Leah - I See You
28 Capitulo 28 - Ferragosto.
Notas iniciais
Mamãe não ficou brava por eu ter passado a noite fora como eu havia pensado que ficaria. Na verdade, ela parecia calma até demais, feliz. Dei um sorriso amarelo por ela ter me pego no flagra enquanto tentava fechar a porta com pouco barulho, mas, impressionantemente, Dona Sue não fez nada além de sorrir radiante e me abraçar. Abraçar com força.
—Fico feliz por te ver feliz, minha filha. — Sussurrou, emocionada. Devolvi ao abraço, meio confusa, e sorri.
As horas se arrastaram e quando Seth finalmente havia acabado de se arrumar, já estávamos atrasados. Quando chegamos todos estavam lá sentados em uma mesa grande, que eu não sei onde nem com quem eles arranjaram, rindo e conversando como se fossem uma mesma família no dia de Ação de Graças. Charlie também tinha sido convidado e já olhava ansioso para minha mãe, esperando-a se sentar ao seu lado. Fiquei impressionada ao ver Reneesme ali também, e orgulhosa por Derick tê-la convidado assim como as outras imprintings. Acenei para ela e Jake, e eles acenaram de volta. O sorriso dela era contente de verdade, nada daquele hesitante e inseguro que ela esbanjava quando se reunia conosco ao redor da fogueira. Jake não parava de olhá-la, parecendo hipnotizado pela alegria. Ri com escárnio por sua situação e ele mandou-me o dedo do meio como resposta, ri e dei de ombros, buscando por Derick no amontoado de pessoas. Não tive que procurar por muito tempo, pois ele logo apareceu correndo de dentro da casa, imediatamente encontrando meus olhos e sorrindo para mim. Acompanhei-o com os olhos enquanto ele cumprimentava mamãe e Seth e demorava-se conversando com Jake e Reneesme. Entrei na casa, querendo encontrar Dona Stella e Klaus que não estavam lá fora junto com os outros.
Stella mexia nas panelas de forma fervorosa, concentrada. O cheiro delicioso inundava o ambiente, mexendo com meu estomago e me lembrando de que ainda não havia comido nada desde quando acordei.
—Olá, querida. — Ela disse sorridente.
—Olá. — Respondi, casualmente, enfiando-me em seu espaço e xeretando nas panelas. Enfiei um dedo no molho e experimentei. Era doce e salgado ao mesmo tempo, agridoce, com a quantidade certa de tempero para que sua boca parecesse uma enorme avalanche de gostos. -Uau, isso está ótimo!
Ela arregalou os olhos, empurrando-me delicadamente de perto do fogão e sorrindo sapeca.
—Grazie, engraçadinha, mas será que vou ter que te pôr para fora igual à Derick? Ele não parava de tentar "provar" a comida também.
—Não conseguimos evitar. — Defendi nós dois, dando de ombros. -É instinto, Stella. Temos que comer muito, sabe? Para saciar o lobo. Ele fica bem perigoso quando está com fome. A senhora não quer ver ele com fome, não é? — Gracejei, sorrindo com a forma teatral que ela abriu a boca, indignada.
—Com isso eu sou obrigado a concordar. — Klaus murmurou ainda encostado na mesma parede de antes. Sorri ligeiramente com a iniciativa dele de se enfiar em uma conversa, mas me controlei, de forma bastante eficiente, para parecer indiferente.
—Claro que você concorda. É um ótimo argumento!
Ele rolou os olhos e eu pude perceber com mais facilidade as olheiras em tom de hematoma em baixo de seus olhos.
—Você seria uma ótima advogada, Leah.
Pisquei para ele, conseguindo arrancar um mínimo sorriso... Se é que podemos chamar aquele rápido repuxar de lábios de sorriso.
—Vamos comer? Já está pronto. — Dona Stella avisou. -Chamem os outros para pegar as travessas.
Assentimos e Klaus se moveu para o armário, pegando os talheres.
—Ei, Allan, Joseph, Idiota, Stella está chamando! — Gritei da porta mesmo. Eles se levantaram quase no mesmo instante e entraram. Derick tinha uma expressão fofa de indignação no rosto, ri de seu biquinho. -Oh, o que aconteceu para estarmos com essa cara?
