Leah - I See You
29 Capitulo 29 - Convidados indesejados.
Notas iniciais
—Yeah, boys. Agora é certeza. Eu consigo ouvir cada pensamento impuro e cafajeste de vocês. – Provoquei, ouvindo-os bufar em descontentamento. -Não sei porque se incomodam tanto. Até parece que eu vou sair contando que o Allan tem diversas coleções de bonequinhos de “Os Cavaleiros do Zodíaco”. – Allan rosnou, me fazendo latir uma risada. -Qual é, não foi minha culpa você ter se lembrado deles agora.
—Não sabia que você podia nos escutar, merda!... Quero dizer, quem disse que eu tenho isso? Que calunia!
Rolei os olhos, seguindo Jake, Derick e Sam que praticamente guiavam o caminho mais à frente.
—Estamos perto, deixem a zoação para depois. Se concentrem! – Derick ditou, pegando a dianteira e correndo mais. Todos éramos capazes de sentir os nojentos, isso era um fato. Mas Derick parecia ter um instinto mais profundo, como se soubesse exatamente onde os vampiros colocariam os pés. -Eu sou um alfa e posso sentir quando entram em meu território, Principessa, me lembro perfeitamente de ter dito isso agora pouco. — Rolei os olhos pela resposta malcriada.
—Eu sou um alfa e posso sentir quando entram em meu território, Principessa. Grande coisa! — Debochei, só para o irritar. Ele bufou, mas ignorou a implicância, voltando-se a Jake e perguntando:
—Eles estão a leste correndo em direção aos Cullens. São amigos?
—Não, acho que não. Se fossem amigos teriam avisado... quero dizer, a menos que sejam os amigos de Jasper. Eles são nômades e não tendem a avisar quando passam para ver Reneesme e fazer uma visita. – Jake respondeu, embora tenha parecido confuso com a fala de Derick. Ele e Sam não haviam desenvolvido aquele tipo de capacidade ainda.
—Nômades? Nômades comuns? Daqueles que bebem sangue humano ou dos bonzinhos? – Derick inquiriu, a pontada de escárnio mostrando muito bem que ele ainda mantinha certa aversão aos “bonzinhos”.
—Sim, dos que bebem sangue humano. – Jacob fingiu não ouvir a implicância por trás das palavras dele. -Infelizmente, não podemos simplesmente dizer que não venham mais aqui, pois eles geralmente usam o lado dos Cullens e não matam na cidade nem em La Push, então, só podemos assistir... e, além do mais, Nessie gosta quando a visitam.
Derick se manteve calado, pensando com afinco todas as possibilidades da visita inesperada enquanto seguia o instinto automático em sua cabeça que o direcionava para o lado correto. Era estranho de se acompanhar, confuso demais, esforçado demais.
—Você aprende a conciliar todos os instintos com tempo e o treinamento correto. Eu posso te ensinar. — Derick ofereceu, olhando-me rapidamente antes de um rosnado nada amigável soar ao longe. -Ali, mais a frente. Conseguem ouvir os pés? Não estão correndo sem rumo, nem com pressa. Eles sabem onde vão, tem um objetivo. As passadas são firmes. Eles querem encontrar os Cullens.
—Nessie está aqui. — Jake constatou, surpreso. -Sinto o perfume dela.
—Todos os Cullens estão no limite do território. Tem certeza de que não são amigos? — A mente de Derick fervia, estava começando a ficar confusa com tamanha bagagem de informações.
—Não sei, Derick. Eu não reconheço o cheiro. Mas pode ser algum conhecido antigo de Carlile.
—Não vamos demorar para descobrir. Vejam, eles estão parando. — Klaus observou, vendo lá na frente o quarteto parado em frente ao limite territorial. Os Cullens realmente estavam lá, naquela mesma fileira passivo-defensiva de sempre, porém, pelas expressões em seus rostos, os quatro vampiros desconhecidos não eram amigos.
—O que fazemos? — Allan inquiriu, ansioso pela agitação.
—Nós esperamos. Não sabemos o porquê de eles virem, nem quem são. A melhor estratégia é esperar e ver o que vai ser. — Respondi por Derick, tentando livrá-lo um pouco da enxurrada de preocupações que lhe atingia. Allan assentiu.
Os segundos passaram em completa quietude, e ninguém se atreveu a quebrar o silêncio estranho. Os quatro vampiros desconhecidos observavam a todos com atenção exagerada. As capas longas dos três homens denunciavam de onde e quem eles eram, mas a mulher não, apesar de ser nítido que ela estava com eles. Ela usava um vestido longo preto e antigo, todo cheio de adornos brilhantes. Me lembrava aquelas roupas do século XVI e XVII. Dava para ver o espartilho lhe apertando a cintura e erguendo bem seus seios. A única coisa que dizia que ela era uma Volturi era o volumoso colar de pedras grandes que lhe cobria o colo, o pingente reluzia com a luz solar. Eu já havia visto aquele símbolo antes. No dia da “batalha”.
