League of Legends: As Crônicas de Valoran
10 Capítulo 9: Sejuani
Capítulo 9:
Sejuani Winters – Freljord – Acampamento da Garra do Inverno
Sejuani foi uma guerreira esculpida pelo gelo, moldada pelas tempestades e enrijecida pelo frio. Nenhuma nevasca podia detê-la, pois ela é a Ira do Inverno.
Cavalgando pela floresta gelada em cima de Bristle, seu imenso javali, Sejuani observava a neve que parecia nunca querer derreter. Há muito tempo, ainda no inverno, ela havia ido até aquela floresta, e agora, anos depois, no verão, ela continuava a mesma. Mesmas árvores, mesma neve, mesmo frio, mesma escuridão.
Aquele lugar lhe trazia boas recordações. Talvez de quando ela ia até lá com seus pais, ainda vivos, há muitos anos. Aquela floresta trazia lembranças de seus irmãos; todos sucumbiram por causa do terrível frio de Freljord. Nenhum deles conseguiu chegar aos dez anos.
– Senhora! – Sejuani acordou de seu devaneio e, percebendo que haviam algumas lágrimas em seus olhos, logo as enxugou. Virou-se para encarar Volibear, um urso de armadura, um Ursine. Ele tinha dois metros em pé, e uma face bastante assustadora para quem não conhecesse. Ele tinha pelo branco, como um urso polar e sua armadura era feita de puro ferro. Sua voz era grossa e bastante imponente. – Admirando a floresta?
Ela pulou de cima de Bristle, caindo na neve com um leve impacto.
– Claro – respondeu ela, de forma forte.
Volibear era bastante poderoso e rígido. Era conhecido por só ser amigável com quem lhe convém, ou seja, Sejuani e homens mais fortes que ele – o que é bem improvável, já que ele é um urso.
– Essa floresta lhe traz boas lembranças, não?
Ela não respondeu.
– Lembro-me de quando era somente um filhotinho – ele riu, o que era estranho, já que ele nunca ria. – Eu adorava correr pela neve, pular nela e me cavar bem fundo. No inverno, a neve chega a níveis alarmantes. Eu sempre gostei.
– Eu sempre odiei.
A rispidez de Sejuani impressionou até mesmo o grande urso. Ele se esquecera que humanos eram dez vezes menos resistentes ao frio. Eles não tinham a massa corporal e nem mesmo os quentes pelos que os Ursine têm. Também se esquecera de que o frio tirara muita coisa dela, fazendo com que se coração se tornasse frio e duro.
– Entendo – falou o urso. – O último inverno foi bastante devastador. Pessoas sucumbiam na neve congelante, ficavam sem alimentos, crianças tremiam de frio enquanto seus pais diziam para que não ficassem com medo, pois logo passaria... Pena que durou dez anos.
– Eu já entendi, Volibear! – irritou-se Sejuani. – Não precisa me lembrar. Já sei que esse verão está acabando, e eu não me arrependo de como gastei esses cinco anos de sol e calor.
– Eu também não. Consegui caçar veados e esquilos, meus favoritos.
Sejuani deu uma risada fraca.
– Já falei o quanto é estranho conversar com uma pessoa que tem gostos de um animal?
– Não sou bem uma pessoa. – O grande urso deu um pequeno pulo e fez uma pose engraçada. – Sou um Ursine.
Novamente, Sejuani riu. Volibear sabia ser engraçado quando queria. Pois quando não queria, era rígido e feroz. Ela já havia visto ele arrancar a cabeça de um homem só com as garras, e depois, devorar o corpo do homem. Ferocidade era com ele mesmo.
– Vamos voltar – disse ela. – Bristle está com fome.
Os dois deram a volta e seguiram para fora da floresta. Bristle, o imenso javali, seguia Sejuani para onde ela ia, e mesmo parecendo um monstro feroz, ele era dócil de vez em quando. Tendo um metro e meio de largura, uma cara assustadora e imensas presas, qualquer um teria medo dele. Menos Sejuani, que havia o acolhido quando ainda era um filhote, alimentando-o e cuidando-o.
