Leader of the Demon
9 Capítulo 8
Notas iniciais
– Thalia... Você está me ouvindo... Thalia?
– Jackie, calma... Ela está viva. – era Bea Trich falando calmamente.
– Eu sei que ela está viva, sua idiota... – era Jackie que falava num tom impaciente.
Eu podia ouvir as vozes de preocupação dos dois. Sabia que não estava morta, mais também sabia que não estava mais na sala do circulo. Eu podia sentir minhas mãos frias e meu corpo gelado sobre uma cama bem macia e aconchegante, e também podia sentir as mãos de Jackie quentes sobre meu ombro, e Bea falando em meu ouvido.
– Cale a boca vocês... Não dá pra descansar em paz com vocês buzinando em meus ouvidos – falei tentando abrir os olhos.
– Gloria aos Deuses, você acordou... Você dormiu durante três dias Thalia... – era Bea que falava aliviada
– Onde eu estou? – falei meio confusa e estava começando a ter dores de cabeça.
– Você está no hospital, mais você já pode ir embora... Precisamos estar prontos... Falta pouco agora Thalia. – Jackie falava com um ar de desespero.
– Prontos? Pra que? – falei incrédula.
– Prontos para a guerra Thalia... O céu está nublado, e varias fadas estão começando a ficarem fracas, achamos que os demônios estão aprontando alguma coisa... – Bea falou meio desesperada.
– Fadas ficam fracas? – falei um pouco zonza
– Sim, se o mal está próximo, elas ficam doentes – era Jackie que continuava com ar de superior.
– Então... Precisamos tirar o Stephen do sótão, mais rápido possível – levantei da deliciosa cama do hospital tão rápido, que senti minha cabeça girar, senti a mão de Jackie em minhas costas, para me segurar, ele pegou em minha mão e olhou para mim.
– Calma nervosinha, você ainda não está boa, para entrar em ação. – Jackie espocou um sorriso.
– Vamos... Precisamos ir – Bea se aproximou da porta a abrindo e olhando para nós.
Levantei da cama, sentindo meus pés do chão com firmeza, mais com dificuldade, Jackie me segurava firme para não cair, e minhas mãos estavam agarradas sobre a manga da camiseta branca de Jackie. Por um instante, senti meu corpo voltando ao normal, senti o calor passar entre meu corpo, podia sentir minhas mãos fortes de novo. Afastei-me de Jackie e o olhei fazendo um sinal com a cabeça, mostrando que eu já estava bem e poderia ficar andar sozinha agora em diante.
Passamos pela porta e deixamos o hospital, olhei ao redor não conseguia ver ninguém, só apenas Jackie e Bea em minha frente. Bea com aqueles seus trajes de combate, estava com um arco de flechas pendurada em suas costas, e uma adaga pendura num cinto ao redor de sua cintura, ela ainda estava com aquela bota preta com salto de agulha, e aquela jaqueta maravilhosa. Olhei para Jackie, que estava com uma camisa branca, calça preta e uma bota, os músculos de Jackie eram bastante visíveis com aquela camisa que ele estava usando, comecei a reparar no jeito que ele caminhava, e o tridente que era a arma que ele escolheu para ser a sua arma de combate, que estava em sua mão esquerda.
– Porque você acha que seu pai mudou de idéia? – olhei para Bea que estava com os olhos vidrados na adaga que estava em sua mão.
– Meu pai, pode ser o Comandante disso tudo, e ditar as regras por aqui... Mais o Stephen é filho dele, e ele nunca irá deixar um filho para trás... Mesmo que o próprio filho tente matar um inocente, por coisas inúteis. – ela olhou para mim e fez uma careta.
Estávamos na área de treinamento, onde deparamos com pessoas caminhando devagar, como se fossem zumbis. Jackie olhou para Bea que olhou para mim assustada, tentando entender o que estava acontecendo. Um silencio dominou o Monte Gayd, poderia realmente ouvir os batimentos cárdicos de cada pessoa ali presente. Bea saiu correndo pela multidão, deixando-nos para trás, começamos a correr e gritar pelo nome dela desesperadamente, mais já estava perdida no meio daquela multidão. Jackie e eu paramos no meio da área, desesperados, tentando achar a Bea, uma onda de dor passou por mim afetando minha cabeça que começou a doer. Senti alguém me cutucar, olhei para Jackie que estava com os olhos vidrados na multidão, então olho para trás e vejo um menininho.
