Notas iniciais
Olá leitores, sempre gostei de ler livros sobre historias de fantasias, espero que vocês gostem de ler a historia que vou escrever...

Boa leitura à todos!!!

Em Brooklin, Julho de 2013

Num dia muito chuvoso, Emma States estava em sua cama enrolada em seus enormes cobertores, se sentindo um pouco meio que perdida em baixo deles, já eram 6 horas da manha quando seu despertador começou a buzinar em seus ouvidos, percebeu que já era dia, e precisava ir a seu primeiro dia na escola.

Emma sem muita espontaneidade demorou em acordar, sabia-se que se ela não acordasse sua mãe logo iria chamá-la e provavelmente, jogaria uma balde de água fria nela, esse pensamento, fez Emma pular da cama e vestir o uniforme de escola, que por sinal era horripilante, olhou para o espelho, meio que incrédula do que ela estava vestida, lógico que não era igual às roupas que sua mãe usava para ir ao trabalho, era melhor, tinha algo nele que não ajudava muito, não era muita a cara dela. Colocou o tênis, pegou a bolsa cheia de chocalhos pendurados, ela não achava aquele barulho insuportável, afinal é a única coisa que ela podia transformar em algo interessante, botões de bandas de rock, animes, que ela tanto amava, era algo como defina-la de qualquer modo.

Desceu as escadas, começou a ouvir vozes, eram seus pais, Sr e Sra. States. Sua mãe trabalha em uma loja de cosméticos em seu bairro, já o pai de Emma trabalhava em uma fabrica de brinquedos muito famosos na cidade, mas depois que descobriram que ele super faturava os negócios da empresa, foi demitido logo em seguida, com isso, Sr.States quase nem conseguia emprego.

Emma olhou para seus pais, estavam tão chateados, queria ver eles felizes, como eram antes, mais ela sabia que as coisas nunca iriam voltar como antigamente, sentou-se à mesa para tomar o café da manha, olhou para seu pai e observou ele fazendo vários e vários rabiscos sobre o jornal do bairro.

- Pai, você ainda esta procurando emprego? – Emma encarou seu café com leite.

Sr.States olhou para ela, meio assustado com á pergunta, ficou paralisado não sabia o que dizer, abriu a boca para emitir som, mas sua mãe o cortou.

- Seu pai está tentando fazer de tudo para conseguir emprego Emma! – Emma deu de ombros. – espero que você entenda tudo isso – Ela olhou para seu pai, que ainda pensava no que dizer.

- Pai sabe que esta difícil, espera mesmo que você consiga um emprego? Espero que dessa vez você veja o que fez com nossa família, tive que sair da cidade que eu tanto amava, lá eu tinha amigos, eu adorava aquela escola, e o que você fez? Estragou tudo, tudo por mais e mais dinheiro, nossa vida estava boa, eu tinha tudo, e você sempre com essa ambição de crescer. Você estragou a minha vida, e agora vou ter que me acostumar com essa nova escola e vou ter que fazer a droga de novos amigos, você sabe o que é isso? Sabe realmente?

- Filha não quero que você ache que sou um monstro na sua vida, não fiz tudo isso por maldade, eu espero realmente a sua compreensão sobre esse transtorno todo, me desculpe Emma.

Emma sentiu um pavor nos olhos de seu pai e percebeu algo neles que durante esses anos todos ela nunca tinha visto, era um olhar de sinceridade, ela se perguntava em sua mente “ele esta sendo sincero, meu pai esta mesmo sendo sincero comigo?”. Emma pegou a bolsa se despediu de sua mãe, e quando chegou à beira da mesa, olhando fixamente nos olhos de seu pai, e disse:

- Posso até te perdoar pai, mais eu nunca vou esquecer-me do que você fez com nossa família, você pode até conseguir emprego, pode tentar achar que eu não sei de nada, sobre isso tudo, sobre essa bagunça como vocês dizem né? Mas eu tenho 17 anos pai, sou grande o suficiente para saber que o que você fez é crime, você deveria ser punido por isso, mas não desejo nada de mal a você... Independente de tudo.

Ela olhou para seu pai, que estava cheio de lagrimas em seus olhos, deu um beijo em sua testa e sussurrou em seu ouvido “EU TE AMO PAI”. E saiu batendo a porta atrás deles.