Um raio de luz do sol caiu sobre o rosto de Sejuani, machucando seus olhos. Ela pôs a mão à frente do rosto, semicerrando os olhos. Ela não imaginou que lá fora haveria tanta luz. A floresta parecia estar parada no tempo, com todo aquele frio e pouca luz. Ela até sentiu um pouco de calor quando chegou; estava usando uma armadura azul, como sempre usava, fora seu capacete Freljordiano com um chifre só, feito de Gelo Verdadeiro. Em sua armadura haviam várias partes cheias de “pelos” para esquentá-la nas mais frias batalhas, mas naquele momento ela sentia calor.
O acampamento da Garra do Inverno era imenso. Haviam várias barracas azuis onde os guerreiros dormiam e guardavam suas coisas. De um lado, vários Vikings seguidores de Sejuani lutavam contra outros guerreiros, usando martelos e machados. Eles lutavam arduamente para a diversão dos aliados, que, ao redor, torciam e vibravam quando um derrotava o outro.
Sejuani foi até lá, se acomodando atrás de um guerreiro que pulava e gritava. Ela abriu caminho por entre os homens, que ao ver quem ela era, se afastavam com respeito... ou talvez medo. Tomando espaço conforme andava, ela conseguia ver melhor a luta... e quem lutava: Olaf, um dos mais fortes Berserkers já vistos lutava de um lado; sem camisa, exibindo os poderosos músculos, com dois machados de uma só ponta em mãos, ele tinha longos cabelos alaranjados presos em tranças e um bigode e barba imensa. Ele usava um tipo de saia Viking e um cinto imenso, fora sua grande bota. Ele era rápido e atacava muito rapidamente o adversário, que era um cara forte, mas bem menor que ele, que usava uma espada e um escudo... que não fora o suficiente para conter a fúria do Berserker.
Com um golpe poderoso dos dois machados, Olaf destruiu o escudo do inimigo, deu-lhe um chute em sua barriga, lançando-o longe, pulou em cima dele e começou a atacar sua face com os machados com uma fúria implacável. Sejuani arregalou os olhos com tamanha ferocidade. O rosto do homem ficou em carne viva, sangrando e tremendo: ele estava morto.
Todos ao redor vibraram, menos Sejuani. Olaf ergueu os braços para o alto, cantando vitória.
– Olaf! – gritou Sejuani, com uma imponente voz furiosa. – O que quer dizer isso?!
O Viking super masculino poderia se mijar nas calças, mas não o fez. Ele engoliu em seco, olhou para os machados cobertos de sangue, e respondeu:
– Ele era um prisioneiro, um nada, um...
– ...fraco! – completou Sejuani. Ela odiava pessoas fracas. Sempre pregou que o melhor e mais forte deveria reinar acima de todos, por isso reuniram Berserkers e Ursines para o seu exército. Por um segundo ela pensou que havia sido assassinado, ali, um de seus aliados, mas se aliviou ao ver que era somente um prisioneiro fraco. – Tudo bem. Foi uma bela batalha e uma ótima demonstração de ferocidade, mas eu quero que todos aqui voltem às suas posições, e você, Olaf, venha comigo, tenho algo a dizer aos meus generais.
Gemendo de tédio, os espectadores da batalha começaram a se separar e voltar para suas posições, seja treinando, caçando e fazendo outras coisas. Enquanto Olaf vestiu seu peito com uma cota, e seguiu Sejuani e Volibear.
– Bela batalha, Berserker – disse o urso ao viking.
Olaf riu.
– Pode até ter sido uma boa batalha – sua voz era grossa e tinha um sotaque diferente –, mas eu queria ter feito mais com aquele corpo destroçado.
– Tipo o que? – perguntou Sejuani; Bristle vinha logo atrás deles.
– Ah – disse o viking –, eu adoraria bater mais naquela cabeça destroçada e gastar toda a minha ira.
Volibear riu.
