessada. Fiquei lá, observando-o em silêncio. Esperando alguma movimentação ou expressão diferente da fria que ele usava. -Espero não ter feito você pensar que sou um bebê chorão movido por atenção... Acredite quando eu digo que não sou.

Sorri, empurrando-o com o ombro.

—Eu acredito que a história da sua vida não é o motivo da sua confusão interna. — Comentei despreocupadamente. Ele se mexeu, desconfortável. -Não precisa me contar se não quiser. No seu tempo, lembra? Não quero forçar nada, apesar de querer muito te ajudar e isso é uma coisa que deve ser levada em consideração. Porque na maioria das vezes eu estou pouco me fodendo para os problemas das pessoas, e eu estar aqui ouvindo tudo caladinha é um feito e tanto para o meu autocontrole e então...

—Oh meu Deus, agora eu entendo quando Derick diz quão irritante você consegue ser! — Ele reclamou, fazendo-me gargalhar. -Eu vou te contar, Leah... Apenas, espere um pouco. — Respirou fundo. Encarei-o, esperando a resposta. -Não é uma coisa fácil de se pôr em palavras... Eu... Estou confuso.

—Comece de uma vez. — Dei de ombros. Ele sorriu.

—Como se fosse fácil assim.

Rolei os olhos.

—Já disse que não precisa falar se não quiser. Existem coisas que precisamos guardar para nós mesmos, coisas nossas que são difíceis de se dividir com as pessoas. O que você sente, apenas você sente. E, sendo o que for, acredite, eu nunca julgaria... Bem, eu poderia falar um pouquinho, não vou mentir... Tá, se eu achar seu pensamento idiota eu não vou aguentar e vou falar, não vou poder controlar, já esteja ciente.

—Bene, vamos lá. — Ele sorriu e suspirou, mordendo os lábios em nervosismo. -Quando eu vi o que havia acontecido nos olhos de Derick, o mundo parou por um momento. Foi como se um balde de água fria tivesse caído sobre minha cabeça. Fazia muito tempo que eu não me sentia perdido, mas naquela hora eu me senti. Meu único parente vivo havia morrido. E eu fiquei triste. Sério, eu realmente pensei tipo "Cazzo, o que eu vou fazer agora?"... Mas isso foi muito passageiro. No segundo seguinte, toda a tristeza foi embora e a alegria apareceu. O alivio que eu senti foi sem precedentes, a felicidade em saber que não havia mais motivo para ter medo, não haveriam mais pesadelos. Eu estava livre... e a liberdade tinha um gosto tão doce! Meu coração bateu forte, sentindo o sol na pele sem barreiras, sem carcereiro. Queria sair pulando, gritando aos quatro ventos "Ele morreu! Ele nunca mais vai voltar! Eu estou livre agora! Eu estou feliz, mãe!", mas aí o remorso bateu. O que eu estava fazendo? Que tipo de monstro eu era? Estava enojado de mim! E explodi. Porém, explodir não me fez bem. Tudo foi potencializado. Por que, afinal, eu não podia ser normal? Por que eu não podia sentir a dor que você e Derick sentiram? Por que eu não sentia meu coração se estilhaçando de tristeza? Por que meu olhar não era como o de Derick no enterro de Alexander? Por que eu estou pouco me lixando se ele foi enterrado ou não? Por que eu não podia ser normal?! Eu não quero me tornar um monstro como ele, Leah! Eu não quero ter os sentimentos ruins dele! Eu quero ser diferente, mas eu...Eu não consigo não me sentir bem com a morte dele e isso está acabando comigo! — Desabafou de uma vez, os olhos fixos em um ponto a sua frente, a voz firme, porem eu podia sentir a fragilidade borbulhando por lá.

—Wow... — Disse, arregalando os olhos em teatro. -Você está feliz pela morte de alguém que viveu para te fazer mal. Meu Deus, que pessoa horrível você é! Qual é! Eu já fiz coisas piores e, acredite, não estou me crucificando por isso. — Impliquei, rolando os olhos. Ele bufou. -Klaus, você estar feliz porque seu carrasco te deixou não te faz ser uma pessoa ruim, muito menos te faz um filho da puta estúpido como ele. Te faz humano! Ninguém irá te julgar por estar alegre, do mesmo jeito que ninguém iria te culpar por chorar a morte do traste, mas o que você está sentindo é o que você é. E não adianta querer mudar isso. Você não é Derick, nem Allan, e muito menos eu... Você é Niklaus Bordin. E é livre para ser e sentir tudo do que a sua essência for capaz. Portanto, pare de frescura, porque eu não tenho a mínima paciência para isso. Você já deve ter percebido.

Ele encostou sua cabeça em meu ombro, parecendo desgastado emocionalmente.

—Não sou forte o suficiente para viver assim.

—Você não faz ideia do quão forte é, Klaus. Não faz ideia. — Afirmei, vendo suas bochechas se avermelharem. -Não há dúvidas de que sua mãe tem orgulho da pessoa que se tornou.

Ele parou de respirar por um momento, surpreso, apenas para depois passar seu braço por mim em um abraço tímido.

—Obrigado, Leah.

—Só a verdade.

Notas finais
Eii pessoas!! Se acharem qualquer erro me avisem, beleza? Eu sempre reviso o texto antes de posta-lo, mas sempre algum erro passa despercebido. Comentem, favoritem, recomendem, mandem MP's, acompanhem, perguntem! Até mais!! Bjkss *---------------------*