Le Chant des Sirènes
37 Capítulo XXXVI
Notas iniciais
Capítulo XXXVI
Um barulho na porta fora o suficiente para despertar a sereia de seus devaneios e voltar à realidade, aonde ela nunca deveria ter saído. Lucy deveria ser realista e passar a pesar mais a realidade, não deveria fantasiar algo que estava fora de seu alcance.
—Entre. — ela balançou a cabeça tentado obliterar sentimentos supérfluos. A deusa entrou pela porta junto de outra nereida que obtinha em mãos uma caixa adornada de pérolas. – minha senhora. — Lucy fez a reverência se abaixando em respeito à deusa, que sorriu para a garota.
—Lhe trouxe um presente. — a sereia piscou os olhos surpresa e a deusa se virou para a irmã onde pegou o objeto de suas mãos, depois se aproximou de Lucy e abriu a caixa revelando que dentro dela havia dois objetos sobre o veludo azul escuro. O objeto era fino e de formato cilíndrico, como dois bastões. A loira a olhou de sobrancelhas em pé sem compreender do que se tratava. A deusa sorriu delicada e pegou o objeto dourado em mãos deixando o outro na caixa. – é um Fleuve d'étoiles, e outro é uma arma que pode virar tanto uma espada, tanto quanto uma lança, e claro, um tridente. — Lucy a olhou de olhos arregalados. – claro que não é como o de Poseidon ou o meu, mas é perfeito. — ela sorriu e entregou o objeto nas mãos da garota. Ele era dourado com constelações ordenadas ao redor de si em um prata que constratava com o dourado. Ela passou o dedo pelas estrelas que eram em alto-relevo. – pedi a Hefesto que fizesse para você. – Lucy a olhou ainda mais surpresa.
—O Deus artesão?- Anfitrite concordou com a cabeça e loira balançou a cabeça em negação. – não posso aceitar. – ela tentou entregar de volta a deusa, porém a mesma se negou e entregou o outro bastão em suas mãos, perfeitamente belo igual ao outro.
—Por que não? Estou lhe dando um presente, vai precisar deles. — Lucy negou com a cabeça novamente, não poderia aceitar um presente de tamanha grandiosidade, ela não se achava digna de tal ato.
—Eu não poderia aceitar um presente como esse, não sou digna. — Anfitrite negou com a cabeça e pegou a mão de Lucy delicadamente.
—Hefesto faz vários artefatos a todos que lhe pede ainda mais aqueles usados para o bem. – ela sorriu. – não precisa se preocupar com isso, você é mais que digna.
—Não, alguém como eu não deveria usar um objeto ordenado pelos deuses. — Anfitrite a olhou de sobrancelhas juntas.
— Não existem diferenças entre raças ou qualquer outra coisa, todos são igualmente importantes. – Lucy ficou quieta. – não é você mesma que sempre dizia isso? – ela assentiu, depois soltou o ar dos pulmões e sorriu.
—Tudo bem!- Anfitrite abriu um grande sorriso de satisfação. – obrigada!- ela abraçou a deusa. Anfitrite tinha um cheiro de maresia e lavanda seu abraço era reconfortante passando uma sensação de paz, era bom saber que tinha a deusa ali, consigo.
—Não fora nada!- elas se soltaram do abraço. – hoje vai ter uma festa no palácio, se arrume com as outras sereias, para se fortalecer. – Lucy assentiu a contra gosto, mas não desapontaria a deusa, mesmo que a última coisa que desejasse agora fosse ir a uma confraternização no palácio.
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Quando Lucy se guiou até onde as sereias costumavam ficar no palácio, ela não sabia dizer qual era sensação que estava sentindo. Não conseguia definir se estava empolgada em ver suas irmãs ou se estava frustrada, era possível que fosse os dois sentimentos emaranhados em seu ser dificultando suas reações motoras.
As sereias gostavam de ficar em um lago submarino perto do palácio, tratava-se de um lago dentro do próprio mar, a água era muito salgada, portanto possuía mais densidade do que a água do mar e isso fazia com que as águas não se misturassem. Por conta das substâncias tóxicas os animais marinhos não se atreviam a entrar ali para não morrerem com o sulfeto de hidrogênio e até mesmo metano, contudo com as sereias era diferente. O sal do local conservava a pele e escamas, mesmo que de fato elas não necessitassem disso para se mantiverem jovens, ajudava. Auxiliava na limpeza delas, as substâncias tóxicas não surgia efeito. Ser um ser mitológico imortal havia lá seus benefícios.