– Só isso? Eu devoraria o crânio daquele bastardo com somente uma mordida.
– Parem, já – repreendeu a líder. – Esse papo de vocês dois já está me deixando enojada.
Os dois riram.
– Não podemos atacar os Avarosianos só por que você quer! – repreendeu Mestre Reed, um velho de oitenta anos, conselheiro da Garra do Inverno por gerações.
Numa tenda estavam reunidos Sejuani, Olaf – o líder dos Berserkers –, Volibear – líder dos Ursine –, e o Mestre Reed. Todos sentados em cadeiras ao redor de uma mesa feita de Gelo Verdadeiro. A tenda era toda azul e haviam hastes de Gelo que sustentavam-na. Na mesa de Gelo havia uma maquete de toda a Freljord, desde o sul, no castelo dos Avarosianos, o acampamento dos da Garra do Inverno, no noroeste, até o nordeste, na vila dos Praeglacius. Haviam peças de xadrez – feitas de Gelo, claro – que representavam os exércitos, seja os e Ashe, seja os de Sejuani, seja os de Lissandra.
Vale ressaltar que a cadeira de Volibear era duplamente maior e duplamente mais resistente.
Sejuani pôs a mão na testa, demonstrando vergonha.
Olaf disse:
– Os Avarosianos são nossos maiores inimigos desde sempre – ele bateu na mesa com toda a força, mas a mesa nem ao menos ameaçou quebrar, pois Gelo Verdadeiro é inquebrável. – Eles estão com o Trono Congelado que é digno de nossa verdadeira rainha, Sejuani.
– Temo que o mestre esteja certo, Olaf – disse Volibear. – Ashe é uma usurpadora do trono de nossa líder, mas precisamos de mais estratégias e pelo menos algum motivo para guerrear.
Sejuani se inclinou na mesa na direção do urso.
– De que lado você está, urso? – Volibear hesitou. Ela voltou a se sentar em sua cadeira de Gelo. – Não podemos dar mais liberdade à Ashe. Já adiamos demais essa guerra, e temo dizer que o inverno está chegando. Ela já se uniu às tropas bárbaras do norte... – ela fez uma pausa. – Não podemos esperar mais.
Volibear respirou fundo com suas narinas de urso. Ele trincou os dentes, hesitou, e disse:
– Só mais um pouco.
Olaf grunhiu.
– Quanto mais tempo esperaremos?!
– O quanto for necessário – retrucou Mestre Reed. – Temos que ataca-los quando estiverem achando que não iremos. Temos que usar o elemento da surpresa; estratégia. Espere que Ashe dê o primeiro passo.
– Pra que? – perguntou-lhe Sejuani. – Para dar-lhe vantagem.
Reed sorriu maliciosamente, se é que suas rugas e flacidez da pele velha permitisse que ele o fizesse.
– Não pense assim, querida. Tenho um plano em mente, mas você deve confiar primeiramente em mim.
Ela semicerrou os olhos.
– O que está pretendendo, Mestre Reed?
Ele fez uma pausa dramática.
– Pretendo criar uma aliança entre nós e a nova princesa Praeglácia, Lissandra.
Sejuani bufou e esfregou a mão na cara.
– Seu idiota, Ashe já selou aliança com os Praeglacius há dois dias.
Reed ficou vermelho de vergonha.
– Além de velho é mal informado! – ela se levantou da cadeira, irritada. – Pense num plano melhor que esse, Reed, e depois, quando criar um bom, volte a falar comigo – deu as costas e foi embora da tenda.
Olaf sorriu.
– Quase me apaixono com a grosseria dela.
– Mas lembre-se de que aqui não é romance – lembrou-lhe Volibear, levantando-se da cadeira. – Sejuani não é o tipo de mulher que um homem iria querer como esposa.
Olaf se levantou e deu dois tapinhas no peito peludo do urso.
– Ela não é o tipo de mulher que um homem fraco iria querer como esposa – corrigiu. – Agora, um Berserker como eu conseguiria coloca-la no seu devido lugar.
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