Le Chant des Sirènes
38 Capítulo XXXVII
Notas iniciais
Capítulo XXXVII
Seus dedos parecem tomarem vida e seguem simultaneamente pelo papel com o pedaço de carvão em mãos, no qual em tons negros vai dando forma aquilo que espontaneamente ele desenha sem estar especificamente com algo certo em mente, e sim aquilo que ele parecia estar sentindo é esboçado no desenho. Quando percebeu o que estava fazendo, ficou por alguns minutos apenas observando o desenho. Ele havia a desenhado, o formato que tomou forma no papel era sua silhueta e rosto, o desenho parecia retratar bem a delicadeza e pureza e de sua beleza, porém, era tão efêmero perto da realidade.
Ele suspirou cansado, se sentia exausto. Ela havia ido a algumas semanas e se pareciam meses para ele. Se sentia incomodado sem sua presença e coisas que até então era seu maior entretenimento, passaram a simples feitos sem emoção. Odiava pensar que estava tão dependente de sua presença, de sua pele macia em contato com a sua, e de seu cheiro que pareceu peguinhar em suas narinas de modo que nenhum cheiro conseguia remover o doce dela.
Deitou as costas na poltrona e permaneceu olhando o desenho por sobre a mesa, como se aquilo fosse suficiente para lhe salvar das angustiantes sensações que vinha sentindo. Ele definitivamente não gostava de pensar nas hipóteses que pudessem significar, ele não queria e nem deveria pensar, não importa o quão forte aquilo fosse.
Há muitos anos ele aceitou o fato de que ele era um fodido e que tudo que era bom estava longe de seu alcance, e isso de fato a incluía.
Dentre todas as coisas pela qual Natsu tivera de aceitar abandonar e desistir, a que mais definitivamente estava o corroendo, era Lucy. Não importava quanto tempo ela ficaria, ou se voltaria, ele não deveria ousar pensar nela dessa forma. Ela estava longe demais para que ele pudesse alcançá-la, mesmo que seus dedos quentes encostasse em sua pele macia não estariam de fato tocando.
Ela era perfeita não por sua beleza, mas sim pela sua espontaneidade, pelo seu sorriso que dava quando via outra pessoa realizada, ou quando ficava vermelha facilmente com suas emoções de raiva e de vergonha, ou quando delicadamente colocava o cabelo atrás da orelha, ou quando coçava o nariz quando estava nervosa, quando fazia tudo para todos sem esperar algo em troca, ou quando defendia com garra o que acreditava. Entretanto, de todos os mínimos detalhes que nunca passaram despercebidos pelo rosado, o que mais lhe atraia definitivamente era a sensação que sentia ao tocar sua pele, e quando ouvia o coração dela bater acelerado quando ele se aproximava, como se seus corações parecessem um só com batidas descontroladas, contudo em sintonia. E seus olhos, ah seus olhos, tinha certeza que nem mesmo o melhor desenhista conseguiria os retratar de maneira tão perfeita, era o detalhe pelo qual nenhum desenho ou palavras seriam capaz de retratar propriamente, tudo parecia tão vago perto de como realmente eram.
Alguns diziam que os olhos azuis eram os mais belos do mundo, isso por que nunca viram os castanhos de Lucy. Ela o olhava de uma maneira que ninguém nunca o havia olhado, naqueles olhos ele conseguia ver tudo e ainda não saber interpretar quase nada, naqueles olhos ele podia ver um Natsu que ninguém mais parecia ver. Ele tinha a vaga certeza que os olhos fora a primeira coisa que o havia encantado, mesmo em seus mais sombrio sonhos, seus olhos a olhavam da mesma maneira. Era como se ela dissesse sem precisar citar palavras, era como se o tocasse sem precisar usar os dedos.
O metal frio das chaves por baixo de sua mão era uma vaga lembrança dela, uma última lembrança.
—Que ridículo!- ele falou irritado. – por que estou me sentindo tão mal a respeito disso?- ele passou a mão nos cabelos de maneira nervosa.
—Sabe, essa aparência depressiva não combina muito contigo. – ele levantou os olhos para o moreno que entrou sem bater em sua porta, o rosado ficou com uma feição fechada diante da falta de respeito de seu amigo, que parecia não se importar nem um pouco.