Ao se aproximar notou sereias cantando, dançando, se arrumando e várias águas vivas ao redor iluminando o local de maneira exótica. Plantas com sua beleza exorbitante se preenchiam no local junto de alguns peixes. As escamas das sereias brilhavam feito pedras preciosas espalhadas pelo mar, como estrelas no manto negro do céu. Possuíam diferentes tipos, porém com a mesma beleza exorbitante.
—Lucy!- a loira se assustou com o vulto castanho que a abraçou rapidamente e de maneira apertada. – ah quanto tempo. – ela sorriu para a garota assim que a soltou. Marlee parecia mais madura, possuía cabelos mais longos que da última vez. Os olhos extremamente escuros causavam até certo desconforto de tão bonitos.
—Marlee, como estas?- Lucy podia sentir o olhar das outras sobre si, porém não foram muitas que demonstrarão empolgação, era completamente normal uma sereia ir e voltar no palácio, não era necessária muita comoção.
—Eu estou muito bem, e você?- a garota de cabelos castanhos era mais empolgada que o normal e tinha sempre um humor mais animado do que a maioria das sereias.
—Estou bem!- Lucy dera um sorriso sem mostrar os dentes e Marlee a guiou para entrar em uma parte mais vazia do lago. E logo em seguida uma espécie de fada aquática surgiu e começou a arrumar os cabelos e fazerem um tipo de colorido mágico no rosto, deixava as bochechas mais rosadas, cílios mais levantados com um brilho na pálpebra, e lábios mais rosados ou vermelhos. Na superfície Lucy havia descoberto que se tratava de maquiagem. – o que tem feito desde então?
—Oh, as mesmas coisas de sempre, cuidando do equilíbrio. — Marlee deu de ombros enquanto se espreguiçava com os mexilhões limpando sua calda, o mesmo ocorria com Lucy.
—Não tens vontade de fazer outra coisa?- a castanha a olhou como se a loira fosse uma espécie de um ser ainda não descoberto.
— Da onde tirou tamanha loucura? – Lucy deu de ombros como se não fosse nada demais, para ela não era algo tão chocante assim.
—Sabe, conhecer o mundo, existe um imenso mar, lugares a serem descobertos não imaginam como é conhecer todos eles?- Marlee deu uma risada com o absurdo dito pela sereia celestial.
—Esse tempo fora, afetou sua cabeça minha irmã. – a castanha gargalhou. – os livros lhe deram muitas esperanças falsas, pode acabar se desapontando. — Lucy se remexeu inquieta. – nosso lugar é aqui, ao lado da Deusa. – Lucy nada disse se manteve quieta enquanto Marlee começou a falar milhares de coisa que pareciam ser muitas informações para a loira processar. Contudo, não impediu a outra de prosseguir.
—Ora, o que temos aqui!- se viraram em direção a voz, e vendo ali, Acliteia. Ela estava com o sorriso ladino carregado de uma maldade disfarçada. Os longos cabelos ruivos e lisos esvoaçavam na água como uma cortina vermelha. Os olhos castanhos feito folhas secas no outono, não possuía o calor da estação, e sim uma frieza. Algumas sardas enfeitavam todo seu rosto angelical e fino. – o bom filho a casa torna. – Lucy não respondera, apenas a olhara da mesma forma de volta, era assim que ela lidava com Acliteia para não se desgastar. – aposto que já fora recebida com todo o alvoroço que uma boa princesa merece. — o sarcasmo escorria de seus lábios vermelhos em contraste com a face doce. – é uma lástima que seja uma princesa horrível!
—Acliteia!- Marlee falou lhe chamando a atenção, porém Lucy não poderia se importar menos com as palavras da outra sereia.
—O que Marlee?- a ruiva disse irritada. – convenhamos que Lucy nunca mereceu o que lhe foi ofertado. – os olhos castanhos a olharam com nojo. – ela sempre foi tudo, a mais bonita, a mais forte, a melhor em tudo. Até mesmo a preferida de Anfitrite.
—Está sendo ingrata dizendo isso da deusa!- Marlee saiu em defesa de sua rainha, porém a outra ignorou.
—Todos sabem que deuses possuem filhos preferidos, e em relação às sereias, Lucy sempre foi à preferida de Anfitrite. – Acliteia falou seca, toda via Lucy ainda permanecia impassível a toda comoção. Esticou a mão para a fada pintar suas unhas em tom dourado.
