Notas iniciais
Neste capítulo você irá sentir a dor de uma garota que numa hora para outra perde seus pais em um trágico assassinato por criaturas estranhas... E ela terá uma nova pessoa em seu caminho, que terá muitos olhares comprometedores! Boa leitura a todos !

Meu pai começou a golfar sangue pela boca, minha mãe se inclinou sobre ele, para ver o tão grave era o ferimento. Um dos dois homens enormes encapuzados a chutou pela boca, fazendo jorrar sangue. O chute foi tão forte que minha mãe capotou para trás. Um dos homens se aproximou delicadamente dela, pegou sua espada do bolso e apunhalou minha mãe sobre o coração, ela gritou de dor enlouquecida mente.

– Vocês podem escondê-la, em qualquer lugar, mas na hora certa ela irá chegar até nós. Vocês não podem segura-lá por muito tempo, ninguém pode. O sangue que ela carrega é mais forte do que vocês pensam... Seus valedores imundos!

Os homens encapuzados se afastaram dos meus pais, abriram a porta batendo tão forte, que senti meu coração clamar de dor. Desci as escadas, degrau por degrau, olhei por de baixo da escada e vi meus pais deitados cuspindo sangue exageradamente e gemendo de dor.

Cheguei perto deles e senti uma pontada sobre meu peito, meu coração gritava de dor e desespero. Não podia imaginar perder meus pais, no meu próprio aniversario, o dia que uma mulher me disse que seria um dia memorável, um dia jamais esquecido. Jackie estava certo sobre tudo, sempre estava certo, talvez eu não pudesse ajudar meus pais, por alguma razão meus pais estavam tentando me proteger de algo muito ruim, algo perigoso e importante para eles.

Desabei ao lado de minha mãe. Senti um calafrio. Ela já estava morta, peguei sua mão toda ensangüentada e a apertei com tanta força, que podia sentir os ossos dela se quebrando sobre os meus, coloquei sua cabeça em meu colo delicadamente. A abracei lágrimas rolaram sobre meus olhos, lagrimas que eu nunca poderia se quer imaginar que cairiam de uma força desesperadamente, com tanta vontade, eu gritava ao ver minha mãe desacordada, pedia para ela exageradamente para que olhasse para mim e me desse um sinal de vida, me mostrasse que eu estava errada, que ela estava respirando e viva.

Olhando para o corpo esticado sobre o chão, percebi que não tinha mais volta, ela estava morta e eu ia ter que me conformar com aquilo, era difícil entender, que nunca mais iria abraçá-la, nunca mais sentiria o cheiro de seu perfume doce, o jeito que mexia em seu cabelo quando ficava furiosa, ou então o jeito de passar maquiagem e as roupas. Eu nunca vou lembrar-se dela daquela maneira, a única forma que sempre vou lembrar, vai ser daquele jeito, esticada no chão, com suas mãos cheias de sangue, com os olhos fechados e sem batimento cardíaco.

Olhei para meu pai, ele estava com os olhos dilatados, me aproximei colocando a cabeça dele sobre minhas pernas. Coloquei meus ouvidos sobre o peito dele para sentir algum batimento cardíaco, ouvi um batimento tão pequeno, o coração ainda estava batendo, não forte, estava muito baixo e sem tanta freqüência. Meu pai ainda estava vivo.

– Pai... A mamãe está... Ela está... Fale o que fazer para te ajudar... Não vai me deixar sozinha aqui né senhor Chase? Vamos pai... Fale comigo, por favor, me responde, pai, fala comigo... – eu estava o sacudindo com tanta vontade, com tanta esperança.

Os olhos dele se dilataram cada vez mais, ele deu um suspiro alto, e virou o olhar para me ver.

–Filha... Desculpe-me... Eu queria poder te falar toda a verdade. Mais agora você vai ter que descobrir sozinha... Eu vou ter que ir filha, eu vou ter que te deixar sozinha, sinto muito, mas fique calma, eu vou sempre estar em um lugar – ele apontou para meu coração– Nos perdoe por tudo, só queríamos poder salvar a todos do nosso mundo de... – ele revirou os olhos e deixou suas mãos caírem sobre o chão.

Retirei o corpo de meu pai todo ensangüentado do meu colo e coloquei sobre o chão. Levantei-me com dificuldade, minhas pernas estavam trêmulas e meu estômago começou a se revirar, me sentia zonza com tudo aquilo, todas aquelas cena me deixaram com medo e frustrada. Olhei para meus pais deitados no chão frio, meus olhos se encheram de lágrimas e desespero.

Não sabia o que estava acontecendo ao certo, só sabia que aqueles animais haviam matado meus pais. Eu estava sozinha agora. Nenhum ser humano normal poderia me ajudar numas horas dessas. Eu gritava, girando freneticamente sobre a sala, puxando meus cabelos, rasgando minhas roupas, quebrando tudo que via em minha frente.

