Leah - I See You

27 Capitulo 27 - Convivência e seus benefícios.


Notas iniciais
A DEMORA TEM EXPLICAÇÃO, ABAIXEM ESSAS PEDRAS!!! Sério, gente, a bad me pegou de um jeito muito estranho por esse mês. Tipo, foi daquelas fortes mesmo. Eu não conseguia continuar o capitulo de onde eu tinha parado e só o que conseguia escrever, com aquele esforçinho básico, foram as cenas tristes da fic. Alias, se querem saber, a cena da morte de uma das personagens acaba de ser escrita e está realmente esmagadora. Culpem meu signo afetuoso e todo sentimental, Peixes. Eu tentei, juro que tentei escrever. Vi vídeos e mais vídeos fofos sobre meus shipps (especificadamente sobre JiKook e NanJin) para ver se ajudava de alguma forma, mas toda aquela fofura só me deixava mais para baixo. Mas, enfim, depois de muito tempo, a tristeza passou e a inspiração veio de um lugar tão inesperado que eu tenho que compartilhar com vocês! Foi em uma roda de capoeira! Eu estava lá, morrendo de tédio e sentimentos ruins, observando as pessoas enquanto a minha prima ia comprar juju, sentada num banquinho na praça, quando a música começou e o jeito swingado de um dos jogadores sugou toda a minha atenção! Eu não sei quem ele era, só ouvi o riso gostoso dele ao fazer o que amava e aquilo foi tão INSPIRADOR que eu tive que voltar correndo para casa e escrever! Sério, minha prima me deu um gelo digno de Leah Clearwater depois de eu tê-la deixado lá sozinha. Graças a Hades, tudo deu certo e eu terminei o capitulo. Aleluia!! Peço mil desculpas pela demora e tenho um projeto em mente para me redimir com vocês. Após o capitulo 28, talvez (frisem o talvez) eu vá postar algum bônusinho por ai, mas só se isso der certo e tudo acabar bem. Eu ainda não estou tão bem assim, então as coisas ainda precisam de mais um pouco de tempo. Enfim, obrigada pela paciência que vocês tem para acompanhar essa fic e me apoiar com comentários, MP's, favoritos e recomendações. Obrigada mesmo, gente! Mando abraços fofinhos e cheirosos para Nessie Carlie Cullen, Evy Bianchi, Gabriela Gomes, Dudis Clearwater, Terumy M W Lahote, Thaynara Gianvecchio, Erica Mikaelson Salvatore, CatrinaEvans, Sinistra, bellinhaSullivan, Ali Clearwater, Bella Hathaway e Alphaa por terem comentado lindamente no capitulo anterior e por fazerem com que o capitulo saísse mais rápido. Obrigada, meus queridos! Vocês não fazem ideia do quão importante isso é para mim!! Espero que vocês gostem!! Boa Leitura *-------* Sabe, comentários seriam muito legais!! Tipo, todo mundo comentando e dizendo o que achou, e mostrando o nomezinho de cada um no meu feed... Aiii, que emoção seria ver isso!! Tradução: Prima le signore, prego = Primeiro as damas, por favor. "la sua benedizione" e "Dio vi benedica" seriam expressões para pedir a benção. Isso não é uma tradição italiana tipica, varia de família para família.

Os dias passaram voando e tudo se acalmou, em partes. Trizolli ligava todos os dias para Derick e insistia em sempre falar com Klaus primeiro. Bordin não gostava de toda aquela atenção, é claro, mas respondia a todas as perguntas com toda a educação fria que possuíra desde a morte de seu pai. Ele havia se fechado mais depois daquele dia, ficando sozinho pelos cantos e repelindo todos os que tentavam conversar sobre algo mais pessoal. Nós não havíamos nos falado desde que ele saíra de minha casa na noite em que Derick me pedira desculpas, apenas trocávamos olhares significativos. Eu sabia que ele superaria aquilo em algum momento, e ele sabia que tinha meu total apoio levando o tempo que levasse. Não era como se eu pudesse julgá-lo por se isolar, eu havia feito isso também. Compreendia sua dor e conhecia o modo como ela se mostrava duradoura.