—Estas sem mão? Por que não bateu na porra da porta?- ele falou como se fosse óbvio, porém, o moreno apenas deu de ombros e se sentou na poltrona de frente. Olhou para o desenho em cima da mesa e depois para seu amigo.
—Já tem algum tempo que estamos em terra firme. – depois que Lucy se fora, eles navegaram para Magnolia e atracaram por lá onde terminaram de construir a casa da Fairy Tail, que era onde se encontravam agora. O moreno engoliu em seco antes de continuar. – vamos... Ficar aqui até ela voltar?- Natsu o olhou nos olhos e ficou quieto, nem ele sabia a resposta para aquela pergunta. Eles não sabiam quando ela voltaria, e se... Ela não voltasse?
—Não sei!- ele disse sincero dando de ombros fingindo não estar se importando com o fato, contudo era nítido seu incômodo.
—Ela vai voltar!- Gray disse firme e convicto, dizia mais para si do que para o amigo. Natsu ficou olhando o chão por alguns segundos com a mente divagando em nada especificamente.
—Deixe os outros descansarem por enquanto, tivemos dias exaustivos. – o moreno assentiu concordando. Eles haviam atracado ali para que fosse mais fácil dela os encontrar do que no mar, ao menos era isso que pensavam. Ela sabia que se não os achasse em lugar algum, os acharia ali.
Não era apenas Natsu que se sentia incomodado com a falta dela, e sim todos, todos sentiam falta dela.
Depois de um tempo o moreno se retirou da sala deixando novamente apenas o capitão ali, que se levantou em busca de ar e de alguma coisa que o entretece.
**
Ela se sentia como uma criança fazendo algo escondido dos mais velhos, mesmo ciente de que pudesse ser pega, não se preocupava de fato com isso. A adrenalina que aquilo lhe causava era mais forte que qualquer sentimento de responsabilidade.
Ela entrou dentro da caverna aquática e retirou uma rocha e finalmente pegando o tecido em mãos nas quais acariciaram sentindo a textura do pano e inconscientemente o levou até o nariz sentindo o perfume dele, mesmo em baixo da água, ela ainda podia sentir como se ele estivesse ali de verdade. O seu coração se preencheu de uma sensação que pareceu desaparecer com qualquer sentimento ruim que insistia em incomodá-la. Abraçou a camisa de Natsu ousando imaginar que em seu lugar estava ele, com sua altura e corpo forte, cabelos róseas e mãos quentes que lhe aquecia de maneira aconchegante.
Se sentia idiota por ter guardado sua camisa, contudo não possuía coragem de descarta-la ou até mesmo de devolvê-la, ela queria aquilo como uma lembrança dele além de seu colar. Admitia que ficou com ela de propósito e agora a usava para suportar estar ali, naquele lugar em meio as pessoas que ela não gostava. Suas lembranças estavam sendo sua força para suportar ficar, as lembranças que a faziam desejar voltar o quanto antes.
Guardou a blusa de volta e se preparou para voltar junto da patrulha, ela estava investigando a respeito da caça das sereias. Ao se aproximar das tropas e das sereias, avistou Michelle que se manteve neutra com sua presença. Desde o dia que ela a havia questionado sobre sua permanecia ali e Lucy decidiu ser sincera com sua amiga, e admitiu não ter vontade de ficar, pois as únicas coisas que a fazia querer se manter ali era a deusa e algumas de suas irmãs, que era pequeno perto do motivo pelo qual ela queria voltar. Michele obviamente não se agradou da resposta e tem evitado Lucy desde então, ela não concordava com a decisão da mesma e se manteve afastada, porém a loira se incomodava com isso como se algo não estivesse certo. Com isso em mente se aproximou da amiga.
—Michelle, devemos conversar!- ela fora direta em seu pedido, deixando claro que não pretendia adiar o assunto. A outra por sua vez manteve uma cara inexpressiva e foi para um canto mais afastado para conversarem sem serem interrompidas. – eu entendo que esteja chateada, e peço desculpas se minhas palavras possam ter soado de maneira errada e a magoada, eu não disse que você era menos importante, só que minha vontade de viver por lá e maior que aqui. – os olhos azuis da outra se direcionaram a ela de maneira fria. E ela admitia que aquilo doeu.
