Leah - I See You
3 Capitulo 3 - Acolhendo gente estranha.
Notas iniciais
Dormi apenas algumas horas para depois acordar da mesma forma que estava antes de passear na praia. Minha cabeça estava a mil, meu coração batia acelerado, minhas mãos suavam e uma onda de ansiedade me tomava por inteiro. Já estava cansada de ficar deitada, mas não queria sair da cama.
Sabia que todos estavam acordados e tomando café, sabia que deveria levantar, mas minha intuição me dizia que algo ia acontecer hoje. Algo grande. E, levando em conta minha sorte contestável, não seria algo bom.
Apesar de querer me fundir ao meu quarto e ficar em paz, ouvi mamãe me chamando da cozinha e resolvi descer. Ela sorriu quando me viu no último degrau da escada.
— Leah, sente-se e coma rápido. — Disse, andando de um lado a outro. -Sam ligou, disse que quer falar de um assunto importante com todos presentes.
— Sam não manda em mim. Ele nem é meu alfa. — Sentei, brincando com um garfo em meu prato. Sam podia esbravejar o quanto quisesse.
— Jake pediu para nós irmos também, mana. — Seth fitou-me com uma expressão marota.
— Ótimo! — Revirei os olhos, irritada. Alfas idiotas!
Comi em silencio enquanto escutava Seth falar, e falar, e falar, e falar, como uma vitrola velha sem a devida manutenção. Quando acabei e ia subindo de mansinho, tentando escapar de toda aquela baboseira, mamãe pigarreou.
— Você tem dez minutos para estar de pé aqui, na minha frente, Leah.
Bufei em resposta e subi ao quarto, coloquei a mesma blusa creme, a mesma bermuda jeans, os mesmos all stars e desci.
— Ei, Leah, você só tem essa roupa? — Seth perguntou de modo gozador. Mostrei-lhe a língua. – Muito maduro, obrigado.
— Cala boca!
— Seth, não implique com a Leah. Você sabe como ela é e ainda fica mexendo, meu filho. — Mamãe repreendeu calmamente enquanto saía em direção à porta conosco em seu encalço.
— Como assim "você sabe como ela é"? — Perguntei com uma careta.
— Querida, eu te amo, mas você sabe que é um pouco... Difícil, às vezes. — Mamãe deu-me um sorriso suave.
— Difícil? Ela é terrível! — Seth exclamou entre risadas. O mandei meu pior olhar e os segui em silêncio.
Charlie estava parado do lado de fora com sua viatura. Mamãe cumprimentou-o com um selinho casto, Seth exclamou um “Oi!” animado e eu apenas entrei no carro. Rolê de viatura em direção à reunião de alfas, ótimo jeito de começar o dia
Eu queria ir à essa reunião idiota? Não. Eu queria ir à casa de Emily e Sam? Não. Eu queria “socializar” com aquelas pessoas que não estão nem aí para mim? Não. Eu pedi que alguém me levasse? Não. Alguém pediu minha opinião sobre andar neste treco chamativo? Não. Preciso ser educada com o pai da sanguessuga apenas por ele ser namorado/noivo da minha mãe? Não!
O caminho foi infestado de conversas sem importância que não me prenderam a atenção. Sempre que conseguia entender do que estavam falando, um par de olhos azuis se enfiava em minha mente e aquela sensação angustiante de pedaço faltando aparecia. Queria correr, correr sem saber para onde, talvez sobrevoar o mar e ver o que me esperava do outro lado. Respirar normalmente. O que está acontecendo comigo, afinal?!
— Mana, o que você tem? — Seth me perguntou de repente, desfocando meus pensamentos. O azul do céu parecia muito aquele tom conhecido.
— Ãhn? Nada, não tenho nada. — O olhei perdida momentaneamente, balançando a cabeça, tentando realinhas a mente.
— Leah, está bem mesmo? Está muito pensativa ultimamente. — Mamãe mirou-me pelo retrovisor, preocupada.
— Já disse que não tem nada de errado. — Murmurei rispidamente, incomodada com toda aquela atenção, e a ouvi suspirar.
Charlie parou o carro, esperando nós descermos, e se despediu com um aceno rápido. Emily estava do lado de fora de sua casa com um sorriso doce e meigo no rosto. Aparentemente, esperando para recepcionar a todos com seus abraços carinhosos, como a perfeita dona de casa, companheira do alfa. Eca!
— Tia Sue. — Cumprimentou mansamente, abraçando mamãe. — Vocês estão atrasados, mocinhos. Sam, Jake e os outros já começaram a reunião.
— Leah sabe enrolar quando quer. — Mamãe respondeu, já entrando.
O olhar de Emily se voltou para mim. Como ela tinha coragem de sorrir para mim normalmente, como se nada tivesse acontecido, era um enigma na minha opinião.
— Leah, como vai? — Se aproximou, acho que tentando me abraçar. Dei um passo para longe ao perceber seu movimento, me esquivando. Poderia ter os perdoado, porém cicatrizes não se curam tão rápido assim.
— Bem, obrigada.
— Isso é ótimo. — Sua voz continuava calma e materna, apesar de seus olhos estarem cabisbaixos.
— Pois é. — Sussurrei enquanto passava pela porta.