Chegando à escola, Ela se deparou olhando para um grupo de pessoas que a observava, como se fosse um inseto, como se fosse uma intrusa, obviamente ela sabia que ela era realmente uma intrusa no meio de uma nova escola, ela ouvia risos do grupo e piadinhas estúpidas sobre como ela usava o cabelo preso num coque com um lacinho colorido, como ela utilizava lápis de olho, gloses, não sabia se maquiar, mas pelo menos tentava, chegou ao corredor onde estava a sala, à esquerda, entrou e sentiu-se como se fosse uma pessoa importante, como se fosse uma criatura berrante, que todos estavam com medo, olhou pela sala inteira, todos estavam olhando para ela fixamente. Emma se sentou na primeira carteira totalmente desconfortável, se achando uma pessoa tão horrosa que pensava “HOJE NÃO SERÁ UM DIA BOM PARA FAZER AMIGOS”.

A professora de filosofia entrou na sala, ela tinha grandes cabelos ruivos caídos nos ombros, os olhos escuros e tinha uma verruga na bochecha, ela tinha um sotaque estranho, que Emma achara divertido. Mesmo assim Emma estava contando os minutos para que aquele inferno de aula acabasse rapidamente, mas era como se o tempo tivesse parado.

Voltou para casa exausta, estava até achando que estava doente, como se uma gripe tivesse pegado ela, sentiu seu corpo estremecendo, estava enxergando os mognos da casa todos turvos, subiu as escadas sem falar nada, abriu a porta do seu quarto e deparou com uma pessoa olhando fixamente para ela, ela sentiu seu corpo cambalear, se segurou na mesinha de cabeceira de seu quarto, e quando a visão voltou ao normal e a tontura passou, ela olhou rapidamente ao redor do seu quarto, procurando a pessoa, mas não viu nada.

Achando que estava ficando louca, Emma caiu em sua cama exausta e apagou, sem almoçar sem conversar com seus pais, ela só queria esquecer o dia de hoje, como se o sono pudesse apagar tudo que ela viveu nessas horas de tormento na escola.

Emma olhou para cima como se alguém estivesse chamando o nome dela, se deparou olhando pro céus, franziu a testa como se não entendesse o que estava acontecendo, não sabia se aquilo era real, ou ela estava sonhando de fato, ela estava num campo vazio, só via árvores, matos, bichos voando e se sentiu uma pessoa feliz, tão feliz que esqueceu seus verdadeiros problemas, pulou de felicidade, ouvindo os pássaros cantando, rodopiando sozinha, ela parou por uns minutos e viu algo a olhando, um vulto preto passou por ela, ela começou a estremecer, saiu correndo pelo campo quando o vulto preto parou de frente para ela, Emma cambaleou para trás, começou a gritar, entrou em pânico, quando a pessoa subiu em cima dela, tapando a boca de Emma.

- Eu preciso de você Emma States, nós precisamos de você, você é a nossa numero 5, venha comigo Emma.

Emma não entendeu no que aquela pessoa estava dizendo, ela podia sentir a respiração ofegante, e seus olhos fixos nos dela, ela não sabia ao certo se a pessoa queria mata-lá, mais via no olhar da pessoa que ela era do bem, e que de qualquer maneira estava pedindo sua ajuda, mais o medo falou mais alto e ela fechou os olhos dizendo para si mesma “É só um sonho, essa pessoa não existe, vamos Emma acorde. Acorde. Apenas abra os olhos. Acorde Emma “

Assustada, ela acordou desesperada, pulou de sua cama olhou para seu relógio que completava 03h45min da manha, desceu as escadas para a cozinha, procurando algo a se colocar no estomago. Pegou um copo de água gelada e revirou com tanta sede que parecia que não tinha bebido água por dois anos, olhou para o sanduíche, tentando entender o que havia sonhado, e querendo entender o que aquela criatura estava tentando dizer com aquele papo de “Eu preciso de você e sei lá o que.” Aquilo estava martelando sobre sua cabeça por tanto tempo que estava a fazendo sentir pontadas do lado esquerdo do seu cérebro, não sabia o que aquele menino, de olhos castanhos, de pele branca e cabelos pretos queria com ela, não entendia porque ele dissera tudo àquilo para ela.