—Tudo bem Lucy, você faz o que quiser de sua vida, afinal foi o que sempre quis. – a maneira que as palavras foram ditas, cortaram o coração de Lucy. – Acliteia tem razão, você é mal agradecida, sempre teve tudo, a deusa sempre lhe deu tudo e você agradece indo embora, por que é uma egoísta. – Lucy arregalou os olhos surpresa e seus lábios se abriram levemente com o choque, pode sentir seu coração se apertar. – eu simplesmente não consigo entender o por que.
—Michelle... – Lucy falou baixo, não disfarçou sua tristeza. – me desculpa... Eu realmente estou sendo ingrata, você tem toda razão, mereço suas palavras duras, porém não o seu desprezo. – a castanha piscou os olhos para a loira. – você não pode me odiar por que querer viver minha vida, não pode me desprezar por isso. Não quando você não sabe como me sinto, e gostaria que se colocasse em meu lugar invés de me julgar, quando por fora tudo parece mais fácil, por que você é minha amiga. – a outra engoliu em seco com as palavras de Lucy. – eu não me importo com os julgamentos dos outros, se eu estiver feliz. Depois de anos só pensando nos outros, eu vou me permitir ser um pouco egoísta. – Michelle ficou quieta a olhando.
—Você é uma vergonha.- e então se retirou dali, deixando Lucy sozinha e extremamente chateada com o ocorrido. Ela sempre foi diferente das outras, porém, agora parecia tudo mais nítido, as sereias sempre eram mais frias e ela não conseguia sustentar essa muralha de gelo por muito tempo. Por alguns segundos ela ficou quieta olhando para o nada e até mesmo se odiando por não ser como as outras. O que havia de errado com ela?
— Princesa?- ela se virou para Delfim que estava atrás de si. – as tropas já estão pronta, alguns soldados avistaram um navio sequestrando algumas sereias ao sul de Tessália. – ela assentiu se recompondo e voltando para sua realidade, que consistia em salvar suas irmãs e lidar com tudo aquilo que estava ocorrendo nos reinos dos mares.
Sereias e outros seres aquáticos eram rápidos, porém, nenhum era, tão ágeis e rápidos quanto os hipocampos com seu corpo metade em forma de cavalo até às patas dianteiras e o restante do corpo em formato de peixe. O corpo escamado era brilhante em um tom azul e verde brilhante com a crina de barbatana. Eles eram responsáveis por puxarem a carruagem de Poseidon, eram bem ágeis e rápidos sendo utilizados também para fazer as rotas dos perímetros de segurança. No momento os hipocampos estavam sendo usados para levarem as tropas para as missões.
Lucy subiu em um que ela gostava de chamá-lo de Plue, ela tinha uma ligação especial com animal desde quando era pequena e fugia para ficar nos estábulos que eles eram cuidados. Acariciou a pele escamosa do animal que relinchou em resposta e sorriu, logo tratando de iniciar sua missão com os outros atrás de si. E depois de algumas horas eles conseguiram chegar até ao navio que havia sequestrado as sereias. Ele não havia um emblema com uma bandeira indicando qual facção eles poderiam fazer parte, porém a energia que ela sentira ao se aproximar era a perfeita confirmação de que era o navio certo.
Ela se virou para trás e em um aceno de cabeça foi o suficiente para as sereias ficarem em posição. Elas usaram o poder de controlar a água para as levarem até o navio, apenas aquelas que já dominavam a magia de transformação. Como um raio elas caíram por cima do navio de joelhos e ao levantar o rosto, observou o olhar assustado dos marujos, eles simplesmente viram tufões de água surgirem do mar e então elas caíram por sobre o convés. O olhar assustado mudou rapidamente para um de fascinação, ao notar os seres de beleza inumanas e ficaram enfeitiçados simultaneamente.
Elas usavam uma roupa de tecido fino para que quando fossem usar a forma humana não ficassem nuas. Lucy levou a mão até o objeto que Anfitrite lhe dera e o retirou do cinto dourado no qual estava preso. E então o girou na mão e então um tridente foi formado no qual ela fincou com força na madeira do navio que se rachou em resposta.
