Leah - I See You
31 Capitulo 31 - Se encontra amor nos gestos.
Notas iniciais
A primeira vez que recobrei a consciência foi por causa da dor excruciante que uma pressão estranha estava fazendo em minhas costelas. Ardia, repuxava, machucava! Foi impossível segurar o grito que borbulhou por minha garganta. Tentei me remexer, me afastar da dor, mas mãos frias me prenderam no lugar. Rosnei, focando no rosto embaçado de Carlile.
—Me solte! Eu não quero! — Senti minha língua mole, minha voz arrastada. Algo estava errado.
—Sei que dói, Leah, mas aguente mais um pouco. Já estamos quase.
Ele acabou de dizer e um estalo oco soou, como um soco dentro de mim. Arfei, meus olhos lacrimejando. O teto brilhante rodou.
—O que foi isso? — Ouvi a voz fraca de Klaus perguntar perto de mim.
—Foi o osso dela tentando se curar sozinho, mas no lugar errado. Novamente. Desculpe por isso, Leah. — Falou com certa pena na voz. Abri a boca para inquirir o porquê da desculpa, mas ele logo respondeu-me levando suas mãos a área machucada e forçando-a com rapidez. O grito de dor que ia soltar ficou preso, pois logo desmaiei de novo.
Na segunda vez que acordei, foi por causa de gritos do lado de fora. Nada doía mais, mas também quase não sentia nada. Dr.Sanguessuga deve ter me entupido de morfina. O que era de certa forma bom, pois só de lembrar da dor de antes minha pele se arrepiava.
—Não diga coisas que não sabe, Embry! Não ouse abrir a sua boca para falar algo contra Leah na minha frente. Está me ouvindo? Ela fez muito mais do que todos vocês juntos! — Era Derick, reconheci precariamente. Minha audição não estava lá essas coisas.
—É, claro. Querendo atenção, como sempre fez. Pelo menos dessa vez ela se ferrou, um aviso para ela entender que não é o centro do universo. — Paul debochou e tudo ficou em silêncio por um segundo, não me ofendi. Já estava acostumada com esse pensamento deles, mas meu coração se alegrou ao ver que Derick se levantou em minha defesa. O barulho que se seguiu, com certeza, foi o estrondo do soco que Derick acertou nele, pois toda uma muvuca se aglomerou. Allan rosnou agressivamente e Sam também.
—Enquanto ela estava lá, protegendo Klaus e a si própria sozinha, Leah pensava em como acabar com a merda que vocês fizeram! Foi ela quem disse a Joseph para procurar o vampiro original e matá-lo para que acabassem os clones, foi ela quem atrasou os idiotas para nós enquanto eu e Allan estávamos tentando parar a burrice de vocês! Um ataque direto, Sam? Sério? Você não percebeu a probabilidade de uma emboscada? Que tipo de alfa você é? E você, Jacob? Correr atrás de Sam assim sem nem pensar em nada, deixando um membro do seu bando para trás? Vocês não são mais crianças! Isso é de verdade! Vida ou morte! Leah está lá dentro, com dor, costelas quebradas e o caralho a quatro, enquanto vocês estão aqui fora debochando dela, justo dela que salvou a maldita bunda de vocês! Ela parou um vampiro com o triplo do seu tamanho por mim, se jogou contra ele com a motivação e a coragem que eu nunca tinha visto. Ela é uma pessoa tão especial, tão maravilhosa! E vocês.... Vocês são uns idiotas!
Me remexi, sorrindo com a forma com que ele me defendia. Era bom saber que não estava mais sozinha, que alguém me entendia. Suspirei quando o ambiente e meu corpo começaram a ficar mais pesados e adormeci.
Na terceira vez, e última, que acordei, uma voz sotaqueada cantarolava baixinho uma música que eu nunca tinha ouvido, era bonita e calma. Eu gostei. Meu corpo estava dolorido e pesado, era o efeito da morfina se esvaindo. Meus olhos estavam mais pesados, quase não querendo se abrir, então permaneci com eles fechados.
A pessoa que cantarolava se aproximou e acariciou meus cabelos e meu rosto com uma delicadeza tão grande que meu coração saltou. Minha pele reconhecia o toque. Derick.
—Depois de um tempo, achei que nunca te encontraria. Eu convenci a mim mesmo que nunca te encontraria. Quando de repente, eu vi você. — Cantou suavemente, parecia com medo de me acordar. Pegou minha mão de leve e entrelaçou nossos dedos. Todo o sentimento naqueles gestos me fez criar coragem para abrir meus olhos de uma vez. A luz branca queimou e esbranquiçou minha visão por um tempo, mas nada que algumas piscadas não resolvessem. Fitei ele que estava ao meu lado, sentado precariamente na cama branca com cheiro hospitalar. Franzi o nariz com o perfume de vampiro impregnado no lugar e pisquei mais uma vez, me acostumando com a claridade ofuscante. A sensação reconfortante da presença de Derick fez a dor abrandar um pouco, o perfume dele diminuía o desconforto que o cheiro doce proporcionava. Minha garganta estava seca, minha língua tinha gosto de algodão. Eca!