— Se está tão insatisfeita com isso, talvez o problema não seja em mim, e sim em você. — a loira falou inexpressiva, podia jurar que Acliteia ficara da cor do cabelo em ódio. – não deposite suas expectativas em base nas outras. Você sempre irá se desapontar, pois nunca se dará por satisfeita. – Lucy deitou a cabeça para o lado olhando a sereia a frente. – por que para nós a grama do vizinho sempre será mais atrativa, e acabamos desejando ter ela invés de se preocupar em cuidar da nossa. – Acliteia ficou quieta, porém ainda estava vermelha. – assim como para mim, parece mais atrativo não possuir poder, e não precisar ter tamanhas obrigações como se o mundo estivesse sobre suas mãos, como se não fosse necessário fazer escolhas por base no que os outros precisam, mas sim pelo que deseja. — a ruiva engoliu em seco. – em ser obrigada a tomar responsabilidade por tudo pelo simples fato de possuir poder para isso. Contudo, Acliteia eu não fico lamentando e sim procuro fazer algo a respeito. Se os deuses me abençoaram com tal poder eu devo fazer algo com ele, não ficar esperando que algo aconteça só por que quero. – ela olhou mais suavemente para a sereia. – você já se basta da maneira que é não precisar ser como o outro e muito menos da aprovação de alguém. – Acliteia ficou quieta piscando os olhos antes de nadar se retirando dali. Marlee olhava Lucy com choque nos olhos e gargalhou logo depois.
—Wow, você é demais!- Lucy balançou a cabeça negando.
—Eu só disse a verdade Marlee, não deve ficar se preocupando em satisfazer apenas os outros ou ser boa como outra pessoa. – a castanha deu um sorriso tímido. – tem de ser boa como você mesma. – Marlee nada disse, o que parecia uma coisa impossível visto que ela sempre estava à disposição para falar.
Lucy sabia bem a pressão que as sereias sentiam em serem perfeitas em tudo, pois era aquilo que elas eram tachadas a ser. Mesmo que fossem seres sem sentimentos, elas sofriam de suas maneiras. Viver sobre regalias era como ter asas, contudo estar dentro de uma gaiola.
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Deuses costumavam ser bastante excêntricos e exagerados em suas festas, eram sempre bem exorbitantes. Toda via Lucy nunca gostou desse tipo de festas, pareciam belas e majestosas, porém por baixo do tapete escondia uma grande concentração de mentiras e pessoas interesseiras. Ela se sentia mais confortável nas festas da Fairy Tail do que as dos Deuses.
Assim que passou pelo grande portão do salão, foi como se uma estrela cadente passasse e todos sentissem na obrigação de olhar. Os olhos de todos sem exceção de ninguém, se viraram de encontro com a sereia, como se fosse impossível olhar qualquer coisa ali que não fosse ela. A sereia nunca se sentiu confortável com a atração que atrai das pessoas e se sentia cansada dos elogios sempre se tratando de sua beleza, e não de alguma outra característica. Era como se ela não obtivesse outra coisa além de sua beleza, e isso a incomodava, pois as pessoas pareciam se aproximar apenas por isso, e ela nunca tinha certeza de quando era real ou quando era apenas consequência de uma atração quase impossível de resistir.
Ela engoliu em seco olhando ao redor notando que alguns deuses e os titãs, titânides que não se opuseram a Zeus e viverão normalmente, diferentes dos outros que ficaram ao lado de Cronos e foram duramente punidos. Também estavam ali, não era incomum que eles fossem, era sempre certeza que iam a festividades em outros reinos, com exceção de tártaros e claro, nenhum dos deuses gostava de se aventurar na escuridão do tártaro além do deus mensageiro Hermes.
Nadou buscando um local em que pudesse se esconder dos olhares curiosos. Foi até uma mesa com alguns aperitivos e bebidas, que se encontrava de frente para um espelho no qual ela observou seu reflexo. Os longos cabelos loiros estavam com cachos grossos e algumas finas tranças e pedras ao redor dele, uma coroa delicada e majestosa enfeitava o topo de sua cabeça era prata e adornada de pérolas e joias brilhantes brancas e azuis. Algumas pedras junto do metal prata iam até o início de sua testa. No rosto uma leve maquiagem e brincos nas orelhas, nos ombros foram feitos desenhos com prata derretida, seu sutiã era cheio de pretas e um tecido transparente com pequenas pedras ficou em volta de sua cintura com um cinto que havia finas correntes pratas que caiam em volta de sua calda que brilhava mais do que nunca. Até mesmo em suas mãos havia uma pulseira de flores e cabos de pratas que ia de um anel no dedo do meio até o pulso. Ela se sentia completamente diferente.