—Eu desejo falar com o capitão!- a voz saíra de forma cantada aos homens que logo trataram de se recompor ao ouvir uma porta sendo batida com força.
—O que está acontecendo?- um berro atraiu a atenção de todos até aquele que saia de uma cabine, a cabine do capitão. Lucy apertou os olhos para ele, e o mesmo ao notar a presença dos seres mitológicos esbugalhou os olhos. – o que ... É isso?
—O senhor sequestrou sereias, eu ordeno que as solte, agora!- ele piscou os olhos olhando a loira e recompôs sua postura, ajeitando sua calça em sua barriga protuberante.
—É o que acontece se eu não quiser solta-las?- ele sorriu ladino debochadamente como se tivesse as coisas a seu favor.
—Vai morrer de uma maneira mais dolorida.- ela deu um sorriso ladino e ele engoliu em seco e quando foi tentar fugir voltando para a cabine, ela segurou o tridente o lançando e acertando o pescoço do homem entre o meio dos espinhos na parede. Os olhos se arregalaram de tamanha forma ao notar que por uns mínimos centímetros, ele não havia encontrado a morte de frente. Tentou retirar o objeto de seu pescoço, porém o mesmo era extremamente pesado e estava fortemente preso a madeira no navio.
—Peguem-nas! – ele berrou entre pulmões, toda via não exibia a confiança necessária, porém seus homens responderam seu comando gritando entre pulmões e sacando armas em direção as sereias, que também reagiram ao ataque sacando suas armas e com destreza desviava dos ataque humanos.
A sereia celestial estava com os olhos fixos em seu propósito, então prontamente se dirigiu a ele. Fugiu de alguns marujos que entravam em seu caminho e girava o corpo acertando a perna, ou peitoral de algum deles. Enquanto se aproximava do homem que aturdido ainda tentava fugir de sua prisão, porém, quando a loira se aproximou ele soube que seu destino já havia sido assinado e sentenciado.
—Eu quero saber quem está por trás disso!- ela disse com a voz firme enquanto seus olhos o olhavam com irá. O homem, porém, negou com a cabeça, mesmo amedrontado ele se negou a respondê-la. Lucy então girou sua espada e fincou no ombro do homem que berrou entre pulmões. – eu não preciso que me diga em palavras mesmo. – ela levou as mãos até a cabeça dele e fechou os olhos recitando um cântico, seus olhos ficaram esbranquiçados ao se virarem. Ela entrou dentro da mente dele e buscou aquilo que ela desejava, então finalmente encontrou. Como imaginava, Zero estava por detrás de tudo e havia mandado vários navios como aquele em busca das sereias, aquele homem em si se aproveitou da ideia de poder controlar um dos seres mais poderosos e fez questão de tortura-las com a flor que Zero os havia ofertado. Quando Lucy saiu do transe, ela estava em choque e um ódio tomou conta de seu ser, olhou para o homem que ainda estava perdido depois de suas memórias terem sido vasculhadas. Ela gritou com raiva pela crueldade que fora feita a suas irmãs e segurou firme o tridente onde o arrancou puxando para o lado e assim arrancando a cabeça do homem que caiu rolando no chão junto de seu corpo sem vida.
Permaneceu paralisada por alguns segundos extasiada com os acontecimentos, e se virou olhando para trás e observando as sereias matando os outros marujos. Aquela imagem lhe trouxe um desconforto, guerras nunca lhe agradaram e não gostava da sensação que sentia após tirar um vida. Seja fraca ou qualquer outro nome que fosse ser denominado a essa característica, ela não se importava, admitia que era isso tudo e talvez mais, porém, sabia que por aqueles que amava ela poderia fazer coisas que até então eram imagináveis.
Voltou os olhos para o corpo inerte no chão e o sangue que escorria pela madeira do navio, tocando seus dedos a fez sentir como se seu corpo todo tremesse, e engoliu em seco tirando os olhos da cabeça do homem que ainda mantinha os olhos abertos a olhando sem vida, como se para lhe lembrar o que ela fizera e a julgasse por isso.