—Pensei que não ia acordar nunca mais, Principessa Addormentata. — Sussurrou, sorrindo doce para mim. Ofereceu-me um copo de água cheio ao qual eu aceitei prontamente. Tentei me levantar sozinha, mas qualquer movimento doía em um ponto distinto e, prevendo isso, ele me ajudou delicadamente a manter-me sentada e tomar alguns goles da água refrescante. Ele afofou alguns travesseiros em minhas costas e acariciou meu rosto com aquela gentileza típica dele que me fazia sorrir, porem uma pontada especialmente forte fez com que uma careta surgisse. -Não se esforce muito, Mio Bene. Ainda está mal.
—O que aconteceu comigo? — Questionei, vendo seus dedos apertarem com mais força os meus, seu dedão afagava carinhosamente minha pele.
—Bom, você sofreu uma série de traumas. Tipo atravessar uma árvore, quebrar três costelas, um braço e dar um jeito de não querer deixar que Carlile te ajude na recuperação de seu corpo. Foi um perrengue muito grande. Eu tive que sair daqui arrastado. — Riu sem humor, chegando mais perto. As olheiras em seu rosto me preocuparam. -Ver você gritando estava acabando comigo, e meu lobo quase pulava em cima do Cullen quando ele chegava perto de você e... Bem... Tive que ficar lá fora, mas aí... Sam e os outros estavam sendo os idiotas de sempre e eu estava mais alterado que o normal e fui expulso daqui de perto por um tempo. Klaus ficou aqui o tempo todo. Seth também. Eles estão lá fora, descansando um pouco.
—Foi expulso da casa dos Sanguessugas? — Perguntei, segurando o riso. -O que fez a Esme para que ela te expulsasse da casa dela?
Ele deu de ombros.
—Quis arrancar a cabeça do Embry e do Paul no tapete gelo dela. Acho que no final todas as mães são iguais, certo? Seja vampira, transmorfa ou humana. — Respondeu, dando de ombros em descaso. Uma pequena gargalhada saiu, mas como consequência minhas costelas reclamaram um pouco.
—Não me faça rir, idiota. Isso dói. — Ranhetei, passando o braço pelo lado machucado. Algumas faixas estavam lá, enroladas em algumas ervas estranhas. Meu braço esquerdo tinha uma tala, mas nada me incomodava lá. Minha pele estava cheia de curativos, porem eu sabia que todos já estavam curados.
Ele se inclinou, acarinhou minhas costelas e beijou minha bochecha demoradamente. Passei meu braço livre por seu pescoço, puxando-o para mais perto em um abraço torto. Algo me dizia que ele precisava da confirmação de que o perigo havia parado por enquanto.
—Ei, eu estou bem. — Disse, abafada por seu pescoço. Seu perfume era tão bom, meu Deus! A sensação de segurança. -Está tudo bem agora.
—Já estava ficando louco. Sabe, eu sei que nós nos curamos rápido, mas... Eu ainda fiquei tão preocupado. — Murmurou, selando um caminho de beijos por meu rosto. Fechei os olhos, aproveitando do mimo. -La mia principessa guerriera. — Juntou nossas testas e me olhou, sorrindo aliviado. -Estou tão orgulhoso de você!
Minhas bochechas coraram.
—Não fiz nada demais.
Beijou meus lábios, nada profundo ou malicioso, só num toque inocente e puro. Uma demonstração de afeto. Suspirei.
—Você sabe que fez, sim. — Nos afastou alguns centímetros. -Aliás, obrigada por cuidar de Joe e Klaus quando eu não estava, e de mim também quando eu não estava prestando atenção o suficiente.
Encolhi os ombros, acanhada com a admiração de seu olhar.
—Pensei que iria ouvir um sermão gigante por fazer isso.
Ele riu e deu um jeito de se deitar, encolhidinho, com a cabeça em minhas pernas.
—Acredite, o discurso já estava pronto, mas ai eu cai na real de que eu também faria a mesma coisa se a situação fosse ao contrário e você sabe disso, portanto iria jogar a verdade bem na minha cara, então achei melhor te agradecer e ficar na minha.
Assenti, rindo.
—Ótima escolha. — Arrumei sua franja, tirando-a de seus olhos. -E quando eu posso ir embora? Esse cheiro está me dando nos nervos.