Dois dos homens eram grandões, fortes. Os músculos de veias saltadas quase me fizeram rir. Seriam um ótimo desafio para Emmett. O outro cara era mais franzino, o rosto mais juvenil que os outros, mas ainda sim forte. Ele não parecia inteiramente confortável com a nossa presença, cheirava a medo. A mulher tinha aparência angelical, inocente. Ela era alta e magra, os cabelos eram castanhos escuros e os olhos brilhavam rubros. Algo naqueles orbes atentos me dizia que ela era a mais perigosa dos quatro.
—Olá, Carlile. Aro manda lembranças. – A vampira tomou a frente, sorrindo levemente.
—Mande-lhe minhas felicitações pelas novas aquisições à guarda. — Carlile devolveu o sorriso, embora este fosse mais duro.
—Então, já sabem de nossa mais recente missão? Que ótimo! É sinal de que o aviso, de fato, foi espalhado com êxito.
—Desculpe, mas... o aviso seria? – Edward se intrometeu, ganhando um olhar cauteloso de Carlile e um sorriso sádico da garota.
—Não há escapatória para quem vai contra a lei e a sua própria espécie. – Ameaçou, o tom doce de sua voz apenas deixou tudo mais sinistro.
Embry rosnou, arreganhando os dentes. Derick resmungou algo sobre tudo estar indo por um caminho ruim. Quase inconscientemente, aproximei-me mais dele.
—Felizmente, alguns aceitam que estão errados e se ajoelham perante seus pecados e nossos patronos, como forma de mostrar a misericórdia de nosso clã, dão-lhes uma nova chance. Ganhamos três irmãos naquela missão. Henry é um deles. Venha cá, querido. Diga-lhes como foi receber uma segunda chance. – Ela quase cantarolou, o sorriso ainda nos lábios finos e vermelhos de batom.
O menino menor foi para o seu lado de cabeça baixa.
—Minha família era traidora. Estavam se reunindo com um grupo de lupinos, conspiravam juntos. Eu fui poupado por reconhecer minha traição perante os Três e aceitar minha sentença sem reclamar ou contestar. Estou arrependido e jurei provar minha lealdade à minha nova casa. – Discursou de modo baixo e sem emoção, como se tivesse decorado aquilo e tivesse repetido muitas vezes. O cheiro do medo ficou mais forte assim que ela o tocou, dando tapinhas me seu ombro em forma de parabéns.
—Veem? A justiça é a forma mais eficaz na purificação de conceitos.
—Certo. – Edward murmurou, sua expressão confusa, incerta.
Carlile pigarreou, desconfortável.
—Bem, desculpe a indelicadeza, mas qual o motivo de sua visita?
Ela lançou um olhar predatório por nós, avaliando com extrema lentidão. Meu instinto gritava para eliminá-la, praticamente dizia-me para abater o que iria nos fazer mal.
—Passarinhos nos contaram que houve certa concentração elevada da espécie lupina nesta região. Viemos averiguar a veracidade de tais rumores.
Allan fez menção de movimentar-se, mas avisei-o para manter-se lá onde estava. Usei Derick como motivo, já que sabia que ele não me obedeceria sem alguma razão boa o suficiente. Se ele atacasse, Derick iria também, e tudo acabaria num derramamento de sangue exaustivo na hora errada. Eles tinham um aviso, algo para falar. E tinham a certeza de que com isso eles conseguiriam escapar de três bandos de lobo e uma família de vampiros. Então, essa coisa ou era muito importante, ou eles eram muito burros e arrogantemente autossuficientes. Derick e Jacob concordaram comigo.
—E pelo que posso ver, há autenticidade. Tsc. — Ela estalou a língua com descaso. -O que faremos agora? Aro ficará desapontadíssimo, ele adora esse bando.
—E por que ele ficaria desapontado? Não estamos fazendo nada de errado. Apenas convivendo em harmonia e mantendo a paz em nossa região. Não é para isso que os Volturi existem? Para manter a ordem e paz entre as espécies? — Edward replicou, Carlile se mexeu claramente desconfortável ao seu lado junto a Bella e Esme. A tensão aumentou.
—Está distorcendo as regras, meu rapaz. Confraternizarmos com o inimigo não é a mesma coisa que manter a paz. Todos sabemos que a rixa é real e mortal. Vampiros e lupinos não convivem. Não há lealdade entre as duas raças, não há trabalho em conjunto. E pelas ordens de Caius, toda a raça inimiga será exterminada.