Allan e Joseph também se afetaram com a tragédia e agora ficavam paranoicos com cada ligação de Trizolli, temendo pela vida de seus entes. Derick tentava fingir que estava bem com a condição de seu bando, mas ele sabia que não me enganava. E aquilo deixava-me mal também.

Dona Stella não aparentava estar muito preocupada, como o filho ela conseguia controlar muito bem suas expressões e esconder seus sentimentos. E como em seu filho, eu conseguia ver com facilidade a preocupação latente brilhando por trás dos orbes azuis. Ela passava um tempo de qualidade em casa com minha mãe, haviam virado ótimas amigas com suas fofocas sobre nós.

No dia 14, ela fez questão de convocar a todos os lobos para sua nova pequena casa para uma comemoração da qual eu nem sabia da existência. Algo como Ferragosto. Não sei, não havia entendido muito bem. Todos concordamos, claro. Era quase impossível dizer não a empolgação dela.

—Afinal, o que é Ferragosto? — Inquiri, realmente curiosa. Derick riu, o rosto enfiado em meu pescoço.

—É um feriado na Itália. É o dia em que a Virgem Maria foi para o céu para sentar-se ao lado do seu filho, Jesus. — Explicou, beijando delicadamente aquela área. Suspirei, tendo dificuldades para me concentrar.

—Oh, okay. Vocês são católicos? Mesmo com todas essas lendas politeístas?

Ele riu novamente, parecendo se divertir com minhas perguntas... Ou talvez com as reações de meu corpo para com seus carinhos.

—Minha mãe é uma católica fervorosa, mas é meio difícil não acreditar em tudo depois de ter visto seu marido e filho virando lobos gigantes na presença de vampiros.

Gargalhei com sua frase. Ele levantou-se de repente, um sorriso grande nos lábios.

—Ei, falando na minha mãe, quer ir lá para casa hoje? Você ainda não a conheceu. — Ofereceu, contente. Olhei pela janela, já estava escuro.

—Agora?

—Claro.

Dei de ombros, levantando-me também.

—Vamos, então.

Ele fez aquela sua dancinha da vitória estranha e puxou-me para um beijo animado. Sorri em seus lábios, feliz por estar com ele.

—Te espero lá fora. — Despediu-se, passando pela janela.

Troquei de roupa rapidamente e desci as escadas, mamãe e Seth estavam na sala conversando, Charlie sorriu encabulado quando me viu.

—Como vai, Charlie? — Cumprimentei-o, sorrindo. Ele sorriu, desconfiado.

—Bem, obrigado, Leah.

Seth me encarou, malicioso. Ele com certeza conseguia ouvir Derick em meu quarto. Revirei os olhos.

—Vou a casa do Derick. Tchau. — Avisei, dando um beijo na bochecha de mamãe e mostrando o dedo do meio para Seth quando ele fez uma imitação nojenta de um beijo imaginário.

—Tudo bem, querida.

—Prevejo muita diversão essa noite, mana! — Seth exclamou quando passei pela porta.

—E eu prevejo você se ferrando muito se continuar enchendo o saco, Pirralho! — Respondi, ouvindo mamãe ranhetar com ele por implicar comigo.

Derick se desencostou da árvore e sorriu para mim, entrelaçando nossos dedos quando cheguei perto. Beijou minha têmpora e começou a caminhar. Sua casa não ficava longe, na verdade, ficava até bem perto. A casa não era grande nem muito notável, era pequena e aconchegante. Pintada de azul claro com uma cerca branca normal, as janelas de madeira vernizada mostravam cortinas palhas e a porta escura contrastava com a claridade que a moradia expelia. As luzes estavam apagadas, a porta apenas encostada. Ele a abriu e se inclinou numa mesura antiga.