Cheguei ao meu quarto e mais uma onda de lagrimas ardente derramou-se sobre meu rosto. Eu sentia aquelas lágrimas quente perfurarem minhas bochechas, eu tentava enxugá-las, mas elas não paravam de cair.

Quando entrei em meu quarto, deparei-me com algumas fotos antigas de meus pais sobre meu criado mudo, fotos de quando eu era pequena, peguei minha foto preferida, era de uma viajem que tínhamos feito há muito tempo atrás. Eu estava de boné amarelo com borboletas azuis e um maiô azul bebe que eu adorava, minha mãe estava com seus cabelos encaracolados soltos, eles voava com a brisa, ela me segurava no em seu colo, e, meu pai estava em pé ao meu lado, ele usava sunga preta e seu cabelo estava molhado. Por um momento achei que aquela foto seria a única recordação que teria deles.

Senti meu corpo mole, minhas mãos estavam frias segurando o retrato. Uma escuridão me dominou e me fez cair, cambaleando em cima da cama.

Será que eu morri? Será que tudo o que aconteceu foi um sonho ou um pesadelo? Será que eu vou acordar e ver meus pais sorrindo para mim?

Eu estava em uma sala branca, não tinha nenhum móvel, apenas um lugar branco. Por um instante achei que estivesse morta, mas conseguia escutar meu coração batendo bem fraco, mais era o suficiente para ver que eu estava viva. Sentia-me feliz naquele lugar, eu podia sentir algo me puxando, me pedindo para ficar, queria me acolher. Mais meu corpo não estava aceitando, ele queria voltar, eu estava sentindo que ele queria voltar.

Ouvia várias vozes gritando em minha cabeça, pediam para que ficasse ali, que ali eu estaria segura de tudo, e que naquele lugar eu poderia ter meus pais de volta, ter o amor deles de volta. Mais havia uma voz diferente das outras, mais suave, bem longe, ela chamava pelo meu nome, implorava para eu voltar. Eu podia sentir meu corpo sento jogado de um lado para o outro.

“Acorde Thalia... Acorde Thalia. Vamos... Acorde... Você não pode estar morta... Você não vai me deixar, não hoje... Vamos Thalia.”

Acordei desesperada, olhando pro lado pro outro, se debatendo no chão e gritando enlouquecida mente. Mais alguém me segurou pelos braços com tanta força e então me abraçou. Perdi-me no meio de tanto músculos, mais estava feliz por ele estar ali. Afastei-me daquele abraço, e me joguei no chão, ele olhava fixamente para mim, estava assustado ou aliviado.

– Ufa, você é dura mesmo na queda, pensei que tinha te perdido... Foi difícil trazê-la de volta, seu coração parou quando eu cheguei perto de você... Você não estava mais com pulso... E pra piorar, você não tinha nenhum ferimento, Thalia... – Jackie parou por um segundo, e me examinou pelo olhar. – Como você conseguiu parar de respirar?

– Essa é fácil, eu queria estar morta – tentei me levantar, mas minhas pernas vacilaram — Você deveria ter me deixando morrer. Garoto estúpido!

– Olha aqui garota, sabe o que acabei de fazer por você? Sabe mesmo? Bom, isto se chama: salvar a vida de alguém. Se garoto estúpido é um tipo de “obrigado Jackie”, você deveria aprender um pouco mais de educação. E, aliás, quem esta sendo estúpido aqui, não é eu, e sim, você! – ele gritava e apontava o dedo para gesticular o que fez de tão milagroso.

Ele estava com a cabeça inclinada sobre a porta, olhando para as escadas logo à frente, batia as mãos com muita força, como se estivesse tentando afastar a raiva.

– Eu não sei o que eu vi em você... Mais uma coisa você tem razão, talvez agora eu esteja sendo estúpido de achar... – ele estava se virando, quando se perdeu nas palavras ao olhar para mim.

– Jackie me perdoe, por favor... Minha cabeça está doendo, eu não sei mais o que pensar, eu não sei mais o que eu quero, acabei de ver meus pais sendo assassinados por dois Drácula... Eu só queria acordar e ver que isso não existiu... Só queria... – Jackie voou para cima de mim, colocando suas mãos sobre meu rosto, e me abraçou com muita força.

– Eu que tenho que pedir desculpas a você Thalia... Eu imagino a dor de perder os pais... Eu não deveria ter falado aquelas coisas para você... Mais é que você atingiu o meu lado fraco, não gosto que façam isso comigo... Desculpa-me – ele colocou suas mãos sobre minha bochecha e olhou bem no fundo dos meus olhos.