– Moça... Moça... Você é a Thalia Chase? – o menino tinha uns 12 anos de idade e estava com uma Adaga maior que a mão dele, ele tinha cabelos pretos e olhos castanhos que estavam totalmente dilatados.
– Sim... Sou eu. – me ajoelhei, e tirei a adaga do garotinho que me olhava muito fixamente.
– Nós precisamos do Stephen... Você tem que ajudar ele, ele está sofrendo muito... Ele precisa de voce, Thalia. – o garotinho pegou no meu rosto de leve dando um sorriso.
– Eu vou encontrá-lo. Eu prometo! – olhei para ele de volta, que o fez sair correndo, sumindo pela multidão.
Levantei-me com dificuldade, e minhas costas começaram a doer como se alguém estivesse em cima delas martelando. Olhei para Jackie, que estava com a cabeça abaixada agora e o cutuquei.
– Aquele menino tem razão... Precisamos do Stephen... Não sei como, mais ele é mais forte que todos nós juntos... Eu já vi como ele treina, eu sei tudo sobre ele. – Jackie falava cansado.
– Sabe tudo mesmo? – falei curiosa
– Sei sim... E sei que ele deve gostar muito mesmo de você... Você falou que ele não falou que te ama mais eu sei que uma hora ele vai dizer... – falou em voz baixa
– Você está bravo comigo?
– Por você se envolver com o Stephen? – falou meio confuso
– Sim... Por eu ter te dado esperanças... Eu acho que fui meio tola – falei me enroscando nas palavras.
– Olhe Thalia... Eu realmente gostei muito de você... Mais quando vi você nos braços do Stephen, eu juro que fiquei magoado... Mais eu não sei... Vejo uma coisa entre vocês, e é diferente.
– O que você vê? – falei curiosa
– Vejo que só pelo olhar vocês sabem o que querem... Por incrível que pareça... Acho que você fez o Stephen mudar... Ele não é desse jeito – Jackie esboçou um sorriso.
– E como ele era? – falei assustada.
– Ele era do tipo de menino que não gostava de muitas coisas, mas ele adorava brincar com agente, o Stephen era um menino bem divertido. Mais muitas vezes, o comandante chegava super bêbado na casa de Stephen, e batia muito no nele, até eu o peguei o Comandante batendo em Stephen, eu ouvia gritos, choros. Eu era mais novo que a Bea como você já deve saber né? Ela tinha uns 14 anos, e eu apenas tinha 11 anos, ela tampava os ouvidos para não escutar o Stephen berrando desesperado, mais os tempos se passaram, e o Stephen cresceu. Ele se tornou outro menino, um menino amargo, que não chorava quando se machucava, eu até podia ver ódio no olhar dele, ele não brincava mais com gente todas as noites, ele não saia de casa, e quando saia, ele sumia... Várias vezes eu encontrei ele agarrado em cima de uma arvore, chorando pedindo pela mãe... Eu sabia que ele estava sofrendo, mas não sabia que era tanto assim... Hoje ele tem seus 17 anos, mais ele ainda tem uma mente perturbada.
– Nossa... Nunca pensei em ouvir isso do Stephen... – falei assustada
– É... Ele se pena muito pela mãe dele... A mãe dele estava grávida dele quando ela morreu... Não foi por causa dele, mais o Comandante quando bebe, perde a razão.
– Talvez seja isso o que você viu, entre eu e o Stephen... O ódio – falei encarando o chão.