—Por que você os chama pelo nome e usa um xingamento para me chamar? Não seria eu quem deveria ser o privilegiado aqui? — Queixou-se, cruzando os braços. Ergui-me na ponta dos pés e beijei seus lábios rapidamente. Ele tentou, inutilmente, esconder o sopro de um sorriso.
—Você é o privilegiado daqui, otário. — Esclareci, sorrindo para ele. -Como ainda não percebeu? Agora vamos, eu estou morrendo de fome! — Puxei-o pela mão.
Depois de a mesa estar devidamente arrumada e abarrotada de comidas dos mais variados tipos, sentamo-nos todos para finalmente comer. O cheiro divino passeava ao meu redor, fazendo a fome se acentuar ainda mais. Peguei uma quantidade generosa de macarrão e de alguma coisa que eu não sabia o nome, mas que tinha uma cara extremamente boa. O sabor explodiu em minha boca quando dei a primeira garfada. Não sei se pela fome, ou pelo tempero delicioso de Dona Stella, mas o gosto me fez fechar os olhos e suspirar. Céus, aquilo era ótimo!
—Então essa é a sua expressão de êxtase? Bem, interessante. — Derick comentou maliciosamente. Minhas bochechas queimaram.
—Babaca! — Xinguei-o, não hesitando em mostrar-lhe o dedo do meio. Ele gargalhou e continuou a comer como se não tivesse feito nada.
Após o terceiro prato que havia comido, constatei que o tempero italiano mesmo é que era deliciosamente insuperável! Por todos os espíritos antigos, aquilo não era uma massa, era a massa! Recostei-me no encosto da cadeira, sentindo-me cheia. Derick e todos os outros lobos continuavam comendo.
—Se continuar comendo não vai ter espaço para a sobremesa. — Murmurei em meio a um bocejo que escapou. Ele levantou os olhos de seu prato apenas por um segundo.
—E?
—E que se você não comer o que eu fui obrigada a fazer estará em sérios problemas.
Ele riu e colocou mais lasanha em seu prato.
—Até onde eu sei, você foi quem se ofereceu para ajudar, mas tudo bem, diga do seu jeito. E pode ficar tranquila, Principessa, vai ter espaço suficiente aqui para a sua maravilhosa sobremesa.
Franzi as sobrancelhas.
—Por que eu senti um pouquinho de sarcasmo no final dessa sua frase, Abbado?
O sorriso aumentou.
—Não tenho a menor ideia.
—Você não está querendo dizer que minha sobremesa não ficou boa, não é? — Sibilei, começando a me irritar.
—Nunca, Mio Bene. — Defendeu-se, os olhos inocentes demais para alguém acreditar.
—Você não está nem tentando ser convincente! — Rangi os dentes com a gargalhada dele. -Idiota!
—Esquentadinha! — Revidou, desafiando-me.
—Otário!
—Trouxa!
—Palhaço!
—Marrenta!
—Chega, não é? — Mamãe intercedeu, a voz firme com aquele tom de mãe. Rolei os olhos e bufei, Derick arqueou a sobrancelha ainda me provocando.
—Isso não acabou. — Ameacei. Ele riu.
—Estou tremendo de medo, Amore.
—Não aprenderam o significado de "chega"? — Foi a vez de Dona Stella se pronunciar.
—Desculpe. — Eu e ele dissemos em uníssono.
Derick ainda comeu mais dois pedaços de lasanha para depois comer mais três pedaços da torta de nome estranho que eu havia preparado junto com sua mãe. Modéstia parte, a torta estava... Mentira, modéstia porcaria nenhuma. A sobremesa estava maravilhosa mesmo e o crédito era todo meu... Quero dizer, 45% do crédito era meu, o resto era todo de Dona Stella.
Depois da letargia de pós-almoço chegar, Allan teve a gloriosa ideia de que para aquilo ser uma legitima comemoração precisava de música e logo o som rolava solto por um rádio velho ligado a tomada. Jake foi o primeiro a puxar Reneesme para dançar, o sorriso radiante dela mostrou a aprovação de seu gesto. Depois, todos os outros casais foram um a um para o meio da muvuca. Derick me olhou, perguntado com os olhos se eu queria dançar também, ele não me parecia muito disposto a se exercitar depois da tonelada de comida que havia consumido, eu também não. Neguei, batendo sugestivamente em meu estomago. Ele riu e sussurrou um sonolento "Te entendo.", deitando a cabeça na mesa.