O dia clareou, Emma estava dormindo sobre a mesa de jantar, quando uma voz veio até ela, a puxando de volta, ela olhou meio sonolenta e viu seu pai, olhando para ela sem saber o que tinha acontecido com a garota, Emma olhou para seu pai e percebeu um olhar tão cabisbaixo, cheios de olheiras, sabia que seu pai não havia dormido tão bem, ele olhou para ela e disse:

- Querida, porque você está dormindo aqui na cozinha? Você não deveria estar na cama? – Sr.States olhava para Emma sem entender o porque a garota estava daquele jeito, não estava nem com o pijama, ela ainda estava com a roupa da escola sobre o corpo. Emma saiu sem responder, foi para o banheiro, tirou as roupas e colocou no sexto de roupas sujas, sabia que tinha varias roupas da escola iguais aquela, então não se importava de jogá-las no sexto, ligou o chuveiro e sentiu-se aliviada, ela sentia seu batimento cardíaco pulando tão forte, estava até achando que iria ter um ataque epilético durante o banho, sentiu a água escorrendo pelos seus cabelos, sentiu uma saudade de sua antiga casa, saudade dos seus amigos, saudade de tudo.

Emma ouviu uma voz bem forte, do outro lado da porta, gritando seu nome, logo percebeu que era de seu pai dizendo que ela estava atrasada para à escola, rapidamente desligou o chuveiro, pegou a toalha e abriu a porta, olhou pro seu pai, com um olhar de “eu sei, eu sei, tenho que ir a escola” se arrumou como de costume, comeu uma maça, beijou sua mãe, abraçou seu pai.

- Eu amo vocês... – saiu correndo pela casa batendo a porta, como de costume.

O dia estava normal, o mesmo grupo de jovens olhando para ela, dando risadinhas e fazendo piadas ridículas como de costume. Emma já estava quase acostumada com o tratamento maravilhoso, por um instante ela nem ligou para tudo aquilo, foi para a sala e viu seu professor de Língua Portuguesa sentado olhando para frente, ela já sabia que aquela aula seria incrivelmente irritante, como todas as matérias que ela menos gostava, ela se sentia melhor na aula de Educação Física, como todos os alunos gostavam, os meninos se matavam tanto nas aulas, que chegava certo ponto, que cheiravam a carniça, algumas meninas gostavam de jogos de futebol, até jogavam, mais a maioria preferia ficar tirando fotos, conversando sobre aquele menino gato da escola, ou falando mal de outras criaturas.

O sinal bateu, já era 09h30min da manhã, horário do intervalo, Emma achava esse horário o mais entediante de todos, pois ficava sozinha o tempo todo, pegou seu lanche e sentou-se em uma mesa vazia do outro lado do refeitório. Ela olhou pelo refeitório inteiro, tentando achar graça em tudo aquilo, tentando achar algo bom, virou pro lado e viu vários grupos, os descolados, os nerds, os revoltados, os estranhos, ela não se encaixava em nenhum deles, talvez em alguns, ela se classificaria como ‘’os estanhos ‘’, ela sentiu algo, sentiu aquele pressentimento de alguém a olhando de novo, começou a olhar rapidamente pelo lugar, e parou quando viu um garoto todo de preto, de boné vermelho olhando em direção a ela parado em frente a porta de entrada do refeitório, ela ficou paralisada por alguns minutos e desviou o olhar assustada. Depois percebeu que aquela sensação havia sumido, mas que ainda tinha uma pessoa em frente a ela a observando, ela levantou a cabeça e olhou, lá estava o menino, todo de preto, de boné vermelho com braços cruzados olhando para ela.

- E ai Emma States, como está? – disse ele com uma risadinha no canto da boca. – Se divertindo muito sozinha? – Emma olhou para ele, incrédula, tentando entender porque ele estava lá, conversando com ela.

- O que você quer de mim? – sussurrou ela – O que eu fiz? Porque esta aqui?

- Opa, calma Emma, vai devagar. Vou te responder todas as perguntas, mais eu preciso que você fique calma, e que você confie em mim, pode ser? – Emma o observou por alguns minutos e franziu a testa. – Ah, e para começo de conversa, meu nome é Jackie.