– Não, você não tem ódio no coração... Nem ele tem. O Stephen cresceu, vendo outras pessoas sendo felizes. Ele só tinha amigos, e mesmo tendo amigos ele preferiu ficar sozinho. Talvez seja por isso que ele se tornou um homem que poderia até matar para conseguir o que quer, ele gosta é de poder Thalia... Mais isso ninguém pode mudar... Nem o amor pode mudar isso... – Jackie encarou com chão com severidade.
– Não tem nenhuma lógica Jackie... Como você me diz que eu o mudei? Se você acabou de falar que ninguém pode mudar isso? – falei confusa
– Você o mudou... Porque aquele Stephen de meses atrás, não existe mais... Você o fez ele voltar a trás nas maldades... Você viu o que ele fez? Ele aceitou normalmente a pena que o próprio pai deu a ele... Ele falou a verdade... – podia sentir Jackie suspirando rapidamente.
– Ele só falou aquilo porque eu obriguei... Eu falei para ele, que isso seria uma prova de que eu poderia amá-lo... Foi só isso... Isso não justifica nada... – encarei novamente o chão.
– Pode até ser que isso foi uma obrigação... Mais foi uma prova que ele está diferente. Talvez ele esteja sim, pensando em poder, como ele disse no hospital, mais não estava com tanta sede de vingança, como ele estava antes.
– Não acredito que eu tenha esse poder de mudar alguém... – olhei para Jackie que estava me olhando.
– Você tem esse poder... E você ajudou alguém que precise mais que qualquer um nesse Monte. – Jackie esboçou um sorriso
– Como você não está bravo comigo... Posso te perguntar uma coisa? – falei dando um sorriso de canto.
– Lá vem... Fale – Jackie cruzou os braços e olhou para mim.
– Você não gosta nem um pouco da Bea? – falei olhando para ele, que descruzou os braços e olhou para o chão.
– Eu sabia que era isso... Na verdade eu gosto da Bea, eu a acho bem parecida comigo, às vezes eu me pergunto por que eu não poderia voltar com ela sabe? Mais... – olhei para ele incrédulo.
– Pêra ai, vocês já namoraram? – falei tampouco assustada.
– Sim... Eu era apaixonado por ela durante três anos, mais ela nunca me deu bola sabe. Eu a havia como a única mulher mais linda do mundo, eu a admirava por intera. Lógico a Bea tem vários defeitos, ela é mandona, ignorante muitas vezes, ela gostava de estar sempre certa, as coisas dela são todas as organizas, sem nenhuma sujeita. Mais eu ainda amo as qualidades dela, ela pode ser ignorante, mandar nas pessoas, mais essas são as qualidades melhores que alguém poderia ter, é uma menina decidida, ela sabe o que quer, e não vai desistir até conseguir. É firme em todas suas decisões, ela nunca toma a decisão errada, ela sempre está de bom humor, ela sempre me arranca uma gargalhada tão espontânea... Mais ai, quando me tornei guardiã, nossas famílias entram em guerra, por eu ser o primeiro semi-guardião, ela deveria ser, mais meus pais se apaixonaram primeiro... E isso é o que vale. Acabamos se aproximando durante essa guerra familiar, e se apaixonamos. Mais durante alguns meses, nosso relacionamento estava meio pra baixo, ela estava muito ocupada treinando novas crianças no Monte, que ai se esquecemos que estávamos juntos... Acabei vendo ela como amiga mesmo... Ai que você apareceu e mudou tudo. – Jackie espocou um sorriso.
– E acabei ferrando a vida da Bea... – dei um sorriso de canto.
– Relaxa... Foram boas nossas conversas, gostei de estar com você e gostar de você, poder te ajudar, te mostrar as coisas que eu sempre gostei e também te mostrar um novo mundo... – ele me olhou e deu um sorriso.
–Também gostei de tudo Jackie... E espero que possamos ser amigos? – estiquei minha mão e dei um sorriso.
Ele pegou minha mão e a puxou conta ele, me fazendo encostar-se em seu peito e colocando minhas mãos sobre as costas dele, estávamos se abraçando. Ele me beijou minha testa e colocou seu queixo sobre minha cabeça.
– Sim... Podemos ser amigos Thalia – me apertando cada vez mais forte.
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