Prima le signore, prego.

Sorri, dando um tapa em seu ombro.

—Idiota.

Ele riu, entrando atrás de mim.

—Eles foram no mercado comprar algumas coisas para amanhã. Mamma está louca com toda essa coisa.

Assenti, observando o lugar com atenção. A cozinha era pequena e simples com apenas uma geladeira, a pia com uma bancada, uma mesa e o fogão. A sala tinha colchões espalhados e uma estante pequena onde descansava uma televisão mediana. O corredor mostrava duas portas, o que deduzi serem o quarto de Dona Stella e o banheiro.

—Você bem que podia comprar uma cama, não é? — Impliquei, terminando de examinar o local. Até que estava arrumado já que ali viviam quatro lobos bagunceiros. Tinha certeza que toda aquela ordem não vinha de seu alfa, mas de Dona Stella. Ela conseguia ser bem enérgica quando necessário. Ele me empurrou em direção ao colchão no chão, demonstrando seu desagrado. Caí e gargalhei, aconchegando-me em seu travesseiro, sentindo o cheiro gostoso do perfume dele. -Um colchão melhor também seria bom.

—Não reclame de barriga cheia, Clearwater. — Resmungou ele, encostando-se a parede e me encarando com atenção.

—Ora, não estou reclamando. Poderei ter minha cama só para mim novamente. — Gracejei, fingindo alivio, e afundei-me ainda mais em seu travesseiro.

—Como se não gostasse de se agarrar em mim a noite inteira. — Resmungou, ofendido. Tirei meu rosto de seu travesseiro e mirei-o, segurando a gargalhada.

—Oh, Meu Deus. Desculpe se o magoei, lobinho. — Provoquei-o, ouvindo um rosnar baixo em resposta. -Que imprinting mais irritante que eu fui arrumar.

Ele bufou, rolando os olhos e se aproximando.

—Agora sabe qual o meu pensamento diário.

Ele se deitou ao meu lado e continuou com o olhar fixo. Lentamente minhas bochechas se esquentaram com a atenção inesperada.

—O que é?

Um riso pequeno saiu de seus lábios.

—Nada importante... Eu só gosto de te olhar.

—Por quê? — Inquiri, tentando esconder meu constrangimento.

—Porque simplesmente não consigo tirar meus olhos de você. É estranho, como uma necessidade.

Dei de ombros.

—Bem, culpe o imprinting por isso. — Disse, a pontada de insegurança espetando. Pelo jeito que me olhou, ele havia notado minha mudança de humor. Sua mão escorreu por meu braço e se encaixou na minha. Ele não fazia ideia da firmeza que aquele simples gesto me passava.

—Eu não acredito no que você está pensando e você também não. Eu tenho certeza. — Dei de ombros novamente. Ele sorriu. -Estamos ligados, Principessa. Desde que nascemos nossos destinos foram interligados, nosso futuro foi escrito. Eu devia vir até aqui para te achar, e você devia seguir Jacob para me encontrar.

—E isso não te deixa um pouco... Chateado? — Questionei-o, hesitante. -Porque, seguindo a sua linha de raciocínio, se não fosse por mim seus irmãos não teriam sido capturados, e nada disso teria acontecido. Você estaria na Itália, vivendo sua vida normal, protegendo o povo de Lupi Luna e fazendo família com uma Maria qualquer.

Ele riu novamente.

—É, nada daquilo teria acontecido, verdade. Eu estaria na Itália, sendo o alfa de sempre, trabalhando na oficina, vivendo minha vida monótona... E não seria nem um pouquinho feliz. — Completou, fazendo um sorriso pequeno crescer em meus lábios. -Você deu cor a minha vida cinza, Leah. Deu luz e brilho onde só existia opacidade. Céus, eu nem me lembrava o que era sorrir verdadeiramente até ver você naquele sonho, depois daquilo... Eu nem sei o que dizer!