—Costumávamos comemorar todos juntos. — Stella disse de repente, se sentando onde Klaus estava minutos atrás, ao meu lado. -O bando inteiro ia para a casa de Sebastian e ficávamos lá até tarde da noite. As crianças brincavam e os adultos conversavam e dançavam por horas e horas. Alexander amava quando os feriados chegavam. Qualquer um deles. Ele abria um sorriso tão lindo no rosto que... — Ela parou, suspirando tristemente. A dor que pude ver em seus olhos fez uma sensação ruim cair por meu corpo. Era aquele tipo de dor excruciante, sem fim. A dor de perder o imprinting. -Derick herdou o sorriso dele... Herdou muitas coisas de Alexander, aliás, o cabelo, os olhos, a personalidade, mas o sorriso... O sorriso é exatamente igual. — Derick levantou a cabeça e pela condição de suas bochechas, ele estava envergonhado. Sorri, achando tão bonitinha aquela carinha! -Já faz um tempo que eu queria agradecer por dar-me a oportunidade de ver esse sorriso novamente, querida... Obrigada. — Agradeceu, apertando meu ombro gentilmente. Arregalei os olhos, surpresa.
—Oh... Não há nada para agradecer. Sério, eu... — Olhei nos olhos azuis dele. -Vê-lo sorrir é o que me faz feliz.
Ele piscou sapecamente.
—Via de mão dupla.
Dona Stella nos observou por um momento, sorrindo emocionada, e depois se levantou dizendo que ia chamar os adultos para uma partida de pôquer. Os adultos que ela mencionava eram apenas mamãe, Charlie, Billy e velho Quill, claro.
Após alguns bons minutos de tédio em que nenhum de nós dois disse nada, Derick levantou-se de supetão, estendendo-me a mão.
—Vamos dançar. A inquietação de não fazer nada se sobrepõe a preguiça depois da comida.
—Ah, qual é, Derick! Eu amo não fazer nada. Vamos continuar aqui, por favor. — Resmunguei, negando com a cabeça.
—Qual é, está chato aqui. Eu estou quase morrendo de tédio!
Rolei os olhos.
—Eu sou chata e gosto do tédio.
Foi a vez de ele girar os olhos.
—Disso eu já sabia. Agora, vamos, por favor! Prometo não te encher mais.
—Eu não sei dançar, Rick. — Fiz manha como última tentativa de convencê-lo, mas era uma causa perdida, o sorriso doce dele já havia ganhado aquela discussão.
—Eu posso muito bem te ensinar, Single.
Bufei, aceitando sua mão e sendo levada bem para o meio da aglomeração. Reconheci o som característico do tango e me surpreendi.
—Então quer dizer que italianos dançam tango? Eu aprendi na escola que vocês dançam tarantella. — Provoquei, sorrindo com o arquear de sobrancelhas dele.
—Os Abbados são italianos diferentes, Principessa. Nós temos nossas peculiaridades. Você sabe. — Sussurrou, puxando-me pela cintura. -Vou te mostrar algumas com o tempo. Lo tango Italiano é uma delas.
A gargalhada de Reneesme roubou minha atenção por um segundo para apreciar as cenas engraçadas que se desenvolviam ao nosso redor, como a careta engraçada de Jake ao fazer a tentativa desastrosa de uma dança da chuva, Sam e Emily passando por nós rodando e sorrindo, expelindo doçura, assim como Jared e Kim logo depois. Rachel e Paul indo aos amassos para trás da casa com uma “discrição” invejável, Seth e Joseph rindo maliciosamente em um canto, enquanto Allan paquerava uma prima de Kim que sorria inocente, aceitando os galanteios.
Derick me cutucou levemente, chamando minha atenção para si novamente. Seus dedos suavemente desceram por minha pele, movendo meus braços onde ele queria que ficassem. Um arrepio pinicou quando ele aproximou ainda mais nossos corpos e posicionou sua mão em minhas costas.
—Agora, relaxe. Siga meus passos. — Sussurrou, começando a se movimentar. Atrapalhei-me um pouco e gargalhei quando pisei em seu pé esquerdo sem querer. Ele riu também e continuou. Encarei seus pés, tentando acompanhá-lo de uma forma menos desnorteado e mais fácil, porem seu dedo logo puxou meu queixo para cima. -Olhe para mim, Principessa Mia. Só para mim. Esqueça o resto.