—Por quê? Só nos diga um motivo para direcionar todo esse ódio para pessoas inocentes! O que ele ganhará com isso? — Carlile inquiriu, incrédulo. A máscara de calma estava começando a cair. Comecei a me preocupar.
—Segurança para todos nós. Ele só está pensando no bem de toda a comunidade vampírica existente, um homem com a sua sabedoria deveria saber disso, Cullen! Isso tudo é para a nossa própria proteção. — Explicou ela, e o jeito com que sua voz foi firme fez-me perceber que ela acreditava mesmo naquilo. Não era algo com que você brinca ou fala apenas porque seus chefes mandaram, ela era uma adepta a causa ignorante daquele pedaço de merda. -Lobos são instáveis, inconstantes, totalmente temperamentais. Põem em risco nossas vidas toda vez que se expõem em algum ataque de raiva, ou algum ato contra nós. Eles merecem a punição depois de anos de tolerância.
—São pessoas inocentes! Pais, filhos, amigos! São humanos!
—Não, não são humanos. Humanos pelo menos nos servem como alimento.
Carlile suspirou, meneando a cabeça. Derick parecia fissurado, o olhar mantido no vampiro menor, desconfiado. Jake estava morrendo de vontade de ir para o lado de Reneesme e puxá-la de toda aquela confusão. O instinto dizia para ele tira-la de lá, era quase impossível de controlar, mas ele estava fazendo um bom trabalho.
—O que farão agora? Matarão a todos nós? — Emmett sorriu, doido para uma resposta violenta. -Acham que dão conta de todos nós juntos?
—Eu tentei avisá-los. Tentei mesmo. Mas a recusa de vocês de verem quão ruim é o caminho que estão trilhando me dá somente uma escolha. — Ela abriu um sorriso infantil e largo. -Serão todos acusados de traição.
Carlile arfou alto. Rolei os olhos. Aquilo já estava me enchendo.
—Traição? Mas...
—Vocês não vieram só para isso, eu posso ver. Você consegue fechar sua mente de algum modo que eu desconheço, mas ele não. Ele é vulnerável. Posso ler tudo a cada palavra chave que solta. — Edward interrompeu papai vampiro de modo calmo, concentrado. -Caius os mandou aqui para verificar de qual lado ficaremos dessa vez. Ele está preocupado com a probabilidade de uma revolta contra eles. Trazer Henry aqui e fazê-lo contar sua história foi apenas um aviso camuflado do que acontecerá se nos juntarmos ao lado errado na guerra que chegará. – Sorriu de lado, naquele seu típico ar sarcástico. -Já fizeram sua escolha, não é? Não existe nenhuma denuncia de traição. Nós já estamos condenados.
—Nada está decidido. Nós somos misericordiosos com os nossos. Ainda há uma chance. — Ponderou ela, mexendo seu vestido de forma distraída.
—Eu jurei nunca acabar com uma vida inocente. Qualquer seja sua espécie.
—Nesse caso, foi uma maravilha conhecer a todos vocês. — Fez uma mesura antiga com sua saia e assim que se levantou os dois vampiros atacaram. Foram direto para Carlile e Emmett. As ameaças que eles julgaram maiores. Sam pulou junto com todos de seu bando e Jake e Seth foram atrás.
—Não! Jacob, Sam, é uma... — Derick não pode terminar seu pensamento, pois algo inesperado aconteceu fazendo meu coração bater mais forte. O garoto de antes, o que Edward chamou de Henry, parecia assustado e indefeso enquanto estava encurralado por Embry, Jared e Paul, mas num segundo uma centena de Henrys surgiu do nada, como clones estranhos com buracos negros ao invés de olhos, atacando meus irmãos sem dó ou qualquer piedade. Estavam sendo massacrados! Desesperei-me quando senti o cheiro de sangue chegar pelo vento forte que bateu. O merdinha era talentoso! Desgraçado!
—Vamos — Allan pensou enquanto a multidão de garotos nos rodeava. -Temos que lutar!
Foi estranho, como se tivéssemos planejado. Postei-me ao lado direito de Derick e Allan pegou o esquerdo, Klaus ficou mais atrás, perto suficiente de mim para eu pudesse senti-lo, Joseph ficou no meio, protegido do perigo dentro de nossa pequena barreira de proteção. Jacob e Seth estavam mais afastados, longe de nós, no meio de toda aquela aglomeração, e por um mínimo segundo perguntei-me por que caralhos eu estava me comportando como se pertencesse ao bando italiano. Derick rosnou ameaçadoramente e o vampiro nojento rosnou de volta, e não precisei mais de resposta. O instinto falava por si só.
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