Meu coração palpitou, denunciando todo o carinho que mantinha em meu peito.

—Você é tão... argh! — Exclamei, afundando-me em seu pescoço. Ele gargalhou, apertando-me forte. -Eu... Eu nem... Céus, como você consegue me deixar desse jeito?!

—Eu te conheço mais do que você mesma. E não, Principessa, não vou me arrepender ou me cansar de você algum dia. Seja lá o que Sam fez, você sabe que eu não sou ele e não vou te deixar. E... Espero que isso também seja uma via de mão dupla. — Sorriu quando bati em sua nuca, repreendendo-o.

—Somos um e isso nunca vai mudar.

Ele sorriu grandiosamente e puxou-me para um beijo que seria suave se nosso organismo não entrasse em combustão quando nos tocávamos. Era simplesmente errado não avançar um pouquinho no sinal. O calor crescente era gostoso demais para ser ignorado. Sua língua acariciando a minha docemente, deixando tudo quente e úmido. Porém, infelizmente, não ficamos muito tempo naquilo. A porta foi aberta com ferocidade e três lobos enxeridos apareceram a toda, brigando no batente da porta para ver quem entrava primeiro. Separamo-nos lentamente, sem realmente querer parar. Eu, com toda certeza, não havia escutado eles chegando.

—Olha só o que encontramos aqui. Enquanto os lobões saem, os lobinhos fazem a festa! — Allan exclamou quando conseguiu desentalar-se da porta, mirando-nos com malicia.

—Por que você não vai se ferrar, Allan? — Sibilei, irritada. Dei um selinho nos lábios de Derick e levantei-me quando Dona Stella apareceu com as compras na mão. Ele sentou-se no colchão, pondo o travesseiro em seu colo.

—Ui, que nervosinha. — Zombou, jogando-se no colchão ao lado da televisão. -Desculpe, Principessa, mas o cheiro da excitação de vocês anula qualquer outro sentimento. Sério, os feromônios estão me matando!

Rosnei, sem paciência para gracinhas. Ele gargalhou.

—Chegou de gracinhas por hoje, não é, Allan? — Derick falou monotamente, porem o tom alfa estava explicito em cada letra da frase.

—Vocês são tão chatos! — Exasperou, ligando a tv em uma novela mexicana.

—Olá, querida! — Dona Stella exclamou, arrumando as compras em cima da mesa. Sorri para ela.

—Precisa de ajuda para preparar algo? Eu não sou muito boa nesse negócio de cozinhar, mas posso ajudar um pouquinho.

Ela assentiu, o sorriso meigo ainda no rosto.

—Se você puder me ajudar, eu agradeceria muitíssimo. Derick e os garotos sabem se virar muito bem na cozinha, mas o que falta é coragem para enfrentar o fogão.

Gargalhei com o olhar falso de advertência dela.

—São todos uns arregoes! — Concordei, ouvindo rosnados indignados. Dei de ombros para as ameaças, observando o jeito como Dona Stella se movimentava. Ela circulava pela cozinha como um chef, utilizando seus dotes culinários em tantas tarefas diferentes que me confundia. -O que posso fazer?

—Faça o que achar necessário fazer. Mas, conhecendo-a um pouco como conheço, sei que ficaria mais confortável na parte da sobremesa, não é?

Sorri, concordando.

—Oh, com certeza.

Ela sorriu de volta, olhando para mim apenas por um momento antes de virar-se para a pia onde cortava os ingredientes que precisava.

—Eu estava pensando em preparar alguma Panna Cotta ou Tiramisù. Bom, agora que tenho ajuda poderemos fazer os dois. O que acha?

Dei de ombros novamente, confusa.

—Tirando a parte que eu não faço a menor ideia do que são essas coisas, poderemos fazer, sim.