E eu olhei. Fitei seus olhos profundos e me perdi no céu tempestuoso deles, no jeito sedutor de seus movimentos, no sorriso cafajeste e carinhoso que ele abria para mim. Ele conduzia com maestria, elegância. Sua aura esbanjava poder e dominação, e eu me senti extremamente hipnotizada por ela. Meu corpo copiava o seu de forma muito mais simples agora, como se tivéssemos conectado nossas energias, nossos corações.
—Sente isso? — Murmurou, me rodopiando rapidamente e segurando-me de volta. Suspirei, seu toque me relaxava.
—Via de mão dupla. — Respondi, repetindo suas palavras. Mais rápido do que eu pensava, a última nota da música soou e ele me inclinou naquela posição clichê, apenas para sorrir e beijar minha testa carinhosamente.
—Leah Clearwater, agora você dança. — Falou ele, endireitando a nós dois. Senti falta de suas mãos me rodeando assim que ele as retirou de minha cintura. -Muito bom para alguém que não sabia dançar.
—Tive um professor razoável. — Impliquei, sorrindo. Ele gargalhou e logo me puxou de volta para outra rodada de dança, porem no meio da terceira música, ele parou de repente. Sua postura mudou, seus olhos se estreitaram e seu peito subiu em uma respiração funda. Algo estava errado.
—O que? — Perguntei, preocupada com sua reação. Ele fitou-me, o lobo transparecendo como sombra por trás de seus olhos.
—Vampiros. Na floresta. Estão chegando cada vez mais perto. Não são os Cullens.
—Como sabe disso? — Sam inquiriu desconfiado, praticamente brotando do chão com Emily ao seu lado. Derick lhe dirigiu um olhar gelado.
—Eu senti quando estranhos entraram no meu território. Você também deveria ter sentido, já que é o alfa que comanda essa área.
—Eu estava distraído. Todos estávamos. – Respondeu confuso.
—A primeira coisa que deveria ter aprendido desde que se transformou, Sam, é que não há tempo para distrações. Vampiros estão em todos os lugares e se um alfa se distrai e esquece-se desse fato, coisas ruins acontecem. Você precisa permanecer alerta. – Derick ditou quase automaticamente, olhando para a floresta ao nosso redor, como se tentasse escutar ou sentir algo.
Sam pareceu levemente abalado com a resposta direta, mas logo se recompôs. Acho que ninguém havia falado com ele daquele jeito, repreendendo-o com aquele tom.
—Acho que não preciso que alguém me diga o que eu devo ou não fazer.
Um sorriso sarcástico surgiu nos lábios de Derick, porem ele nada disse. Toquei seu braço, buscando acalmar os ânimos dali. Ele sorriu para mim, dando de ombros e chamando com o dedo os três lobos de seu bando.
—Temos companhia. Que tal uma visitinha de cortesia? – Rick sugeriu, cruzando os braços, parecendo nem perceber a carranca no rosto de Sam.
—Diversão de verdade, finalmente! – Allan exasperou, erguendo as mãos ao céu e fazendo uma dancinha da vitória bem escrota.
—Quantos? 3? Fácil. — Joseph abriu um sorriso grande, animado.
—4. Um está mais afastado. — Derick corrigiu-o. E eu me impressionei com a habilidade incrível deles. -Como vai ser? Todos iremos ou...
—Todos iremos. — Sam manifestou-se quando viu que Derick estava se dirigindo a ele. Collin e Brady fizeram um high-five com alegria... -Collin e Brady, vocês ficam aqui cuidando da reserva junto com os mais novos. — Que deveria ter esperado um pouco mais.
—Mas, Sam! — Eles exclamaram em uníssono. -Até Seth vai!
—Seth não pertence a minha alcateia. — Respondeu simplesmente, o rosto sério. Os dois bufaram e se sentaram, demonstrando seu desagrado. -Vamos?
—Hora de brincar! — Klaus murmurou, um sorrisinho diabólico se repuxando em seus lábios. Sorri para ele, aprovando sua reação. Era bom ele extravasar o que sentia. Quebrar alguns vampiros era uma ótima forma de fazer isso.
Apertei os dedos de Derick, despedindo-me, fui até Jacob e Seth, e juntos, os três bandos, nos transformamos e corremos em direção ao cheiro extremamente adocicado.
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