—Se me permiti lhe dizer, está maravilhosa!- ela se virou encontrando Tritão atrás de si com um sorriso ladino no rosto, exibindo a linha dos dentes perfeitamente irritantes. Seu cabelo curto estava penteado abaixo da coroa que era parecida com a de seu pai, porém um pouco menor, seus olhos eram de um verde água extremamente límpido, sua calda diferente da calda das sereias era de escamas azuis escuras em contraste com verde. Em seus braços ele usava um bracelete de ouro em cada pulso. – parece mais reluzente que antes. – ela voltou aos olhos ao rosto do Deus.
— Ah, obrigada. — ela não sabia bem como reagir diante dele, nunca foram muito próximos e saber que queriam que ela se unisse a ele em uma junção conjugal, a incomodava, bastante.
—Ficou sabendo da novidade?- ela o olhou sem compreender, e ele sorriu empolgado. – o conselho que queria que casássemos. – a tranquilidade na qual ele dizia aquilo a deixava perplexa. – para a criação de um espécime mais forte. – ela segurou a vontade de revirar os olhos para não considerar um desacato. Lucy na maioria das vezes nunca conseguia controlar sua personalidade difícil, porém se tratando de Deuses ela era obrigada a se conter. Ao menor sinal de que você estivesse debochando ou insultando um deles, viveria o resto da vida com uma maldição ou sua alma viveria no rio Flagentonte no tártaro sofrendo torturas para sempre. Como se uma maldição não fosse o suficiente para Lucy.
—Não acho que seja conveniente. – ela disse inexpressiva demonstrando sua clara vontade de não dialogar sobre o assunto.
— Seria extremamente conveniente!- ele disse direto e ela o olhou com uma sobrancelha em pé.
— Não acho que casamentos devam ser feitos apenas por conveniência. – ela disse, porém engoliu em seco e completou sua fala. – e eu não possuo vontade de casar por nenhum motivo que seja.
—Entendo Lucy, porém por qual outro motivo casamentos são realizados? A maioria das vezes é para a junção de reinos diferentes para uma união diplomática, ou por outras razões pela qual seja um interesse beneficiário. – ele disse dando de ombros. – os casamentos entre deuses precisam da aprovação de Zeus e entre os humanos do rei ou pai.
—Está me dizendo que as mulheres não possui outra opção além de obedecer aos termos impostos?- ela perguntou com as sobrancelhas unidas.
—Estou dizendo apenas como as coisas são. — ele deu de ombros.
—Bom, com isso, me destes a certeza que não vou me sujeitar a casar com você de maneira alguma. — ele a olhou de olhos arregalados. – não acho que uma criação de uma espécie mais forte, seja mais importante que minhas vontades.
— E quais seriam suas vontades?- ele a olhou com as sobrancelhas negras em pé.
— E quais seriam as suas, príncipe?- ele piscou os olhos. — você por acaso desejar se casar comigo?
—Sim!- a resposta a deixou desprevenida e piscou os olhos surpresa. A maneira que ele havia dito como se não fosse nada, sem nenhuma preocupação a deixava mais nervosa.
—E por qual motivo? – ele deu de ombros e ela revirou os olhos. – você sabe que mesmo sendo imortal, não quer dizer que você não possa sofrer, certo? Eu arrancaria sua vitalidade, assim que o beijasse.
— Por que eu não gostaria de me casar com você? Você é extremamente linda. – ela fez uma careta de desgosto. – eu não me importo, eu não morreria ainda assim. – ela bufou irritada. – é uma tragédia que não irá ocorrer. – é um alívio! Pensou ela depois revirou os olhos.
—Estou interrompendo?- Poseidon se aproximou e Lucy suspirou aliviada, salva pelo gongo.
—Imagina pai!- Tritão sorriu para o pai, ele o admirava isso era notável. – irei conversar com os outros convidados. — Tritão se retirou indo até um grupo de outras pessoas.
—Acho que senti que poderia explodir meu filho a qualquer momento. – o deus falou ficando ao lado dela olhando o filho de longe.
—Não... — Poseidon a olhou de canto e com um sorriso no rosto. – me desculpe!