Ela gargalhou com gosto.

—Eu te ensino, querida. Verá que é super fácil.

—Eu realmente espero que seja.

Ela continuou seu trabalho e eu me sentei na bancada da cozinha, deixando espaço livre para que ela pudesse se movimentar com a mesma agilidade. Derick, Joseph e Allan concentraram-se na novela que passava na tv com uma atenção invejável, raras eram as vezes que Allan murmurava algo para Derick, ganhando um olhar reprovador, claro, por ele estar atrapalhando a fala de Manoel Carlos ou de Maria das Dores. Eu teria rido se não tivesse concentrada no comportamento disperso de Klaus. Ele estava afastado, sentado no chão do outro lado da sala, encarando a parede com afinco. Todo revolta e mágoa enrustida.

—Eu não sei o que fazer. — Dona Stella soltou de repente, seguindo meu olhar a Klaus. -Ele simplesmente se fechou.

—A confusão é grande demais. Temos que dar tempo ao tempo. — Suspirei, a queimação conhecida no peito.

—Sei que é difícil, acredite. Eu e Derick temos certa experiência em perdas. E você também, pelo que vejo. — Seu olhar prendeu-se em meus olhos em uma suave analise. -Mas isso está passando dos limites! Ele mal come! Isso não pode ficar assim, alguém tem que fazer alguma coisa!

Sua exasperação me incomodou um pouco.

—Sei que o está fazendo é apenas por preocupação de mãe, mas não há nada a ser feito. Poxa, Stella, faz apenas duas semanas que o pai dele morreu. O que sugere que ele faça?

Ela se calou por um segundo, a testa franzida.

—O pai dele não era dos melhores, Leah. Ele o maltratava tanto que nem sei o porquê dele estar sofrendo dessa forma. Não há motivo para toda a tristeza!

Bufei, rolando os olhos.

—Com todo o respeito, Dona Stella, a senhora não sabe o que se passa lá dentro. O que Klaus sente ou deixa de sentir é algo que importa apenas a ele, e ninguém pode julgar.

—Eu sei, mas...

—Acredite, ele ficará bem melhor com o apoio da senhora, não com as perguntas e sentenças erradas. Concentre todo esse amor que leva no peito à ele, e ele sentirá, e então tudo melhorará. Klaus ficará bem quando ele achar que é o tempo certo. Ele deve ter seus motivos para sofrer, seja por ele mesmo, por sua solidão, ou por seu pai. Ele perdeu o único parente vivo que tinha, o que acha que ele sente? Nunca é fácil se sentir sozinho.

Ela suspirou, concordando tristemente.

—Tem razão. Eu só... Fico preocupada. Ele pode ficar confuso demais e acabar se perdendo. — Murmurou desanimada, batendo ovos em uma tigela.

—Se ele se perder, nós o encontraremos e o traremos de volta, nem que seja pelas orelhas. — Disse, simplesmente. Concentrada na trilha sonora engraçada da novela.

Ela riu, assentindo.

—Com toda certeza, querida.

Não tocamos mais no assunto Klaus nem conversamos mais nada até ela terminar de preparar uma massa e guardá-la na geladeira.

—Vamos a sobremesa agora, sim? Ela precisa ir para a geladeira para amanhã estar bem geladinha. Tiramisù primeiro. Eu faço o creme e você monta as camadas. — Demandou gentilmente já pegando a mesma tigela e começando a despejar os ingredientes. Em poucos minutos o cheiro de café e creme tomou conta da casa, fazendo meu estomago reclamar de fome. Era uma tortura gigante ter que colocar bolacha por bolacha em cima daquele creme e não poder experimentar nem um pouquinho, mas era preciso. O olhar de "mãe irritada" de Dona Stella não era muito amigável.