Deixei-me levar pelo lado emocional quando vi Jackie com aquele olhar carinhoso, suas mãos delicadas sobre minha bochecha. Ele mexia as mãos tão delicadamente, me fazia carinho. Eu podia sentir sua mão direita descendo sobre minhas costas. Ele me puxou para mais perto, e senti sua respiração ofegante, a outra mão encostou-se a meus lábios, seu olhar estava fixado em minha boca. Cada vez mais ele me puxava, subindo sua mão direita sobre minhas costas, me apertando até chegar a meu cabelo. Jackie me puxava pelo quadril com sua outra mão. Sua boca estava sobre meu pescoço, me beijando.

Passei minha mão sobre o peitoral dele e sua camiseta ficou com rastros de sangue, senti um calafrio na espinha, fiquei zonza, e o afastei de mim, empurrando seu peito para longe.

– Jackie, não... Eu não estou preparada para isso... Minhas mãos estão com sangue, sangue dos meus pais, e estou sujando você... Sai de perto de mim... – ele se aproximava cada vez mais, me segurando pelas mãos, dizendo que estava tudo bem, que não ligava para aquilo – Jackie, eu falei que não. Sai Jackie. EU JÁ DISSE QUE NÃO. – bati em seu peito, ele cambaleou para trás batendo a cabeça na porta.

Ele estava pálido e me olhava confuso com as mãos sobre a cabeça sangrando. Eu sabia que ele só queria me ajudar, mais uma força maior me puxou, como se alguém estivesse me controlando como uma marionete. Abri as gavetas do meu armário, rasguei uma camiseta branca com desenhos estampados que eu usava pra dormir e enrolei em sua cabeça para estancar o sangue.

– Oh meu Deus Jackie, você está sangrando... Desculpe-me, por favor, me desculpe... – eu estava tremendo, minhas mãos estavam frias sobre a cabeça do garoto, ele continuava me olhando. – Jackie, acho que tá na hora de você começar a me falar mal, falar que sou uma estúpida e tal. Pode falar tudo bem, eu entendo. – ele ainda me olhava, seus olhos olhavam diretamente para os meus.

– Bom, eu acho que um dia... – ele deu um sorriso de canto. – Eu vou ter que te beijar garota, você sempre me deixa zangado, ou talvez ferido... Mais eu ainda acho que um dia, que por sinal, não está longe, vou te beijar...

– Então, porque você não me beija agora? Eu juro que não vou te jogar contra a parede ou algo do tipo... Eu me rendo aos seus encantos Jackie, o guardião. – me aproximei, e fechei os olhos.

Senti ele chegando bem perto de mim, colocando suas pernas ao redor das minhas, eu conseguia sentir o calor de seu corpo, sentia suas mãos subindo sobre minha nuca, subiu um arrepio em minha espinha. Fiquei um pouco nervosa, mais queria sentir o calor de seus lábios.

Senti seus lábios tocando os meus delicadamente, quando ele se afastou, ouvi um barulho vindo da cozinha, e então ele se afastou e sussurrou em meu ouvido:

– Tem alguém entrando... Vem, tá na hora de irmos. – ele ofereceu suas mãos para me ajudar a levantar.

– Quem será que pode ser? Mais um daqueles caras? – observei-o em silêncio

– Eu falei para eles me esperarem... Porque estão aqui? Eles nunca me obedecem! Maldição! – Jackie balançava a cabeça com um sinal de negativo.

Jackie saiu batendo o pé sobre cada degrau da escada. Fiquei paralisada em silencio para ver se conseguia familiarizar as vozes.

– Ei, Jackie – era um menino.

– O que eu falei sobre me esperarem? – Jackie falava num tom amargo

– Você demorou demais rapaz, o Arthur estava morrendo de fome. – outra voz nada familiar

– Ah cale a boca Stephen, você também está morrendo de fome – o primeiro menino falou

– E a garota Jackie, ela não está morta né?

– Não... Ela está viva, e esta lá em cima. – era voz de Jackie. – Thalia, venha para baixo, quero que conheça alguns amigos.

Desci as escadas degrau por degrau, até me deparar com dois meninos me olhando, um deles me olhava com um pouco de severidade, o outro já estava com os olhos brilhando e com um sorriso de orelha a orelha.

– Grande Thalia, enfim se encontramos! Meu nome é Stephen, prazer em te conhecer – ele se aproximou de mim andando calmamente, pegou em minhas mãos e a beijou como um cavaleiro, me olhou com seus olhos claros – Estou sentindo que seremos grandes aliados, e bons amigos.

Notas finais
Espero que vocês gostem desse novo capítulo, e que fiquem muito mais ligados agora... Terá muita coisa por vir... Fiquem ligados!!! Obrigado à todos :D