—Tudo bem! – ele deu de ombros. – notei que estavam falando do casamento. – ela assentiu. – não precisa se preocupar, Anfitrite conversou comigo e definimos que o melhor e que não seja feito, não havia motivo para tal. — Lucy se permitiu suspirar aliviada, mesmo que já soubesse que não ocorreria ouvir da boca do Deus a deixava mais calma.
—Como foi seu casamento com Anfitrite?- ele a olhou surpreso e ao notar o que havia perguntado fez uma reverência.
—Desculpe a intromissão meu senhor. — o deus apenas deu uma risada a deixando sem jeito.
—Não se preocupe Lucy, e que pensei que soubesse. Praticamente todo o reino tem conhecimento da minha humilhante história de sofrido por Anfitrite. — a loira deu uma risada e ele a acompanhou. – Anfitrite era uma nereida que são naturalmente bonitas, antes das sereias elas eram as mulheres mais lindas do Oceano. Porém, ela tinha algo de diferente, ela tinha uma pureza e beleza diferente. – ele de um sorriso nostálgico. – era boa e doce com todos e vivia com aqueles robalos ao redor de si. – a loira deu uma risadinha. – eu me encantei com ela de uma maneira que nunca havia me encantado por ninguém, e eu decidi que ela seria a mulher a qual eu me casaria. Toda via, ela não quis e fugiu de mim. – ele falou chocado e Lucy deu uma risada. – ela não queria se prender, pois ela imaginava que se casando teria de obedecer às vontades de seu marido, ela sabia como era o casamento com os Deuses e tinha impressão de que os homens faziam tudo e as mulheres eram mais limitadas. Não que fosse mentira, porém eu não queria prende-la, contudo eu não conseguia a encontrar em lugar nenhum, acho que fiquei o tempo que ela estava sumida sofrendo pelos mares com os animais sendo obrigados a ouvir minhas lamentações. – a loira deu um sorriso imaginando a cena enquanto o Deus fazia uma careta. – então Delfim me ajudou a acha-la e a convenceu a se casar comigo, explicou que eu não a prenderia e trataria muito bem. Nós apaixonamos e foi realizado um casamento bem digno. – ele deu um grande sorriso. – e desde então eu venho buscar honrar essa promessa e sempre a trato bem e a permito me auxiliar em minhas decisões. – ele olhou para a sereia. – e a cada dia eu tenho mais certeza que fiz a escolha certa. – ele se virou olhando de longe Anfitrite que estava extremamente bela em seu vestido azul escuro e algumas joias pelo corpo. Ele a olhava encantado.
A sereia sorriu olhando a cena, sabia que Anfitrite sempre dizia que gostava de sua liberdade, ela possuía mesmo uma personalidade doce quando não tentavam ferir aqueles que amava. Ela havia se tornado rainha dos mares e fora amada por todos. Não tem como você ser um deus se não for filho de um, porém você pode conquistar a divindade, isso já ocorreu com Hércules, que era um semideus, porém quando ele estava sofrendo uma tortura e quase morrendo, seu pai se apieda dele e deixa apenas o corpo mortal ser destruído e sua psyche é elevada a divindade e então passando a ocupar o olimpo como um deus. Anfitrite conseguiu a divindade através de seus feitos e ao se casar com um deus, ela alcançou a divindade, e se tornou uma deusa.
Assim como todos os outros deuses, Poseidon não era completamente fiel e já teve muitos casos, mesmo depois de casado, mesmo que tivesse diminuído e ficado anos sem se envolver com ninguém além da deusa. Entretanto não era atoa que era o Deus com mais filhos esparramados pelo mundo. O que mais deixava Lucy surpresa era o fato de Anfitrite não se importar. Ela não se importava desde que ele seguisse suas condições impostas antes do casamento. Para a sereia aquilo parecia um absurdo, porém com os Deuses era comum.
Um exemplo claro era o Deus do universo, Zeus. Quando se casou com Hera ela o fez prometer que nunca a trairia, uma pena fora que o Deus não prometera pelo rio estige, o voto mais sagrado, pois o deus não honrou com a promessa e duraram apenas alguns anos sua lealdade. Afinal os deuses possuíam imortalidade e consequentemente seus casamentos eram eternos, e aquilo parecia muito para eles. Hera vivia atrás de Zeus obcecada para descobri da infidelidade do marido, e ela obtinha razão em se sentir chateada, contudo perdia a razão quando atacava os filhos ou famílias dos descendentes do Deus. As crianças não tinham culpa, porém ela não podia fazer nada com o deus por ele ser o Deus do universo, então descontava nas amantes e filhos.