Desceu para ir atrás das outras sereias, e a cena a deixava enojada, algumas sereias estavam mortas com as escamas retiradas e outras presas dentro de um jaula cheia da flor que as feria.
—Como vamos entrar lá?- Acliteia questionou olhando as flores esparramadas de modo planejado para que as sereias não conseguissem dar um passo sem que pisasse nelas. Lucy simplesmente quebrou o cadeado e entrou na jaula sem se importar com a queimação que sentia na pele ao entrar em contato com a flor. Era como se sentisse sua pele necrosando e derretendo. – o que pensa que está fazendo?- a ruiva falou chocada enquanto a loira se aproximou de uma sereia e a carregou a levando até Acliteia que a segurou chamando outras sereias para ajudar.
A loira voltou para pegar as outras, e quando estava na terceira garota, faltando apenas aquela e mais uma. Sentiu seu pé chegar na carne viva e reclamar ao entrar em contato com mais um flor, seu grito fora alto e caiu de joelhos notando seu pé sangrando e extremamente machucado, porém, ela ignorou engolindo em seco levando a outra sereia para sair do local, podia sentir as narinas arderem só com o odor da flor.
— Princesa!- Cassandra, uma sereia de pele negra e cabelos longos com cachos falou a olhando assustada. – você não deve mais fazer isso! Outra pessoa deve fazer agora. – a loira negou com a cabeça e tirou os cabelos que insistiam em grudar no rosto suado.
—Está tudo bem Cass!- ela tentou sorrir, mas tinha certeza que sairá mais como uma careta. – eu meio que já me acostumei, e só falta mais uma. – falou como se não fosse nada, como se seu pé inteiro não estivesse corroído, e realmente não era nada. Ela sentia que devia isso a cada uma das sereias que ali se encontravam, ou que morreram de forma tão cruel pelas mãos daqueles humanos. Ela se virou indo até a última e a carregou a levando até a porta da jaula. Podia sentir sua visão ficar embaçada juntos de pontos pretos que surgiam em sua vista, piscou os olhos incomodada, até que sentiu o corpo mole e as pálpebras pesadas, assim que entregou o corpo da garota, ela caiu desmaiada no chão.
—Princesa!
**
Estava sentado na banqueta do bar pensativo e com uma sensação extasiada pelo seu corpo, até mesmo seu alerta parecia estar desligado. Nada estava o interessando ou importando no momento, a única coisa que lhe parecia mais agradável era seu copo com rum que já estava vazio, e isso de fato o indignou, era inadmissível uma coisa dessas. Um homem precisa de seu copo sempre cheio quando sua alma parece vazia.
—Me dê mais um copo!- ele falou embolado talvez estivesse passando do ponto, porém o barman não se importou com o fato e lhe serviu de mais um copo cheio de rum.
—Ora ora, quem muito bebi tem muita coisa dentro para tentar afogar com a bebida.- ele se virou não muito interessado na voz, e notou a mulher alta de pele parda e cabelos negros curtos. Seus grossos lábios estavam pintados com um vermelho forte e sensual. Ele a reconheceu na hora.
—Reia!- ele falou sem muito entusiasmo, porém, a mulher pareceu não se importar e sorriu para o rosado ao seu lado.
—Natsu Dragneel, você está péssimo!- ela riu o olhando de cima abaixo. – o que acontecera contigo para que um fato que até então fosse impossível, ocorresse?- ela deu um sorriso ladino.
—Estou normal.- ele deu de ombros levando o copo até os lábios.
—Eu diria que não, e as outras pessoas concordariam comigo.- ela deu uma risada.
— Não é como se eu me importasse com que as pessoas acham. – ele a olhou de canto e ficou mexendo no copo no balcão.
—Claro. – ela revirou os olhos e se sentou na banqueta ao lado dele. – está acontecendo alguma coisa, parece bastante pensativo?
—Não estou muito afim de falar disso agora Reia, me perdoe. – ele disse sincero, contudo a mulher colocou o braço no balcão e pós a cabeça sobre a mão o olhando curiosa, e ele bufou rindo. – você não irá desistir, certo? – ela negou rindo. – você não acha ridículo ficar pensando tanto tempo em uma pessoa? – ela semicerrou os olhos.