Todos estavam lá. Paul, Jared, Jake, Quil, Embry, Collin, Brady, os membros do conselho, as garotas dos lobos e Sam. Todos espalhados, mas conectados em conversas animadas.
Fiquei em um canto da parede, calada, apenas observando. Consequentemente, vi quando Emily entrou e um sorriso apareceu no rosto de Sam. Ele passou a mão por sua cintura e a trouxe para perto dele com olhos apaixonados. Aquilo fez meu estomago embrulhar. Quer dizer, todos conversando alegres, todos aqueles sorrisos, o ambiente familiar, o romance entre os casais, fez meu estomago dar cambalhotas. Mas, como sempre, minha expressão de indiferença se manteve em meu rosto. Era justo eu me sentir tão deslocada enquanto todos pareciam felizes em seus mundinhos? Eu era egoísta por pensar assim?
— Já que todos chegaram, vamos começar. — Sam começou. — Neste último mês, outra matilha fez contato. Eles disseram que precisavam de abrigo e ajuda, disseram que tinham problemas... Problemas com os Volturi.
Ouvi ofegos e exclamações de surpresa por toda a sala. Eu nem sabia que outras matilhas eram mesmo possíveis desde o encontro nada agradável com os encapuzados.
— É, eu sei. Na hora em que ouvi o nome de seus inimigos, quis contestar falando que já tivemos problemas suficientes, mas o alfa me fez pensar no assunto após dizer, resumidamente, a história toda. Ele se chama Derick Abbado e mora com sua família e a matilha em uma cidade chamada Lupi Luna, perto de Volterra, na Itália, na terra deles.
Okay, devo estar ficando louca mesmo, porque sentir arrepios ao ouvir o nome de um estranho não é uma coisa muito comum.
— Ele vivia feliz e normalmente, caçando sanguessugas, fazendo rondas, protegendo as pessoas de sua cidade, especificadamente, a mesma coisa que nós fazemos aqui. Mas, tudo começou a mudar quando, meses atrás, os membros da matilha começaram a desaparecer misteriosamente. Ele procurou e procurou, mas nunca encontrou nenhuma pista. Até que ele descobriu que alguns dos vampiros que eles topavam eram membros dos encapuzados e que aquele loiro aguado, depois de descobrir que haviam outros "lobisomens" no mundo, começou a caçá-los. Ele ficou desesperado, pois agora só sobraram três lobos e a segurança deles e de sua família é a maior preocupação.
E eu pensando que a minha vida era conturbada. Mas, sinceramente, o que temos haver com isso?
— E como ele nos encontrou? — Embry perguntou com um olhar desconfiado.
Foi Jacob quem respondeu:
— Ele não nos falou como, mas descobriu sobre a quase batalha de Forks e que nós havíamos lutado a favor de vampiros aliados.
— Eu estou pensando em ajudá-los... Porém, preciso da aprovação de todos vocês. — Sam, nos avaliou um por um, esperando pelas opiniões. Os burburinhos e reclamações vieram altos.
— Eu não concordo! — Paul exclamou, irritado. Rolei os olhos. — Nem os conhecemos e vamos instalá-los na nossa reserva? Colocar todas as pessoas daqui em perigo, nossas famílias?!
Sam o olhou seriamente antes de dizer:
— Sim, eu sei. Eles são estranhos, podem muito bem estar mentindo, podem ser perigosos, mas estão precisando de ajuda. E eu não paro de pensar "e se fosse o contrário?". Porque do mesmo jeito que aqueles sanguessugas estão atrás deles, eles podem vir atrás da gente. Ninguém garante que não haja uma batalha mais para frente, afinal, fomos nós que nos enfiamos naquela merda. Pense nisso, Paul... E todos os outros. Pensem que nós talvez temos uma parcela de culpa nessa história toda. Se não tivéssemos aparecido e o loiro não tivesse nos visto, eles ainda estariam bem.
Franzi as sobrancelhas, indignada.
— Nossa culpa é uma ova! Se alguém tem culpa nessa história, é a sanguessuga e a monstrinha! — Sibilei nervosamente. Jacob rosnou para mim. Dei de ombros, fazendo pouco caso de sua tentativa de me intimidar.
— Leah! — Mamãe repreendeu-me com uma voz angustiada. Ela odiava discussões.
— Por mais doido que pareça ser, Leah tem razão. — Kim sussurrou timidamente. — Não é justo falar que é nossa culpa.
Emily deu um passo à frente, pronta para começar seu discurso de bandeira branca.
— Queridos, não façam assim. Nós temos condições de ajudá-los e, claro, de expulsá-los, se eles se mostrarem perigosos. Nós teremos o controle de qualquer jeito. Por que, então, não estender a mão a quem precisa?
Eles ainda pareciam indecisos e isso já estava me irritando.
— Eu concordo, Emily. — Todos me olharam assustados. — O quê? Podemos ajudá-los e podemos chutar a bunda de todos eles se saírem da linha. Agora, vamos logo com isso, tenho mais o que fazer do que olhar para a cara feia de vocês!
Sam sorriu para mim e, incrivelmente, não me senti com vontade de chorar.
— Vamos, gente. E aí? Topam? — Ele propôs animadamente.
Ouvi suspiros e resmungões, mas todos assentiram afirmativamente.
— Ótimo, amanhã dou a notícia a Derick.
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