Após ser montada e devidamente embalada em papel plastificado, a travessa foi para a geladeira. Depois fomos a segunda sobremesa de nome estranho. Fazê-la foi mais fácil que a primeira, com as instruções de Dona Stella tudo aconteceu de modo rápido sem muita sujeira ou lambreca.

—O segredo é deixar a calda gelar e só a colocar no creme quando for servir. Você pode trocar as amoras por qualquer outra fruta, mas receio que não ficará muito bom com damasco. — Fez uma careta engraçada enquanto tirava a panela do fogo e seguia para a geladeira. -Eu tentei uma vez. Não foi uma experiência agradável.

Suspirei, secando um suor imaginário na testa.

—Terminamos?

Ela sorriu, suspirando também.

—Nem de perto. Amanhã teremos ainda mais coisas para preparar. Mas agora eu já vou me deitar, estou tão cansada. — Falou, comprovando seu ponto com um grande bocejo. Abraçou-me com força e deu-me seus dois beijinhos na bochecha inconfundíveis, extravasando a hospitalidade italiana. -Fique brincando com os meninos. Cuide deles por mim. — Avisou-me, piscando os olhos. Passou pela sala, dizendo tchau e recebendo quatro "la sua benedizione" em coro, a qual respondeu com um simples "Dio vi benedica". Arqueei as sobrancelhas a Derick, confusa pelos costumes e ele riu, chamando-me com o dedo. Caminhei até seu colchão e me joguei ao seu lado, encostando a cabeça em seu ombro, o peso do cansaço descendo pelos ombros. Joseph roncava sonoramente ao nosso lado, dormindo com o corpo metade no colchão e metade no chão, a coberta embolada envolta de sua cintura e a boca aberta. Ri de seu estado e Allan me acompanhou, confortavelmente deitado do outro lado da sala. Klaus continuou lá, ainda olhando para a parede, sem se mexer. Meu coração se apertou com sua situação, mas me forcei a não o encarar. Ele sairá dessa, Leah, você sabe que sairá.

—Como foi a sobremesa? — Derick perguntou em meu ouvido, seus dedos brincando distraidamente com a barra da minha blusa.

—Eu saberia se a sua mãe me deixasse experimentar. — Resmunguei, fingindo irritação. Ele riu, me puxando para sentar em seu colo, embalando-me.

—O lance é pegar quando ela não estiver vendo. Seja mais esperta da próxima vez, Amore. — Debochou, buscando meus olhos. Bocejei, encostando minha cabeça em seu peito. -Quer ir para a sua casa agora? Eu te levo, você está caindo de sono.

Neguei, segurando outro bocejo.

—Estou com preguiça de levantar. Vamos ficar aqui.

—Vai dormir aqui? — Questionou, parecendo surpreso.

—Você dorme na minha casa todos os dias, qual é o problema eu dormir aqui hoje? — Ranhetei, o sono começando a pesar meus olhos.

—Te pegou de jeito, cara! — Allan soltou, animado. Derick rosnou.

—É claro que não há problema, Principessa. Só... Sua mãe não vai me degolar amanhã, não é?

Eu ri, mas o som saiu mole demais. Suspirei, o cheiro dele também não ajudava a manter-me acordada.

—Não irá. — Tranquilizei-o, fechando os olhos. -Eu vou te proteger.

—Eu adoraria ser protegido por você. Então, buonasera, Single. — Sussurrou, deitando-me delicadamente em seu colchão e se aconchegando ao meu lado.

—Boa noite, Rick. — E apaguei.

A noite passou sem sonhos nítidos, só aquela sensação reconfortante de se estar no lugar mais seguro e quentinho que o mundo poderia te oferecer. O sol brilhou fraco de manhã, se escondendo por entre as nuvens e entrando pela janela da sala. Os braços de Derick estavam ao meu redor, me acolhendo em seu peito de uma forma tão protetora que um sorriso involuntário se abriu em meu rosto. Abri os olhos, piscando para me acostumar com aquela claridade irritante. Argh, odeio casas claras por dentro!