Um dos casos foi quando Hera descobriu de Leto uma titânide que Zeus havia engravidado. Ela jogou uma maldição para que Gaia não cedesse terra alguma para que a mulher pudesse dar a luz, ela não poderia dar a luz em terra firme ou em alguma ilha do mar. Leto perambulou por muito tempo, até conseguir encontrar a ilha flutuante de Delos e pode enfim dar a luz aos seus gêmeos Ártemis e Apolo. Ou quando ela convenceu a princesa Semele outra amante, a fazer Zeus prometer ao rio estige a aparecer em sua forma divina a ela, e então quando ocorreu ela explodiu não suportando a luz. Porém seu filho sobreviveu, onde Zeus o colocou em sua cocha até que estivesse pronto para nascer. Eram muitos os casos como aqueles.
E, Lucy tinha certeza que não se casaria como eles. Às vezes a maldição lhe parecia uma benção, porém, outras lhe pareciam uma tragédia.
**
Acabou não ficando por muito tempo na festa e logo tratou de ir até seus aposentos. Não estava muito empolgada para permanecer na comemoração. Não pensou que seria tão estranho estar de volta para casa, talvez ela de fato nunca se sentiu em casa, e agora lhe parecia mais nítido. Costumam dizer que o que é lar para você, não se trata do local onde você cresceu, mas sim, as pessoas que ali vivem.
Ela possuía as pessoas que amava ali, mais que tudo. Porém, parecia que algo estava faltando, ela só ainda não soube identificar o que. Deitou em sua cama e nem ao menos havia retirado todas joias, estava a fim de descansar para amanhã que já iniciaria as patrulhas, e ela queria estar bem quando fosse resolver as coisas, ou ao menos pretendia resolver. Uma batida na porta acabou por chamar sua atenção.
—Entre!- ela se sentou colocando sua calda para fora da cama e a porta se abriu, revelando Michelle que a olhou com um pequeno sorriso. – Michelle!- Lucy sorriu. – entre. — a outra sereia entrou e foi até a loira.
—Que bom que veio. – Lucy abaixou a cabeça e a outra a olhou com as sobrancelhas unidas. – o que houve? – ela podia esconder para todos ali, porém, não com Michelle.
— Um tempo atrás eu vi alguns mercantes vendendo escamas de sereias e fiquei extremamente irritada, acabou que eles tinham a plantas das sereias. – Michelle arregalou os olhos, não era de conhecimento aos humanos sobre a planta. – eu quase fui pega, porém... Um dos garotos daquela embarcação me salvou. – Michelle ficou quieta sem demonstrar alguma reação. – eu deveria ter voltado antes, eu deveria ter feito alguma a respeito. – Lucy se encolheu, estava se sentindo péssima com tudo isso e não conseguia disfarçar frente à Michelle.
—Por isso estava com eles então. – Lucy assentiu e olhou para a castanha que respirou fundo. – não tinha como você imaginar Lucy, não poderia imaginar que estava ocorrendo isso tudo, sempre ouve mercadores vendendo escamas, porém agora está mil vezes pior. Você não imagina quantas sereias foram dizimadas. — a loira apertou os punhos em ódio com tamanha covardia.
—Eu acabei descobrindo que os mercadores eram marinheiros de uma embarcação chamada Oracion Seis. – a castanha a olhou sem entender. Não tinha muito conhecimento sobre a superfície. – é um tipo de culto demonico, o capitão deles está envolto com magia negra. – a outra arregalou os olhos surpresa. – eu tenho certeza que é ele por trás disso e... Quando o encontrar, farei arrepender-se. – ela fechou os punhos em ódio.
— Vamos investigar isso. – ela assentiu com as palavras da castanha, ela estava disposta a averiguar cada passo daquele homem. — Fico feliz que tenha vindo Lucy. – a loira a olhou. – é sério. O que importa é que está aqui. – a sereia celestial assentiu meio inquieta. – não se culpe o importante e que voltou para seu lar. Agora pretende ficar, certo?- Lucy engoliu em seco olhando sua amiga, temia que essa pergunta viesse a ser questionada a qualquer momento, só não esperava que fosse tão rápida.
Fim.
“Se a extravagância fosse uma culpa, não teria lugar nas festas dos deuses.”
—ARISTIPO DE CIRENE-
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