—Depende da circunstâncias, se ela lhe deu um pé na bunda ou lhe traiu, sim, é estúpido. – ele negou veementemente com a cabeça.
—Não estou falando de mim!- ela o olhou como se não acreditasse em suas palavras e ele bufou. – tá bom, sou eu. – ela deu uma risadinha. – estou apenas frustrado, não deveria ser tão difícil.
—Difícil?- ela o olhou sem compreender. – se apaixonou por uma rica de família honrada? Tão típico.
—Antes fosse.- ele deu uma risada sem humor. – eu não deveria nem pensar nela dessa forma, ela está além do meu alcance. – Reia observou o garoto e então suspirou.
—Nada é inalcançável se não tentarmos. – ele se virou para olha-la. – quando desejamos muito uma coisa, não desistimos dela tão fácil.
—Eu nem ao menos tentei. – ele disse frustrado por que era exatamente assim que ele se sentia a respeito de tudo. – eu nunca tive interesse em nenhuma garota e quando tenho e por uma que nunca poderá ser minha.
—Por que não?- ela perguntou sem entender tal motivo que os impedia.
— Digamos que eu morro se ficar com ela.- ela uniu as sobrancelha sem compreender, porém, não estendeu o assunto, se o rosado desejasse ele falaria, ela não o forçaria. Conhecia bem como Natsu Dragneel era, ele não costumava falar sobre seus sentimentos.
—Sabe Natsu, muitas histórias de amores improváveis, tais como o casal do vale dos apaixonados, Elena e Paris de Tróia. – ele ficou quieto. – Mavis e Zeref, e alguns outros, sabe o que eles tem de comum?
—As tragédia?- ele disse rindo amargo, entretanto a morena negou com a cabeça.
—Um amor tão forte, que lutaram até o fim por ele.- ela sorriu doce para ele.- sei que por fora parece amores idiotas que obtiveram fins trágicos, toda via todos eles foram algo extremamente forte, e até hoje jamais saberemos se iremos viver um amor desse, porém passamos a vida toda desejando viver um. – ele a olhou piscando os olhos sem reação.- então, se você tem nem que seja uma mínima chance de viver um, você deve aproveita-la. – ele ficou a olhando sem falar nada por alguns minutos.
— Por que acha que pode ser um amor assim? Eu nem ao menos sei o que estou sentindo. – ela sorriu.
— Por que é exatamente assim que o amor é, confuso porém intenso, e eu consigo ver isso em seus olhos. – ele se virou para frente incomodado, não gostava quando as pessoas viam mais do que ele se deixava transparecer.
—Sabe, eu nunca obtive muita coisa em minha vida, minha infância foi uma verdadeira droga, eu não me importo em como ou quando irei morrer. – ele olhou para o líquido em seu copo. – porém, eu me importo quando isso interfere na vida de outras pessoas, na vida de meus companheiros e na vida dela. – ele se virou a olhando. – se ela fosse a última coisa que eu pudesse ter, pode parecer ridículo para os outros, mas foda-se, eu não me importaria que a última coisa que me fosse ofertada fora algo que me foi privado a vida toda. – ele sabia bem como sentia cada um das pessoas pelas quais ela citou, ele sabia por que mesmo que fosse algo ridículo e impossível na visão dos outros, ele se imaginava fazendo algo parecido. – contudo, eu tenho outras coisas para fazer, tenho uma missão para cumprir, não posso me dar ao luxo de pensar em coisas assim. – ela o olhou compressível.
— Eu nunca pensei que você fosse ser um cara que se apaixonaria um dia. – ela sorriu ladino. – você sempre pareceu descrente quanto ao assunto.
—É, como sempre o destino me fodendo, mostrando que eu estava errado. – ele fora sincero, pela primeira vez de fato ele estava admitindo o que talvez estivesse óbvio. Porra, ele estava fodidamente apaixonado por Lucy Heartfilia.
Fim.
“O verdadeiro amor é como os fantasmas. Todos falam nele, mas ainda ninguém o viu.”
—François La Rochefoucauld—
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