Ele ressonou tranquilo, mudando de lado e me puxando para adequar a nós dois a nova posição. Olhei ao redor, procurando me orientar. Pelo jeito, Dona Stella já tinha levantado, pois o café fresco repousava no balcão da cozinha e a porta da frente estava precariamente encostada. Joseph roncou alto de repente, fazendo-me rir pelo sobressalto momentâneo. Voltei minha atenção ao italiano ao meu lado, suspirando com a perfeição de seus traços fortes. O jeito sereno que ele tinha quando dormia me fascinava, como se fosse a coisa mais apaziguadora do mundo. A barba por fazer adornava seu rosto, os fios loiros caiam por sua testa completamente desgrenhados. Ri novamente, passando os dedos por sua bochecha. Ele precisava cortar um pouco os cabelos.

—Já acordada, Principessa? — Derick perguntou baixinho, a voz rouca pelo sono, me assustando levemente.

—Algum problema com isso? — Retruquei, provocando-o. Ele riu, abrindo os olhos e me fitando de maneira sapeca.

—Se você for me deixar dormir tranquilamente, não. Se continuar a ficar se remexendo e rindo do nada, sim.

Rolei os olhos.

—Você é idiota e sabe disso, portanto, não vou gastar minha saliva te avisando sobre quão sério esse problema é.

O olhar malandro tomou seu rosto.

—Eu conheço outro jeito muito mais proveitoso se você reconsiderar e quiser gastar saliva comigo. — Ri de sua cara de pau.

—Idiota! — Beijei sua bochecha calmamente, mas ele foi mais rápido, virando-me de uma vez no colchão e me beijando na boca. Mesmo sabendo que tínhamos acabado de acordar, não ofereci resistência, claro. Beijá-lo sempre era uma daquelas experiências da vida em que você sente tudo caindo e ficando estável ao mesmo tempo, em um paradoxo profundo e... Gostoso demais. Suspirei, sentindo aquela sensação de completude. Sua língua se entrelaçou com a minha com aquela conhecida maestria sensual, instigando-me a aprofundar o beijo. Suas mãos saíram de minha cintura e foram para meus cabelos. O jeito como os dedos dele se embrenharam em meu cabelo, puxando levemente, com posse... Me arrepiou inteira. Gemi em sua boca e ele sorriu, mordendo levemente meu lábio inferior.

—Isso que é um bom dia decente, Amore Mio. — Murmurou, lambendo os lábios demoradamente, me provocando. Rolei os olhos novamente, empurrando-o de cima de mim e tentando controlar a vontade de eu mesma umedecer aquela boca.

—Tenho que ir. Mamãe deve estar dando a louca lá em casa. — Desconversei, levantando-me e procurando meus sapatos. Ele tacou-os para mim com seu modo delicado de ser, acertando minha barriga e Joseph também, que só resmungou e virou de lado. -Sua delicadeza me comove.

—Estou passando tempo demais com você. — Devolveu, rindo e dando de ombros. Mostrei-lhe a língua e saí em direção a porta, passando em meu cabelo, tentando arrumar um pouco o ninho de rato que havia se instalado lá.

—Tente não morrer sem a minha linda presença, garota irritante. — Avisou ele, sorrindo quando olhei para trás, desafiadora.

—Tente não se sufocar com seu ego enquanto eu estiver fora, babaca! — Respondi, dando-lhe o dedo do meio e saindo. Mesmo estando do lado de fora da casa, consegui ouvir o som da gargalhada dele. Meu coração saltou no peito com aquilo.

Notas finais
Eii pessoas!! Se acharem qualquer erro me avisem, beleza? Eu sempre reviso o texto antes de posta-lo, mas sempre algum erro passa despercebido. Comentem, favoritem, recomendem, mandem MP's, acompanhem, perguntem! Até mais!! Bjkss *---------------------*