Ele fez uma careta engraçada.
—Desculpe, Amore, mas ainda ficará o resto da noite aqui. Só por precaução.
—Argh, okay. — Resmunguei, rolando os olhos. -Klaus está bem? Joe e Seth? Jake? Allan? — A preocupação instintiva deu o ar de sua graça.
—Sim, todos bem. A única que se machucou para valer foi você, Leah. Klaus teve algumas escoriações bem feias, assim como alguns dos do bando do Sam, mas todos já se recuperaram enquanto você dormia tranquilamente por um dia inteiro.
Pisquei, assimilando toda a informação.
—Um dia inteiro? Caramba... Por isso não estou com sono.
—É, nós te demos morfina com verbena. É um ótimo derruba lobo.
—E as coisas entre você e os garotos estão normais? Já fizeram as pazes?
Ele revirou os olhos.
—Não vou me desculpar por nada se é o que está querendo dizer. Eles foram ignorantes, eu só retribui o favor.
—Rick, não precisa se indispor com eles por minha causa. — Seu olhar surpreso, altamente camuflado pela expressão indiferente, não passou despercebido por mim. -Eu ouvi um pouco da discussão do lado de fora. Eles são assim. Sempre foram. Deixe que falem, eu não ligo. Eu só me preocupo se todos estão bem. Fico feliz que Seth, Nik, Joe, Allan, e você estão bem e salvos. Se eles pensam que é só uma forma de arrumar atenção... Bem, que se fodam todos então.
Ele gargalhou e meu coração se alegrou.
—É ótimo que pense assim, mas eu não consigo. E isso não vai ficar barato. Assim que você se recuperar, vamos fazer uma reunião com todos os lobos. Sam e Jacob tem que ouvir algumas verdades. — Virou seu rosto e beijou a pele de minha coxa. A roupa suja de terra chamou minha atenção. A lembrança de que estava pelada quando a dor era insuportável demais para ligar para vergonha pinicou em minha mente. Meu Deus!
—Quem pegou minhas roupas?
—Seth e Dona Sue. Eles trouxeram para você. Dona Sue me tirou daqui para vesti-la, mas, sabe, eu já tinha visto tudo. — Um sorriso malicioso se repuxou em seus lábios. -Mas, fique tranquila, Principessa, eu estava preocupado demais com os seus gritos para deixar a cabeça de baixo pensar em algo mais sensual.
Arregalei os olhos, batendo em sua testa.
—Alexander!
—Oh, você fica tão sexy falando meu segundo nome. Virou meu fetiche agora.
—Pervertido!
—Você me deixa assim, Amore.
Ri, balançando a cabeça, desacreditando no que ouvia.
—Será que faremos aquilo de novo? — Não precisei especificar o que era para ele entender. A ligação mental que tínhamos mantido mesmo em formas diferentes ainda me fazia ter borboletas no estomago.
—Bom, eu acho que sim. Mas se for para ser apenas em momentos como aquele, tomara que não aconteça mais. — Beijou novamente minha coxa, dessa vez de forma mais ousada. Um arrepio subiu quando sua língua acariciou a derme sensível e sugou levemente, quase em um chupão.
—Rick, para... Não estamos em casa! Controle-se! — Sussurrei, tentando tirá-lo de minhas pernas, mas minha condição quase não permitia muitos movimentos.
—Desculpe, não consigo ficar longe de você!
—Está grudado em mim!
—Não grudado o suficiente!
Rolei os olhos, ajeitando-me melhor, de modo com que ele ficasse mais confortável.
—Pare de assanhamento, idiota, que agora é a sua vez de dormir. Descanse um pouco, suas olheiras estão horríveis.
Ele negou.
—Tenho que cuidar de você.
—Não, não tem. Eu já estou ótima, novinha em folha. E você precisa de energia para tretar com mais dois alfas. Vamos, Rick, só um pouquinho. Eu juro que se sentir alguma coisa, te chamo na hora.
—Promete?
—Prometo.
—Tudo bem, então. Mas só um pouquinho, eu nem estou tão cansado assim.
Fingi que acreditei e fiz cafuné em seus cabelos, ele suspirou e começou a cantarolar novamente: -Como um telescópio, eu vou te puxar para tão perto, até que não tenha nenhum espaço entre nós. E de repente eu vi você. De repente eu vi você. Eu estava quebrado em mil pedaços, até você me dar foco. Astronomia ao contraio, fui eu quem foi descoberto. E de repente eu vi você...
Sua voz foi diminuindo e diminuindo, até que se extinguiu e sua respiração se igualou, mostrando que ele havia entrado em sono profundo. Continuei acariciando-o até dormir também. Ao contrário do que disse, Derick só acordou na manhã do outro dia.
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